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Introdução a teoria da Holorressonância PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Leonardo Stern

Resumo

Neste artigo é feita uma breve revisão histórica das teorias magnéticas abordando a questão da intensidade do sinal psi propagado e mostrando as divergências entre os dados experimentais e os modelos físicos convencionais. A teoria holográfica é proposta como solução não-local para os problemas apresentados. As principais características do modelo são apresentados e é proposto um modelo de desenvolvimento modular onde a teoria holográfica aparece como ferramenta teórica complementarpara os modelos teóricos. São mostradas diversas entre a teoria e os modelos PMIR e Ganzfeld bem como diversos exemplos ilustrativos,

Introdução.

Em uma transmissão de sinais, quando nada se sabe sobre a localização do receptor, a única forma de garantir que o sinal transmitido seja recebido é propaga-lo em todas as direções. Aplicando o principio da conservação de energia , considerando um sistema euclidiano tridimensional e que o meio de propagação seja homogêneo, podemos traçar a seguinte relação :


$displaystyle Potência  do  sinal$ $	extstyle =$ $displaystyle P=constante$ (1)
$displaystyle Velocidade  de  propagação  do  sinal$ $	extstyle =$ $displaystyle V=constante$ (2)
$displaystyle Distância  entre  o  sinal  e  a  origem$ $	extstyle =$ $displaystyle V.t$ (3)

Como o sinal se propaga em todas as direções e de forma uniforme, todo ponto situado a $V.t$ da origem é atingido pelo sinal produzido a t unidades de tempo atrás. O conjunto de pontos-solução para a equação pode ser representado graficamente como uma casca esférica de raio $r=V.t$ com centro na origem do sinal (vide apêndice).

A intensidade de um sinal é descrita como a taxa na qual a energia transportada por unidade de área. Assim, temos :


$displaystyle frac{P(t)}{A(t)}$ $	extstyle =$ $displaystyle I(t)$ (4)

onde $A(t)$ é a área de propagação do sinal e $I(t)$ é a intensidade do sinal.

Como o sinal em questão se propaga na forma de uma de uma esfera e a área de uma esfera é descrita por $A_{esfera}=4pi r²$, onde $r$ é o raio da esfera, temos :


$displaystyle frac{P(t)}{4pi r^{2}}$ $	extstyle =$ $displaystyle I(t)$ (5)

Substituindo os termos constantes da equação [*] por $K$, temos :


$displaystyle Kcdotfrac{P}{r²}$ $	extstyle =$ $displaystyle I(t)$ (6)

ou, ainda, substituindo $r$ por $V.t$ na equação [*] temos :


egin{displaymath}
Kcdotfrac{P}{t²}=I(t)end{displaymath} (7)

É esperado, portanto, que qualquer sinal, independente de sua natureza tenha sua intensidade reduzida proporcionalmente ao quadrado da distância. Em condições reais, não é esperado que o sinal se propague de forma homogênea, temos fatores como temperatura, densidade, pressão entre outros que não são nem constantes nem homogêneos. O resultado, entretanto será o de uma esfera deformada e a ``Lei do Quadrado da Distância¨ continuará válida (apenas o valor de $K$ mudará).

Deve ser notado que esta é uma siplificação do processo, omitindo muitas variáveis como a permissividade elétrica do ar, difração, relfexão, interferência. Fatores estes que não interferem na relação inversa entre a intensidade do sinal e o quadrado da distância entre emissor e o receptor uma vez que esta baseia-se na lei da conservação de energia.

Problema das Teorias Radiacionais

Uma vez que tanto a produção de sinais potentes quanto a captação de sinais fracos requer considerável quantidade de energia, pode-se afirmar que se os fenômenos psi se manifestam na forma de sinais, estes possuem alcance limitado e mensurável.

Experimentos realizados na década de 1940 (Rhine & Humphrey (1942)) e na década de 1980 (Schilitz & Gruber (1980, 1981) encontraram indícios de atividade psi (interação anômala entre seres vivos e o meio ambiente) a milhares de quilômetros do emissor. Tal fato indica que o psi, se existir, ou requer grandes quantidades de energia ou não se manifesta na forma de um sinal propagado.

Potência do Sinal

Se psi propaga-se por radiação e possui grande alcance a ponto de ser captado a milhares de quilometros de distância, grande quantidade de energia é necessária para gerar o sinal ou para decodificar o sinal. Alguns pesquisadores defendem que o cérebro humano não gera potência elétrica suficiente para produzir sinais eletromagnéticos portadores de informações. Segundo Stokes (1987) :

``A potência elétrica de um cérebro human parece ser muito pequena para possibilitar transmissões telepáticas bem sucedidas ou gerar influência psicocinética de alguma magnitude em distâncias razoavelmente grandes através da radiação eletromagnética. Dobbs (1967) estimou que a potência elétrica na superficie do ``escalpo'' é menor do que $10^{-18}Watts$ (mesmo em epiléticos). Vasiliev (1976) cita cálculos feitos por Arkadiev indicando que a força aproximada de qualquer sinal telepático seria de apenas $10^{-18}Ampere$, com energia característica de $6,54	imes10^{-31}Joule$1, que é ordens de magnitude menor do que o nível de energia mínimo detectável pelo olho humano (o detector de radiação eleromagnética mais sensível existente em humanos). Millar (1975) define $10^{-6}Watt$ como um límite superior otimista para a energia emitida pelo cérebro humano e Bigu (1979) calculates a potência irradiada pelo cérebro dentro da faixa que vai de $10^{-15}  a 10^{-11}W/cm²$ .''
Existem controvérsias a cerca destes valores, outros pesquisadores sustentam que a potência elétrica gerada pelo cérebro seja bem maior e suficiente para produzir fenômenos psi. Vamos, então, momentaneamente, supor que o cérebro seja capaz de produzir fenômenos psi mas que a atividade psi estaria associada a um grande consumo de energia e representaria uma parcela significativa da energia gasta por um ser vivo.

Como o gasto de energia é um dos principais fatores envolvidos no processo de seleção natural é de se esperar que a capacidade psi a) seja utilizada raramente ou b) tenha surgido com alcance bastante limitado em tempos remotos, onde a disputa de nossos ancestrais por alimento era grande.

A afirmativa b) se mostra incompleta por 2 motivos :

  1. Capacidades psi de longo alcance são atribuidas a animais como cachorros e pombos (Sheldrake 1999). A cadeia evolutiva destes animais não ofereceu nenhum período recente de grande disponibilidade de alimentos.
  2. O surgimento dos ancestrais do gênero homo ocorreu durante o último período de glaciação, onde a oferta de alimento era bastate escassa.
A afirmativa a) deve ser avaliada no contexto de uma Estratégia Evolutivamente Estável através de uma análise custo-benefício (Dawkins 2001) uma vez que mesmo trazendo prejuízos para um indivíduo, a atividade psi pode ser benéfica para o grupo A hipótese, no entanto, só pode ser avaliada caso o consumo de energia esteja associado a produção do sinal psi, caso contrário o sinal seria fraco e o receptor não teria como receber o sinal a menos que buscasse continuamente por sinais psi (o que requer grande gasto contínuo de energia). Considere-se 2 casos mais gerais :

  1. Aviso de perigo (predador proximo) - O indivíduo que avisa perde gasta muita energia e é prejudicado mas o grupo todo é favorecido. Apesar do saldo positivo, a situação só seria vantajosa caso o psi não fosse captado pelo predador caso contrário um grito ou outro tipo de alarme gastaria menos energia e traria mais benefícios. Também pode ser mais vantajoso ao fornecer detalhes mais específicos sobre o perigo.
  2. Aviso de alimento - Traz benefícios quando a distância entre o indivíduo e o resto do grupo é grande e existem perigos no caminho mas há o risco de outras espécies detectarem o aviso e aproveitarem a informação (caso psi já tenha aparecido há algum tempo)
Estes exemplos são limitados pelo fato da informação psi necessáriamente ser enviada por um ser. Isto excluiria casos onde a informação é acessada diretamente, sem emissor, como é o caso de experimentos de visão remota, variações do protocolo Ganzfeld e diversos relatos de casos espontâneos. Com os argumentos expostos podemos aferir que as teorias radiacionais não possuem condições favoráveis dentro do cenário evolutivo.

Problema da Causalidade

O problema da casualidade aparece, principalmente, nos estudos sobre sonhos premonitorios. Neles o sujeito acessa informações sobre um futuro proximo, tendo a capacidade de informa-lo ou evita-lo.

Um dos problemas está relacionado com a teoria dos sinais. Se a informação psi contem informações do futuro, a transmissão destes sinais se originaria em algum ponto do futuro. Tal fato implica na existencia de particulas que viajam em um sentido contrario na linha do tempo, o que é proibido pela teoria da relatividade, conforme mostrado abaixo :


egin{displaymath}
Delta t=frac{Delta t_{0}}{sqrt{1-frac{v²}{c²}}}end{displaymath} (8)

onde $t_{0}$é o tempo relativo, o tempo para o viajante ou para a particula (que sofre deslocamento temporal) e $t$ é o tempo absoluto ou tempo do observador, $v$ a velocidade da particula e $c$ a velocidade da luz.

Para uma viagem ao passado, é necessário que a equação assuma valores negativos, ou seja, o termo $v²$ seja maior que $c²$ ($v$ maior que $c$). A teoria da Relatividade proibe que qualquer particula viaje mais rapido do que a luz, fato que se torna explicito pela formula :


egin{displaymath}
m=frac{m_{0}}{sqrt{1-frac{v²}{c²}}}end{displaymath} (9)

onde $m_{0}$é a massa do objeto em repouso e $m$ é a sua massa cinética

Para que a equação assuma valores reais, o valor de $v²$ deve ser menor do que o valor de $c²$. Além disso, pela equação de energia cinética é necessário uma quantidade infinita de energia para acelerar uma particula até a velocidade da luz de modo a ser impossivel romper tal barreira. Em vista destes dois problemas costuma-se afirmar que a teoria da relatividade não admite velocidades superiores a da luz e, portanto, viagens para o passado.

Arnold Sommerfeld propôs a existência de particulas que viajariam para o passado e não contrariassem a teoria relativística. Para tanto propuseram que tais particulas possuissem massa imaginária (raiz quadrada de número negativo) e, como conseqüências diretas, viajam sempre mais rapido do que a luz e quanto mais energia perdem, mais rápido ficam. Mais tarde Gerald Feinberg (1967) as chamou de Táquions que do grego $	aualphachiupsilonsigma$("tacus") que significa velozes. Apesar destas estranhas propriedades como energia negativa, massa imaginaria e aumento de velocidade com a perda de energia,trabalhos realizados na década de 60 e 70 principalmente no Brasil e Itália incluíram tais partículas na teoria da relatividade no que hoje é conhecido como teoria estendida da relatividade.

A observação de indicios da existência de taquions tem sido realizada em diversas ocasiões. Uma serie de experimentos iniciados em 1971 envolvendo o estudo de neutrinos (partículas sem carga e com massa extremamente pequena) indicaram que os neutrinos associados à partícula múon possuía o quadrado da massa negativo. Mais recentemente, estudos sugerem que os neutrinos associados ao elétron também possuam massa imaginaria. Nos últimos anos tem sido observadas expansões superluminais em objetos celeste provisoriamente denominados microquasares. Já na mecânica quântica, alguns experimentos envolvendo o fenômeno de tunelamento sugerem que o fenômeno ocorra em velocidades superluminais. (Recami 2001)

O chamado principio de reinterpretação de Stueckelberg-Feynman-Sudarshan-Recami é fundamental para entender-se como os são observados. Segundo ele, no lugar de uma partícula $P$ , de energia negativa $-e$, viajando do ponto $A$ para o ponto $B$ e se deslocando para o passado, observaremos uma partícula $Q$, viajando de $B$ para $A$, com energia positiva e viajando para o presente. Tal ajuste se faz necessário porque a linha do tempo para o observador aparece em ordem invertida para a partícula de modo que observamos o evento de trás pra frente.

Existem, no entanto problemas ao utilizar os taquions como partículas portadoras de informações psi. A primeira delas se refere a não eliminação do problema da dispersão, citado anteriormente e a segunda ao comportamento da partícula. Os taquions supostamente observados em laboratório são neutrinos e para os neutrinos existe o problema da baixa interação com a matéria. Segundo Bigu (1979) o corpo emite cerca de 8.000 neutrinos por segundo, o que é uma quantidade muito pequena para ser um bom sinal para comunicações. Já as versões taquionicas de ondas eletromagnéticas esbarrariam no problema anteriormente apresentado da gaiola de Faraday e outros aparatos que impedem a propagação de ondas eletromagnéticas.

A hipótese taquionica enfrenta ainda o problema da causalidade. Os taquions observados em laboratório podem ser reinterpretadas de modo a seguirem a direção usual no tempo, tal fato não cria nenhum problema com a causalidade. Um fenômeno de precognição nem sempre pode ser reinterpretado desta forma como ilustrado abaixo.

``César planejou iria viajar e já estava com as passagens compradas. Na véspera da viajem, tem um sonho detalhado onde morre na viajem em que faria. Assustado e impressionado com o sonho, César decide cancelar a viajem e horas depois assiste no noticiário a reportagem sobre um acidente de avião da mesma empresa, com o mesmo destino e com as mesmas características do acidente sonhado.''

Aparentemente César recebeu a informação sobre um futuro iminente e que pode ser evitado. Pode ser alegado que a informação foi uma precognição do noticiário ou acessada de qualquer outra forma que evite a hipótese de universos múltiplos mas, dificilmente conseguiremos reinterpretar o fato de modo a se processar na direção usual do tempo.

Em 1949, Gödel (1949) descobriu uma solução para as equações relativísticas onde o espaço tempo era um universo cheio de matéria em rotação, com anéis do tempo através de cada ponto. A solução, entretanto, exigia a presença da controversa constante cosmológica mas, logo em seguida, surgiram outras soluções que dispensam tal constante. Em seu livro "O universo numa casa de noz", Stephen Hawking (2001) dedica razoável espaço para a questão das viagens temporais e, explora a solução proposta por Gödel. Dentre outras coisas, afirma que os anéis do tempo possuem evidencia experimental em laboratório e estão presentes em fenômenos como a pequena força entre placas paralelas (efeito Casimir), supostamente causada pelo fato de que, entre as placas, cabe um numero ligeiramente inferior de historias em anel do que na região externa outra evidencia seria um pequeno desvio na luz emitida por átomos de hidrogênio, causado pelo movimento dos elétrons em anéis fechados. Essas hipóteses, no entanto, seguem a vertente da física quântica que descreve o comportamento das partículas baseado em todas as trajetórias possíveis e descreve o fenômeno em escala microscópica, para partículas isoladas.

É um tanto complicado que uma grupo de partículas ordenadas consiga transportar informações desta forma. A possibilidade seria tão pequena de modo que o fenômeno seria tão raro a ponto de o simples fato de ocorrerem fenômenos precognitivos com certa freqüência seria incompatível com este mecanismo.

Outras Alternativas

Diversas alternativas envolvendo ondas eletromagnéticas foram propostas, mas ou esbarram nos argumentos anteriormente apresentados ou não possuem evidências suficientes para serem levadas em conta. Dentre estas alternativas destaca-se a proposta de que ondas eletromagnéticas de frequências extremamente baixas (ELF - Extremely Low Frequency) (Persinger 1979) sirvam como agente transmissor de informações psi.

Tais ondas supostamente teriam a apacidade de decair mais lentamente do que as demais pois haveria a possibilidade de utilizarem a ionosfera como meio de propagação e caminho de menor resistência. Adicionalmente, é argumentado que a observada correlação entre a atividade eletromagnética de baixa frequência e a ESP é indicio da natureza eletromagnética do psi.(Stokes 1987)

Diversos experimentos sugerem que o psi pode aparecer como resposta automata (Radin 2003, Stanford 1990) e, a amígdala possui papel importante nesta forma de resposta, sendo a amigdala uma região do cérebro particularmente sensível ao eletromagnetismo é de se esperar que todas as atividades dependentes da amígdala sejam afetadas pela atividade eletromagética local, o que não significa que tais atividades possuam natureza eletromagnética.

Mesmo driblando o problema da intensidade do sinal (embora existam controvérsias a respeito), as teorias ELF não fornecem explicações convincentes de como as ondas ELF lidariam com os demais problemas expostos.

Teorias Não-Locais

A não-localidade propõe que particulas sejam capazes de interagir umas com as outras de modo instantâneo e independente da distância que as separa teve origem em uma experiencia proposta por Einstein, Podolsky e Rosen para demonstrar que a mecânica quântica era absurda. O experimento é descrito de forma simplificada por David Bohm (Bohm 2001):

``Considere uma molécula de spin $frac{hbar}{2}$. Suponha que esta molécula seja desintegrada por um método que não modifique o spin de nenhum dos atomos. O spin total permanece, entáo, igual a zero, até mesmo quando os átomos estão se separando e deixam de interagir apreciavelmente.

Ora, se qualquer componente do spin de um dos átomos (digamos, A) for medido, então, pelo fato de ser zero o spin total, podemos imediatamente concluir que esse componente do spin do outro átomo (B) é exatamente o oposto. Logo, medindo-se qualquer componente do spin do átomo A, podemos obter o valor desse componente do spin do átomo B, sem que para isso precisemos interagir de qualquer maneira com o átomo B.''
De acordo com o principio da incerteza de Heisenberg, somente um componente do spin pode ser claramente definido no instante em que é medido enquanto os outros 2 estão sujeitos a flutuações aleatórias. Então, o conhecimento preciso das componentes do spin ventram em desacordo com a Mecânica Quântica.

Em resposta ao experimento EPR, Niels Bohr argumentou que o quantum é indivisível e que toda vez que duas entidades se combinam para formar um único sistema (mesmo que por um curto intervalo de tempo), o processo causador desta não é divisível e as duas entidades se compotrariam como um único sistema, independente da distância que os separam. O processo de comunicação entre as duas entidades foi batizado de entrelaçamento quântico também conhecido como correlacionamento de estados quânticos.

Bohm defendeu que a aparente interação instantânea entre as duas entidades demonstrava, na verdade, que a descrição oferecida pela mecânica quântica estava incompleta e que a comunicação entre elas era intermediada por variáveis ainda desconhecidas, apelidadas de variáveis ocultas.

Em 1964, John Bell mostrou que os efeitos do entrelaçamento quântico poderiam ser discernidos dos efeitos de teorias locais de variaveis ocultas e sua proposta ficou conhecida como desigualdades de Bell. Em 1969, o desenvolvimento da desigualdade CHSH (Clauser, Horne, Shimony & Holt 1969) possibilitou que a proposta de Bell fosse testada experimentalmente. Experimentos foram realizados no início da década de 1970 mas as condições ainda não eram ideais. Avanços tecnológicos permitiram que uma nova série de experimentos fossem executados por Aspect et al no inicio da década de 1980. Os experimentos apresentaram resultados favoráveis a não-localidade.

No final da década de 1980, uma nova geração de experimentos foram realizados, neles, as condições da particula eram modificadas durante a execução do experimento de modo a alterar o comportamento delas. Com a grande distância entre as particulas (algumas vezes chegando a 12 km), era possível assegurar que nenhum tipo de transmissão local era possível e, ao final do experimentos, as particulas se mostraram correlacionadas (Aspect 1999).

Novos avanços seguiram, em 1989 surgiu o experimento GHZ (Greenberger, Horne & Zeilinger 1989) onde são utilizados mais do que 2 detectores (ou observadores) e em 1990 a desigualdade de Mermin (Mermin 1990) defende que a violação da desigualdade de Bell aumentaria exponencialmente com o número de particulas em estado de entrelaçamento. A força estatística de cada um dos arranjos experimentais mencionados foi recentemente calculada por van Dam et al mostrando que os experimentos do tipo GHZ oferece provas um grau de magnitude mais forte do que os do tipo executado por Aspect. (van Dam, Gill & Grünwald 2003)

Teorias Holográficas

Nas últimas décadas a teoria holográfica foi proposta em diversas ocasiões como interpretação para fenômenos não-locais. Entre as formulações destaca-se o modelo de Pribram para o cérebro, a teoria da ordem implicada de Bohm e o princípio holográfico.

O conceito de Holograma

Um holograma é uma fotografia tridimensional feita com a ajuda de um laser. Para fazer um holograma, o objeto a ser fotografado é primeiro banhado com a luz de um raio laser. Então um segundo raio laser é colocado fora da luz refletida do primeiro e o padrão resultante de interferência (a área aonde se combinam estes dois raios laser) é capturada no filme. Quando o filme é revelado, parece um rodamoinho de luzes e linhas escuras. Mas logo que este filme é iluminado por um terceiro raio laser, aparece a imagem tridimensional do objeto original.

A tridimensionalidade destas imagens não é a única característica importante dos hologramas. Se o holograma de uma rosa é cortado na metade e então iluminado por um laser, em cada metade ainda será encontrada uma imagem da rosa inteira. E mesmo que seja novamente dividida cada parte do filme sempre apresentará uma menor. Diferente das fotografias normais, cada parte de um holograma contém toda a informação possuída pelo todo.

É, no entanto errôneo afirmar que a informação contida em cada metade do holograma ficou inalterada, na verdade, deve-se comparar a divisão de um holograma com a divisão de uma janela. Ao dividir-se uma janela em duas partes não observa-se metades de paisagem em cada janela, mas deixa-se de poder observar a paisagem pela janela em determinados ângulos. Ou seja, ao cortar-se o holograma, não estamos perde-se informações sobre determinada região da imagem mas sim de determinados ângulos em que a imagem pode ser observada. Paralelamente ocorre perda de nitidez no holograma. Caso não houvesse nenhum tipo de perda ao dividir-se o holograma, ter-se-ia uma mídia para armazenamento de dados com capacidade infinita.

O conceito holográfico não deve, no entanto se limitar a diferentes ângulos de uma mesma imagem, qualquer tipo de informação, visual ou não pode ser armazenada em mídia holográfica, deste modo, não faz sentido relacionar-se exclusivamente ângulos ao nível de detalhamento da informação. O importante é o modo como a informação é armazenada e seus detalhes correlacionados.

O modelo de Pribram

O fisiologista Karl Lashley, realizou experimentos por mais de 30 anos na tentativas de localizar o engrama (local e estrutura responsavel pela memoria). Treinava ratos para realizar tarefas tais como correr em um labirinto e posteriormente mutilava o cérebro dos ratos a fim de isolar o engrama (Lashley 1950).

Em todas as experiencias, a mutilação cerebral prejudicou um pouco o desempenho do animal mas em momento nenhum apareceram indicios de que o traço de memoria relacionada ao treino ter desaparecido por completo. Os experimentos de Lashley se mostraram insuficientes para isolar o engrama , Lashley concluiu que a memoria deveria se encontrar distribuida e repetida pela extensão cerebral. Observações futuras mostraram que a queda no desempenho dos ratos era diretamente proporcional à massa cerebral retirada.

Os experimentos de Lashey são um tanto simplistas para serem aplicados em cérebros mais complexos como os dos mamiferos superiores mas suas conclusões parecem se estender a todos os animais. (Pietsch 1981)

Um fisiologista chamado E. Roy John e seus colaboradores desenvolveram um metodo para detectra sinais de memoria ativa em cérebros vivos de ratos e gatos (Talbot 1999). O mesmo sinal aparece em vastas regiões do cérebro,confirmando as previsões de Lashley.

O neurocientista Karl Pribram, que trabalhou por algum tempo sob orientação de Lashley, conhecia detalhadamente os experimentos realizados e, ao fim da década de 1960, lendo artigos sobre o funcionamento e a construção dos primeiros hologramas fotográficos, imaginou que o cérebro poderia funcionar de maneira similar e em 1966 escreveu o primeiro artigo associando o armazenagem de dados pelo cérebro à armazenagem de informações por um holograma dando inicio a teoria do cérebro holográfico (Pribram 1966).

Um dos criticos ao trabalho de Pribram, o professor Paul Pietsch, julgava absurda a teoria da mente holografica já que esta tinha implicações totalmente contrarias ao conhecimento e ao senso comum da época. Revoltado com o aparente absurdo da teoria, Pietsch resolveu se dedicar a derrubar-la e relegar-la ao esquecimento. Pietsch idealizou uma serie de experimentos onde com uma serie de cirurgias e transplantes embaralharia o cérebro de uma salamandra na esperança de afetar o processamento da memoria e das demais funções cerebrais. Pietsch falhou e se viu obrigado a examinar e testar cuidadosamente as predições da teoria holografica.

Segundo Pietsch, não pode-se comparar adequadamente o holograma neural com um holograma optico. Para definir o estado de uma onda é necessário conhecermos sua amplitude e sua fase. Todas estas informações são aproveitadas por um holograma optico mas como as freqüências e energias encontradas nos neuronios não são comparaveis às da luz, Pietsch afirma que um holograma neural não teria condições de retirar codificar/decodificar informações aproveitando a amplitude dos sinais neurais. O holograma neural seria similar a um holograma acustico (Zuccarelli 1983) que é sensivel apenas as variações de fase de uma onda.

O modelo de Pribram propõe que a memoria não seria armazenada de modo sequencial como em um computador ou qualquer outro tipo de registro a que estamos acostumados mas sim em camadas de modo que cada unidade de memoria aumentará o nivel de detalhamento das informações ao invés de adicionar novas informações.

"A teoria diz que o cérebro, num dos estágios de processamento, executa suas análises no domínio das freqüências. Isto é realizado nas junções entre neurônios e não dentro deles. Desse modo, aumentos e diminuições locais, graduados de potenciais nervosos (ondas), de preferência a impulsos nervosos, são os responsáveis por isto. Os impulsos nervosos são gerados dentro dos neurônios e são usados na propagação dos sinais que constituem as informações ao longo de grandes distancias, através de extensas fibras nervosas. As variações de potencial, locais e graduadas, isto é, as ondas, ocorrem nas extremidades destas fibras nervosas, onde elas se ligam a ramos mais curtos que formam uma rede de interconexões entre neurônios. Alguns deles, agora chamados neurônios de circuito local, não possuem fibras longas e não apresentam impulsos nervosos. Funcionam basicamente, no modo de onda graduada, e são especialmente responsáveis pelas conexidades horizontais em lâminas de tecido nervoso, conexidades nas quais podem vir a ser construidos padroes de interferência semelhante aos holográficos.

Ao lado dessas especificações anatômicas e fisiológicas, acumulou-se um sólido corpo de evidencias, indicando que os sistemas auditivo, somático-sensorial, motor e visual do cérebro realmente processam, em um ou varios estágios, a entrada, vida dos sentidos, no domínio das frequências. Essa entrada distribuida deve então, de algum modo, talvwz por meio de mudanças na estrutura de proteinas nas superficies da membrana, ficar codificada sob a forma de traços de memoria distribuidos. As moleculas de proteina desempenhariam um papel auxiliar no holograma fotográfico neural." (Wilber et al 2001)

Modelo de Bohm

Inspirado por um anuncio de televisão, David Bohm desenvolveu em Londres um aparato composto por dois cilindros de vidro concentricos onde entre eles ficava um fluido muito viscoso tal como a glicerina. Os cilindros eram girados muito lentamente de modo a não ocorrer mistura do liquido viscoso.

O experimento de Bohm consistia em pingar uma goticula de tinta insolúvel neste fluido viscoso e gira-lo lentamente até que a goticula se estique transformando-se numa linha e posteriormente em um filamento muito fino, invisivel ao olho humano. Girando o fluido no sentido oposto, é possivel retomar este filamento invisivel ao estado original de goticula, visivel aos nossos olhos. Bohm dizia que ela foi dobrada dentro do fluido quando a goticula se tornou um filamento invisivel e desdobrada quando o filamento retornou a sua forma original.

Bohm comparava a goticula e o filamento invisivel com o que chamou respectivamente de realidade manifesta e realidade não-manifesta. Da mesma forma que a goticula é o filamento invisivel desdobrado, Bohm acreditava que a materia (realidade manifesta) era o desdobramento da energia (realidade não-manifesta) , fato que será discutido com maior detalhadamento em um momento posterior. As profundas implicações da teoria da ordem dobrada ou ordem implicada aparecem quando introduzimos novas gotas de tinta ao experimento anterior e analisamos a conexão entre elas.

Imagine que temos a goticula de tinta em sua forma dobrada dentro do fluido e, pingamos outra goticula desta tinta no fluido viscoso. Dobra-se a nova goticula para dentro do fluido e percebe-se que as duas goticulas parecem estar reduzidas a mesma coisa. A unica diferença perceptivel está no fato de que, ao girar-se o fluido na direção oposta, uma gota se desdobrara primeiro que a outra, ou seja a distinção existe na ordem desdobrada ou ordem explicada. Com isto, Bohm afirma que entidades aparentemente distintas estariam conectadas na ordem implicada.

O senso comum defende que cada ponto do espaço e do tempo são distintos e separados de qualquer outro ponto, e que todo tipo de correlação ou comunicação entre eles ocorre com pontos adjacentes ou contiguos no espaço-tempo. Na ordem dobrada, percebemos que quando dobra-se uma goticula, ela passa a estar na coisa toda e em cada parte dessa coisa toda e contribui para ela. Quando adiciona-se uma nova goticula, as duas se encontram em posições diferentes, mas quando são dobradas elas se distribuem através do todo mas ficam entremeadas, uma com a outra. Elas se interpenetram, mas, quando se desdobram, elas se separam-se e formam duas gotículas.

Na ordem dobrada, deve-se fazer distinção entre aquele todo que era produzir uma goticula aqui e um todo que produzirá uma lá e outro que produzira duas gotículas. A ordem habitual de descrição em física é a ordem cartesiana , na qual tom-se uma grade deste tipo e diz-se que todos os pontos são inteiramente extenos uns aos outros e possuem apenas relações de contiguidade. Pode-se, por exemplo, construir uma curva contínua, mas se dobrar-se essa curva obtater-se-á um todo onde tudo se interpenetra e, no entanto, esse todo poderá desdobrar-se numa curva contínua. Outra curva continua poderia ser dobrada e o resultado pareceria quase o mesmo, no entanto, as duas curvas seriam diferentes. Cria-se então, a necessidade de estabelecer um conjunto de distinções entre as duas curvas , diferentes das encontradas na ordem cartesiana comum.

O campo contínuo é um modelo cartesiano onde todas as conexões são contiguas; isto é, o campo conecta-se apenas com elementos de campo muito proximos a ele no espaço-tempo não apresentando nenhuma conexão direta com elementos distantes. O mesmo não ocorre na ordem dobrada, se utilizando o aparato mencionado dobra-se diversas goticulas de tinta de modo que para desdobrar uma goticula seriam necessárias 1 volta, para uma outra goticula; 2 voltas e; para uma terceira 1 milhão de voltas.

Todas as goticulas estão muito proximas em termos espaciais, estão entremeadas , envolvendo o cilindro. No entanto, ao desdobrar-se as goticulas, cria-se uma noção de proximidade entre a primeira e a segunda goticula ao passo que a terceira aparenta estar muito distante. Tal conexão ou proximidade nada tem haver com a localização pois as goticulas ocupam o mesmo espaço. Uma relação com o tempo também é incorreta pois a distancia temporal depende da velocidade com que o cilindro será girado, sendo impossivel estabelecer um numero absoluto e preciso nesta grandeza. As gotas estão separadas em termos de ordem de dobra e apenas isso, já que não é possivel estabelecer uma relação espaço-temporal para as duas goticulas.

De modo analogo, pode-se imaginar situações em que duas goticulas estejam distantes localmente mas se encontrem proximas na ordem dobrada.

É esta conexão não-local que aproxima as ideias de Bohm do modelo holográfico, sendo possível enxergar o holograma como um sistema de armazenamento de informações na ordem dobrada. Bohm descreve compara o holograma com uma lente. Assim como descrições usuais da realidade correspondem a uma lente pela qual a enxerga-se, o holograma funciona como ``lente'' para descrições da ordem implicada. (Bohm 2001).

Princípio Holográfico

O principio holográfico surgiu enquanto físicos estudavam uma forma de calcular a entropia de um buraco negro. A entropia de um sistema físico pode ser utilizada para descrever o grau de desordem do sistema, quanto mais desordenado, maior a entropia. A segunda lei da termodinâmica estabelece que a entropia de um sistema pode permanecer inalterada ou aumentar mas nunca diminuir.

Em 1974, Hawking propos a seguinte fóruma para cálculo da entropia de um buraco negro :


egin{displaymath}
S=frac{Akc³}{4hbar G}end{displaymath} (10)

onde $A$ = área o horizonte de eventos de um buraco negro, $hbar$ é a constante de plank, $k$ a constante de Boltzmann, $G$ a contante gravitacional de Newton e $c$ a velocidade da luz.

Substituindo os valores constantes por uma contante única, P, temos :


egin{displaymath}
S=Pcdotfrac{A}{4}end{displaymath} (11)

Ou seja, a entropia de um buraco negro é diretamente proporcional a $frac{1}{4}$ de sua área de horizonte de eventos (Hawking 2001).

Em 1995, Leonard Susskind publicou um trabalho onde considerou uma massa qualquer, aproximadamente esférica, isolada e de área $A$ pudesse colapsar e formar um buraco negro. O buraco negro formado teria uma área de horizonte menor do que $A$ e a entropia , portanto, menor do que $frac{A}{4}$. De acordo com a segunda lei da termodinâmica, a entropia do sistema antes de colapsar, também era menor do que $frac{A}{4}$. Mas e se a massa não puder colapsar em um buraco negro ?

Em 2000, Bekenstein demostrou que um pequeno buraco negro pode ser usado para converter o sistema em um outro buraco negro. Seria então possível afirmar que a entropia de qualquer objeto é menor do que $frac{1}{4}$ de sua área. (Bekenstein 2003)

Uma vez que é possível descrever um objeto através de sua entropia (t Hooft 2000), o universo poderia ser descrito em menos de $frac{1}{4}$ de sua área. Isto equivaleria a dizer que o universo de 3 dimensões pode ser descrito de como completo em 2 dimensões tal como um objeto 3D representado em uma chapa holográfica plana.

Holorressonância

A holorressonância é um modelo em construção que visa explicar os aspectos físicos dos fenômenos psi dentro da concepção holográfica. Antes de aprofundar o desenvolvimento do modelo e realizar escolhas que representarão uma maneira particular de enxergar o princípio holográfico, o que , certamente acarretará em alguns equivocos e desacertos do modelo, foi decidido apresenta-lo em seu quadro mais geral como um ferramenta teórica a ser aplicado em outros modelos.

Holorressonância como ferramenta teórica

Os fenômenos psi não podem podem ser descritos apenas por seus aspectos físicos, existem outros aspectos como os psicológicos, fisiológicos e cognitivos que são fundamentais para o entendimento completo do psi. A tentativa de desenvolver modelos que expliquem apenas um determinado aspecto do psi ocasionou no surgimento de teorias que explicam as diversas facetas do psi mas possuem pouca ou nenhuma concordância entre si e acabam se tornando uma pilha de teorias desconexas e confusas para o pesquisador.

Por este motivo, a holorressonância é direcionada para uma abordagem de desenvolvimento teórico modular, onde para cada aspecto do psi é adotado um modelo teórico diferente e nas questões que envolvem mais de um aspecto, o desenvolvimento é realizado de forma incremental, através do cruzamento das predições dos diversos modelos e a minuciosa verificação da consistência dos dados conflitantes.

A teoria holográfica se limita a descrever os aspectos físicos do psi e, depende de refinamentos externos, advindos de resultados experimentias e de restrições impostas por outras teorias para que a descrição tenha precisão e detalhamento úteis para o pesquisador psi.

Dentro da proposta de desenvolvimento modular, a teoria holográfica pode sintetizar os mais diversos dados experimentais e as implicações das diversas teorias na forma de previsões teóricas mais específicas que poderão ser verficadas em experimentos futuros ou constrastadas com dados experimentais já existentes. O avanço do modelo é determinado pelos acertos e desacertos das previsões. Em caso de acerto, as hipóteses suporte do modelo avançam em seu grau de confiança, em caso de descacordo entre as previsões e os resultados, é necessário localizar qual modelo provocou o desacerto e revisa-lo ou substitui-lo.

Alguns podem argumentar que a substituição de um modelo incorreto por outro ainda não falseado poderia apresentar as mesmas características dos post hocs utilizados pelo pseudocientistas para manterem suas teorias válidas mesmo após terem sido minunciosamente analizadas e falseadas. De fato, com a possíbilidade de substituir os modelos que se mostram incorretos, não haveria, a princípio, argumentos capazes de falsear a teoria e, consequentemente, esta não poderia ser considerada científica.

Devemos, no entanto, lembrar que o modelo de desenvolvimento proposto não produz uma teoria independente e sim uma síntese de diversas teorias tidas como atuais e corretas. A representação estaria mais para um quadro geral dos avanços da pesquisa psi como ciência do que uma teoria psi. As teorias continuam a serem testadas e falseadas individualmente mas a síntese destes conhecimentos evolui continuamente com o tempo assim como o nosso conhecimeto sobre a matéria ou sobre os sistemas vivos.

Dentro deste modelo, cada teoria diferente seria tratado como um bloco distinto e os pontos onde um bloco influi em outro bloco como um ponto de conexão entre os dois blocos. Adotando esta perspectiva, poder-se-ia evoluir cada bloco de forma independente e concentrar o esforço de sintese nos pontos de conexão entre os blocos.

Na prática, já existe um elevado número de modelos teóricos e de resultados experimentais disponíveis, o ponto de partida seria selecionar e agrupar os modelos mais confiáveis e concentrar-se nos pontos de conexão entre eles e, a partir de um amontoado desorganizado de dados e teorias estabelece-se os primeiros blocos a serem utilizados no modelo mais amplo. Assim, pode-se trabar em blocos e concentrar nos pontos de conexão entre os diferentes blocos.

O Aspecto Físico

Como o enfoque deste artigo é a introdução a holorressonância, o bloco referente ao aspecto físico do psi terá como característica principal a validade do princípio holográfico. Conforme mencionado anteriormente o princípio holográfico independe de uma teoria física específica, torna-se apenas necessário que determinadas condições sejam validadas tais como a existência de uma teoria quântica para a gravidade que seja aplicável à teoria. Condições como o número de dimensões espaciais e temporais, sua forma e sua geometria dependerão de dados externos.

Considere-se por exemplo a hipótese de que seres humanos são capazes de prever e alterar o futuro. Supondo que como dado de confirmação tenha sido obtida a seguinte estatística : Em dias de acidentes, o número de passageiros em aviões, trêns e onibus intermunicipais é menor do que a média para o mesmo horário e mesma época do ano. Os dados foram cruzados com condições metereológicas e outros fatores que aumentem simultaneamente o número de acidentes e ausência de passageiros e a hipótese psi foi tida como provável.

O fato de um indivíduo poder prever o futuro e ao mesmo tempo traçar um futuro alternativo implica na existência de futuros alternativos ou histórias alternativas para o universo. Um dado do futuro foi acessado e confirmado (acidente) mas, alguns detalhes foram modificados : passageiros deixaram de embarcar por saberem que ocorreria um acidente.

Isso implica que o tempo possui mais do que uma dimensão ? Que a teoria das multiplas trajetórias de Feynmann (Sinha 1991) está correta ? Não poderiamos saber ainda, mas os dados já indicariam que a concepção clássica de espaço-tempo é insuficiente, restringimos o número de blocos teóricos compatíveis com o modelo que estamos desenvolvendo e, consequentemente caminhando em direção a uma descrição mais precisa do fenômeno psi.

O Modelo PMIR

O modelo PMIR (Psi-Mediated Instrumental Response) que vem sendo desenvolvido por Rex Stanford desde 1974 é um excelente candidato para compor o modelo de desenvolvimento modular. O modelo PMIR defende que nossa capacidade de processar informações é limitada pelo nosso gasto de energia e por isso nem toda informação psi disponível no ambiente poderia ser acessada.

O modelo propõe que existam filtros regulados pelas nossas necessidades que determinem o tipo de informação que deve ser buscada no ambiente. É proposto, também, que o psi tenha sua origem na evolução, e que o fenômeno possa ocorrer de modo espontâneo e até mesmo inconsciente. A teoria reune e sintetiza um grande número de experimentos realizados desde a década de 1960 e possui formulação testável e independente de outras teorias.

Embora algumas características do sinal psi sejam definidas, nenhuma proposta sobre como a informação psi é encontrada no ambiente ou sobre como os filtros propostos atuam na informação. No desenvolvimento modular proposto, a teoria holográfica pode fornecer pistas sobre como os mecanismos propostos pelo PMIR interagem com o meio físico. O PMIR, por sua vez proporciona refinamentos à teoria holográfica já que a abordagem evolucionária e a abordagem goal-oriented possuem implicações em questões como a causalidade e sobre a disponibilidade do sinal.

O Ganzfeld

Os experimentos Ganzfeld, desenvolvidos para buscar indícios de comunicação telepática entre 2 pessoas possuem como base teórica a suposição de que o sinal psi é extremamente fraco e que o ruido sensorial causado pelos 5 sentidos juntamente com a tensão interna do corpo é capaz de esconder o sinal psi.

Neste experimento participam 2 voluntários, o receptor e o emissor. O receptor descansa em cadeira reclinável em uma sala isolada de qualquer estimulo externo. Para reduzir a atividade sensorial, metades de bolas de ping-pong são colocadas nos olhos e iluminadas por lampadas vermelhas enquanto uma mistura aleatória de frequências é tocada nos fones de ouvido.

Em outra sala, o emissor tenta enviar telepaticamente informações sobre um alvo previamente selecionado que pode ser uma imagem ou um vídeo. Durante o transcorrer da sessão, o receptor, que não possui nenhum tipo de contato sensorial com o emissor, relata em voz alta todos os pensamentos e impressões que se passam em sua cabeça. Ao final da sessão, são apresentados ao receptor 4 alvos e pedido para que este escolha o alvo que mais se pareceu com suas impressões.

Os resultados dos experimentos até então realizados sugerem que o sinal psi realmente seja fraco pois o número de acertos registrados em sessões ganzfeld desvia-se pouco do esperado pelo acaso. É notável, no entanto, o aparecimento de acertos extraordinários onde ricos detalhes do alvo são relatados pelo receptor (Silva et al 2004). Este fato sugere que o sinal psi não seja necessariamente fraco mas que apenas não seja usualmente percebido com clareza.

A teoria holográfica possibilita explicações alternativas tais como a existência de uma curva de resposta de nossa percepção em relação as frequências na qual as informações se encontrariam armazenadas no domínio holográfico. Psi poderia estar localizado em um pouco onde o sinal é pouco percebido mas, a banda de percepção poderia mudar em estados alerados de consciência e o sinal psi ser percebido com maior clareza. A relação seria similar a lei de Weber-Fechner que descreve a curva de resposta que temos em relação a vários estímulos físicos. (Weber 1834, Fechner 1907)

Considerações Finais e Conclusões

Embora o princípio holográfico indique que seja possível representar o universo como um holograma, a correspondência entre o universo da forma como o percebemos e um holograma ocorre de maneira muito distinta da relação entre um objeto e sua representação holográfica. O holograma armazena a imagem 3D de um objeto mas não guarda sua estrutura interna. Isto é, o holograma de um ovo não possui informações sobre a gema do ovo. O holograma armazena apenas a área de contorno do objeto as demais informações são perdidas. No princípio holográfico não há perdas entre o universo como percebemos e sua representação holográfica o que significa que a correspondência entre as duas representações não é tão imediata.

Associar os fenômenos psi a hologramas não é uma idéia nova, entre as tentativas já realizadas destaca-se o livro ``The Holographic Universe'' (Talbot 1991), o livro ``O paradigma holográfico e outros paradoxos'' (Wilber at al 2001) e o modelo holográfico proposto por Razente & Silva (Razente & Silva 1999). Deve-se notar, no entanto, que existem diferenças fundamentais entre os fundamentos teóricos e estruturação da holorressonância e as teorias citadas. Wilber e Talbot introduzem elementos do holismo e do misticismo em suas teorias enquanto que Razente & Silva introduzem o conceito de campo holográfico.

A inovação da holorressonância em relação aos citados modelos está em sua estrutura modular e na não dependência entre o conceito holográfico e uma teoria física específica, fatores que permitem uma teoria versátil e que assimile com facilidade os mais diversos dados experimentais.

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