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Revista Virtual de Pesquisa Psi Contra os Extremos do Ceticismo e da Parapsicologia: Um Caminho para a Pesquisa de Psi
Wellington Zangari* 
O que é a Revista Virtual de Pesquisa Psi? Uma ferramenta contra extremos. Os interessados em estudar as assim chamadas "experiências psicológicas anômalas" ou "parapsicológicas", tais como as "experiências telepáticas", os "sonhos precognitivos", as "casas mal-assombradas", as "experiências fora do corpo", as "experiências próximas da morte", as "experiências de aparição"..., deparam-se, inevitavelmente, com dois extremos: ou acredita-se ou não acredita-se em tais experiências. Os representantes do primeiro extremo, o grupo mais numeroso, é formado, basicamente por religiosos de vários matizes (principlamente católicos e espíritas), por práticos ou "terapeutas alternativos", "terapeutas holísticos". Acreditam aprioristicamente não apenas em tais experiências, mas que, por trás delas reside uma realidade transcendental, correspondente com as suas crenças religiosas. Para estes, o que chamam de "estudo científico do paranormal" nada mais é do que a tentativa de justificar suas crenças religiosas por meios aparentemente científicos. Os representantes do segundo extremo, como os do primeiro, têm uma posição apriorística, mas em sentido inverso: tais experiências simplesmente não podem existir porque não podem ser explicadas pelas teorias científicas atuais. Este é o extremo do ceticismo. Talvez por tras de tal negativa oculta-se o medo de que a realidade possa ser diferente do que imaginam. O primeiro extremo é representado no Brasil, geralmente, por alguns dos que se auto-intitulam "parapsicólogos" e que fazem de sua "Parapsicologia" sua profissão de fé. Sua "Parapsicologia" é uma arma contra a crença de outras fés, geralmente consideradas irracionais, ao mesmo tempo que um instrumento de defesa das crenças religiosas que sustentam ser verdadeiras. O segundo extremo, ainda incipiente no Brasil, é representado por alguns dos que se auto-intitulam "céticos", para quem o "ceticismo", mais que uma postura necessária a qualquer cientista, é uma bandeira contra tudo quanto a ciência não pode apreender completamente pelos seus métodos e teorias. Se, por um lado a "Parapsicologia" tem o mérito de abrir-se para a possibilidade de fenômenos ainda desconhecidos pela ciência, por outro, alguns de seus representantes, sobretudo no Brasil, têm apresentado demasiada credulidade, ou tendenciosidade, na "análise" de certos eventos aparentemente "paranormais". Tal credulidade os habilita a afirmar que a ciência (sua "Parapsicologia") pôde confirmar a intervenção de Deus no mundo! O "ceticismo", por sua vez, se, por um lado, é fundamental ferramenta para a análise racional, científica de qualquer fenômeno, por outro, a postuta de alguns "céticos" em negar aprioristicamente qualquer evento de aparência paranormal não pode ser considerada científica ou mesmo, racional. Não se pode negar as "experiências parapsicológicas", compreendendo como tal aquelas experiências humanas nas quais, do ponto de vista do(a) experienciador(a), algum tipo de interação anômala ocorreu entre ele(a) e o meio ambiente (que inclui outros seres humanos). Qual o papel do cientista diante de tais experiências? Obviamente, não é o de negar ou o de afirmar antes da pesquisa. Assim, o primeiro passo para a compreensão de tais experiências é usar a metodologia e as teorias científicas atuais para procurar a natureza das mesmas. Antes de considerá-las de fato "paranormais", há que se excluir a fraude, as falhas perceptivas, as falhas de memória, os delírios e as alucinações, as interpretações "paranomais" que algumas pessoas, às vezes por falta de conhecimento científico, emprestam a eventos corriqueiros e suficientemente conhecidos pela ciência, e muitas outras interpretações cientificamente reconhecidas. Não se trata, portanto, de acreditar ou não acreditar! Trata-se de pesquisar! Fora do Brasil há um razoável número de pesquisadores isentos, que estudam tais experiências de maneira científica, geralmente ligados à Parapsychological Association, uma organização profissional afialiada à American Association for Advancement of Science. No Brasil o número ainda é reduzido, apesar de crescente. O termo "Parapsychology" é reservado para este campo de estudo. Contudo, traduzir o termo para "Parapsicologia" não seria adequado uma vez que, como mencionamos acima, tal termo já é empregado com uma conotação bem diferente e por pessoas que geralmente não estão comprometidas com a ciência. Estamos sugerindo um novo termo, mais neutro e que nasce de em um ambiente acadêmico e científico: Pesquisa de Psi. Nossa idéia é conciliar o que há de importante da "Parapsicologia", tal qual é feita no Brasil, ou seja, a abertura para fenômenos aparentemente "paranormais", e o que há de característico do ceticismo, a desconfiança de que por trás de uma experiência supostamente "paranormal" possa existir uma explicação científica tradicional. A Pesquisa Psi, assim, não parte de um apriori, ou seja, não afirma nem nega o fenômeno antes da pesquisa. Antes, leva em conta a possibilidade, enquanto hipótese a ser testada, da interconectividade (ou psi), ou seja, a percepção (cognição) e a ação humana por meios distintos dos até então reconhecidos pela ciência. A Revista Virtual de Pesquisa Psi, portanto, estará aberta às contribuições de qualidade advindas tanto dos céticos quanto dos parapsicólogos "moderados", ou como os chamaremos, "pesquisadores de psi". Esperamos que o internauta encontre, em breve, artigos e comentários assinados por parapsicólogos e por céticos, além de encontrar artigos que tratam de Parapsicologia e de ceticismo, mas sempre com a mesma conotação que empregamos o termo Pesquisa Psi. A Pesquisa Psi é um esforço por fazer tal posição intermediária vingar no meio científico e acadêmico brasileiro e a Revista Virtual de Pesquisa Psi uma ferramenta para sua implementação. * Wellington Zangari Coordenador do Inter Psi Grupo de Estudos de Semiótica, Interconectividade e Consciência do CEPE, COS, PUC-SP. Email: pesquisapsi@gmail.com
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