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Entrevista Exclusiva com o Dr. Carlos S. Alavarado PDF Print E-mail
Written by Administrator   
sexta, 10 setembro 2004
Dr. Carlos Alvarado falando sobre a Pesquisa Psi como ciência na América Latina.Boletim Virtual de Pesquisa Psi 1 (1), 2004.

O Dr. Carlos S. Alvarado é uma das mais importantes personalidades da Pesquisa Psi atual. Foi Presidente (1995) e Presidente-Eleito (2002-2003) da Associação Parapsicológica (Parapsychological Association). Trabalha como Diretor de Programas Internacionais e Locais da Fundação Parapsicológica (Parapsychology Foundation), de Nova Iorque, onde ainda ocupa as funções de Editor da série de Monografias Parapsicológicas (Parapsychological Monographs) e de Editor-Associado da Revista Internacional de Parapsicologia (International Journal of Parapsychology). Sua formação inclui a graduação em Psicologia, um Mestrado em História (Duke University) e um Doutorado em Psicologia (Universidade de Edimburgo). Juntamente com a pesquisadora e esposa Nancy L. Zingrone, Alvarado tem lutado para o progresso da Pesquisa Psi na América Latina, tendo participado de eventos psi no Brasil em mais de uma ocasião. O trabalho de ambos têm inspirado dezenas de novos pesquisadores no Brasil e em vários países latino-americanos.

BVPP: Como se deu seu interesse por Pesquisa Psi?

Começou por volta de 1972 com uma inquietação geral que me levou a explorar o ocultismo, o espiritismo e outros temas relacionados. Acabei por encontrar a tradição parapsicológica em minhas leituras. De imediato senti grande atração pela abordagem crítica, sistemática e científica. Daí em diante decidi conhecer mais desta literatura e, posteriormente, decidi me dedicar a este campo de maneira profissional.

BVPP: Quais são seus temas de interessa atualmente que estudos tem realizado?

Meus interesses principais são o estudo da história da Parapsicologia e das experiências fora-do-corpo. Publiquei artigos históricos em revistas especializadas. Alguns temas tratados foram a terminologia parapsicológica, o papel da médium Eusapia Pallladino no desenvolvimento de aspectos da Pesquisa Psíquica, a importância e o papel do conceito da sobrevivência após a morte em Parapsicologia e os estudos de dissociação da Sociedade de Pesquisas Psíquicas no século XIX.

Em relação à experiência fora-do-corpo, realizei vários estudos com questionários sobre o fenômeno quando este acontece de maneira espontânea. Estes incluem estudos descritivos da fenomenologia da experiência fora-do-corpo e de fatores relacionados a esta e à relação da experiência fora-do-corpo com experiências parapsicológicas, o sonho lúcido, as variáveis de personalidade, as variáveis demográficas, a dissociação e a absorção.

Além desses temas, também me interessa muito o estudo de casos espontâneos em geral, a educação em Parapsicologia e a relação entre a Psicologia e a Parapsicologia.

BVPP: Como vê a Pesquisa Psi no mundo atualmente? É verdade que houve uma alteração do centro de interesse dos Estados Unidos para a Europa?

Atualmente a Parapsicologia não está bem como disciplina científica nos Estados Unidos. Há muito pouca pesquisa sendo realizada full time, algo que não era assim há uns 10 anos. Várias organizações fecharam ou estão em um período de pouca atividade. Na Europa, especialmente no Reino Unido, há mais pessoas e pesquisas. Mas essas são tendências que mudam com o tempo e de acordo com a disponibilidade de fundos e outros fatores sociais.

BVPP: De que forma a existência ou não de recursos tem afetado a Parapsicologia durante sua história?

A falta de recursos em Parapsicologia tem sido um dos problemas principais ao longo da história. Poucos recursos produzem poucos pesquisadores e, por extensão, poucas pesquisas, poucas publicações, poucos empregos profissionais e, o que é pior, pouco progresso na área. Se não há recursos econômicos ou de outra natureza, aprendemos muito pouco sobre os fenômenos que estamos estudando.

BVPP: Como vê a Pesquisa Psi na América Latina?

Como escrevi anteriormente, considero que a Parapsicologia na América Latina não se desenvolveu muito como uma disciplina profissional e científica. Muitas pessoas não têm o treinamento nem o conhecimento da literatura contemporânea necessários para fazer Parapsicologia no mundo moderno. Há demasiada teoria sem base empírica em alguns setores.

Mas é importante notar que em tempos recentes tem havido progresso. Refiro-me às pesquisas experimentais de Fábio Eduardo da Silva, Sibele Pilato e Reginaldo Hiraoka (Brasil) e de Alejandro Parra (Argentina) e seus associados. No Brasil, os doutorados obtidos por Fátima Regina Machado e Wellington Zangari com teses com relação com a Parapsicologia som importantes. Machado e Zangari têm feito conquistas importantes no sentido de colocar a Parapsicologia no âmbito universitário.

BVPP: Quais são os mais importantes desafios da Pesquisa Psi atualmente?

O principal é poder continuar com as pesquisas entre tanta resistência da ciência oficial. Também me parece importante continuar as tentativas de correlacionar os fenômenos com variáveis psicológicas, médicas, físicas, antropológicas, etc.

BVPP: Os céticos afirmam que a Parapsicologia não pode demonstrar a existência de psi e que, portanto, é uma área que deveria desaparecer. Como responderia a essa crítica?

Creio que esta posição é exagerada. Ainda que existam problemas na replicação de estudos experimentais, há certa consistência, como se pode verificar em algumas revisões de literatura, especialmente nas meta-análises. O que eu digo aos críticos é que a ciência precisa manter perspectivas amplas e precisa continuar a pesquisa. Com tão poucos recursos, a Parapsicologia não tem tido a mesma oportunidade que a Psicologia e a Psiquiatria para resolver problemas.

Por outro lado, a existência de psi não é o único tema de interesse da Parapsicologia. Essa disciplina também estuda experiências sem procurar demonstrar que estas são verídicas ou "paranormais". Meus estudos de experiências fora-do-corpo são um exemplo disso. Também é possível trabalhar neste campo seguindo hipóteses convencionais. Em outras palavras, a Parapsicologia é mais que um "sim" ou um "não" em relação à realidade da experiência investigada. Desde esse ponto de vista, têm-se feito importantes contribuições em termos da prevalência, das características fenomenológicas e das relações com variáveis psicológicas com alguns dos fenômenos, o que mostra que a posição do crítico aludido na pergunta não é suficiente para acabar com a pesquisa.

BVPP: Os religiosos alegam que psi demonstra a existência da alma. O que poderia dizer a esse respeito?

Isto não é apenas defendido por religiosos, mas por outras pessoas também. Exemplos são os pesquisadores do passado, como Myers e Bozzano, e pesquisadores como J. B. Rhine e J. G. Pratt. Apesar de os argumentos dessas pessoas e de outras, creio que essa posição não esta demonstrada. Ainda que existam argumentos em seu favor, não me parece que no estado limitado de nossos conhecimentos possamos afirmar com segurança que a existência da alma ou do espírito tenha sido demonstrada.

O que parece importante é manter uma mente aberta a explicações diferentes das convencionais. É possível que algum dia possamos documentar a existência de um princípio ou um processo alternativo que modifique nossas idéias de funcionamento do sistema nervoso (por exemplo). Isso poderia mudar o paradigma ou poderia interatuar com esse. Até agora apenas podemos dizer que alguns resultados sugerem que nossa visão de funcionamento sensório-motor é incompleta. É prematuro invocar o espírito como explicação, especialmente na forma contundente como alguns costumam fazer.

BVPP: Há quem defenda o uso de psi em terapias. Há conhecimento suficiente para recomendar a aplicação de psi em psicoterapias ou terapias orgânicas?

Não creio que tenhamos os conhecimentos suficientes nem o controle do fenômeno necessário para proceder a uma aplicação confiável em matéria de terapia. Quem sabe isso possa ser de ajuda em alguns casos, mas não creio que alguém deva depender exclusivamente de fenômenos parapsicológicos para fazer psicoterapia ou outra forma de terapia.

BVPP: Quais suas esperanças para a Pesquisa Psi no futuro?

Minha esperança é que venhamos a fazer pesquisas e o trabalho teórico suficientes para aumentar significativamente a compreensão dos fenômenos que estudamos. Para mim isto significa a expansão do potencial humano.

Mas temos que ser realistas. Isto não apenas tomará muito tempo, senão que, como todo o estudo realizado com seres humanos, a tarefa é sumamente difícil. Apesar do progresso relativo em Psicologia e em Psiquiatria no estudo de muitos fenômenos, como os sonhos, as imagens mentais, a esquizofrenia, a dissociação, as alucinações, a criatividade, as emoções , ainda não conhecemos plenamente a natureza desses fenômenos não-parapsicológicos. Ainda se discute na literatura sobre sonhos porque sonhamos. Os modelos apresentados muitas vezes se contradizem. Nem mesmo compreendemos exatamente como um trauma pode causar amnésia ou a relação exata entre saúde mental e criatividade. A realidade é que desconhecemos muito dos aspectos da mente humana que são básicos para nossa compreensão dos fenômenos parapsicológicos.

É muito difícil dar sentido aos fenômenos parapsicológicos quando não entendemos em detalhes as variáveis que tratamos de relacionar às experiências fora-do-corpo ou à percepção extra-sensorial. Como podemos compreender a relação entre percepção extra-sensorial e a extroversão e os estados alterados de consciência quando ainda não conhecemos muitas coisas básicas sobre a psicologia e a psicofisiologia desses últimos fenômenos? Os limites do conhecimento atual sobre a natureza e o funcionamento da mente humana limitam muito a Parapsicologia. Mas temos que viver com essa incerteza. Isto é parte do processo científico em áreas fronteiriças como a nossa.

Saiba mais:

Contato com o Dr. Carlos S. Alvarado: alvarado@parapsychology.org

Recientes Estudios y tendencias en la Investigación de las Experiencias Fuera del Cuerpo, Carlos S. Alvarado, Ph.D.
http://www.holorressonancia.com/pesquisapsi/portalpsi/revista/artigos/obe.htm

Estudos Científicos das Experiências Fora-do-Corpo
http://www.pesquisapsi.com/topico37.html

Estudos Científicos das Experiências Próximas da Morte
http://www.pesquisapsi.com/topico32.html

Alejandro Parra
http://www.alipsi.com.ar/cvparra.asp

Experimento realizado por Fábio Eduardo da Silva, Sibele Pilato e Reginaldo Hiraoka
Ganzfeld vs. No Ganzfeld: An Exploratory Study of the Effects of Ganzfeld Conditions on ESP.
http://www.pesquisapsi.com/artigo77.html

Resumo da Tese de Doutorado de Wellington Zangari.
http://www.pesquisapsi.com/artigo2114.html

Resumo da tese de Doutorado de Fátima Regina Machado
http://www.pesquisapsi.com/artigo2113.html

 
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