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O termo placebo costuma estar popularmente associado a feitiços, magia ou, quando não, a elevado grau de histeria. Porém, o efeito placebo,
suas repercussões e sua fisiologia, começam a ganhar o respeito de
muitos cientistas. Se o que interessa ao médico e ao paciente é o
alívio e a cura, não importa conquistar esse objetivo às custas
do efeito placebo.
Por
definição, placebo é uma substância inerte, sem propriedades farmacológicas, administrado a uma pessoa ou grupo de pessoas, como se tivesse propriedades terapêuticas. Na medicina os objetivos do placebo são, principalmente, para trabalhos científicos onde se quer testar a eficácia de medicamentos através de comparações.
Ministra-se o medicamento para um grupo de pacientes com determinada doença e o placebo para outro grupo com a mesma doença, depois se
comparam os resultados.
Durante esses estudos, chamados de duplo-cego, nem os pacientes e nem os médicos sabem quem está em uso do placebo ou do medicamento. Após o período de avaliação o pesquisador (que sabe quem toma o placebo e quem toma o medicamento) compara os resultados.
O propósito desse artigo, aqui, em um site de psiquiatria, é ilustrar de maneira científica o grau de sugestionabilidade das pessoas, bem como a importância do psiquismo nos sintomas orgânicos. Para se ter uma idéia do fenômeno placebo, Cindy Seiwert cita que a proporção de pacientes que respondem positivamente aos placebos pode ser de 20% a 100%, dependendo do
tipo de distúrbio e sintoma a ser tratado.
É bom termos em mente que o conceito de placebo é bastante amplo. Originalmente o nome placebo era exclusivo de algum produto para uso
oral (cápsulas de farinha de trigo, por exemplo) ou injetável (soro fisiológico), mas hoje, também se reconhece como placebo
outras formas de interferência física, tais como acupuntura,
ultra-som, aplicação local de pomadas, cremes, etc. Classificaria
aqui também os benzimentos, passes e outras peripécias do gênero,
incluindo as “cirurgias espirituais”, por exemplo, que não
provando serem genuínas, também devem ser consideradas placebos.
Como o
leitor já deve suspeitar, as experiências feitas com placebo
resultam, quase sempre, em alta porcentagem de resultados eficazes
nas mais variadas doenças e sintomas. E não é só isso.
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PORCENTAGEM
DE MELHORA COM PLACEBO
NOS DIVERSOS QUADROS
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Dores
em geral
Dor
de cabeça
Enxaqueca
Dist.
Gastrintestinais
Hipertensão
Arterial
Dores
reumáticas
Cólicas
Menstruais
Gripe
|
%média
28,2
61,9
32,3
58,0
17,0
49,0
24,0
45,0 |
Variação%
0-67
46-95
20-58
21-56
0-60
14-84
11-60
35-61
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Temas
de Psicologia em Saúde, Luiz Geraldo Benetton
O placebo
também determina uma variada lista de efeitos colaterais em pessoas
que se sentem mal depois de tomar, digamos, uma boa dose de nada.
Sim. O
ser humano é altamente sugestionável e vive às voltas com enorme
hipocrisia orgânica, exceto você que está lendo, é claro.
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SINTOMAS
COLATERAIS INDUZIDOS PELOS PLACEBOS |
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SINTOMA
Urticária
Pesadelo
Sonolência
Cansaço
Dificuld.
concentração
Dor
de cabeça
Irritabilidade
Insônia
Boca
seca
Náuseas
Constipação
intestinal
Obstrução
nasal
|
%
5
8
23
41
27
15
17
7
5
5
4
31
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Temas
de Psicologia em Saúde, Luiz Geraldo Benetton
Segundo
Eduardo Moraes Baleeiro, o grau de atuação do placebo depende de
três fatores básicos:
1 –
O paciente
O
paciente é, decididamente, a parte mais importante no processo do
tratamento e da cura. Da expectativa do paciente, relacionado a
diversos mecanismos conscientes e inconscientes. Aqui,
evidentemente, considera-se o perfil psicológico e de personalidade
do paciente. Os histéricos,
por exemplo, por serem mais sugestionáveis, podem sentir
prontamente os efeitos curativos ou colaterais dos placebos. Mas
essa sugestionabilidade não é monopólio dos histéricos; de certa
forma, todos nós somos sugestionáveis.
As
pessoas que aferem algum lucro
emocional com a doença, também não sentem melhora com o
placebo, mas podem sentir seus efeitos colaterais. Essas pessoas
costumam não melhorar com o placebo e nem com os medicamentos.
Podemos dizer, de modo geral, que elas não têm interesse em sarar.
E por
falar em lucro secundário da doença, Baleeiro lembra em seu artigo
que um experiente ortopedista da área médico-trabalhista afirmou,
em conferencia, nunca ter visto uma vez sequer, algum trabalhador
autônomo da área de digitação apresentar LER, doença típica
dos profissionais dessa área (Lesão por Esforço Repetitivo),
comum em funcionários públicos ou de empresas privadas.
Em relação
aos efeitos colaterais negativos do placebo, o nome correto é nocebo. Trata-se da expectativa que o paciente traz consigo durante
a pesquisa clínica. Se há uma expectativa negativa, pessimista,
ele terá uma reação nocebo, ainda que saibamos que a substância
é inerte. É a mesma expectativa que, quando positiva, otimista,
gerará a reação placebo.
A
expectativa do paciente, bem como de seus familiares, aumenta as
possibilidades do efeito placebo, caso sejam otimista, enquanto a
expectativa pessimista desencadeia o fenômeno nocebo (efeitos
colaterais). Porém, o que confunde o leitor ou os pacientes
abalados com a idéia dos efeitos placebo ou nocebo, é que essa
expectativa é quase sempre inconsciente, em sua maior parte, de tal
forma que, mesmo os pessimistas se lhes atribuem o rótulo de
realistas (nunca encontrei nenhum paciente, em 30 anos de profissão,
que realmente se reconhecesse pessimista). “O senhor acha que
eu não quero sarar doutor?” tem sido a frase mais ouvida
quando tentamos explicar que o medicamento, de verdade, não causa
sensação de formigamento nas gengivas, por exemplo.
É
interessantíssimo o trabalho de Benson (1997) que, entre mais de
600 pacientes cirúrgicos avaliados em relação às expectativas
otimistas e pessimistas, destacou 5 deles que tinham uma profunda
"premonição" de morte e, de fato, todos morreram durante a cirurgia.
2 –
Quem cura
Em
segundo lugar, os efeitos dependem de quem prescreve o tratamento.
Se o terapeuta for médico, depende do ritual de prescrição, de
toda aquela magia que impregna o ato médico, de sua reputação e
prestígio junto ao paciente. Resumindo, depende do ritual médico.
A importância
da figura do médico no processo de cura pode ser constatada quando,
por exemplo, um paciente não melhora com um profissional e melhora
com outro, apesar de ter sido usada a mesma medicação e na mesma
dose (às vezes, com nome comercial diferente).
É
fundamental, para o efeito de cura, seja do placebo ou do
medicamento verdadeiro, que o médico tenha uma intencionalidade em
relação à cura, ou seja, que ele exerça realmente sua vocação
médica para entender que o paciente adoece não apenas
organicamente, mas numa conjunção bio-psico-social, onde interessa
até saber sobre sua satisfação conjugal, suas expectativas de
vida, seu grau de frustração, necessidade de carinho, vontade de
chamar atenção, de protestar, etc.
Parece
claro, felizmente, que a medicina aceita o componente emocional no
adoecer, já que reconhece a medicina psicossomática e as somatizações.
Difícil, entretanto, é convencer alguns médicos do mesmo
componente emocional para a cura, da importância do conforto
afetivo, do otimismo, da confiança, etc, no restabelecimento da saúde.
O médico
que goza de prestígio e admiração por parte de seu paciente, que
o atende pautado na compreensão e carinho, pode fazer de qualquer
medicamento um instrumento de cura e, mais que isso, mesmo antes de
medicar já proporciona um agradável efeito placebo no paciente (Doutor,
ele melhorou só de conversar com o senhor).
Para
muitos pacientes, a simples ida ao médico, envolvendo todo um
ritual de atenção e cuidados para com sua pessoa, a anamnese
(coleta de dados que, muitas vezes, o paciente não tem oportunidade
de queixar a ninguém), o toque da mão do médico, a atenção, os
aparelhos e equipamentos, enfim, todo esse aparato já é suficiente
para produzir a melhora. Infelizmente, muitas outras vezes ocorre o
contrário, ou seja, o descaso, a espera, a grosseria, a
insensibilidade, etc, concorrem para uma piora dos sintomas.
O
paciente, portador de algum mal-estar ou desconforto, ao procurar
tratamento já está emocionalmente ávido de atenção e ajuda; é
isso que ele quer, é isso que ele mais deseja, exceto nos casos
onde seu transtorno atende anseios emocionais mais subterrâneos. O
profissional que o atende tem todas possibilidades de satisfazer
esse anseio de cura a partir do momento em que atender a expectativa
do paciente.
Embora
teoricamente não se use placebo fora da medicina, há um certo fascínio
por práticas não tradicionais, como aquele atendente de farmácia
“quase médico, que chegou até a prestar o vestibular”.
Nesses casos, melhorar com placebos vai de encontro à tendência da
pessoa em contrariar a medicina tradicional; “viu só. Andei
por tantos médicos e quem me curou foi um farmacêutico”,
dizem orgulhosos os sugestionáveis.
Também
tem grande possibilidade de funcionar os placebos impregnados por
elementos esotéricos; tem energia positiva, aromaterapia,
cromoterapia, banhos, essências e toda sorte de patuás. Funcionam
bem os quiropráticos, naturopatas, energéticos e vários outros
profissionais alternativos e não médicos que usam calor, luz,
diatermia, hidroterapia, manipulação, massagem e grande variedade
de aparatos os quais, além de quaisquer efeitos fisiológicos,
costumam exercer uma grande força psicológica de efeito placebo,
normalmente reforçada pela boa relação entre o paciente e o
profissional. Resumindo, depende do ritual exótico.
3 –
O “remédio” em si
Finalmente,
deve ser considerada a droga (placebo) em si; se for amargo, arder,
custar caro, for difícil de achar, última pesquisa científica,
usado pelos índios e assim por diante. Resumindo, depende do ritual
que cada um arma para si. Não se sabe exatamente porque, mas há
uma preferência estatisticamente comprovada para a eficácia dos
placebos de usó tópico em comparação com aqueles usados por via
oral.
Ainda
segundo Eduardo Moraes Baleeiro, pesquisas mostraram que a
administração do placebo sob a forma de comprimidos tem o seu
resultado terapêutico variável, dependendo do tamanho (quanto
maior, mais eficaz). Além do tamanho, foi constatado também que, a
cor dos comprimidos é importante.
Certa vez
prescrevi um tranqüilizante hipnótico (clonazepam) em gotas para
uma paciente que, entre outros sintomas, tinha uma insônia bastante
evidente. Depois de alguns dias dormindo bem com as gotas
receitadas, as quais diluía em suco de goiaba para anular o gosto
da substância, uma sobrinha substituiu o líquido do frasco por água,
porque na família todos eram avessos ao uso de remédios. A
paciente continuava dormindo muito bem com aquela água e, quando
terminou o frasco marcou nova consulta porque apresentava insônia
novamente.
O
interessante disso tudo é que todos riem quando conto essa história
(e outras muito semelhantes), dando a impressão que essas coisas só
acontecem com os outros. Pois bem. A sobrinha veio junto na consulta
em que a paciente pedia outra receita para continuar dormindo bem e,
diante de mim e rindo muito, contou à tia que ela dormia por razões
psicológicas, já que tomava água. Foi quando a tia, contrariada,
confessou à sobrinha que as eficientes gotas que lhe dava para cólicas
menstruais eram água com um pouco de bicarbonato de sódio. A
sobrinha parou de rir.
Uma das
questões duvidosas em relação aos placebos, é saber até que
ponto é interessante ao paciente saber que o remédio que o curou não
passava, por exemplo, de simples composição de água com açúcar?
Se o bem-estar é o objetivo de quem trata e de quem é tratado, então
não interessa muito saber se sua dor passou com diclofenaco de sódio
ou com farinha de trigo. Nesse caso, portanto, está em jogo a “fé”,
seja no medicamento, sejam os casos da “cura pela fé” (leia
sobre charlatanismo),
atualmente muito em moda em programas de televisão.
Algumas
pesquisas mostram que, se os pacientes são avisados que entre eles
alguns podem estar usando placebo, a própria eficácia da droga
verdadeira diminui muito, dando a impressão que o medo de estar
sendo “enganado” supera o efeito concreto do medicamento. O ser
humano é realmente muito curioso (exceto o leitor, é claro).
Neste
terceiro item entram os aparelhos que freqüentemente têm um
impacto psicológico significativo. São irradiadores, emissores de
ondas, calores, vibrações, raios, etc. Lembro sempre de alguns
antigos pacientes, mais acanhados intelectualmente, queixosos de
mal-estares cardíacos, que melhoravam muito depois de terem sido
submetidos ao exame de eletrocardiograma (hoje, talvez, melhorassem
muito mais com a Ressonância Magnética).
Quem
cura o ser humano é outro ser humano, e quem o adoece também.
Essa era
uma frase importante, dita pela pessoa que me ensinou psiquiatria,
tentando dizer que a sociedade também adoece o indivíduo, tanto
biologicamente quanto psicologicamente. Vamos ilustrar.
Quando
era recém formado e trabalhava em pronto-socorro, havia uma
atendente de enfermagem que aplicava as injeções que eu
prescrevia. Invariavelmente as pessoas que ela cuidava passavam mal.
Fosse qual fosse o medicamento que eu pedia para aplicar.
Curioso
sobre essa altíssima incidência de efeitos colaterais, uma vez
fiquei na sala ao lado ouvindo a tal atendente conversar com uma
paciente, para quem eu receitara um antiespasmódico a ser aplicado
na veia. Dizia ela:
“– Se
você for passar mal, avise que eu paro a injeção.... se sentir
que vai vomitar, vomite no cesto ao lado para não sujar a sala....
se sentir tonturas, avise para eu chamar o médico ... se achar que
vai desmaiar, abaixe a cabeça junto aos joelhos”.
Evidentemente, TODOS passavam muito mal, vomitavam, tinham tonturas
e desmaiavam.
A
sociedade na qual vivemos é pródiga em promover doenças e
mal-estares, sendo alto o número de pessoas que procuram o médico
porque “estão achando ela muito pálida”. Uma de minhas
recentes pacientes, de 17 anos, desmaiou na escola e foi levada às
pressas ao pronto-socorro. Depois de passada a crise, soubemos que
ela passou mal depois de ter confidenciando às colegas a descoberta
de um “caroço” no seio (displasia mamária), e destas terem
alertado sobre a possibilidade, quase certa, de ser câncer,
ilustrando inúmeros casos de pessoas que morreram ou amputaram os
seios (mastectomia).
Em
qualquer procedimento terapêutico ocorre um fenômeno placebo em
30% ou mais dos casos, dependendo da empatia do médico. É comum
pacientes melhorarem dos sintomas muito antes do tempo necessário
para que o medicamento faça efeito. Na psiquiatria, por exemplo,
muitos pacientes começam a melhorar da depressão 2 ou 3 dias
depois de iniciado o uso de antidepressivos, apesar da maioria deles
começar a fazer efeito depois de 2 semanas.
O efeito
nocebo (contrário do placebo, ou seja, que provoca mal-estar) também
pode aparecer muito antes do medicamento ser absorvido. As drágeas,
em geral, são de absorção entérica, isto é, devem passar pelo
estômago para serem absorvidas no intestino. Apesar desse trajeto
demorar mais de 2 horas, alguns pacientes queixam efeitos colaterais
minutos depois de ingerirem as tais drágeas. Como o ser humano é
bastante criativo e facilmente adaptável, depois de ler esse parágrafo
alguns poderão “corrigir” esse tropeço sintomático.
Mas é
impossível explicar isso aos pacientes. A quase totalidade deles
insiste em dizer coisas assim: “imagine doutor..., se eu quero
sentir tão mal” ou ainda “imagine doutor, eu nem estava
pensando nisso quando tomei o remédio”. Alguns médicos,
menos tenazes, acabam desistindo de lutar contra essa vox populi.
Dessa
forma, a ação médica pode ser benéfica e positiva ou,
infelizmente, maléfica e negativa, promovendo um desejável efeito
placebo ou um desagradável efeito nocebo, respectivamente.
Dependendo da reputação do profissional e da empatia que existe
entre ele e o paciente, os tratamentos podem aumentar o fenômeno
placebo em até 100% dos casos. Os métodos de tratamento da
medicina alternativa também têm um efeito placebo, às vezes muito
maior que os da medicina tradicional.
Em
qualquer especialidade da medicina estão presentes os efeitos
placebo e nocebo. Em algumas áreas, entretanto, eles são mais
evidentes, como são os casos que envolvem sensopercepção; as
dores, as questões auditivas, visuais, formigamentos, anestesias,
tonturas, palpitações, zumbidos nos ouvidos, etc. E são nesses casos que,
infelizmente, a sociedade costuma deixar as pessoas mais doentes.
Quando um
médico menos sensível afirma que “labirintite não tem cura”,
“problemas de coluna não têm cura”, “você precisa
se acostumar com seus zumbidos”, ou coisas assim, ele está
assinando um atestado de invalidade e sofrimento crônico para
aquele que deveria ser seu paciente. Na verdade, o que não tem cura
é a enorme falta de vocação desse médico.
Pior ainda quando, diante das várias queixas do
paciente ansioso, somatizadas e subjetivas, o médico atesta com a
habitual convicção magistral que "o senhor não tem nada,
apenas um probleminha dos nervos". O primeiro erro está em
achar que 'probleminha dos nervos' não é nada e, o segundo, é
transmitir nas entrelinhas a impressão de que o paciente está
descontrolado, histérico, com frescura, ou algo assim.
Na
psiquiatria, com nossos ansiolíticos, antidepressivos,
psicoterapias e outros tipos de atenção emocional aos pacientes,
ou ainda que seja através de eventuais efeitos placebo disso tudo,
estamos bastante acostumados com pacientes portadores de todas essas
queixas que se curam.
Algum mal
entendido sobre o efeito placebo está no fato das pessoas
acreditarem que ele não passa de uma espécie de mentira que cura,
ou um suborno do médico às nossas emoções. Mas não é nada
disso. Na realidade o efeito do placebo mostra que a cura depende da
intenção curativa do próprio paciente, assessorado pela vontade
curadora do médico que o assiste.
O
fascinante efeito placebo do comprimido que alivia, mesmo sendo
feito apenas de farinha de trigo ou, mesmo sendo um medicamento que
alivia mais rápido e mais eficazmente do que a ciência espera dele
depende, exatamente, do poder de um não-sei-o-que que o
impregna. Talvez seja um não-sei-o-que feito de confiança,
de respeito, de carinho, atenção, compreensão, simpatia, esperança
e intencionalidade positiva que nasce no relacionamento harmônico
entre o médico e seu paciente. Dificilmente esse mesmo comprimido
faria o mesmo efeito se fosse oferecido ao paciente por uma pessoa
que ele desgosta, ou que não se fez gostar.
Para
referir
Ballone
GJ, Ortolani IV - O Placebo e a Arte de Curar, in. PsiqWeb,
internet, disponível em <http://www.virtualpsy.org/trats/placebo.html> 2003
Bibliografia
Baleeiro
EM - O efeito placebo e o efeito nocebo nos procedimentos terapêuticos,
Rev Br Medicina, Abr 00; 57 (4 Especial), disponívem também na
internet, <http://www.cibersaude.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=353>
Benetton
LG – Temas de Psicologia em Saúde, A Relação
Profissional-Paciente, 2a. Ed., L.G.Benttton, S.Paulo,
2002
Benson
H -
The nocebo effect: history and physiology, Prev Med. Sep-Oct 1997;
26 (5 Pt 1):612-5.
Mayberg H. S et al. - The functional neuroanatomy of
the placebo effect. American J Psychiatr, 2002; 159:728-737.
Nota : O artigo sofreu algumas modificações cosméticas para melhor se integrar ao Holorressonância. Nenhum texto foi alterado.
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