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Ganzfeld Digital Fisiológico: Em Busca de uma medida mais objetiva para psi PDF Print E-mail
Written by Administrator   
quarta, 23 março 2005

Sibele Pilato, Reginaldo Hiraoka, Fabio Eduardo da Silva  


Faculdades Integradas “Espírita” - Curso de Parapsicologia

Centro Integrado de Parapsicologia Experimental - CIPE - Laboratório de Pesquisa ganzfeld 

Curitiba - Brasil


Resumo

Este estudo é baseado em nossa pesquisa Ganzfeld manual, na qual dados qualitativos foram avaliados indicando 2 pontos que precisavam ser melhorados: a) as análises de qualidade dos relatos relacionados com os alvos ou com situações ligadas ao emissor precisam ser mais objetivas. O sistema Ganzfeld Digital de Tempo Real desenvolvido pelo Dr. Adrian Parker e Dr. Joakim Westerlund, da Universidade de Gothenburg, Suécia, fornece ferramentas para isso; b) a metodologia convencional usada para avaliar psi, ou a escolha do alvo correto entre os falsos, deveria ser mais objetiva, desde que os dados qualitativos mostraram erros mais sugestivos de psi do que vários acertos. Com base nisso será verificado se a integração da técnica Ganzfeld Digital (sistema de tempo real para avaliar os aspectos cognitivos da psi) com a técnica DMILS - Direct Mental Interactions with living Systems - (mensuração da resistência elétrica da pele como medida fisiológica da psi) produziria uma medida mais objetiva para psi. Também serão avaliadas outras variáveis relacionadas aos alvos, pesquisadores, ambiente experimental, emissores e receptores. Todo o experimento será controlado por computadores, desde a aleatorização e a apresentação dos alvos até o registro dos dados experimentais. O desenho básico inclui o emissor, o qual assistirá a um vídeo e tentará transmiti-lo para o receptor, o qual estará noutra sala a 60 m. de distância. O Pesquisador e os sujeitos ouvirão um relaxamento de 20 minutos. O receptor terá seus olhos recobertos com meias bolas de pingue-pongue, sobre as quais incidirão duas luzes vermelhas, ele ouvirá um chiado branco durante a sessão experimental. Ao final do período de emissão/recepção (23 m.) o receptor assistirá a 4 vídeos tentando identificar qual deles lhe fora transmitido. Os vídeos (alvos) digitais de 1’30’’ serão projetados para o emissor e para o receptor em duas telas de 120 polegadas por meio de dois projetores multimídia. Dois sistemas de som surround 5.1 serão também utilizados para criar um grande envolvimento com os alvos. Durante a sessão experimental as salas do pesquisador, emissor e receptor serão filmadas. Durante o período de emissão/recepção os relatos do receptor serão gravados no sistema. Já no período de avaliação dos alvos (processo de julgamento) o receptor assistirá a cada um dos alvos, ouvindo seus relatos em sincronia temporal com cada alvo. Isto facilitará ao receptor perceber os momentos durante os quais ele descreveu os alvos em tempo real. São esperadas mais sincronias entre os relatos e os alvos corretos do que entre os relatos e os alvos falsos. Em adição, o emissor e o receptor terão a resistência elétrica da pele medida durante algumas sessões, esperando-se que hajam mais correlações dessa medida para as sessões de qualidade.

Abstract

This study is based on our manual Ganzfeld research in which qualitative data were evaluated showing two points to be improved: a) the quality analysis of mentation related to the targets and/or situations linked to the senders should be more objective. The Real Time Digital Ganzfeld System developed by Dr. Adrian Parker and Dr. Joakim Westerlund, University of Gothenburg, from Sweden provides tools for this; b) the conventional methodology used to evaluate psi, or, the choice of the correct targets among the false ones should be more objective since the qualitative data seem to show mistakes more suggestive of psi than of several hits. Based on these points, we will verify if the integration of the Digital Ganzfeld Technique (real time system to evaluate the cognitive aspects of psi) with DMILS - Direct Mental Interactions with living Systems - Technique (measuring the electrodermal activities [EDA] as the psi physiological measurement) produces a more objective measure of psi. We also will evaluate other variables related to the targets, researchers, experimental environment, sender and receiver. The entire experiment will be controlled by computers, from the target randomization and showing to the experimental data record. The sender will watch a video and try to send it to the receiver, who will be located 63 meters away. Researchers and subjects will hear a 20-minute relaxation induction. The receiver's eyes will be covered with halved Ping-Pong balls, upon which two red lights will be projected, and they will listen to "white noise" during the experimental session. At the end of the sending/receiving period (23 min.) the receiver will watch four videos and try to identify which one was sent. The digital videos (targets) of 1’30’’ will be projected to the sender and the receiver on two 120 inch screens by two multimedia projectors. Two 5.1 surround sound systems will also be used to create a great involvement with the targets. During the experimental sessions the rooms of the researcher, sender and receiver will be filmed. During the sending/receiving period the reports of the receiver will be recorded. During the target evaluation (judging process) the receiver will be able to listen to his/her mentation while watching each target in a synchronized way. This will facilitate the receiver's perception of the moments during which he/she described the target in real time. We hope to obtain more synchronism between the mentation and the correct targets than between the mentation and the false ones. In addition, the sender and the receiver's EDA - Electrodermal Activity - will be measured hoping that a major correlation will be obtained during the quality hits sessions.

Apresentação geral

 O presente estudo é uma continuidade de nossa pesquisa anterior (SILVA, 2002; SILVA, HIRAOKA, PILATO, 2003ab) na qual utilizamos a metodologia GZ manual com alvos dinâmicos para testar a GESP e nos dedicamos a verificar, de forma exploratória, a eficácia da técnica GZ e de uma possível alteração de consciência gerada por ela, através da comparação dos acertos de duas condições experimentais: Ganzfeld (GZ) e não Ganzfeld. Buscamos também controlar outras variáveis associadas ao desempenho psi, como fatores relacionados à modificação do estado de consciência, aos sujeitos experimentais, aos pesquisadores e com os alvos experimentais. Os acertos da condição GZ (X=18 ou 33,33%), Z=1,26, p=0,60, não alcançaram significância estatística, mas foram compatíveis com aqueles previstos por Bem e Honorton (1994), ou seja uma taxa de acertos entre 33% e 35% e efeito tamanho entre 0,53 e 0,64. Já a diferença entre os acertos GZ (X=18) e ÑGZ (X=10), conforme o previsto, mostrou-se significativa, Z=2,00, p=0,0228 unilateral.

Com base nos dados quantitativos não foi possível afirmar que a técnica GZ mostrou-se psi condutiva nessa pesquisa, mas apesar disso ela produziu significativamente mais acertos que a condição controle. Dentre os demais fatores avaliados apenas um, relacionado com os alvos, afetou os resultados. Porém, foram os dados qualitativos que mais se destacaram e inspiraram o estudo atual. Na comparação do conteúdo dos relatos com o conteúdo dos alvos, verificou-se que, tanto para os acertos como para os erros havia níveis diferenciados de relação. Assim denominou-se de acerto de qualidade aqueles que evidenciaram uma forte correlação, ou seja os conteúdos do relato relacionaram-se evidentemente (direta ou indiretamente) com as características do alvo transmitido. Nesse caso o sujeito escolhia o alvo correto e obtinha o acerto. Por outro lado denominou-se de erro de qualidade quando a descrição do relato era também acurada, mas em relação a um ou mais alvos que não foram transmitidos. O sujeito escolhia um alvo incorreto e caracterizava-se o erro. Dados semelhantes têm sido encontrados por alguns pesquisadores. (Parker, Persson, 1999; Parker, Persson, Haler, 2000; KREIMAN, 2001; PARKER, 2004; DALTON, 2002; ALEXANDER, 2002)

Com base nas análises de qualidade, refletiu-se que as mesmas poderiam, talvez, ser uma referência sobre a existência da psi. Para tanto deveriam ser sistematizadas numa metodologia apropriada, tal como tem sido feito nos sistemas digitais, que trabalham com a gravação dos relatos em tempo real sobre os alvos, e que utilizam esses recursos no julgamento. A correlação dos relatos como a descrição dos alvos, tal como foi feito nessas análises, pareceu indicar uma aproximação maior da psi do que a interpretação das taxas percentuais, ou outros índices estatísticos. O que não significa dizer que estes devem ser descartados, mas que essas referências isoladamente pouco falaram do processo em si. As avaliações qualitativas foram em grande parte subjetivas e não baseadas em critérios previamente estabelecidos, mas, apesar disso, pareceram fornecer indícios da psi ocorrendo de formas variadas. Outra reflexão baseada nessas análises foi que a metodologia usada para avaliar psi, ou seja, o acerto direto pela escolha do alvo correto entre os falsos, sem que se tivesse informação sensorial sobre o alvo correto, poderia ser inapropriada. Isto porque os dados qualitativos obtidos pareceram mostrar erros (segundo esse critério) mais impressionantes em termos de psi do que muitos acertos. Se a psi realmente ocorreu nesses “erros de qualidade” e não ocorreu em alguns acertos sem qualidade, lembrando que 25% de acertos são esperados por puro acaso, ou seja, sem nenhuma necessidade de psi, dificilmente encontrar-se-iam dados coerentes em termos das variáveis analisadas, as quais são correlacionadas visando a compreensão do processo psi. Se, parte dos dados correlacionados não contiver psi, e se outra parte não correlacionada contiver psi, os resultados poderiam ser incompletos ou incorretos. Se esse raciocínio estiver correto, talvez pudesse explicar, ao menos em parte, a dificuldade no avanço teórico sobre a compreensão da psi, e conseqüentemente a grande dificuldade de se replicar dados anteriores. Esses resultados indicaram às novas tecnologias que estão surgindo, tal como o ganzfeld digital, voltado ao estudo qualitativo simultaneamente com as avaliações quantitativas, o que, talvez, pudesse corrigir justamente o aspecto mencionado acima. A metodologia utilizada naquele estudo não permitiu fazer mais do que suposições. Porém, entre elas refletiu-se que uma metodologia que registrasse em tempo real “tudo” (ex. imagens, sons, dados fisiológicos) o que acontece em ambos os ambientes e participantes e que, permitisse um confronto estratégico desses dados, poderia ser decisiva para evidenciar a psi. Incluindo a metodologia convencional de erros e acertos, mas não se limitando a ela. O conhecimento de que trabalhos semelhantes já estavam sendo desenvolvidos na Liverpool Hop University, Northampton University e University of Gothenburg (DALTON, 2002; PARKER, 2001; GOULDING, WESTERLUND, Parker, WACKERMANN, 2001; SMITH, FOX, WILLIAMS, 2000), confirmou a proposta da metodologia utilizada nesse projeto.

Adicionalmente, a última reflexão surgida do referido estudo é que os dados qualitativos (erros e acertos) avaliados pareceram suportar praticamente todos os resultados qualitativos encontrados pelo Dr. Adrian Parker e seus colabores. (Parker, Persson, 1999; Parker, Persson, Haler, 2000, Parker, WESTERLUND, GOULDING, WACKERMANN, 2001; PARKER, 2004)

 Na busca de objetividade da medida psi, refletiu-se também sobre a possibilidade da inserção de variáveis fisiológicas. De uma forma geral a psi parece manifestar-se de forma evidente apenas em raras situações. Seja porque a sua mensagem raramente chega até o receptor, ou porque este freqüentemente tem problemas em decodificá-la, ou ainda ambas as situações. (MORRIS, 1977) Para obter mais informações sobre essa questão, os pesquisadores passaram a desenvolver experimentos considerando medidas da influência psi no corpo humano, ou relacionando variáveis fisiológicas a psi. Esses estudos podem ser divididos em duas categorias, que envolvem: a) correlações psicofisiológicas com a percepção consciente da psi ou o desempenho psi e b) medidas fisiológicas como detectores inconscientes da psi. (MORRIS, 1977; RADIN, 1997; ALEXANDER, 1998) Com relação a essa segunda perspectiva, parecem existir fortes evidências de que a psi correlaciona de muitas formas com variáveis fisiológicas, as quais são plenamente passíveis de verificação. Outro aspecto importante, é que muitas respostas fisiológicas foram com freqüência correlacionadas com o começo da exibição/evento do alvo, enquanto que as referências cognitivas, tais como os relatos ou o comportamento dos sujeitos não correlacionaram. (RADIN, 2003ab; MAY, SPOTTISWOODE, 2003; BEM, 2003) Isso pode indicar que a mensagem psi seja menos processada ou talvez distorcida. Em função disso, seria mais apropriado usar a observação dos eventos fisiológicos como medida da psi em vez de respostas cognitivas mais elaboradas e, freqüentemente, incorretas. (MORRIS, 1997)

Com base nas reflexões apresentadas, definiu-se que o objetivo geral da presente pesquisa é verificar se a integração da técnica ganzfeld digital (metodologia de tempo real para avaliar aspectos cognitivos da psi) com a técnica DMILS - Direct Mental Interactions with Living Systems - (mensuração da atividade elétrica da pele usada tanto no receptor como no emissor, como medida fisiológica da psi) produziria uma medida mais objetiva para a psi. Esta se daria pela união da potencialidade mais instrumental da mensuração fisiológica com as referências cognitivas, melhor registradas pela metodologia digital tempo real. É pensado que essa união poderia melhor discernir o que é ou não psi, e como ela se manifesta nessa comparação entre o fisiológico e o cognitivo.

Além disso, tal como no estudo anterior, busca-se controlar e/ou avaliar outras variáveis complementares possivelmente associadas ao desempenho psi, as quais são relacionados com os alvos, o experimentador, o ambiente experimental, o emissor e o receptor. A maior parte dessas variáveis será avaliada de forma exploratória. Como a interação das duas metodologias citadas, na forma e com o objetivo aqui proposto, é algo relativamente novo e complexo, foram pensadas duas fases sucessivas e interdependentes, sendo a primeira preparatória e adaptativa, e a segunda voltada à integração das técnicas e ao teste da questão da pesquisa em si. Ambas as fases contam com hipóteses definidas.

A fase 1 - preparatória

a) Reconstrução do conjunto de alvos (digitais);

b) Pilotos Ganzfeld Digital;

c) Teste Ganzfeld Digital;

d) Pré-seleção de sujeitos;

e) Desenvolvimento do sistema Ganzfeld Digital Fisiológico e

f) Pilotos Ganzfeld Digital Fisiológico.

Para o momento “c” foram previstas 3 hipóteses:

§ H1: O número total dos acertos diretos será significativamente maior que a média esperada por acaso;

§ H2: Os participantes que obtiverem o perfil ESI (Extroversão, função principal Sentimento, função auxiliar Intuição) no Questionário de Avaliação Tipológica (QUATI) alcançarão uma taxa de acertos significativamente maior que aqueles sem essa característica e; (zAcharias, 1999, 2000)

§ H3: A média dos escores da nota 3 (N3) será significativamente maior para os alvos que forem acertados pelos sujeitos do que para os alvos que forem errados pelos mesmos. (avaliação dos sujeitos experimentais)

Já a fase 2 - Integração - implicará exclusivamente no teste da técnica Ganzfeld Digital Fisiológico. Essa fase contará também com 3 hipóteses:

§ H1: O número total dos acertos diretos será significativamente maior que a média esperada por acaso;

§ H2: Os acertos que apresentarem uma sincronia em tempo real entre os relatos e o transcurso dos alvos e/ou atividades do emissor evidenciarão uma correlação significativa entre os dados EDA - Electrodermal Activity - do emissor e receptor e;

§ H3: Os acertos que apresentarem uma sincronia em tempo real entre os relatos e o transcurso dos alvos e/ou atividades do emissor evidenciarão uma média de relaxamento significativamente maior por parte dos receptores, avaliada pelos dados EDA dos mesmos, que os acertos e sem essa característica.

Objetivos

O estudo apresentado encontra-se em andamento na fase I,especificamente na reconstrução digital dos alvos experimentais e na elaboração do sistema informatizado para o gerenciamento da pesquisa. Ele tem 8 objetivos:

a) replicar resultados de estudos digitais, visto que guarda semelhanças básicas com outros sistemas;

b) ser replicado; na sua modalidade básica (sistema digital simples) o sistema pode ser rodado em dois/três computadores (em rede) com seus respectivos monitores, sendo relativamente barato, versátil, seguro, de fácil utilização e com alvos transculturais (o sistema será distribuído gratuitamente a todos os pesquisadores interessados);

c) elaborar uma medida mista (cognitivo-fisiológica) e mais objetiva da psi, o que poderá, talvez, ser obtido na modalidade completa (bem mais dispendiosa);

d) se constituir numa ferramenta de aproximação do fenômeno, permitindo o desenvolvimento teórico sobre a natureza do mesmo;

e) ser versátil, passível de muitas configurações, podendo controlar/manipular muitas variáveis

f) ser altamente seguro no sentido de evitar as explicações concorrentes da hipótese psi;

g) servir como plataforma para desenvolvimentos futuros; o sistema está sendo construído como software livre, com código de fonte aberta e para funcionar em Linux. Os pesquisadores poderão modificá-lo para que se adapte a suas necessidades e/ou direcionalidades e,

h) ser construído de forma interativa com outros pesquisadores (especialmente aqueles interessados em sua utilização futura); através do envio do projeto para inúmeros pesquisadores e também da divulgação do mesmo no Fórum Virtual de Pesquisa Psi (http://www.pucsp.br/~cos-puc/cepe/intercon/portal.htm) o sistema está aberto a sugestões desde a sua fase de construção.

 
Metodologia

 

Técnica experimental nas diferentes condições e fases

 Condição de teste Ganzfeld Digital - Fase I

 Cerca de 20 min. antes da chegada dos sujeitos, na sua sala (Sl 3) o pesquisador, liga os equipamentos e inicia o sistema no computador, prestando as informações solicitadas sobre a pesquisa e sobre seu estado físico e psíquico. Inicia-se a filmagem das salas pelo sistema de segurança. Ele, então, insere os CDs e DVD virgens nos respectivos computadores, para a gravação final dos dados e desliga o telefone.

No horário marcado ele recebe os sujeitos e procura criar um clima de descontração e empatia com eles. Revisa as atividades do dia, esclarecendo possíveis dúvidas e segue para sala do receptor (Sl 2) juntamente com o emissor e o receptor; nesta sala o receptor é acomodado na sua poltrona e responde as perguntas iniciais do sistema, contando apenas com o mouse do computador. Sempre que possível as instruções e questionamentos serão tanto na forma visual como auditiva. Após o pesquisador auxilia o receptor a colocar os microfones de lapela, as meias bolinhas de pingue-pongue sobre seus olhos e fixá-las com óculos transparente. Estimula a empatia entre o emissor e o receptor e o clima de aventura da experiência. Fechando as portas da Sl 2 segue com o emissor para Sl 4, para auxiliar a acomodá-lo. Fechando a porta dessa sala, segue para Sl 3 para iniciar o experimento.

 Ao entrar na Sl 3 o pesquisador deve fechar a porta para que o sistema libere a continuação da sessão. Caso o sistema informe que o emissor já concluiu suas questões, o pesquisador dá início a próxima fase, a qual executará dois arquivos digitais contendo instruções para relaxamento físico e mental. Os relaxamentos são praticamente iguais, porém as instruções iniciais e finais diferem para os dois sujeitos. Tanto os sujeitos como o pesquisador ouvem as instruções e procuram relaxar.

 Inicia-se, então, a fase da emissão e recepção. O pesquisador acompanha o monitoramento feito pelo sistema, para observar se tudo está transcorrendo como previsto. Caso esteja, o arquivo do chiado branco (23’) passará a ser reproduzido automaticamente para o receptor, o qual, ao ouvi-los, deverá começar a relatar suas impressões mentais, sentimentos e sensações. O pesquisador poderá anotar esses relatos em ficha específica, mas, somente para ter um registro de mais fácil acesso, o qual poderá ser útil no final da sessão, por ocasião da discussão da mesma com os sujeitos.

 Respondendo afirmativamente a questão sobre seu bem-estar, o emissor passa a assistir na tela a sua frente o alvo aleatorizado pelo sistema. Esse alvo será repetido mais 7 vezes com intervalos de 90’’ entre cada exibição (mesmo tempo dos alvos), totalizando assim 22’30’’. Após a 2a, 4a e a 7a exibição do alvo, o emissor será questionado sobre seu bem-estar, devendo responder afirmativamente se estiver se sentindo bem e negativamente caso esteja se sentindo mal, o que abortará a continuidade do experimento. Durante todo o período de emissão/recepção o emissor ouvirá os relatos do receptor, podendo regular o volume dos mesmos e do alvo que estará assistindo.

 Após essa fase o emissor e o receptor são questionados, este sobre a dinâmica da recepção e aquele a respeito da estratégia de emissão. O pesquisador apenas acompanha o monitoramento feito pelo sistema, verificando se tudo está transcorrendo como previsto, devendo continuar a fazê-lo na faze seguinte, do julgamento. Esta faze inicia-se com os alvos do conjunto aleatorizado sendo mostrados ao receptor, de forma estática na tela, dividindo-a em 4 para comportá-lo simultaneamente. Em seguida ele assiste os 4 clipes sucessivamente, também de forma aleatória e, após, os mesmos voltam a aparecer de forma estática na tela, dividida para mostrá-los. Ele deve então escolher um ou dois deles para assistir; essa exibição é apresentada simultaneamente com o áudio dos seus relatos (em sincronia temporal) permitindo que observe as possíveis coincidências ocorridas em tempo real entre o seu relato e um ou mais dos alvos. Ele procurará escolher qual dos alvos guarda maior relação com os seus relatos, devendo atribui-lhe uma nota maior que os demais. Após a conclusão do julgamento, é solicitado pelo sistema a fazer uma avaliação pessoal do conjunto utilizado.

 O emissor, por sua vez, ouve o receptor e acompanha o julgamento. Em intervalos de 5 a 10 minutos é questionado quanto ao seu bem estar. Após o término do julgamento ele também avalia de forma pessoal os quatro alvos do conjunto utilizado.

 Concluídas as últimas avaliações dos alvos por parte dos sujeitos, o sistema libera as portas e convida-os para encontrarem-se na Sl 2 para revelação do alvo e discussão sobre a sessão.

 Após esse momento, é oferecido um pequeno lanche aos sujeitos, com bolachas, chocolates, suco e água.

 Condição de treinamento e ambientação ao laboratório

Essa condição tem por finalidade oferecer aos participantes a experiência de teste em laboratório (para aqueles que ainda não tenham essa experiência) e principalmente treiná-los na técnica Ganzfeld Digital, a qual exige uma interação complexa dos mesmos com o sistema e seus equipamentos. Uma atenção especial será no auxílio à aprendizagem do processo do julgamento, o qual parece ser crucial para um bom desempenho psi experimental em geral e, em relação à técnica utilizada, se constitui na característica que pode propiciar o maior ganho de eficiência da mesma, através da metodologia de tempo real.

Além desses aspectos, os sujeitos terão a oportunidade de conhecer o laboratório, ambientarem-se com ele e com os pesquisadores e, serão ainda convidados a preencherem um questionário psicológico e de informações gerais, ambos automatizados.

 Condição de teste Ganzfeld Digital Fisiológico - Fase II

Essa metodologia, que é o produto final almejado, segue a mesma metodologia do Ganzfeld Digital, porém acrescentando os dados EDA colhidos por dois Galvanômetros, um para cada sujeito, durante os períodos de relaxamento e emissão/recepção, registrados automaticamente pelo sistema e, ao final, sendo gravados no CDs de dados experimentais. A diferença básica está na preparação dos sujeitos (instalação dos eletrodos), na menor mobilidade dos mesmos durante a sessão, visto que movimentos bruscos poderão deslocar os eletrodos, ou, mesmo sem deslocá-los, produzir mudanças repentinas no curso da oscilação elétrica da pele.

Sujeitos experimentais

De uma forma geral os sujeitos experimentais (receptor e emissor) serão selecionados por fatores imprescindíveis: a) crença nos fenômenos parapsicológicos; b) experiências paranormais anteriores; c) prática regular de disciplina mental; d) experiência em experimentos psi (condição treinamento) e e) emissor e receptor com relação de amizade ou afinidade. Porém, populações específicas também serão testadas: a) População com relação biológica - a qual deverá preencher todos os fatores imprescindíveis à população geral e terem entre si (emissor e receptor) uma relação de consangüinidade; b) População de artistas - a qual deverá preencher os fatores a, b, d, e e para a população geral e estar envolvida sistematicamente, seja de forma amadora ou profissional, com atividades artísticas, tais como teatro, música, dança, artes plásticas, entre outras.

Alvos experimentais

Os estímulos alvo a serem utilizados na pesquisa se constituirão de 80 vídeos com cerca de 1’30’’, formando 20 conjuntos de 4 vídeos. Eles são editados a partir de filmes, documentários e filmagens entre outras formas e gravados no HD do computador.

Automação do sistema 

 Praticamente todas as atividades da pesquisa serão automatizadas. Os eventos que

necessitarem de aleatorização serão automaticamente gerados por um GEA (Gerador de Eventos Aleatórios) acoplado a um dos computadores. Os alvos experimentais digitalizados, serão também manipulados pelo sistema. Entre outras atividades automatizadas temos:

  • Preenchimento do cadastro de informações gerais e testes psicológicos;
  • Registro de informações: dados da sessão experimental, avaliações do pesquisador e sujeitos, julgamento, voz do receptor e pesquisador, informações EDA, interrupções ou falhas e suas justificativas;
  • Gerenciamento das atividades da sessão: apresentação de instruções verbais e visuais aos sujeitos, apresentação do status do andamento do ensaio ao pesquisador, execução dos relaxamentos e do chiado branco, escolha do conjunto e do alvo a ser utilizado, execução do julgamento com a metodologia tempo real, avaliação dos alvos por parte do emissor e receptor, cancelamento da sessão em caso de violação do sistema;
  • Registro das informações posteriores a sessão: avaliações da experiência por parte dos sujeitos e pesquisadores, entrevista com sujeitos;
  • Gravação dos CDs e DVDs de registro de dados de segurança (filmagem das salas).

Versatilidade de configurações

 O sistema é pensado para viabilizar o máximo de versatilidade, permitindo:

  • Diferentes tipos de alvos (vídeo, áudio e imagens estáticas);
  • Diferentes tipos e tempos de exposição dos alvos, com possibilidade de exposições subliminares;
  • A apresentação de um ou dois alvos por sessão experimental;
  • A variação das condições experimentais: execução ou não do relaxamento, tipo de relaxamento, execução ou não do chiado branco e controle do seu tempo de execução;
  • A variação do tipo de fenômeno estudado: Cognitivo - GESP, Clarividência, PCG.

Fisiológico: PCG, DMILS - clássico, fitar a distância, etc.  Misto

Sistema de emissão/recepção

 Na dinâmica de emissão/recepção os sujeitos (emissor e receptor) contarão com poltronas reclináveis e um sistema de bombardeamento sensorial. As imagens alvo serão projetadas em telas de 120 polegadas, tendo seus áudios reproduzidos num sistema surround 5.1. O emissor ouvirá os relatos do receptor, os quais serão gravados digitalmente.

Sistema de julgamento

Inicialmente o receptor verá na forma estática os 4 alvos na tela (do conjunto aleatorizado) a qual é divida em 4 para comportar essa exibição. Em seguida assistirá a exibição dos 4 vídeo clipes sucessivamente e de forma aleatória, lhe permitindo uma visão geral dos mesmos. Na seqüência escolherá um ou dois alvos para assistir, a exibição é apresentada simultaneamente com a reprodução dos seus relatos (em sincronia temporal). Assim poderá observar as coincidências, ocorridas em tempo real, entre o seu relato e um ou mais dos alvos apresentados. Finalizará o processo taxando cada um dos 4 alvos numa escala de 1-100, sendo que aquele alvo que possuir maior correlação com seu relato deverá ter a taxa máxima.

Sistema de segurança experimental

Para coibir a fraude, deliberada ou inconsciente, dos sujeitos ou pesquisadores pensou-se num sistema paralelo de segurança composto de três mini-câmeras coloridas, que filmará as atividades das três salas envolvidas (sala do emissor, receptor e pesquisador) a partir de posições estratégicas que registrem as atividades dos três participantes e as portas das salas. Porém, durante os experimentos nenhuma imagem será exibida em quaisquer das salas. As imagens serão automaticamente convertidas em sinal digital, e gravadas no HD de um dos computadores utilizados. As filmagens iniciarão com a inicialização do sistema pelo pesquisador, e serão encerradas após o julgamento e as avaliações finais pelos sujeitos. Elas servirão como referência documental dos fatos de cada sessão; para inibir qualquer atividade fora dos protocolos e para verificar a ocorrência de sincronias entre as atividades do emissor ou pesquisador e os relatos do receptor.

Ao inicializar o sistema, o pesquisador coloca 2 CDs e 1 DVD virgens, nos gravadores dos computadores. Essas mídias registrarão os dados de filmagem, dados EDA e demais dados. Ao final do ensaio o sistema aciona automaticamente a gravação.

 Adicionalmente, haverá sensores nas 4 portas (da sala do emissor [Sl 4], receptor [Sl 2], pesquisador [Sl 3] e recepção [Sl 1]). A abertura das mesmas interromperá e anulará automaticamente a sessão. Nesses casos, ou nos casos de falhas metodológicas, quedas de tensão elétrica, problemas com os sujeitos, ou quaisquer interrupções o sistema registrará os dados até o momento da interrupção, solicitará informações e iniciará a gravação automática das mídias, registrando o número da sessão anulada o qual não poderá ser reutilizado. No caso do desligamento repentino do sistema, ao ser religado ele checará os dados incompletos da sessão, solicitando justificativas e iniciando a gravação automática das mídias. Ao final de cada sessão, após a gravação das mídias, será impresso um relatório com os dados da mesma.

Contribuindo para o isolamento sensorial as 2 salas (receptor e emissor), estão distantes 63 m uma da outra, ambas com forração Drywall e lã de vidro e portas duplas forradas com cortiça e espuma acústica na sala do receptor, sendo que a porta da sala do emissor é de aço carbono. A atenuação acústica varia de 23 a 53 Decibéis, dependendo das freqüências atenuadas. A sala do receptor contará também com proteção eletromagnética.

Uma consultoria independente com um profissional que seja bastante rigoroso em termos de controle de pesquisa e que, além disso, não assuma a priori a hipótese de psi, ou seja, que tenha uma perspectiva cética sobre essa possibilidade, está também prevista, no sentido de aumentar a reflexão sobre possíveis falhas no sistema. Porém, até o momento, apesar da divulgação dessa necessidade não encontramos um profissional interessado em cooperar. É possível que depois que o sistema esteja pronto e apresentando seus resultados, esses profissionais de pespectiva cética surjam, para avaliá-lo criticamente.

Sistema de EDA - Electrodermal Activity 

Através de eletrodos o emissor e o receptor serão conectados a Galvanômetros tendo seus dados de resistência elétrica da pele (Electrodermal Activity - EDA) registrados nos períodos de relaxamento, emissão/recepção e julgamento. As hipóteses 2 e 3 da segunda fase do estudo serão avaliadas através desses dados.

Sistema de segurança do bem-estar dos sujeitos

Como os sujeitos permanecerão sozinhos nas suas respectivas salas, criou-se um sistema que pudesse assegurar-lhes o bem estar físico e psíquico.

No treinamento eles preencherão questionamentos sobre seus problemas orgânicos ou psíquicos. Com base nesses dados o sistema exibirá um parecer sobre as suas condições. Os pesquisadores também estarão atentos a dinâmica dos sujeitos na simulação da técnica, sugerindo, se for o caso a desistência dos sujeitos. Eles serão também instruídos que a qualquer momento durante o experimento poderão interromper sua participação.

No caso do receptor, como o pesquisador poderá ouvi-lo praticamente o tempo todo, ele poderá informar sobre o seu estado caso se sinta mal. O pesquisador somente entrará em contato com ele em caso de urgência o que implicará no cancelamento do experimento. Adicionalmente, entre o período da emissão/recepção - julgamento, o sistema questionará sobre seu bem-estar em intervalos de 10 minutos.

O caso do emissor é mais difícil visto que o pesquisador não terá qualquer contato com ele, assim a sua interação continuada com o sistema será crucial para referenciar seu bem estar.Essa interação se dará em intervalos de cerca de 4.5 minutos. Caso informe que não está bem, a informação será mostrada para o pesquisador via monitoração das fases experimentais, o qual deverá cancelar o experimento. Tanto para o receptor como para o emissor existem mais duas alternativas de expressar e/ou cancelar o experimento. O acionamento de um botão vermelho fixado nas poltronas cancelará automaticamente a sessão, isso também ocorrerá se quaisquer das portas forem abertas, dessa forma, bastando para eles saírem das suas salas para interromper o ensaio.

 ReflexÕes finais

 O presente estudo se propõe a cooperar com o cenário da pesquisa psi, apostando que: a) a união das duas medidas mais usadas para avaliar psi (cognitivas e fisiológicas) poderia gerar uma medida mista mais objetiva; b) a integração das diferentes grupos de pesquisadores (especialmente do Brasil e de outros países da América Latina, em torno desse e de outros projetos coletivos) poderia gerar uma ação mais objetiva no avanço científico dessa área do conhecimento.

 AGRADECIMENTOS

AAGRA

 Agradecemos a Fundação Bial de Portugal, pelo suporte financeiro que permite a implementação desse estudo. Agradecemos também a cooperação de inúmeros pesquisadores para o aperfeiçoamento metodológico dessa pesquisa e por fim agradecemos as Faculdades Integradas Espírita pelo investimento e credibilidade a nós conferidos.

 Referências

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Last Updated ( sexta, 25 março 2005 )
 
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