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Ganzfeld e não-ganzfeld PDF Imprimir E-Mail
escrito por Administrator   
quarta, 23 de março de 2005

 observando estados modificados de consciência e outros fatores favoráveis a telepatia num estudo exploratório

Fábio Eduardo da Silva

Professor no Curso Livre de Parapsicologia das Faculdades Integradas “Espírita”,
Professor responsável pelo laboratório Ganzfeld de Pesquisa dessa instituição.

 

 RESUMO

Nessa pesquisa o emissor assistiu 1 vídeo e tentou “transmiti-lo” ao receptor que, após, assistiu 4 vídeos buscando distinguir qual deles fora transmitido. Na condição Ganzfeld (GZ) pesquisadores e sujeitos escutaram induções para relaxamento. O receptor ouviu um “chiado branco” e teve seus olhos cobertos com meias bolas de pingue-pongue, iluminadas por luzes vermelhas. Na condição não Ganzfeld (ÑGZ) não houve relaxamento. Realizaram-se 108 experimentos com 74 sujeitos. A taxa geral de acertos (25,93%) não alcançou significância estatística (SE). Os acertos GZ (33,33%) e ÑGZ (18,52%) não alcançam SE, porém, aqueles foram compatíveis com os previstos por estudos prévios. A diferença dos acertos GZ e ÑGZ foi significativa. Concluindo, não podemos afirmar que a técnica GZ é psi condutiva, mas ela produziu significativamente mais acertos que a ÑGZ e, apenas um fator, relacionado com os alvos, afetou os resultados. Análises qualitativas sugeriram que numa metodologia apropriada (digital) essa análise poderá evidenciar a psi; a metodologia convencional de erros e acertos pode ser inapropriada e, os dados qualitativos parecem suportar resultados de estudos anteriores.

Ao longo da história, os fenômenos psi ou paranormais têm sido freqüentemente relacionados com sonhos, hipnose, meditação e outros estados modificados de consciência ou de atenção interna, produzidos de forma natural ou deliberada. Essa relação é evidenciada pelo estudo de casos espontâneos, pelos relatos associados a diversas práticas culturais, por observações clínicas e por estudos experimentais. (HONORTON, 1977, 1994) Mas o que existe de comum nesses estados que poderia facilitar a percepção extrasensorial? Honorton (1994) encontrou três fatores: a) o relaxamento físico; b) a redução do processamento perceptivo ordinário (privação sensorial) e c) um nível suficiente de estimulação cortical para sustentar uma atenção a consciência. Esses fatores podem ser obtidos pela técnica Ganzfeld, a qual foi criada através de pesquisas da psicologia da Gestalt, voltadas ao estudo da percepção tridimensional do espaço e que, posteriormente indicaram ser uma técnica capaz de facilitar em condições laboratoriais a produção de imagens alucinatórias do tipo hipnagógica. Essa técnica foi então adaptada para os estudos da parapsicologia. Basicamente ela é uma técnica de privação dos sentidos sensoriais voltada a aumentar a atenção dos sujeitos para os seus processos internos. Entende-se que os estados de atenção interna facilitam a detecção da psi através da redução dos estímulos sensoriais e somáticos, os quais mascaram o fraco sinal da psi. As pesquisas utilizando essa técnica têm produzido uma considerável base de dados e, parecem constituir-se num importante instrumento de maturação da parapsicologia como ciência, tanto no sentido de evidenciar a existência da percepção do extrasensorial (PES), como em termos de possibilitar o estudo das variáreis relativas ao processo da PES. Porém, essas mesmas pesquisas têm gerado também uma grande controvérsia em torno de si. Seria o experimento Ganzfeld um instrumento realmente capaz de replicar o efeito psi sob condições controladas? Seriam os resultados obtidos devidos à eficiência da técnica em si, ou produzidos a partir de uma interação desta com outros fatores também considerados psi condutivos? Se os estados alterados de consciência, ou os estados de atenção interna, são tão importantes para o desempenho psi em laboratório, porque esse desempenho também tem se mostrado satisfatório em experimentos que não utilizam procedimentos voltados à criação desses estados? Parece não existir qualquer consenso sobre essas questões entre os parapsicólogos, ou entre estes e os seus opositores, os céticos. É nesse contexto controverso que a presente pesquisa foi inspirada e se justifica, objetivando verificar esses vários fatores em conjunto e compará-los com os resultados psi.

O objetivo geral dessa pesquisa foi verificar de forma exploratória a eficácia da técnica Ganzfeld e de uma possível alteração de consciência gerada por ela, através da comparação dos escores GESP em duas condições experimentais, a condição Ganzfeld e a condição não Ganzfeld. Além disso, buscou-se controlar e/ou avaliar outras variáveis também associadas ao desempenho psi, essas variáveis foram relacionadas com os alvos, com os pesquisadores e o ambiente experimental, com os emissores e receptores.

Para verificar essa questão foram lançadas 20 hipóteses:

Hipóteses sobre as condições experimentais

1. O número total dos acertos diretos será significativamente maior que a média espera por acaso.

2. Os acertos obtidos na condição Ganzfeld serão significativamente maiores que a média esperada por acaso.

3. Os acertos obtidos na condição Ganzfeld serão significativamente maiores que aqueles obtidos na condição não Ganzfeld.

Hipóteses sobre as avaliações do estado de consciência na condição Ganzfeld

4. A média do nível de relaxamento (no final da indução ao relaxamento e durante o chiado branco) será significativamente maior para os sujeitos que acertarem os alvos do que para aqueles que errarem.

5. A média da característica da atividade mental (se mais estruturada, racional, objetiva ou totalmente espontânea, estranha, tipo sonho) será significativamente maior para os sujeitos que acertarem os alvos do que para aqueles que errarem.

6. A média da perda da noção de tempo será significativamente maior para os sujeitos que acertarem os alvos do que para aqueles que errarem.

7. A média da perda da noção do corpo ou das sensações corporais será significativamente maior para os sujeitos que acertarem os alvos do que para aqueles que errarem.

Hipóteses sobre os fatores dos alvos

8. A média dos escores da nota 1 (N1 = conteúdo emocional [juízes do laboratório] x mudança no cont. emocional [juízes do laboratório]) será significativamente maior para os alvos que forem acertados pelos sujeitos do que para os alvos que forem errados pelo sujeitos. (avaliação dos juizes do laboratório)

9. A média dos escores da nota 2 (N2 = homogeneidade [juízes do laboratório] x temas novos [sujeitos como juízes]) será significativamente maior para os alvos que forem acertados pelos sujeitos do que para os alvos que forem errados pelo sujeitos. (avaliação dos juizes do laboratório/sujeitos experimentais)

10. A média dos escores da nota 3 (N3 = preferência pessoal [sujeitos como juízes] x significado pessoal [sujeitos como juízes]) será significativamente maior para os alvos que forem acertados pelos sujeitos do que para os alvos que forem errados pelo sujeitos.

Hipóteses sobre os fatores dos sujeitos experimentais

11. O número dos acertos dos receptores que responderem sim na pergunta sobre envolvimento com atividades criativas e/ou artísticas da ficha de cadastro dos participantes será significativamente maior que aqueles que marcarem não para essa questão.

12. O número dos acertos dos receptores com o pólo extroversão no QUATI será significativamente maior que aqueles sem essa característica.

13. O número dos acertos dos receptores com função principal sentimento no QUATI será significativamente maior que aqueles sem essa característica.

14. O número dos acertos dos receptores que tiverem marcado os valores de 4 a 7 sobre a freqüência de algum fenômeno paranormal vivenciado e, respondido sim para a questão se esses fenômenos estão positivamente integrados na visão de mundo, na ficha de cadastro dos participantes, será significativamente maior que aqueles receptores sem essas características.

15. O número dos acertos dos sujeitos (emissor e receptor) que tiverem entre si uma relação de consangüinidade será significativamente maior que aqueles sujeitos sem essa característica.

Hipóteses sobre os fatores dos experimentadores

16. O número dos acertos dos receptores que tiverem os seus experimentos avaliados na questão sobre motivação do experimentador (tanto pelo Pesq1 como Pesq2) com escores iguais ou superiores a 6 (muito boa), será significativamente maior que aqueles que tiverem os seus experimentos avaliados com escores iguais ou inferiores a 5 (boa) nessa questão.

17. O número dos acertos dos receptores que tiverem os seus experimentos avaliados na questão sobre expectativa de sucesso do experimentador (tanto pelo Pesq1 como Pesq2) com escores iguais ou superiores a 6 (muito boa), será significativamente maior que aqueles que tiverem os seus experimentos avaliados com escores iguais ou inferiores a 5 (boa) nessa questão.

18. O número dos acertos dos receptores que tiverem os seus experimentos avaliados na questão sobre o humor do experimentador (tanto pelo Pesq1 como Pesq2) com escores iguais ou superiores a 6 (muito bom), será significativamente maior que aqueles que tiverem os seus experimentos avaliados com escores iguais ou inferiores a 5 (bom) nessa questão.

19. O número dos acertos dos receptores que tiverem os seus experimentos avaliados na questão sobre o estado físico do experimentador (tanto pelo Pesq1 como Pesq2) com escores iguais ou superiores a 5 (bom), será significativamente maior que aqueles que tiverem os seus experimentos avaliados com escores iguais ou inferiores a 4 (regular) nessa questão.

20. O número dos acertos dos receptores que tiverem os seus experimentos avaliados na questão sobre o ambiente social do experimento (tanto pelo Pesq1 como Pesq2) com escores iguais ou superiores a 6 (muito bom), será significativamente maior que aqueles que tiverem os seus experimentos avaliados com escores iguais ou inferiores a 5 (bom) nessa questão.

Os fatores de crença na psi, experiências psi anteriores, prática regular de algum tipo de disciplina mental, experiências anterior em experimentação psi e relacionamento de amizade (emissor/receptor), se constituíram em condições similares para todos os sujeitos experimentais, pois foram pré-requisitos para a seleção dos mesmos.

 

Alteração de Consciência e Ganzfeld

Parker (1975), na sua revisão da literatura sobre esse tema, indica que existe uma evidência anedótica enorme na literatura psi associando os estados não usuais de consciência (termo sinônimo de EAC) e a psi, bem como um impressionante suporte experimental sobre a ESP e EACs. Honorton (1977) revisou mais de 80 estudos experimentais os quais envolviam procedimentos indutivos aos estados de atenção interna, como mostra a tabela seguinte:

Revisão dos estudos indutivos aos estados de atenção interna

Procedimento

Número de

estudos

Número de estudos

significativos (p<0.05)

Significância combinada

de todos os estudos

Meditação

16

9

6 x 10 - 12

Hipnose

42

22

7.5 x 10 - 11

Relaxamento induzido

13

10

1.2 x 10 - 9

Estimulação GZ

16

8

2.1 x 10 - 9

(Honorton, 1977, p.466)

Com base nesses dados, Honorton (1977, p.466) conclui: "O funcionamento psi é aumentado (ex. é mais facilmente detectado e reconhecido) quando o receptor está num estado de relaxamento sensorial e está minimamente influenciado por percepções ordinárias ou própriocepções."

Porém, podemos afirmar que a técnica Ganzfeld altera a consciência, ou que a altera da mesma forma para todos os sujeitos, ou ainda, que induz um estado de atenção interna como afirmava Honorton? Segundo Alvarado (1998, 2000) a resposta é não! O fato de uma pessoa passar pela experiência Ganzfeld não assegura que ela terá uma alteração de consciência, ou caso ocorra essa alteração, que ela será pronunciada. Alvarado (2000) indica que não se deve confundir a técnica voltada a produzir a alteração de consciência com a produção de estados alterados de consciência. Para se ter certeza de que a técnica produziu um estado alterado de consciência é preciso que o estudo utilize medidas para avaliar o estado vivenciado durante a técnica. Dessa mesma forma não é possível afirmar que os resultados de PES são devidos a alteração de consciência, se essa alteração não for mensurada independentemente da técnica utilizada.

Infelizmente as pesquisas Ganzfeld contemporâneas não têm avaliado a alteração de consciência como um fator preditivo do desempenho da PES. Esses estudos têm focalizado sua atenção sobre outras variáveis, tais como a afinidade e os aspectos emocionais dos alvos, as relações entre os participantes, variáveis de personalidade, alvos estáticos ou dinâmicos, efeito experimentador e o efeito do emissor. (ALVARADO, 2000)

Essa perspectiva considera PES produzida em laboratório como sendo fruto de múltiplas variáveis, o que não é errado, porém, não é possível que os resultados positivos obtidos na técnica Ganzfeld sejam atribuídos a uma alteração de consciência, caso não haja uma mensuração que evidencia esse fato.(Ibid.) 

Parapsicologia tem se interessado como a relação dos estados alterados e PES por mais de um século, apesar disso, está claro que as tentativas para entender esta relação tem não sido sistemáticas mas esporádicas." (ALVARADO, 1998, p. 48) Esse pesquisador indica que nenhum dos modelos propostos para explicar essa relação foram sistematicamente testados. "Desde de os antigos dias do mesmerismo e da SPR até os recentes estudos, tem se acreditado que os EACs são condutivos para a PES. Porém ainda depois de todo esse pensamento e todo o trabalho experimental, existe ainda dúvidas a respeito da necessidade dos estados alterados para produzir PES, e a respeito do que, se existir qualquer coisa, nos estados alterados fazem deles condutivos de PES. (Ibid. p. 49)

Análise qualitativa dos resultados ganzfeld

Com base nos acertos repetidos e de qualidade impressionante, Parker e Persson (1999) e Parker, Persson e Haler (2000) realizaram uma análise qualitativa buscando melhorar os procedimentos Ganzfeld para alcançar, qualitativa e quantitativamente, resultados melhores. Na maioria das sessões conduzidas, os relatos dos sujeitos foram gravados em tempo real sobre as cópias dos clipes que eram feitas simultaneamente. Pela análise desses filmes apresentam alguns resultados: a) A cognição mediada pela psi ocasionalmente envolve a percepção acurada do alvo - O material mediado pela psi parece entrar na consciência mais freqüentemente de forma direta em vez de associativa ou simbólica. b) Respostas associativas podem também ocorrer - Por exemplo, um sujeito descreveu corretamente quando uma pessoa foi morta e caiu na água, porém percebeu um rifle o qual teria sido utilizado nesta ação, enquanto que a arma utilizada foi uma pistola. c) Percepções erradas ocorrem algumas vezes - Se comparada à natureza da tarefa psi com a percepção normal existe pouco na forma de expectativa ou contexto para usar no sentido de identificar a imagem, e isso torna algumas percepções incorretas plausíveis. Freqüentemente os dados sugerem que o tema geral é corretamente identificado porém seus detalhes são errados. d) Efeitos multi-modais parecem estar presentes - Efeitos psi mediados por formas auditivas podem concorrer e os sujeitos, algumas vezes, interpretam corretamente esses sons relativos aos alvos, porém, algumas vezes os interpretam de forma incorreta. e) Defesas receptivas parecem distorcer ou atrasar algumas das imagens ou imaginações - O conteúdo de um alvo referia-se a um grupo de mulheres perseguindo e mal tratando outra mulher à qual tentava fugir através de uma floresta. A mulher fora aparentemente vista primeiro na forma simbólica de uma cobra, porém, espontaneamente neste momento de seu relato a receptora observou que esta associação poderia relacionar-se com uma experiência da sua infância, na qual havia sido picado por uma cobra. f) Processos Top Down parecem estar envolvidos - A expressão processos top down indica como a percepção ocorrida em condições não ideais é influenciada por expectativas e hipóteses a respeito do que provavelmente estaria na base da informação disponível, ou das informações básicas. Algumas vezes a percepção psi parece funcionar de forma semelhante à percepção visual, sendo sujeita aos processos top down.  A psi seria então distorcida por expectativas e análises. g) Efeitos clarividentes, telepáticos e precognitivos parecem ocorrer - Os acertos de qualidade analisados sugerem que os receptores, algumas vezes, focalizam o alvo em si, outras vezes nas atividades do emissor e outras ainda em acontecimentos pessoalmente importantes acontecendo ao redor. h) Efeitos holísticos significativos mediados pela psi parecem ocorrer fora do controle experimental - Sendo considerado como o mais controverso dos resultados encontrados, esses efeitos dizem respeito a impressionantes misturas de dois ou mais dos potenciais alvos do conjunto sendo utilizado, tornando difícil o processo do julgamento. Em outras palavras os receptores captam informações corretas de mais de um alvo ou fonte e não apenas do alvo correto. i) Muitos, mas não todos, os bons acertos parecem mostrar temas repetidos nos relatos da atividade mental - A maioria dos acertos de qualidade mostraram a repetição de temas nos relatos (2 ou mais vezes), os quais se relacionavam corretamente como um todo ou com partes importantes do alvo correto. Esse aspecto é compreendido como o efeito da repetição dos alvos para o emissor (6 a 8 vezes). j) A psi parece ocorrer como um processo psicológico intacto em vez de séries individuais de correspondências sincronísticas ou anomalísticas - Quando a psi parece estar ocorrendo numa sessão é possível que toda uma seqüência de descrições corretas venham a emergir. Os dados encontrados suportam a idéia de que a psi é um processo psicologicamente significativo, um processo extra-sensorial continuo e não uma sincronia ocasional ou um evento anomalístico.

METODOLOGIA

ambiente experimental e equipamentos (vide ilustração)

O Laboratório Ganzfeld da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde situa-se junto às instalações do Curso Livre de Parapsicologia. Este laboratório conta com 4 salas, sendo que 3 delas estão juntas num mesmo prédio e a outra se encontra a cerca de 120 metros de distância das demais. Entre as três primeiras salas temos a de recepção e julgamento (S1) onde se recepcionaram os sujeitos e se desenvolveram os ensaios não Ganzfeld. A sala de operação e julgamento (S2) está separada da sala1 por uma porta dupla. Ela contém os equipamentos do sistema eletrônico de comunicação. A sala 2 é separada da sala do receptor (S3) por uma porta dupla recoberta por cortiça e espuma acústica, visando um atenuamento acústico entre ambas. Esta sala é revestida com uma forração especial (Drywall) que produz uma redução acústica de 40 dB. Nela se encontra a maca onde o receptor deita-se para tentar relaxar e obter a informação alvo. Próximo da cabeceira da maca se encontram duas lâmpadas vermelhas (de 25 e 40 W) a uma altura da maca de cerca de 50 cm. A sala do emissor e alvos (S4), encontra-se afastada 120 m. das demais para evitar qualquer vazamento sensorial dela para o conjunto de salas do receptor. Ela conta também conta com uma porta dupla. Nela se encontram duas cadeiras confortáveis e uma mesa central que contém material de arte, um TV 33”, um VCR com caixas acústicas completam os equipamentos dessa sala, permitindo assim as atividades de emissão.

 

Sistema eletrônico de comunicação (vide ilustração)

Como mostra a ilustração, foram utilizados dois mixers, um para o receptor e o outro para o emissor. O mixer do receptor tem a função de integrar a comunicação entre o receptor e seu pesquisador. Num dos canais de entrada está conectado o microfone de lapela do receptor (microfone1), o qual tem a saída no canal da direita para o fone de ouvido do seu pesquisador (Pesq1). Noutro canal de entrada tem-se o microfone do pesq1, o qual sai no canal da esquerda para o receptor. Dessa forma tem-se a comunicação mútua entre o receptor e Pesq1. O CD Player, o qual produz o CD com o relaxamento e ruído branco para o receptor, está conectado num terceiro canal de entrada e tem saída nos dois canais. Isso permite que tanto o receptor como o pesq1 façam o relaxamento. Porém, o chiado branco só é ouvido pelo receptor.

Num dos canais de entrada do mixer do emissor desses está conectado o segundo microfone de lapela do receptor (microfone 2), o qual possui saída em ambos os canais. O canal de saída da esquerda reproduz o som dos relatos do receptor, de forma que tanto o emissor como o pesq2 possam ouvi-los. Ao ouvir esses relatos, o emissor pode saber se as informações alvo estão sendo percebidas pelo receptor. Já o canal de saída da direita está conectado com um gravador, o qual registra em fita K7 todos os relatos do receptor. Num segundo canal de entrada, está conectado o segundo CD Player, o qual reproduz o relaxamento específico para o emissor e pesq2. Para que eles possam ouvir esse relaxamento, a saída de som utilizada é a da esquerda.

Participantes da Pesquisa

As sessões experimentais contaram com dois experimentadores, um que trabalhou controlando as atividades do receptor (Pesq1) e outro que dirigiu as atividades do emissor (Pesq2). Participaram ainda mais 3 assistentes. O assistente externo de segurança, auxiliando apenas como um controlador extra de segurança. O assistente externo responsável pelos alvos experimentais foi responsável pela disponibilização dos alvos para cada experimento. O assistente especial para a aleatorização dos alvos experimentais, 15 dias antes do início da pesquisa, utilizando-se de 90 tabelas de números aleatórios (RAND, 1955), aleatorizou dados para todos os ensaios.

Participaram dessa pesquisa 74 sujeitos formando 37 duplas (Emissor, Receptor), as quais fizeram no mínimo 2 ensaios (um na condição Ganzfeld e o outro na condição não Ganzfeld) e no máximo 4, quando invertiam os papeis de emissão e recepção e realizavam mais dois ensaios. As idades desses participantes variaram de 14 a 66 anos, com a média 38 e o desvio padrão 12. Esses participantes foram selecionados pelos seguintes aspectos:

I. Fatores imprescindíveis, tanto para o receptor como para o emissor: a) acreditarem na possibilidade de ocorrência das experiências paranormais; b)terem tido experiências paranormais espontâneas anteriores; c) praticarem regularmente algum tipo de disciplina mental (ex. meditação, relaxamento ou visualizações, hipnose ou auto-hipnose, Tai Chi Chuam, etc.); d) terem participado alguma vez de um experimento psi, não necessariamente com a técnica Ganzfeld (esse fator foi oferecido pela própria pesquisa na condição treinamento); e) que tenham entre si (emissor e receptor) uma relação de amizade ou afinidade.

II. Fatores desejáveis, mas não imprescindíveis, tanto para o receptor como para o emissor: a) envolvimento com atividades criativas e/ou artísticas; b) função principal sentimento e foco de atenção extroversão no Questionário de Avaliação Tipológica (QUATI); c) terem experiências psi com freqüência e inclui-las positivamente em sua visão de mundo; d) terem abertura para idéias e experiências novas; e) terem entre si (emissor e receptor) uma relação de consangüinidade.

Alvos experimentais

Os alvos experimentais foram videoclipes com duração aproximada de um minuto cada um. O conjunto total de alvos contém oitenta videoclipes organizados em vinte grupos de quatro clipes cada. Cada conjunto de quatro clipes é gravado em duas fitas VHS. A fita Emissor é destinada ao uso do emissor e contém os quatro clipes gravados em disposição aleatória, separados por intervalos de três minutos sem gravação. A fita Receptor é destinada ao julgamento do receptor e contém os mesmos 4 alvos da fita Emissor, também dispostos em ordem aleatória, porém com intervalos de 10 segundos entre cada um deles. Cada fita está lacrada dentro de um envelope opaco, que contém no seu exterior a palavra referente ao tipo de conjunto de alvos: Emissor ou Receptor. Esses dois envelopes estão fechados dentro de um terceiro envelope maior, também opaco, que contém o número do conjunto de alvos - 00 a 19.

 Os alvos foram avaliados em três fatores:

Fatores

Escala

Juizes

Nota

Emocionais

1-25

 

N1 = a x b

a) Emoção expressa nos alvos 

1-5

Pesquisadores

 

b) Mudança repentina no conteúdo emocional, eventos repentinos, surpreendentes

1-5

Pesquisadores

 

De auxílio ao julgamento

1-25

 

N2 = c x d

c) Homogeneidade dos conteúdos  

1-5

Pesquisadores

 

d) Temas novos, diferentes, não usuais ao contexto sócio-cultural dos sujeitos

1-5

Sujeitos experim.

 

Preferência e Significância para os sujeitos experimentais

1-25

 

N3 = e x f

e) Preferência ou gosto pessoal 

1-5

Sujeitos experim.

 

f) Relação com a história/momento atual de vida ou significado pessoal 

1-5

Sujeitos experim.

 

  

técnica experimental

Condição Ganzfeld - 9 etapas (previsão geral de tempo - 3:24 h.):

Preparação inicial sem os sujeitos - 40 min. - pesquisadores preenchem os seus formulários e faze um check list referente as suas atividades, verificando se todos os materiais e equipamentos estão em ordem.

Preparação inicial com os sujeitos - 20 min. - os sujeitos são recepcionados e preparado para o experimento. O Pesq1, na S3 e com o auxilio do emissor, instrui e prepara o receptor o qual deve deitar-se na maca. Usando um esparadrapo poroso, fixa as metades de bolinhas de pingue-pongue sobre os olhos do receptor, colocando-lhe também os fones de ouvido e os dois microfones de lapela. Estimula a empatia entre o emissor e o receptor.

Preparação para o relaxamento - 15 min. - o Pesq1 testa os equipamentos, verificando se o volume dos fones do Receptor está confortável, tanto para a voz do pesquisador como do CD de relaxamento. O Pesq2 segue com o emissor para S4. Abre o envelope com o alvo e prepara o vídeo com o mesmo, colocando-o na devida posição somente pelo contador digital do equipamento, sem mostrar nenhuma imagem; coloca os seus fones e solicita ao emissor que coloque os seus também.

Relaxamento - Emissor (19:22) Receptor (20:38) - O Pesq1 aciona os CDs Player 1 e 2 com os CDs de relaxamento, de forma que todos os participantes (Pesq1, receptor, Pesq2 e emissor) possam ouvi-lo e tentar relaxar.

Emissão e recepção - Chiado Branco (28:06) - O Pesq1 Aciona o gravador para os relatos do receptor e passa anotá-los em ficha específica. O Pesq2 Aciona o vídeo clipe e após tê-lo exibido pela 1a vez, retrocede-o sem mostrá-lo na tela da TV, aguarda 3 minutos e passa o clipe novamente. Repete essa operação por mais 6 vezes (total 7 vezes) , totalizando assim 28 minutos. Nos intervalos dos clipes, sugere outras atividades ao emissor (desenho, dramatização, visualização.).

Narrativa dos relatos - 15 min. - Após o chiado branco, através do seu microfone, o Pesq1 narra para o receptor as anotações sobre o seu relato.

Julgamento & Avaliação pessoal dos alvos - 40 min. - O Pesq1 informa ao receptor o término da etapa, entra na S3 e ajuda-o a retirar seus equipamentos. Retorna com ele para a S2, dando-lhe orientações sobre o julgamento. Apanha o envelope R que esta dentro do arquivo e exibe a fita no VCR pela primeira vez para que o receptor tenha uma idéia geral dos alvos. Retrocede e repete essa fita, dessa vez passando alvo por alvo e, relendo pausadamente todos os relatos do sujeito, solicita que o mesmo indique se cada frase lida relaciona-se ou não com o alvo em questão. Ao final das correlações indica ao sujeito quantas correlações fez com cada um dos 4 alvos e pergunta a ele se ele já se sente seguro para fazer a sua escolha. O receptor deve verificar qual dentre eles contém mais similaridades com os seus relatos da sessão Ganzfeld e registrar sua escolha em ficha específica. Após o receptor ter concluído o seu julgamento o Pesq1 faz também o seu julgamento. Um terceiro julgamento é realizado, desta vez em conjunto, Pesq1 e receptor. O pesquisador pode expressar suas idéias e buscar um consenso com o receptor. Após os julgamentos o Pesq1 conduz a avaliação dos alvos pelo receptor. Através do microfone de lapela o emissor continua a ouvir o receptor e tentar influenciá-lo no sentido induzi-lo no julgamento para a escolha do alvo correto. A pós o mesmo ele também avalia o alvo emitido.

Revelação do alvo - 10 min. - O Pesq1 chama pelo microfone o Pesq2 e o emissor para que venham a S2 e revelem o alvo. O Pesq2 segue junto com o emissor para S2 e revelam o alvo

Conclusão - 15 min. - Após a revelação do alvo, os pesquisadores sugerem aos sujeitos que conversem sobre suas experiências a respeito do experimento. Após esse momento, é oferecido um pequeno lanche aos sujeitos, com bolachas, chocolates, suco e água.

Condição não Ganzfeld - Previsão geral de tempo - 2:00 h.

Essa condição pode ser dividida em 6 etapas: 0) Preparação inicial sem os sujeitos - 40 min., 1) Preparação inicial com os sujeitos - 20 min., 2) Emissão e recepção - 35 min., 3) Julgamento - 20 min., 4) Revelação do alvo - 10 min., 5) Conclusão - 15 min. Nela a metodologia utilizada é igual a anterior, com exceção de que não ocorre indução a relaxamento e nem chiado branco. Toda a dinâmica é pensada para ocorrer em estado de vigília. Outra diferença é que as atividades do receptor ocorrem na S1, utilizando-se a mesa retangular dessa sala.



resultados

Análises quantitativas

Condições experimentais (H1, H2 e H3)

Acertos por condição/julgamento - diferença entre condições (H1-H3)

Condição  Juiz

N Ensaios

N acertos

% acertos

Efeito Tamanho p

Efeito Tamanho h

Z

Geral

Sujeito

108

28

25,93

0,51

0,01

0,11

 

Pesquisador

108

28

25,93

0,51

0,01

0,11

 

Consenso

108

28

25,93

0,51

0,01

0,11

Ganzfeld

Sujeito

54

18

33,33

0,60

0,17

1,26

 

Pesquisador

54

16

29,63

0,56

0,09

0,63

 

Consenso

54

17

31,48

0,58

0,13

0,94

Não Ganzfeld

Sujeito

54

10

18,52

0,41

-0,13

-0,94

 

Pesquisador

54

12

22,22

0,46

-0,04

-0,31

 

Consenso

54

11

20,37

0,43

-0,09

-0,63

Diferença Gz x ñ Gz

Sujeito

108

-

-

-

-

2,00

 

Pesquisador

108

-

-

-

-

1,11

 

Consenso

108

-

-

-

-

1,56

Avaliações do estado de consciência na condição Ganzfeld (H4, H5, H6 e H7)

Diferença entre as médias (t student ) das variáveis avaliadas para

erros (N=36) x acertos (N=18) na condição Ganzfeld para dados do Receptor e do Emissor

Variáveis - Receptor (escala 1-7)

Média p/acertos

 Gz - N=18

Média p/erros

Gz - N=36

t Dif

Estado de humor

5,50

5,86

-1,15

Nível relaxamento ao final relaxamento

6,56

6,47

0,37

Nível relaxamento durante Chiado Branco

5,61

5,92

-1,11

Nível relaxamento ao final Chiado Branco

5,28

5,64

-1,00

Tipo de atividade mental

5,33

5,69

-1,03

Perda da noção do tempo

5,78

6,03

-0,62

Perda da noção do corpo

4,17

5,17

-2,06

Variáveis - Emissor (escala 1-7)

   

Estado de humor

6,50

5,39

3,82

Nível relaxamento ao final relaxamento

6,50

6,28

0,93

Nível relaxamento depois da 1a exibição

6,17

5,39

2,13

Nível relaxamento depois da 4a exibição

5,06

4,92

0,31

Tipo de atividade mental

4,83

4,25

0,96

Perda da noção do tempo

5,50

5,64

-0,24

Perda da noção do corpo

4,11

3,83

0,45

 

Fatores dos alvos (H8, H9 e H10)

Diferença entre as médias (t student ) das variáveis avaliadas para os alvos

acertados x alvos errados - critério específico - para dados do Receptor, Emissor e Juizes do laboratório (H8-H10)

 Variáveis (escala 1-5)

Média para alvos

acertados

Média para alvos

errados

t Dif

a - Emoção expressa nos alvos - Juizes Laboratório - N=31

3,10

2,76

0,88

b - Mudança no conteúdo emocional alvos - Juizes Laboratório - N=31

2,60

2,19

0,80

(escala 1-25) - Nota 1 - Juizes do Laboratório - a x b - N=31

9,10

6,38

1,32

c - Homogeneidade conteúdo alvos - Juizes do Laboratório - N=31

3,50

3,62

-0,38

d -Temas novos, diferentes ao contexto vida - Receptor - N=64

2,65

3,04

-0,94

d -Temas novos, diferentes ao contexto vida - Emissor - N=64

2,12

2,28

-0,42

(escala 1-25) - Nota 2 - c x d - Receptor - N=64

7,94

8,26

-0,20

(escala 1-25) - Nota 2 - c x d - Emissor - N=64

9,88

11,04

-0,47

Diferença entre as médias (t student ) das variáveis avaliadas para os alvos

acertados (N=17) x alvos errados (N=47) - critério específico - para dados do Receptor e do Emissor (H8-H10)

 Variáveis - Receptor (escala 1-5)

Média para alvos

 acertados - N=17

Média para alvos

 errados - N=47

t Dif

e - Preferência/gosto pessoal - N=64

3,94

3,68

0,83

f - Relação c/ história - momento atual - significado especial - N=64

3,65

2,91

2,78

d -Temas novos, diferentes ou não usuais ao contexto de vida - N=64

2,65

3,04

-0,94

(escala 1-25) - Nota 3 - e x f - N=64

14,88

11,06

2,32

Variáveis - Emissor (escala 1-5)

   

e - Preferência/gosto pessoal - N=64

4,00

3,79

0,62

f - Relação c/ história - momento atual - significado especial - N=64

3,00

3,26

-0,84

d -Temas novos, diferentes ou não usuais ao contexto de vida - N=64

2,12

2,28

-0,42

(escala 1-25) - Nota 3 - e x f - N=64

12,06

13,17

-0,57

Fatores dos sujeitos experimentais - diferença dos acertos (X2) para as variáveis avaliadas