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A Ação dos Signos nos Poltergeists - Estudo do processo de comunicação dos fenômenos poltergeist a p PDF Print E-mail
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sexta, 10 setembro 2004
Machado, Fátima Regina. (2003). A AÇÃO DOS SIGNOS NOS POLTERGEISTS- Estudo do processo de comunicação dos fenômenos poltergeist a partir de seus relatos. São Paulo, 305p. Tese (Doutorado). Programa de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Abstract

Esta tese tem como objetivo principal apresentar um estudo empírico dos chamados fenômenos poltergeist por meio de sua análise semiótica. Com este estudo pretende-se contribuir para esclarecer a função comunicacional e o significado dos referidos fenômenos. Este trabalho vem ajudar a diminuir, pelo menos em certa medida, uma das mais importantes lacunas apontadas nas pesquisas dos poltergeists: a falta de embasamento empírico para sua interpretação.

Como hipótese central de trabalho considera-se que os eventos poltergeists sejam formas de expressão de conteúdos psíquicos censurados ou reprimidos, independentemente da força ou do modo como esses conteúdos se "traduzem" em eventos físicos. Portanto, leva-se em conta a realidade experiencial dos poltergeists. Desta forma, eventos poltergeist fraudulentos e genuínos (aqueles em que parece ter ocorrido uma interação anômala entre o ser humano e o ambiente) são igualmente considerados.

Selecionou-se um corpus de análise composto por vinte e cinco casos poltergeist coletados: por meio de entrevistas com pesquisadores(as) e pessoas que foram "personagens" desses casos cujo testemunho fosse corroborado por outras testemunhas; relatórios de pesquisa de casos investigados pela autora; e relatos publicados na literatura especializada entre 1950 e 2000. Para serem selecionados, os relatos deveriam conter: o contexto das ocorrências; a descrição do ambiente psicológico e das reações do grupo aos eventos poltergeist; o desfecho do caso.

A primeira parte deste estudo foi inspirada nos procedimentos de análise utilizados por Vladimir Propp para detectar as funções constantes (ações que movimentam a narrativa) dos contos maravilhosos russos. A detecção dos elementos constitutivos ou funções de cada caso poltergeist e da rede de conexões que se estabelece entre esses elementos indica que a função das ocorrências poltergeist consiste simultaneamente na expressão dos sentimentos provocados por problemas pessoais vividos pelo(a) agente e na busca de sua solução para esses problemas - o que implica na realização de desejos.

Na segunda parte, utiliza-se a Teoria Geral dos Signos proposta por Charles Sanders Peirce para a análise das ocorrências poltergeist. A análise semiótica demonstra a conectividade entre os diferentes ocorrências relatadas e os desejos e angústias dos(as) protagonistas dos casos que são dados a conhecer pelo contexto. Essas ocorrências são signos complexos que sugerem, indicam ou representam conteúdos psíquicos do(a) protagonista em diferentes medidas. Verifica-se que esses signos, ao mesmo tempo que indicam ou representam seu objeto dinâmico (aquilo a que se referem), camuflam-no, sugerindo ao grupo ou ao próprio(a) agente que se referem de algo absolutamente desconectado daquilo que ele(a) sente ou vive, ou de suas possibilidades de realização, o que é respaldado por regras interpretativas baseadas em explicações religiosas, por exemplo. Apesar da contribuição dos aspectos icônicos para esse desvio de atenção do objeto dinâmico, os aspectos indiciais das ocorrências permitem perceber a correlação entre elas e os conteúdos mentais do sujeito. Além disso, sua repetição evidencia seu caráter de lei. Independentemente das interpretações dadas às ocorrências ou das intervenções de pessoas externas ao grupo, os eventos poltergeist, genuínos ou fraudulentos, cumprem sua função. A cessação das ocorrências se dá pela realização dos desejos que a motivaram ou quando os conteúdos mentais podem ser expressos verbalmente. Conclui-se que os eventos poltergeist seriam uma forma alternativa ou anômala (no caso dos eventos genuínos) de expressão ou comunicação de sentimentos e necessidades em determinadas circunstâncias em que esta é censurada ou reprimida.

A demonstração de que fraudes - conscientes ou inconscientes - cumprem essencialmente a mesma função e agem signicamente da mesma forma que eventos poltergeist genuínos demonstra que elas podem auxiliar nos estudos dos poltergeists, não devendo ser desprezadas pelos(as) pesquisadores(as) como em geral é feito. O fato de os resultados obtidos corroborarem a hipótese de que ocorrências poltergeist fraudulentas ou genuínas seriam formas de expressão de conteúdos psíquicos censurados ou reprimidos não significa que se possa afirmar com segurança que o(a) chamado(a) "protagonista" dos casos seria responsável pela força que "movimenta" os eventos poltergeist alegadamente genuínos e nem responde por que não ocorrem eventos poltergeist sempre que a expressão de sentimentos e necessidades humanas são censuradas ou reprimidas Estas questões continuam carecendo de mais pesquisas.

 
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