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Dr. Carlos Alvarado falando sobre a Pesquisa Psi como ciência na América Latina.Boletim Virtual de Pesquisa Psi 1 (1), 2004.
O Dr. Carlos S. Alvarado é uma das mais importantes personalidades da
Pesquisa Psi atual. Foi Presidente (1995) e Presidente-Eleito (2002-2003) da
Associação Parapsicológica (Parapsychological Association). Trabalha como
Diretor de Programas Internacionais e Locais da Fundação Parapsicológica
(Parapsychology Foundation), de Nova Iorque, onde ainda ocupa as funções
de Editor da série de Monografias Parapsicológicas (Parapsychological
Monographs) e de Editor-Associado da Revista Internacional de Parapsicologia
(International Journal of Parapsychology). Sua formação inclui a
graduação em Psicologia, um Mestrado em História (Duke University) e um
Doutorado em Psicologia (Universidade de Edimburgo). Juntamente com a
pesquisadora e esposa Nancy L. Zingrone, Alvarado tem lutado para o progresso da
Pesquisa Psi na América Latina, tendo participado de eventos psi no Brasil em
mais de uma ocasião. O trabalho de ambos têm inspirado dezenas de novos
pesquisadores no Brasil e em vários países latino-americanos.
BVPP: Como se deu seu interesse por Pesquisa Psi?
Começou por volta de 1972 com uma inquietação geral que me levou a explorar o
ocultismo, o espiritismo e outros temas relacionados. Acabei por encontrar a
tradição parapsicológica em minhas leituras. De imediato senti grande atração
pela abordagem crítica, sistemática e científica. Daí em diante decidi conhecer
mais desta literatura e, posteriormente, decidi me dedicar a este campo de
maneira profissional.
BVPP: Quais são seus temas de interessa atualmente que estudos tem
realizado?
Meus interesses principais são o estudo da história da Parapsicologia e das
experiências fora-do-corpo. Publiquei artigos históricos em revistas
especializadas. Alguns temas tratados foram a terminologia parapsicológica, o
papel da médium Eusapia Pallladino no desenvolvimento de aspectos da Pesquisa
Psíquica, a importância e o papel do conceito da sobrevivência após a morte em
Parapsicologia e os estudos de dissociação da Sociedade de Pesquisas Psíquicas
no século XIX.
Em relação à experiência fora-do-corpo, realizei vários estudos com
questionários sobre o fenômeno quando este acontece de maneira espontânea. Estes
incluem estudos descritivos da fenomenologia da experiência fora-do-corpo e de
fatores relacionados a esta e à relação da experiência fora-do-corpo com
experiências parapsicológicas, o sonho lúcido, as variáveis de personalidade, as
variáveis demográficas, a dissociação e a absorção.
Além desses temas, também me interessa muito o estudo de casos espontâneos em
geral, a educação em Parapsicologia e a relação entre a Psicologia e a
Parapsicologia.
BVPP: Como vê a Pesquisa Psi no mundo atualmente? É verdade que houve uma
alteração do centro de interesse dos Estados Unidos para a Europa?
Atualmente a Parapsicologia não está bem como disciplina científica nos
Estados Unidos. Há muito pouca pesquisa sendo realizada full time, algo
que não era assim há uns 10 anos. Várias organizações fecharam ou estão em um
período de pouca atividade. Na Europa, especialmente no Reino Unido, há mais
pessoas e pesquisas. Mas essas são tendências que mudam com o tempo e de acordo
com a disponibilidade de fundos e outros fatores sociais.
BVPP: De que forma a existência ou não de recursos tem afetado a Parapsicologia
durante sua história?
A falta de recursos em Parapsicologia tem sido um dos problemas principais ao
longo da história. Poucos recursos produzem poucos pesquisadores e, por
extensão, poucas pesquisas, poucas publicações, poucos empregos profissionais e,
o que é pior, pouco progresso na área. Se não há recursos econômicos ou de outra
natureza, aprendemos muito pouco sobre os fenômenos que estamos estudando.
BVPP: Como vê a Pesquisa Psi na América Latina?
Como escrevi anteriormente, considero que a Parapsicologia na América Latina
não se desenvolveu muito como uma disciplina profissional e científica. Muitas
pessoas não têm o treinamento nem o conhecimento da literatura contemporânea
necessários para fazer Parapsicologia no mundo moderno. Há demasiada teoria sem
base empírica em alguns setores.
Mas é importante notar que em tempos recentes tem havido progresso. Refiro-me
às pesquisas experimentais de Fábio Eduardo da Silva, Sibele Pilato e Reginaldo
Hiraoka (Brasil) e de Alejandro Parra (Argentina) e seus associados. No Brasil,
os doutorados obtidos por Fátima Regina Machado e Wellington Zangari com teses
com relação com a Parapsicologia som importantes. Machado e Zangari têm feito
conquistas importantes no sentido de colocar a Parapsicologia no âmbito
universitário.
BVPP: Quais são os mais importantes desafios da Pesquisa Psi atualmente?
O principal é poder continuar com as pesquisas entre tanta resistência da
ciência oficial. Também me parece importante continuar as tentativas de
correlacionar os fenômenos com variáveis psicológicas, médicas, físicas,
antropológicas, etc.
BVPP: Os céticos afirmam que a Parapsicologia não pode demonstrar a existência
de psi e que, portanto, é uma área que deveria desaparecer. Como responderia a
essa crítica?
Creio que esta posição é exagerada. Ainda que existam problemas na replicação
de estudos experimentais, há certa consistência, como se pode verificar em
algumas revisões de literatura, especialmente nas meta-análises. O que eu digo
aos críticos é que a ciência precisa manter perspectivas amplas e precisa
continuar a pesquisa. Com tão poucos recursos, a Parapsicologia não tem tido a
mesma oportunidade que a Psicologia e a Psiquiatria para resolver problemas.
Por outro lado, a existência de psi não é o único tema de interesse da
Parapsicologia. Essa disciplina também estuda experiências sem procurar
demonstrar que estas são verídicas ou "paranormais". Meus estudos de
experiências fora-do-corpo são um exemplo disso. Também é possível trabalhar
neste campo seguindo hipóteses convencionais. Em outras palavras, a
Parapsicologia é mais que um "sim" ou um "não" em relação à realidade da
experiência investigada. Desde esse ponto de vista, têm-se feito importantes
contribuições em termos da prevalência, das características fenomenológicas e
das relações com variáveis psicológicas com alguns dos fenômenos, o que mostra
que a posição do crítico aludido na pergunta não é suficiente para acabar com a
pesquisa.
BVPP: Os religiosos alegam que psi demonstra a existência da alma. O que poderia
dizer a esse respeito?
Isto não é apenas defendido por religiosos, mas por outras pessoas também.
Exemplos são os pesquisadores do passado, como Myers e Bozzano, e pesquisadores
como J. B. Rhine e J. G. Pratt. Apesar de os argumentos dessas pessoas e de
outras, creio que essa posição não esta demonstrada. Ainda que existam
argumentos em seu favor, não me parece que no estado limitado de nossos
conhecimentos possamos afirmar com segurança que a existência da alma ou do
espírito tenha sido demonstrada.
O que parece importante é manter uma mente aberta a explicações diferentes
das convencionais. É possível que algum dia possamos documentar a existência de
um princípio ou um processo alternativo que modifique nossas idéias de
funcionamento do sistema nervoso (por exemplo). Isso poderia mudar o paradigma
ou poderia interatuar com esse. Até agora apenas podemos dizer que alguns
resultados sugerem que nossa visão de funcionamento sensório-motor é incompleta.
É prematuro invocar o espírito como explicação, especialmente na forma
contundente como alguns costumam fazer.
BVPP: Há quem defenda o uso de psi em terapias. Há conhecimento suficiente para
recomendar a aplicação de psi em psicoterapias ou terapias orgânicas?
Não creio que tenhamos os conhecimentos suficientes nem o controle do
fenômeno necessário para proceder a uma aplicação confiável em matéria de
terapia. Quem sabe isso possa ser de ajuda em alguns casos, mas não creio que
alguém deva depender exclusivamente de fenômenos parapsicológicos para fazer
psicoterapia ou outra forma de terapia.
BVPP: Quais suas esperanças para a Pesquisa Psi no futuro?
Minha esperança é que venhamos a fazer pesquisas e o trabalho teórico
suficientes para aumentar significativamente a compreensão dos fenômenos que
estudamos. Para mim isto significa a expansão do potencial
humano.
Mas temos que ser realistas. Isto não apenas tomará muito tempo, senão que,
como todo o estudo realizado com seres humanos, a tarefa é sumamente difícil.
Apesar do progresso relativo em Psicologia e em Psiquiatria no estudo de muitos
fenômenos, como os sonhos, as imagens mentais, a esquizofrenia, a dissociação,
as alucinações, a criatividade, as emoções , ainda não conhecemos plenamente a
natureza desses fenômenos não-parapsicológicos. Ainda se discute na literatura
sobre sonhos porque sonhamos. Os modelos apresentados muitas vezes se
contradizem. Nem mesmo compreendemos exatamente como um trauma pode causar
amnésia ou a relação exata entre saúde mental e criatividade. A realidade é que
desconhecemos muito dos aspectos da mente humana que são básicos para nossa
compreensão dos fenômenos parapsicológicos.
É muito difícil dar sentido aos fenômenos parapsicológicos quando não
entendemos em detalhes as variáveis que tratamos de relacionar às experiências
fora-do-corpo ou à percepção extra-sensorial. Como podemos compreender a relação
entre percepção extra-sensorial e a extroversão e os estados alterados de
consciência quando ainda não conhecemos muitas coisas básicas sobre a psicologia
e a psicofisiologia desses últimos fenômenos? Os limites do conhecimento atual
sobre a natureza e o funcionamento da mente humana limitam muito a
Parapsicologia. Mas temos que viver com essa incerteza. Isto é parte do processo
científico em áreas fronteiriças como a nossa.
Saiba mais:
Contato com o Dr. Carlos S. Alvarado: alvarado@parapsychology.org
Recientes Estudios y tendencias en la Investigación de las Experiencias Fuera
del Cuerpo, Carlos S. Alvarado, Ph.D.
http://www.holorressonancia.com/pesquisapsi/portalpsi/revista/artigos/obe.htm
Estudos Científicos das
Experiências Fora-do-Corpo
http://www.pesquisapsi.com/topico37.html
Estudos Científicos das
Experiências Próximas da
Morte
http://www.pesquisapsi.com/topico32.html
Alejandro Parra
http://www.alipsi.com.ar/cvparra.asp
Experimento realizado por Fábio Eduardo da Silva, Sibele Pilato e Reginaldo
Hiraoka
Ganzfeld vs. No
Ganzfeld: An Exploratory Study of the Effects of Ganzfeld Conditions on ESP.
http://www.pesquisapsi.com/artigo77.html
Resumo da Tese de
Doutorado de Wellington
Zangari.
http://www.pesquisapsi.com/artigo2114.html
Resumo da tese de
Doutorado de Fátima Regina Machado
http://www.pesquisapsi.com/artigo2113.html
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