logo  
Página Principal menu separator Psi Basics menu separator Psi Advanced menu separator Psi Plus menu separator Mídia menu separator Inter Psi menu separator Advanced Search menu separator
separator separator separator separator separator
Página Principal arrow Psi Advanced arrow A Ética em Parapsicologia
Principal
Página Principal
Psi Basics
Psi Advanced
Psi Plus
Mídia
Inter Psi
Advanced Search
Busca Avançada
Login





Lost Password?
No account yet? Register
  • Português do Brasil
  • English
  • Spanish  - Español Formal Neutro
Anúncios
A Ética em Parapsicologia PDF Print E-mail
Written by Wellington Zangari   
quinta, 31 março 2005
Barrionuevo, V. L. & Pallú, T. R. (2005). A Ética em Parapsicologia. Revista Virtual de Pesquisa Psi, 1.

Vera Lúcia Barrionuevo[1] e Tarcísio Roberto Pallú[2]

Resumo O presente artigo aborda um dos mais profundos e abrangentes motivos de preocupação do ser humano :as fronteiras do respeito do indivíduo para com seu próximo em sua tentativa de crescimento interno e coexistência pessoal.A Parapsicologia, por seu específico interesse no potencial da mente humana, não prescinde de um enfoque particular no conjunto de normas regedoras da atuação de seus profissionais: seu código de ética.

A Axiologia[3] é a parte da Filosofia mais estudada neste princípio de século, fato talvez provocado pelo progressivo ceticismo e arrogância que vem caracterizando o dia-a-dia de grande parte dos seres humanos. A reflexão ética apóia-se, essencialmente, numa ânsia por descobrir a lei das leis da conduta do homem e se encontra na raiz da sociedade, da vida e das instituições humanas, como expressão da convivência e discussão do relacionamento entre os seres.

Bibliotecas e livrarias têm repletas suas estantes com obras sobre o tema que ressurge, periodicamente, como uma necessidade lógica das civilizações, sempre que se vêem ameaçadas por elites inescrupulosas, que podem ser encontradas com muito mais freqüência do que se imagina. Existe um ponto de ligação entre o criminoso comum, o cidadão que lamenta o aumento da violência nos grandes centros urbanos enquanto acha natural e aceitável burlar as leis do trânsito; o político que profere discursos violentos contra a política governamental, enquanto aceita percentuais sobre os contratos que conseguiu para sua região eleitoral; e o parapsicólogo que explora a boa fé daqueles que o procuram em busca de esclarecimentos sobre suas vivências de paranormalidade: todos eles desrespeitam os limites que separam o direito alheio dos seus.

A História localiza os primeiros registros a respeito das discussões éticas no século V a.C. Começa com Sócrates (469-399 a.C.), que, em oposição aos Sofistas propagadores de uma ética unicamente ligada ao sucesso profissional e político, desperta a razão e o espírito crítico de seus contemporâneos, com uma permanente indução de valores objetivos, adaptando o pensamento à vida pública e particular do cidadão dentro da democracia (McIntire, 1967).

O principal argumento socrático é a afirmação de que o que é bom para um, deve sê-lo, igualmente, para outros colocados sob circunstâncias idênticas: é o principio de generalização do problema ético (Kremer-Marietti, 1989). Seu interesse pelos valores éticos é compartilhado por Platão (427-347 a.C.), que coloca em pauta a idéia do "bem", e para quem os conceitos éticos consistem em "coisas eternas do mundo das idéias"; por Aristóteles (384-322 a.C.) , que coloca o "bem" dentro de uma realidade concreta, e em cuja opinião a racionalidade oferece a fundamentação para a ética; e, nos séculos mais recentes, por Emmanuel Kant (1724-1804) que, em oposição a Aristóteles, transporta a idéia de "valor" ao campo da consciência e Francis Bacon (1561-1626), que privilegiam a intenção acima de tudo (Kremer-Marietti, 1989).

O Ceticismo de Kant é uma constatação do fracasso das faculdades humanas; ou, ao menos, a descoberta de seus limites. Ele teve a coragem de declarar que, talvez, nunca tenha existido uma ação moral pura, pela impossibilidade de estabelecer um único caso em que uma ação se fundamente exclusivamente em princípios mora is ou na noção do dever, o que inviabiliza a avaliação da intenção própria e alheia.

Atualmente, a questão ética chega a suscitar um inesperado grau de perplexidade, provocada não apenas pelo ceticismo e materialismo crescentes das populações contemporâneas, como também pela tecnologia moderna que possibilitou o extraordinário avanço da Medicina, especialmente no que se refere ao início do processo vital e ao término da vida. Esse pensamento traz à lembrança a mensagem de Aldous Huxley em "O Admirável Mundo Novo", onde o autor se refere a "...noventa e seis gêmeos idênticos e operando noventa e seis máquinas iguaizinhas!"

O respeito e observância às normas da ética profissional, que é e deve mesmo ser mais ampla e mais exigente do que a própria lei, deixam cada vez mais a desejar. A ética profissional costuma fundamentar-se nos conceitos de bem e mal, relacionando-os com a realização dos valores da pessoa humana. Um dos seus pontos frágeis tem sua origem na própria Universidade, desde que muito poucos cursos universitários a incluem em seus currículos. Além disso, a ética vem perdendo terreno para a economia (Marcílio; Ramos, 1997). O ser humano passou, gradativamente, a valorizar o "ter" em prejuízo do "ser" e a objetividade em detrimento da subjetividade, esquecendo, convenientemente, que "a solidariedade representa a ética suprema da sobrevivência" (Weil, 1994). Os interesses privados sobrepõem-se ao interesse comum. Na ideologia contemporânea do bem-estar, o que conta é o sucesso, o ganho, o poder, e não a virtude. Fica cada vez maior o abismo que separa esses valores já tão isolados intrinsecamente (Costa, 1995).

Pela necessidade de ver superada a postura estritamente acadêmica das pesquisas científicas inteiramente desvinculadas das realidades sociais e, embasada no mais amplo sentido da moral filosófica, com o significado global de virtude, fruto do saber, de reconhecimento do "bem" pelo que é e, tendo em vista que, por definição prática, ética é o "conjunto de normas explícitas, aceitas livre e conscientemente, que norteiam a conduta individual, profissional e social dos seres em sua atuação no cotidiano" (Vasquez, 1994), o Conselho Diretor da Parapsychologycal Association distribuiu, em 1980, entre seu Corpo de Associados, um Código de Conduta Ética e Profissional que aborda desde o respeito ao direito de defesa dos acusados de fraude, explicitando que acusações irresponsáveis são, por si próprias, antiéticas; passa pelo direito dos sujeitos de pesquisa; revela sua preocupação com a proteção dos animaizinhos em laboratório de pesquisa já que esses são completamente indefesos; o que torna o experimentador responsável a única pessoa com o poder de exercer a precaução devida contra tal abuso; lembra que insinuações difamadoras podem causar danos muito graves, pela maior dificuldade de se defender do que é insinuado do que de uma acusação formal, já que esta precisa ser acompanhada de documentação comprobatória, enquanto que aquelas dependem apenas da palavra do acusador; deixa patente a obrigação moral que tem o acusador de respeitar a regra de cortesia profissional científica que garante o direito de resposta; e a responsabilidade dos experimentadores e seus colaboradores na disseminação da informação, cabendo-lhes certificar-se de que seus contatos com a mídia conduzam à verdade, e não a interpretações sensacionalistas, que possam desmerecer seu campo de trabalho ou a seus pare s; passa por detalhes referentes a publicações científicas e a exemplos de conduta antiética; explicita as conseqüências que podem advir das medidas cabíveis aos casos de infração por parte dos membros associados.

Embora se trate de um estudo bastante detalhado e procure estabelecer deveres e direitos, antecipando problemas e soluções, sabe-se que novas situações sempre se apresentam, com diferentes facetas, frente a circunstâncias diversas.

Sabe-se, também, que essas diretrizes são apenas um consenso, uma orientação sobre os padrões de conduta em assuntos não legislados, mas deixados à consciência individual, com resultados incertos. Cabe, portanto, analisá-las à medida que se forem apresentando e adotar as medidas consideradas sensatas e saneadoras para cada situação particular.

Existe, entre os parapsicólogos, um sentimento exacerbado de respeito aos padrões éticos que parece relacionar-se, especialmente, ao direito de exercício de sua profissão.

Também externamente, um comportamento tortuoso pode ser detectado: as demais áreas encaram a Parapsicologia com uma espécie de tolerância impaciente que limita sua atuação e fere sua credibilidade. Por esse motivo, os prejuízos ocasionados por eventuais deslizes no que as demais áreas consideram como "prática ideal" em nossa profissão, podem ser muito superiores ao normal, por se tratar de u m campo tão controverso e tão patrulhado (malgrado nossa indignada aquiescência) como a Parapsicologia. Assim, enquanto a importância da verdade é fundamental em qualquer campo cientifico, na Parapsicologia, os efeitos de quaisquer falhas, deslizes ou enganos, podem se mostrar desastrosos.

Isso se deve, em parte, a tratar-se de uma disciplina ainda não suficientemente reconhecida. Em parte, se deve ainda, à abordagem de temas relacionados com a porção da mente ainda não suficientemente compreendida pela ciência tradicional. O desconhecido pode tornar-se atraente para alguns, e ameaçador para uma grande maioria, que não se atreve a explorá-lo.

Nosso panorama ético inclui a união de forças neste trabalho árduo e fascinante, que é a descoberta e o entendimento da mente humana; o orgulho que temos de nossa dedicação e seriedade, de nossas regras de segurança e metodologia de pesquisa; dos anos que dedicamos aos estudos e estágios da disciplina que, esperamos, seja aceita como igual pelas demais ciências; e, exclui, decididamente, qualquer prática que faça crescer nossos extratos bancários ou iludir a confiança dos que nos procuram em busca de esclarecimento, lesando-nos o auto-respeito enquanto referenda as críticas daqueles que nos incluem, a todos, num único e desprezado bloco de adeptos do charlatanismo profissional.

Encarar o assunto que reconhecemos ser o ponto nevrálgico de nossas vidas profissionais faz com que discorrer sobre o comportamento ético dentro da Parapsicologia, torne-se uma tarefa menos fácil, se bem que muito mais instigadora. < /p>

Parece ser desnecessário estender-se a termos filosóficos ou aludir a campos limítrofes que a ética abranja. É importante excluir a idéia de "moralismo" que, estático e rígido, apresenta sua faceta maniqueísta baseada em dogmas; e, por isso, não evolui, não se adapta às situações peculiares (Marcílio; Ramos, 1997). Mais importante, então, é analisar cada uma das situações especificas que se oferecem na prática do dia-a-dia e encará-las - todas, com a ótica realista sob a qual se apresentam.

Ponderação sobre a própria postura e conduta parece ser o primeiro passo para um comportamento ético e bem resolvido.

O comportamento ético mantém, como características constantes, o senso crítico e de responsabilidade; e se apresenta sob a forma de respeito à pontualidade e à disciplina, no decorrer de todas as etapas do trabalho, além de estabelecer os limites próprios e alheios. Procura tornar-se isento de preconceitos e preconcepcões, manter a discrição, a mente aberta e neutra, utilizar um critério rigoroso, discernimento e respeito não apenas ao sigilo como também ao trabalho profissional, através da obediência aos prazos e compromissos previamente marcados.

O parapsicólogo tem seu caminho orientado em três diferentes direções, cada uma delas apontando preocupações e responsabilidades diversas: o Magistério, a Pesquisa Cientific a e a Orientação ou Aconselhamento (Barrionuevo, 1995).

O PROFESSOR tem como primeira responsabilidade a formação da consciência, o que repousa na capacidade de levar o educando a acessar com liberdade ao que é bom, verdadeiro e justo, levando em conta aspirações e percepções individuais. Para tanto, deve estabelecer um processo de empatia com o aluno, utilizando com lucidez e abertura, sua capacidade de comunicação e de argumentação lógica e atualizada, através dos instrumentos adequados, num processo contínuo de formação do pensamento do futuro profissional. Educar é, na verdade exercer o poder da comunicação.

Sua grande dificuldade é fugir ao impasse de se situar numa perspectiva que permita desenvolver um raciocínio ético bem fundamentado numa moral autenticamente humana sem se impor à consciência, violar a liberdade ou frustrar as aspirações do educando.

Difícil é ir ao encontro de suas inquietações sem perder de vista os princípios e os valores éticos questionados, e por cuja transmissão é responsável, como educador.

Na transmissão dos conhecimentos deve atentar para a questão ética essencial: que verdade transmitir e a quem transmiti-la? No serviço de valorizar a verdade, o mais sensato é aferrar-se não às próprias idéias e opiniões; mas ter em mente a relatividade das dualidades fronteiriças do certo e do errado, do bem e do mal e lim itar-se à analise do que a ciência o autoriza a afirmar em seu nome e o impede de fazer declarações relacionadas a suas próprias convicções e crenças.

E, nesse caso, se enquadram perfeitamente os assuntos referentes à pesquisa da Psi com relação à ciência. Declarações que sugiram a comprovação da fenomenologia parapsicológica são totalmente inadequadas desde que, na verdade, existe apenas sua demonstração científica.

A questão da ética no ensino pode, ainda, tornar-se complicada quando a consciência diverge da lei. Ninguém deve agir contra sua consciência; não pode furtar-se, no entanto, de arcar com as conseqüências de tal responsabilidade.

Mas, se o educador oferecer a seus alunos o exemplo de seu próprio comportamento efetivo de atitudes éticas, já estará contribuindo para seu despertar ético, como uma conseqüência natural (Weil, 1994).

O PESQUISADOR tem como sua primeira preocupação, a apuração da verdade sobre o fenômeno. Para tanto, deve adotar um ponto de vista objetivo e universal, e manter com imparcialidade e impessoalidade um sistema de organização responsável e sistematizada, pois "até os sujeitos com real capacidade Psi sabem que a produção de eventos Psi não se dá à vontade; e mesmo eles podem ser tentados; especialmente se uma oportunidade convidativa se apresentar" (Parapsychologycal Association, 1980).

Se um investigador achar evidência de simulação da psi por parte do sujeito, deve lembrar primeiramente que, a menos que haja uma razão específica e convincente para tal, a simulação deve ser evitada e desencorajada. Além disso, deve considerar cuidadosamente se vai ou não denunciar sua descoberta. Se se tratar de criança ou adolescente, o cuidado deve ser maior, pelos possíveis danos a seu psiquismo em formação. Se, por outro lado, se tratar de um sujeito famoso por sua habilidade Psi, o investigador tem a obrigação de tornar público o que sabe, junto com todas as outras informações obtidas durante a investigação.

Deve ficar muito claro que crianças jamais devem ser forçadas a participar de qualquer tipo de experimento. E, mesmo em caso de concordância, os pais ou guardiães responsáveis devem dar a devida autorização para seu envolvimento na pesquisa.

Nos casos de experimentos que incluam a participação de doentes mentais, incapazes de entender o significado legal de sua autorização, antes que sejam envolvidos no estudo em questão, é aconselhável que se tenha em arquivo, a aprovação de um terapeuta qualificado. Deve-se ainda, contatar pessoas que tenham autoridade para formalizar o documento pertinente de autorização, como seu médico responsável, o tutor ou os pais.

O pressuposto é o de que ninguém deve fazer sofrer inutilm ente um semelhante e, seguindo esse mesmo pressuposto, não prejudicar (non noscere) (Weil, 1994), de acordo com a máxima hipocrática. Isto se aplica a todas as áreas, mas diz respeito - pelas óbvias implicações, especialmente à da pesquisa.

Qualquer possibilidade de envolvimento de risco obriga os investigadores a se certificarem de que tal informação seja prestada ao participante antes que esse seja convidado a formalizar seu consentimento, lembrando que, se necessária a utilização de nomes verdadeiros ou de dados potencialmente identificadores, a obtenção de uma autorização específica é exigida.

Nos casos de denúncia de falsidade científica atribuída a colegas, o que caracteriza uma situação de fragilidade profissional, devem ser tomados alguns cuidados éticos: procurar examinar a documentação concernente e indagar sobre os fatos que a compõem, para evitar que o caso seja registrado; ou, mesmo, relatado com distorções. Repetir uma denúncia de outros pode ser - de fato, uma forma de fazer idêntica acusação. Da mesma forma o uso de termos como "não observado fraudar" pode disfarçar uma situação ambígua e, de certa forma, comprometedora.

Quando tais acusações são suspeitas de conseqüentes a diferenças de pontos de vista, é antiético - além de mesquinho, referir-se ao fato como sendo, efetivamente, uma desonestidade científica "...Também é antiético tent ar denegrir a reputação de um investigador por ataques pessoais que não se baseiem diretamente na competência profissional ou na integridade do investigador no exercício de seu papel." (Parapsychologycal Association, 1980).

Por outro lado, a única estratégia que os investigadores devem adotar para reagir a uma crítica a seu próprio trabalho é o levantamento de fatos relevantes e a utilização de argumentos lógicos e racionais que se lhe oponham.

Nos casos de trabalhos relatados ou publicados, é apropriado que a critica feita - por ser destinada à publicação ou apresentação pública, seja prévia e detalhadamente enviada a seus autores, para que possam ter a oportunidade de pronta defesa. Essa regra de cortesia profissional científica, se aplica apenas a criticas formais.

Um ponto que deve ser salientado é que "o possível impacto da desonestidade científica pode ir além do indivíduo apanhado em desonestidade, do projeto específico ou do problema supostamente estudado" (Parapsychologycal Association, 1980) e prejudicar a classe como um todo, já que, como foi exposto acima, as demais áreas encaram a Parapsicologia com uma espécie de tolerância impaciente que limita sua atuação e fere sua credibilidade.

Quanto à investigação propriamente dita, o papel de pesquisador-chefe deve ser muito mais do que meramente formal. A pessoa que exercer esse papel na pesquisa deve ser designada para isso e encarada como sendo, efetivamente, o chefe da pesquisa, com todas as responsabilidades e prerrogativas inerentes ao cargo.

É´ fundamental que aquele que trabalhar sob a responsabilidade de um investigador-chefe entenda ser bastante antiético utilizar previamente - para uso próprio, publicação ou apresentação independente - os dados da pesquisa em andamento, sem sua explícita aprovação. Nenhum argumento poderia justificar uma exceção à essa regra.

Por outro lado, depois da publicação ou apresentação pública da pesquisa, qualquer pessoa tem o direito de comentar, também publicamente, os resultados da pesquisa.

O ORIENTADOR deve ter presente que sua responsabilidade primordial relaciona-se com o bem estar e equilíbrio dos clientes que o procuram para aconselhamento. São pessoas que vivenciam situações características de fenomenologia Psi e demonstram interesse em obter informações sobre o que lhes ocorre e que dificilmente conseguem entender ou aceitar (Barrionuevo, 2000).

Seu trabalho tem uma abordagem humanista / transpessoal e é executado pelos profissionais da Parapsicologia habilitados em Orientação Psi[4] (Pallú, 1997).

O relacionamento entre o orientador e seu cliente deve ser pautado pela abertura, lógica e comunicabilidade. Precisa dar o primeiro passo direcionado ao sucesso das relações humanas: externar um comportamento a um só tempo, receptivo e confiável e estabelecer um processo de empatia[5], sintonizando seus pensamentos que passam a fluir com mais facilidade e coerência. É através dessa sintonia bem ajustada que se aprofunda o conhecimento mútuo e se garante a continuidade da interação (Barrionuevo, 1995).

O sucesso de qualquer abordagem terapêutica é dependente do processo de empatia estabelecido desde o primeiro instante na relação do cliente com o profissional, cuja missão é diminuir a ansiedade advinda do não entendimento da fenomenologia vivenciada, enquanto lhe aumenta o sentido de ligação com o próprio curso dos acontecimentos, o nível de auto-estima, de auto-crítica e de autocontrole.

A preocupação do Orientador é a de manter sempre a objetividade dentro da inevitável subjetividade; é privilegiar a sensibilidade de encarar o fenômeno como real, tendo em vista que, como tal, se apresenta àquele que o vivencia, desde que reais são suas conseqüências, apresentadas em forma de sintomas (Barrionuevo, 2000) .

Tudo isto aponta na direção de uma atuação equânime dentro do respeito aos limites próprios e alheios. Mas, às vezes, a linha que passa entre duas fronteiras pode ser quase imperceptível. No entanto, ela existe, esta lá. Quando rompida, pode trocar sua discreta fragilidade por uma evidência acusadora: o que fere o direito alheio, já não era seu por direito.

Partindo desse principio, é preciso ainda, que se leve em conta o que se tem que superar para atuar com equanimidade. Analisar, criticar e reagir a pessoas e situações sem subjetividade é tarefa que exige constante auto-crítica; o que pode ser tão difícil quanto o significado das palavras evidencia.

O profissional ajuda seu cliente a "administrar" suas experiências espontâneas do dia-a-dia: aquelas que não entende e que lhe causam medo e culpa sem que consiga diferenciá-las de processos psíquicos ou patológicos, já que vivências desse tipo podem originar reações disruptivas ou estressantes.

Ao pedir a ajuda do Orientador Psi, o cliente quer mesmo é entender o que está acontecendo e lhe causa medo e culpa. Quer, também, aumentar sua auto-estima, anular o stress e tensão causados pela ansiedade de, ao mesmo tempo, temer e procurar ser diferente dos demais.

Muitas vezes, busca desenvolver as habilidades PSI e obter controle sobre sua fenomenologia, o que vem aumentar bastante a responsabilidade do Orientador. Esse deve colocar - acima da curiosidade natural do pesquisador, o bem estar de quem o procura, e traz queixas que podem dizer respeito à simples necessidade de proteção ou disfarçar uma grande carência afetiva.

Outras queixas podem referir-se a hiperestesias, relatos de experiências aparentemente mediúnicas ou de possíveis atividades Poltergeist; sensações inexploradas ou inexplicadas; visões de fantasmas ou acesso a percepções antecipadas de eventos que querem reforçar ou anular; sensação de estar fora do próprio corpo; percepção de energias ou coisas estranhas ao redor; impressão de ter controle mental à distância ou de ser uma vítima desse mesmo fenômeno; impressão de estar possuído ou ser vítima de feitiçaria; lembranças de eventuais vidas passadas; impressão de mover objetos ou de curar pessoas, visão de auras; vontade de transformar precognições negativas em positivas; descrição de experiências de empatia e de "déja-vu"; entre outros (Pallú, 1997).

Dentro desse prisma limitador, o bom senso pode ser um instrumento valioso para nortear atuações e palavras. Nele está contido o segredo dos relacionamentos bem sucedidos.

Assim, deve tornar-se a primeira e mais importante regra de conduta do Profissional em Parapsicologia :

basearo pensamento do futuro profissional

napreocupação com a busca da verdade, e

norespeito ao bem estar do portador da

fenomenologiaPSI (Barrionuevo, 2000).

Nos casos em que haja conflitos quanto à observância estrita dos padrões éticos - e exemplos incontáveis podem ser encontrados no cotidiano - deverá, obrigatoriamente, prevalecer o bom senso que deve ser a característica fundamental e indispensável do perfil do profissional em Parapsicologia (Barrionuevo, 1995).

Discussões éticas mantidas entre membros de uma mesma categoria profissional costumam abordar exemplos de situações criadas onde a objetividade se choca com o bem-estar das pessoas envolvidas. As mais óbvias se referem a simples questões de natureza pessoal e fazem parte não apenas da vida profissional, mas do cotidiano de todas as pessoas (Barrionuevo;Pallú, 2000). Vai desde o cumprimento da palavra dada ou de promessas feitas, aos ataques preventivos como medida de defesa.

Deve-se ter em mente que não existe uma solução decisiva ou definitiva, já que as decisões e as medidas a serem adotadas devem adequar-se às respectivas situações estudadas, tendo que se considerar as contingências concernentes.

Em todo caso, demonstram ser um bom instrumento para explorar os diversos lados das questões, combater as preconcepções e ampliar a compreensão das pessoas e situações vivenciadas; mas encontram apenas, na maioria das vezes, diferentes pontos de vista a respeito do que seria "a" verdade.

Pode-se citar, como exemplo fictício, o julgamento, por parte da Comissão de Ética da Associação Ibero-americana de Parapsicologia, de um associado denunciado por prática ilegal da profissão com invasão de privacidade. Poderia tratar-se de um renomado parapsicólogo que, no decorrer de seus estudos, teria formado uma equipe de sujeitos de pesquisa dedicados a auxiliar à Polícia, através de levantamentos psicométricos de objetos pertencentes às vitimas de casos insolvidos de roubos, homicídios e seqüestros. A cada crime investigado, ao descobrir-se o suspeito, a equipe teria se dedicado a sondá-lo telepaticamente, até que as pistas levantadas pudessem transformar-se em provas que, entregues à Polícia, acabassem por levar à captura e futura condenação dos criminosos - insuspeitos, até então. A privacidade da mente - último reduto do ser humano, em sua perda gradativa de liberdade, tornar-se-ia o motivo da discussão dos membros do Conselho.

Alguns comparariam a sondagem telepática à escuta e gravação telefônicas, não procedentes numa corte oficial, por serem consideradas i legais e ilegítimas, principalmente por suspeita de fraude. Outros, embora quisessem garantir a validade das provas conseqüentes a esse ato dúbio, reconheceriam sua semelhança a uma entrada forçada nos domínios do suspeito sem sequer um mandato judicial para torná-la lícita. Outros, ainda, considerariam absolutamente válida a sondagem telepática, não apenas por anteceder uma coleta de provas materiais que se mostrassem de inquestionável validade posterior, como também por ocasionar um serviço público: o de privar a sociedade do convívio de um criminoso inconfesso.

Um outro exemplo de discussão ética seria o de uma equipe de pesquisa experimental que decidisse convocar e testar sujeitos para um estudo de ESP. O candidato mais entusiasmado teria um histórico de desajuste familiar e profissional com alguns episódios de desequilíbrio emocional severo e diversa tentativas de suicídio.

A decisão quanto a seu aproveitamento, quer fosse positiva ou negativa, acabaria por representar uma ameaça aos preceitos éticos: se não fosse aceito, haveria o risco de conseqüências graves pelo ataque à sua segurança, seu amor-próprio e sua auto-imagem, já bastante empobrecida. Em contrapartida, se aceito, os testes estressantes - com resultados inesperados, poderiam também abalar-lhe o equilíbrio, já tão precário.

Um terceiro exemplo poderia ser o de uma Dire ção de Faculdade que, conhecendo seus problemas básicos e a própria potencialidade, direcionaria sua preocupação para com a formação dos alunos. Ainda que tivesse em mente que seu nível de informação tivesse sido sempre insuficiente; obrigar-se-ia a estabelecer o propósito de - em curto prazo, fazer da Instituição um modelo de ensino para o resto do país. Averiguaria pontos nevrálgicos, e estabeleceria metas de atuação. Um problema precisaria de solução imediata: a consciência de que o baixo nível de informação de alguns professores seria devido à sua falta de atualização.

Por ganharem pouco, teriam outros empregos para seu sustento, o que lhes impediria a participação em Cursos, Congressos e Seminários. No entanto, ficaria patente sua dedicação e lealdade, e sua longa participação no Corpo Docente da Instituição. A decisão de despedi-los e contratar elementos mais novos e atualizados poderia ser uma atitude interpretada como fria e desumana.

Por outro lado, a decisão de conservá-los inviabilizaria o cumprimento da meta, pois o panorama econômico-financeiro não seria favorável à concessão de qualquer aumento salarial.

Discussões desse tipo podem levar à verdade e evidenciar que a preconcepção e a subjetividade devem ser evitadas, no sentido de se buscar o máximo de clareza e lógica na argumentação (Barrionuevo; Pallú, 2000). Fica claro q ue não basta julgar um ato em função de um conjunto de regras, mas é preciso examiná-lo à luz das circunstâncias e condições sob as quais foi cometido, já que o ato ético pressupõe um sujeito dotado da capacidade de interiorizar as normas de uma comunidade e de atuar de acordo com elas (Vasquez, 1996).

Um Parapsicólogo deve ter como sua máxima ética a obrigação de contribuir para manter o caráter profissional-científico de seu campo e imagem pública, evitando possíveis danos à sua área de atuação e assegurando-se como representante da ciência. Parece de bom senso que observe a sugestão de não se comprometer com promessas de resultados definitivos, nem proferir afirmações ou negativas categóricas sobre a fenomenologia parapsicológica - tendo em vista, entre outros fatores, sua tendência de não replicabilidade, o que acaba por representar algumas das tantas dificuldades que enfrenta em sua meta de demonstração cientifica, que vem, mesmo assim, sendo levada a efeito, nas ultimas décadas.

Com os olhos voltados para o futuro, e na esperança de que consigamos vencer os obstáculos erguidos pelas características limitadoras que a natureza humana impõe, tentamos dar eco às palavras de Fritjof Capra:

"E, se examinarmos os valores, podemos observar uma passagem correspondente, da competição para a cooperação, da expans ão para a conservação, da quantidade para a qualidade, da dominação para a parceria".

BIBLIOGRAFIA:

Abbagnano, N.Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1982.

BARRIONUEVO, V.Alguns Tópicos de Ética. Material didático: Métodos e Técnicas de Pesquisa em Parapsicologia.Março, 1995.

BARRIONUEVO, V.Orientação Psi: abordagem norte-americana x abordagem brasileira. Em FatorPsi vol.1, nº 3, março / 2000, p. 102-106.

BARRIONUEVO V.; PALLÚ, T.Curso de Parapsicologia: uma experiência brasileira.Em FatorPsi vol.1, nº 4, setembro / 2000, p. 125-139.

COSTA, J.A Ética e o Espelho da Cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.

KREMER-MARIETTI, A.A Ética. Campinas: Papirus, 1989.

MacINTYRE, A. Short History of Ethics.London: Routledge & Kegan, 1967.

MARCILIO, M.;RAMOS, E. Ética na Virada do Século. SãoPaulo: LTR, 1997.

PALLU, T.Alguns Tópicos para Orientação Parapsicológica. Material didático, outubro / 1997.

PARAPSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Código de Conduta Ética e Profissional. 1980. Tradução de V.L. Barrionuevo, 1995.

RUNES, D.Dicionário de Filosofia. </ span>Lisboa:Presença, 1990.

VAZQUEZ, A.Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

WEIL, P.A Nova Ética. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1994.

[1]Graduada em Parapsicologia e pós-graduada em Estudos da Consciência. Supervisora em Aconselhamento em Parapsicologia. Integrante do Summer Study Program do Rhine Research Center, turma de 1993. Organizadora e Instaladora do Núcleo de Pesquisa Ganzfeld da FIES. Instrutora do I Curso - Aipa de Metodologias de Pesquisa. Membro da Parapsychologycal Association. Membro Profissional do Rhine Research Center. Membro fundador e Diretor da Asociación IberoAmericana de Parapsicologia. Membro integrante do Centro de Pesquisa de Sonhos. Membro do Conselho Editorial do Boletim FatorPsi.

[2]Graduado em Parapsicologia e Pós Graduado em Estudos da Consciência</ span> pelas Faculdades Integradas Espírita. Chefe do Centro Integrado de Orientação em Parapsicologia e professor do Curso de Parapsicologia da FIES. Integrante do Summer Study Program do Rhine Research Center, turma de 1993. Membro Instalador do Núcleo de Pesquisa Ganzfeld da FIES. Instrutor do I Curso - Aipa de Metodologias de Pesquisa. Instrutor de Programação Neuro-Linguística. Membro da Parapsychologycal Association. Membro Profissional do Rhine Research Center. Membro fundador da Asociación IberoAmericana de Parapsicologia. Membro integrante do Centro de Pesquisa de Sonhos. Membro do Conselho Editorial do FatorPsi.

[3]Estudofilosófico dos valores do ser humano.

[4]Psi é a denominação contemporânea da fenomenologia paranormal.

[5]Aproximação entre duas pessoas, em que uma capta e dá ressonância aos sentimentos da outra

Last Updated ( domingo, 26 junho 2005 )
 
< Prev   Next >
right separator
Este Website é uma realização do Inter Psi e é mantido por Leonardo Stern e Wellington Zangari
© 2008 Pesquisa Psi
Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.
designed by allmambo.com