logo  
Página Principal menu separator Psi Basics menu separator Psi Advanced menu separator Psi Plus menu separator Mídia menu separator Inter Psi menu separator Busca Avançada menu separator
separator separator separator separator separator
Página Principal arrow Psi Advanced arrow A Mulher na Parapsicologia
Principal
Página Principal
Psi Basics
Psi Advanced
Psi Plus
Mídia
Inter Psi
Busca Avançada
Busca Avançada
Login





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma
  • Português do Brasil
  • English
  • Spanish  - Español Formal Neutro
Anúncios
A Mulher na Parapsicologia PDF Imprimir E-mail
Por Wellington Zangari   
31 de março de 2005

Vera Lúcia Barrionuevo[*]

Resumo

Este trabalho pretende reportar-se à luta feminina no sentido de validar sua influência junto à comunidade Ibero-americana de Parapsicologia; mais especialmente, junto à comunidade brasileira, com exemplos de mulheres cujo trabalho foi precursor, na maioria das vezes, dentro da própria Parapsicologia; outras vezes, apenas limítrofe à área. Pretende descrever o desafio e a afirmação que representam sua presença e contribuição neste campo, que, como o das demais ciências, ainda é de predominância masculina. Propõe-se. a levantar e reunir dados sobre as experiências e feitos de algumas das pioneiras que a briram as portas para o caminho que apresenta, hoje, menos obstáculos ao reconhecimento de sua participação. Propõe-se, também, a evidenciar suas vitórias e enfatizar a importância de seu papel, realçando os resultados positivos advindos do trabalho em parceria de ambos os sexos. Os dados apresentados tiveram como fonte de informação a literatura internacional a respeito do assunto, bem como números fornecidos por diversos Institutos de Ensino e Pesquisa Ibero - americanos contemporâneos. Estes dados se referem aos percentuais masculinos e femininos de integração aos quadros técnicos e administrativos, bem como de novos candidatos ao campo e levanta uma promissora hipótese de pesquisa.

No mundo científico, de predomínio ainda masculino, a mulher na pesquisa da Psi, representa, não apenas, uma afirmação de presença como também um desafio; e, em cada passo seu, avança mais e mais no terreno que, parcialmente, já é seu, por direito de preservação.

A luta da mulher na Parapsicologia é, apenas, uma das muitas faces de sua luta por igualdade na vida, em suas mais diversas áreas. (White, 1991).
E o progresso de seus passos, que vimos assistindo, inexorável, tem reflexo em nosso campo, como o demonstram os números publicados na Imprensa Internacional e levantados nos diversos Centros de Estudos em Parapsicologia.

O relatório das Nações Unidas sobre a Mulher no Mundo, durante as décadas de 70 a 90 foi a primeira tentativa global de medir o papel feminino na Sociedade. Especificava que as mulheres detinham entre 10 e 20 % das rédeas nos negócios em todo mundo (Heinze, 1991). Relatório similar, anunciado pela imprensa internacional, no mês de julho de 1998, elevou para 30% aquele percentual, o que mostra um avanço bastante promissor da mulher desta década.

No campo específico da Parapsicologia, pensamos encontrar um avanço semelhante, no que diz respeito à crescente relevância do trabalho feminino. Minha própria experiênc ia não segue os padrões de dificuldade assinalados na maioria dos trabalhos sobre o tema: tanto colegas quanto professores mostraram, sempre, disponibilidade e respeito pelo espaço que ocupei. A ocasião de implementar a instalação do primeiro Laboratório de Pesquisa Ganzfeldda América Latina poderia apresentar algumas dificuldades. Em nenhum momento, porém, houve sugestão, por parte da Diretoria responsável, de ceder a liderança do projeto a quem dividia comigo o interesse pelo assunto: meu colega Tarcísio Pallú, que havia sido, antes, meu professor; e era, já, por diversos anos, o responsável pelo Departamento de Treinamento da Instituição.

No entanto, o artigo de Carlos Alvarado(1989) sobre as Mulheres na Parapsicologia, evidencia o quanto foi ignorada e obscurecida a participação feminina na História que, escrita sob o ponto de vista unicamente masculino, parece desconhecer a influência das idéias e das interações daquelas que, na legítima formação do seu campo profissional, ajudaram a criar lastro.

A pesquisa não costuma examinar a história da percepção das mulheres sobre suas experiências, sua conscientização, suas dificuldades, a não ser quando se depara com uma abordagem deturpada pela visão do homem sobre o trabalho da mulher; e se tenta enquadrá-lo em categorias e sistemas de acordo com os graus de significância masculinos.

Especialmente por este motivo, é gratificante levantar e reunir dados sobre as experiências e feitos de algumas das pioneiras que abriram as portas para o caminho em que, hoje, encontramos menos obstáculos ao reconhecimento de nossa participação.

E, mesmo que seus nomes tenham sido omitidos, no passado, em grande parte das publicações sobre o assunto, negando-lhes o exercício da liderança e a influência expressiva que, de fato, exerceram, o trabalho da mulher em Parapsicologia foi ganhando expressão numérica, cada vez mais forte, até o momento em que temos a oportunidade gratificante de opção exclusivamente feminina para a Presidência da P.A.

Gostaria de nomear algumas das valorosas pioneiras que merecem, não apenas respeito, como gratidão pelo esforço que envidaram então, e algumas envidam ainda, para tornar trilhávelnosso caminho de hoje.

A saudação primeira endereço à britânica Eleanor Sidgwick(1845-1936) que pode ser considerada uma das grande s responsáveis pelos mais estritos padrões científicos adotados pela pesquisa psíquica (Alvarado, 1989).

Dotada de notável capacidade intelectual e descrita por historiadores como uma das maiores pesquisadoras da Cambridge University, desfrutava de situação familiar proeminente, mas seus méritos pessoais direcionavam seu interesse, que abrangia o crescimento da mulher nas mais diversas áreas (Beloff, 1993). Sua contribuição na criação e engrandecimento da S.P.R., a que dedicou sua vontade e devoção, modela e dignifica o trabalho da mulher, oferecendo, com o marido Henry Sidgwickum invejável exemplo de bem sucedida parceria profissional.

Outro exemplo de parceria profissional de sucesso foi dado por LouisaE. Rhine(1891-1983), a representante mais expressiva da História da Parapsicologia e co-fundadora, em 1962, da antiga F.R.N.M.; que, em 1995, durante as comemorações do centenário de Joseph BanksRhine, passou a chamar-se RhineResearchCenter, em homenagem ao casal fundador e à sua contribuição inestimável ao campo da Parapsicologia.

Em SomethingHidden (1983), considerada obra autobiográfica, LouisaRhinefala que enfrentou conflitos comuns a toda mulher cuja vida profissional tem que dividir terreno com as obrigações familiares. Embora sua vida não possa ser encarada como representativa das experiências da mulher no campo, ela partilhou de problemas de caráter exclusivamente femininos, como ocupar lugares secundários em publicações e pesquisas. Ao descobrir-se grávida, em 1928, optou por abandonar as funções exercidas, desde 1927, junto ao Departamento de Botânica da DukeUniversity(L.E. Rhine, 1983). Um exemplo explícito do papel secundário exercido por LouisaRhine: ela mesma considerava essencialmente dele, o campo que ela tinha, apenas, por adoção (Rhine, 1983). Em 1930, tornou-se sujeito dos estudos de hipnose do marido, ambos interessados nos efeitos do transe hipnótico sobre o desempenho da ESP. Durante onze anos (entre 1936 e 1945), passou a registrar os eventos do cotidiano, através dos quais pode detectar a ocorrência da ESP no ambiente familiar.

Seu trabalho, encarado pelo marido como uma espécie de passatempo para manter aceso seu interesse no campo, e relegado a uma saleta do Instituto, acabou por transformar-se numa obra inestimável: o mais importante estudo de Coleções de Casos da História da Parapsicologia; sendo, hoje ainda, motivo de atenção e aprendizado, por parte de estudiosos da Psi, a respeito do processo que a envolve e de suas formas de manifestação.

Desempenhou um papel decisivo na história das parcerias bem sucedidas; e, em toda a sua vida, soube estruturar, ao par de uma reconhecidamente valiosa carreira, um grau invejável de dedicação e respeito por parte de todas as pessoas com quem conviveu: familiares, amigos, colegas e colaboradores.

A contribuição da sensitiva irlandesa EileenGarrett (1893-1970) ao campo estendeu-se desde a disponibilidade contínua de sua mediunidade como sujeito de pesquisa científica, passando por sua atividade empresarial em publicações até a instituição, em 1951, de uma Fundação, a ParapsychologyFoundation,que, nestes 47 anos, apóia e subvenciona Bibliotecas e projetos de pesquisa de cientistas de todo o mundo, entre os quais, RheaWhite, LouisaRhine, RamakrishnaRao, Ian Stevenson(1971) e MontagueUllman.

Sua dedicação à pesquisa experimental data do início da década de 30, quando, a convite da A.S.P.R., realizou diversas viagens à América, para onde se transferiu, em 1941, e onde se submeteu às testagenspropostas: uma série precursora dos experimentos de visão remota, na Califórnia (McMahon, 1991), e diversas séries propostas por Rhinee Pratt, na DuKeUniversity, (Rhine, 1934). Submeteu-se, anos mais tarde, a alguns dos experimentos de sonhos do MaimonidesHospital, sob a supervisão de MontagueUllman(Ullman,1970). Moldando-se ao estilo americano de vida, ao fixar residência nos Estados Unidos, decidiu criar sua própria Editora, a CreativeAge Press, especializada em apoiar jovens escritores, e, em cujas obras incluía as suas. Ofereceu, desta forma, mais um exemplo a ser seguido: o ato de tornar-se uma empresária em Parapsicologia.

O papel atuante de EileenGarrett, na pesquisa científica tinha como objetivo transferir a pesquisa psíquica das salas de sessões mediúnicas para o ambiente respeitável dos laboratórios (Schlitz, 1991).

Professora Emérita da Universidade da Cidade de NewYork, e ex-Presidente da ParapsychologicalAssociation, Gertrude Schmeidlerdesfruta, hoje, do reconhecimento de todo o campo, por meio século de envolvimento na pesquisa Psi, cujo histórico data da 2a Guerra Mundial quando, em 1942, decidiu participar do Departamento de Psicologia da mesma Universidade de Harward, onde completara seu doutora do, em 1935. Durante as comemorações do Centenário de William James, assistiu, fascinada, a uma série de palestras proferidas por GardnerMurphy; que, mais tarde, ofereceu-lhe a chance de testar a ESP sob estritas condições laboratoriais. Face aos resultados decisivamente estimulantes, a partir de então, a dra. Schmeidlerfoi definitivamente conquistada pelo mundo da Parapsicologia. Seu trabalho, depois de desenvolvido, ajudou a marcar o início de um Programa de Pesquisa formal que passou a aplicar testes psicológicos nos laboratórios de experimentos ESP (Schmeidler, 1988). Sua maior contribuição à pesquisa experimental foi o estudo das variáveis psicológicas (a crença, em especial) associadas aos fenômenos extra-sensoriais. Conduziu experimentos, particularmente importantes para o estudo da Personalidade e outras correlações psicológicas da ESP (Alvarado, 1989).

Bibliotecária, Parapsicóloga, Bibliógrafa, RheaWhite, a revolucionária pesquisadora, derrubou o "tabu" que proibia o envolvimento do pesquisador com o fenômeno, por diminuir sua isenção, quando apresentou a idéia de que o pesquisador pode estudar com mais profundidade o fenômeno de que é portador porque quem sente sabe melhor como sente.

Lutou muito para ser bem sucedida no caminho que escolheu, onde prestou, sempre, inestimável colaboração e conquistou da classe o respeito de que usufrui ainda, jamais deixando de prestar apoio e orientação tanto a antigos colegas quanto a jovens e inexperientes estudantes (Coly, 1991). Integrou o Conselho Fundador da P.A., da qual foi Presidente, em 1984. Entre suas contribuições, destacam-se as Bibliografias de assuntos parapsicológicos, trabalho que teve seu início em 1973. Nas últimas décadas, a questão da mulher na Parapsicologia, juntamente com o Pós-Modernismo, vêm merecendo, mais fortemente, sua atenção. Passou a reivindicar para as ciências, como as demais pensadoras feministas, uma abordagem distintamente feminina, que acaba por levar ao questionamento da supervalorização do estudo experimental sobre os demais métodos de Pesquisa.

Integrando, ainda, o Corpo Editorial da Revista da P.A., e editora do Psi Today, com uma surpreendente vitalidade que desmente sua idade bastante avançada, com mais de noventa anos, DorothyPopecarrega consigo a própria história do nosso campo, cujos integrantes são unânimes no respeito e admiração que dedicam a essa legendária figura da Parapsicologia, cujas tarefas originais incluíam o gerenciamento de editoração e editoração do J.P., desde o surgimento do Instituto de Parapsicologia.

Militante imbatível na questão da igualdade de direitos entre homens e mulheres, em especial no campo da Parapsicologia, Nancy Zingronepropõe-se, agora, como Presidente recentemente eleita da ParapsychologicalAssociation, a lutar pelo progresso da Parapsicologia como uma área interdisciplinar. O modelo de LouisaRhine, com sua imagem de sucesso e sua dedicação à família e à ciência foi o principal instrumento a influenciar sua meta de vida, a qual construiu em parceria com o marido Carlos Alvaradocom quem, também, desfruta de uma autêntica e bem sucedida sociedade profissional.

A agudeza de seu pensamento crítico se evidencia nas posições que assume, como quando declara que é tempo de exigir que a Comunidade Cética ofereça, por seu próprio trabalho, metodologias de padrão tão elevado e resultados tão apurados quanto espera que os demais pesquisadores apresentem, para sua crítica.

Ganhadora do Prêmio Gertrude Schmeidlerpara estudantes de 1997, KathyDalton, é uma pesquisadora incansável e otimista, possuidora de mente aberta e atitude isenta de preconcepções. Foi assistente de LoydAuerbach, em sua pesquisa de fenômenos espontâneos; de Charles Honorton, durante a fase exploratória do Ganzfeld; e, posteriormente, de H. Kanthamanie Richard Broughton, no Laboratório Experimental do atual R.R.C., onde instalou todo o equipamento de Autoganzfeld, deixado por Charles Honorton, em atenção a ela, que fora seu antigo braço-direito. Terminou, recentemente, seu mestrado em Edinburgh, Escócia; e montou um Instituto de Pesquisa em Parapsicologia em região próxima a San Francisco, Califórnia, onde dá continuidade à sua pesquisa, conduzindo importantes estudos sobre a ESP no Ganzfeld, relacionada à criatividade.

Outros nomes de peso no campo da Parapsicologia internacional contemporânea são: a presidente da P.A., do período vigente, MarilynSchlitz,cujas conferências junto a comunidades científicas alheias à Parapsicologia tentam introduzir em seus campos limítrofes os nossos temas de interesse primeiro; Emily Cook,especialista na Pesquisa das Hipóteses de Sobrevivência da Mente, disciplina que lecionou nos cursos de verão do R.R.C., integra, atualmente, o Departamento de Estudos da Personalidade, junto à Universidade da Virgínia, onde se dedica ao estudo das Experiências Próximas à Morte;JulieMilton, especialista em metanálisee em assuntos metodológicos, dedica-se, entre outras coisas, a tornar menos ambíguo o significado da fenomenologia psi; e Débora Delanoy,cuja principal preocupação no momento atual, é um mais profícuo levantamento de fundos para as pesquisas.

Portugal tem sua representante feminina na Parapsicologia: Maria Luísa Albuquerque é diretora e editora da Revista Portuguesa de Parapsicologia e representa, naquele país, o Centro Latino Americano de Parapsicologia - C.L.A.P.

No Brasil, a década de setenta nos oferece o nome de Adelaide PetersLessa, cuja tese de doutorado, versando sobre a Precognição, marcou a primeira vez que um tema de Parapsicologia teve aceitação numa Instituição oficial brasileira (Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo - U.S.P.). Adelaide Lessa transformou sua tese em dois livros, adotados pelos estudiosos do campo, onde relata sua experiência e os passos da pesquisa que a levou a estagiar com J.B. Rhine, na antiga F.R.N.M. (Lessa, 1975, 1978).

Do Rio de Janeiro, citamos o nome da psicóloga Lurdes Oberg, Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Ciências e Parapsicologia da Universidade Veiga de Almeida.

Mais um exemplo nítido de sucesso no trabalho compartilhado entre casais motivados por uma mesma idéia e um mesmo ideal, pode apontar para o papel exercido pela professora NeydaNerbassUlysséajunto ao atual Centro Universitário Bezerra de Menezes, em Curitiba. Em 1973, aliou-se ao sonho de seu marido Octávio MelchiadesUlysséa, na idealização e construção de uma instituição de ensino interdisciplinar voltada ao estudo da consciência.

Como parte desse mesmo sonho, ajudou a fundar, em 1980, o Curso de Parapsicologia que, desde então, vem formando alunos em seus cursos de Graduação e Pós-Graduação.

Na certeza de que os profissionais do campo devem aprender, primeiramente, a conhecer a si mesmos e aprender a lidar com as próprias emoções, NeydaUlysséamontou um Laboratório de Vivências Pessoais, motivo de interesse e aprendizado, pelos estudiosos da Psi, a respeito do processo que a envolve. Soube formar uma carreira reconhecidamente valiosa, angariando dedicação e respeito por parte das pessoas com quem vive e trabalha: quer no ambiente familiar, quer entre colegas e colaboradores.

Lembramos, também, dois nomes dignos de menção e respeito pelo trabalho sério e pioneiro que realizaram junto à mesma Instituição: a psicóloga Maria da Paz Ribeiro que, há algumas décadas, vem realizando um estudo sério e competente no campo da Pesquisa das Hipóteses de Sobrevivência da Mente, e a professora Anna ElfrideHoffmann,líder, em 1987, do movimento a favor da Parapsicologia Clínica, e instaladora, em 1988, do primeiro Laboratório de Aconselhamento, na Clínica-Escola do Curso de Parapsicologia, da qual faziam parte Parapsicólogos, Psicólogos e Médicos, num trabalho criativo e inovador. Essa Clínica deu origem ao atual Centro Integrado de Orientação em Parapsicologia (Eppinger& Pallú, 1997).

A pesquisadora paulista, Fátima Regina Machado, representa a década de noventa, na Parapsicologia brasileira: é vice-Presidente da AIPA e administra um Instituto de ensino e pesquisa (o Inter Psi, de São Paulo), ao lado de seu esposo, Wellington Zangari, em mais um exemplo de sucesso de parceria em Parapsicologia. Junto com Zangari, recebeu recentemente, o Prêmio Gertrude Schmeidlerpara estudantes, durante o Congresso Anual da P.A., em Halifax, Canadá. Fátima Machado fundou, com um grupo de colegas, primeiramente, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Parapsicologia, destinada a promover a união dos parapsicólogos brasileiros; e, em 1995, a AssociaciónIbero-Americana de Parapsicologia. Foi co-editora da Revista Brasileira de Parapsicologia. Atualmente, está fazendo seu Doutorado junto à PUC Paulista, cuja tese tem o Poltergeistcomo tema. Seus trabalhos publicados, cursos e palestras são causa de orgulho e motivação para as jovens pesquisadoras.

Todas estas profissionais e muitas outras não mencionadas nesta matéria, fizeram de sua força, dedicação e seriedade, um modelo que vem sendo adotado por tantas que iniciam o caminho que ainda promete poucas flores entre os espinhos. Os espinhos representam as questões ligadas a desrespeito, desconfiança, menosprezo, e todos os sentimentos de menosvaliaque faz subestimada a importância e a influência da mulher, desde os primeiros momentos desta história que parece se dever à obra exclusivamente masculina.

E por acreditarmos nesta força, acreditamos, também, que estamos onde devemos e queremos estar, onde merecemos estar: é nossa conquista.

Colher dados numéricos de algumas de nossas Associações e Centros de Ensino e Pesquisa em Parapsicologia e compará-los com os números referentes ao princípio da década, pareceu-me um excelente meio de testar essa conquista.

Estes dados se referem aos percentuais masculinos e femininos de integração aos quadros técnicos e administrativos, bem como de novos candidatos ao campo.

A ParapsychologicalAssociation(P.A.) acusava, em sua Directoryde 1996, o registro de 283 membros, dentre os quais, apenas 76 eram mulheres, num percentual de 27%. Seu Corpo Diretor era composto de 9 pessoas, 45% das quais, representantes do sexo feminino. Atualmente, com o acréscimo de 48 associados, seu quadro apresenta ainda, 27 % de mulheres, perfazendo um total de 331 membros (P.A., 1997).

A AssociacionIberoamericanade Parapsicologia (AIPA) tem, atualmente, 47 membros inscritos, entre os quais somente 19,1 % são mulheres. Seu Corpo Diretor é formado por 7 elementos (42,8% representantes do sexo feminino).

O RhineResearchCenter, de Durham, Carolina do Norte, conta com 12 pessoas em seu Corpo Diretor: 25 % delas, representam o sexo feminino. A equipe técnica e administrativa d a Instituição conta com 9 elementos, 66% dos quais, mulheres. A respeito da freqüência do Summer StudyProgram(S.S.P.), conseguimos levantar os percentuais femininos referentes às turmas de 1991 (45% em 11 alunos), 1993 (53% em 15 alunos), 1996 (56% em 12 alunos) e 1998 (30% em 10 alunos), perfazendo uma média de 46 % em 48 alunos.

O Departamento de Psicologia da Universidade de Edinburgh, na Escócia, tem, em seu Corpo Técnico e Administrativo, o registro de 11 indivíduos (54% do sexo feminino). Aceita, anualmente, alguns projetos de pesquisadores que se propõem a fazer suas especializações em Parapsicologia ou suas teses de doutorado baseadas em Parapsicologia.

Anteriormente à KoestlerChair,e sob a supervisão do dr. John Bellof, estes pesquisadores apresentavam um percentual 40 % feminino e 60 % masculino. Este quadro alterou-se para 31 % de mulheres e 69 % de homens inscritos, após a instauração da KoestlerParapsychologyUnit, em 1985, sob a supervisão do Dr. Robert Morris.

No atual período letivo, ainda sob a cátedra do dr. Morris, mais uma vez, decresceu o nível de freqüência feminina, com um percentual de apenas 25 %.

O SaybrookInstitute, de SanFrancisco, dedicado ao estudo das áreas ligadas à Psicologia, oferece supervisão, também, a doutorandos cujas teses sejam relacionadas à Parapsicologia. Seus arquivos registram um número total de 330 estudantes, nos últimos dez anos, 60% entre os quais representam o sexo feminino.

O Instituto de Psicologia Paranormal, inaugurado em 1994, e dirigido por AlejandroParra, levantando os números constantes de seus arquivos, desde então, verificou um percentual majoritário de 70 % de integrantes do sexo feminino.

No Brasil, o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas(I.P.P.P.), administrado pelo Dr. Valter da Rosa Borges, tem em seus arquivos, o registro de 518 participantes, nos últimos 10 anos, entre alunos e pesquisadores, 40,15 % dos quais, pertencem ao sexo feminino.

O Instituto de Pesquisas Interdisciplinares das Áreas Fronteiriças da Psicologia (Interpsi), de S.Paulo, dirigido por Wellington Zangari e Fátima Regina Machado, sucedeu, em 1995, ao Instituto Eclipsy, fundado em 1989. Documenta o registro inicial de 14 membros com igual percentual de mulheres e homens. A participação feminina decresceu, primeiramente, para 25% e acabou por equilibrar-se em 45%. Os cursos oferecidos ao público, costumam contar, geralmente, com uma média de inscrições femininas equivalente a 65% .

O Curso de Parapsicologia das Faculdades Integradas Espírita, de Curitiba, graduou um total de 95 Parapsicólogos, nos últimos 10 anos. Dentre os formandos, encontramos um percentual predominantemente feminino (70,5 % de mulheres). A turma de 1998, deverá graduar 13 (81,2%) mulheres e 3 homens.

No que concerne ao crescimento da influência feminina junto ao campo, pode-se concluir, pelos dados levantados, que as instituições de ensino têm, em seu quadro, números progressivamente femininos. Mas os números apurados nas Associações de Parapsicologia, ainda predominantemente masculinos, indicam que, no tocante a este tópico, a participação da mulher permanece minoritária.

Este pequeno levantamento sugere que poderia ser relevante pesquisar o motivo de uma maior filiação masculina às associações da classe, já que prepondera a participação feminina nos cursos de especialização.</ p>

Em 1985, Nancy Zingroneentrevistou algumas parapsicólogas, tendo como tema suas dificuldades profissionais. Uma das entrevistadas declarou que como mulher, só se tem que trabalhar muito mais (Zingrone, 1991).

Evidenciar o humor feminino diante de atitudes provenientes de um discernimento empobrecido não traduz resignação à idéia de continuar em segundo, merecendo o primeiro lugar. Ocorre, apenas, a conscientização de que este avanço da mulher em todas as áreas é uma questão de tempo; e é irreversível. A mulher se movimenta e conquista, a cada dia, novas marcas. Estas não lhe serão tomadas.

Esta é uma história de sociedade onde o abuso de autoridade, exercido pela parte dominadora, parece apoiar-se na submissão da parte dominada, e tece um enredo desleal, até que a fragilidade se torna resistência, cria novo enredo e molda novos papéis para aquelas que, por força de seriedade e persistência, inexorável e gradualmente, podem tornar-se sócias igualitárias. Esta pretensa visão Pollyanescado Papel da Mulher na Parapsicologia, não quer significar que alcançaremos, logo, o patamar que nos compete. Longe de negar as dificuldades que, certamente, ainda teremos de enfrentar, evidencia, apenas, que nossos esforços queimam etapas, e que nosso trabalho conseguirá, certamente, marcar nossa presença.

Nossas palestras apresentadas neste Encontro, são uma prova disto. Da mesma forma, a proposição desta Mesa é outra amostra.

Repriso e dou ênfase às palavras finais de Nancy Zingrone, em sua palestra WomenandParapsychology,proferida na 39a Conferência Internacional, de Dublin, Irlanda, em setembro de 1991, altamente decisivas:

"... Construa seu próprio território e publique, publique, publique...

As coisas são melhores, agora, do que antes; mas nós ainda

temos uma longa estrada pela frente..." (Zingrone, 1991, p.225).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALVARADO, Carlos. The History of Women in Parapsychology: A Critique of Past Work and

Suggestions for Further Research, J.P. 53, set./1989.

BELOFF, John. Parapsychology, A Concise History, London: The AthlonePress, 1993.

COLY, Eileen. Greetings.Palestra Introdutória proferida na 39 a Conferência Anual Internacional,

de Dublin, Irlanda, set./ 1991.

EPPINGER, Ricardo & PallÚ, Tarcísio. Sonhos, Parapsicologia e Aconselhamento, Curitiba:

edição dos autores, 1997.

HEINZE, Ruth-Inge. Womenas Parapsychologists, Atas de Palestras apresentadas na 31 a

Convenção Anual da ParapsychologicalAssociation, p. 214-217, set./1991.

HESS, David. Gender, Hierarchy and the Psychic: An interpretation of the Culture of

Parapsychology. p. 341-353, 1988.

LESSA, Adelaide. Precognição, São Paulo: Editora Duas Cidades, 1975.

_______ A Predição Parapsicológica Documentada, São Paulo: IbrasaEditora, 1978.

MCMAHON, Joanne. Eileen J. Garrett: A Woman who made a Difference. Palestra proferida

durante a 39 a Conferência Anual Internacional, em Dublin, Irlanda, setembro/1991.

PARAPSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. P.A. News, , January to March no 1, 1997.

PARAPSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. P.A. News, July to September no 3, 1997.

RHINE, Joseph B. Telepathy and Clairvoyance in the Normaland Altered States of a Medium,

Character and Personality 3, p.91-111, 1934.

RHINE, Louisa. Something Hidden. Jefferson, NC: McFarland, 1983.

SCHLITZ, Marilyn. WomenandParapsychology, Palestra proferida durante a 39 a Conferência

Anual Internacional, em Dublin, Irlanda, setembro/1991.

SCHMEIDLER, Gertrude. Parapsychology and Psychology: Matschesand Mismatsches,

Jefferson, North Carolina and London: McFarland & Co., Inc., Publishers, 1988.

SCHMEIDLER, Gertrude. My 50 Years with Parapsychology: A Short Report on a Long Career,

Psi Today, 1, 1993.

STEVENSON, Ian. Eileen Garrett: An Appreciation , JASPR 65, p. 336-343, 1971.

ULLMAN, M. & KRIPPNER, S. Dream Studies and Telepathy: An Experimental Approach, New

York: Parapsychology Foundation (p.32-39), 1970.

WHITE, Rhea. An Experience-centered Approach to Parapsychology. Exceptional Human

Experience 8, p. 7-36, 1990.

WHITE, Rhea. The Relevance to Parapsychology of a Feminist Approach to Science, Palestra

proferida durante a 39 a Conferência Anual Internacional, em Dublin, Irlanda, setembro/1991.

ZINGRONE, Nancy. Authoshipand Gender in American Parapsychology Journals. Journal of

Parapsychology, 52, p. 321-343, 1988.</ span>

ZINGRONE, Nancy. WomenandParapsychology,Palestra proferida durante a 39 a Conferência

Anual Internacional, em Dublin, Irlanda, setembro/1991.

Actasdo III Encontro Psi 1998, Buenos Aires, Novembro, 1998.

FatorPsivol.1 n.2, (pp.37-53), Curitiba: edição do C.P.S., outubro 1999.



[*] Graduada em Parapsicologia e pós-graduada em Estudos da Consciência. Supervisora em Aconselhamento em Parapsicologia. Integrante do Summer S tudyProgramdo RhineResearchCenter, turma de 1993. Organizadora e Instaladora do Núcleo de Pesquisa Ganzfeldda FIES. Instrutora do I Curso - Aipade Metodologias de Pesquisa. Membro da ParapsychologycalAssociation. Membro Profissional do RhineResearchCenter. Membro fundador e Diretor da AsociaciónIberoAmericanade Parapsicologia. Membro integrante do Centro de Pesquisa de Sonhos. Membro do Conselho Editorial do Boletim FatorPsi.

Última Atualização ( 26 de junho de 2005 )
 
< Anterior   Próximo >
right separator
Este Website é uma realização do Inter Psi e é mantido por Leonardo Stern e Wellington Zangari
© 2009 Pesquisa Psi
Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.
designed by allmambo.com