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Texto escrito por Eduardo Lütz e originalmente publicado em : http://edlutz.netfirms.com/filos/mcient.html
1 Introdução
Hoje em dia existe muita confusão sobre
o significado da palavra ‘ciência’.
Existem pessoas que afirmam, por exemplo,
que a Astrologia é uma ciência.
Existem outras áreas que normalmente são
consideradas científicas mas que não
fazem uso do método científico.
Por isso, tais áreas ainda não fazem
parte da Ciência de fato. Mas como podemos
fazer para saber se algo é Ciência ou
não?
Para saber se algo é ou não é
Ciência, precisamos conhecer o método
científico. Ciência é o método
científico em funcionamento. Em outras
palavras, Ciência é uma classe de
métodos de investigação e suas
aplicações em cada assunto. Mas, para
entender razoavelmente bem o método
científico, é preciso estudar muito
este assunto.
A maneira como falaremos do método
científico neste texto é um pouco
diferente do que normalmente encontramos
em livros didáticos. Procuramos destacar
aqui algo que tenha mais a ver com os
princípios que fazem com que a Ciência
seja tão eficiente.
A seguir, apresentaremos as primeiras coisas
que devem ser entendidas para que se possa
estudar o método científico.
O método científico é como uma
moeda que tem duas faces mas, ainda assim,
apresenta unidade de fundamentos. Vamos
ver isto a seguir.
2 Os Dois Fundamentos
A Ciência apóia-se em duas colunas
(em sentido figurado) que, por sua vez,
têm um fundamento comum. Estas "colunas"
são as seguintes:
— Observação controlada.
— Sistematização formal.
A observação controlada corresponde à parte
experimental, prática, da Ciência. É nesta
fase da Ciência que ocorrem pesquisas em
laboratórios, pesquisas de campo, observações
astronômicas, etc.
A sistematização formal é a parte teórica
da Ciência, na qual comparamos dados, elaboramos
teorias, comparamos e testamos idéias, tiramos
conclusões, enfim, procuramos aproveitar ao máximo
as informações obtidas pela observação controlada.
Tentaremos, a seguir, formar uma primeira
idéia sobre o que significam estes dois
itens.
2.1 Observação Controlada
Observação controlada é uma forma
especial de obter informações sobre o
que desejamos estudar.
Podemos dividir a observação controlada
nas seguintes etapas:
-
Observação preliminar.
-
Planejamento da coleta de informações.
-
Coleta de informações.
-
Elaboração de dados a partir das
informações coletadas.
Vamos comentar a seguir cada uma destas
etapas.
2.1.1 Observação Preliminar
Esta fase inclui desde o primeiro contato
com o assunto que pretendemos estudar até
o ponto em que formamos alguma idéia
inicial sobre o assunto.
Por exemplo, vamos supor que o assunto que
desejamos investigar seja a queda de objetos
que soltamos no ar. As observações preliminares
sobre este assunto começam quando ainda
somos bebês e notamos o que ocorre com
brinquedos que caem quando os soltamos.
Experiências deste tipo normalmente continuam
ocorrendo durante toda a nossa vida. Desta
forma, formamos uma idéia intuitiva sobre
este tipo de fenômeno.
Estas experiências e observações fazem
parte do que chamamos de observação
preliminar.
Nesta etapa podemos ainda pensar sobre o
assunto de uma forma que possamos entender
melhor o estado atual de nosso conhecimento
sobre o assunto. Normalmente, usamos nesta
etapa o que poderíamos chamar de
raciocínio filosófico.
2.1.2 Planejamento
Nesta etapa, usamos as idéias que formamos
na etapa anterior a fim de planejar testes
para que as idéias sejam testadas e
aperfeiçoadas ou substituídas.
Para podermos entrar nesta etapa de maneira
apropriada, precisamos ter certos conhecimentos
de uma área da Matemática denominada
Estatística.
Os métodos da Estatística nos permitem
aproveitar melhor os conhecimentos de que
dispomos para planejar observações mais
eficientes e também para aproveitar melhor
as informações coletadas na próxima etapa.
Sem a ajuda da Estatística, é praticamente
impossível planejar e aproveitar
observações e experiências de forma que
possamos confiar que seus resultados tenham
pouca chance de ser coincidências.
2.1.3 Coleta de Informações
Nesta etapa, colocamos em prática o que
foi planejado na etapa anterior.
Nesta etapa, efetuamos medidas, fazemos
experiências, anotamos resultados,
refazemos experiências, repetimos
observações, etc.
2.1.4 Elaboração de Dados
Nesta etapa, utilizamos as informações
coletadas na etapa anterior e as expressamos
em linguagem matemática. Estas informações
expressas devidamente em linguagem
matemática chamam-se dados.
Os dados podem ser expressos em forma de
números, gráficos, fórmulas, etc.,
acompanhados de comentários que especifiquem
as condições em que as observações foram
feitas.
2.2 Sistematização Formal
Esta fase do método científico é a
que requer maior conhecimento matemático
por parte dos cientistas. Não comentaremos
muito esta fase porque sua compreensão é
menos acessível.
Sistematização formal é o processo
de elaborar e utilizar modelos matemáticos
que expressem aspectos do assunto em estudo.
Nesta etapa, geralmente trabalhamos com fórmulas
matemáticas que expressam os conhecimentos que
já temos e, com as quais, podemos obter resultados
que ainda não conhecíamos.
3 Palavras Importantes
Vamos ver agora o significado de algumas das
mais importantes palavras que costumamos usar
quando falamos em método científico.
3.1 Axioma
Axioma é o ponto de partida de uma linha
de raciocínio matemático, isto é, um
axioma é um princípio.
Axioma é sinônimo de postulado.
3.2 Hipótese
A palavra hipótese tem mais de um
significado.
-
Pode significar uma afirmação que se faz sobre
alguma coisa e que pode ser verdadeira ou falsa.
Neste caso, estamos interessados em descobrir
maneiras de saber se a hipótese é falsa ou
verdadeira.
-
Pode significar um princípio, isto é, um
ponto de partida de uma linha de raciocínio.
Neste caso, a hipótese também pode ser chamada
de axioma ou de postulado.
3.3 Lei
A palavra ‘lei’ pode ser usada com mais de um
significado.
-
Lei pode significar uma regularidade
da Natureza, isto é, algo que sempre acontece de
determinada maneira em determinadas circunstâncias.
Geralmente, tais leis devem ser encontradas por
cientistas experimentais (que fazem medições,
experiências, observações, etc.).
-
Às vezes, também usamos esta palavra para significar
certas equações de teorias que funcionam bem.
3.4 Modelo
Um modelo é uma forma de representar
características de alguma coisa.
Por exemplo, um texto que descreve algo pode ser
considerado um modelo.
Uma maquete também é um modelo.
Um automóvel de brinquedo é um modelo que pode
representar um carro de verdade.
Podemos classificar os modelos em duas categorias,
como veremos a seguir.
-
Modelos formais ou científicos:
são representações que usam rigorosamente uma
linguagem e uma metodologia da Matemática.
-
Não-formais ou não-científicos:
todos os modelos que não se encaixam na categoria
formal.
3.5 Postulado
O mesmo que axioma.
3.6 Teoria
A palavra ‘teoria’ é praticamente um
sinônimo da palavra ‘modelo’.
A diferença é que normalmente usamos a
palavra ‘teoria’ para significar modelos que
descrevem muitas coisas. Por exemplo, a "Teoria
Eletromagnética" descreve os fenômenos
eletromagnéticos. Podemos, por exemplo, usar
esta teoria para fazer um modelo (que é mais
simplificado) que represente um circuito de rádio,
TV ou computador.
4 O Fundamento Maior
A Matemática é o que sustenta o método
científico tanto na parte experimental, por
meio da Estatística, quanto na parte teórica,
isto é, no processo de elaboração e uso de modelos
matemáticos.
A parte da Estatística que pode ser considerada
mais importante para os métodos experimentais
chama-se "Teoria da Informação".
Para evitar dúvidas, o leitor pode entender
"Teoria da Informação" segundo a abordagem
de Solomon Kullback, em "Information Theory and Statistics"
(copyright 1959 by Solomon Kullback; copyright 1968 by
Dover Publications, Inc.).
Para desenvolver e estudar modelos, por outro lado,
usamos as mais variadas áreas da Matemática.
As áreas mais usadas são: Equações Diferenciais,
Cálculo Vetorial, Cálculo Tensorial, Espaços
Vetoriais, Estatística, Variedades Diferenciáveis,
Álgebras, etc.
O raciocínio matemático, também chamado de
raciocínio formal, é importante para
que erros possam ser mais facilmente identificados
e para que possamos penetrar em certas áreas
inacessíveis à intuição humana desarmada. |