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(por Leonardo Stern)
Antes de prosseguirmos com a teoria, o método científico exige que
uma pergunta seja respondida: Qual a real necessidade de se desenvolver
uma teoria psi, visto que as hipóteses psi são geralmente negadas
pela navalha de Occam e por outros artifícios?
Para responder a pergunta, devemos observar se existe alguma categoria
de fenômenos mal explicados ou inexplicados que possam ser explicados
pela teoria psi ou a teoria psi fornecer explicações mais simples
e precisas para fenômenos já conhecidos. Muito do que é chamado de
psi não passa de charlatanice ou de impressões falsas decorrentes
do auto-ilusão ou do pensamento seletivo. A parcela que estes falsos
fenômenos psi ocupa é tão grande dentro dos possíveis fenômenos psi
que os pesquisadores em geral acreditam que a outra parcela cedo ou
tarde vai receber uma explicação tradicional.
Dentro da pequena parcela de fenômenos realmente inexplicados, existe
um particularmente intrigante, que não se tratando de auto-ilusão,
pensamento seletivo ou fraude, dificilmente receberá uma explicação
que não recorra ao psi, são os chamados fenômenos precognitivos. Existem
alguns poucos relatos sobre pessoas que tiveram sonhos com eventos
que mais tarde vieram a acontecer ou, tiveram qualquer tipo de visão
com fatos do futuro. A descrição de tais visões não se encaixa nos
casos explicados pelo efeito dos números grandes e, junto com casos
isolados de outras formas de manifestação do fenômeno, constituem
fortes indicios de que uma pesquisa mais aprofundada é necessária.
Ora, se os relatos que sustentam a necessidade existencial da pesquisa
psi são muito raros, como pode ser afirmado que o fenômeno psi é natural
e abundante? A grande maioria do que foi categorizado como psi é constituída
por eventos sutis que podem ser separadamente por coincidências ou
erros interpretativos, mas, em seu conjunto sugerem a existência de
um fenômeno psi sempre presente e de baixa magnitude.
A lógica científica também nos diz que o caminho mais sensato é inicialmente
considerar os fenômenos psi como ordinários e com mecanismos simples,
confirmando a posição inicial dada quando definimos a natureza dos
fenômenos psi. Desta forma, estamos aumentando as chances teóricas
de sua existência e diminuindo o peso que o ônus da prova exerce sobre
a teoria.
Ao reduzir os fenômenos psi a fenômenos ordinários devemos imaginar
que o mesmo já foi observado diversas vezes. Como não encontramos
na literatura científica tradicional (Física, Biologia, Química, etc)
nada que se identifique diretamente com o alvo de nossas pesquisas
devemos concluir que o mesmo foi observado de forma incorreta, ou
confundido com outro fenômeno ou tratado como erro experimental (anomalia)
ou observado de forma incompleta ou insuficiente.
Para ter uma chance mínima de conseguir identificar o fenômeno no
meio de tantos estudos e áreas científicas e nas mais diversas prováveis
aparições é fundamental definir com mais detalhes o nosso alvo de
estudo, tomando todos os cuidado para na definição não se estar indiretamente
conjeturando sobre o sobre o mecanismos de funcionamento do mesmo.
Explorando a definição inicial do que seja um fenômeno psi podemos
ser capazes de extrair novas informações sobre o funcionamento do
mesmo. O psi é "uma suposta nova forma de comunicação ou
troca de influências entre organismos e o meio" .
Para melhor explorar o conceito, vamos dividi-lo em duas partes: "suposta
nova forma de comunicação" e "suposta nova forma
de troca de influencias" . Como as duas sentenças foram
originalmente conectadas por um "ou" , tendo
eventos onde apenas uma é verdadeira como em eventos onde as duas
são verdadeiras temos um fenômeno psi. Note que, desta forma, estamos
dividindo os fenômenos em dois grupos, ou melhor, estamos classificando
o fenômeno a partir de duas formas de manifestação distinta, mas,
não devemos esquecer que mesmo tendo manifestações distintas, as duas
definições, a princípio, tratam do MESMO FENÔMENO (muitos institutos
tratam estas duas manifestações como fenômenos diferentes, com funcionamentos
diferentes e teorias diferentes, mas isto é uma consideração que só
pode ser feita a posteriori já que partimos de um único objeto de
estudo.).
A idéia de dividir os fenômenos psi em duas categorias não é nova
e nem a nossa divisão é original. A citação abaixo mostra, inclusive,
que a divisão que adotamos para os fenômenos é a mais popular.
Atualmente, a forma mais comum de se referir aos fenômenos pelos pesquisadores
acadêmicos é aquela proposta e/ou utilizada por Joseph Banks Rhine.
O Dr. Rhine adotou para denominação dos fenômenos subjetivos o termo
percepção extra-sensorial (ESP, do inglês extrasensory perception)
e, para os objetivos, psicocinesia
A associação entre fenômenos subjetivos e "comunicação"
e entre "troca de influencias" e "fenômenos
objetivos" é clara e é útil para nos referenciarmos aos
dois contextos de manifestação do fenômeno psi, entretanto, o termo
ESP é inapropriado para nossas pesquisas por pressupor que o fenômeno
psi não esta relacionado aos nossos órgãos sensoriais. Conhece-lo
é importante para estabelecer paralelos entre nossa pesquisa e as
pesquisas feitas na parapsicologia. Deixando a questão do conflito
entre as nomenclaturas de lado, vamos nos ater nas definições dadas
para cada tipo de manifestação do psi. Na primeira definição temos
evidenciado mais uma característica do fenômeno psi, a subjetividade
enquanto que no segundo há apenas a fria objetividade das ciências
exatas. |