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(por Paula Moiana da Costa)
Leibniz separou a verdade quanto á forma de essa verdade ser conhecida:
arazão e a experiência. O grande problema da razão como uma forma
de conhecimento da realidade é que a razão enuncia verdades inexoráveis.
Um exemplo dessas verdades de razão são as verdades matemáticas. É
racionalmente impossível que um triângulo não tenha três lados, que
2+2 não seja igual á quatro, ou que um círculo não tenha todos os
pontos eqüidistantes do centro. Isso traduz uma capacidade racional,
puramente intelectual, para conhecer idéias que não dependem da experiência
para serem formuladas e se tornarem verdadeiras. As verdades de razão,
portanto, são inatas.
As idéias que, ao contrário das racionais, precisam da experiência,
são as verdades de fato. Essas verdades exigem que as idéias sejam
obtidas através da percepção e da memória. As verdades de fato são
empíricas e se referem a coisas que poderiam ser diferentes do que
são, mas que são como são porque há uma causa para que sejam assim.
Por exemplo, se eu observo que os cabelos de minha irmã são castanhos,
é porque alguma causa (no caso, os genes) fez com que eles tivessem
essa cor. Mas nada impede que eles fossem louros, pretos ou ruivos,
se houvesse alguma causa para isso. Isso constitui o princípio da
razão suficiente, ou seja, tudo o que existe e tudo o que percebemos
possui uma causa determinada, e essa causa pode ser conhecida. Seria,
portanto, o conhecimento das causas.
Pelo princípio da razão suficiente, todas as verdades de fato podem
tornar-se verdades necessárias e serem consideradas verdades de razão,
ainda que para conhecê-las dependamos da experiência. Portanto, para
Leibniz, o princípio da razão suficiente ou a idéia de causalidade
universal e necessária permite manter as idéias inatas e as idéias
empíricas. É justamente o princípio da causalidade, que será alvo
das críticas dos empiristas, na filosofia de David Hume. |