Vera Lúcia Barrionuevo[*]
Resumo
Este trabalho pretende reportar-se à
luta feminina no sentido de validar sua influência junto
à comunidade Ibero-americana de Parapsicologia; mais
especialmente, junto à comunidade brasileira, com exemplos
de mulheres cujo trabalho foi precursor, na maioria das vezes,
dentro da própria Parapsicologia; outras vezes, apenas
limítrofe à área. Pretende descrever o desafio
e a afirmação que representam sua presença e
contribuição neste campo, que, como o das demais
ciências, ainda é de predominância masculina.
Propõe-se. a levantar e reunir dados sobre as
experiências e feitos de algumas das pioneiras que a briram
as portas para o caminho que apresenta, hoje, menos
obstáculos ao reconhecimento de sua
participação. Propõe-se, também, a
evidenciar suas vitórias e enfatizar a importância de
seu papel, realçando os resultados positivos advindos do
trabalho em parceria de ambos os sexos. Os dados apresentados
tiveram como fonte de informação a literatura
internacional a respeito do assunto, bem como números
fornecidos por diversos Institutos de Ensino e Pesquisa Ibero -
americanos contemporâneos. Estes dados se referem aos
percentuais masculinos e femininos de integração aos
quadros técnicos e administrativos, bem como de novos
candidatos ao campo e levanta uma promissora hipótese de
pesquisa.
No mundo científico, de predomínio ainda masculino, a
mulher na pesquisa da Psi, representa, não apenas, uma
afirmação de presença como também um desafio;
e, em cada passo seu, avança mais e mais no terreno que,
parcialmente, já é seu, por direito de
preservação.
A luta da mulher na Parapsicologia é,
apenas, uma das muitas faces de sua luta por igualdade na vida, em
suas mais diversas áreas. (White, 1991).
E o progresso de seus passos, que vimos assistindo,
inexorável, tem reflexo em nosso campo, como o demonstram os
números publicados na Imprensa Internacional e levantados nos
diversos Centros de Estudos em Parapsicologia.
O relatório das Nações Unidas
sobre a Mulher no Mundo, durante as décadas de 70 a 90 foi a
primeira tentativa global de medir o papel feminino na Sociedade.
Especificava que as mulheres detinham entre 10 e 20 % das
rédeas nos negócios em todo mundo (Heinze, 1991).
Relatório similar, anunciado pela imprensa internacional, no
mês de julho de 1998, elevou para 30% aquele percentual, o que
mostra um avanço bastante promissor da mulher desta
década.
No campo específico da Parapsicologia,
pensamos encontrar um avanço semelhante, no que diz respeito
à crescente relevância do trabalho feminino. Minha
própria experiênc ia não segue os padrões de
dificuldade assinalados na maioria dos trabalhos sobre o tema:
tanto colegas quanto professores mostraram, sempre, disponibilidade
e respeito pelo espaço que ocupei. A ocasião de
implementar a instalação do primeiro Laboratório de
Pesquisa Ganzfeldda América Latina poderia apresentar algumas
dificuldades. Em nenhum momento, porém, houve sugestão,
por parte da Diretoria responsável, de ceder a liderança
do projeto a quem dividia comigo o interesse pelo assunto: meu
colega Tarcísio Pallú, que havia sido, antes, meu
professor; e era, já, por diversos anos, o responsável
pelo Departamento de Treinamento da Instituição.
No entanto, o artigo de Carlos
Alvarado(1989) sobre as Mulheres na Parapsicologia, evidencia o
quanto foi ignorada e obscurecida a participação feminina
na História que, escrita sob o ponto de vista unicamente
masculino, parece desconhecer a influência das idéias e
das interações daquelas que, na legítima
formação do seu campo profissional, ajudaram a criar
lastro.
A pesquisa não costuma examinar a
história da percepção das mulheres sobre suas
experiências, sua conscientização, suas
dificuldades, a não ser quando se depara com uma abordagem
deturpada pela visão do homem sobre o trabalho da mulher; e se
tenta enquadrá-lo em categorias e sistemas de acordo com os
graus de significância masculinos.
Especialmente por este motivo, é
gratificante levantar e reunir dados sobre as experiências e
feitos de algumas das pioneiras que abriram as portas para o
caminho em que, hoje, encontramos menos obstáculos ao
reconhecimento de nossa participação.
E, mesmo que seus nomes tenham sido
omitidos, no passado, em grande parte das publicações
sobre o assunto, negando-lhes o exercício da liderança e
a influência expressiva que, de fato, exerceram, o trabalho da
mulher em Parapsicologia foi ganhando expressão numérica,
cada vez mais forte, até o momento em que temos a oportunidade
gratificante de opção exclusivamente feminina para a
Presidência da P.A.
Gostaria de nomear algumas das valorosas
pioneiras que merecem, não apenas respeito, como gratidão
pelo esforço que envidaram então, e algumas envidam
ainda, para tornar trilhávelnosso caminho de hoje.
A saudação primeira endereço
à britânica Eleanor Sidgwick(1845-1936) que
pode ser considerada uma das grande s responsáveis pelos mais
estritos padrões científicos adotados pela pesquisa
psíquica (Alvarado, 1989).
Dotada de notável capacidade
intelectual e descrita por historiadores como uma das maiores
pesquisadoras da Cambridge University, desfrutava de
situação familiar proeminente, mas seus méritos
pessoais direcionavam seu interesse, que abrangia o crescimento da
mulher nas mais diversas áreas (Beloff, 1993). Sua
contribuição na criação e engrandecimento da
S.P.R., a que dedicou sua vontade e devoção, modela e
dignifica o trabalho da mulher, oferecendo, com o marido Henry
Sidgwickum invejável exemplo de bem sucedida parceria
profissional.
Outro exemplo de parceria profissional de
sucesso foi dado por LouisaE.
Rhine(1891-1983), a representante mais expressiva da
História da Parapsicologia e co-fundadora, em 1962, da antiga
F.R.N.M.; que, em 1995, durante as comemorações do
centenário de Joseph BanksRhine, passou a chamar-se
RhineResearchCenter, em homenagem ao casal fundador e à sua
contribuição inestimável ao campo da
Parapsicologia.
Em SomethingHidden (1983),
considerada obra autobiográfica, LouisaRhinefala que enfrentou
conflitos comuns a toda mulher cuja vida profissional tem que
dividir terreno com as obrigações familiares. Embora sua
vida não possa ser encarada como representativa das
experiências da mulher no campo, ela partilhou de problemas de
caráter exclusivamente femininos, como ocupar lugares
secundários em publicações e pesquisas. Ao
descobrir-se grávida, em 1928, optou por abandonar as
funções exercidas, desde 1927, junto ao Departamento de
Botânica da DukeUniversity(L.E. Rhine, 1983). Um exemplo
explícito do papel secundário exercido por LouisaRhine:
ela mesma considerava essencialmente dele, o campo que ela tinha,
apenas, por adoção (Rhine, 1983). Em 1930, tornou-se
sujeito dos estudos de hipnose do marido, ambos interessados nos
efeitos do transe hipnótico sobre o desempenho da ESP. Durante
onze anos (entre 1936 e 1945), passou a registrar os eventos do
cotidiano, através dos quais pode detectar a ocorrência
da ESP no ambiente familiar.
Seu trabalho, encarado pelo marido como uma
espécie de passatempo para manter aceso seu interesse no
campo, e relegado a uma saleta do Instituto, acabou por
transformar-se numa obra inestimável: o mais importante estudo
de Coleções de Casos da História da Parapsicologia;
sendo, hoje ainda, motivo de atenção e aprendizado, por
parte de estudiosos da Psi, a respeito do processo que a envolve e
de suas formas de manifestação.
Desempenhou um papel decisivo na
história das parcerias bem sucedidas; e, em toda a sua vida,
soube estruturar, ao par de uma reconhecidamente valiosa carreira,
um grau invejável de dedicação e respeito por parte
de todas as pessoas com quem conviveu: familiares, amigos, colegas
e colaboradores.
A contribuição da sensitiva
irlandesa EileenGarrett (1893-1970) ao campo
estendeu-se desde a disponibilidade contínua de sua
mediunidade como sujeito de pesquisa científica, passando por
sua atividade empresarial em publicações até a
instituição, em 1951, de uma Fundação, a
ParapsychologyFoundation,que, nestes 47 anos,
apóia e subvenciona Bibliotecas e projetos de pesquisa de
cientistas de todo o mundo, entre os quais, RheaWhite, LouisaRhine,
RamakrishnaRao, Ian Stevenson(1971) e MontagueUllman.
Sua dedicação à pesquisa
experimental data do início da década de 30, quando, a
convite da A.S.P.R., realizou diversas viagens à América,
para onde se transferiu, em 1941, e onde se submeteu às
testagenspropostas: uma série precursora dos experimentos de
visão remota, na Califórnia (McMahon, 1991), e diversas
séries propostas por Rhinee Pratt, na
DuKeUniversity, (Rhine, 1934). Submeteu-se, anos mais
tarde, a alguns dos experimentos de sonhos do
MaimonidesHospital, sob a supervisão de
MontagueUllman(Ullman,1970). Moldando-se ao estilo americano de
vida, ao fixar residência nos Estados Unidos, decidiu criar
sua própria Editora, a CreativeAge Press, especializada em
apoiar jovens escritores, e, em cujas obras incluía as suas.
Ofereceu, desta forma, mais um exemplo a ser seguido: o ato de
tornar-se uma empresária em Parapsicologia.
O papel atuante de EileenGarrett, na
pesquisa científica tinha como objetivo transferir a pesquisa
psíquica das salas de sessões mediúnicas para o
ambiente respeitável dos laboratórios (Schlitz,
1991).
Professora Emérita da Universidade da
Cidade de NewYork, e ex-Presidente da ParapsychologicalAssociation,
Gertrude Schmeidlerdesfruta, hoje, do reconhecimento
de todo o campo, por meio século de envolvimento na pesquisa
Psi, cujo histórico data da 2a Guerra Mundial
quando, em 1942, decidiu participar do Departamento de Psicologia
da mesma Universidade de Harward, onde completara seu doutora do,
em 1935. Durante as comemorações do Centenário de
William James, assistiu, fascinada, a uma série de palestras
proferidas por GardnerMurphy; que, mais tarde, ofereceu-lhe a
chance de testar a ESP sob estritas condições
laboratoriais. Face aos resultados decisivamente estimulantes, a
partir de então, a dra. Schmeidlerfoi definitivamente
conquistada pelo mundo da Parapsicologia. Seu trabalho, depois de
desenvolvido, ajudou a marcar o início de um Programa de
Pesquisa formal que passou a aplicar testes psicológicos nos
laboratórios de experimentos ESP (Schmeidler, 1988). Sua maior
contribuição à pesquisa experimental foi o estudo
das variáveis psicológicas (a crença, em especial)
associadas aos fenômenos extra-sensoriais. Conduziu
experimentos, particularmente importantes para o estudo da
Personalidade e outras correlações psicológicas da
ESP (Alvarado, 1989).
Bibliotecária, Parapsicóloga,
Bibliógrafa, RheaWhite, a revolucionária
pesquisadora, derrubou o "tabu" que proibia o envolvimento do
pesquisador com o fenômeno, por diminuir sua
isenção, quando apresentou a idéia de que o
pesquisador pode estudar com mais profundidade o fenômeno de
que é portador porque quem sente sabe melhor como
sente.
Lutou muito para ser bem sucedida no caminho
que escolheu, onde prestou, sempre, inestimável
colaboração e conquistou da classe o respeito de que
usufrui ainda, jamais deixando de prestar apoio e
orientação tanto a antigos colegas quanto a jovens e
inexperientes estudantes (Coly, 1991). Integrou o Conselho Fundador
da P.A., da qual foi Presidente, em 1984. Entre suas
contribuições, destacam-se as Bibliografias de assuntos
parapsicológicos, trabalho que teve seu início em 1973.
Nas últimas décadas, a questão da mulher na
Parapsicologia, juntamente com o Pós-Modernismo, vêm
merecendo, mais fortemente, sua atenção. Passou a
reivindicar para as ciências, como as demais pensadoras
feministas, uma abordagem distintamente feminina, que acaba por
levar ao questionamento da supervalorização do estudo
experimental sobre os demais métodos de Pesquisa.
Integrando, ainda, o Corpo Editorial da
Revista da P.A., e editora do Psi Today, com uma surpreendente
vitalidade que desmente sua idade bastante avançada, com mais
de noventa anos, DorothyPopecarrega consigo a
própria história do nosso campo, cujos integrantes
são unânimes no respeito e admiração que
dedicam a essa legendária figura da Parapsicologia, cujas
tarefas originais incluíam o gerenciamento de
editoração e editoração do J.P., desde o
surgimento do Instituto de Parapsicologia.
Militante imbatível na questão da
igualdade de direitos entre homens e mulheres, em especial no campo
da Parapsicologia, Nancy Zingronepropõe-se,
agora, como Presidente recentemente eleita da
ParapsychologicalAssociation, a lutar pelo progresso da
Parapsicologia como uma área interdisciplinar. O modelo de
LouisaRhine, com sua imagem de sucesso e sua dedicação
à família e à ciência foi o principal
instrumento a influenciar sua meta de vida, a qual construiu em
parceria com o marido Carlos Alvaradocom quem, também,
desfruta de uma autêntica e bem sucedida sociedade
profissional.
A agudeza de seu pensamento crítico se
evidencia nas posições que assume, como quando declara
que é tempo de exigir que a Comunidade Cética
ofereça, por seu próprio trabalho, metodologias de
padrão tão elevado e resultados tão apurados quanto
espera que os demais pesquisadores apresentem, para sua
crítica.
Ganhadora do Prêmio Gertrude
Schmeidlerpara estudantes de 1997, KathyDalton,
é uma pesquisadora incansável e otimista, possuidora de
mente aberta e atitude isenta de preconcepções. Foi
assistente de LoydAuerbach, em sua pesquisa de fenômenos
espontâneos; de Charles Honorton, durante a fase
exploratória do Ganzfeld; e, posteriormente, de H. Kanthamanie
Richard Broughton, no Laboratório Experimental do atual
R.R.C., onde instalou todo o equipamento de Autoganzfeld, deixado
por Charles Honorton, em atenção a ela, que fora seu
antigo braço-direito. Terminou, recentemente, seu mestrado em
Edinburgh, Escócia; e montou um Instituto de Pesquisa em
Parapsicologia em região próxima a San Francisco,
Califórnia, onde dá continuidade à sua pesquisa,
conduzindo importantes estudos sobre a ESP no Ganzfeld, relacionada
à criatividade.
Outros nomes de peso no campo da
Parapsicologia internacional contemporânea são: a
presidente da P.A., do período vigente,
MarilynSchlitz,cujas conferências junto a
comunidades científicas alheias à Parapsicologia tentam
introduzir em seus campos limítrofes os nossos temas de
interesse primeiro; Emily Cook,especialista na
Pesquisa das Hipóteses de Sobrevivência da Mente,
disciplina que lecionou nos cursos de verão do R.R.C.,
integra, atualmente, o Departamento de Estudos da Personalidade,
junto à Universidade da Virgínia, onde se dedica ao
estudo das Experiências Próximas à
Morte;JulieMilton, especialista em metanálisee em
assuntos metodológicos, dedica-se, entre outras coisas, a
tornar menos ambíguo o significado da fenomenologia psi; e
Débora Delanoy,cuja principal
preocupação no momento atual, é um mais
profícuo levantamento de fundos para as pesquisas.
Portugal tem sua representante feminina na
Parapsicologia: Maria Luísa Albuquerque é diretora
e editora da Revista Portuguesa de Parapsicologia e representa,
naquele país, o Centro Latino Americano de Parapsicologia -
C.L.A.P.
No Brasil, a década de setenta nos
oferece o nome de Adelaide PetersLessa, cuja
tese de doutorado, versando sobre a Precognição, marcou a
primeira vez que um tema de Parapsicologia teve aceitação
numa Instituição oficial brasileira (Departamento de
Psicologia da Universidade de São Paulo - U.S.P.). Adelaide
Lessa transformou sua tese em dois livros, adotados pelos
estudiosos do campo, onde relata sua experiência e os passos
da pesquisa que a levou a estagiar com J.B. Rhine, na antiga
F.R.N.M. (Lessa, 1975, 1978).
Do Rio de Janeiro, citamos o nome da
psicóloga Lurdes Oberg, Coordenadora do Curso de
Pós-Graduação em Ciências e Parapsicologia da
Universidade Veiga de Almeida.
Mais um exemplo nítido de sucesso no
trabalho compartilhado entre casais motivados por uma mesma
idéia e um mesmo ideal, pode apontar para o papel exercido
pela professora NeydaNerbassUlysséajunto
ao atual Centro Universitário Bezerra de Menezes, em Curitiba.
Em 1973, aliou-se ao sonho de seu marido Octávio
MelchiadesUlysséa, na idealização e
construção de uma instituição de ensino
interdisciplinar voltada ao estudo da consciência.
Como parte desse mesmo sonho, ajudou a
fundar, em 1980, o Curso de Parapsicologia que, desde então,
vem formando alunos em seus cursos de Graduação e
Pós-Graduação.
Na certeza de que os profissionais do campo
devem aprender, primeiramente, a conhecer a si mesmos e aprender a
lidar com as próprias emoções,
NeydaUlysséamontou um Laboratório de Vivências
Pessoais, motivo de interesse e aprendizado, pelos estudiosos da
Psi, a respeito do processo que a envolve. Soube formar uma
carreira reconhecidamente valiosa, angariando dedicação e
respeito por parte das pessoas com quem vive e trabalha: quer no
ambiente familiar, quer entre colegas e colaboradores.
Lembramos, também, dois nomes dignos
de menção e respeito pelo trabalho sério e pioneiro
que realizaram junto à mesma Instituição: a
psicóloga Maria da Paz Ribeiro que, há algumas
décadas, vem realizando um estudo sério e competente no
campo da Pesquisa das Hipóteses de Sobrevivência da
Mente, e a professora Anna
ElfrideHoffmann,líder, em 1987, do movimento a
favor da Parapsicologia Clínica, e instaladora, em 1988, do
primeiro Laboratório de Aconselhamento, na Clínica-Escola
do Curso de Parapsicologia, da qual faziam parte
Parapsicólogos, Psicólogos e Médicos, num trabalho
criativo e inovador. Essa Clínica deu origem ao atual Centro
Integrado de Orientação em Parapsicologia (Eppinger&
Pallú, 1997).
A pesquisadora paulista, Fátima
Regina Machado, representa a década de noventa, na
Parapsicologia brasileira: é vice-Presidente da AIPA e
administra um Instituto de ensino e pesquisa (o Inter Psi, de
São Paulo), ao lado de seu esposo, Wellington Zangari, em mais
um exemplo de sucesso de parceria em Parapsicologia. Junto com
Zangari, recebeu recentemente, o Prêmio Gertrude
Schmeidlerpara estudantes, durante o Congresso Anual da
P.A., em Halifax, Canadá. Fátima Machado fundou, com um
grupo de colegas, primeiramente, a Sociedade Brasileira para o
Progresso da Parapsicologia, destinada a promover a união dos
parapsicólogos brasileiros; e, em 1995, a
AssociaciónIbero-Americana de Parapsicologia. Foi co-editora
da Revista Brasileira de Parapsicologia. Atualmente, está
fazendo seu Doutorado junto à PUC Paulista, cuja tese tem o
Poltergeistcomo tema. Seus trabalhos publicados, cursos e palestras
são causa de orgulho e motivação para as jovens
pesquisadoras.
Todas estas profissionais e muitas outras
não mencionadas nesta matéria, fizeram de sua força,
dedicação e seriedade, um modelo que vem sendo adotado
por tantas que iniciam o caminho que ainda promete poucas flores
entre os espinhos. Os espinhos representam as questões ligadas
a desrespeito, desconfiança, menosprezo, e todos os
sentimentos de menosvaliaque faz subestimada a importância e a
influência da mulher, desde os primeiros momentos desta
história que parece se dever à obra exclusivamente
masculina.
E por acreditarmos nesta força,
acreditamos, também, que estamos onde devemos e queremos
estar, onde merecemos estar: é nossa conquista.
Colher dados numéricos de algumas de
nossas Associações e Centros de Ensino e Pesquisa em
Parapsicologia e compará-los com os números referentes ao
princípio da década, pareceu-me um excelente meio de
testar essa conquista.
Estes dados se referem aos percentuais
masculinos e femininos de integração aos quadros
técnicos e administrativos, bem como de novos candidatos ao
campo.
A ParapsychologicalAssociation(P.A.)
acusava, em sua Directoryde 1996, o registro de 283 membros, dentre
os quais, apenas 76 eram mulheres, num percentual de 27%. Seu Corpo
Diretor era composto de 9 pessoas, 45% das quais, representantes do
sexo feminino. Atualmente, com o acréscimo de 48 associados,
seu quadro apresenta ainda, 27 % de mulheres, perfazendo um total
de 331 membros (P.A., 1997).
A AssociacionIberoamericanade Parapsicologia
(AIPA) tem, atualmente, 47 membros inscritos, entre os quais
somente 19,1 % são mulheres. Seu Corpo Diretor é formado
por 7 elementos (42,8% representantes do sexo feminino).
O RhineResearchCenter, de Durham, Carolina
do Norte, conta com 12 pessoas em seu Corpo Diretor: 25 % delas,
representam o sexo feminino. A equipe técnica e administrativa
d a Instituição conta com 9 elementos, 66% dos quais,
mulheres. A respeito da freqüência do Summer
StudyProgram(S.S.P.), conseguimos levantar os
percentuais femininos referentes às turmas de 1991 (45% em 11
alunos), 1993 (53% em 15 alunos), 1996 (56% em 12 alunos) e 1998
(30% em 10 alunos), perfazendo uma média de 46 % em 48
alunos.
O Departamento de Psicologia da Universidade
de Edinburgh, na Escócia, tem, em seu Corpo Técnico e
Administrativo, o registro de 11 indivíduos (54% do sexo
feminino). Aceita, anualmente, alguns projetos de pesquisadores que
se propõem a fazer suas especializações em
Parapsicologia ou suas teses de doutorado baseadas em
Parapsicologia.
Anteriormente à
KoestlerChair,e sob a supervisão do dr.
John Bellof, estes pesquisadores apresentavam um percentual 40 %
feminino e 60 % masculino. Este quadro alterou-se para 31 % de
mulheres e 69 % de homens inscritos, após a
instauração da
KoestlerParapsychologyUnit, em 1985, sob a
supervisão do Dr. Robert Morris.
No atual período letivo, ainda sob a
cátedra do dr. Morris, mais uma vez, decresceu o nível de
freqüência feminina, com um percentual de apenas 25
%.
O SaybrookInstitute, de SanFrancisco,
dedicado ao estudo das áreas ligadas à Psicologia,
oferece supervisão, também, a doutorandos cujas teses
sejam relacionadas à Parapsicologia. Seus arquivos registram
um número total de 330 estudantes, nos últimos dez anos,
60% entre os quais representam o sexo feminino.
O Instituto de Psicologia Paranormal,
inaugurado em 1994, e dirigido por AlejandroParra, levantando os
números constantes de seus arquivos, desde então,
verificou um percentual majoritário de 70 % de integrantes do
sexo feminino.
No Brasil, o Instituto Pernambucano de
Pesquisas Psicobiofísicas(I.P.P.P.), administrado pelo Dr.
Valter da Rosa Borges, tem em seus arquivos, o registro de 518
participantes, nos últimos 10 anos, entre alunos e
pesquisadores, 40,15 % dos quais, pertencem ao sexo feminino.
O Instituto de Pesquisas Interdisciplinares
das Áreas Fronteiriças da Psicologia (Interpsi), de
S.Paulo, dirigido por Wellington Zangari e Fátima Regina
Machado, sucedeu, em 1995, ao Instituto Eclipsy, fundado em 1989.
Documenta o registro inicial de 14 membros com igual percentual de
mulheres e homens. A participação feminina decresceu,
primeiramente, para 25% e acabou por equilibrar-se em 45%. Os
cursos oferecidos ao público, costumam contar, geralmente, com
uma média de inscrições femininas equivalente a 65%
.
O Curso de Parapsicologia das Faculdades
Integradas Espírita, de Curitiba, graduou um total de 95
Parapsicólogos, nos últimos 10 anos. Dentre os formandos,
encontramos um percentual predominantemente feminino (70,5 % de
mulheres). A turma de 1998, deverá graduar 13 (81,2%) mulheres
e 3 homens.
No que concerne ao crescimento da
influência feminina junto ao campo, pode-se concluir, pelos
dados levantados, que as instituições de ensino têm,
em seu quadro, números progressivamente femininos. Mas os
números apurados nas Associações de Parapsicologia,
ainda predominantemente masculinos, indicam que, no tocante a este
tópico, a participação da mulher permanece
minoritária.
Este pequeno levantamento sugere que poderia
ser relevante pesquisar o motivo de uma maior filiação
masculina às associações da classe, já que
prepondera a participação feminina nos cursos de
especialização.</ p>
Em 1985, Nancy Zingroneentrevistou algumas
parapsicólogas, tendo como tema suas dificuldades
profissionais. Uma das entrevistadas declarou que como mulher,
só se tem que trabalhar muito mais (Zingrone, 1991).
Evidenciar o humor feminino diante de
atitudes provenientes de um discernimento empobrecido não
traduz resignação à idéia de continuar em
segundo, merecendo o primeiro lugar. Ocorre, apenas, a
conscientização de que este avanço da mulher em
todas as áreas é uma questão de tempo; e é
irreversível. A mulher se movimenta e conquista, a cada dia,
novas marcas. Estas não lhe serão tomadas.
Esta é uma história de sociedade
onde o abuso de autoridade, exercido pela parte dominadora, parece
apoiar-se na submissão da parte dominada, e tece um enredo
desleal, até que a fragilidade se torna resistência, cria
novo enredo e molda novos papéis para aquelas que, por
força de seriedade e persistência, inexorável e
gradualmente, podem tornar-se sócias igualitárias. Esta
pretensa visão Pollyanescado Papel da Mulher na
Parapsicologia, não quer significar que alcançaremos,
logo, o patamar que nos compete. Longe de negar as dificuldades
que, certamente, ainda teremos de enfrentar, evidencia, apenas, que
nossos esforços queimam etapas, e que nosso trabalho
conseguirá, certamente, marcar nossa presença.
Nossas palestras apresentadas neste
Encontro, são uma prova disto. Da mesma forma, a
proposição desta Mesa é outra amostra.
Repriso e dou ênfase às palavras
finais de Nancy Zingrone, em sua palestra
WomenandParapsychology,proferida na
39a Conferência Internacional, de Dublin, Irlanda,
em setembro de 1991, altamente decisivas:
"... Construa seu próprio
território e publique, publique, publique...
As coisas são melhores, agora, do que
antes; mas nós ainda
temos uma longa estrada pela frente..."
(Zingrone, 1991, p.225).
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proferida durante a 39 a Conferência
Anual Internacional, em Dublin, Irlanda,
setembro/1991.
Actasdo III Encontro Psi 1998, Buenos
Aires, Novembro, 1998.
FatorPsivol.1 n.2, (pp.37-53), Curitiba:
edição do C.P.S., outubro 1999.
[*] Graduada em
Parapsicologia e pós-graduada em Estudos da Consciência.
Supervisora em Aconselhamento em Parapsicologia. Integrante do
Summer S tudyProgramdo
RhineResearchCenter, turma de 1993.
Organizadora e Instaladora do Núcleo de Pesquisa Ganzfeldda
FIES. Instrutora do I Curso - Aipade Metodologias de Pesquisa.
Membro da ParapsychologycalAssociation. Membro Profissional do
RhineResearchCenter. Membro fundador e Diretor da
AsociaciónIberoAmericanade
Parapsicologia. Membro integrante do Centro de Pesquisa de
Sonhos. Membro do Conselho Editorial do Boletim
FatorPsi. |