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(por Leonardo Stern e Paula Moiana da Costa)
O conceito de witz utilizado NÃO se baseia diretamente no witz conceituado
por Freud em "O Chiste e sua relação com o inconsciente"
(1905), por sua vez influenciado por "Ueber den Witz"
(1898) de autoria de Kuno Fischer.
Ele se baseia no desenvolvimento conceito desenvolvido por Fernando
Cavalheiro, segundo ele :
"Seligman-Silva assim define o Witz em uma nota de sua tradução
do livro de Benjamin chamado O conceito de crítica de arte no Romantismo
alemão: 'Witz indica não apenas espirituosidade, perspicácia (Scharfsinn
em alemão), como também capacidade combinatória" assim, o
conceito parece se estender para além do chiste, englobando praticamente
todo o tipo de associação não obvia'."2.4
Talvez minhas derivações a partir deste ponto tornem a nomenclatura
um tanto errônea já que estou partindo de uma interpretação um tanto
particular do termo Witz e o expandindo para explicar fenômenos que
teorizo. Na falta de um termo próprio para descrever o fenômeno, Witz
é a melhor palavra para ilustra-lo.
A lógica por si só, não forma novos conhecimentos ou tira novas conclusões
apenas pode consolida-los, estruturando-os de forma mais concisa e
clara formatando tal conjunto de conhecimentos de forma a facilitar
a sua associação com outros conjuntos de conhecimentos. A consideração
da lógica não trazer novos conhecimentos (apesar dela ter a capacidade
de excluir conhecimentos novos falsos, que entrem em controvérsia
com elementos já aceitos) nos leva a interessantes observações como,
por exemplo:
Todo o sistema lógico sofre as limitações impostas pelo teorema de
Gödel e da impossibilidade de se obter novos conhecimentos através
da lógica (sistema fechado). A capacidade combinatória, representada
pelo Witz seria a abertura nesse sistema, sua capacidade de expansão
e de formar novos conhecimentos através da introdução de novos elementos
ao sistema (sistema momentaneamente se torna aberto). Ilustrando a
diferença entre a lógica e o Witz temos :
Lógica: [A] + [B] = [A + B] Witz : [A] + [B] =
[C]
O importante do Witz é que, na maioria das vezes, ele não representa
a fusão de idéias completas, mas sim de idéias que ainda não se formaram
totalmente e juntas completam-se mutuamente. Estas idéias não-prontas,
nada mais seriam do que percepções incompletas, pensamentos abandonados,
entre outras coisas.
A propagação dessas impressões que seria o fenômeno mais interessante
para nos, todo o processo de formação de um pensamento completo a
partir de fragmentos se da de forma não-lógica até e só depois de
formada ela se torna perceptível pela lógica. O processo de transmissão,
então, devera se dar de modo diferente aa transmissão lógica comum,
isto é, meios de transmissão diferentes dos melhores percebidos por
nos, mas não totalmente obscuros já que não somos compostos apenas
pela percepção lógica, apenas estamos viciados em pensar de forma
estruturada, através de unidades lógicas que são as palavras.
Notas de Rodapé
- ...2.4
- Cavalheiro, Fernando - http://www.rubedo.psc.br/artigosb/sincwitz.htm
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