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(por Leonardo Stern)
O fisiologista Karl Lashley, realizou experimentos por mais de 30
anos na tentativas de localizar o engrama (local e estrutura responsavel
pela memoria), treinava ratos de laboratorio para posterior mutilação
seletiva do cérebro a fim de isolar o engrama.
Em todas as experiencias, a mutilação cerebral prejudicou um pouco
o desempenho do animal mas em momento nenhum apareceram indicios de
que o traço de memoria relacionada ao treino ter desaparecido por
completo.Os experimentos de Lashley mostraram que era impossível isolar
o engrama no cérebro de um rato. Ele concluiu que a memoria deveria
se encontrar distribuida e repetida pela extensão cerebral.
Os experimentos de Lashey são um tanto simplistas para serem aplicados
em cérebros mais complexos como os dos mamiferos superiores mas suas
conclusões parecem se estender a todos os animais.
Um fisiologista chamado E. Roy John e seus colaboradores desenvolveram
ummetodo que detecta sinais de memoria ativa em cérebros vivos de
ratos e gatos. O mesmo sinal aparece em vastas regiões do cérebro,confirmando
as previsões de Lashley.
O neurocientista Karl Pribram trabalhou por algum tempo sob orientação
de Lashley, conhecendo detalhadamente o experimento e os resultados
obtidos na busca do engrama. No inicio da decada de 60 foi construido
o primeiro holograma e, lendo artigos a respeito do funcionamento
da fotografia holografica Pribram imaginou que o cérebro poderia funcionar
de maneira similar e em 1966 escreveu o primeiro artigo associando
o armazenagem de dados pelo cérebro à armazenagem de informações por
um holograma dando inicio a teoria da mente holografica.
Um holograma é uma fotografia tridimensional feita com a ajuda de
um laser.Para fazer um holograma, o objeto a ser fotografado é primeiro
banhado com a luz de um raio laser. Então um segundo raio laser é
colocado fora da luz refletida do primeiro e o padrão resultante de
interferência (a área aonde se combinam estes dois raios laser) é
capturada no filme. Quando o filme é revelado, parece um rodamoinho
de luzes e linhas escuras. Mas logo que este filme é iluminado por
um terceiro raio laser, aparece a imagem tridimensional do objeto
original.
A tridimensionalidade destas imagens não é a única característica
importante dos hologramas. Se o holograma de uma rosa é cortado na
metade e então iluminado por um laser, em cada metade ainda será encontrada
uma imagem da rosa inteira. E mesmo que seja novamente dividida cada
parte do filme sempre apresentará uma menor. Diferente das fotografias
normais, cada parte de um holograma contém toda a informação possuída
pelo todo.
É, no entanto errôneo afirmar que a informação contida em cada metade
do holograma ficou inalterada, na verdade, devemos comparar a divisão
de um holograma com a divisão de uma janela. Ao dividirmos uma janela
em duas partes não estaremos observando metades de paisagem em cada
janela, mas deixaremos de poder observar a paisagem pela janela em
determinados ângulos.
Ou seja, ao cortarmos o holograma, não estamos perdendo informações
sobre determinada região da imagem mas sim de determinados ANGULOS
em que a imagem pode ser observada. Paralelamente ocorre perda de
nitidez no holograma. Caso não houvesse nenhum tipo de perda ao dividirmos
o holograma, o holograma seria uma media para armazenamento de dados
com capacidade infinita.
O conceito holográfico não deve, no entanto se limitar a diferentes
ângulos de uma mesma imagem, qualquer tipo de informação, visual ou
não pode ser armazenada em mídia holográfica, deste modo, não faz
sentido relacionarmos exclusivamente ângulos ao nível de detalhamento
da informação. O importante é o modo como a informação é armazenada
e seus detalhes correlacionados.
Um dos criticos ao trabalho de Pribram, o professor Paul Pietsch,
julgava absurda a teoria da mente holografica já que esta tinha implicações
totalmente contrarias ao conhecimento e ao senso comum da época. Revoltado
com o aparente absurdo da teoria, Pietsch resolveu se dedicar a derrubar-la
e relegar-la ao esquecimento.
Pietsch idealizou uma serie de experimentos onde com uma serie de
cirurgias e transplantes embaralharia o cérebro de uma salamandra
na esperança de afetar o processamento da memoria e das demais funções
cerebrais. Pietsch falhou e se viu obrigado a examinar e testar cuidadosamente
as predições da teoria holografica.
Tais experimentos resultaram no livro : "SHUFFLEBRAIN -The
Quest of Hologramic Mind" que já está em sua segunda edição
e encontra-se , gratuitamente disponível online em : http://www.indiana.edu/~pietsch/shufflebrain-book00.htmle se tornou uma ótima referência sobre o assunto.
O livro ressalta que não podemos comparar adequadamente o holograma
neural com um holograma optico. Para definir o estado de uma onda
é necessário conhecermos sua amplitude e sua fase. Todas estas informações
são aproveitadas por um holograma optico mas como as freqüências e
energias encontradas nos neuronios não são comparaveis às da luz,
Pietsch afirma que um holograma neural não teria condições de retirar
codificar/decodificar informações aproveitando a amplitude dos sinais
neurais. O holograma neural seria similar a um holograma acustico
que é sensivel apenas as variações de fase de uma onda. O holograma
acustico será discutido detalhadamente em momento posterior deste
trabalho.
O modelo de Pribram propõe que a memoria não é armazenada de modo
sequencial como num computador ou qualquer outro tipo de registro
a que estamos acostumados mas sim em camadas de modo que cada unidade
de memoria aumentará o nivel de detalhamento das informações ao invés
de adicionar novas informações.
"A teoria diz que o cérebro, num dos estágios de processamento,
executa suas análises no domínio das freqüências. Isto é realizado
nas junções entre neurônios e não dentro deles. Desse modo, aumentos
e diminuições locais, graduados de potenciais nervosos (ondas), de
preferência a impulsos nervosos, são os responsáveis por isto. Os
impulsos nervosos são gerados dentro dos neurônios e são usados na
propagação dos sinais que constituem as informações ao longo de grandes
distancias, através de extensas fibras nervosas. As variações de potencial,
locais e graduadas, isto é, as ondas, ocorrem nas extremidades destas
fibras nervosas, onde elas se ligam a ramos mais curtos que formam
uma rede de interconexões entre neurônios. Alguns deles, agora chamados
neurônios de circuito local, não possuem fibras longas e não apresentam
impulsos nervosos. Funcionam basicamente, no modo de onda graduada,
e são especialmente responsáveis pelas conexidades horizontais em
lâminas de tecido nervoso, conexidades nas quais podem vir a ser construidos
padroes de interferência semelhante aos holográficos.
Ao lado dessas especificações anatômicas e fisiológicas, acumulou-se
um sólido corpo de evidencias, indicando que os sistemas auditivo,
somático-sensorial, motor e visual do cérebro realmente processam,
em um ou varios estágios, a entrada, vida dos sentidos, no domínio
das frequências. Essa entrada distribuida deve então, de algum modo,
talvwz por meio de mudanças na estrutura de proteinas nas superficies
da membrana, ficar codificada sob a forma de traços de memoria distribuidos.
As moleculas de proteina desempenhariam um papel auxiliar no holograma
fotográfico neural."3.1
O funcionamento da mente como um grande processador de frequencias
reforça o questionamento de Kant a respeito de nosso orgãos sensoriais
e o modo como enxergamos o mundo que cerca nossa consciencia. É explorando
estas caracteristicas que David Bohm consegue extrapolar o modelo
holografico para a o mundo da Física reforçando sua busca por uma
Física Quantica determinista e racional.
Antes de analizarmos as ideias de Bohm propriamente ditas, é preciso
conhecer as discordancias existentes entre Bohm e a Fisica Quantica
e estes são evidenciados no célebre "paradoxo EPR"
e a questão da localidade x não-localidade.
Notas de Rodapé
- ...3.1
- Wilber, Ken (2001) "O Paradigma Holográfico e outros paradoxos"
3a Edição - Editora Cultix.
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