|
I -- INTRODUÇÃO
Alberto Mesquita Filho
Começo, regra geral, as minhas lições sobre
Método Científico dizendo aos meus alunos que o método científico
não existe. Acrescento que tenho obrigação de saber isso, tendo
eu sido, durante algum tempo, pelo menos, o único professor desse
inexistente assunto em toda a Comunidade Britânica.
...
Tendo, então,
explicado aos meus alunos que não há essa coisa que seria o método
científico, apresso-me a começar o meu discurso, e ficamos
ocupadíssimos. Pois um ano mal chega para roçar a superfície
mesmo de um assunto inexistente.
Karl R. Popper [1]
Resumo:
Este artigo é o primeiro de uma série de artigos relacionados à
metodologia científica e cuja temática foi dividida em cinco tópicos
principais. Corresponde a uma versão atualizada de considerações
expressas pelo autor a partir de 1983, em livros, artigos e conferências
citados no texto; colaborou, para esta atualização, a experiência
adquirida pelo autor no processo de remodelação da Pró-Reitoria Comunitária
da USJT (1992-1993), bem como aquela adquirida junto aos demais membros da
equipe criada pelos Conselhos Superiores da USJT (1994) --expandida em
1995-- com a finalidade de implantar o Centro de Pesquisa da USJT. Os
conceitos foram axiomatizados, de forma a darem corpo a uma nova teoria
sobre o método científico, permitindo mesmo a constatação de possíveis
aplicações dentro de um contexto abrangente, tais como: 1) a teoria
fornece os meios necessários para que se promova a integração das ciências;
e, 2) propicia a sustentação de um projeto visando a caracterizar a
universidade como o local apropriado para a formação de cientistas. Os
cinco tópicos a serem abordados são, pela ordem: I - Introdução, na
qual é proposta a regra delimitante da ciência; II - O macrométodo
científico e a História da Ciência; III - O papel da universidade na
produção de conhecimentos; IV - O método científico propriamente dito:
a) A teoria da prática em ciência; b) A prática da teorização científica;
V - O micrométodo científico e a Filosofia da Ciência.
Os demais tópicos estão em
fase de projeto, não havendo portanto previsão quanto à época de
publicação. [*]
1. Colocação
do problema.
Método, entre outras coisas, significa caminho
para chegar a um fim ou pelo qual se atinge um objetivo. Que dizer então
do método científico? [2]
Poderia dizer que é o caminho trilhado pelo cientista quando em busca de
"verdades" científicas. Percebam que estou meramente jogando
com as palavras e associando-as ao conceito de método acima postulado. Quais
são as "verdades" científicas? O que é ser cientista? O que é ciência?
Existe uma ciência única? Quando nos reportamos a uma hipotética linha
demarcatória, a separar o que julgamos ser uma verdade científica de outras
possíveis verdades, a que nos estamos referindo?
Afirma-se, com
grande freqüência, que o cientista é aquele que se utiliza do método científico.
Os que aceitam esta verdade, --e há muitos que o fazem-- devem
procurar uma conceituação para método científico diferente da exposta no
parágrafo anterior, sob pena de andarem em círculo. Ou definimos cientista a
partir da definição de método ¾algo
tentado por Popper ao propor o falsificacionismo [3]¾
ou definimos método a partir da definição de cientista; do contrário não
chegamos a nada. Conservarei a idéia de método científico como caminho
trilhado pelo cientista, com o que estou assumindo o risco de ter que
definir ciência e/ou cientista. É o que tentarei fazer nesta introdução.
2. O que
é ciência?
Não é fácil definir ciência,
e são inúmeros os tratados sobre o assunto a abordarem esta dificuldade. Ao
leitor principiante em ciência e que queira penetrar na complexidade do tema,
ou então perceber a quantas anda nossa ignorância a respeito, sugiro,
se tiver pendores filosóficos, que comece pelo livro de Chalmers (1976) [4];
ou então, se preferir algo mais ameno e mais voltado à prática científica,
pelo livro de Beveridge (1980) [5].
Ao leitor acomodado, e que não tenha amplo conhecimento do assunto, ou mesmo
para aquele que pretenda prosseguir com esta leitura ciente de que é possível,
pelo menos em nível conjetural, enfrentar o desafio apontado, relatarei aqui
a conclusão de um ensaio, que sintetiza uma idéia que me ocorreu há cerca
de dez anos [6],
e que apresentei, na sessão de debates da mesa redonda A
Pesquisa na Universidade Particular, ocorrida por ocasião da IV Semana de
Psicologia da USJT (1994), com as seguintes palavras:
"Vejo a ciência como a área
do conhecimento que se apóia não num método, mas sim na regra da
repetitividade, a que eu tenho chamado de regra científica fundamental:
Se em dadas condições, um
determinado fenômeno, sempre que pesquisado, se repetiu, é de se admitir
que em futuras verificações o mesmo suceda."
[7]
A regra científica
fundamental, conquanto aceita, intuitivamente, por todos os cientistas,
ocupa, entre os mesmos, e até entre os filósofos da ciência, um papel
secundário, quando não totalmente ignorada. Via de regra, considera-se a ciência
como que apoiada em regras outras, como por exemplo: o princípio da
causalidade de Kant, a regra metodológica de Popper que se associa
a seu método dedutivo de prova, o princípio ou argumento
indutivista, e as regras ou critérios de utilidade. Como
posições extremas, e apoiadas em regras mais rígidas, podemos citar a visão
paradigmática de Thomas Kuhn, a defender o dogmatismo científico;
o ponto de vista de Chalmers, a questionar a argumentação filosófica, no
que diz respeito à delimitação da ciência; e a visão anarquista de
Feyerabend, a se opor frontalmente ao racionalismo em ciência.
A fim de ilustrar o comentado no parágrafo
anterior, vejamos como Thomas Kuhn (1962) --defensor
de uma posição científico-filosófica incompatível com a que aqui pretendo
apresentar-- retrata a importância da repetitividade dos eventos como algo a
semear o surgimento de novas idéias:
"Existem, em princípio,
somente três tipos de fenômenos a propósito dos quais pode ser
desenvolvida uma nova teoria. O primeiro tipo compreende os fenômenos já
bem explicados pelos paradigmas existentes. Tais fenômenos raramente
fornecem motivos ou um ponto de partida para a construção de uma teoria.
Quando o fazem, ... as teorias resultantes raramente são aceitas, visto que
a natureza não proporciona nenhuma base para uma discriminação entre as
alternativas. Uma segunda classe de fenômenos compreende aqueles cuja
natureza é indicada pelos paradigmas existentes, mas cujos detalhes somente
podem ser entendidos após uma maior articulação da teoria. Os cientistas
dirigem a maior parte de sua pesquisa a esses fenômenos, mas tal pesquisa
visa antes à articulação dos paradigmas existentes do que à invenção
de novos. Somente quando esses esforços de articulação fracassam é que
os cientistas encontram o terceiro tipo de fenômeno: as anomalias
reconhecidas, cujo traço característico é a sua recusa obstinada a
serem assimiladas aos paradigmas existentes. Apenas esse último tipo de
fenômeno faz surgir novas teorias.
[8]
Ora, se um determinado fenômeno, sempre que
pesquisado, se recusou obstinadamente a ser assimilado aos paradigmas
existentes, e se esta recusa é quem orienta a caracterização de novas
teorias, e mais: se a ciência é, fundamentalmente, o conjunto das idéias e
teorias geradas pela mente humana, bem como a aplicação, pelo homem, dessas
idéias e teorias, em busca de um relacionamento sadio com a natureza e com os
seus semelhantes, podemos sossegadamente concluir que ciência é o
processo pelo qual o homem se relaciona com os fenômenos universais que se
sujeitam à regra científica fundamental.
3. O "ser"
cientista.
Cientista, diz-nos Ferreira
(1986), é a pessoa que cultiva ou que é especialista em alguma ciência,
ou em ciências [9];
e ciência é um processo definido no item anterior. Se aceitarmos estas
premissas, concluiremos que o conhecimento científico é aquele factível de
reprodução, enquanto o cientista é aquele que, de alguma forma, cultiva
esses conhecimentos. É importante aqui salientar que, muitas vezes, o que se
espera reproduzir é um dado probabilístico. Por exemplo, se dissermos que
80% das moléculas de um gás são do elemento químico oxigênio, isto não
significa estarmos afirmando ser oxigênio esta ou aquela molécula objeto de
verificação experimental; o que a regra nos preconiza é que,
independentemente de qual cientista for tentar reproduzir a medida, ou do
local escolhido para que esta segunda medida seja efetuada, observando-se as
condições em que a mesma foi realizada anteriormente, o valor obtido
concordará com o valor precedente, dentro de uma margem de erro também estimável
por métodos experimentais.
Todos nós, vez ou outra, nos
comportamos como cientistas. Ser cientista não é possuir um rótulo, mas sim
postar-se com uma atitude científica; por outro lado, mesmo aquele que se diz
cientista, vez ou outra assume atitudes não científicas e penetra em
terrenos apoiados em regras próprias ou, até mesmo, sem regras. O rótulo é
freqüentemente utilizado quando queremos nos referir às pessoas que se
utilizam de seus talentos científicos como meio de vida: seriam então os
cientistas profissionais.
A filosofia,
por exemplo, é um campo de atuação bem mais abrangente que aquele ditado
pela regra científica fundamental. Poderíamos dizer que a filosofia comporta
a ciência, ainda que esta idéia não agrade a alguns cientistas; mas jamais
poderíamos dizer, e quanto a isso todos são concordes, que a ciência
comporta a filosofia. O bom cientista utiliza-se da filosofia, da mesma forma
que a maioria dos indivíduos com sede se utilizam do copo. Outras áreas do
conhecimento seriam: 1) o ocultismo ¾e
aqui poderíamos incluir, a título de exemplo, a alquimia e a astrologia; 2)
as artes ¾e vale a pena
aqui frisar que a arte pode ser encarada cientificamente, postura esta que foi
freqüentemente adotada por Leonardo da Vinci [10],
e defendida em sua Teoria do Conhecimento. 3) a teologia; etc. A busca
pela verdade, que também é objetivo da grande maioria destas áreas não
científicas, segue-se por caminhos nem sempre limitados ou compatíveis com a
regra científica fundamental.
O cultivo da ciência pode se dar através
da observação de alguns ou todos dentre seus objetivos nobres, quais sejam:
1) aquisição, transmissão e aplicação de conhecimentos científicos já
sistematizados; e 2) produção e divulgação de novos conhecimentos. Visto
sob este ângulo, são cientistas: 1) o estudioso e/ou o professor e/ou o
profissional bacharel em quaisquer das ciências; 2) o tecnólogo; 3) o
pesquisador em áreas científicas; 4) o teorizador em ciências; 5) e o autor
de artigos científicos relatando idéias próprias e/ou revisões bibliográficas.
Sob um ponto de vista mais rigoroso, o cientista seria apenas aquele capaz de
dominar as técnicas inerentes a todos os objetivos nobres acima apontados.
Nem tanto ao céu,
nem tanto à terra. Percebam que já conceituamos ciência e já conseguimos
ir além, a ponto de fornecer dados para que se analise o comportamento
daqueles que trabalham em ciência. Observado este comportamento, poderíamos
assumir como cientistas aqueles que realmente contribuem para o progresso
das ciências. Adotarei esta postura, mas gostaria de esclarecer, conforme
será comentado oportunamente, que a noção de progresso aqui defendida é um
pouco mais abrangente do que aquela preconizada pelos pensadores iluministas
[11]
que tanto influenciaram os positivistas. Aceita esta
premissa ¾a de que
cientistas são somente aqueles que real e diretamente [12]
contribuem para o progresso das ciências¾ suponha que consigamos caracterizar os cientistas, assim
definidos, como aqueles que, ao contribuir para o progresso das ciências, se
utilizam de um método comum, a que chamaremos método científico. Poderemos,
então, afirmar, e não se trata aqui da busca por uma definição, que o
cientista é aquele que se utiliza do método científico; o raciocínio cíclico,
da forma como foi agora utilizado, está livre de conseqüências funestas.
Notem, com o auxílio da figura 1, a sintetizar as idéias principais aqui
focalizadas, que, do ponto de vista conceitual, não estamos andando em círculo.
| REGRA
CIENTÍFICA FUNDAMENTAL |
Se em dadas condições, um determinado
fenômeno, sempre que pesquisado, se repetiu, é de se admitir que
em futuras verificações o mesmo suceda.
|
|

|
| DEFINIÇÃO
DE CIÊNCIA |
Ciência é o processo pelo qual o homem
se relaciona com os fenômenos universais que se sujeitam à regra
científica fundamental
|
|

|
| OBSERVAÇÃO
DO COMPORTAMENTO DOS QUE TRABALHAM EM CIÊNCIA |
|

|
|
VERIFICAÇÃO
DE QUE ALGUNS CONTRIBUEM PARA O PROGRESSO DAS CIÊNCIAS
|
Cientista é todo ser racional que
contribui diretamente para o progresso das ciências.
|
|

|
|
CONSTATAÇÃO
DE QUE ESTES SE UTILIZAM DE UM MÉTODO COMUM
|
Figura 1 - Para explicação
vide texto
Resta-nos, então, para que a idéia
ganhe em consistência, comprovar a existência de um único método científico;
e isto não parece ser uma tarefa fácil. Antes de enfrentarmos esta
dificuldade, vamos verificar como as idéias aqui apresentadas se conformam a
conceitos classicamente adotados como modelos de método científico.
4. O argumento
indutivista.
Uma crítica imparcial, conquanto
demolidora, ao indutivismo, é apresentada por Chalmers nos três primeiros
capítulos de seu livro [13].
Veremos aqui apenas alguns tópicos interessantes do ponto de vista epistemológico,
e/ou necessários para um melhor entendimento da teoria ora sendo apresentada.
Um sumário completo
do argumento indutivista da ciência está esquematizado na figura 2, adaptada
de Chalmers [14].
Chama a atenção a omissão da dedução de hipóteses: o indutivista admite
ser possível partir da observação e chegar a leis apelando exclusivamente
ao raciocínio indutivo. O método indutivo baseia-se na crença de que é
possível confirmar um enunciado universal (lei) através de um certo número
de observações singulares. Via de regra, quando se questiona o indutivista a
respeito da omissão da hipótese, ele logo repete uma frase de Newton: Não
faço hipóteses. Obviamente este indutivista ingênuo ouviu esta frase,
sabe que foi proferida por Newton, mas demonstra não saber a que Newton
estava se referindo. A hipótese, a que Newton se refere, não é a mesma que
hoje se conceitua nos tratados de metodologia científica ou de estatística.
Newton deixou bastante claro, em sua obra, que não fazia, como cientista, especulações
ou conjecturas infundadas. No que se refere a hipóteses, no contexto em
que o termo é hoje aceito, raríssimos foram os cientistas que, em sua fase
produtiva, as levantaram em número tal cuja ordem de grandeza se aproximasse
daquela atingida por Newton.

Figura 2 - O
argumento indutivista (segundo Chalmers)
O argumento
indutivista baseia-se na crença no princípio da indução que, dentre outras
formas, pode ser enunciado como: "Se, em dadas condições, um
determinado fenômeno, sempre que pesquisado, se repetiu, em futuras verificações
o mesmo sucederá." [15]
Escolhi esta versão para que fique claro o contraste entre
o princípio da indução e a regra científica fundamental explícita na figura
1. Três comentários merecem ser feitos a respeito: 1) Conquanto seja
usado como regra metodológica, o princípio da indução não define o número
de observações singulares a permitir uma generalização (obtenção de
leis). 2) Esta e outras falhas conceituais, inerentes ao argumento
indutivista, propiciam interpretações ingênuas ao princípio, conforme
veremos abaixo. 3) O princípio, sem perder em generalidade, no que diz
respeito às premissas (tem o mesmo campo de atuação que a regra científica
fundamental), e para que possa caracterizar-se como metodológico, e não
apenas norteador, torna-se mais restritivo que a regra científica
fundamental ¾afirma, ao invés de supor.¾
Conseqüentemente, os que abraçam esta ideologia, devem procurar por uma
outra definição de ciência que não a apresentada no item 2 e figura 1. As
conseqüências epistemológicas daí resultantes serão objeto de discussão
em itens posteriores.
O indutivista ingênuo é aquele que,
dentre outras falhas conceituais e/ou de raciocínio, consegue provar
"cientificamente", por exemplo, a inexistência de Deus, pelo
simples fato de Deus não se manifestar a ele; tendo em vista que ele não
possui uma regra para delimitar a ciência que não seja o princípio da
causalidade --não há efeito sem causa-- ele tenta inverter o princípio ¾que
no caso ficaria: não há causa sem efeito¾ e,
apelando para o argumento indutivista, consegue, por métodos "científicos"
chegar a conclusões não científicas ¾no caso,
teológicas. Mais comum, no entanto, é o erro, agora não tão ingênuo,
cometido por alguns indutivistas que conseguem provar
"cientificamente" que "todas as maçãs são vermelhas",
prova esta "válida" somente até o dia em que eles se depararem com
maçãs verdes. Neste caso, a falha decorre da crença num método repleto de
incoerências internas.
5. O argumento dedutivista
O argumento dedutivista, ainda
que não isento de críticas, representou, sem dúvida alguma, uma evolução,
no sentido em que propiciou uma metodologia científica dotada de coerência
interna. A esse respeito, é dito, com freqüência, que o raciocínio
dedutivo constitui o argumento da lógica.
A fim de padronizar comparações,
apresentarei o argumento dedutivista como apoiado no seguinte princípio: Se
em dadas condições, um determinado fenômeno, sempre que pesquisado, se
repetiu, qualquer afirmação decorrente desta premissa, para que seja hipótese,
deverá ser passível de verificação observacional. A figura 3 ilustra a
proposição deste argumento.

Figura 3 - O
argumento dedutivista
É importante
observar que nem toda a afirmação "deduzida" será uma hipótese,
motivo pelo qual não utilizamos o argumento lógico se, e somente se,
ao enunciarmos o princípio [16].
Em particular, é de se ressaltar a opinião de Severino (1994) a respeito:
"É preciso não confundir hipótese
com pressuposto, com evidência prévia. Hipótese é o que se pretende
demonstrar e não o que já se tem demonstrado." [17]
A lógica dedutiva, ao caminhar do geral
para o particular, nos garante a formulação de hipóteses; e hipótese
"comprovada" através de uma observação controlada (teste e/ou
experiência) nos permite suspeitar, através de um raciocínio
indutivo (do singular para o geral), sua condição de lei. Observem o cuidado
na colocação das palavras: Eu disse nos permite suspeitar, e não
nos permite garantir. Por que esse cuidado? A experimentação não
nos garante verdades? A esse respeito, Popper assim se referiu:
"Não há um método para
determinar se uma hipótese é ‘provável’, ou provavelmente
verdadeira." [18]
É interessante notar que algumas limitações
inerentes ao indutivismo, e que propiciam o aparecimento de conclusões ingênuas,
são aqui substituídas por uma impossibilidade. Sob esse aspecto, o
dedutivismo não solucionou o problema, mas, simplesmente, reduziu a
possibilidade de que se cometessem determinados raciocínios ingênuos.
Rigorosamente falando, o problema
não é tão insolúvel assim. Será insolúvel tão-somente para aqueles que
julgam estar, cientificamente, buscando por verdades absolutas. A verdade
científica, e só o leigo talvez não saiba, é uma verdade provisória,
tomada por empréstimo da natureza e da forma como ela se nos aparenta ser. As
verdades científicas de hoje serão, quando não negadas, lapidadas e
reformuladas amanhã. Se chegaremos ou não, por métodos científicos, à
verdade absoluta, é um questionamento que a ciência não está aparelhada
para responder. E talvez nunca esteja, o que não nos impede de que
continuemos procurando pela verdade.
Popper foi mais além, demonstrando ser
impossível até mesmo probabilizar uma afirmação comprovada por um
raciocínio que siga a metodologia dedutiva (incluindo, e é aí que reside o
problema principal do método, a indução -- vide lado direito da figura
3). A esse respeito, Popper propõe a substituição do termo probabilizar
por corroborar: Uma hipótese seria tanto mais corroborável quanto mais
propiciasse verificações experimentais; e teria sido tanto mais corroborada,
e não há como se atribuir números probabilísticos a esse efeito, quanto
mais resistisse a essas verificações. Siegel (1977, tradução) adota,
provavelmente com o mesmo objetivo, a expressão grau de aceitabilidade.
"Efetuamos pesquisas a fim de
determinar o grau de aceitabilidade de hipóteses deduzidas de nossas
teorias." [19]
Esta impossibilidade em garantir um
acerto preocupou bastante Popper, e, certamente, foi um dos motivos que o
levou a expandir o argumento dedutivista através da proposição do falsificacionismo,
a ser apresentado no item 7.
Independentemente
das dificuldades apontadas neste e nos itens precedentes, a verdade é que a
ciência progride, e este progresso é guiado por homens que conhecem o
terreno por onde pisam. E conquanto todos saibam da não existência, em ciência,
de verdades absolutas, da impossibilidade de se chegar a uma solução
definitiva para os problemas científicos, e da não existência de provas
observacionais irrefutáveis, quase todos [20]
entendem e concordam com a afirmação de GIL (1994)
expressa a seguir:
"A pesquisa científica
inicia-se sempre com a colocação de um problema solucionável. O
passo seguinte consiste em oferecer uma solução possível através
de uma proposição, ou seja, de uma expressão suscetível de ser
declarada verdadeira ou falsa. A esta proposição dá-se o nome de hipótese.
Assim, a hipótese é a proposição testável que pode vir a ser a solução
do problema." [21]
6. O que é teoria?
É importante salientar que a
finalidade primordial da ciência não é formular hipóteses, e sim,
sistematizar teorias; e que teoria não é pura e simplesmente uma coletânea
de hipóteses: Teoria é um conjunto de hipóteses coerentemente
interligadas, tendo por finalidade explicar, elucidar, interpretar ou unificar
um dado domínio do conhecimento [22].
Por que, então, os livros de metodologia insistem em justificar os métodos
através de hipóteses únicas e, via de regra, desinteressantes, tais como: As
maçãs são vermelhas, os cisnes são brancos, etc.?
A verdade é que nem sempre é fácil
encontrar teorias ao mesmo tempo simples e de amplo espectro, ou seja, que
possam ser entendidas por leitores das várias áreas do conhecimento. Por
outro lado, os argumentos que corroboram ou derrubam teorias são, em princípio,
idênticos aos que corroboram ou derrubam hipóteses ¾poderíamos
também dizer que uma hipótese é, ou simula ser, uma teoria, cujo conjunto
de hipóteses é unitário. Em geral, a dificuldade inerente ao grau de
complexidade de uma teoria, pode ser superada, desde que o cientista conheça
a fundo esta teoria, cujo grau de aceitabilidade pretende testar, e domine a lógica
envolvida em situações similares, porém simples, como aquelas que aparecem
nos compêndios sobre o assunto.
A ênfase, dada
pelos textos de metodologia científica, a métodos relacionados a testes
de hipóteses, contrasta com a quase ausência de referências a métodos
relativos à prática da teorização. Existem exceções a esta regra,
e eu não poderia deixar de citar [23]
os livros de Bunge [24]
e de Lacey [25],
indicados especialmente para os iniciantes da área de exatas. Embora não
especificamente dirigido a esta temática, há que se destacar também o livro
de Bohm e Peat [26]
e que merece ser lido, posto que focaliza a essência da problemática aqui
apontada; neste caso, e por este motivo, é indicado aos iniciantes de todas
as áreas.
A prática da teorização, com raríssimas
exceções, não se aprende na escola. Grandes teorizadores, por terem
aprendido a utilizar uma técnica não encontrada nos livros tradicionais, e
que nem mesmo é ensinada na maioria dos regimes de iniciação científica,
chegaram a ser confundidos com gênios. É bem possível que estes gênios
tenham adquirido esta práxis cultuando algum resquício da filosofia que a
sociedade moderna não conseguiu despedaçar.
A lacuna, acima
apontada, fomenta a ingenuidade ou, até mesmo, o charlatanismo,
multiplicando. sobremaneira, o número dos que, sem estarem devidamente
preparados para teorizar ¾uma atividade que não
é elementar¾ ainda assim teorizam, e teorizam mal ¾fato este que chega a incomodar cientistas de
respeito que ocupam postos importantes nas universidades [27].
Por outro lado, e em decorrência disto, permite que se condene, à
marginalidade científica, e por períodos variáveis de tempo, todos aqueles
que, certos ou errados, pretendem evoluir seriamente no sentido de atender à
finalidade última da ciência: a edificação de teorias representacionais.
Que métodos estes homens seguiram que não
a paixão, a devoção, a persistência e a crença num espírito universal? ¾Espírito
este que, segundo alguns admitem, não está a se divertir com nossos erros e
"acertos", o que foi sintetizado, pelo maior dos gênios do século
XX, nas seguintes palavras: Deus não joga dados. A resposta nos é
dada pelo próprio autor desta afirmação:
"O alvo de construir uma
teoria de campo eletromagnético da matéria permanece inatingível por ora,
embora em princípio nenhuma objeção possa ser levantada contra a
possibilidade de vir a se alcançar tal objetivo. O que reteve qualquer
tentativa posterior nessa direção foi a falta de qualquer método
sistemático que levasse a uma solução" [28]
Será que não
existem métodos ou regras a serem adotados nesta práxis? E por falar nisso,
a prática da teorização não seria uma "teorexis"?
[29]
Será que teorizar em ciência é uma atividade
puramente filosófica? Não existe uma metodologia científica a orientar
aqueles que se preocupam em decifrar os segredos que estão por trás dos fenômenos
que se adaptam à regra científica fundamental? Caso exista um método a ser
sistematizado: Seria ele diferente do método científico? O que é o método
científico?
Tentarei, dentro do possível, e da
finalidade a que me propus ao conceber esta série de artigos, responder,
oportunamente, e/ou orientar o leitor, se houver como, no que diz respeito aos
questionamentos aqui assinalados. De qualquer forma, mais detalhes sobre
teoria e/ou teorização serão apresentados no tópico IV-b: A prática da
teorização (em preparo).
. O falsificacionismo.
O falsificacionismo não
foi proposto como um método novo, mas sim como um critério, ou conduta, a
ser ou não adotado por aqueles que se conformam ao método dedutivo de prova.
Não há nada, no falsificacionismo, do ponto de vista metodológico,
que não esteja previsto, ou que não decorra naturalmente de uma opção a
ser seguida, espontaneamente ou não, por este ou aquele dedutivista. Qual
seria então este critério? Com que finalidade foi proposto? A resposta a
estas perguntas, bem como o mérito do falsificacionismo constituem o
objetivo deste e dos próximos dois itens.
Antes de mais
nada afirmarei, sem me alongar, que uma teoria, adotado o argumento
dedutivista, pode ser corroborada, ou negada, fundamentalmente, através de um
dos três procedimentos seguintes: 1) Pela corroboração ou negação de uma
de suas hipóteses; 2) pela verificação ou negação de uma de suas predições;
3) pela corroboração ou negação de teorias auxiliares, deduzidas da
teoria principal (teoria em teste, ou sob suspeita); as teorias auxiliares
podem ser de três tipos: teorias ou hipóteses de nulidade, teorias ou hipóteses
salvadoras e teorias ou hipóteses assassinas [30].
Incluem-se no rol das teorias auxiliares, como veremos oportunamente, as
teorias transcendentais, freqüentemente conotadas por experiências de
pensamento. As predições e as hipóteses ou teorias auxiliares são
teorias geradas utilizando-se do próprio argumento dedutivista, esquematizado
na figura
3. Neste caso, o foco de atenção inicial, ¾representado
na figura como observação¾ é, nada mais, nada
menos, que a própria teoria que deu origem à predição e/ou à teoria
auxiliar.
Ao valorizar a falseabilidade,
como critério a ser adotado pelos dedutivistas, Popper nada mais fez que
tentar expandir, ou trazer para o domínio da metodologia científica, uma prática
amplamente utilizada com sucesso em estatística: o critério de tomada de
decisão através da hipótese de nulidade (Ho):
"O primeiro passo, ou estágio,
no processo de tomada de decisão, é definir a hipótese de nulidade (Ho).
Formula-se usualmente com o expresso propósito de ser rejeitada. Se é
rejeitada, pode-se aceitar a hipótese alternativa (H1).
A hipótese alternativa é a definição operacional da hipótese de
pesquisa do pesquisador. A hipótese de pesquisa é a predição deduzida da
teoria que está sendo comprovada." [31]
A contribuição de Popper, a esse
respeito, limitou-se à ênfase que deu à importância da procura por hipóteses
de nulidade. Até então, este costume estava restrito à procura por previsões
¾apresentadas, via de regra, pelo próprio autor
da teoria¾ e/ou hipóteses salvadoras ¾levantadas
pelos adeptos da teoria em foco¾ e/ou hipóteses
assassinas ¾levantadas pelos críticos da teoria
em questão. As quatro têm uma característica comum: são todas teorias falseadoras.
A boa teoria, dentre outras qualidades [32],
e segundo Popper, é aquela potencialmente geradora de hipóteses
falseadoras; e tanto melhor será quanto maior for o risco de ser
negada. Ela pode até mesmo ser derrubada no primeiro teste a que for
submetida, o que não invalida o que foi dito: foi uma boa teoria enquanto
durou, e voltará a ser se conseguir ressurgir das cinzas. Dito em outras
palavras: o critério, para se avaliar a virtude de uma teoria nascente,
repousa no seu grau de submissão a testes adversos. Uma teoria de baixo risco
raramente é bem vinda [33];
e uma teoria sem risco algum, na opinião de Popper, não é científica; e eu
iria além: sequer é teoria.
Levando-se em conta que o critério falsificacionista
peca pela subjetividade, deve-se tomar cuidado ao se optar por uma teoria, em
detrimento de outra, pelo fato de a primeira ser mais falseável que a
segunda. Diferentes hipóteses falseadoras devem apresentar pesos
diferentes; e este peso, mesmo quando bem estimado, freqüentemente o
é por um processo subjetivo. Não é raro utilizar-se desta subjetividade
inerente ao falsificacionismo para justificar escolhas feitas segundo
critérios políticos, econômicos, interesseiros, corporativistas, ou então
apoiados em "princípios" outros que também deixam a desejar, no
que diz respeito à ética do cientista.
8. Entendendo
o falsificacionismo
Suponha que alguém deduza a
seguinte hipótese H1: As maçãs do Estado de
São Paulo são vermelhas. A teoria, assim simulada, é uma teoria de hipótese
única. Percebam que, no argumento da hipótese, está se admitindo como
pressupostos uma infinidade de conceitos, tais como fruta, maçã, cor,
vermelho, local, São Paulo, Brasil, etc. Estes pressupostos são o que
Severino chama de evidências prévias, como
vimos no item 5, e constituem uma das bases da argumentação de Chalmers [34]
ao contestar os que afirmam que a ciência começa com a observação.
Um exemplo de previsão desta
teoria seria: as maçãs de Jundiaí devem ser vermelhas, tendo em vista que
Jundiaí se localiza no Estado de São Paulo.
Suponha, também, que alguém tenha
demonstrado que, em condições X, outra fruta que não a maçã,
e que originalmente era de determinada cor, se modifica; e conclui que, se a
teoria sobre as maçãs for verdadeira, ela deverá permanecer verdadeira nas
condições X. Pode-se, então, construir a seguinte hipótese
de nulidade Ho: Em condições X,
obter-se-ão, em São Paulo, maçãs não vermelhas. Esta previsão não
decorre da teoria (H1), mas de evidências prévias
outras e estranhas à mesma. Se esta hipótese (Ho)
for verificada, a hipótese original H1 estará
falseada.
Será que este simples
fato condena a teoria original? Para o falsificacionista ingênuo, sim.
Para aquele que entendeu e aceitou o significado da afirmação de Popper,
citada neste artigo, ao final do quarto
parágrafo do item 5, não. Optar por uma teoria não significa crer numa
verdade absoluta. Se eu afirmo que Ho é verdadeira,
e conseqüentemente H1 é falsa, isto não significa
que eu estou atribuindo o grau de veracidade 100% a uma hipótese e 0% à outra;
significa, simplesmente, que a verificação experimental me convenceu a optar
por uma teoria em detrimento da outra. A opção é uma das maneiras pelas quais
o cientista expressa a sua fé na ciência [35],
e o falsificacionismo estabelece normas a lhe orientar nesta opção.
Suponha agora que, em condições X,
ou em outra condição qualquer, se encontrem, no Estado de São Paulo, maçãs
verdes. Significa isto que a hipótese H1 é falsa?
Não. Simplesmente ela foi falseada. Nada impede que amanhã, com a evolução
da ciência, se descubra que estes frutos verdes, a que hoje associamos a idéia
maçã, estejam inseridos num outro contexto, e que realmente não sejam maçãs.
Por que então se dá preferência a
verificações falseadoras em detrimento das corroboradoras? Ora, isto
nem sempre acontece, conquanto seja esta uma das regras propostas pelo falsificacionismo.
Por exemplo, tanto a teoria da relatividade, quanto a mecânica quântica são
teorias físicas amplamente aceitas, graças a terem sido corroboradas por
previsões que se confirmaram; e pouco valor se deu a um grande número de
testes que as falsearam. Por outro lado, estas duas teorias são,
concomitantemente, aceitas pelos físicos, conquanto existam fortes argumentos a
"provar" que cada uma destas duas teorias falseia a outra, e
ambas falseiam a teoria de Maxwell, que também é aceita como
verdadeira. Certos ou errados, neste caso, os físicos modernos, dentre os quais
se inclui Popper, fizeram uma opção contrária à norma falsificacionista,
e não há como criticá-los por essa conduta, a menos que se pretenda atribuir
ao falsificacionismo uma qualidade que ele não possui: a de estabelecer
critérios absolutos de veracidade.
O falsificacionismo presta-se também
a fomentar o diálogo e a criatividade. Neste caso, surge quase como que um
apelo para que se invista mais em experiências de pensamento, um recurso
legítimo e de grande valor em ciência.
9. O falsificacionismo
como delimitador da ciência
Vimos, no item 7, que, para
Popper, uma teoria sem risco algum não é científica, e eu acrescentei:
sequer é teoria. Popper quis se aproveitar deste argumento para delimitar a
ciência, utilizando-se então do falsificacionismo como critério de
cientificidade. Com esta opção, Popper desagradou a muitos e convenceu a
poucos, ainda que sua idéia não fosse de todo má.
Não podemos, em sã consciência, dizer
que a psicanálise, por exemplo, não pertença ao campo da ciência pelo
simples fato de uma de suas "teorias" precursoras ser não falseável.
Sequer podemos dizer que o autor dessa idéia não fosse cientista: se é
verdade que a psicanálise se desenvolveu em cima desta idéia, e apesar
disso, conseguiu, de alguma forma, se impor como ciência, muito
provavelmente, queiramos ou não, seu autor contribuiu diretamente para o
progresso da ciência. Mesmo que hoje alguém chegasse a concluir,
categoricamente, pelo caráter não científico da psicanálise, isto, de
forma alguma, nos autorizaria a, hipoteticamente, condená-la à estagnação.
Se um cientista, utilizando-se de maus
critérios, ou até mesmo apoiando-se em dogmas, constrói, de maneira não
científica, um determinado campo do conhecimento, isto não significa que
este campo não possa vir a ser estudado cientificamente; e que não se possam
criteriosamente, aproveitar as conclusões de seus estudos. Nada impede que
uma teoria, considerada hoje como não científica, pelo fato de possuir uma
ou mais hipóteses não falseáveis, adquira esse status após
passar por ligeiras reformulações.
Não podemos assumir que um campo do
conhecimento seja não científico pelo simples fato de não encontrarmos nele
teorias científicas. Este posicionamento de Popper, a meu ver, não se
justifica: o falsificacionismo não é um bom critério delimitador da
ciência, e isto eu espero que tenha ficado claro para o leitor. E mais: não
existem áreas não científicas, mas sim áreas onde ainda não foram
produzidos conhecimentos científicos. O progresso científico tem sua origem
na intuição e, pelo menos nesta etapa, nada é absolutamente corroborável
ou falseável. Podemos ainda dizer que a ciência não se localiza aqui
ou acolá: sob esse aspecto, a ciência não tem fronteiras.
10. Enfim, a teoria do método
Nos demais artigos desta série,
irei demonstrar ser possível, partindo da regra científica fundamental,
desenvolver uma teoria sobre o método científico utilizando-se das três hipóteses
seguintes:
- O progresso científico tem sua origem na intuição.
- A produção de conhecimentos passa necessariamente
pelas etapas dedução, análise, indução e síntese, na ordem
apresentada.
- Os princípios científicos fundamentais são
universais.
Por questão de simplicidade,
subdividirei o estudo do método em três etapas, correspondentes a cada uma
das hipóteses: 1) o estudo do macrométodo
científico; 2) o estudo do método
científico propriamente dito; e 3) o estudo do micrométodo científico.
Os tópicos, nos quais desenvolverei estas etapas, estão em fase de projeto,
não havendo, portanto, previsão quanto à época de publicação.
Referências:
[*] Muitos dentre esses tópicos são
apresentados, em um contexto diverso, em "Ensaios
sobre a Filosofia da Ciência" ou então em outros artigos expostos
acima na seção "Temas relacionados". Voltar
[1] POPPER, K. R., 1956, Acerca da inexistência
do método científico, in Prefácio da edição de 1956 do livro O
realismo e o objetivo da ciência, Publicações Dom Quixote (tradução),
Lisboa, 1987. Este prefácio foi lido num encontro dos Fellows of Center for
Advanced Study in the Behavioral Sciences, em Stanford, Califórnia, em
novembro de 1956. Voltar
[2] FERREIRA, A. B. H.,
1986, Novo dicionário da língua portuguesa, Ed. Nova Fronteira, Rio
de Janeiro, p. 1128. Voltar
[3] POPPER, K. R., (1959), A lógica da
pesquisa científica, Ed. Cultrix (tradução, 1975), São Paulo. Voltar
[4] CHALMERS, A. F., 1976 (tradução, 1993), O
que é ciência afinal?, Ed. Brasiliense, São Paulo, 225 p. Voltar
[5] BEVERIDGE, W. I. B., 1980, Sementes da
descoberta científica, Edusp (tradução), São Paulo. Voltar
[6] MESQUITA F.° , A., 1987, Confesso que
blefei! -- Física antiga vs moderna, editado pela USJT (na época
Faculdades São Judas Tadeu), São Paulo, capítulo 13, A Ciência Existe!, p.
92-8. Voltar
[7] Perguntas e Debates, 1995, item V, Sobre
Pesquisa e Filosofia da Ciência, p. 75., in Especial/Integração: A
pesquisa na universidade particular, Integração
I(1):51-75, 1995. Este ensaio foi também apresentado e discutido em palestra
(não publicada) que ministrei por ocasião da Semana de Filosofia da USJT de
1994. Voltar
[8] KUHN, T. S., 1962 (tradução, 1975), A
estrutura das revoluções científicas, Ed. Perspectiva, São Paulo, 257
pp., capítulo 8, A natureza e a necessidade das revoluções científicas,
p. 131. [Os grifos são meus.] Voltar
[9] FERREIRA, 1986, Idem, p. 404. Voltar
[10] Leonardo da Vinci, in The New
Encyclopaedia Britannica, Vol. 22 (Macropaedia), Enc. Brit. Inc.,
Chicago, 1993, p. 946 (Leonardo as artist-scientist). Voltar
[11] SANTOS, G. T., Os caminhos do pensamento
científico a partir do Iluminismo, Integração
I(5):131-6, 1996, conferência proferida por ocasião da Semana de Filosofia
da USJT de 1995. Na sessão de debates, Santos, dentre outras considerações
interessantes a respeito, faz a seguinte observação: O progresso, como
vai ser definido no Iluminismo, é uma noção de abandono: passa pelo
abandono necessário de coisas que ficaram ou que deverão ficar no passado.
Voltar
[12] O termo diretamente, aqui empregado, é
essencial; a não ser levado em conta, corremos o risco de considerar como
cientistas, dentre outros, os mecenas, que, no passado, contribuíram de
maneira indireta para o progresso das ciências. Voltar
[13] CHALMERS, A. F., 1976, op.
cit. (Voltar pelo browser), pp. 23-63. Voltar
[14] Idem,
(Voltar pelo browser) p. 28. Voltar
[15] Esta versão é uma adaptação
do princípio da indução como enunciado por CHALMERS (1976), op.
cit. (Voltar pelo browser): "Se um
grande número de As foi observado sob uma ampla variedade de condições, e se
todos esses As observados possuíam, sem exceção, a propriedade B, então
todos os As possuem a propriedade B." Aparentes contradições, que o
iniciante possa descobrir ao comparar os dois enunciados, não comprometem o
raciocínio que se segue, razão pela qual admitirei a equivalência sem
justificá-la. Voltar
[16] Neste caso, o princípio ficaria: Se em
dadas condições, um deteminado fenômeno, sempre que pesquisado, se repetiu,
qualquer afirmação decorrente desta premissa, será hipótese se e somente se
for passível de verificação observacional. O primeiro se torna a
afirmação inconsistente. Voltar
[17] SEVERINO, J. S., 1994, Metodologia
do trabalho científico, Cortez Editora, São Paulo. Voltar
[18] POPPER, K. R., 1956, op.
cit. (Voltar pelo browser)
Voltar
[19] SIEGEL, S., 1977, Estatística não-paramétrica,
Ed. McGraw-Hill do Brasil, Ltda, São Paulo, p. 6. Voltar
[20] É possível que alguns, dentre os indutivistas,
não concordem com alguns dos termos da afirmação, por motivos que podem ser
suspeitados, tendo em vista o apresentado neste e no item anterior. Voltar
[21] GIL, A. C., 1994, Como
elaborar projetos de pesquisas, Editora Atlas S. A., São Paulo, p. 35. [Os
grifos são meus.] Voltar
[22] Em FERREIRA, A. B. H., 1986, op.
cit. (Voltar pelo browser), encontramos
uma definição mais geral, a satisfazer também o argumento indutivista:
"Teoria é um conjunto de conhecimentos não ingênuos que apresentam graus
diversos de sistematização e credibilidade, e que se propõem a explicar,
elucidar, interpretar ou unificar um dado domínio de fenômenos ou de
acontecimentos que se oferecem à atividade prática." Voltar
[23] Os três livros, citados a seguir, não são os
únicos nos gêneros assinalados, a despeito da disparidade apontada. Ao tempo
em que registro, com estes exemplos, a exceção à regra, presto também uma
homenagem a autores que, ao serem por mim lidos, transmutaram em dúvidas muitas
das respostas a questões fundamentais, e que eu, pretensiosamente, julgava
possuir. Voltar
[24] BUNGE, M., Teoria e
realidade, Ed. Perspectiva (tradução, 1994), São Paulo. Voltar
[25] LACEY, H.M., 1972, A
linguagem do espaço e do tempo, Ed. Perspectiva S.A. Voltar
[26] BOHM, D., e PEAT, F. D.: Ciência, ordem e
criatividade, Gradiva Publicações Ltda (tradução, 1989), Lisboa. Voltar
[27] A esse respeito vale a pena ler Científicos
Chiflados, capítulo XIV do livro: BERNSTEIN, J., 1988, Observación de
la Ciencia, Ed. Fondo de Cultura Económica, México. Voltar
[28] EINSTEIN, A., Física e realidade, in
Albert Einstein, Pensamento político e últimas conclusões (1983,
tradução), Edit. Brasiliense S. A., São Paulo. [O grifo é meu.] Voltar
[29] Este termo eu utilizei pela primeira vez no
artigo: MESQUITA F.° , A, 1983, Ciência empírica: uma arma ou uma dádiva?,
Faculdade (Revista do IAMC), n.° 6, p. 28-43, agosto/83. Voltar
[30] Essa subdivisão é de natureza meramente acadêmica,
e pretende retratar a intenção, ou mesmo a expectativa, com que a teoria
auxiliar (hipótese) foi formulada. Na prática, tanto as predições quanto as
teorias auxiliares de quaisquer dos gêneros apresentados podem tanto corroborar
quanto falsear a teoria principal, ou da qual foram derivadas. A expressão
teoria assassina eu utilizei, pela primeira vez, em 1993, em uma conferência,
que proferi na USJT, intitulada: Nascimento, vida e morte de uma teoria.
Voltar
[31] SIEGEL, S., 1977, op.
cit. (Voltar pelo browser), p. 7. Voltar
[32] Por exemplo, coerência interna, abrangência,
grau de aplicabilidade, beleza lógica, beleza matemática, etc. Voltar
[33] Vide, a esse respeito, o comentário de Thomas
Khun citado
no item 2 (Voltar pelo browser). As teorias que
se acomodam aos paradigmas vigentes são, em geral, teorias de baixo risco. Voltar
[34] CHALMERS, A. F., 1976, op.
cit. (Voltar pelo browser). Voltar
[35] Vide a poesia A fé do cientista, em
MESQUITA F.° , A., 1983, op.
cit. (Voltar pelo browser). Voltar |