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Problema da Intensidade do Sinal PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
(por Leonardo Stern)

Muitos trabalhos de parapsicologia falam sobre o problema da aplicação de teorias físicas clássicas para explicação dos fenômenos psi. O problema maior reside no fato que qualquer sinal que se propague em todas as direções sofre uma perda de intensidade diretamente proporcional ao quadrado da distancia entre o ponto emissor e o ponto receptor do sinal.

Em diversas ocasiões foram observados efeitos psi a distancias muito grandes do suposto emissor como no experimento de visão-remota transoceânico conduzido por Schlitz e Gruber (1980 e 1981) e em relatos de casos espontâneos. Estes casos contrariam a relação da intensidade do sinal com o quadrado da distancia. É até possível que tais relatos e experimentos não se adequem aos rígidos requisitos do método cientifico para que possam ser considerados dados de absoluta confiança, mas, a própria definição de psi sustentada até aqui incorpora fenômenos em que a distancia do emissor e o receptor seja normalmente elevada como é o caso dos sonhos premonitórios e da percepção extra-sensorial em geral. O problema do quadrado da distancia, no entanto, não se relaciona com lei física ou partícula alguma, ela se relaciona unicamente ao fato do sinal se propagar em todas as direções e com a geometria utilizada.

Na geometria euclidiana, com três dimensões espaciais podemos imaginar o sinal em seu local de origem como um ponto. A medida que o sinal se propaga em todas as direções, a imagem resultante é uma casca esférica cujo tamanho vai aumentando gradativamente a medida que o sinal se propaga. Podemos facilmente constatar esta afirmação utilizando um pouco de geometria analítica elementar:

Suponha que o ponto de origem do sinal esteja no ponto de origem O(0,0,0) e que o sinal se propague de modo igual em todas as direções. Em qualquer momento, todos os pontos da figura de expansão devem, então, ser eqüidistantes do ponto de origem O.

Como a distancia de um P (x,y,z) a outro ponto Q (a,b,c) é dada por :

egin{displaymath}
d=sqrt{(x-a)^{2}+(y-b)^{2}+(z-c)^{2}}end{displaymath} (3.1)

$S$ubstituindo o ponto Q pela origem (0,0,0) temos :

$displaystyle d=sqrt{(x-0)^{2}+(y-0)^{2}+(z-0)^{2}}$
$displaystyle d=sqrt{x^{2}+y^{2}+z^{2}}$ (3.2)

Que é a equação da casca esférica, onde d representa o raio da mesma.

Confirmado que um sinal se propagando de modo igual em todas as direções se propaga na forma de uma casca esférica, nosso próximo passo é determinar a intensidade do sinal. A intensidade de um sinal nada mais é do que a relação entre sua potencia e a região pelo qual ele esta disperso. Tal fato em nada se relaciona com teorias físicas, parte da própria definição de potencia e intensidade.

Sendo assim, a intensidade de um sinal é dada por $I=frac{P}{G}$ onde P é a potencia do sinal e G a região em que este se espalha. No exemplo citado, a região é a área de uma casca esférica, que é dada pela formula $A_{esfera}=frac{4}{3}pi r^{2}$, onde r é o raio.

Substituindo o valor da área para nosso sinal genérico temos :

egin{displaymath}
I=frac{P}{frac{4}{3}pi d^{2}}Rightarrow I=frac{3P}{4pi d^{2}}end{displaymath} (3.3)

Resultando, assim, no decréscimo da intensidade proporcional ao quadrado da distancia.

Com o aumento do numero de dimensões a relação entre queda na intensidade do sinal e a distancia entre o receptor e a origem aumenta exponencialmente, tal fato é ilustrado pela tabela abaixo, onde n é o numero de dimensões, V o espaço ocupado pelo sólido e A a área ocupada por ele.


Tabela 3.1: Areas e Volumes de Esferas n-dimensionais
n $V^{n}(r)$ $A^{n}(r)$
1 $2r$ -
2 $pi 	extrm{r}^{2}$ $2pi r$
3 $frac{4}{3}pi r^{3}$ $4pi r^{2}$
4 $frac{1}{2}pi ^{2}r^{4}$ $2pi ^{2}r^{3}$
5 $frac{8}{15}pi ^{2}r^{5}$ $frac{8}{3}pi ^{2}r^{4}$
6 $frac{1}{6}pi ^{3}r^{6}$ $pi ^{3}r^{5}$
7 $frac{16}{105}pi ^{3}r^{7}$ $frac{16}{15}pi ^{3}r^{6}$
8 $frac{1}{24}pi ^{4}r^{8}$ $frac{1}{4}pi ^{4}r^{7}$
9 $frac{32}{945}pi ^{4}r^{9}$ $frac{32}{10}pi ^{4}r^{8}$
10 $frac{1}{120}pi ^{5}r^{10}$ $frac{1}{12}pi ^{5}r^{9}$


Pelo que foi exposto, percebemos que em uma propagação uniforme em um espaço n-dimensional, o decréscimo da intensidade do sinal é inversamente proporcional a distancia entre a origem e o receptor, elevada a n-1 potencia. Desta forma, a não observância deste comportamento na propagação de sinais psi discorda da geometria utilizada e não do numero de dimensões ou da teoria física.

Uma solução possível é fazer uso da geometria não-euclidiana e postular que as três dimensões conhecidas e uma dimensão adicional sejam curvas de modo que distancias aparentemente grandes no universo tridimensional sejam curtas no universo quadridimensional. Tal hipótese traz várias considerações implícitas como a incapacidade da mente de perceber esta dimensão extra, de instrumentos não a detectarem diretamente e de não existirem fenômenos como o sumiço e aparecimento de objetos, conseqüência provável caso existissem dimensões espaciais adicionais.

Existem diversas teorias físicas que defendem dimensões adicionais, estas, em geral, contornam os problemas expostos acima utilizando a teoria de Kaluza-Klein que defende a existência de dimensões recurvadas, ou seja, dimensões de comprimento finito. Segundo estas teorias, as dimensões adicionais estariam recurvadas em um comprimento tão reduzido que seus efeitos não seriam percebidos em escala macroscópica. As dimensões recurvadas de escala microscópica não solucionam o problema relativo a intensidade dos sinais.

Poderia ser argumentado a respeito da possibilidade de existir dispersão do sinal psi e, mesmo assim, ser possível a comunicação psi nestes sinais de fraca intensidade. O problema reside no fato de que para gerar um sinal forte o suficiente para ser detectável a grandes distancias, a energia necessária seria maior do que a normalmente exigida pelo cérebro ou pelo corpo. Por outro lado, a captação de sinais muito fracos exigiria aa existência de um órgão muito especializado e a de grandes áreas do córtex cerebral envolvidas na abalize de tais sinais como ocorre com a detecção de ondas luminosas pelo olho humano.

Como o problema da intensidade do sinal está relacionado ao fenômenos suposto da dispersão do sinal, o único modo de conciliar o fenômeno da dispersão com as supostas características do fenômeno psi é a teorização de universos dobrados, espaços multiconectados e outros artifícios do gênero. Todas as tentativas do gênero envolvem o conceito de não-localidade, seja ela verdadeira (conexão entre pontos não contíguos) ou aparente (quando a conexão é contígua, mas é percebida de maneira diferente). Tendo em vista o desenvolvimento atual da física teórica, a solução mais simples é fazer uso de teorias físicas que incorporem o conceito da não-localidade sem criar novos problemas, são as chamadas teorias holográficas, discutidas em momento posterior.

Outro fator de grande relevância é a invalidação de ondas eletromagnéticas como portadoras de mensagens psi. Além do problema da queda de intensidade, a teoria das ondas eletromagnéticas tinha contra si experimentos que demonstrava a habilidade aparente do psi de penetrar em gaiolas de Faraday e outras barreiras contra ondas eletromagnéticas, como relatados por Vasiliev em 1976 3.4. Tal invalidação pode ser contestada com a inclusão das hipóteses não-locais já que qualquer tipo de barreira do gênero não altera em nada esta forma de comunicação. (maiores detalhes no apêndice)



Notas de Rodapé

...3.4
Informação retirada de Stokes, D. M. (1991) "Mathematics and Parapsychology". The Journal of the American Society for Psychical Research Vol 85, Jul 1991. p. 251-289
 
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