Vera Lúcia Barrionuevo e Tarcísio
R.Pallú[1]
Resumo
Este trabalho se propõe a reportar os
esforços de seus autores no sentido de introduzir os
procedimentos Ganzfeld junto à comunidade de estudantes
brasileiros em Parapsicologia, tendo como sua principal finalidade
a estrutura didático-pedagógica. Outro
propósito, também importante, é permitir
investigações sobre as relações entre
diversos fatores (psicológicos?) e o desempenho ESP no
Ganzfeld. Os dados coletados relacionam-se àtestagemde ESP
por Ganzfeld. Foram reunidos os dados de todas as testagensde ESP
pelo Método Ganzfeld, usando alvos estáticos, em
ambiente de testagemoperado manualmente, num período de dois
anos e oito meses, entre outubro de 1993 e junho de 1996. Foram
realizados oitenta e nove testes com 64 sujeitos (26 homens e 38
mulheres), compreendendo sete como piloto, sessenta e sete com
emissor, dez sem emissor e cinco como tentativa de emissão
de sensações intensas. Deste total foi
necessária ainvalidação de cinco testes.
Optou-sepor uma abordagem histórico-descritiva para englobar
desde os momentos da coleta das primeiras informações
até o fechamento da primeira série de testagens.
Apresenta o processo de aprendizagem do método, de
elaboração dos alvos, dos procedimentos de
aleatorização, da confecção dos
formulários de instrução e questionamento aos
participantes, da preparação das
instalações do laboratório, bem como a
descrição de dados relevantes detectados durante os
três anos de duração de todo o processo. Uma
análise pedagógica desses dados é
incluída no presente relato.
<b>ANTECEDENTES
No dia 02 de junho de 1993, Tarcísio
Pallúe eu iniciamos o Curso de Verão do atual
RhineResearchCenter. Leváramos conosco a intenção de
coletar, durante aquelasoito semanas de duração do curso,
toda a informação possível concernente aos
experimentos Ganzfeld. Precisávamos aprender tudo o que
pudéssemos, já que pretendíamos instalar, em nossa
volta, um laboratório de pesquisa experimental em
Parapsicologia. Em nossa experiência didática,
dispúnhamos apenas de uma espécie de museu da
Parapsicologia, onde os métodos e técnicas utilizados
datavam da década de sessenta. Estávamos presos aos
experimentos com cartas Zenere queríamos muito atualizar nosso
conhecimento para que o pudéssemos repassar aos colegas e
alunos.
Nossa proposta inicial era direcionar o
treinamento, privilegiando o desenvolvimento de uma linha de
conduta para a pesquisa, em especial para cursos de
pós-graduação e extensão em Parapsicologia.
Temos, no Brasil, uma incontável
reserva de sensitivos que se podem tornar excelentes sujeitos de
pesquisa. Por outro lado, o ponto fraco de nossos estudos tem sido,
sempre, a fragilida de em nossa base metodológica -
deficiência esta, que a AIPA está começando a
suprir, com seus projetos didático-pedagógicos, entre os
quais o lançamento de um livro, que está em fase de
revisão, e os cursos que começa a implantar nos
países íbero-americanos.
Assim, ao travarmos relações com a
equipe de pesquisadores e professores do R.R.C., reportamos nossas
intenções a H. Kanthamani, a então Diretora de
Pesquisa do Instituto, que, a partir dessa data, concordou em
prestar-nos supervisão contínua voltada ao planejamento e
implementação de nosso projeto. Recebemos sua
orientação a cada passo que tivemos que dar. Falou-nos a
respeito do histórico dos experimentos, de seus precursores e
de seu criador. Discorreu sobre a quantidade mínima
imprescindível na montagem de um conjunto completo de alvos
para uma aleatorizaçãoconfiável, sobrea necessidade
de diversificação de motivos e cores na montagem de cada
grupo de alvos, ensinou as regras básicas exigidas pelo
controle de segurança que todo experimentador deve ter em
mente em cada momento da pesquisa, os cuidados necessários
para a formação da equipe, para a localização e
divisão das dependências, para a instalação dos
equipamentos, para indicação dos participantes e
especificação dos papéis de todos os integrantes do
processo. Apontou a imprescindibilidade das medidas de
segurança e do sigilo que devem acompanhar cada fase do
experimento e a importância de valorizar cada detalhe na
montagem dos alvos que começamos a escolhere adquirir a partir
daqueles primeiros dias, em Durham. Ajudou-nos a optar, naquele
primeiro momento, pelo sistema manual - não apenas por ser
mais acessível economicamente, (sabíamos que não
contaríamos com qualquer apoio financeiro), como também
por aquele sistema facilitar nossas intenções
didático-pedagógicas. Foi, de fato, mais simples e mais
interativo aprender os passos do experimento de uma série
manual.
Naquela ocasião, enviamos dos Estados
Unidos, uma carta ao nosso Diretor, professor Octávio
Ulysséa, contando-lhe sobre o andamento de nossos planos de
modificar velhos pensamentos e conceitos, na tentativa de promover
o Programa Científico da Parapsicologia. Em agosto, quando
retornamos ao Campus ele, que sempre incentivara nosso projeto,
convidou-nos a participar de sua intenção de atualizar o
ensino de Parapsicologia dentro da Faculdade e nos ofereceu as
três salas de que precisávamos para montar o
Laboratório de Experimentos Ganzfeldo qual ficou pronto em 22
de outubro de 1993.
Ainda durante o curso de verão,
nós nos inscrevemos como voluntários para todo e qualquer
tipo de pesquisa que estivesse em andamento, pelo que fomos
submetidos a uma variada série de testes psicológicos que
costumam anteceder àsprimeiras testagens. Fomos receptores,
emissores, observadores e experimentadores juntamente com
KathyDalton, a pesquisadora-assistente do Instituto, que nos
ofereceu um excelente exemplo de motivação e entusiasmo
pela pesquisa.
Ao fim de cada prova corríamos para
gravar e anotar os detalhes das instruções e dos passos
do exper imento, tudo o que só poderíamos encontrar
naprática do dia-a-dia. Foi assim com relação ao
processo de ambientação dos sujeitos: aprendemos a fazer
com que se sentissem descontraídos e à vontade, curiosos
e motivados quanto aos momentos que se seguiriam; aprendemos a
prepará-los para o experimento; aprendemos o processo de
impedimento visual e auditivo; treinamos como cortar e adaptar o
esparadrapo, sem deixarvãos, em volta das meias bolinhas de
ping-pongcujo molde não chega a ser o recorte de uma bolinha
pela metade, mas ligeiramente ovalada; e como colocar adequadamente
os fones nos ouvidos. Reproduzimosa mensagem de relaxamento
físico e estimulação mental e recolhemos amostras do
material utilizado para impedimento sensorial.
Como era nossa intenção copiar o
método adotado pelo Instituto de Parapsicologia, guardamos
alguns modelos para posterior tradução, como o modelo de
julgamento do alvo e os questionários dos sujeitos que
decidimos ampliar para enfocar pontos mais abrangentes.
Sabíamos que, no Brasil, não
poderíamos contar com um manancial tão promissor para
nossa fundamentação teórica. Então,durante os
intervalos das aulas corríamos para a Máquina de Xerox:
trouxemos cópia de todo o material relativo à Pesquisa
Ganzfeldque encontramos disponível na Biblioteca do Instituto.
Foi, contando com isso, e com o apoio irrestrito de nossa
supervisora H. Kanthamani, que as muitas dúvidas que surgiram
no dia-a-dia das nossas primeiras tenta tivas foram sendo
esclarecidas e pudemos montar as tabelas de números
aleatórios, os questionários dos participantes e os
formulários de julgamento.
No sentido de aprimorar as medidas de
controle e segurança propostas pelo acordo Honorton-Hyman,e,
aconselhados por DaryllBem, que foi um dos professores convidados
de nosso curso, acabamos por estender a função de juizes
ao experimentador do sujeito e a um juiz independente, elemento
não participante do processo.
Foi divertido e estimulante, naqueles
primeiros dias, escolher e adquirir, nas lojas e papelarias de
Durham, todo o material necessário para montar nosso arquivo
de alvos: 240 postais e "slides" - duplos que comporiamum conjunto
de 60 envelopes-duplos com 4 alvos cada um. Posteriormente, durante
uma viagem à Europa, escolhi e comprei o restante do material
que acabou por completar nosso Arquivo de 100 envelopes-duplos.
Havíamos sido alertados para
aquela importante medida de segurança: o arquivo duplo de
alvos evitaria que o receptor, na hora do julgamento, tivesse em
mãos o mesmo envelope manuseado pelo emissor, com a
possibilidade de ter sido consciente ou inconscientemente marcado
para uma posterior identificação. Fomos advertidos de
que, para evitar confusão de motivos, cores, formas e
características, na hora do julgamento, cada envelope deveria
conter quatro temas diferenciados entre seres humanos, locais
turísticos, paisagens, fauna, flo ra, desenhos, cenas
humorísticas, emocionantes ou deprimentes, obras
arquitetônicas ou artísticas, etc. Kanthamani
alertou-nos, também, para o fato de que a numeração
correspondente a cada alvo jamais deveria corresponder em
números de ordem ou letras aos motivos. Assim, no momento da
distribuição dos alvos nos envelopes, tivemos que
contrariar a inclinação natural de priorizar sempre, na
ordem, os seres humanos; e deixar as últimas opções
para as paisagens ou para as cenas de humor , como por exemplo, a
inclinação de catalogar como opção A, o motivo
"Camponesas Suiças"; como opção B "Os Balões",
como opção C "Veleiro" e como opção D "Macaco
ao telefone", no sentido de evitar essa mesma inclinação
por parte do próprio sujeito, secundada por sua tendência
de optar pelo primeiro envelope aberto.
Foi muito gratificante compartilhar, mais
tarde, cada momento da aprendizagem com os grupos de alunos e
estagiários que, nitidamente, mostraram sua
satisfação em definir edistribuir cada um dos diversos
papéis que puderam alternar em seu período de
aprendizado.
OSPRIMEIROS TEMPOS DAS SÉRIES
MANUAIS
Fundamentação da Proposta.
Em 1993 a temática Educação
em Parapsicologia estava tomando impulso. A Revista Brasileira de
Parapsicologia dedicava toda uma edição à
apresentação de um simpósio específico sobre o
tema. Ampliava, assim, não só a necessidade de questionar
o papel da Educação em Parapsicologia, como também,
a nossa função como educadores.
Tentando analisar as tendências
pedagógicas no contexto brasileiro, fomos influenciados,
inicialmente, pela visão tecnicista do Laboratório em si.
Priorizando a instrumentalizaçãodas testagense a
ocorrência da fenomenologia psi, nós nos voltamos para o
espaço físico, para a escolha metodológica
(Série Manual) e para o treinamento da equipe. Reorientamos
nossa proposta de ampliar a utilidade do Ganzfeld, já que
vislumbramos a possibilidade de ser também um espaço de
ensino em Parapsicologia. E com base no questionamento sobre a
tendência pedagógicaa ser seguida, procuramos alternar os
fundamentos relacionados a "o que" ensinar, com o "para que"
ensinar.
O sistema de ensino brasileiro, pela
lógica da organização dos currículos de
graduação, baseia-se na concepção positivista
da ciência, onde o aluno tem que aprender os conteúdos
gerais para depois, no final do curso, tentar aplicar ou reconhecer
a aplicação destes co nteúdos na realidade (Cunha,
1992). Evidencia-se o papel conservador e reprodutor do sistema
educacional (Candu, 1981).
A pesquisa e a extensão voltam-se aos
cursos de Pós-graduação, onde se criou um 'status'
próprio para pesquisa, com seu exercício tornado
exclusivo a especialistas "iniciados". Se estas medidas
contribuíram para aumentar a produção intelectual no
país, foram, ao mesmo tempo, muito perversas para com a grande
maioria restrita aos cursos de graduação, a quem foi
destinado tão somente aconcepção da
reprodução do ensino. Intimidou-se o professor e o aluno
não vinculados aos cursos de pós-graduação para
que se aventurassem numa atividade caracteristicamente exigente e
complexa (Cunha, 1992).
Nosso contexto, porém, encontrava-se em
um curso de graduação, exigindo uma
justificação para a proposta.
O que marca e orienta o desenvolvimento de
uma pesquisa é, certamente, o objetivo proposto, a perspectiva
pela qual é focalizado e, especialmente, a finalidade da busca
do conhecimento. Esta diferenciação decorre mesmo da
perspectiva de cada ciência (Lang, 1996). A Parapsicologia
busca, hoje, conhecer, também, o processo do fenômeno
psi, em aspecto multidisciplinar. Mas, há uma
preocupação com a veracidade, com provas e contraprovas.
Em nossa proposta, contamos sempre com uma equipe de
parapsicólogos, solicitando e recebendo apoio de outros
profissionais todas as vezes que necessário. Este foi o caso
dos testes psicológicos a que submetemos alguns de nossos
sujeitos.
As educadoras Tânia Reznike Ana
Cléa Ayres (1995), são de opinião que a "escola tem
como função específica asocialização do
saber acumulado historicamente pela humanidade. Vale a pena
ressaltar que esta socialização do saber deve passar
não somente pela transmissão pura e simples do
conhecimento, mas também pela assimilação ativa por
parte dos alunos e pela possibilidade de reavaliação
crítica dos conteúdos trabalhados" (p. 105). Outra
pedagoga brasileira, Vera Maria Candu(1981) propõe ser a
educação um processo multidimensional, que apresenta uma
dimensão humana, uma dimensão técnica e uma
dimensão político-social.
As práticas escolares contêm,
explícita ou implicitamente, seus pressupostos teóricos.
O modo pelo qual os professores selecionam e trabalham as
matérias ou escolhem técnicas de ensino e
avaliação dependem muito de como vêem a finalidade
da prática docente.
O educador José Carlos
Libâneo(1983) fez um levantamento das tendências das
escolas brasileiras através da prática dos professores:
em sua visão, a tendência pedagógica liberal
sustenta a idéia de que a escola deve preparar o aluno para o
desempenho de papéis sociais, de acordo com sua aptidão
individual. Para isso, o indivíduo aprende a adaptar-se aos
valores e normas vigentes na sociedade de class es, através do
desenvolvimento da cultura individual: é educado para atingir,
por esforço próprio,sua realização como pessoa.
Os conteúdos, os procedimentos didáticos, a
relação professor - aluno não têm qualquer
relação com seu cotidiano e menos ainda com as realidades
sociais. É a predominância da palavra do professor, da
regra imposta, da ascendência intelectual exclusiva.
Este ponto de vista foi estendido à
Parapsicologia onde é escolhida a abordagem tecnicista no que
se refere à formação dos pesquisadores; e a
instrumentalizaçãotécnica é a grande
preocupação. Ela é vista, muitas vezes, como um fim
em si mesmo e como um elenco de procedimentos a serem dominados,
reduzindo o profissional a um mero técnico ou a um
especialista em "instrumentalidades". Por outro lado, a
tendência pedagógica progressista parte da análise
crítica das realidades sociais esustenta as finalidades
sócio-políticasda educação. Ela se manifesta na
Pedagogia do educador Paulo Freire, que reúne os defensores da
autogestão pedagógica; e acentua a primazia dos
conteúdos em seu confronto com as realidades sociais, e
pretende ser uma síntese do tradicional e do renovado no
sentido de valorizar atransmissão dos conteúdos sem
perder de vista a atividade e participação do aluno.
Estes posicionamentos serviram como
instrumento para análise de nossa prática no
Laboratório, voltando nossos esforços àuma abordagem
didática no ensinar Parapsicologia, em nível de curso de
grad uação, visando o aprendizado dos passos relativos
às técnicas sem perder de vista a preocupação
social.
Optamos pela tendência
progressistajá que a difusão dos conteúdos da
Parapsicologia é tarefa primordial. Não conteúdos
abstratos, mas vivos, concretos e, portanto, indissociáveis
das realidades sociais. Não bastava ensinar, era preciso que
se ligassem, de modo indissociável, à sua
significação humana e social.
Em síntese, a atuação do
Laboratório consistiu na preparação do aluno para
seu universo e suas contradições, fornecendo-lhe
instrumental com a aquisição de conteúdos
específicos, socialização dos achados e uso das
técnicas permanentemente reavaliadas frente às realidades
sociais introduzindo, ao mesmo tempo, a possibilidade de uma
reavaliação crítica face aesse conteúdo.
Tentamos, assim, privilegiar a aquisição do saber
vinculado às realidades sociais, e os métodos de ensino
que favoreciam a correspondência entre os conteúdos e os
interesses dos alunos, possibilitando-lhes reconhecer, nos
conteúdos,o auxílio ao seu esforço de
compreensão da realidade.
Aprender, nas palavras de
Libâneo(1983), é desenvolver a capacidade de processar
informações e lidar com os estímulos do ambiente,
organizando os dados disponíveis da experiência.
Admite-se, portanto, o princípio da aprendizagem significativa
que supõe verificar aquilo que o aluno já sabe. O
professor precisa compreender o que os alunos dizem ou fazem e o
aluno precisa compreender o que o professor procura dizer. A
transferência da aprendizagemocorre quando o aluno passa de
uma visão parcial e confusa para uma visão mais clara e
unificadora.
Assim,definimos nosso posicionamento de
ensino, no Laboratório Ganzfeld, e acabamos por adotar uma
perspectiva didático-pedagógica multidimencionalcom
relação ao aluno em formação, propiciando a
compreensão humanista de que o laboratório pode e deve
ser um instrumento de socialização do saber, englobando
treinamento e reflexão sobre a ocorrência da psi no meio
social.
Os passos.
Nossa investigação passou
por trêsfases naqueles dois anos e oito meses: duas mais
curtas e uma mais extensa. A primeira delas consistiu de sete
testespreliminares, onde cada passo servia de ponto de
discussão para a confecção do protocolo. Na segunda,
realizamos cincotestes de emissão de sentimentos, apenas.
Aterceira e mais extensa consistiu de setenta&nbs p;testes
(sessenta deles com emissor). Todosos estudos realizados nesse
período reuniram uma variedade de dados que possibilitam
muitas opções de investigações futuras.
Este trabalho abrange as sessões
formais de Ganzfelddurante o período abordado, fazendo
menção, inclusive, às sessões efetuadas para
ensino e demonstração, durante as aulas práticas e
sessões-forjadas para demonstração a personalidades
visitantes.
O experimento-Piloto foi realizado em 9 de
novembro de 1993: escolhemos Fernando e Eduardo, gêmeos
univitelinosde dezoito anos, para nossos sujeitos.
Fernando foi o receptor, e descreveu tantos
detalhes em seu relato que, ao finaldo teste, foi muito fácil
descobrir o alvo .
Parte do relato de F.B. - Experimento
de09.11.93:
"Carros. Uma avenida cheia de carros.
Pessoas andando. Um Hotel.
Um "S" muito grande. Número
"SETE" grande.
Dois olhos grandes, olhando de cima.
Um monte de casas. Muita gente.
Nuvens. Chuva de verão. Folhas
voando.
Alguém batendo num prego, construindo
alguma coisa.
Montes de criancinhas.
Discos voadores.
Um camponês colhendo feno e pondo feno
na carroça.
Vassoura varreu três vezes. Uma arvore
seca
Entardecer, Saudade, Tristezas"
O Alvo era o no 08-A :"Bondinho
da Rua XV"
De forma muito similar, as duas primeiras
experiências tiveram um bom resultado ("Casa de Bruxa" e "Os
Balões"). O registro do relato dos sujeitos é,
também, bastante sugestivo do alvo escolhido:
Parte do relato do sujeito H. B. -
Experimento de 22.10.93
Nuvens brancas com céu azul
Cabana de terra batida
Tudo muito velho
Sensação de algo ruim lá
dentro
Bastante madeira
Varanda de balcão
Uma vassoura na casa
Natureza: bosque perto da casa
Região de montanha
Cores azul, verde e bege
Madeira de novo.
O alvo era o no. 9-A - "Casa de
Bruxa"
Parte do relato do sujeito J.S.K.
-Experimento de 27.10.93
"Sobrevoando o oceano,
Uma costa marítima
Imagem de parque de diversões
Ao fundo, sons de passarinhos
Cores amarelo e vermelho, círculos
entrelaçados
Aves grandes, asas abertas para voar
Canto de passarinhos,Sensação de
frio
Emvolta tudo claro
Tudo branco como geleiras em picos
Pessoas com japonas, cachecol,luvas
Uma pessoa com binóculos,
Óculos de motoqueiros,
Grupo de quatro pessoas
Ventania - uivo do vento"
O Alvo erao no 01-B : "Os
Balões"
Ainda como parte dos testes que
constituíram o Programa Piloto, convidamos para sujeitos
alguns funcionários da Instituição, conservando os
membros da equipe como emissores, como segue nos dois próximos
relatos:
Parte do relato do Sujeito: N.M. -
Experimento de 01.03.94
Quintal grande, casa velha.
Tábuas atravessadas.
Sensação de medo de ficar do lado
de cá.
Perigo, medo, sufoco.
Lugar muito verde. Montanhoso.
Imensidão de carneiros. Alguém
tocando os carneiros.
Céu nublado. Estrada sem asfalto.
Só barro. Gente andando no barro.
Casa pequena no meio de um pasto.
Arvoredo perto da casa. Bastante gado.
Lugar sossegado. Solidão.
O alvo era o n. 06-B - "Búfalo no
Curral"
O experimento 5 / Sem Emissor, apresentou
uma estranha ocorrência. O sujeito apresentou-se gripado e
febril, sonolento, sob efeito de medicação. À nossa
sugestão de adiar o experimento, insistiu em levá-lo a
cabo. Como se tratava de um sujeito consistente, a equipe decidiu
aceitar sua vontade e tentar observar os efeitos de sua
alteração física e psicológica. Durante o
relato, descreveu com tantos detalhes um dos três alvos
sobressalentes que motivou, com isso, uma votação
unânime nessa opção, inclusive a sua própria,
embora declarasse a profunda inclinação pelo alvo
verdadeiro, que sentiu quando deparou com a imagem de Cristo
refletida na parede, no momento de julgar. Mas, contrariou sua
forte impressão motivado pela explícita
descrição.
Parte do relato do sujeito I. L. -
experimento04.08.94:
Duas coisas na água. Rasinha. Um
barco.
Caixões grandes, dentro de um lugar
que parece um porão de barco.
Barco chegando, praia pequena. Lugar
escondido, para contrabando.
Pessoas apressadas em descarregar a carga
do barco, com medo de algo acontecer. De um lado tem canhões
pra proteger o contrabando.
Impressão de estar no meio de uma ilha
escondida.
Pessoas se divertindo enquanto outras
pessoas pagam um alto preço pela vida.
Cores que mais vê: vermelho e
branco.
O Sujeito, o Experimentador e o
Juiz-Independente votaram em "Barco da Polícia",alvo n. 76-B
(1/1/1) . Mas o alvo verdadeiro era o n. 76-D, "O Salvador", de
ElGrecco.
Nossa terceira experiência -3P-
apresentou um problema semelhante, com um detalhe curioso: nosso
receptor, uma mulher, também descreveu um dos outros objetivos
que não o verdadeiro. Assim, ela e o Juiz Independente votaram
no mesmo alvo errado ("Chuva"). Mas, o Experimentador do sujeito
escolheu o correto ("Estrelas do Mar", Alvo 34-C -4/1/2). Indagado
do motivo de sua escolha, contou que, em dado momento, pensou
escutar algumas palavras (areia, pôr do sol, estrelas) que ela
não pronunciara e não constava do registro e nem da
gravação do relato. Desde então, enfrentamos algumas
situações, por vezes similares, como quando o emissor do
teste no 17 surpreendeu seu experimentador,
entregando-lhe o desenho do motivo do alvo a ser escolhido (42 B-
Barcos à Vela), antes mesmo que fosse completado o processo de
aleatorização. Em outras situações, inversas,
quando o sujeito descrevia integralmente uma das três
opções não escolhidas, forçando assim, os votos
do Experimentador e do Juiz-independente ao mesmo alvo (errado),
enquanto ele, algumas vezes, por meio de uma sensação
física ou um palpite, acertava o alvo escolhido.
Ou, por outro lado, descrevia
bastante fielmente o alvo verdadeiro, facilitando, com isso, o
julgamento do Experimentador e do Juiz-Independente, votando, por
sua vez, num alvo completamente diverso de seu relato, dando ao
alvo verdadeiro a última colocação. Como no exemplo
abaixo, realizado em período de treinamento de
alunos-estagiários:
Parte do relato do sujeito A.F. -
experimento14.09.94
"Calor no rosto. Parece estar na praia.
Vento, muito vento.
Gostoso, parece praia.
Tem pássaros, céu azul.
Tem pedras. Parece
Torres(Balneário)
É como se estivesse num parque.
Parece que estou com o corpo todo
molhado.
Sensação de calor, sol bonito.
Parece que é praia.
Uma coisa preta, é escuro, parece um
bicho".
O alvo era o n. 28 C - "Pelicanos da
Flórida" (Curiosamente, após escutar o próprio
relato, o sujeito votou no n. 28 B,um Cartoom: "3 Pedaços de
Pisa").
Tivemos uma única
experiência onde tínhamos conhecimento de que o sujeito
era usuário habitual de entorpecentes. No momento de sua
chegada ao laboratório era tão nítido seu estado
ligeiramente alterado de consciência, que nos vimos obrigados
a sugerir o adiamento do teste. No entanto, era tão grandes
sua motivação e entusiasmo, que decidimos verificar qual
seria o resultado. O teste revelou-se como sucesso (hit), o que nos
leva apodermos apenas mencionar como eventualidade, desde que
não tivemos oportunidade de repetir a experiência como
uma hipótese.
Descrevemos, abaixo, parte de seu
relato.
Experimento de 27.04.94. - Parte do relato
do Sujeito: J.M.
Uma casa antiga de concreto. Uma área
em volta.
Parece um parque: Árvores altas e
antigas.
Arcadas e colunas. Um chafariz.
Alguém cantando. Um piano ?
Um murmúrio de voz feminina.
Duas linhas se entrecruzam com uma
cruz.
Postes de luz. Bancos de Madeira.
Sensação de tranqüilidade.
Um livro na mão sendo folheado e lido
pela mulher.
Um parque que não é no Brasil. A
cidade ao longe.
Uma cruz com um círculo no meio. Vozes
de pessoas falando.
Alguém responde, Uma só voz
masculina.
O Alvo era o no 29-A:
Basílica de Sacre-Coeurde Montmartre
Nessa ocasião contávamos,apenas,
com a informação e o material adquiridos junto ao
Instituto de Parapsicologia. Conseguimos a participação
eventual de alguns colegas e alunos. Dessa forma, tentávamos
resolver os problemas e fortalecer os pontos fracos à medida
que apareciam. Em geral, o resultado era bastante estimulante e nos
motivava a aplicar regras decisivas e explícitas para aumentar
a segurança dos dados e a possibilidade de controlar as
variáveis.
Tivemos que enfrentar um árduo trabalho
testando os experimentos, o método, as regras e os sujeitos.
Formamos uma excelente equipe com os alunos estagiários que se
mostraram altamente motivados, desde os primeiros momentos,
juntando-se aos nossos esforços, e atuando como sujeitos nos
experimentos, a partir do momento que nos sentimos preparados para
enfrentar suas dúvidas que ajudavam a clarear as nossas.
Naquele primeiro ano realizamos 38 testes,
30 no segundo, e 19 no primeiro semestre do terceiro ano.
OSPROCEDIMENTOS
Consultamos as publicações
disponíveis para a montagem de nosso protocolo (Hyman&
Honorton, 1986; Honortonetal., 1990; Broughtonetal., 1990; Bem,
1993; Bem & Honorton, 1994; Kanthamani& Broughton, 1994).
Assim,os procedimentos em nosso Laboratório pouco diferiam dos
procedimentos adotados pelo PRL
(PsychophysicalResearchLaboratories) de Honortone pelo Instituto de
Parapsicologia, de Durham. As proovidênciasbásicas eram
idênticas em ambas assituações.
Nossas instalações não eram
automatizadas. Dependíamos, portanto, de uma equipe numerosa
para os diversos papéis exigidos por uma criteriosa
necessidade de segurança. Nossos alvos consistiam mais de
cartões postais (72%) do que de "slides" (23%).
A maioria de nossos experimentos testavam
GESP. Alguns testes de Precogniçãoe de Clarividência
foram feitos. Encorajamos nossos sujeitos para que trouxessem seus
próprios emissores, embora estivéssemos sempre prontos a
utilizar membros do laboratório, como emissores, quando isso
não ocorria.
Utilizamos dois lugares diferentes como sala
do agente emissor. O primeiro era separado da sala do receptor,
apenas, por uma sala intermediária de controle onde todo o
material, instrumentos e arquivos eram guardados. Para aumentar a
distância e o isolamento essencial, o emissor foi mudado para
um outro conjunto do mesmo prédio, localizado no Setor de
Aconselhamento. Dois sistemas diferentes de sonorização
se utilizavam: um deles transmitia não apenas a
indução ao relaxamento físico e
estimulação mental (a fita de indução era uma
adaptação da tradução que fizéramos do
material trazido do Instituto de Durham), como tambémo
ruído branco (o som chiado que produz uma estação
fora do ar) e as instruções. Estas orientavam o sujeito a
descontrair-se, relaxar e liberar a mente para favorecer imagens,
sons, sensações que deveriam ser externadas à medida
que surgissem. O segundo gravava a descrição verbal de
sua mentalização, a qual era, ao mesmo tempo, registrada,
por escrito, em seus mínimos detalhes.
Contamos, sempre, com a presença
mínima de dois Experimentadores (I e II): o primeiro, para a
sala do receptor,e o segundo para a sala do Emissor. Julgamos haver
necessidade de acrescentar a assistência de dois Observadores:
um para cada uma das salas. Eventualmente um terceiro
Experimentador responsabilizava-se por manusear os dados, em
adição aos dois principais participantes: o
sujeito-receptor e o agente-emissor. Muitas vezes, um membro da
equipe fazia o papel de Emissor.
O experimento iniciava no momento da chegada
dos sujeitos. Assim que o horário era anotado nas fichas de
registro, iniciava-se o processo de ambientação. A meta
era fazer os participantes sentirem-se confortáveis e criar um
clima positivo de expectativa pelos resultados. No início da
sessão, reuniam-se todos na sala (intermediária) da
Equipe para discutir os procedimentos e cada integrante era
instruído do próprio papel. A seguir, era assinado o
Acordo Ético e preenchidos os dados concernentes à Ficha
de Informação Pessoal, por parte de todos os
participantes do processo. Então, receptor e emissor
preenchiam os questionários prévios ao experimento, com
questões relativas a seu grau de expectativa e
motivação, entre outras. O Experimentador I e seu
Observador preparavam, então, o receptor para o Ganzfeld,
colocando-o numa sala protegida de som exterior, em poltrona
cômoda e reclinável, prendendo firmemente em seus olhos,
com um esparadrapo especial, as meias bolinhas de ping-pong, e
ajustando-lhe os fones de ouvido. O som do tape de
indução era nivelado de acordo com a vontade do receptor.
O ruído branco, semelhante a um chiadoe captado através
dos fones de ouvido, produziria um campo auditivo homogêneo.
Cobertas para as pernas lhe eram oferecidas para seu maior
conforto. Nesse momento todos saíam exceto o experimentador I
e seu Observador que fechavam a porta à chave.
Substituindo a luz branca que só
voltaria a se acenderno instante da conferência do relato, a
lâmpada (40 watts) vermelha era acesa e direcionada para os
olhos do sujeito no intuito de provocar um campo de visão
também homogêneo, propiciando, desta forma, o meio
ambiente perceptivo homogêneo que se denomina campo total
(Ganzfeld). Para reduzir o ruído somático interno, o
receptor submetia-se a uma série de exercícios
progressivos de relaxamento físico e estimulação
mental, no início do período de Ganzfeld.
As responsabilidades do Experimentador do
Receptor incluíam, além de fazê-lo sentir-se
confortável e à vontade para o prosseguimento do
teste,monitorá-lo, registrar integralmente sua
verbalização, confirmar esse relato, durante o
período de revisão, conduzir e participar da tarefa de
julgamento e proporcionar o feedback no final, além de
assegurar-se das medidas preventivas de segurança e sigilo por
todo o período de duração do experimento.
Assim que a sessão se iniciava, o
Agente era levado a uma sala separada, também isolada
acusticamente. Em nosso experimento, o Emissor não recebia
instrução para relaxamento, mas lhe era sugerido que se
acomodasse, respirando profundamente e tentando aquietar a
própria mente. Então, seu Experimentador iniciava o
processo de seleção do motivo visual (arte impressa,
postais e slides) extraído de uma grande reserva de
estímulos. Então,de acordo com o número de
código aleatorizado, tirava do arquivo o duplo-jogo contendo,
cada um, quatro alvos. Entregava o primeiro envelope na s mãos
do Agente, observando-o retirar de seu interior quatro outros
pequenos envelopes, três dos quais permaneciam inviolados e
eram devolvidos ao arquivo, retendo apenas aquele correspondente ao
número e letra sorteados (Como exemplo: Se o alvo era o n.
72-C, os envelopes 72-A, B e D voltavam ao arquivo).
Simultaneamente, o Experimentador passava, por baixo da porta, o
envelope idêntico destinado a julgamento, para fora da sala de
emissão. O Agente-emissor, munido de folhas de papel, canetas
e lápis coloridos, conservava o alvo em suas mãos pelos
próximos trinta minutos, alternando, durante os cinco minutos
de intervalo entre cada um dos seis períodos de um minuto de
emissão, desenhos e escrita sobre o tema emitido. A
expectativa era de que o agente continuasse a vivenciar o tema
durante todo o tempo.
Enquanto o emissor se concentrava no alvo, o
receptor proporcionava, durante os mesmos trinta minutos, um relato
contínuo verbal de sua ideação ou estado mental.
O segundo envelope seria apanhado pelo
Experimentador do sujeito, ao terminar o período de
Ganzfeld,no exato momento de iniciar o julgamento, na Sala da
Equipe Técnica. Abria-o e apresentava ao receptor os quatro
possíveis alvos, simultaneamente. Sem saber qual motivo foi o
alvo, pedia-se que valorizasse o grau a que cada um se assemelhava
à imagem e estado mental experimentadodurante o estado
Ganzfeld. Receptor e experimentador marcavam, então, cada uma
das quatro possibilidades numa escala de 0 a 99, de acordo com a
similaridade entre a imagem e sua mentalização e
utilizava um método de classificação do
1o a o 4o lugar, em
adição ao percentual. Quando o julgamento terminava e as
notas eram registradas, o Observador levava o pacote de julgamento
a um Juiz Independente que era convidado a comparar as quatro
opções do jogo de alvos com o registro da
verbalização do sujeito. Finalmente, terminado o processo
do julgamento, o Emissor e seu Experimentador são convidados a
comparecer à sala de recepção para a
revelação do alvo.
OSSUJEITOS
Nossos sujeitos eram todos voluntários
não pagos. Utilizamos 64 sujeitos (26 homens e 38 mulheres). A
maioria deles, depois deassistirem a palestras sobre o assunto,
mostravam-se ansiosos por participarem do processo. Eram
professores, estudantes e funcionários do Campus das
Faculdades Espírita, onde o Laboratório estava sediado,
bem como alguns estudantes de outras Entidades Educacionais e
visitantes, além dos membros da equipe.
Solicitamos de todos os participantes o
preenchimento de dois questionários (prévia e
posteriormente às sessões), como parte da coleta de
dados. Eram, à semelhança dos adotados no I.P. de Durham,
uma versão sintetizada da Formuláriode
Informações do Participante (FIP) , que adaptamos às
nossas necessidades, e do formulário MBTI.
OSALVOS
Os alvos precisavam de um sistema
confiável de aleatorização, o que nos custou muitas
horas e muita preocupação. Primeiramente, tentamos usar
várias tabelas de números aleatórios e os copiamos
de livros de estatística. Utilizávamos dados para entrar
nas tabelas e fizemos seis tabelas: cada um representando uma das
seis faces do dado. Através das tabelas aleatórias,
alcançávamos o alvo final. Era um bom sistema para o
conjunto de 60 envelopes duplos; mas quando completamos os 100
envelopes duplos, tivemosque mudar nosso sistema para conservar as
mesmas possibilidades de seleção para todos os envelopes
numerados. Assim, planejamos confeccionar dez tabelas com 100
números de dois dígitos cada (de 00 a 99), dispostos em
dez colunas e dez linhas. Então,cortamos 2.000 dígitos de
papel e os pusemos em uma caixa . À medida em queeram tirados,
eram lidos e anotados para compor, primeiramente, a casa das
dezenas e depois a casa das unidades. Depois de anotados, eram
postos novamente na caixa original para conservar as mesmas chances
para o próximo algarismo a ser extraído do lote.
Assim, confeccionamos, em duas etapas, as
dez tabelas montadas através do sorteio. Cada um dos
algarismos aparecia vinte vezes por tabela e eram dispostos em cem
números de dois dígitos por tabela, para facilitar o
processo de aleatorização. Isso perfazia um tota l de mil
números de dois dígitos, somando dois mil algarismos
aleatorizados.
Os passos dados no momento da
seleção do alvo, eram os seguintes:
1.O lançamento de uma das dez bolinhas
numeradas do Globo de Aleatorização(de 01 a 00) apontava
o número da Tabela a ser usada(de I a X - o no 00
correspondia à décima tabela), observando-se :
a)a utilização única do
dígito correspondente à unidade (1 a 0).
b)a obrigatoriedade de reposição
imediata da bolinha, para não prejudicar a
aleatorização.
2.O lançamento da segunda bolinha
definia a coluna.
3. O terceiro lançamento mostrava a
linhaque cruzando a coluna escolhida, apontava o número de
dois dígitos, um dos quais iriaintegrar a casa decimal do
alvo.
4. O quarto lançamento decidia qual
dos dois dígitos, referidos anteriormente,seria aproveitado na
casa decimal do alvo. Se fosse um número par, utilizava-se o
algarismo da direita. Se fosse ímpar, seria utilizado o
da esquerda.
5. A escolha do algarismo referente à
casa da unidade seguia os mesmos passos(lançamentos de
no 5 a 8) que definiram, antes, a casa decimal.
6. Idêntico procedimento era executado
na escolha daLETRA correspondente ao alvo (lançamentos de
no 9 a 12). Como quatro eram as possibilidades
(A-B-C-D), eram aproveitados, apenas, os algarismos de 1 a 8,
anulando-se as seqüências que resultavam nos dígitos
9 e 0, para que as chances permanecessem igualitárias.
7. Qualquer eventualidade que impedisse a
claradefinição do alvo final anulava todo o
processo que deveria ser reiniciado a partir do primeiro passo. A
exceção contemplavaa letra do alvo que exigia,
apenas, uma nova escolha da letra, com os passos que levavam aos
lançamentos de no 9 a 12.
8. Todos os passos que levavam ao
envelope-alvo ou ao cartão/slidenomeados alvofinal deviam ser
incluídos, juntamente com as anotações,
questionários e relatos, no dossiê correspondente, para
futuras averiguações.
O arquivo de alvos era guardado num gabinete
trancado, longe da sala do receptor. Três diferentes conjuntos
de alvos foram confeccionados para esses estudos. O primeiro
incluía 20 jogos-duplos de quatro cartões cada um, com
motivos infantis, que não chegou a ser usado, desde que
não tivemos crianças como sujeitos. Uma única
menina, de 12 anos de idade, participoude nossos estudos (alvo
30-c), com excelente resultado.
O segundo arquivo continha, também, 20
jogos-duplos. Era intitulado como o arquivo de
sensibilização e era parte de uma questão que
aventáramos com respeito a se transmitir com maior facilidade
os sentimentos mais fortes, como o pânico, a violência, a
frustração ou grande felicidade. Descrevemos cenas em que
o emissor imaginava-se morrendo por asfixia ou afogamento,
enfrentando um longo período de seca ou sentindo um terror
muito grande. Descrevemos, além disso, cenas de muita
ansiedade,de júbilo e prazer intensos.
O terceiro tinha, a princípio,60
jogos-duplos, transformados em 100, e formados da coleção
de postais e slides adquiridos nos Estados Unidos e, mais tarde, na
Europa. Os quatro postais de cada jogo foram selecionados e
catalogados,o mais diversamente possível, uns dos outros, e
envelopadosde formas alternadas (pessoas, animais, paisagens,
cores, flores, cenas de humor e de emoção, obras de arte
e arquitetônicas) respeitando, sempre, a orientação
de evitar que a mesma ordem fosse seguida para as mesmas classes. A
equipe efetuoutrês revisões desta tarefa, antes que os
testes fossem levados a efeito.
Todos os cartões possuíam
duplicatas, de forma que o julgamento fosse feito de um jogo
diferente daquele utilizado e manipulado pelo Emissor evitando,
assim, que marcas os identificassem. Cada foto era codificada e
guardada em envelopes fechados.
Todas as seleções aleatórias
eram efetuadas pelo Experimentador do Emissor, sempre que não
podíamos contar com um elemento para efetuar, exclusivamente,
a seleção.
Guardamos a documentação de todos
os experimentos em nossos arquivos. São tantos os dados
coletados que podem gerar diversos artigossobre o tema, no futuro.
É nosso intuito contribuir da melhor forma possível para
otimizaro ensino da Parapsicologia em nosso país, e ajudar
nossos colegas brasileiros a fazerem o melhor pela profissão
que escolhemos.
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