Boletim Virtual de Pesquisa Psi

Ano 1 - Número 1 - Maio 2004
www.pesquisapsi.com/boletim

RealizaçãoInter Psi / CENEP/COS/PUC-SP

 
Conteúdo

Editorial

Entrevista Exclusiva com Dr. Carlos Alvarado falando sobre a Pesquisa Psi como ciência na América Latina.

Introdução ao Conceito de Psi.
por Leonardo Stern

Pesquisa Psi é Ciência.
por Péricles Moraes

Ceticismo e Parapsicologia
por Weber Dalla Vechia.

Breve Introdução aos Conceitos de Poltergeist e Hauting.
por Fátima Regina Machado.

Pistas para o Estudo Acadêmico de Psi no Brasil
por Wellington Zangari.

Ganzfeld e Psi : Guia de Leitura - Parte I.
por Wellington Zangari.

Relação dos principais centros universitários que investigam psi - Parte I.

 


Editorial

Hoje em dia, mesmo com o advento da internet, com aceleração do processo de globalização e em plena "Era da Informação", poucos são os brasileiros privilegiados que têm acesso a publicações científicas e de qualidade especializadas em Pesquisa Psi. Na maioria das vezes, além de arcar com assinaturas em dolar, é necessário conhecimentos de inglês ou espanhol. Pensando neste problema, o Inter Psi criou a Biblioteca Virtual de Pesquisa Psi (www.pesquisapsi.com/biblioteca), que disponibiliza gratuitamente mais de 2.000 resumos de artigos e dezenas de artigos completos sobre o assunto. A maioria, infelizmente, está disponível em inglês, mas alguns artigos já foram traduzidos e outros já se encontram em processo de tradução.

Existe, no entanto, uma lacuna entre a Biblioteca Virtual de Pesquisa Psi e a população em geral: na maioria das vezes os artigos são muito técnicos e de difícil compreensão para aqueles que não estudaram o assunto e desejam aprender os conceitos básicos e intermediários desta área de pesquisa. O Boletim Virtual de Pesquisa Psi tem como objetivo principal oferecer material simples e de boa qualidade, e totalmente em português, acessível para a população em geral, que divulgue a Pesquisa Psi como ciência legítma e ajude a combater aqueles que se aproveitam da falta de divulgação do tema para os incautos e se auto-promoverem como "parapsicólogos" ou como "paranormais".

Esta primeira edição foi inteiramente escrita por membros do Inter Psi e consolida o esforço do grupo em preparar novos pesquisadores. O Inter Psi é um grupo acadêmico de estudos científicos da hipótese psi que incentiva a produção científica de seus membros e leva à comunidade informações a respeito de Pesquisa Psi e de suas áreas afins. Os membros participam de reuniões e conferências abertas e cursos à comunidade. Conheça mais o Inter Psi em : http://www.pesquisapsi.com/interpsi

O material deste Boletim é grauito e pode ser distribuído ou reproduzido livremente desde que a fonte (Boletim Virtual de Pesquisa Psi), o link (www.pesquisapsi.com/boletim) e os nomes dos autores sejam mantidos e que a cópia permaneça livre para ser redistribuída, sob as mesmas condições.

Leonardo Stern

Voltar


Entrevista Exclusiva com o Dr. Carlos S. Alvarado

O Dr. Carlos S. Alvarado é uma das mais importantes personalidades da Pesquisa Psi atual. Foi Presidente (1995) e Presidente-Eleito (2002-2003) da Associação Parapsicológica (Parapsychological Association). Trabalha como Diretor de Programas Internacionais e Locais da Fundação Parapsicológica (Parapsychology Foundation), de Nova Iorque, onde ainda ocupa as funções de Editor da série de Monografias Parapsicológicas (Parapsychological Monographs) e de Editor-Associado da Revista Internacional de Parapsicologia (International Journal of Parapsychology). Sua formação inclui a graduação em Psicologia, um Mestrado em História (Duke University) e um Doutorado em Psicologia (Universidade de Edimburgo). Juntamente com a pesquisadora e esposa Nancy L. Zingrone, Alvarado tem lutado para o progresso da Pesquisa Psi na América Latina, tendo participado de eventos psi no Brasil em mais de uma ocasião. O trabalho de ambos têm inspirado dezenas de novos pesquisadores no Brasil e em vários países latino-americanos.

BVPP: Como se deu seu interesse por Pesquisa Psi?

Começou por volta de 1972 com uma inquietação geral que me levou a explorar o ocultismo, o espiritismo e outros temas relacionados. Acabei por encontrar a tradição parapsicológica em minhas leituras. De imediato senti grande atração pela abordagem crítica, sistemática e científica. Daí em diante decidi conhecer mais desta literatura e, posteriormente, decidi me dedicar a este campo de maneira profissional.

BVPP: Quais são seus temas de interessa atualmente que estudos tem realizado?

Meus interesses principais são o estudo da história da Parapsicologia e das experiências fora-do-corpo. Publiquei artigos históricos em revistas especializadas. Alguns temas tratados foram a terminologia parapsicológica, o papel da médium Eusapia Pallladino no desenvolvimento de aspectos da Pesquisa Psíquica, a importância e o papel do conceito da sobrevivência após a morte em Parapsicologia e os estudos de dissociação da Sociedade de Pesquisas Psíquicas no século XIX.

Em relação à experiência fora-do-corpo, realizei vários estudos com questionários sobre o fenômeno quando este acontece de maneira espontânea. Estes incluem estudos descritivos da fenomenologia da experiência fora-do-corpo e de fatores relacionados a esta e à relação da experiência fora-do-corpo com experiências parapsicológicas, o sonho lúcido, as variáveis de personalidade, as variáveis demográficas, a dissociação e a absorção.

Além desses temas, também me interessa muito o estudo de casos espontâneos em geral, a educação em Parapsicologia e a relação entre a Psicologia e a Parapsicologia.

BVPP: Como vê a Pesquisa Psi no mundo atualmente? É verdade que houve uma alteração do centro de interesse dos Estados Unidos para a Europa?

Atualmente a Parapsicologia não está bem como disciplina científica nos Estados Unidos. Há muito pouca pesquisa sendo realizada full time, algo que não era assim há uns 10 anos. Várias organizações fecharam ou estão em um período de pouca atividade. Na Europa, especialmente no Reino Unido, há mais pessoas e pesquisas. Mas essas são tendências que mudam com o tempo e de acordo com a disponibilidade de fundos e outros fatores sociais.

BVPP: De que forma a existência ou não de recursos tem afetado a Parapsicologia durante sua história?

A falta de recursos em Parapsicologia tem sido um dos problemas principais ao longo da história. Poucos recursos produzem poucos pesquisadores e, por extensão, poucas pesquisas, poucas publicações, poucos empregos profissionais e, o que é pior, pouco progresso na área. Se não há recursos econômicos ou de outra natureza, aprendemos muito pouco sobre os fenômenos que estamos estudando.

BVPP: Como vê a Pesquisa Psi na América Latina?

Como escrevi anteriormente, considero que a Parapsicologia na América Latina não se desenvolveu muito como uma disciplina profissional e científica. Muitas pessoas não têm o treinamento nem o conhecimento da literatura contemporânea necessários para fazer Parapsicologia no mundo moderno. Há demasiada teoria sem base empírica em alguns setores.

Mas é importante notar que em tempos recentes tem havido progresso. Refiro-me às pesquisas experimentais de Fábio Eduardo da Silva, Sibele Pilato e Reginaldo Hiraoka (Brasil) e de Alejandro Parra (Argentina) e seus associados. No Brasil, os doutorados obtidos por Fátima Regina Machado e Wellington Zangari com teses com relação com a Parapsicologia som importantes. Machado e Zangari têm feito conquistas importantes no sentido de colocar a Parapsicologia no âmbito universitário.

BVPP: Quais são os mais importantes desafios da Pesquisa Psi atualmente?

O principal é poder continuar com as pesquisas entre tanta resistência da ciência oficial. Também me parece importante continuar as tentativas de correlacionar os fenômenos com variáveis psicológicas, médicas, físicas, antropológicas, etc.

BVPP: Os céticos afirmam que a Parapsicologia não pode demonstrar a existência de psi e que, portanto, é uma área que deveria desaparecer. Como responderia a essa crítica?

Creio que esta posição é exagerada. Ainda que existam problemas na replicação de estudos experimentais, há certa consistência, como se pode verificar em algumas revisões de literatura, especialmente nas meta-análises. O que eu digo aos críticos é que a ciência precisa manter perspectivas amplas e precisa continuar a pesquisa. Com tão poucos recursos, a Parapsicologia não tem tido a mesma oportunidade que a Psicologia e a Psiquiatria para resolver problemas.

Por outro lado, a existência de psi não é o único tema de interesse da Parapsicologia. Essa disciplina também estuda experiências sem procurar demonstrar que estas são verídicas ou "paranormais". Meus estudos de experiências fora-do-corpo são um exemplo disso. Também é possível trabalhar neste campo seguindo hipóteses convencionais. Em outras palavras, a Parapsicologia é mais que um "sim" ou um "não" em relação à realidade da experiência investigada. Desde esse ponto de vista, têm-se feito importantes contribuições em termos da prevalência, das características fenomenológicas e das relações com variáveis psicológicas com alguns dos fenômenos, o que mostra que a posição do crítico aludido na pergunta não é suficiente para acabar com a pesquisa.

BVPP: Os religiosos alegam que psi demonstra a existência da alma. O que poderia dizer a esse respeito?

Isto não é apenas defendido por religiosos, mas por outras pessoas também. Exemplos são os pesquisadores do passado, como Myers e Bozzano, e pesquisadores como J. B. Rhine e J. G. Pratt. Apesar de os argumentos dessas pessoas e de outras, creio que essa posição não esta demonstrada. Ainda que existam argumentos em seu favor, não me parece que no estado limitado de nossos conhecimentos possamos afirmar com segurança que a existência da alma ou do espírito tenha sido demonstrada.

O que parece importante é manter uma mente aberta a explicações diferentes das convencionais. É possível que algum dia possamos documentar a existência de um princípio ou um processo alternativo que modifique nossas idéias de funcionamento do sistema nervoso (por exemplo). Isso poderia mudar o paradigma ou poderia interatuar com esse. Até agora apenas podemos dizer que alguns resultados sugerem que nossa visão de funcionamento sensório-motor é incompleta. É prematuro invocar o espírito como explicação, especialmente na forma contundente como alguns costumam fazer.

BVPP: Há quem defenda o uso de psi em terapias. Há conhecimento suficiente para recomendar a aplicação de psi em psicoterapias ou terapias orgânicas?

Não creio que tenhamos os conhecimentos suficientes nem o controle do fenômeno necessário para proceder a uma aplicação confiável em matéria de terapia. Quem sabe isso possa ser de ajuda em alguns casos, mas não creio que alguém deva depender exclusivamente de fenômenos parapsicológicos para fazer psicoterapia ou outra forma de terapia.

BVPP: Quais suas esperanças para a Pesquisa Psi no futuro?

Minha esperança é que venhamos a fazer pesquisas e o trabalho teórico suficientes para aumentar significativamente a compreensão dos fenômenos que estudamos. Para mim isto significa a expansão do potencial humano.

Mas temos que ser realistas. Isto não apenas tomará muito tempo, senão que, como todo o estudo realizado com seres humanos, a tarefa é sumamente difícil. Apesar do progresso relativo em Psicologia e em Psiquiatria no estudo de muitos fenômenos, como os sonhos, as imagens mentais, a esquizofrenia, a dissociação, as alucinações, a criatividade, as emoções , ainda não conhecemos plenamente a natureza desses fenômenos não-parapsicológicos. Ainda se discute na literatura sobre sonhos porque sonhamos. Os modelos apresentados muitas vezes se contradizem. Nem mesmo compreendemos exatamente como um trauma pode causar amnésia ou a relação exata entre saúde mental e criatividade. A realidade é que desconhecemos muito dos aspectos da mente humana que são básicos para nossa compreensão dos fenômenos parapsicológicos.

É muito difícil dar sentido aos fenômenos parapsicológicos quando não entendemos em detalhes as variáveis que tratamos de relacionar às experiências fora-do-corpo ou à percepção extra-sensorial. Como podemos compreender a relação entre percepção extra-sensorial e a extroversão e os estados alterados de consciência quando ainda não conhecemos muitas coisas básicas sobre a psicologia e a psicofisiologia desses últimos fenômenos? Os limites do conhecimento atual sobre a natureza e o funcionamento da mente humana limitam muito a Parapsicologia. Mas temos que viver com essa incerteza. Isto é parte do processo científico em áreas fronteiriças como a nossa.

Saiba mais:

Contato com o Dr. Carlos S. Alvarado: alvarado@parapsychology.org

Recientes Estudios y tendencias en la Investigación de las Experiencias Fuera del Cuerpo, Carlos S. Alvarado, Ph.D.
http://www.pesquisapsi.com/content/view/2263

Estudos Científicos das Experiências Fora-do-Corpo
http://www.pesquisapsi.com/topico37.html

Estudos Científicos das Experiências Próximas da Morte
http://www.pesquisapsi.com/topico32.html

Alejandro Parra
http://www.alipsi.com.ar/cvparra.asp

Experimento realizado por Fábio Eduardo da Silva, Sibele Pilato e Reginaldo Hiraoka
Ganzfeld vs. No Ganzfeld: An Exploratory Study of the Effects of Ganzfeld Conditions on ESP.
http://www.pesquisapsi.com/artigo77.html

Resumo da Tese de Doutorado de Wellington Zangari.
http://www.pesquisapsi.com/artigo2114.html

Resumo da tese de Doutorado de Fátima Regina Machado
http://www.pesquisapsi.com/artigo2113.html

Voltar


Introdução ao Conceito de Psi

Leonardo Stern
Inter Psi / CENEP / COS / PUC-SP
lstern@pesquisapsi.com

Resumo

Neste texto é feita uma pequena reflexão sobre o uso do conceito de paranormal dentro do contexto científico avaliando seu significado, sua neutralidade e suas implicações teóricas. O termo psi é introduzido e proposto como subtituto mais adequada do termo paranormal para utilização em ambiente acadêmico-científico. 

Sobrenatural

Uma vez que estamos avaliando o conceito de paranormal apenas do ponto de vista científico e que existem outras formas de conhecimento alternativas ao conhecimento científico que são igualmente válidas Dentre eles :

A ciência, por sua vez é definida por Ander-Egg como:

A ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma natureza.

Isto é, não é obtido ao acaso, mas através de regras lógicas e procedimentos técnicos, é falível e verificável.

Percebemos, então, que todo campo de pesquisa científica deve definir o seu objeto de estudo de modo neutro e preciso eliminando qualquer tipo subjetividade que a definição possa conter.

É neste âmbito que analisaremos o conceito de paranormal. Antes de analisarmos o conceito propriamente dito, é necessário atentar para as incompatibilidades entre conceitos populares e conceitos científicos.

Na antiguidade, o ser humano não conhecia os mecanismos responsáveis por fenômenos naturais como a chuva, relâmpagos, vulcões, arco-íris, eclipses e uma infinidade de fenômenos eram frequentemente associados a divindades ou ao sobrenatural. Com o avanço da ciência a causa destes fenômenos passou a ser conhecida e o tratamento místico dado a eles perdeu o sentido, praticamente desaparecendo. Hoje chuvas, relâmpagos e vulcões são tratados como fenômenos corriqueiros e naturais.

Devemos então avaliar se os fenômenos paranormais são naturais e corriqueiros e se o conceito popular de paranormal apresenta as mesmas características das antigas mistificações de fenômenos naturais.

O termo sobrenatural na lingua portuguesa possui os seguintes significados (LUFT, 1995) :

  1. Que está fora ou acima do natural, das leis naturais.
  2. (Rel.) Que pertence ao campo da fé.

Percebemos, entào, que se os fenômenos forem sobrenaturais, não seguem as leis naturais ou necessitam de fé para serem percebidos, em ambos os casos não seriam fenômenos verificáveis cientificamente. Sendo assim, a ciencia não pode tratar de fenômenos sobrenaturais.

Se os fenômenos paranormais são sobrenaturais, a parapsicologia não é ciência !

Raridade e natureza do fenômeno

Se o fenômeno é raro ou anormal significa que esta característica está presente em poucas pessoas ou que ocorram raramente em muitas pessoas. Inicialmente pensamos que esta característica esta em acordo com a definição que queremos construir uma vez que desconsiderando a quantidade de charlatanismo que existe nesta área, o número de pessoas que supostamente movimentam objetos com o poder da mente, curam com um simples toque ou possuem o conhecimento do futuro e do passado representa uma parcela extremamente pequena ou nula da população.

Existe uma falha neste raciocínio. Estamos partindo de uma pré-definição do que sejam os fenômenos paranormais, estamos considerando que eles se resumem a eventos de grandes proporções e de fácil observação, como os citados acima. Talvez a falha seja provocada pela mídia, que costuma intensificar e colorir conceitos para torna-los mais interessantes e promover o sensacionalismo, o espetáculo ou pela nossa vontade de crer em algo mágico ou fantástico.

Torna-se complicado conceituar o fenômeno sem recorrer a nenhuma definição prévia do que sejam, para resolver este problema, assumiremos que estamos conceituando os fenômenos paranormais a partir da aceitaçao de algumas hipóteses como verdadeiras e, posteriormente, avaliaremos a auto-consistencia da definição e partirmos para alterações e refinamentos.

Esta conceituação inicial seria um esboço mental do que categorizaríamos como evento paranormal. Uma das primeiras imagens que me vem à cabeça são de que os eventos paranormais são constituídos por fenômenos mágicos ou sobrenaturais, forças desconhecidas ou ocultas, impressão que converge para a definição passada pela mídia e já criticada no texto.

Uma reflexão mais ponderada sobre o assunto nos leva a concluir que as palavras "mágico", "sobrenatural" e "oculto" são fruto da mistificação ou empolgação em relação ao assunto. O termo "desconhecido" substitui os termos criticados com muito mais propriedade e os dá uma roupagem muito mais sóbria , contida e flexivel.

Podemos então imaginar fenômenos paranormais simplesmente como fenômenos desconhecidos. Assuntos como matéria escura ou a antigravidade são tratados com grande controvérsia, sabe-se pouca coisa ou nada sobre seus supostos e sua existência é hipotética e controversa. Apesar de concordarem com a definição aqui exposta para fenômenos paranormais estes parecem não ser os fenômenos que buscamos estudar dentro da parapsicologia. A definição mostra-se incompleta.

Da mesma forma, cabe a ciência o papel de investigar os fenômenos paranormais. Se é a parapsicologia que estuda este fenômenos, ela deve utilizar das mesmas ferramentas que propiciaram o avanço da ciência até então : a observação e o método científico. Caso estas ferramentas venham a se mostrar inadequadas para a pesquisa do paranormal, elas devem ser adaptadas ao invés de descartadas pois se baseiam exclusivamente na lógica e na racionalidade e são frutos de séculos de desenvolvimento.

Devemos então nos preocupar em tratar os fenômenos paranormias dentro dos moldes da ciência convencional e para que nosso esboço inicial tenha qualquer utilidade necessitamos de algum refinamento pois sabemos que os fenômenos paranormais são fenômenos desconhecidos mas vimos também que nem todos os fenômenos desconhecidos se enquadram como fenômenos paranormais e a primeira exigência do método científico é definirmos com clareza o nosso objeto de estudo.

Avaliando os fenômenos que consideramos paranormais podemos perceber que estes sempre estão relacionados com a presença de algum ser vivo. Apesar de normalmente pensarmos em fenômenos paranormais causados por pessoas, muitos acreditam possuir animais com capacidades paranormais (BURTON, 1973). Deste modo é mais prudente definirmos os fenômenos paranormais da seguinte forma :

Interações desconhecidas envolvendo organismos e o meio. De fato, uma das definições para parapsicologia aceitas pela Parapsichological Association é "o estudo das SUPOSTAS novas formas de comunicação ou troca de influências entre os organismos e o meio".

Após uma breve reflexão sobre esta definição, vemos que esta não pressupõe características do fenômeno e está de acordo com nosso esboço. Não podemos afirmar se é uma nova forma de comunicação antes de estudar o assunto. O termo "supostas novas formas" traduz a situação de desconhecimento dos mecanismos enquanto afere a impressão inicial de que tais mecanismos são desconhecidos. Quanto à questão da definição impor a presença de seres vivos no processo, não há nenhum inconveniente nisto. Se há comunicação existe a presença de algum organismo vivo e, as influencias mencionadas não são do tipo que podem ser causadas por fenômenos abióticos.

Visto que não há nenhum problema com a definição, podemos utiliza-la sem nenhum prejuízo para o desenvolvimento da questão da anormalidade do fenômeno. A definição exposta consegue englobar todos exemplos de fenômenos "paranormais" citados anteriormente, mas engloba muitos outros eventos sutis que talvez passem desapercebidos como "paranormais" e agora são formalmente categorizados como tal.

Obviamente, é possível nos depararmos com situações onde a definição de fenômeno paranormal precise de novos refinamentos mas, é impossível prever todas estas situações apriorísticamente. Devemos, então seguir com nossa definição atual.

Justamente por incluir fenômenos sutis e por SUPORMOS ser uma nova forma de comunicação, esta área de estudos assume um papel investigativo. Sendo ou não um fenômeno paranormal legítimo, este estará dentro do campo de investigação da parapsicologia.

Voltando para a questão sobre a freqüência e normalidade destes eventos, devemos analisar todos os relatos que se enquadrem nesta definição. Percebemos que alguns fenômenos relatados não são tão raros assim. Alguns fatos comuns, relatados por grande parte da população atendem a esta definição e constituem-se *candidatos* a eventos paranormais. Entre eles: *saber* quando uma pessoa querida está ligando; querer falar com uma pessoa com quem não fala há muito tempo e perdeu o telefone e, LOGO DEPOIS, esta pessoa telefonar; oferecerem alguma coisa que você precisava muito, justamente na hora em que mais precisava e tinha vergonha de pedir. Tudo isto aparenta ser uma forma de comunicação desconhecida entre os seres mesmo que estes não tenham plena consciência de que ela esta ocorrendo. (SHELDRAKE, 2000)

Cabe ao investigador do paranormal estudar estes casos para avaliar se há fraudes, enganos ou não passam de coincidências ou casualidades. O pesquisador desta área é a pessoa mais indicada para avalia-los. Sendo genuínos ou não, estes fenômenos constituem-se como alvo de estudo da parapsicologia.

Não há qualquer parâmetro que determine que o fenômeno paranormal seja consciente ou aconteça por vontade dos entes participantes. Tais pressuposições derivam de imagens pré-concebidas do que seja "paranormal" e pré-definem características sobre os mecanismos destes fenômenos.

Poderíamos estender os exemplos citados para uma longa lista apenas parando para pensar em eventos desta natureza que ocorreram em nossa própria vida. Desta forma, se torna mais próprio que *inicialmente* consideremos os fenômenos paranormais como sendo comuns, não esquecendo que a investigação dos *supostos* fenômenos paranormais pode nos mostrar que eles são atípicos ou até mesmo inexistentes.

Neutralidade da definição.

Torna-se impróprio chamarmos esta classe de eventos de fenômenos paranormais justamente por se tratarem (a principio) de fenômenos habituais. Usaremos um termo mais neutro para designar tais fenômenos. Chamaremos tais fenômenos de fenômenos psi e, analogamente, o estudo destes fenômenos de pesquisa psi ou estudo do psi.

Antes de seguirmos adiante, é necessário desfazer um engano muito comum em relação ao uso da palavra psi quando presente no termo "pesquisa psi ". Um engano que aqui deve ser desfeito se refere ao uso da palavra psi. Psi normalmente é associado à palavra grega psique, que significa alma, tal uso foi adotado em "psicologia " (estudo da alma) e por extensão em "parapsicologia ". "Parapsicologia" não é um termo adequado para nomear o estudo dos fenômenos psi por pressupor alguma característica deste fenômeno. "Pesquisa psi" é um termo mais adequado e nele, o uso da letra &psi(psi), serve apenas para classificar um conjunto de fenômenos, tendo significado totalmente neutro tal como ocorre com a letra &pi (pi) usada na matemática para descrever a relação entre o comprimento e o diâmetro de um circulo, da letra &gamma (gama), na física, para designar um tipo de radiação ou o A, B , C ,D, ... que identifica as vitaminas.

Sendo um termo neutro, o psi está adequado a nomear a classe de eventos aqui tratados. Todas as *suposições iniciais* devem considerar o psi como fenômeno comum, natural portanto. Somente a investigação psi nos dará um posicionamento mais sólido quanto à natureza do mesmo (existem algumas discordâncias quanto à neutralidade do termo psi, entretanto uma vez exposta a nossa intenção de uso do termo como neutro torna-se desnecessária qualquer discussão mais aprofundada sobre o assunto). Percebemos então que o tratamento popular dado aos chamados fenômenos paranormais é o mesmo que chuvas, relâmpagos e trovões receberam na antiguidade. A nomeclatura e definição de fenômeno psi expostos neste artigo visam resolver este problema.

Bibliografia

ANDER-EGG, Ezequiel (1978) Introducción a las técnicas de investigación social: para trabajadoes sociales. 7. ed. Buenos Aires : Humanitas
BURTON, M. (1973). The sixth sense of animals. New York, NY: Taplinger.
LUFT, Celso Pedro (1995) Minidicionário Luft 10. ed. São Paulo : Editora Ática
SHELDRAKE, Rupert (2000).Telepathic telephone calls; Two surveys. Journal of the Society for Psychical Research, 64 (pp. 224-232)

Voltar


Pesquisa Psi é Ciência?

Péricles Moraes
Inter Psi / CENEP / COS / PUC-SP
pmoraesf@uol.com.br

Resumo

Apresentamos os elementos básicos e características da Pesquisa Psi, objeções à sua consideração como ciência e posicionamento dos pesquisadores. São descritas as bases do pensamento científico clássico e como se processam as revoluções científicas. Finalmente, são verificadas as conseqüências nas Pesquisas Psi.

Introdução

Ao longo de toda a história da humanidade sempre foram encontradas descrições de fenômenos anômalos, fora do comum e aparentemente não explicáveis pela ciência estabelecida. O questionamento que dá nome a este trabalho tem por objetivo verificar se os critérios adotados em Pesquisa Psi estão amparados pela ciência. Em outras palavras, se Pesquisa Psi é Ciência?

Definições e classificação

Embora não seja escopo deste trabalho a apresentação de definições exatas e classificações exaustivas do conjunto de fenômenos abrangidos pela Pesquisa Psi, apresentamos a seguir, apenas com o objetivo de orientação, uma singela definição e classificação dos fenômenos Psi.

A Pesquisa Psi estuda as interações aparentemente extra-sensório-motoras entre seres humanos e entre seres humanos e o meio ambiente. Essas interações são aqui tratadas por fenômenos Psi.

Conseqüentemente, não estão inclusas outras análises tais como, ufologia, quiromancia ou estudos sobre pirâmides.

De uma forma geral os fenômenos Psi podem ser classificados, quanto à forma de apresentação, em extra-sensoriais e psicocinéticos. Os extra-sensoriais, identificados pela sigla ESP (extrasensory perception) são os fenômenos que envolvem conhecimento. Podem ainda classificados quanto ao tipo, em telepatia, quando fonte e receptor forem seres humanos e em clarividência, quando a fonte é o meio ambiente. Quanto ao tempo, esses fenômenos podem ser classificados em retrocognição, simulcognição e precognição, quando estiverem relacionados, respectivamente, ao passado, ao presente e ao futuro. Os fenômenos psicocinéticos, identificados por PK (psychokinesis) são caracterizados pela ação sobre o meio ambiente. Quando esta ação for diretamente observável será dita macro-PK, e quando microscópica, micro-PK.

Objeções à consideração da Pesquisa Psi como ciência

A primeira objeção clássica é obtida a partir da própria definição de Psi. Esta indica o estudo de fenômenos aparentemente extra-sensório-motores. A definição não apresenta exatamente o que Psi estuda, mas o que aparenta ser. Como estudar algo que não se sabe o que é?

Outras objeções podem ser apontadas.

Resposta dos pesquisadores psi

O primeiro passo em uma análise de fenômenos Psi é determinar se o processo é extra-sensório-motor. A inclusão do aparentemente na definição de Psi, deve-se a necessidade de que não seja feito pré julgamento, ou seja, todos os aparentes fenômenos devem ser analisados, sejam eles verdadeiros ou não. Sempre se deve ter em mente a possibilidade de fraude, voluntária ou involuntária.

Se as pesquisas evidenciam a ocorrência de interações extra-sensório-motoras, por que não investigá-las cientificamente?

Bases do pensamento científico

Para verificarmos a cientificidade da Pesquisa Psi, vamos apontar as bases nas quais o pensamento científico desenvolveu-se.

Ciência significa conhecimento, saber, informação. Pode também ser definida como o conhecimento exato e racional de coisa determinada. E em que está baseado o pensamento científico? Nas premissas newtoniano-cartesianas.

Isaac Newton afirma que tudo no universo é composto por partículas materiais indivisíveis e regidas por leis precisas. E ainda  que o tempo é independente do mundo material. René Descartes instaura a premissa da objetividade, da autonomia entre o observador e a realidade. Em conseqüência, a reprodução experimental tornou-se um importante instrumento de compreensão da natureza e um valioso parâmetro para se verificar a cientificidade de uma disciplina.

Já no séc. XVII, a observação seria considerada uma espécie de espelhamento da realidade e um método eficaz e suficiente para apreender a realidade como ela é. A matéria teria qualidades primárias e qualidades secundárias, quer estas fossem, respectivamente, diretamente mensuráveis ou percebidas pela mente.

Com base nas premissas apontadas desenvolveu-se o pensamento científico moderno que em resumo tem as seguintes características.

Estas características estão presentes nas ciências modernas e com base nestes conceitos estão formados os cientistas das diversas áreas.

Características da Pesquisa Psi

Com base nas diretrizes do pensamento científico moderno, são as seguintes as características da Pesquisa Psi.

Observamos que todas as características estão fora do escopo abrangido pelo pensamento científico clássico e nestas condições os fenômenos não poderiam ser estudados cientificamente.

De qualquer forma, consideramos que a Pesquisa Psi nasceu formalmente com a fundação em Londres da SPR - Society for Psychical Research, em 1882. Esta era formada por renomados cientistas da época e teve por objeto o estudo, em bases científicas, dos alegados fenômenos inexplicáveis na ótica da ciência constituída.

Aqui podemos nos perguntar, até que ponto os conceitos científicos e em conseqüência, as concepções científicas dos cientistas devem ser mantidas imutáveis? Não estariam estas concepções impermeáveis à consideração de novas condicionantes? Ou simplesmente deveríamos ignorar o extenso rol de fenômenos Psi registrados, porque com base na ciência clássica não poderiam existir?

A evolução das bases da ciência

O físico e filósofo Thomas Kuhn, em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas (1962), nos indica a solução para as questões acima.

Segundo Kuhn, para um dado estágio de evolução científica, tem-se os fenômenos considerados normais e com base nestes estão formadas as teorias científicas. Quando ocorre alguma anomalia, ou seja, fenômeno para o qual não há teoria científica aceita, a ciência, dita, normal, rejeita as anomalias como legítimas. Com a presença contínua das anomalias, as teorias vigentes sofrem certa transformação ou acomodação para justificá-las. Com a identificação de novas anomalias, as teorias vigentes tornam-se insustentáveis e forçosamente novas teorias surgem, em um processo identificado como revolução científica, onde estas novas teorias permitem a eclosão de ciências emergentes.

No que diz respeito ao princípio da observação como um perfeito espelhamento da realidade, ainda no séc. XVIII o filósofo Immanuel Kant questionou-o. Para Kant a mente (observador) está sempre ativa e influencia o que percebemos.

Ainda contrariando a visão clássica da ciência, as teorias de Mecânica Quântica de Max Planck e Geral da Relatividade de Albert Einstein, revolucionaram, conforme definido por Kuhn, os conceitos de atomismo e de independência tempo/espaço/matéria.

Estes conceitos demonstram que embora as ciências constituídas possuam uma inércia natural e protetora contra novas teorias, somente o estudo e a pesquisa adequados permitiram a evolução do conhecimento.

Conclusões

A visão que normalmente temos de ciência, cientistas e leigos, utilizou como base o desenvolvimento da Física Clássica.

A Física Moderna introduziu conceitos de relatividade entre tempo e espaço e da consciência como fator na observação.

Análises e métodos, matemáticos e laboratoriais, com todo o rigor da ciência clássica são modernamente utilizados nos desenvolvimentos de Pesquisa Psi.

Entretanto, estas alterações não foram suficientes para que muitos cientistas aceitassem os fenômenos anômalos estudados pela Pesquisa Psi. Segundo o sociólogo James McClenon esta rejeição está baseada em fatores sociais, culturais e políticos e não efetivamente em elementos técnico-científicos.

Finalmente cumpre ressaltar que a PA (Parapsychological Association), associação estadunidense de Pesquisa Psi, foi admitida em 1969 membro da AAAS (American Association for Advancement of Science), o que demonstra de forma inequívoca a aceitação pelo meio científico internacional da Pesquisa Psi como Ciência.

Voltar


Ceticismo e Parapsicologia

Weber Dalla Vecchia
Inter Psi / CENEP / COS / PUC-SP
weberdv@uol.com.br

Muito longe de esgotar o tema, o pretendido neste artigo é abordar alguns aspectos relacionados às controvérsias suscitadas pela alegação da existência de uma classe de fenômenos - os ditos parapsicológicos ou psi - que escapam aos paradigmas científicos atuais, e que, por isto mesmo, são chamados de anômalos.

O modo de pensar crítico deveria ser aplicado para qualquer alegação. O cientista tem mesmo de ser cético, pois se qualquer alegação fosse aceita sem critérios, a ciência perderia muito em eficácia, e, conseqüentemente, em credibilidade. O ceticismo força o uso de métodos experimentais apurados, e portanto a utilização e produção de medidas mais corretas e de idéias mais elaboradas e consistentes. Um pouco de senso crítico aplicado em muitas alegações New Age, revela porque muitos têm dúvidas sobre a realidade dos fenômenos parapsicológicos. Há mesmo muita confusão com argumentos usados por entusiastas não críticos da existência de psi.

Algumas análises críticas de pesquisas parapsicológicas foram muito construtivas. Os antigos experimentos de telepatia originaram as atuais técnicas de Ganzfeld, que continuam sendo aperfeiçoadas; e os experimentos com dados cederam lugar aos Geradores de Números Aleatórios (RNG); apenas para citar dois exemplos.

O ceticismo exacerbado, porém, também é um problema, pois é preconceituoso e não aplica a crítica em suas afirmações. Muitos argumentos estereotipados e simplistas são usados para negar psi. Contudo, os mesmos ficam bem enfraquecidos após uma análise mais apurada.

Os fenômenos parapsicológicos são tachados de crenças populares ilógicas e primitivas, e a pesquisa dos mesmos é menosprezada como ocultismo em roupagem pseudocientífica, sendo acusada de possuir apenas uma fachada de metodologia científica.

As críticas à pesquisa psi, de que é uma pseudociência, têm dificultado muito seu desenvolvimento, gerando falta de interesse e preconceito de cientistas sérios, o que acarreta falta de verbas e escassez de programas.

Ironicamente, os mesmos céticos que tentam bloquear a pesquisa psi através de argumentos retóricos de que é ridícula, também são os responsáveis por perpetuar os muitos mitos populares associados aos fenômenos psi. Muitos cientistas sérios, temendo por suas reputações, têm prevenção em investigar as alegações psi, e os céticos extremos são especializados em criticismo, e não conduzem pesquisas. Como os crentes extremos não estão interessados em conduzir estudos científicos rigorosos, poucos sobram, então, para conduzir as investigações.

Um exemplo de atitude inflexível contra a pesquisa dos fenômenos psi, é a adotada pelo grupo americano CSICOP (Comitê Para Investigação Científica de Alegações de Paranormalidade), que reúne cientistas e outras pessoas, cujos propósitos originais, eram examinar objetivamente os indícios de fenômenos paranormais. Seu periódico, o "Skeptical Inquirer", tem artigos que mesclam pesquisa parapsicológica com assuntos como tarô, astrologia, abominável homem das neves, vampiros, OVNIs, bruxaria, poder das pirâmides; o que contribui para a impressão de que este não é um ramo de pesquisa que é conduzido muito seriamente.

Uma crítica freqüentemente aduzida para explicar os resultados da pesquisa psi, é que os resultados positivos foram obtidos devido a fraudes. Ora, este ramo da ciência, assim como todos os outros, não está imune à ocorrência de certos atos desonestos. Comparando a parapsicologia com a psicologia, contudo, pode-se dizer que há um modo diferenciado de reação frente às fraudes. Na pesquisa psi, quando identificado um caso, os próprios parapsicólogos o divulgam no intento de mostrar a seriedade do seu campo de estudo, uma vez que já sofre preconceito por parte de outros cientistas. Também são grandes os esforços no sentido de reproduzir os resultados experimentais, o que pode auxiliar na identificação de práticas fraudulentas. Na psicologia, o interesse na reprodução dos experimentos é bem menor, sendo que, se os dados são teorica e intuitivamente plausíveis, normalmente não há a preocupação em se fazer simples duplicações.

Outros ataques visam uma suposta incompetência dos pesquisadores psi em conduzir experimentos bem feitos, dizendo que os resultados favoráveis se devem a falhas metodológicas, relatórios seletivos e tratamentos estatísticos deficientes. Tais argumentos têm sido refutados já há muito. Pesquisa realizada por especialistas em metodologia científica da Universidade de Harvard, apontou que a investigação experimental psi tem sido conduzida segundo padrões científicos apropriados, não raro se mantendo fiel a protocolos mais rigorosos que os encontrados atualmente nas pesquisas físicas e sociais. 

Alguns céticos chegam a dizer até, que quando houver o "experimento perfeito", o fenômeno psi desaparecerá, não levando em conta o fato de que eles têm sido convidados a participar de muitos experimentos, tanto no planejamento, como condução e análise de resultados. Por que não sugeririam o "perfeito experimento" e não o realizariam ou dele participariam, os auto intitulados céticos? Deveriam, pelo menos, especificar as condições sob as quais a pesquisa poderia refutar as críticas.

"As Leis da Natureza seriam violadas por psi", é outro argumento brandido pelos céticos. Contra o mesmo, basta lembrar que as "leis da natureza" não são fixas, e sim idéias bem estabelecidas sempre sujeitas a expansão e refinamento, de acordo com evidências provenientes de novas observações.

Outras críticas dizem que não há teorias de psi. Isto não é verdade; há, sim, muitas teorias que tentam explicar psi, o que não quer dizer que elas o façam satisfatoriamente de modo global. Porém, a falta de teorias completas eficazes sobre psi, não implica que esses fenômenos não existam. Aliás, a maioria dos parapsicólogos não alegam entender o que psi é. Eles projetam experimentos tentando obter efeitos semelhantes aos expontâneos.

Infelizmente, não há uma regularidade das críticas às diferentes disciplinas. Aquelas bem aceitas pela maioria dos integrantes da comunidade científica, são tratadas mais benevolentemente pelos céticos. Por exemplo, os céticos não questionam a psicologia, mesmo que esta ainda não consiga explicar bem processos elementares como a consciência.

Também é inválido como crítica enfocar o fato de que muitos fenômenos que antes pensávamos ser paranormais terem hoje explicações normais. Ora, este é o objetivo da ciência: a explicação do mundo a nossa volta; sendo que ela deve tentar entender também aqueles fenômenos que em determinada ocasião configurem anomalias.

A suposta falta de replicabilidade dos experimentos é muitas vezes apontada nas críticas. Ao contrário de muitos experimentos em física e química onde poucas variáveis significativas estão envolvidas e podem facilmente ser feitos por qualquer pessoa, os fenômenos psi, assim como os sociais e psicológicos, envolvem mutíssimas e complexas variáveis muito difíceis ou impossíveis de serem diretamente controladas. No caso de psi, são usados argumentos estatísticos para demonstrar a "replicabilidade". O fato de não se conseguir provocar um fenômeno no momento desejado, não quer dizer que o mesmo não exista. Para avaliar a replicabilidade em psi, usa-se uma técnica que é muito aplicada em ciências médicas, comportamentais e sociais para integrar os dados de numerosos resultados independentes. É a chamada meta-análise. A mesma, em psi, tem mostrado que os resultados esperados pelo acaso são grandemente superados.

A própria meta-análise tem sido objeto de críticas na pesquisa psi, porém. em muitas delas os resultados criticados foram removidos, e as freqüências continuaram as mesmas.

Outra crítica que se faz, é que enquanto outras ciências vão se construindo sobre seus dados prévios, na parapsicologia a base de dados é quase sempre descartada. O que não é verdade. Os experimentos se sofisticam, o que não quer dizer que os resultados anteriormente obtidos percam valor.

Uma outra tentativa de desvalorizar as evidências, é falar que os efeitos psi são muito fracos e desinteressantes. Certamente essa é uma avaliação que carrega grande subjetividade. Todavia,  serem "fracos e desinteressantes" não significa que não existam. A hoje tão útil e comum eletricidade, cento e cinqüenta anos atrás não servia para nada.

Embora os céticos freqüentemente falem das hipóteses alternativas plausíveis, eles quase nunca testam suas idéias. 

De qualquer forma, durante muitas décadas, a afirmação padrão cética foi que psi era impossível porque violava algumas mal especificadas leis físicas, ou porque o efeito não era repetível. Também era fácil de alegar que qualquer experimento bem sucedido era devido ao acaso ou fraude. Atualmente, muitos céticos bem informados sabem que os resultados são bem maiores que o esperado pelo acaso. O foco mudou da existência de efeitos interessantes para suas apropriadas interpretações. Muitos céticos, agora, admitem que os experimentos psi demonstram algo, mas não admitem a possibilidade de psi.

A ciência, sendo uma construção do ser humano, tem seus substratos  psicológicos e sociológicos. A retórica ofensiva e os ataques pessoais são freqüentes nas discussões sobre psi, e o próprio modo como a ciência trata as anomalias em geral, serve para mostrar o lado humano do funcionamento da mesma.

A despeito dos parapsicólogos deplorarem esses artifícios de retórica, assim é que uma controvérsia científica é disputada. Não é tanto a lógica do caso que determina o desfecho, mas sim a habilidade retórica dos que advogam para cada um dos lados.

Se de um modo algumas análises céticas de pesquisas parapsicológicas demonstraram-se muito construtivas, de outro, as reações do establishment científico à parapsicologia tendem a ir mais além, ao se utilizar de críticas para mantê-la com o status marginal e negar a ela os privilégios de uma disciplina científica. Certas atitudes céticas criam e mantém um limite cultural entre a parapsicologia e o restante das ciências.

A ciência, de uma forma geral, teria a ganhar se o ardor missionário de muitos céticos fosse exercido mais construtivamente, com mais propostas e trabalho, além das críticas.

Referências

FREIRE-MAIA, N. (1991). A Ciência Por Dentro. Petrópolis : Editora Vozes
IRWIN, H. J. (1994). An Introduction to Parapsycology. Jefferson: McFarland
RADIN, D.I. (1997). The Conscious Universe. San Francisco : Harper Edge

Voltar


Breve introdução aos conceitos de Poltergeist e Haunting*

Profa. Dra. Fátima Regina Machado

Inter Psi - CENEP - COS - PUC/SP
Faculdade de Comunicação e Filosofia - PUC/SP
Instituto de Psicologia - USP
fatimaregina@pesquisapsi.com

Poltergeist, do alemão polter = barulhento e geist = espírito ("espírito barulhento") era o termo utilizado por Martinho Lutero durante a Reforma Protestante para designar e, ao mesmo tempo, explicar determinados eventos que, segundo acreditava-se religiosa e popularmente - e ainda acredita-se - seriam provocados por espíritos desencarnados ou até mesmo por demônios. (Roll, 1977: 382) Assim, apesar de geist também significar "mente" ou "espírito" no sentido filosófico, popularizou-se a tradução com conotação sobrenaturalista.

O termo Poltergeist foi reintroduzido na Inglaterra pela escritora inglesa Catherine Crowe, com a publicação de sua obra clássica The Nightside of Nature, em 1848, e passou a ter uso corrente dentre os(as) pesquisadores(as) psíquicos(as) no final do século XIX, quando o termo foi popularizado pelo pesquisador Frank Podmore. (Goss, 1979: ix) Ironicamente, Podmore divulgou o uso termo Poltergeist por meio de seus trabalhos a respeito do assunto, nos quais deixava claro que não acreditava que esses eventos fossem sobrenaturais ou de origem extra-motora, mas sim frutos de fraudes, erros de interpretação ou alucinações. (Podmore, 1896a, 1986b)

Segundo as investigações realizadas, os eventos Poltergeist se correlacionam com o contexto grupal e ambiental em que ocorrem, ligando-se principalmente a uma determinada pessoa, à qual chamo de "protagonista" do caso. Essa denominação é mais "amena", se a compararmos com os termos "endemoniado", "possuído", "epicentro" e "agente" utilizados comumente para referir-se ao personagem central de casos Poltergeist. Esses casos caracterizam-se principalmente por ocorrências físicas, tais como: movimentação e/ou ruptura de objetos; chuva de pedras ou tijolos sobre uma casa ou em um determinado ambiente fechado; aparecimento espontâneo de água e/ou fogo; aparecimento de dejetos nos alimentos; correntes de ar; acender e apagar de luzes, tudo isto de forma misteriosa aos olhos do observador, ou seja, sem que, à primeira vista, tenha havido alguma causa natural ou conhecida para que esses eventos acontecessem. (Carrington & Fodor, 1953; Gauld & Cornell, 1979; Goss, 1979; Michelet, 1994)

Cada grupo social/cultural pode utilizar denominações e explicações populares e particulares para esses eventos. No Brasil, por exemplo, os locais que servem de cenários para os casos Poltergeist são comumente chamados de "casas mal-assombradas". Principalmente na zona rural, essas ocorrências podem ser atribuídas a figuras folclóricas. É comum atribuir ocorrências de tipo Poltergeist à ação principalmente do Saci-Pererê, um tipo de duende brasileiro negro, que usa uma carapuça vermelha, tem apenas uma perna e supostamente vive pelas florestas e fazendas fazendo traquinagens com animais e pessoas. Na zona urbana, as interpretações tendem mais para uma suposta ação entidades espirituais, embaladas pelas crenças dos adeptos das religiões afro-brasileiras e do espiritismo kardecista. Representantes da chamada ciência clássica comumente encaram esses eventos como fruto de ficção, de delírios de origem psicopatológica ou de interpretações errôneas devidas ao desconhecimento científico de fenômenos psicológicos, físicos e/ou químicos. Em resumo, pode-se dizer que as tentativas de explicação consistem em afirmar ou hipotetizar que os Poltergeists seriam fruto de:

Há dificuldades de distinção entre Poltergeists e hauntings (assombrações). Muitas bibliotecas, como a da Society for Psychical Research e a do College of Psychic Studies, tratam ambos os casos como um mesmo tópico. Na verdade, não há um consenso entre os(as) pesquisadores(as) sobre essa diferenciação.

A palavra haunting está etimologicamente ligada à idéia de lugar. Sua raiz haunt significa: "aparecer repetidamente em um lugar (relacionado a um fantasma); causar sofrimento repetitivo ou ansiedade; um local visitado freqüentemente", segundo o Cambridge International Dictionary of English (1995: 651). Essas definições da palavra haunt correspondem às ocorrências que se sucedem nos casos comumente identificados como hauntings: diferentes pessoas, até mesmo de diferentes épocas, dizem ter visto espectros, ouvido sons e sentido aromas estranhos ou sido tocadas por "mãos invisíveis" ao se encontrarem em um determinado local, coincidindo o relato dessas testemunhas, mesmo sem se conhecerem.

É tipico dos hauntings que os fenômenos persistam por um longo período de tempo (anos, décadas, séculos!), enquanto que a incidência de fenômenos Poltergeist se dá por períodos geralmente mais curtos (dias, semanas, meses).

É comum considerar-se os Poltergeists como um tipo de haunting devido ao fato de ter-se começado a utilizar o termo Poltergeist para denominar eventos interpretados como fruto da presença de algum espírito. O termo "infestação" também é utilizado para designar ambos os fenômenos, aludindo à interpretação de que o local onde os eventos "assombrosos" ocorrem estariam infestados de espíritos e/ou entidades incorpóreas responsáveis pelas ocorrências. As hipóteses de explicação para os hauntings correspondem quase que totalmente às tentativas de explicação dos Poltergeists (fraudes, erros interpretativos, instabilidade mental, intervenções sobrenaturais), incluindo também a hipótese de captação de informações do passado por percepção extra-sensorial.

Há pesquisadores, como Carrington e Fodor (1953), que apontam como a principal diferença entre hauntings e Poltergeists o fato de, nos hauntings, a suposta assombração ou fantasma parecer estar ligada ao local e não costumar acompanhar as pessoas que a vêem para onde quer que elas vão; já as ocorrências Poltergeists estariam aparentemente ligadas a uma pessoa ou a um grupo específicos, uma vez que os fenômenos podem "acompanhar" essa(s) pessoa(s) se ela(s) se mudar(em) para outro local.

Uma outra diferenciação que me parece mais frágil é a que leva em conta os tipos de fenômenos que ocorrem: movimentação de objetos, chuvas de pedras, fogo espontâneo, enfim, os chamados "fenômenos físicos", sem o envolvimento de aparições, constituiriam os Poltergeists; havendo aparições, tratar-se-iam de hauntings. Por isso, há casos que são chamados de haunt-RSPK type, pois, desse ponto de vista, seriam compostos de supostas aparições e eventos físicos.

De acordo com as perspectivas que se abrem diante dos estudos de casos já realizados, um outro caminho para a diferenciação é aquele apontado pelo psicólogo norte-americano Charles Tart:

Casos de haunting e Poltergeist são de particular interesse, considerando-se que eles parecem compartilhar desses aparentes (e espetaculares) fenômenos PK [psicocinéticos]. Mas os hauntings estão tradicionalmente associados à crença de que algum aspecto da personalidade humana que sobreviva à morte seja responsável por eles, enquanto que os Poltergeists parecem ser geralmente associados com o agente vivo. (Tart, 1965:190)

De acordo com a controversa hipótese da sobrevivência, os hauntings diriam respeito a algo que sobreviveria à morte física e revelaria informações visuais ou sonoras de eventos passados. Uma outra hipótese seria a de que os seres humanos poderiam usufruir da capacidade de captar informações do passado, materializando-as por meio de alguma "manobra" psicobiofísica, a fim de trazer essa informação à consciência.  Qual dessas duas hipóteses estaria correta? Haveria uma possibilidade de conjunção das duas? Questões em aberto. Possivelmente, casos indicados como resultantes da ação de supostos espíritos ou de outras entidades incorpóreas tenham sido assim interpretados devido ao viés da visão do(a) pesquisador(a). Nos relatos de casos encontrados na literatura, muitos não trazem o contexto dos ocupantes do local e não há preocupação em verificar se há alguma ligação das ocorrências com suas vidas, nem tentativa de testar se os eventos se ligam ao local, não à pessoa. Se isto não for levado em conta, como descartar a hipótese de psicocinesia (ação da mente sobre a matéria)? E como testar isso de modo satisfatório se ainda não conhecemos o modus operandi físico desses fenômenos?

Diferenciações controvertidas à parte, considero como fenômenos Poltergeist as ocorrências que se relacionam com determinados indivíduos e parecem ter íntima ligação com o momento/problema vivenciado pelas pessoas que compõem o elenco dos envolvidos no caso, independentemente da natureza (física, mental, sobrenatural ou o que quer que seja) dos fenômenos. Do meu ponto de vista, à categoria dos hauntings pertencem os fenômenos que, após investigação minuciosa, se mostrarem correlacionados com a história do local onde ocorrem. Assim, na concepção por mim adotada, hauntings e Poltergeists podem apresentar fenômenos muito parecidos ou idênticos. O que dá o tom de sua diferença é, em princípio, o fato de haver evidências de as ocorrências estarem relacionadas à presença de uma determinada pessoa viva - Poltergeists - ou ao local - hauntings.

Talvez esta diferenciação que assumo não seja a mais correta e se mostre falha no futuro. Levando-se em conta que a "verdade insiste", ainda que eu esteja "macroscopizando" apenas aspectos de uma das possíveis facetas dos chamados fenômenos Poltergeist e dos hauntings, esse posicionamento vale como ponto de partida para a realização de estudos que podem vir a esclarecer aspectos ainda obscuros dessas ocorrências extraordinárias e, em última instância, de aspectos ainda desconhecidos de nossas capacidades humanas.

* Este artigo foi elaborado a partir de trechos da tese de doutorado intitulada "A Ação dos Signos nos Poltergeists.Estudo do processo de comunicação dos fenômenos Poltergeist a partir de seus relatos", defendida pela autora no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC/SP em março/2003.

Referências bibliográficas

ANDRADE, H.G. (1988) Poltergeist. Algumas de suas Ocorrências no Brasil. São Paulo: Pensamento.
BENDER, H. (1976) A Pesquisa Moderna do "Poltergeist": A necessidade de uma Abordagem sem Preconceito. In J. Beloff. (Org.) Parapsicologia Hoje, pp. (143-164) Rio de Janeiro: Arte Nova.
CARRINGTON, H. & FODOR, N. (1953) Haunted People: The Story of Poltergeists Down the Centuries. London: Rider.
GARDNER, M. (1985) Magicians in the psi lab: many misperceptions. Em P. Kurtz (Ed.) A Skeptics Handbook of Parapsychology. Buffalo, NJ: Prometheus Books.
GAULD, A. & CORNELL, A.D. (1979) Poltergeist. London: Routledge & Keagan Paul.
GOSS, M. (1979) (Comp.) Poltergeists: An Annotated Bibliography of Works in English, circa 1880 - 1975. Metuchen, NJ: Scarecrow Press.
KARDEC, A. (1857/1944a) O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira.
KURTZ, P. (1985) Spiritualists, mediums, and psychics: Some evidence of fraud. Em P. Kurtz (Ed.) A Skeptics Handbook of Parapsychology. Buffalo: Prometheus Books.
MICHELET, S. (1994) Lorsque la maison crie: Tensions familiales et phénomènes paranormaux. Paris: Robert Laffont.
PODMORE, F. (1896a) Poltergeists. Proceedings of the Society for Psychical Research, 12:30, 45-115.
PODMORE, F. (1896b) Correspondence on Mr. Podmore's Poltergeists. Journal of the Society for Psychical Research, 7:133, 323-324.
QUEVEDO, O.G. (1968/1983) As Forças Físicas da Mente . São Paulo: Loyola. Vols. 1 e 2.
RANDI, J. (1995) An Enciclopedia of Claims, Frauds and Houses of the Occult and Supernatural. New York: St. Martin's Press.
ROGO, D.S. (1986) On the Track of the Poltergeist. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall.
ROLL, W.G. (1977) Poltergeists. In Wolman, B.B. (Ed.) Handbook of Parapsychology, pp. 382-413, North Carolina: McFarland and Company, Inc. Publishers.
ROLL, W.G. (1978) Towards a Theory for the Poltergeist. European Journal of  Parapsychology, 2, 167-200.
TART, C.T. (1965) Applications of instrumentation in the investigation of haunting and poltergeist cases. Journal of the American Society for Psychical Research, 59, 3, 190-201.
ZUSNE, L. & JONES, W.H. (1982) Anomalistic Psychology. Hillsdale, NJ: Erlbaum.

Dicionário: Cambridge International Dictionary of English (1995)

Voltar


Pistas para o Estudo Acadêmico de Psi no Brasil

Prof. Dr. Wellington Zangari

Inter Psi/CENEP/COS/PUC-SP
Instituto de Psicologia - USP
wz@pesquisapsi.com

A maior parte dos interessados em Pesquisa Psi (Parapsicologia) são apenas pessoas curiosas no "poder da mente". Querem saber o que a ciência tem a dizer sobre telepatia, precognição, casas mal-assombradas. Buscam por informações rápidas, objetivas, claras.

Mas há uma minoria de interessados que querem ir além das informações superficiais. Querem conhecer as publicações especializadas, ter acesso aos sites mais bem informados, falar com os pesquisadores mais importantes e, sobretudo, querem produzir conhecimento novo nesse campo.

Essa tarefa não é fácil... mas não é impossível! Faço um testemunho. Ao definir meu próprio caminho, ao me dispor a ser um pesquisador psi, ouvi coisas como: "a universidade está fechada para esses temas", "os cientistas torcem o nariz para a Parapsicologia", "não há dinheiro para a pesquisa séria nessa área". Minha experiência pessoal nega, terminantemente, todas essas afirmações!

É claro que em meu caminho encontrei dificuldades. Não há sequer professores universitários que possam ajudar os alunos que pretendem se aprofundar no tema. Não há tradição no Brasil de que os cursos de pós-graduação aceitem que os alunos apresentem estudos psi. Mas, esse panorama, realmente desfavorável ao interessado em Pesquisa Psi, não significa que o caminho não possa ser trilhado. Mais: tal panorama pode estar mudando muito rapidamente!

Vamos às dicas que eu poderia dar a quem tem interesse de manter-se na academia, na universidade, tendo psi como seu tema de estudo.

1. Conclua um curso de graduação em alguma área convencional. Não existem cursos de graduação em Pesquisa Psi (Parapsicologia) nem no Brasil, nem fora dele. É fundamental que você se forme em uma área de seu interesse não apenas para que você possa se manter financeiramente - uma vez que poucas pessoas conseguem "viver de" Pesquisa Psi - mas também porque tal formação lhe dará informações básicas a respeito do que já há de conhecimento disponível pela ciência e outros saberes. Mas, a principal razão para se formar em um curso convencional é que é possível conseguir realizar estudos em nível de pós-graduação na área de Pesquisa Psi.

2. Enquanto estiver na faculdade, não deixe de ler material de qualidade em Pesquisa Psi. Leia as principais revistas especializadas, como o Journal of Parapsychology, o International Journal of Parapsychology, o Journal of Society for Psychical Research, o Journal of American Society for Psychical Research e o Journal for Scientific Exploration. Acompanhe listas de discussão especializadas disponíveis na internet. Leia os livros básicos da área, como o Introduction to Parapsychology, de Harvey J. Irwin, e o The Consciouss Universe, de Dean Radin. Essa informação constante o ajudará a se decidir, lentamente, a que área pretende se dedicar mais profundamente.

3. Uma vez formado, procure um programa de pós-graduação que possa dar guarida ao seu projeto de pesquisa. Sim, você precisará escrever um bom projeto de pesquisa. Para isso, é fundamental que você tenha clareza do que quer estudar. Suas leituras na área serão fundamentais nesse momento. Um projeto de pesquisa é composto, basicamente, pela descrição do objeto de estudo (o que você pretende estudar, especificamente), da problematização (as perguntas que você gostaria de ver respondidas pela pesquisa), das hipóteses (as respostas provisórias que você dará às suas perguntas iniciais), o método (o meio pelo qual você tentará obter as respostas que persegue) e o referencial teórico (basicamente, a teoria que você empregará para interpretar os dados. Fundamentalmente, dependerá da qualidade de seu projeto para que você seja ou não aceito em um programa de pós-graduação, como um mestrado ou um doutorado. Nesse momento, sua formação acadêmica prévia, seu conhecimento científico, de métodos e também de Pesquisa Psi pesarão muito. Seu tema deverá ser novo e deverá ter relação com a temática geral do programa de pós-graduação que você escolheu. Por exemplo, em meu mestrado, escolhi estudar a relação entre Pesquisa Psi e a Religião. Procurei o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC-SP e meu projeto foi aceito sem qualquer restrição. Fátima Regina Machado, em seu doutorado, propôs-se a estudar os fenômenos Poltergeist como uma linguagem. Para tanto, procurou o Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Apresentou o projeto e não teve qualquer problema.

4. Para que a comunidade acadêmico-científica aceite seu projeto é importante lembrar alguns princípios que devemos seguir em Pesquisa Psi, e que devem ficar claros para seus professores e no projeto. Em primeiro lugar: psi é uma hipótese de pesquisa ainda em avaliação científica. Não apresente jamais, portanto, psi como um fato científico, como algo "provado". Psi, no máximo, deve ser apresentado como uma hipótese para a qual já temos boas evidências científicas a seu favor. Em segundo lugar, tenha claro que estudar psi não significa, necessariamente, assumir a existência de psi. Podemos estudar experiências humanas, como as experiências telepáticas, as experiências precognitivas, as experiências Poltergeist, as experiências fora do corpo, as experiências próximas da morte... sem interpretar tais experiências como sendo o resultado de algum processo "paranormal". Podemos estudar cada uma dessas experiências, por exemplo, interessados exclusivamente em como seus vivenciadores as interpretam, procurando saber a significação que têm em suas vidas, compreendendo sua importância nas relações inter-pessoais. Mesmo se estivermos interessados em realizar uma avaliação experimental de psi, devemos ter claro - novamente -  que psi é uma hipótese. Por último, não caia na tentação de confundir Pesquisa Psi nem com Religião, nem com "Terapia Alternativa". A Pesquisa Psi é uma ciência, não uma visão de mundo. Pesquisa Psi estuda fenômenos alegadamente anômalos, não os assume com verdadeiros aprioristicamente e, menos ainda, como sendo fruto de espíritos, almas penadas e nem de qualquer divindade. Como não há conhecimento suficiente para qualquer aplicação prática de psi, a Pesquisa Psi não propõe nem apoia qualquer "terapia parapsicológica", nem mesmo qualquer "técnica de desenvolvimento da paranormalidade". Ainda que essas áreas sejam importantes para estudo, não devem ser aceitas como "práticas" da Pesquisa Psi.

5. Minha outra dica é sobre recursos. Se seu projeto foi aceito por um programa de pós-graduação, não hesite em enviá-lo para as agências de fomento à pesquisa. Eu e outros colegas já obtivemos bolsas de pesquisa para essa finalidade, o que significa que é possível consegui-las. Há, ainda, a possibilidade de conseguir recursos em fundações internacionais. É importante lembrar que nunca houve tantos recursos para a Pesquisa Psi em países latino-americanos quanto nos últimos anos. Grupos e pesquisadores argentinos e  brasileiros têm recebido recorrentemente verbas para novas pesquisas. A principal instituição estrangeira que oferece bolsas de pesquisa na área é a Fundação Bial (http://www.bial.pt/). A cada 2 anos a Bial abre novas inscrições para avaliar novas solicitações. Os projetos são financiados com bolsas que vão de 5 a 50.000 Euros para dois anos de pesquisa. Leia as informações específicas para as candidaturas para este ano: http://www.bial.pt/gca/?id=17

6. Uma das maiores dificuldades dos interessados em Pesquisa Psi é a falta de interlocutores com quem se possa dialogar e aprender sobre o tema. Alia-se a isso a falta de material impresso de qualidade e atualizado, temos uma situação bastante difícil, sobretudo para quem deseja, seriamente, comprometer-se com a Pesquisa Psi como temática de pesquisa acadêmica. Assim, minha última dica é para que você use dos recursos que a internet propicia. Explico, o Mega-Portal Pesquisa Psi (http://www.pesquisapsi.com/) está repleto de textos, informações (indicações de leitura, FAQ de Fenômenos Psi, listas de discussão, links...). Estude esse material e, preferencialmente, o faça em grupo! Reúna algumas pessoas com interesse sério e científico em Pesquisa Psi e programa reuniões semanais. Saiba que o Inter Psi/PUC-SP tem programas especiais para dar suporte para grupos desse tipo (leia mais em: http://www.pesquisapsi.com/interpsi ). Para pessoas e grupos que já possuam conhecimentos avançados, o Mega-Portal Pesquisa Psi também oferece a possibilidade de publicar artigos (desde introdutórios até a técnicos), com o auxílio do processo de revisão por pares.

Essas foram minhas dicas. Mas, antes de me despedir, gostaria de fazer a mais importante de todas as recomendações: não acredite na palavra daqueles que dizem que a academia está fechada para a Pesquisa Psi. Eles nunca tentaram nada sério!

Voltar


Ganzfeld e Psi: Um guia de leitura - Parte I

Prof. Dr. Wellington Zangari

Inter Psi/CENEP/COS/PUC-SP
Instituto de Psicologia - USP
wz@pesquisapsi.com

Os interessados em Pesquisa Psi devem estar familiarizados com o debate a respeito das possíveis evidências de psi obtidas por meio do procedimento experimental psi-ganzlfeld. Àqueles que não tiveram contato com a literatura especializada sobre o tema, sugerimos a leitura do artigo "O Fenômeno Ganzfeld", que pode ser lido on-line, em: www.pesquisapsi.com/content/view/2193. Esse texto introdutório foi escrito por um dos líderes atuais da Pesquisa Psi, o Dr. Daryl J. Bem, um respeitado psicólogo norte-americano. Bem começou ingressou na Pesquisa Psi como cético. Após participar como avaliador da metodologia e como especialista em ilusionismo dos estudos ganzfeld, convenceu-se de que essa técnica oferecia evidências favoráveis à existência de psi. A leitura do texto, no entanto, não é suficiente para que se tenha uma avaliação atualizada do debate em torno dos resultados ganzfeld e do estado de evidência produzido pelo emprego dessa técnica. Muita "água correu por debaixo da ponte" desde que foi publicado, em 1996. Para uma atualização, o leitor deverá ler artigos mais recentes e técnicos.

Para os não-iniciados nos estudos ganzfeld, após a leitura do artigo introdutório de Bem, sugerimos o acompanhamento do roteiro básico de artigos sobre o tema que apresentamos abaixo. Ao mesmo tempo em que apresentemos a bibliografia, fornecemos a contextualização do debate realizado até o momento.

Sabemos, no entanto, que muitos interessados em Pesquisa Psi não têm acesso à literatura internacional por uma simples razão: não dominam suficientemente a língua inglesa! Por isso, decidimos oferecer alguns resumos de artigos importantes nessa área de estudo traduzidos à nossa língua. Dessa forma, esperamos estar diminuindo as barreiras de linguagem existente na área. Aqueles(as) que tiverem interesse em ler os artigos originais, infelizmente disponíveis apenas em inglês, poderão fazê-lo clicando sobre o nome dos artigos que apresentam link.

O primeiro momento do debate

Após cerca de 10 anos do uso da técnica psi-ganzfeld, o psicólogo e crítico dos estudos parapsicológicos, Ray Hayman apresenta um primeiro estudo meta-analítico, ou seja, um estudo matermático que levou em conta a maioria do experimentos com a finalidade de verificar se, no geral, os estudos indicavam a presença de um efeito positivo, indicativo de psi. Hyman não encontrou resultados favoráveis:

Hyman, Ray (1985). O experimento psi-ganzfeld: Uma avaliação crítica. Journal of Parapsychology, 49(1), (pp. 3-49)

Resumo

Descreve uma avaliação de 42 estudos retirados de 34 relatórios de estudos escritos ou publicados entre 1974 e 1981. Alegadamente, 55% desses estudos alcançaram significância estatística para psi. Levando-se em conta as ambigüidades e as inconsistências naquilo que é relatado com sendo um estudo ganzfeld independente e o aquilo que é citado como evidência sugestiva de problemas nos relatos dos estudos, sustenta-se que a real taxa de sucesso foi de, no máximo, 30%. O autor calcula que, em decorrência da utilização de testes múltiplos, o verdadeiro nível de significância foi muito maior que o assumido nível de .05, talvez .25 ou maior. O autor ainda relata a existência de várias falhas no procedimento experimental, como a aleatorização inadequada, potenciais vazamentos sensoriais e erros estatísticos. Apresenta-se um estudo meta-analítico baseado em índices de significância e no tamanho do efeitos relacionados às várias categorias de falhas. As falhas de segurança inadequada, de possíveis vazamentos sensoriais e do emprego de testes múltiplos não se correlacionam com a significância e com o tamanho do efeito. No entanto, as falhas envolvendo a aleatorização inadequada e à apresentação insuficiente de documentação nos estudos, correlacionam-se com esses índices. Notou-se que tanto o  tamanho do efeito quanto o score Z tornam-se praticamente zero quando as equações de regressão são usadas para predizer seus valores para o caso em que posteriores tipos de falhas é zero. Conclui-se que essa base de dados é muito fraca para apoiar qualquer afirmação sobre a existência de psi. Uma lista de estudos examinados é apresentada em um apêndice.

No entanto, um dos líderes da pesquisa psi-ganzfeld, Charles Honorton, avaliou o estudo de Hyman e concluiu que sua análise estava incorreta. Honorton avaliou estatisticamente o banco de dados tomado por Hyman para análise e concluiu que os resultados eram significativos e que as críticas de Hyman eram improcedentes:

Honorton, Charles(1985). Meta-análise da pesquisa psi-ganzfeld: Uma resposta a Hyman. Journal of Parapsychology, 49(1), (pp. 51-91)

Resumo

Responde às críticas feitas por R. Hyman aos estudos psi-ganzfeld e relata uma avaliação que elimina os problemas de análises múltiplas. Usando um teste uniforme, aplicado a um índice uniforme, um score Z composto (Stouffer), 28 dos 42 estudos considerados por Hyman obtiveram 6.6 (p < 10-super(-9), e 43% dos estudos foram significantes independentemente a um nível de 5%. Seis dos 10 grupos de investigadores relataram resultados significantes e a acumulação por investigador apresentou um Z composto de 6.16. São relatadas várias considerações que diminuem a possibilidade de que o relato seletivo seja uma explicação viável para esses resultados. A análise de "falhas de procedimento" feita por Hyman é discutida, ambigüidades nos critérios de falha e exemplos de inconsistência ou inapropriada designição das taxas das falhas são apresentados.

Hyman e Honorton decidiram escrever um artigo conjunto, em que apresentam as concordâncias, as discordâncias e apresentam avanços metodológicos a serem seguidos nas pesquisas futuras. Basicamente oferecem um novo procedimento, totalmente automático, de controle, de aleatorização dos alvos, de avaliação estatística:

Hyman, Ray & Honorton, Charles(1986). Uma comunicação conjunta: A controvérsia psi-ganzfeld. Journal of Parapsychology, 50(4), (pp. 351-364)

Resumo

Os autores enfatizam seus pontos de concordância a respeito da pesquisa parapsicológica. Concordam que há um efeito significante global nesse banco de dados e que esse não pode ser explicado pela publicação seletiva ou pela análise múltipla. O grau em que tal efeito se constitui evidência para psi ainda é uma área de desacordo entre eles. Concordam, no entanto, que o veredito final aguarda os resultados de experimentos realizados por um amplo número de pesquisadores e de acordo com padrões mais rigorosos a serem realizados no futuro. São feitas recomendações de como tais experimentos devam ser realizados e relatados. Recomendações específicas são feitas em áreas de aleatorização, dos procedimentos de julgamento e feedback, das análises múltiplas e do emprego estatístico e da documentação. Discutem, ainda o desenvolvimento do papel dos estudos meta-analíticos para a avaliação da pesquisa de qualidade e das variáveis intervenientes.

O Segundo Momento do Debate

Levando em conta as orientações propostas na comunicação conjunta, Honorton construiu um novo procedimento experimental, ao qual chamou de "auto-ganzfeld". Realizou centenas de seções experimentais e fez nova meta-análise, com Daryl J. Bem, em meados da década de 90, cerca de 10 anos depois da primeira meta-análise. O resultado favorável à hipótese psi continuava significativa do ponto de vista estatístico, mesmo com o emprego de uma metodologia mais rigorosa que a utilizada anteriormente. É importante notar que essa fase do debate é travada em artigos publicados em uma das mais prestigiosos periódicos psicológicos dos Estados Unidos, o Psychological Bulletim, o que ofereceu aos cientistas um elemento de interesse redobrado na discussão:

Bem, D. J. & Honorton, C. (1994). Psi existe? Evidência replicável de um processo anômalo de tranferência de informação. Psychological Bulletin, 115, (pp. 4-18).

Resumo

A maioria dos psicólogos acadêmicos, em contraste com outros professores universitários de outras disciplinas, ainda não aceitam a existência de psi. Este artigo, publicado em uma das principais publicações da Psicologia, sustenta que as taxas de replicação e o tamanho dos efeitos alcançados usando-se o procedimento experimental ganzfeld são agora suficientes para garantir a atenção da comunidade psicológica como um todo. São revisadas duas meta-análises do banco de dados de estudos ganzfeld que apresentaram resultados distintos, uma feita por R. Hyman, um dos principais críticos da pesquisa psi, e outra feita por C. Honorton, um dos principais pesquisadores ganzfeld. São resumidos onze estudos auto-ganzfeld que adotaran as diretrizes feitas por Hyman e Honorton. São discutidas questões relacionadas à replicação e às explicações teóricas de psi.

Hyman apresentou, então, uma crítica a esse estudo meta-analítico, em que sustentou que os resultados favoráveis a psi poderiam ter sido produzidos por possíveis falhas experimentais (como o processo de aleatorização de alvos) e que Bem e Honorton deveriam aguardar por novos estudos para concluir que psi-ganzfeld se consitituia, de fato, uma técnica de replicação de efeitos psi:

Hyman, R. (1994). Anomalia ou artificialidade? Comentários do artigo de Bem e Hononrton. Psychological Bulletin, 115, 19-24.

Resumo

D. J. Bem e C. Honorton sustentam que 11 experimentos auto-ganzfeld demonstram a existência de psi, um anomalia comunicacional. Alegam que os resultados das pesquisas auto-ganzfeld são consistentes com resultados parapsicológicos realizados anteriormente e que se constituem em evidência replicável do efeito psi. Apesar de os experimentos auto-ganzfeld serem metodologicamente superiores aos experimentos parapsicológicos prévios, os testes de seus processos de aleatorização foram inadequados. Os experimentos auto-ganzfeld produziram consistentemente taxas de sucesso positivo, cujo efeito combinado foi altamente significativo. Entretanto, esses experimentos produziram importantes inconsistências com os experimentos ganzfeld realizados anteriormente. Eles também mostraram um padrão único nos dados que pode refletir um efeito artificial sistemático. Em razão dessas características únicas, os autores têm que esperar por replicações independentes desses experimentos antes de poderem concluir que uma anomalia replicável de psi foi demonstrada.

Bem responde às críticas de Hyman, afirmando que essas eram infundadas:

Bem, D. J. (1994). Response to Hyman. Psychological Bulletin, 115, (pp. 25-27).

R. Hyman (1994) levanta duas críticas principais ao considerar o artigo sobre os experimentos psi-ganzfeld de D. J. Bem e C. Honorton (1994). Primeiro, ele desafia a alegação de que os resultados dos experimentos auto-ganzfeld sejam consistentes com a do banco de dados avaliado anteriormente. Segundo, expressa preocupação sobre a adequação dos procedimentos de aleatorização. Em resposta ao primeiro ponto, eu discordo que nossa alegação de consistência dos resultados auto-ganzfeld com o banco de dados anterior seja modesta e desafio a contra-alegação feita por ele de que os resultados sejam inconsistentes entre os bancos de dados. Em resposta à crítica metodológica feita por ele, apresento novos dados que permitirão uma melhor apreensão a respeito da adequação dos procedimentos de aleatorização.

Na próxima edição deste Boletim Virtual de Pesquisa Psi, você terá acesso à segunda parte deste guia, quando será apresentado o desenvolvimento da discussão sobre ganzfeld e as últimas meta-análises realizadas nesse campo.

Voltar


Relação dos principais centros universitários que investigam psi - Parte I.

 

Cambridge University: Mind-Matter Unification Project

Endereço: Cavendish Laboratory, University of Cambridge, Madingley Road, Cambridge CB3 0HE
Web: http://www.tcm.phy.cam.ac.uk/~bdj10
Pesquisador: Professor Brian Josephson

Coventry University: Parapsychology Studies Group

Endereço: School of Health and Social Sciences, Coventry University, Priory Street, Coventry CV1 5FB
Web: http://www.hss.coventry.ac.uk/Psychology/lawrence.htm
Pesquisadores: Dr. Tony R. Lawrence, Ian Hume, Jose Navarro
Áreas: Desenvolvimento de uma teoria psicobiológica do funcionamento de psi; eficácia psicológica e parapsicológica de tecnologias de incremento mental.

Edinburgh University: Koestler Parapsychology Unit

Endereço: Department of Psychology,
University of Edinburgh, 7 George Square, Edinburgh EH8 9JZ
Web: http://moebius.psy.ed.ac.uk/
Pesquisadores: Prof Robert Morris, Dr Caroline Watt, Dr Paul Stevens, Dr Fiona Steinkamp, Dr Peter Lamont, além de pesquisadores em nível de pós-graduação (Veja o website para acessar a lista atual)
Áreas: Mecanismos da experiência psi; aspectos históricos da Pesquisa Psi, efeitos do experimentador; efeitos bioeletromagnéticos; pesquisas ganzfeld; efeitos da influência direta da mente sobre sistemas vivos; micro-PK; volição.

Goldsmiths College: Anomalistic Psychology Research Unit

Endereço: Department of Psychology, Goldsmiths College, University of London, New Cross, London SE14 6NW
Web: http://www.gold.ac.uk/apru/
Pesquisadores: Dr Christopher French & Dr. Patrick Leman, além de pesquisadores em nível de pós-graduação.
Áreas: Psicologia Anomalística; abordagens evolucionárias; aspectos desenvolvimentais da crença no paranormal; psicologia das teorias conspiratórias.

Hertfordshire University: Perrott-Warrick Research Unit

Endereço:: Department of Psychology, Hatfield Campus, College Lane, Hatfield, Hertfordshire AL10 9AB
Web: http://phoenix.herts.ac.uk/pwru/hmpage.html
Pesquisadores: Dr Richard Wiseman, Emma Greening, Ciaran O'Keeffe, Paul Rogers
Áreas: Avaliação crítica da evidência do paranormal; psicologia da ilusão, da mentira e da fraude; testemunho em relãção a alegações do paranormal; psicologia da intuição; linguagem e falsas memórias.

Kent University: Retro-Psychokinesis Project

Endereço: School of Classics, Philosophy and Religious Studies, University of Kent at Canterbury, Canterbury CT2 7LZ
Web: http://www.fourmilab.ch/rpkp/
Pesquisadores: Peter Moore, Matthew Watkins
Áreas: Retro-Psicocinesia

Liverpool Hope University College: Parapsychology Research Group

Endereço: Psychology Department, Liverpool Hope University College, Hope Park, Liverpool L16 9JD
Web: http://hopelive.hope.ac.uk/psychology/parapsychology.htm
Researchers: Dr James Cruickshank, Dr Diane Dutton, Ciaran O'Keeffe, Dr Craig Murray, Louie Savva, Dr Christine Simmonds, Dr Matthew Smith, Dr Carl Williams
Áreas: Aspectos experienciais da paranormalidade; metáfora e abordagens leigas para o fenômeno paranormal;abordagens qualitativas da pesquisa parapsicológica; relações entre experiências anômalas e saúde mental; pesquisa ganzfeld; estudo de alegações de paranormalidade ostensiva; testes de percepção extra-sensorial.

Liverpool John Moores University: Consciousness and Transpersonal Psychology Research Unit

Endereço: Centre for Applied Psychology, Liverpool John Moores University, Henry Cotton Campus, Liverpool L3 2ET
Web: http://cwis.livjm.ac.uk/ctp/progs.html
Pesquisadores: Dr Brian Lancaster, Dr Mike Daniels, Dr Matthew Smith (Liverpool Hope University College), Dr Carl Williams (Liverpool Hope University College), David Fontana (Cardiff University)
Áreas: Psicologia Transpessoal e a paranormalidade; Psicologia e Parapsicologia em relação à sorte; Estudos inter-institucionais de percepção extra-sensorial por meio da técnica ganzfeld.

Middlesex University

Endereço: Department of Psychology, University of Middlesex, Queensway, Enfield, Middlesex EN3 4SF
Pesquisador: Frank Franklyn
Áreas: Aquisição de informações paranormais durante as experiências fora-do-corpo induzidas por meio da hipnose.

University College Northampton

Endereço: School of Behavioural Studies, University College Northampton, Moulton Park, Northampton NN2 7AL
Web: http://www.northampton.ac.uk/research_centres.php
Pesquisadors: Prof Deborah Delanoy, Dr Chris Roe, Dr Simon Sherwood, e pesquisadores poosgraduados.
Áreas: Aspectos psicológicos e parapsicológicos da leitura da mente; estudos experimentais de psicocinesia por meio de tarefas motivadoras; clarividência em ganzfeld; experiências anômalas e estados hipnagógicas/hipnopômpicas; psicologia da crença na paranormalidade; estudos da ação mental direta sobre sistemas vivos.

Na próxima edição deste Boletim Virtual de Pesquisa Psi, você terá acesso à segunda parte desta relação.

Voltar