|
MACHADO, F. R. ; ALVARADO, C. S. . (1997). Sobre o
provincianismo em Parapsicologia. In: I Congresso Internacional e
Brasileiro de Parapsicologia. Recife: Anais do I Congresso
Internacional e Brasileiro de Parapsicologia. Recife: IPPP,
1997. v. 1. (pp. 75-88)
Fátima Regina Machado .*& Carlos S.
Alvarado**
Já de longa data, ouvem-se rumores - que vez por outra,
transformam-se em discursos inflamados - acerca do estabelecimento
de uma Parapsicologia puramente Latino-Americana ou de uma
determinada nacionalidade dentre os países que
compõem a América Latina. Como pesquisadores
integrados ao contexto internacional que somos, nos vemos
preocupados com essa posição e sentimos a necessidade
de discuti-la e expressar nossas opiniões acerca dessa
postura. Neste trabalho, falaremos a respeito dessas idéias
que se expandem no Brasil, em particular, o que não quer
dizer que este artigo não sirva de ponto de partida para uma
reflexão profunda sobre o que ocorre em outros
países.
Implicações históricas
O Brasil, assim como os demais países da América,
foi colonizado por europeus. Vale lembrar, porém, que a
colonização ocorrida em terras brasileiras divergiu
daquela ocorrida na América do Norte no que diz respeito aos
objetivos da ocupação das terras. Enquanto os
pilgrims buscavam construir uma nova nação, os
portugueses que aqui aportaram, da mesma forma que piratas franc
eses e outros povos europeus, visavam a exploração
dos recursos naturais, sem se importar com a formação
de um novo povo, sem dar importância ao desenvolvimento
cultural da vida mestiça que aqui se iniciava. As
conseqüências desse tipo de exploração de
recursos físicos e humanos são sentidas até
hoje. É verdade que o Brasil é um país em
desenvolvimento, mas se de um lado seus recursos
tecnológicos estão cada vez mais avançados, de
outro existem cada vez mais miseráveis que habitam as ruas e
crianças e adultos que morrem de sede, de fome e de frio. O
Brasil tornou-se independente de Portugal há mais de 100
anos. No entanto, pode-se dizer que o país ainda se
encontra, de certa forma, sob o jugo de grandes potências
econômicas, especialmente os Estados Unidos da
América.
Críticas são ouvidas da boca dos brasileiros em
relação ao governo e às
condições de vida no país. Mas o brasileiro
não deixa de dizer, sempre que lhe surge uma oportunidade,
que este é "o melhor país do mundo" e que "Deus
é brasileiro", demonstrando um comportamento
etnocêntrico. E ai daquele que disser o contrário!
Críticas, só da boca dos próprios brasileiros.
De fora, nada é permitido.
Esta postura é compreendida pela ligação
pátria que cada pessoa tem com a nação em que
foi nascida. Digamos que seja algo natural, mas que pode se
transformar em nacionalismo fanático. Isto, somado à
falta de "treinamento" para criticar e ser criticado(a), faz com
que, em certas ocasiões, as pessoas se fechem em um
provincianismo exacerbado, não enxergando - ou não
querendo enxergar - nada mais ao seu redor, a não ser suas
próprias idéias, suas opiniões, como forma de
defender seu próprio território. Talvez isto seja
resquício do desejo de libertar-se do explorador que
colonizou nossas terras. O problema é que essa postura faz
com que se perca contato com o que de bom podemos aprender com os
outros e que se deixe de ter a oportunidade de também
ensinar muitas coisas. Em resumo: deixa-se de crescer. Este
é um dos fatores que contribuem para que a Parapsicologia
continue sendo encarada de forma deturpada e popularesca,
não só pelo público em geral, mas
também por acadêmicos que, influenciados por
informações equivocadas sobre esse campo de estudo,
vetam projetos de pesquisas e cursos em universidades. Isto
dificulta o trabalho de pesquisadores sérios que não
dispõem de apoio acadêmico e financeiro às suas
atividades. Assim, o caminho fica aberto àqueles que se
valem da Parapsicologia para fins excusos.
"Ao ouvirmos falar em Parapsicologia no Brasil, nos vem
à mente um misto de idéias que envolvem crendices,
superstições, religiões, ocultismo. Realmente
observa-se uma miscelânea de assuntos e práticas que
foram abrigados sob o guarda-chuva denominado Parapsicologia para
onde tudo o que é estranho, bizarro e aparentemente fora do
normal foi empurrado. Por falta de conhecimento ou por pura
má fé, ao longo do tempo foram sendo semeadas
informações equivocadas em terras brasileiras sobre
essa "disciplina" difundida na Europa e, principalmente nos Estados
Unidos da América. Em termos de divulgação
popular, ventos trouxeram novidades sobre a pesquisa do paranormal;
ventos aqui trataram de espalhar a notícia em terras
brasileiras. Vivenciamos, todos os dias, capítulos de
histórias mal-contadas por pessoas que especulam a
Parapsicologia de forma equivocada, para não dizer, muitas
vezes, inescrupulosa. Como num jogo de telefone sem fio, pessoas
interpretaram as informações recebidas à sua
maneira, satisfazendo ansiedades particulares ou, encontrando nelas
uma pista para o enriquecimento e a fama." (Machado, 1996, p.
69)
Os provincianismos que nos cerceam
É interessante observar o comportamento paradoxal dos
brasileiros e demais latino-americanos. Por um lado, supervalorizam
tudo o que é estrangeiro, especialmente norte-americano.
Há um fascínio em relação ao que
é "made in USA", não só em termos de produtos
manufaturados, mas também de idéias, modismos etc.
É comum ouvir-se que esta ou aquela idéia é
corroborada por algum(a) autor(a) americano(a) ou de que os(as)
americanos(as) pensam da mesma forma. Porém, este
comportamento só aparece em relação
àquilo que interessa momentaneamente a pessoa de origem
brasileira ou latino-americana de um modo geral. De outro lado,
prega-se a valori zação de nossa terra, de nossos
costumes, de nossas idéias e produções em
detrimento do que ocorre em qualquer outra parte do mundo. Cabe
lembrar que esse comportamento etnocêntrico também
ocorre na relação entre os povos latino-americanos,
numa "concorrência" muitas vezes disfarçada, mas que
não deixar de ser visível.
Falando mais especificamente sobre Parapsicologia, um dos
problemas que enfrentamos no Brasil, assim como na América
Latina em geral, é o fato de que há pessoas na
área são sumamente nacionalistas e rechaçam as
culturas estrangeiras, especialmente a norte-americana. Isto se
deve, em grande parte, ao imenso controle que os Estados Unidos
têm no mercado internacional e na cultura a nível
internacional. Defende-se a idéia de que temos que encontrar
nosso próprio padrão de pesquisas, libertando-nos da
Parapsicologia americana e/ou européia. Acaso, porém,
um grupo de psicoterapeutas brasileiros que resolvesse realizar
trabalhos em sua área no Brasil, por exemplo, poderia
desconsiderar tudo o que já foi e está sendo feito e
discutido a respeito de psicoterapia a nível internacional?
Impossível. Ainda que esse grupo quisesse criar uma nova
"escola" em psicoterapia, apenas através da
atualização em sua área e do intercâmbio
de informações com outros psicoterapeutas é
que isto poderia ser feito. O mesmo ocorreria em
relação a um grupo de químicos,
físicos, matemáticos, médicos etc. Em primeiro
lugar, deve-se lembrar que só há possibilidade de
criticar e de propor algo novo quando já se conhece muito
bem determinado campo de estudo; o isolamento e a
desconsideração dos avanços no campo a
nível mundial não permitiriam essa
atualização imprescindível. Em segundo lugar,
o que se produz em ciência deve ser publicado a fim de ser
conhecido e poder ser criticado e/ou contribuir para os campos de
estudo. Criar "igrejinhas" não é fazer
ciência.
Como fundar uma Par apsicologia brasileira, ou argentina, ou
mexicana etc., apartando-nos do que ocorre no resto do mundo?
Talvez essa "tentação" resulte do fato de que no
campo parapsicológico, assim como em outros campos
científicos, enfrentemos o grave obstáculo das
barreiras de linguagem. A língua oficial da Parapsicologia
é o inglês, o que causa uma série de
dificuldades devido ao fato de que muitos de nossos colegas
não dominam essa língua. Talvez até mesmo por
problemas de linguagem a Parapsicologia experimental nos moldes
americanos não tenha se desenvolvido com entusiasmo na
América Latina, assim Espanha, na França na
Itália. Nesses países encontramos alguns
interessados, como, por exemplo, Piero Cassoli e Bruno Severi, na
Itália, do Instituto Italiano, que publica os Quaderni de
Parapsicologia, (Beloff, 1993, p.155) mas são muito poucos.
Apesar de contar com algumas pesquisas já realizadas e
outras em andamento, o Brasil, assim como os outros países
latino-americanos, não tem ainda tradição na
pesquisa experimental e tampouco nas pesquisas de campo em
Parapsicologia.
"Estamos em uma posição de espectadores e
comentaristas do passado da Parapsicologia, dos onceitos que os
parapsicólogos estrangeiros nos oferecem e como observadores
dos estudos que realizam. Há uma espécie de
dominação consentida. Mas, há uma outra forma
complementar de compreender tal situação: não
temos tradição em Parapsicologia e o que fizemos
até agora foi uma tentativa de reconhecer o campo. Nossa
preocupação com o aspecto didático talvez seja
melhor compreendida por tal posição. Não
estamos só transmitindo informações e educando
o povo; estamos nos educando, fazendo-nos conhecedores do que
é a Parapsicologia." (Zangari, 1996, p. 249)
"Alguns não conseguem fazer pesquisas por falta de
treinamento e outros fazem investigações sem ter
conhecime ntos sobre a metodologia necessária para realizar
esses estudos. Isto inclui conhecer a importância do uso
apropriado da estatística, grupos de controle,
condições encobertas, ou o controles de tantos outros
problemas (por exemplo, em experimentos há um problema
chamado stacking effect, em que os resultados da
percepção extra-sensorial podem ser artificialmente
exagerados se todos os sujeitos adivinharem os mesmos alvos). Cada
um de nós poderia ajudar o campo treinando a si mesmo em
pesquisa científica através de estudos
universitários de outro tipo." (Alvarado, 1996, pp. 227
e 228)
"A deficiência em noções de
estatística é um problema que não só se
encontra entre os que iniciam no campo, mas principalmente entre os
profissionais. Aqueles que compreendem a Parapsicologia, em sua
grande maioria, conhecem pouco de estatística. O mesmo
ocorre com os entendidos em estatística: não
têm interesse na avaliação dos dados obtidos
pelos parapsicólogos, o que termina por diminuir a
motivação para a publicação de
pesquisas no campo." (Barrionuevo & Pallu, 1996,
p.254)
A questão das barreiras de linguagem foi largamente
discutida especialmente por Alvarado (1993) no artigo "Barreiras de
Linguagem em Parapsicologia", aliás, publicado em
inglês, espanhol e português. Esta é uma das
principais preocupações da Associación
Iberoamericana de Parapsicologia (AIPA), fundada em 1995, que tem
se mobilizado a fim de juntar esforços para, entre outras
atividades, traduzir artigos publicados em línguas
diferentes do espanhol e do português em revistas
especializadas. Desta forma, procura-se facilitar o acesso a
informações sobre pesquisas e discussões
realizadas especialmente nos Estados Unidos e Europa.
"Outro obstáculo que também não permi te
um maior avanço do conhecimento da Parapsicologia é,
certamente, a barreira de linguagem. As mais importantes
publicações do tema estão em língua
inglesa e sua tradução a outros idiomas está
obviamente condicionada a suas possibilidades comerciais,
especialmente se se trata de livros. Infelizmente, se são
revistas especializadas, deparamo-nos com mais alguns problemas:
não são facilmente compreensíveis para aqueles
que estão se iniciando no tema, e são
publicações difíceis de localizar."
(Monroig Grimau, 1996, p. 257)
Temos que admitir que ainda estamos engatinhando em
Parapsicologia e que os recursos humanos e tecnológicos
disponíveis nos EUA e na Europa são muito melhores
que os nossos. É a realidade, e dela não podemos
fugir. Devemos, sim, nos esforçar para melhorar nossa
"performance" como parapsicólogos. Atualmente, com a
globalização de informações, tudo
acontece muito rápido. A internet é um recurso
fantástico.
"Temos muitas vantagens sobre os fundadores da SPR [Society
for Psychical Research, fundada em 1882] e da PA [Parapsychological
Association, fundada em 1957]. Podemos coordenar pesquisas a longas
distâncias e projetos de publicação e
educação. Podemos identificar e compartilhar
recursos. Se Ramon Monroig, no México, traduziu um artigo
que Carlos Alvarado e eu, em Porto Rico, queremos publicar e
Alejandro Parra quer distribuir na Argentina, os documentos e as
discussões flem pela internet quase com a mesma
eficiência com que se estivéssemos conversando de
escritório em escritório." (Zingrone, 1996, p.
238)
Mas não se pode esquecer que o domínio pelo menos
da língua inglesa, é imprescindível.
Aliás, o estudo de línguas é fundamental para
quem pretende se aventurar pelos meandros científicos.
Porém, h á que se escolher línguas que sejam
"úteis" como ferramenta de trabalho. Grego e aramaico, por
exemplo, podem ser línguas lindas e interessantes, mas no
caso da Parapsicologia de nada servirão, a não ser
que alguém se proponha a investigar relatos de
experiências psi ocorridas na Antiguidade que se encontram
documentados em manuscritos originais.
É claro que há uma certa resistência por
parte de pesquisadores de língua inglesa em considerar
trabalhos escritos em outras línguas que não o
inglês. Este também é um comportamento
etnocêntrico, que também denota provincianismo.
Não deve ocorrer, porém, a
cristalização dessas posturas etnocêntricas,
pois se cada um dos lados se mantiver imóvel em sua
posição, em nada conseguiremos progredir. Daí
a importância do intercâmbio entre pesquisadores de
vários países. Como derrubar as barreiras existentes
se não houver contato, se um não conhecer o trabalho
e as idéias do outro?
Obviamente os brasileiros, assim como os demais povos
latino-americanos, têm grande potencial criativo e podem
propor novos rumos nas pesquisas parapsicológicas. Mas, como
já foi dito, isto tem que ser feito a nível de
comunidade científica.
Evidentemente, os fenômenos psi estão intimamente
ligados a questões sócio-culturais que são
fundamentais para a significação da experiência
para a vida da pessoa dos sujeitos que a ela são submetidos.
Nesse sentido, carecemos de estudos voltados a nossas culturas e,
portanto, de estudos comparativos com outras culturas. Não
há problemas em que se faça uma Parapsicologia
sensível à nossa cultura e às nossas
necessidades como povo. O problema é rechaçar tudo o
que venha dos Estados Unidos só pelo fato de que é
norte-americano, dizendo que não é relevante de forma
alguma para nossas necessidades. Isto é um exagero que
não está baseado em procedimentos empíricos.
Há evidência s que mostram que a psicologia feita em
outros países é aplicável à
América Latina. Carlos Alvarado e Nancy Zingrone, que
têm vivido em Porto Rico, têm encontrando nesse
país as mesmas relações entre a
absorção e as experiências
parapsicológicas que se encontram em estudos feitos em
outras partes do mundo. Fátima Regina Machado e Wellington
Zangari que realizaram uma pesquisa de levantamento de dados em
São Paulo, Brasil, (Zangari & Machado, 1996) encontraram
correlações entre seus resultados e os de outras
pesquisas do mesmo tipo. Não devemos esquecer que apesar das
diferenças culturais, também temos muitos aspectos em
comum como seres humanos.
É completamente absurdo não aceitar ou desprezar
os resultados internacionais e pretender que possamos formar
profissionais em Parapsicologia sem ensinar-lhes cultura
parapsicológica internacional. A Parapsicologia não
é européia, americana, latino-americana ou o que quer
que seja. Ela não tem nacionalidade, uma vez que se destina
a investigar algo próprio da natureza humana. A
Parapsicologia é uma ciência internacional que tem que
ser estudada em sua totalidade e tem que ser avaliada empiricamente
para decidir, em cada contexto sócio-cultural o que se
aplica ou não à nossa cultura. Dizer, por exemplo,
que o experimento ganzfeld não se aplica aos
brasileiros é absurdo quando ainda não foram feitas
investigações em quantidades suficientes e em
condições ideais, dadas dificuldades econômicas
e - infelizmente - políticas em nosso meio. Antes de tudo,
temos que ser empíricos e colocar à prova nossas
idéias através da investigação.
"...uma disciplina como a Parapsicologia, que em
essência precisa demonstrar a credibilidade dos
fenômenos estudados e examinar o 'modus operandi' dos mesmos,
não poderá impactar a comunidade científica
com um discurso que não seja complementado pela
investigaç ão rigorosa de seus parâmetros."
(Martínez Taboas, 1996, p. 235)
Contudo, não podemos ser ingênuos e pensar que
trancando-nos no laboratório ou detendo-nos em nossos
próprios estudos e pesquisas estaremos resolvendo nosso
problema. Há que haver um equilíbrio entre as
discussões teóricas e a execução de
investigações. E para bem executar essas "tarefas",
novamente chamamos a atenção para a importância
do "saber criticar" e "ser criticado(a)", o que nós,
latino-americanos de um modo geral, ainda não aprendemos.
Através das críticas feitas aos nossos trabalhos
podemos aperfeiçoá-los e ter insights para
futuras pesquisas. Porém, se tomarmos as críticas
como ofensas pessoais, não chegaremos a lugar algum. Da
mesma forma, é preciso saber criticar. A crítica pela
crítica, de nada vale. A crítica agressiva,
fundamentada em questões pessoais, também em nada
acrescenta.
"... há que se reconhecer que as dificuldades no que
se refere à crítica de projetos ou de trabalhos
são muito grandes. Nos Estados Unidos estamos acostumados
à ocorrência de atritos nos seminários e, no
entanto, vamos almoçar juntos sem brigarmos. Se não
existe a discussão de idéias, projetos, ou a recusa
de trabalhos inválidos, então não há
ciência." (Feola, 1996, p. 241)
Como já foi dito, há uma causa maior para se
lutar: o reconhecimento da Parapsicologia como disciplina
científica e o esclarecimento de seus objetivos à
população em geral. Para isto, devemos nos unir,
juntar esforços, colaborar para melhorar nosso desempenho de
cientistas em conjunto.
Conclusão
Para concluir, gostaríamos delembrar, mais uma vez, dois
pontos fundamentais:
1. A comunidade científica parapsicológica - assim
como qualquer outra comunidade científica - não tem
nacionalidade. Fazemos parte de uma mesma família que luta
por um mesmo objetivo, no caso, o desenvolvimento da
Parapsicologia. Se há colegas que se comportam de forma
provinciana, em vez de "devolver na mesma moeda" esse
comportamento, devemos nos esforçar para lhe mostrar o
quão prejudicial é esse tipo de postura.
2. A humildade é fundamental para o nosso crescimento
pessoal e científico. Não nos referimos ao
rebaixamento e auto-depreciação, mas à
humildade de reconhecer que podemos errar, de que nem sempre todos
concordarão conosco e de que ninguém termina o
processo de conhecimento em um campo de estudo. Há sempre
algo de novo para se aprender, pois o mundo, a cultura, a
ciência e o próprio ser humano são
dinâmicos.
"Muitas vezes o investigador que comete um erro o faz por
inexperiência metodológica ou falta de
informação, e é necessário admitir que
um momento de distração ou descuido pode fazer com
que isso aconteça até com o cientista mais
brilhante." (Villanueva, 1996, p. 248)
Seria muito importante que os
parapsicólogos/parapsicólogas que nutrem posturas
extremas de desenvolvimento de um campo estritamente brasileiro (ou
argentino, ou mexicano etc.), saíssem de seus países,
viajassem, conhecessem ou, pelo menos entrassem em contato com o
que se faz na Koestler Chair of Parapsychology (Universidade
de Edimburgo/Escócia), no Rhine Research Center,
(antiga Foundation for Research on the Nature of Man,
Durham/NC, EUA) e que assistissem às
convenções da Parapsychological Association
para que ampliem seus critérios, para que se eduquem e que
percebam como é necessário, atualmente, ter uma mente
aberta, e ter contato com pesquisadores/pesquisadoras de outros
países. Essas oportunidades de contato também
são importantes para mostrar o que estamos realizando aqui,
e, assim, quebrar as barreiras que nos separam. Não devemos
ser provincianos. Devemos ser cidadãos do mundo no que se
refere à Parapsicologia. Se não for desta forma, a
Parapsicologia na América Latina se converterá em uma
dessas ideologias sócio-políticas tão comuns
em nossos países, que limitam a mente das pessoas de modo
que elas não podem enxergar nada de valor fora de seu mundo
limitado.
Tratemos de encontrar um equilíbrio. Aprendamos o que a
literatura internacional nos ensina e, ao mesmo tempo, prestemos
atenção à nossa cultura. Mas, façamos
isto de forma empírica, realizando pesquisas. Em vez de
criar barreiras, devemos abrir novas portas, novas vias de
comunicação. O mundo atual é uma
combinação de respeito a nossas culturas e
necessidades específicas e de uma união progressiva
com outras culturas, paradigmas e pontos de vista, não
importa de onde estas venham. Este é o futuro da
Parapsicologia em nossos países. Se não prestarmos
atenção a estas dimensões da
comunicação humana no Século XX, estaremos nos
estrangulando, eliminando a nós mesmos. A decisão
é nossa. Desejamos, sinceramente, que todos nós nos
abramos à expansão, à união e à
percepção de que, apesar de nossas diferenças,
somos muito mais parecidos do que acreditamos.
**Carlos S. Alvarado, Ph.D.
Chairman: International & Domestic Programs
Parapsychology Foundation, Inc.
228 East 71st Street
New York, NY 10021,
USA
Email: alvarado@parapsychology.org
*Fátima Regina
Machado
Diretora-Executiva do Centro de Estudos Peirceanos,
Coordenador do Inter Psi
Grupo de Estudos de Semiótica,
Interconectividade e Consciência,
do CEPE, COS, PUC-SP.
E.mail:pesquisapsi@gmail.com
|