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(por Leonardo Stern)
Além de seguir o método científico, devemos ter alguns cuidados adicionais
na exposição de uma teoria, erros comuns entre aqueles que defendem
ferrenhamente uma teoria e dificultam a critica e a refutação de uma
teoria transformando-a em uma teoria totalmente arbitraria e pseudocientífica.
Um dos principais deslizes cometidos são as chamadas hipóteses ad
hoc. Uma hipótese ad hoc é aquela criada para explicar fatos que pareçam
refutar a teoria de alguém. Ou seja, são explicações dadas para sustentar
uma teoria perante as afirmações que indiquem que ela esta errada.
Por exemplo : Lucas diz para sua namorada que passou o final de semana
em casa, estudando e esta rebate dizendo ligou pra casa dele e não
tinha ninguém em casa. Este, por sua vez, afirma que não estava em
casa durante uma parte do dia porque precisou buscar um caderno na
casa de um amigo. A hipótese de que Lucas estava na casa de um amigo
enquanto sua namorada telefonava é uma hipótese ad hoc já que foi
feita para sustentar uma afirmação que havia sido derrubada.
O uso do Ad Hoc é uma espécie de remendo que introduz novos elementos
a uma teoria ou ajusta alguns dados apresentados na mesma. A principio,
nada sabemos sobre a veracidade de uma hipótese Ad Hoc , não há qualquer
impedimento para que no futuro esta se mostre verdadeira mas, é inevitável
que o uso do Ad Hoc faça uma teoria perder parte de sua credibilidade
da mesma forma que a namorada de Lucas deve estar desconfiada em relação
a sua sinceridade.
Para uma teoria científica é recomendável que se evite tal procedimento
expondo claramente todos os detalhes e restrições da teoria. Quando
inevitável, o uso do Ad Hoc deve ser acompanhado de embasamento teórico
e experimental sólido para que a credibilidade da teoria sofra as
menores perdas possíveis.
Outro problema muito encontrado é o Post Hoc. Post Hoc é uma abreviação
da frase em latim "post hoc ergo propter hoc"
ou seja, "depois disto, logo por causa disto".
A falácia é fundamentada no erro de que se um fenômeno ocorre logo
em seguida de outro, o primeiro foi causa do segundo. Por exemplo,
um jogador de tênis ganha um jogo quase impossível e, ao chegar em
casa descobre que tinha vestido as meias do lado avesso e, a partir
daí acredita que quando vestir novamente meias ao avesso, vai ter
maiores chances de vencer um jogo. O Post Hoc nada mais é do que o
estabelecimento de relações de causalidade entre dói elementos sem
antes analisar outros fatores como coincidências ou relações casuais
já conhecidas. Só é possível estabelecer relações de casualidade através
da repetição e da análise experimental. Evita-se o Post Hoc fundamentando
e explicitando todas as novas relações casuais feitas em uma teoria.
As relações casuais serão mais bem discutidas quando falarmos de Leibniz
, Hume e da Sincronicidade.
Talvez o mais praticado e grave dos erros, encontrado tanto em estudos
pseudocientíficos como nas mais conceituadas teorias científicas seja
o pensamento seletivo. Pensamento seletivo é o processo que ocorre
quando damos maior importância para dados favoráveis a uma hipótese,
enquanto ignoramos os dados desfavoráveis ou ignoramos os favoráveis
e enfatizamos os favoráveis.
Este tipo de atitude, muitas vezes inconsciente, é a base de muitas
crenças infundadas e origem de muitas divergências entre resultados
de experiências similares executadas em condições muito próximas.Pode
ocorrer tanto quando um pesquisador tenta defender determinada teoria
quanto quando está realizando um experimento visando derruba-la.
Uma situação em que o pensamento seletivo é evidenciado está nas sessões
de leitura fria 1.8 onde a partir de frases vagas e muitas afirmações feitas, o "paciente",
em suas lembranças, enfatiza as afirmações verdadeiras, acreditando
que o manipulador realmente possui poderes psíquicos.
Por fim, outro cuidado que cabe ao nosso estudo científico, por envolver
crenças pessoais, é o fenômeno da auto-ilusão. Auto-ilusão é o processo
de nos enganarmos de modo a aceitar como verdadeiro, certo ou válido
o que é falso ou errôneo. É uma forma de justificarmos a qualquer
custo crenças falsas que nos servem como base de apoio.
O pensamento seletivo é um dos mecanismos responsáveis pela auto-ilusão.
Ele ocorre quando o desejo de crer em uma afirmativa é tão grande
que as afirmativas que a contrariem são recebidas com pouca ou nenhuma
importância.
Além do pensamento seletivo, analisar dados esperando um resultado
específico que reforce crenças pessoais faz com que outros tipos de
erro ocorram e criem a auto-ilusão. Entre os erros mais comuns estão
:
- Encontrar padrões em dados aleatórios ou padrões inexistentes em outro
tipo de dado.
- Retirar mais informações de uma afirmação do que ela realmente fornece.
- Interpretar informações imprecisas ou vagas favoravelmente ao que
se defende.
- Dar interpretações subjetivas à dados objetivos
Encontrar padrões em dados aleatórios ou padrões inexistentes em outro
tipo de dado. Retirar mais informações de uma afirmação do que ela
realmente fornece. Interpretar informações imprecisas ou vagas favoravelmente
ao que se defende. Dar interpretações subjetivas à dados objetivos
Tendo em mente todas estas tendências, devemos nos precaver e lançar
mão de mecanismos que impeçam este tipo de interpretações errôneas.
Tal atitude é importante não só para que o pesquisador tenha certeza
do que está fazendo mas para que o trabalho tenha um mínimo de credibilidade
perante a comunidade científica.
Para isto, é exigido que todas as informações experimentais apresentadas
em um estudo sejam originadas de experimentos claramente definidos
e controlados que possam ser reprodutíveis e tenham seus dados disponibilizados
publicamente para futuras análises.
Muitas vezes, no entanto, ao se precaverem contra a auto-ilusão, os
pesquisadores podem se sentir seguros demais e estar completamente
isento deste problema. Conforto este que pode ser gerador de futuros
pensamentos seletivos. Existem casos em que o experimento é totalmente
controlado e seguro mas, seus procedimentos já se baseiam em certas
premissas que impossibilitam o experimento de produzir dados negativos.
A auto-ilusão pode se manifestar tanto na crença excessiva quanto
na descrença excessiva de modo que se não houver ponderação na elaboração
de um experimento, este tenderá a apresentar dados negativos. Para
haver o equilíbrio, é importante que o experimento seja desenhado
por um grupo misto de defensores e atacantes da teoria em questão.
Tal fato, além de proporcionar um experimento mais seguro torna o
mesmo mais notório e credível.
Notas de Rodapé
- ...1.8
- Maiores detalhes sobre leitura fria no apêndice do livro.
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