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Ganzfeld: Uma perspectiva didática PDF Print E-mail
Written by Wellington Zangari   
quinta, 31 março 2005

Vera Lúcia Barrionuevo e Tarcísio R.Pallú[1]

Resumo

Este trabalho se propõe a reportar os esforços de seus autores no sentido de introduzir os procedimentos Ganzfeld junto à comunidade de estudantes brasileiros em Parapsicologia, tendo como sua principal finalidade a estrutura didático-pedagógica. Outro propósito, também importante, é permitir investigações sobre as relações entre diversos fatores (psicológicos?) e o desempenho ESP no Ganzfeld. Os dados coletados relacionam-se àtestagemde ESP por Ganzfeld. Foram reunidos os dados de todas as testagensde ESP pelo Método Ganzfeld, usando alvos estáticos, em ambiente de testagemoperado manualmente, num período de dois anos e oito meses, entre outubro de 1993 e junho de 1996. Foram realizados oitenta e nove testes com 64 sujeitos (26 homens e 38 mulheres), compreendendo sete como piloto, sessenta e sete com emissor, dez sem emissor e cinco como tentativa de emissão de sensações intensas. Deste total foi necessária ainvalidação de cinco testes. Optou-sepor uma abordagem histórico-descritiva para englobar desde os momentos da coleta das primeiras informações até o fechamento da primeira série de testagens. Apresenta o processo de aprendizagem do método, de elaboração dos alvos, dos procedimentos de aleatorização, da confecção dos formulários de instrução e questionamento aos participantes, da preparação das instalações do laboratório, bem como a descrição de dados relevantes detectados durante os três anos de duração de todo o processo. Uma análise pedagógica desses dados é incluída no presente relato.

<b>ANTECEDENTES

No dia 02 de junho de 1993, Tarcísio Pallúe eu iniciamos o Curso de Verão do atual RhineResearchCenter. Leváramos conosco a intenção de coletar, durante aquelasoito semanas de duração do curso, toda a informação possível concernente aos experimentos Ganzfeld. Precisávamos aprender tudo o que pudéssemos, já que pretendíamos instalar, em nossa volta, um laboratório de pesquisa experimental em Parapsicologia. Em nossa experiência didática, dispúnhamos apenas de uma espécie de museu da Parapsicologia, onde os métodos e técnicas utilizados datavam da década de sessenta. Estávamos presos aos experimentos com cartas Zenere queríamos muito atualizar nosso conhecimento para que o pudéssemos repassar aos colegas e alunos.

Nossa proposta inicial era direcionar o treinamento, privilegiando o desenvolvimento de uma linha de conduta para a pesquisa, em especial para cursos de pós-graduação e extensão em Parapsicologia.

Temos, no Brasil, uma incontável reserva de sensitivos que se podem tornar excelentes sujeitos de pesquisa. Por outro lado, o ponto fraco de nossos estudos tem sido, sempre, a fragilida de em nossa base metodológica - deficiência esta, que a AIPA está começando a suprir, com seus projetos didático-pedagógicos, entre os quais o lançamento de um livro, que está em fase de revisão, e os cursos que começa a implantar nos países íbero-americanos.

Assim, ao travarmos relações com a equipe de pesquisadores e professores do R.R.C., reportamos nossas intenções a H. Kanthamani, a então Diretora de Pesquisa do Instituto, que, a partir dessa data, concordou em prestar-nos supervisão contínua voltada ao planejamento e implementação de nosso projeto. Recebemos sua orientação a cada passo que tivemos que dar. Falou-nos a respeito do histórico dos experimentos, de seus precursores e de seu criador. Discorreu sobre a quantidade mínima imprescindível na montagem de um conjunto completo de alvos para uma aleatorizaçãoconfiável, sobrea necessidade de diversificação de motivos e cores na montagem de cada grupo de alvos, ensinou as regras básicas exigidas pelo controle de segurança que todo experimentador deve ter em mente em cada momento da pesquisa, os cuidados necessários para a formação da equipe, para a localização e divisão das dependências, para a instalação dos equipamentos, para indicação dos participantes e especificação dos papéis de todos os integrantes do processo. Apontou a imprescindibilidade das medidas de segurança e do sigilo que devem acompanhar cada fase do experimento e a importância de valorizar cada detalhe na montagem dos alvos que começamos a escolhere adquirir a partir daqueles primeiros dias, em Durham. Ajudou-nos a optar, naquele primeiro momento, pelo sistema manual - não apenas por ser mais acessível economicamente, (sabíamos que não contaríamos com qualquer apoio financeiro), como também por aquele sistema facilitar nossas intenções didático-pedagógicas. Foi, de fato, mais simples e mais interativo aprender os passos do experimento de uma série manual.

Naquela ocasião, enviamos dos Estados Unidos, uma carta ao nosso Diretor, professor Octávio Ulysséa, contando-lhe sobre o andamento de nossos planos de modificar velhos pensamentos e conceitos, na tentativa de promover o Programa Científico da Parapsicologia. Em agosto, quando retornamos ao Campus ele, que sempre incentivara nosso projeto, convidou-nos a participar de sua intenção de atualizar o ensino de Parapsicologia dentro da Faculdade e nos ofereceu as três salas de que precisávamos para montar o Laboratório de Experimentos Ganzfeldo qual ficou pronto em 22 de outubro de 1993.

Ainda durante o curso de verão, nós nos inscrevemos como voluntários para todo e qualquer tipo de pesquisa que estivesse em andamento, pelo que fomos submetidos a uma variada série de testes psicológicos que costumam anteceder àsprimeiras testagens. Fomos receptores, emissores, observadores e experimentadores juntamente com KathyDalton, a pesquisadora-assistente do Instituto, que nos ofereceu um excelente exemplo de motivação e entusiasmo pela pesquisa.

Ao fim de cada prova corríamos para gravar e anotar os detalhes das instruções e dos passos do exper imento, tudo o que só poderíamos encontrar naprática do dia-a-dia. Foi assim com relação ao processo de ambientação dos sujeitos: aprendemos a fazer com que se sentissem descontraídos e à vontade, curiosos e motivados quanto aos momentos que se seguiriam; aprendemos a prepará-los para o experimento; aprendemos o processo de impedimento visual e auditivo; treinamos como cortar e adaptar o esparadrapo, sem deixarvãos, em volta das meias bolinhas de ping-pongcujo molde não chega a ser o recorte de uma bolinha pela metade, mas ligeiramente ovalada; e como colocar adequadamente os fones nos ouvidos. Reproduzimosa mensagem de relaxamento físico e estimulação mental e recolhemos amostras do material utilizado para impedimento sensorial.

Como era nossa intenção copiar o método adotado pelo Instituto de Parapsicologia, guardamos alguns modelos para posterior tradução, como o modelo de julgamento do alvo e os questionários dos sujeitos que decidimos ampliar para enfocar pontos mais abrangentes.

Sabíamos que, no Brasil, não poderíamos contar com um manancial tão promissor para nossa fundamentação teórica. Então,durante os intervalos das aulas corríamos para a Máquina de Xerox: trouxemos cópia de todo o material relativo à Pesquisa Ganzfeldque encontramos disponível na Biblioteca do Instituto. Foi, contando com isso, e com o apoio irrestrito de nossa supervisora H. Kanthamani, que as muitas dúvidas que surgiram no dia-a-dia das nossas primeiras tenta tivas foram sendo esclarecidas e pudemos montar as tabelas de números aleatórios, os questionários dos participantes e os formulários de julgamento.

No sentido de aprimorar as medidas de controle e segurança propostas pelo acordo Honorton-Hyman,e, aconselhados por DaryllBem, que foi um dos professores convidados de nosso curso, acabamos por estender a função de juizes ao experimentador do sujeito e a um juiz independente, elemento não participante do processo.

Foi divertido e estimulante, naqueles primeiros dias, escolher e adquirir, nas lojas e papelarias de Durham, todo o material necessário para montar nosso arquivo de alvos: 240 postais e "slides" - duplos que comporiamum conjunto de 60 envelopes-duplos com 4 alvos cada um. Posteriormente, durante uma viagem à Europa, escolhi e comprei o restante do material que acabou por completar nosso Arquivo de 100 envelopes-duplos.

Havíamos sido alertados para aquela importante medida de segurança: o arquivo duplo de alvos evitaria que o receptor, na hora do julgamento, tivesse em mãos o mesmo envelope manuseado pelo emissor, com a possibilidade de ter sido consciente ou inconscientemente marcado para uma posterior identificação. Fomos advertidos de que, para evitar confusão de motivos, cores, formas e características, na hora do julgamento, cada envelope deveria conter quatro temas diferenciados entre seres humanos, locais turísticos, paisagens, fauna, flo ra, desenhos, cenas humorísticas, emocionantes ou deprimentes, obras arquitetônicas ou artísticas, etc. Kanthamani alertou-nos, também, para o fato de que a numeração correspondente a cada alvo jamais deveria corresponder em números de ordem ou letras aos motivos. Assim, no momento da distribuição dos alvos nos envelopes, tivemos que contrariar a inclinação natural de priorizar sempre, na ordem, os seres humanos; e deixar as últimas opções para as paisagens ou para as cenas de humor , como por exemplo, a inclinação de catalogar como opção A, o motivo "Camponesas Suiças"; como opção B "Os Balões", como opção C "Veleiro" e como opção D "Macaco ao telefone", no sentido de evitar essa mesma inclinação por parte do próprio sujeito, secundada por sua tendência de optar pelo primeiro envelope aberto.

Foi muito gratificante compartilhar, mais tarde, cada momento da aprendizagem com os grupos de alunos e estagiários que, nitidamente, mostraram sua satisfação em definir edistribuir cada um dos diversos papéis que puderam alternar em seu período de aprendizado.

OSPRIMEIROS TEMPOS DAS SÉRIES MANUAIS

Fundamentação da Proposta.

Em 1993 a temática Educação em Parapsicologia estava tomando impulso. A Revista Brasileira de Parapsicologia dedicava toda uma edição à apresentação de um simpósio específico sobre o tema. Ampliava, assim, não só a necessidade de questionar o papel da Educação em Parapsicologia, como também, a nossa função como educadores.

Tentando analisar as tendências pedagógicas no contexto brasileiro, fomos influenciados, inicialmente, pela visão tecnicista do Laboratório em si. Priorizando a instrumentalizaçãodas testagense a ocorrência da fenomenologia psi, nós nos voltamos para o espaço físico, para a escolha metodológica (Série Manual) e para o treinamento da equipe. Reorientamos nossa proposta de ampliar a utilidade do Ganzfeld, já que vislumbramos a possibilidade de ser também um espaço de ensino em Parapsicologia. E com base no questionamento sobre a tendência pedagógicaa ser seguida, procuramos alternar os fundamentos relacionados a "o que" ensinar, com o "para que" ensinar.

O sistema de ensino brasileiro, pela lógica da organização dos currículos de graduação, baseia-se na concepção positivista da ciência, onde o aluno tem que aprender os conteúdos gerais para depois, no final do curso, tentar aplicar ou reconhecer a aplicação destes co nteúdos na realidade (Cunha, 1992). Evidencia-se o papel conservador e reprodutor do sistema educacional (Candu, 1981).

A pesquisa e a extensão voltam-se aos cursos de Pós-graduação, onde se criou um 'status' próprio para pesquisa, com seu exercício tornado exclusivo a especialistas "iniciados". Se estas medidas contribuíram para aumentar a produção intelectual no país, foram, ao mesmo tempo, muito perversas para com a grande maioria restrita aos cursos de graduação, a quem foi destinado tão somente aconcepção da reprodução do ensino. Intimidou-se o professor e o aluno não vinculados aos cursos de pós-graduação para que se aventurassem numa atividade caracteristicamente exigente e complexa (Cunha, 1992).

Nosso contexto, porém, encontrava-se em um curso de graduação, exigindo uma justificação para a proposta.

O que marca e orienta o desenvolvimento de uma pesquisa é, certamente, o objetivo proposto, a perspectiva pela qual é focalizado e, especialmente, a finalidade da busca do conhecimento. Esta diferenciação decorre mesmo da perspectiva de cada ciência (Lang, 1996). A Parapsicologia busca, hoje, conhecer, também, o processo do fenômeno psi, em aspecto multidisciplinar. Mas, há uma preocupação com a veracidade, com provas e contraprovas. Em nossa proposta, contamos sempre com uma equipe de parapsicólogos, solicitando e recebendo apoio de outros profissionais todas as vezes que necessário. Este foi o caso dos testes psicológicos a que submetemos alguns de nossos sujeitos.

As educadoras Tânia Reznike Ana Cléa Ayres (1995), são de opinião que a "escola tem como função específica asocialização do saber acumulado historicamente pela humanidade. Vale a pena ressaltar que esta socialização do saber deve passar não somente pela transmissão pura e simples do conhecimento, mas também pela assimilação ativa por parte dos alunos e pela possibilidade de reavaliação crítica dos conteúdos trabalhados" (p. 105). Outra pedagoga brasileira, Vera Maria Candu(1981) propõe ser a educação um processo multidimensional, que apresenta uma dimensão humana, uma dimensão técnica e uma dimensão político-social.

As práticas escolares contêm, explícita ou implicitamente, seus pressupostos teóricos. O modo pelo qual os professores selecionam e trabalham as matérias ou escolhem técnicas de ensino e avaliação dependem muito de como vêem a finalidade da prática docente.

O educador José Carlos Libâneo(1983) fez um levantamento das tendências das escolas brasileiras através da prática dos professores: em sua visão, a tendência pedagógica liberal sustenta a idéia de que a escola deve preparar o aluno para o desempenho de papéis sociais, de acordo com sua aptidão individual. Para isso, o indivíduo aprende a adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de class es, através do desenvolvimento da cultura individual: é educado para atingir, por esforço próprio,sua realização como pessoa. Os conteúdos, os procedimentos didáticos, a relação professor - aluno não têm qualquer relação com seu cotidiano e menos ainda com as realidades sociais. É a predominância da palavra do professor, da regra imposta, da ascendência intelectual exclusiva.

Este ponto de vista foi estendido à Parapsicologia onde é escolhida a abordagem tecnicista no que se refere à formação dos pesquisadores; e a instrumentalizaçãotécnica é a grande preocupação. Ela é vista, muitas vezes, como um fim em si mesmo e como um elenco de procedimentos a serem dominados, reduzindo o profissional a um mero técnico ou a um especialista em "instrumentalidades". Por outro lado, a tendência pedagógica progressista parte da análise crítica das realidades sociais esustenta as finalidades sócio-políticasda educação. Ela se manifesta na Pedagogia do educador Paulo Freire, que reúne os defensores da autogestão pedagógica; e acentua a primazia dos conteúdos em seu confronto com as realidades sociais, e pretende ser uma síntese do tradicional e do renovado no sentido de valorizar atransmissão dos conteúdos sem perder de vista a atividade e participação do aluno.

Estes posicionamentos serviram como instrumento para análise de nossa prática no Laboratório, voltando nossos esforços àuma abordagem didática no ensinar Parapsicologia, em nível de curso de grad uação, visando o aprendizado dos passos relativos às técnicas sem perder de vista a preocupação social.

Optamos pela tendência progressistajá que a difusão dos conteúdos da Parapsicologia é tarefa primordial. Não conteúdos abstratos, mas vivos, concretos e, portanto, indissociáveis das realidades sociais. Não bastava ensinar, era preciso que se ligassem, de modo indissociável, à sua significação humana e social.

Em síntese, a atuação do Laboratório consistiu na preparação do aluno para seu universo e suas contradições, fornecendo-lhe instrumental com a aquisição de conteúdos específicos, socialização dos achados e uso das técnicas permanentemente reavaliadas frente às realidades sociais introduzindo, ao mesmo tempo, a possibilidade de uma reavaliação crítica face aesse conteúdo. Tentamos, assim, privilegiar a aquisição do saber vinculado às realidades sociais, e os métodos de ensino que favoreciam a correspondência entre os conteúdos e os interesses dos alunos, possibilitando-lhes reconhecer, nos conteúdos,o auxílio ao seu esforço de compreensão da realidade.

Aprender, nas palavras de Libâneo(1983), é desenvolver a capacidade de processar informações e lidar com os estímulos do ambiente, organizando os dados disponíveis da experiência. Admite-se, portanto, o princípio da aprendizagem significativa que supõe verificar aquilo que o aluno já sabe. O professor precisa compreender o que os alunos dizem ou fazem e o aluno precisa compreender o que o professor procura dizer. A transferência da aprendizagemocorre quando o aluno passa de uma visão parcial e confusa para uma visão mais clara e unificadora.

Assim,definimos nosso posicionamento de ensino, no Laboratório Ganzfeld, e acabamos por adotar uma perspectiva didático-pedagógica multidimencionalcom relação ao aluno em formação, propiciando a compreensão humanista de que o laboratório pode e deve ser um instrumento de socialização do saber, englobando treinamento e reflexão sobre a ocorrência da psi no meio social.

Os passos.

Nossa investigação passou por trêsfases naqueles dois anos e oito meses: duas mais curtas e uma mais extensa. A primeira delas consistiu de sete testespreliminares, onde cada passo servia de ponto de discussão para a confecção do protocolo. Na segunda, realizamos cincotestes de emissão de sentimentos, apenas. Aterceira e mais extensa consistiu de setenta&nbs p;testes (sessenta deles com emissor). Todosos estudos realizados nesse período reuniram uma variedade de dados que possibilitam muitas opções de investigações futuras.

Este trabalho abrange as sessões formais de Ganzfelddurante o período abordado, fazendo menção, inclusive, às sessões efetuadas para ensino e demonstração, durante as aulas práticas e sessões-forjadas para demonstração a personalidades visitantes.

O experimento-Piloto foi realizado em 9 de novembro de 1993: escolhemos Fernando e Eduardo, gêmeos univitelinosde dezoito anos, para nossos sujeitos.

Fernando foi o receptor, e descreveu tantos detalhes em seu relato que, ao finaldo teste, foi muito fácil descobrir o alvo .

Parte do relato de F.B. - Experimento de09.11.93:

"Carros. Uma avenida cheia de carros.

Pessoas andando. Um Hotel.

Um "S" muito grande. Número "SETE" grande.

Dois olhos grandes, olhando de cima.

Um monte de casas. Muita gente.

Nuvens. Chuva de verão. Folhas voando.

Alguém batendo num prego, construindo alguma coisa.

Montes de criancinhas.

Discos voadores.

Um camponês colhendo feno e pondo feno na carroça.

Vassoura varreu três vezes. Uma arvore seca

Entardecer, Saudade, Tristezas"

O Alvo era o no 08-A :"Bondinho da Rua XV"

De forma muito similar, as duas primeiras experiências tiveram um bom resultado ("Casa de Bruxa" e "Os Balões"). O registro do relato dos sujeitos é, também, bastante sugestivo do alvo escolhido:

Parte do relato do sujeito H. B. - Experimento de 22.10.93

Nuvens brancas com céu azul

Cabana de terra batida

Tudo muito velho

Sensação de algo ruim lá dentro

Bastante madeira

Varanda de balcão

Uma vassoura na casa

Natureza: bosque perto da casa

Região de montanha

Cores azul, verde e bege

Madeira de novo.

O alvo era o no. 9-A - "Casa de Bruxa"

Parte do relato do sujeito J.S.K. -Experimento de 27.10.93

"Sobrevoando o oceano,

Uma costa marítima

Imagem de parque de diversões

Ao fundo, sons de passarinhos

Cores amarelo e vermelho, círculos entrelaçados

Aves grandes, asas abertas para voar

Canto de passarinhos,Sensação de frio

Emvolta tudo claro

Tudo branco como geleiras em picos

Pessoas com japonas, cachecol,luvas

Uma pessoa com binóculos,

Óculos de motoqueiros,

Grupo de quatro pessoas

Ventania - uivo do vento"

O Alvo erao no 01-B : "Os Balões"

Ainda como parte dos testes que constituíram o Programa Piloto, convidamos para sujeitos alguns funcionários da Instituição, conservando os membros da equipe como emissores, como segue nos dois próximos relatos:

Parte do relato do Sujeito: N.M. - Experimento de 01.03.94

Quintal grande, casa velha.

Tábuas atravessadas.

Sensação de medo de ficar do lado de cá.

Perigo, medo, sufoco.

Lugar muito verde. Montanhoso.

Imensidão de carneiros. Alguém tocando os carneiros.

Céu nublado. Estrada sem asfalto.

Só barro. Gente andando no barro.

Casa pequena no meio de um pasto.

Arvoredo perto da casa. Bastante gado.

Lugar sossegado. Solidão.

O alvo era o n. 06-B - "Búfalo no Curral"

O experimento 5 / Sem Emissor, apresentou uma estranha ocorrência. O sujeito apresentou-se gripado e febril, sonolento, sob efeito de medicação. À nossa sugestão de adiar o experimento, insistiu em levá-lo a cabo. Como se tratava de um sujeito consistente, a equipe decidiu aceitar sua vontade e tentar observar os efeitos de sua alteração física e psicológica. Durante o relato, descreveu com tantos detalhes um dos três alvos sobressalentes que motivou, com isso, uma votação unânime nessa opção, inclusive a sua própria, embora declarasse a profunda inclinação pelo alvo verdadeiro, que sentiu quando deparou com a imagem de Cristo refletida na parede, no momento de julgar. Mas, contrariou sua forte impressão motivado pela explícita descrição.

Parte do relato do sujeito I. L. - experimento04.08.94:

Duas coisas na água. Rasinha. Um barco.

Caixões grandes, dentro de um lugar que parece um porão de barco.

Barco chegando, praia pequena. Lugar escondido, para contrabando.

Pessoas apressadas em descarregar a carga do barco, com medo de algo acontecer. De um lado tem canhões pra proteger o contrabando.

Impressão de estar no meio de uma ilha escondida.

Pessoas se divertindo enquanto outras pessoas pagam um alto preço pela vida.

Cores que mais vê: vermelho e branco.

O Sujeito, o Experimentador e o Juiz-Independente votaram em "Barco da Polícia",alvo n. 76-B (1/1/1) . Mas o alvo verdadeiro era o n. 76-D, "O Salvador", de ElGrecco.

Nossa terceira experiência -3P- apresentou um problema semelhante, com um detalhe curioso: nosso receptor, uma mulher, também descreveu um dos outros objetivos que não o verdadeiro. Assim, ela e o Juiz Independente votaram no mesmo alvo errado ("Chuva"). Mas, o Experimentador do sujeito escolheu o correto ("Estrelas do Mar", Alvo 34-C -4/1/2). Indagado do motivo de sua escolha, contou que, em dado momento, pensou escutar algumas palavras (areia, pôr do sol, estrelas) que ela não pronunciara e não constava do registro e nem da gravação do relato. Desde então, enfrentamos algumas situações, por vezes similares, como quando o emissor do teste no 17 surpreendeu seu experimentador, entregando-lhe o desenho do motivo do alvo a ser escolhido (42 B- Barcos à Vela), antes mesmo que fosse completado o processo de aleatorização. Em outras situações, inversas, quando o sujeito descrevia integralmente uma das três opções não escolhidas, forçando assim, os votos do Experimentador e do Juiz-independente ao mesmo alvo (errado), enquanto ele, algumas vezes, por meio de uma sensação física ou um palpite, acertava o alvo escolhido.

Ou, por outro lado, descrevia bastante fielmente o alvo verdadeiro, facilitando, com isso, o julgamento do Experimentador e do Juiz-Independente, votando, por sua vez, num alvo completamente diverso de seu relato, dando ao alvo verdadeiro a última colocação. Como no exemplo abaixo, realizado em período de treinamento de alunos-estagiários:

Parte do relato do sujeito A.F. - experimento14.09.94

"Calor no rosto. Parece estar na praia.

Vento, muito vento.

Gostoso, parece praia.

Tem pássaros, céu azul.

Tem pedras. Parece Torres(Balneário)

É como se estivesse num parque.

Parece que estou com o corpo todo molhado.

Sensação de calor, sol bonito. Parece que é praia.

Uma coisa preta, é escuro, parece um bicho".

O alvo era o n. 28 C - "Pelicanos da Flórida" (Curiosamente, após escutar o próprio relato, o sujeito votou no n. 28 B,um Cartoom: "3 Pedaços de Pisa").

Tivemos uma única experiência onde tínhamos conhecimento de que o sujeito era usuário habitual de entorpecentes. No momento de sua chegada ao laboratório era tão nítido seu estado ligeiramente alterado de consciência, que nos vimos obrigados a sugerir o adiamento do teste. No entanto, era tão grandes sua motivação e entusiasmo, que decidimos verificar qual seria o resultado. O teste revelou-se como sucesso (hit), o que nos leva apodermos apenas mencionar como eventualidade, desde que não tivemos oportunidade de repetir a experiência como uma hipótese.

Descrevemos, abaixo, parte de seu relato.

Experimento de 27.04.94. - Parte do relato do Sujeito: J.M.

Uma casa antiga de concreto. Uma área em volta.

Parece um parque: Árvores altas e antigas.

Arcadas e colunas. Um chafariz.

Alguém cantando. Um piano ?

Um murmúrio de voz feminina.

Duas linhas se entrecruzam com uma cruz.

Postes de luz. Bancos de Madeira. Sensação de tranqüilidade.

Um livro na mão sendo folheado e lido pela mulher.

Um parque que não é no Brasil. A cidade ao longe.

Uma cruz com um círculo no meio. Vozes de pessoas falando.

Alguém responde, Uma só voz masculina.

O Alvo era o no 29-A: Basílica de Sacre-Coeurde Montmartre

Nessa ocasião contávamos,apenas, com a informação e o material adquiridos junto ao Instituto de Parapsicologia. Conseguimos a participação eventual de alguns colegas e alunos. Dessa forma, tentávamos resolver os problemas e fortalecer os pontos fracos à medida que apareciam. Em geral, o resultado era bastante estimulante e nos motivava a aplicar regras decisivas e explícitas para aumentar a segurança dos dados e a possibilidade de controlar as variáveis.

Tivemos que enfrentar um árduo trabalho testando os experimentos, o método, as regras e os sujeitos. Formamos uma excelente equipe com os alunos estagiários que se mostraram altamente motivados, desde os primeiros momentos, juntando-se aos nossos esforços, e atuando como sujeitos nos experimentos, a partir do momento que nos sentimos preparados para enfrentar suas dúvidas que ajudavam a clarear as nossas.

Naquele primeiro ano realizamos 38 testes, 30 no segundo, e 19 no primeiro semestre do terceiro ano.

OSPROCEDIMENTOS

Consultamos as publicações disponíveis para a montagem de nosso protocolo (Hyman& Honorton, 1986; Honortonetal., 1990; Broughtonetal., 1990; Bem, 1993; Bem & Honorton, 1994; Kanthamani& Broughton, 1994). Assim,os procedimentos em nosso Laboratório pouco diferiam dos procedimentos adotados pelo PRL (PsychophysicalResearchLaboratories) de Honortone pelo Instituto de Parapsicologia, de Durham. As proovidênciasbásicas eram idênticas em ambas assituações.

Nossas instalações não eram automatizadas. Dependíamos, portanto, de uma equipe numerosa para os diversos papéis exigidos por uma criteriosa necessidade de segurança. Nossos alvos consistiam mais de cartões postais (72%) do que de "slides" (23%).

A maioria de nossos experimentos testavam GESP. Alguns testes de Precogniçãoe de Clarividência foram feitos. Encorajamos nossos sujeitos para que trouxessem seus próprios emissores, embora estivéssemos sempre prontos a utilizar membros do laboratório, como emissores, quando isso não ocorria.

Utilizamos dois lugares diferentes como sala do agente emissor. O primeiro era separado da sala do receptor, apenas, por uma sala intermediária de controle onde todo o material, instrumentos e arquivos eram guardados. Para aumentar a distância e o isolamento essencial, o emissor foi mudado para um outro conjunto do mesmo prédio, localizado no Setor de Aconselhamento. Dois sistemas diferentes de sonorização se utilizavam: um deles transmitia não apenas a indução ao relaxamento físico e estimulação mental (a fita de indução era uma adaptação da tradução que fizéramos do material trazido do Instituto de Durham), como tambémo ruído branco (o som chiado que produz uma estação fora do ar) e as instruções. Estas orientavam o sujeito a descontrair-se, relaxar e liberar a mente para favorecer imagens, sons, sensações que deveriam ser externadas à medida que surgissem. O segundo gravava a descrição verbal de sua mentalização, a qual era, ao mesmo tempo, registrada, por escrito, em seus mínimos detalhes.

Contamos, sempre, com a presença mínima de dois Experimentadores (I e II): o primeiro, para a sala do receptor,e o segundo para a sala do Emissor. Julgamos haver necessidade de acrescentar a assistência de dois Observadores: um para cada uma das salas. Eventualmente um terceiro Experimentador responsabilizava-se por manusear os dados, em adição aos dois principais participantes: o sujeito-receptor e o agente-emissor. Muitas vezes, um membro da equipe fazia o papel de Emissor.

O experimento iniciava no momento da chegada dos sujeitos. Assim que o horário era anotado nas fichas de registro, iniciava-se o processo de ambientação. A meta era fazer os participantes sentirem-se confortáveis e criar um clima positivo de expectativa pelos resultados. No início da sessão, reuniam-se todos na sala (intermediária) da Equipe para discutir os procedimentos e cada integrante era instruído do próprio papel. A seguir, era assinado o Acordo Ético e preenchidos os dados concernentes à Ficha de Informação Pessoal, por parte de todos os participantes do processo. Então, receptor e emissor preenchiam os questionários prévios ao experimento, com questões relativas a seu grau de expectativa e motivação, entre outras. O Experimentador I e seu Observador preparavam, então, o receptor para o Ganzfeld, colocando-o numa sala protegida de som exterior, em poltrona cômoda e reclinável, prendendo firmemente em seus olhos, com um esparadrapo especial, as meias bolinhas de ping-pong, e ajustando-lhe os fones de ouvido. O som do tape de indução era nivelado de acordo com a vontade do receptor. O ruído branco, semelhante a um chiadoe captado através dos fones de ouvido, produziria um campo auditivo homogêneo. Cobertas para as pernas lhe eram oferecidas para seu maior conforto. Nesse momento todos saíam exceto o experimentador I e seu Observador que fechavam a porta à chave.

Substituindo a luz branca que só voltaria a se acenderno instante da conferência do relato, a lâmpada (40 watts) vermelha era acesa e direcionada para os olhos do sujeito no intuito de provocar um campo de visão também homogêneo, propiciando, desta forma, o meio ambiente perceptivo homogêneo que se denomina campo total (Ganzfeld). Para reduzir o ruído somático interno, o receptor submetia-se a uma série de exercícios progressivos de relaxamento físico e estimulação mental, no início do período de Ganzfeld.

As responsabilidades do Experimentador do Receptor incluíam, além de fazê-lo sentir-se confortável e à vontade para o prosseguimento do teste,monitorá-lo, registrar integralmente sua verbalização, confirmar esse relato, durante o período de revisão, conduzir e participar da tarefa de julgamento e proporcionar o feedback no final, além de assegurar-se das medidas preventivas de segurança e sigilo por todo o período de duração do experimento.

Assim que a sessão se iniciava, o Agente era levado a uma sala separada, também isolada acusticamente. Em nosso experimento, o Emissor não recebia instrução para relaxamento, mas lhe era sugerido que se acomodasse, respirando profundamente e tentando aquietar a própria mente. Então, seu Experimentador iniciava o processo de seleção do motivo visual (arte impressa, postais e slides) extraído de uma grande reserva de estímulos. Então,de acordo com o número de código aleatorizado, tirava do arquivo o duplo-jogo contendo, cada um, quatro alvos. Entregava o primeiro envelope na s mãos do Agente, observando-o retirar de seu interior quatro outros pequenos envelopes, três dos quais permaneciam inviolados e eram devolvidos ao arquivo, retendo apenas aquele correspondente ao número e letra sorteados (Como exemplo: Se o alvo era o n. 72-C, os envelopes 72-A, B e D voltavam ao arquivo). Simultaneamente, o Experimentador passava, por baixo da porta, o envelope idêntico destinado a julgamento, para fora da sala de emissão. O Agente-emissor, munido de folhas de papel, canetas e lápis coloridos, conservava o alvo em suas mãos pelos próximos trinta minutos, alternando, durante os cinco minutos de intervalo entre cada um dos seis períodos de um minuto de emissão, desenhos e escrita sobre o tema emitido. A expectativa era de que o agente continuasse a vivenciar o tema durante todo o tempo.

Enquanto o emissor se concentrava no alvo, o receptor proporcionava, durante os mesmos trinta minutos, um relato contínuo verbal de sua ideação ou estado mental.

O segundo envelope seria apanhado pelo Experimentador do sujeito, ao terminar o período de Ganzfeld,no exato momento de iniciar o julgamento, na Sala da Equipe Técnica. Abria-o e apresentava ao receptor os quatro possíveis alvos, simultaneamente. Sem saber qual motivo foi o alvo, pedia-se que valorizasse o grau a que cada um se assemelhava à imagem e estado mental experimentadodurante o estado Ganzfeld. Receptor e experimentador marcavam, então, cada uma das quatro possibilidades numa escala de 0 a 99, de acordo com a similaridade entre a imagem e sua mentalização e utilizava um método de classificação do 1o a o 4o lugar, em adição ao percentual. Quando o julgamento terminava e as notas eram registradas, o Observador levava o pacote de julgamento a um Juiz Independente que era convidado a comparar as quatro opções do jogo de alvos com o registro da verbalização do sujeito. Finalmente, terminado o processo do julgamento, o Emissor e seu Experimentador são convidados a comparecer à sala de recepção para a revelação do alvo.

OSSUJEITOS

Nossos sujeitos eram todos voluntários não pagos. Utilizamos 64 sujeitos (26 homens e 38 mulheres). A maioria deles, depois deassistirem a palestras sobre o assunto, mostravam-se ansiosos por participarem do processo. Eram professores, estudantes e funcionários do Campus das Faculdades Espírita, onde o Laboratório estava sediado, bem como alguns estudantes de outras Entidades Educacionais e visitantes, além dos membros da equipe.

Solicitamos de todos os participantes o preenchimento de dois questionários (prévia e posteriormente às sessões), como parte da coleta de dados. Eram, à semelhança dos adotados no I.P. de Durham, uma versão sintetizada da Formuláriode Informações do Participante (FIP) , que adaptamos às nossas necessidades, e do formulário MBTI.

OSALVOS

Os alvos precisavam de um sistema confiável de aleatorização, o que nos custou muitas horas e muita preocupação. Primeiramente, tentamos usar várias tabelas de números aleatórios e os copiamos de livros de estatística. Utilizávamos dados para entrar nas tabelas e fizemos seis tabelas: cada um representando uma das seis faces do dado. Através das tabelas aleatórias, alcançávamos o alvo final. Era um bom sistema para o conjunto de 60 envelopes duplos; mas quando completamos os 100 envelopes duplos, tivemosque mudar nosso sistema para conservar as mesmas possibilidades de seleção para todos os envelopes numerados. Assim, planejamos confeccionar dez tabelas com 100 números de dois dígitos cada (de 00 a 99), dispostos em dez colunas e dez linhas. Então,cortamos 2.000 dígitos de papel e os pusemos em uma caixa . À medida em queeram tirados, eram lidos e anotados para compor, primeiramente, a casa das dezenas e depois a casa das unidades. Depois de anotados, eram postos novamente na caixa original para conservar as mesmas chances para o próximo algarismo a ser extraído do lote.

Assim, confeccionamos, em duas etapas, as dez tabelas montadas através do sorteio. Cada um dos algarismos aparecia vinte vezes por tabela e eram dispostos em cem números de dois dígitos por tabela, para facilitar o processo de aleatorização. Isso perfazia um tota l de mil números de dois dígitos, somando dois mil algarismos aleatorizados.

Os passos dados no momento da seleção do alvo, eram os seguintes:

1.O lançamento de uma das dez bolinhas numeradas do Globo de Aleatorização(de 01 a 00) apontava o número da Tabela a ser usada(de I a X - o no 00 correspondia à décima tabela), observando-se :

a)a utilização única do dígito correspondente à unidade (1 a 0).

b)a obrigatoriedade de reposição imediata da bolinha, para não prejudicar a aleatorização.

2.O lançamento da segunda bolinha definia a coluna.

3. O terceiro lançamento mostrava a linhaque cruzando a coluna escolhida, apontava o número de dois dígitos, um dos quais iriaintegrar a casa decimal do alvo.

4. O quarto lançamento decidia qual dos dois dígitos, referidos anteriormente,seria aproveitado na casa decimal do alvo. Se fosse um número par, utilizava-se o algarismo da direita. Se fosse ímpar, seria utilizado o da esquerda.

5. A escolha do algarismo referente à casa da unidade seguia os mesmos passos(lançamentos de no 5 a 8) que definiram, antes, a casa decimal.

6. Idêntico procedimento era executado na escolha daLETRA correspondente ao alvo (lançamentos de no 9 a 12). Como quatro eram as possibilidades (A-B-C-D), eram aproveitados, apenas, os algarismos de 1 a 8, anulando-se as seqüências que resultavam nos dígitos 9 e 0, para que as chances permanecessem igualitárias.

7. Qualquer eventualidade que impedisse a claradefinição do alvo final anulava todo o processo que deveria ser reiniciado a partir do primeiro passo. A exceção contemplavaa letra do alvo que exigia, apenas, uma nova escolha da letra, com os passos que levavam aos lançamentos de no 9 a 12.

8. Todos os passos que levavam ao envelope-alvo ou ao cartão/slidenomeados alvofinal deviam ser incluídos, juntamente com as anotações, questionários e relatos, no dossiê correspondente, para futuras averiguações.

O arquivo de alvos era guardado num gabinete trancado, longe da sala do receptor. Três diferentes conjuntos de alvos foram confeccionados para esses estudos. O primeiro incluía 20 jogos-duplos de quatro cartões cada um, com motivos infantis, que não chegou a ser usado, desde que não tivemos crianças como sujeitos. Uma única menina, de 12 anos de idade, participoude nossos estudos (alvo 30-c), com excelente resultado.

O segundo arquivo continha, também, 20 jogos-duplos. Era intitulado como o arquivo de sensibilização e era parte de uma questão que aventáramos com respeito a se transmitir com maior facilidade os sentimentos mais fortes, como o pânico, a violência, a frustração ou grande felicidade. Descrevemos cenas em que o emissor imaginava-se morrendo por asfixia ou afogamento, enfrentando um longo período de seca ou sentindo um terror muito grande. Descrevemos, além disso, cenas de muita ansiedade,de júbilo e prazer intensos.

O terceiro tinha, a princípio,60 jogos-duplos, transformados em 100, e formados da coleção de postais e slides adquiridos nos Estados Unidos e, mais tarde, na Europa. Os quatro postais de cada jogo foram selecionados e catalogados,o mais diversamente possível, uns dos outros, e envelopadosde formas alternadas (pessoas, animais, paisagens, cores, flores, cenas de humor e de emoção, obras de arte e arquitetônicas) respeitando, sempre, a orientação de evitar que a mesma ordem fosse seguida para as mesmas classes. A equipe efetuoutrês revisões desta tarefa, antes que os testes fossem levados a efeito.

Todos os cartões possuíam duplicatas, de forma que o julgamento fosse feito de um jogo diferente daquele utilizado e manipulado pelo Emissor evitando, assim, que marcas os identificassem. Cada foto era codificada e guardada em envelopes fechados.

Todas as seleções aleatórias eram efetuadas pelo Experimentador do Emissor, sempre que não podíamos contar com um elemento para efetuar, exclusivamente, a seleção.

Guardamos a documentação de todos os experimentos em nossos arquivos. São tantos os dados coletados que podem gerar diversos artigossobre o tema, no futuro. É nosso intuito contribuir da melhor forma possível para otimizaro ensino da Parapsicologia em nosso país, e ajudar nossos colegas brasileiros a fazerem o melhor pela profissão que escolhemos.


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* Revista Portuguesa de Parapsicologia,ano VII, n. 58, Jan./Fev 2000

* Actasdo III Encontro Psi 1998, de B.A, Novembro de 1998



[1] Conferência proferida no III Encuentro Psi 1998, em Buenos Ayres, novembro-98.

Last Updated ( domingo, 26 junho 2005 )
 
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