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Por Leonardo Stern
O modelo Witz anteriormente apresentado descreve uma série de mecanismos e implicações que não são diretamente percebidas. Este artigo pretende aprofundar um pouco mais a noção de Witz e mostrar como este processo se relaciona com os fenômenos psi. As considerações que serão feitas implicarão em algumas características para os fenômenos psi. Tais implicações serão discutidas detalhadamente em outro artigo visto que se relacionam com outros conceitos e concepções ainda não apresentados.
Para iniciar a exposição recordo um exemplo já utilizado por mim em outras situações e que foi originalmente concebido para explicar o condicionamento do medo[1].
"Uma pessoa caminhando por uma mata, onde existe a possibilidade de se encontrar cobras, depara-se subitamente com um objeto fino e recurvo, como uma serpente. Imediatamente, diante do sinal de perigo potencial, são disparadas as respostas fisiológicas e comportamentais (corporais e faciais) típicas do medo.
Alguns milésimos de segundo depois, porem, a pessoa pode perceber que não se trata de uma serpente, mas de um galho seco retorcido. Esse tipo de analise mais refinada é feita pelo córtex, quando a pessoa toma *consciência* do que viu. os dois tipos de percepção podem ser diferenciadas da seguinte forma :
Uma é extremamente rápida e tosca enquanto que a outra é lenta e mais refinada."
No modelo que será exposto a seguir, existe certa semelhança com este processo, não em termos de refinamento de informações, mas no processo cognitivo em si. Seria como se recebêssemos grande numero de informações do meio-ambiente mas, por diversos motivos como limitação da linguagem , vícios culturais e incertezas, apenas uma pequena parcela destas informações chegasse a ser considerada como uma percepção legitima, o apareceria como impressões, leve sensações, imaginação (a pessoa acredita ser imaginação) .. enfim, percepções sutis.
O que defendo é que nos processos de transferência de informações por meios atribuídos a categoria psi, só ocorra transferência destas informações brutas. Como disse antes, estas informações fogem da lógica e isto se deve ao fato de serem informações puras, não processadas, que não foram convertidas para uma linguagem estruturada, que é a linguagem que usamos no nosso raciocínio lógico e na nossa fala.
Quanto ao problema de idéias que são supostamente transferidas de um lugar para o outro, causando descobertas similares em partes diferentes do mundo, nos casos onde realmente ocorresse algum tipo de transferência, esta seria constituída dos elementos básicos que constituem a idéia e não da idéia em si. O estalo ou lampejo, é feito pela própria pessoa, atravez do processo de Witz anteriormente descrito.
O processo de Witz nada mais seria do que a transformação de um conjunto de informações brutas em idéias lógicas, sejam elas adquiridas por meios tradicionais, psi ou um misto deles. Ele funcionaria como a "lógica consciente" mas seria ativado por novas informações brutas da seguinte forma :
Informações brutas podem apresentar um sentido incompleto insuficiente para transmitir efetivamente qualquer dado mas, ao ser somado com alguma informação existente (bruta ou não) pode passar a fazer algum sentido e se tornar uma informação refinada.
Uma simples analogia :
Se digo :
"As paredes da casa do meu pai derreteram com aquele calor infernal".
E depois de algum tempo falo :
"meu pai é um esquimó"
Logo vem o pensamento : "ahhhhhhhh, então a casa era um iglu !". O processo Witz acontece da mesma forma só que a partir de informações brutas.
O seguinte diagrama sintetiza o papel do Witz e dos fenômenos paranormais no processo de aquisição de informações :
Neste diagrama, chamei de lógica inconsciente o refinamento cognitivo, o descrito no exemplo da cobra e do condicionamento do medo, anteriormente citado.
Um dos pontos polêmicos deste modelo é que as informações adquiridas por intermédio de psi não sofrem o processo de refinamento cognitivo pois ela não é obtida pelos órgãos sensoriais ordinários o que significa que toda informação bruta obtida por psi é diretamente processada pelo witz.
Similarmente, existe a possibilidade de obtermos informações já refinadas ou previamente processadas onde não há a necessidade de refinamento cognitivo. Isto ocorre quando estamos lendo uma carta ou assistindo um noticiário. Existem algumas diferenças adicionais entre o processo cognitivo ordinário e o de obter informações já processadas , o tema é controverso e é melhor desenvolvido a seguir :
Tanto o noticiário, quanto a carta transmitem informações por meio de uma linguagem lógica estruturada e a linguagem é uma ente abstrata, não palpável. Digamos que o embrulho que leva a mensagem até a gente sobre todo o refinamento e perdas do sistema cognitivo mas os símbolos ali contidos (linguagem) chega sem perdas e pronta para ser assimilada, não precisa de nenhum refinamento.
Quando você olha uma pedra, você não tem certeza que ela realmente exista da maneira como ela aparece ou que nem mesmo exista, pode ser criação de seu aparelho cognitivo, o assunto mereceria considerações tais quais Kant faz em sua discussão sobre as certezas que podemos ter.
No entanto, se escrevo a palavra pedra, pode ser questionada a existência da palavra escrita mas o símbolo pedra será transmitido sem perdas. Claro que um pedaço de papel com alguma coisa escrita, precisa passar pelos órgãos sensoriais para que a escrita seja percebida e entendida, mas a mensagem contida nela é abstrata e por assim ser não precisa de refinamento , não passa pelo *estado bruto*.
Caso algum aspecto deste texto não esteja exposto de maneira adequada ou não pareça ter qualquer fundamento, peço que comentem no espaço reservado para comentários do texto.
Notas :
[1] Exemplo retirado da revista *Ciência Hoje - Agosto de 2001, pagina 19* |