Vera Lúcia Barrionuevo e Tarcísio Roberto Pallú RESUMO: Esta foi a primeira tentativa de realizar os experimentos Ganzfeld na América Latina. A coleta de dados começou em outubro de 1993 e terminou em junho de 1996, quando o Ganzfeld Manual foi completamente desativado. As testagens estenderam-se por igual período. Este artigo inclui todas as sessões formais de Ganzfeld, com emissor, no período designado; com exceção da série-piloto, das cinco sessões anuladas, daquelas realizadas para ensino e treinamento, e as de demonstração a personalidades visitantes e cientistas. Os dados aqui apresentados englobam o trabalho em questão e consistem de uma única série. Referem-se a sessenta testes válidos de ESP com emissor, onde participaram 49 sujeitos (20 homens e 29 mulheres). Os resultados encontrados são modestos, com 31.7% de acertos diretos (z = 1.04; p = .30 bi-caudal), tendo como medida de verificação da ocorrência de ESP os acertos diretos do juiz independente, prioritariamente aos do sujeito, embora os demais valores resultantes dos demais julgamentos sejam, também, apresentados. Usaremos o efeito de magnitude (r) embasado na seguinte fórmula: z dividido pela raiz quadrada do número de tentativas (Rosenthal, 199l, p.19).
INTRODUÇÃO
Os estudos de C. Honortone S.
Harper, juntamente com os de W. Braude de A. Parker, nos
anos setenta, mostraram os passos iniciais a serem dados na
pesquisa que se tornaria uma das mais promissoras no campo
da Parapsicologia das próximas décadas(Alvarado,
1998). Os procedimentos Ganzfelddo
PsychophysicalResearchLaboratories(P.R.L.), de Plainsboro,
NJ, do Institutefor Parapsychology(I.P.), de Durham, NC,
ambos dos Estados Unidos da América do Norte, e da
Universidade de Amsterdam, Holanda, foram extensivamente
descritos na literatura parapsicológica (Bem, 1993;
Bem & Honorton, 1994; Bierman, 1984; Honortonetal.,
1990; Kanthamani& Broughton, 1994), e provocaram uma
onda de motivação para a condução de
experimentos utilizando a mesma metodologia, por parte dos
cientistas responsáveis pelos laboratórios de
pesquisa dos Estados Unidos da América do Norte
(Kanthamanie Broughton), d a Escócia (Morris, Dalton,
e Delanoy), Holanda (Bierman) e Suécia (Johanssone
Parker), entre outros, na Europa; e, mais recentemente,
Brasil (Barrionuevoe Pallú)e Argentina (Parra), na
América do Sul.
No final dos anos oitenta, o I.P. iniciou um projeto de
replicação dos dados do P.R.L., utilizando o
procedimento manual, encontrando resultados gerais
modestos, semelhantes aos de Charles Honorton, porém
replicando os procedimentos essenciais daquela metodologia
(Broughton & Alexander, 1997).
A equipe de investigação
Barrionuevoe Pallú, à frente do Núcleo de
Pesquisa Ganzfeldda Unidade de Ciências
Bio-Psíquicas(UNIBIO) das Faculdades Integradas
Espírita, em Curitiba, entre 1993 e 1996, conduziu uma
série de experimentos de ESP, pelo Método
Ganzfeld, operado manualmente, utilizando alvos
estáticos.
Com a intenção de
atualizar o ensino da Parapsicologia na Unidade de
Ciências Bio-Psíquicas(UNIBIO), foi fundado em
1993, o Núcleo de Pesquisas Ganzfeld. Na época, a
temática Educação em Parapsicologia tomava
impulso. Nossa proposta era direcionar o treinamento dos
alunos, privilegiando uma linha de pesquisa, para cursos de
graduação, pós-graduação e extens
ão, questionando, desta forma,o papel da
Educação em Parapsicologia, e nossa
função como educadores.
Nesse contexto, analisamos as
principais tendências pedagógicas e optamos por
definir nosso posicionamento de ensino, no Laboratório
Ganzfeld. Assim, adotamos uma perspectiva
didático-pedagógica multidimencionalcom
relação ao aluno em formação,
englobando treinamento e reflexão sobre a
ocorrência da psi no meio social. (Barrionuevo&
Pallú, 1998)
Dada a dificuldade financeira para
se montar o protocolo automatizado, e aconselhados por H.
Kanthamani, a então responsável pela pesquisa de
ESP do Instituto de Parapsicologia, optamos pelo
procedimento manual (Barrionuevo& Pallú, 1998),
mesmo cientesde não serem os alvos de imagens
estáticas uma escolha ideal para os experimentos
Ganzfeld, porserem menos bem sucedidos do que os alvos
dinâmicos (Kanthamani& Broughton, 1994).
O propósito do Núcleo de
Pesquisa era a implantação de uma abordagem
didatico-pedagógicaque permitisse o aprendizado e o
incentivo de adoção de uma metodologia de
investigação experimental. A educação
de profissionais em parapsicologia deve passar
necessariamente pe lo treinamento em metodologia de
pesquisa, sendo esta a maior contribuição para
caminhar em direção ao que Alvarado(1996)
considera imprescindível para transformar em
verdadeiramente científica a Parapsicologia
latino-americana.
A principal intenção deste
artigo é sintetizar os achados que abrangem aquele
período de dois anos e oito meses, e compará-los
com os acertos diretos dos estudos relacionados aos alvos
estáticos doI. P.
MÉTODO
Os dados que formam a base deste
artigo incluem60 testes realizados pelo grupo de
Barrionuevoe Pallú, que utilizaram os procedimentos
padronizados Ganzfeld, com emissor, mas contando,
prioritariamente, com o julgamento de um juiz independente;
embora apresentemos, também, os valores resultantes do
julgamento do sujeito-receptor e do experimentador, como
parte do protocolo. Alguns relatos dessa pesquisa foram
apresentados, em perspectiva histórica
(Barrionuevo& Pallú, 1998).
Partic ipantes
Os participantes, 49 sujeitos (20
homens e 29 mulheres), com idade variando entre 12 e 67
anos (média etária = 35,5 e SD (desvio
padrão) = 13,5), todos voluntários não
pagos, eram estudantes, professores e funcionários das
Faculdades Integradas Espírita do Campus Bezerra de
Menezes. Participantes adicionais incluíam estudantes
de outras Entidades educacionais, cientistas,
personalidades visitantes, e membros da equipe
interessados.
Material
O Núcleo de Pesquisas
Ganzfeldenglobava três salas inseridas numa das alas
destinadas ao estudo da Mente do Campus I das Faculdades
Integradas Espírita (esquema anexo). Como descrito em
Barrionuevoe Pallú(1998), o terminal do receptor
constava de duas salas: o receptor era acomodado na
primeira delas, protegida de som exterior, pelo isolamento
acústico da janela que dava para o muro da
instituição. Media 3m de comprimento por 2m de
largura. A porta de ligação com a sala da equipe
técnica permanecia trancada durante o experimento.
Numa de suas extremidades, havia um balcão com
torneira para água encanada e um armário, onde o
material esterilizado era guardado. Ao longo de seu
comprimento, uma maca re clinável para uso do sujeito,
em frente à qual, duas cadeiras acomodavam o
experimentador e seu observador. Acima delas, uma
prateleira suspensa, onde foi instalada uma
video-câmera; e entre ambas, a mesa, onde estavam
instalados osaparelhos de som: o de gravação da
mentalização do sujeito e o de escuta das
instruções e indução da
estimulação Ganzfeld.
Adjacente a esta sala, ao centro, o
aposento destinado à equipe técnica ou sala de
controle, com dimensões de 3m de comprimento por 3m de
largura, sem janelas, e duas portas de ligação
trancadas durante todo o experimento, onde se instalava a
biblioteca e onde todos os formulários que compunham a
documentação requerida se achavam arquivados.
Era, também, onde se reuniam os participantes do
experimento, antes e após a testagempara o
preenchimento dos questionários. Esse material -
traduzido e adaptado às nossas necessidades, erauma
versão sintetizada do formulário de
Informações do Participante e do formulário
MBTI, adotados pelo I. P. Constituíam parte importante
dos dados coletados, por conterem questões sobre graus
de atenção, expectativa, motivação,
estados de ânimo, e índices de relaxamento, de
atividade mental e alteração de consciência
atingidos pelos participantes, por sua própria
ótica, durante o experimento.
Para alojar o agente emissor, foram
utilizadas duas salas, em diferentes lugares: a primeira
estava localizada no corpo do próprio Núcleo de
Pesquisa Ganzfelde media 3m de comprimento por 2,5m de
largura. Possuía uma janela para o exterior, vedada, e
duas portas de ligação trancadas dura nte o
experimento. Nossas medidas de segurança aconselharam
a proporcionar maior distância entre emissor e
receptor. Assim, decidimos por sua transferência para
uma sala mais isolada, de medidas semelhantes, localizada
no Centro Integrado de Orientação em
Parapsicologia.
Diferentes sistemas de
sonorização foram adaptados unicamente para uso
do sujeito: O primeiro transmitia instruções,
estimulação e ruído branco (chiado como de
uma estação de rádio fora do ar, que
propiciava ao sujeito um campo auditivo homogêneo). As
instruções gravadas orientavam-no a descontrair,
relaxar e liberar a mente, favorecendo, desta forma,
imagens, sons e sensações externadas à
medida que surgiam. Os exercícios progressivos de
relaxamento físico e gradativa estimulação
mental que lhe eram transmitidos e o submetiam a uma
espécie de indução a um estado alterado de
consciência, propiciavam-lhe acessar a seus
conteúdos internos, os quais externava para registro e
posterior avaliação. Essa indução se
originara de material destinado ao mesmo fim e adotado pelo
Instituto de Durham, que traduzíramos e
adaptáramos às exigências de nossa cultura.
Um segundo sistema era usado, apenas, para gravar a
verbalização de sua ideação.
Nosso conjunto de alvos foi
originado de uma grande coleção de postais (73%)
e slides (27%), adquiridos no Brasil, Europa e Estados
Unidos. Formavam um total de 100 jogos-duplos, com 100
envelopes contendo um jogo de quatro alvos, previamente
arranjados de acordo com seu número de código,
para manuseio do emissor; e 100 envelopes duplicados, para
servir ao julgamento do receptor.
As tabelas para seleção
dos alvos foram elaboradas pela equipe (Barrionuevo, 1994;
Barrionuevo& Pallú, 1998). Um sistema
confiável de aleatorizaçãocustou-nos muitas
horas de planejamento e trabalho. Primeiramente, usamos
várias tabelas de números aleatórios e os
copiamos de livros de estatística. Utilizávamos
dados para entrar nas seis tabelas que fizemos: cada uma
representava uma das seis faces do dado. Através das
tabelas aleatórias, alcançávamos o alvo
final. Era um bom sistema para o conjunto de sessenta
envelopes duplos; mas quando completamos os cem envelopes
duplos, julgamosque deveríamos modificar aquele
sistema para conservar as mesmas possibilidades de
seleção para todos os envelopes numerados. Assim,
submetemos ao parecer de nossa supervisora Kanthamanio
planejamento que fizemos para confecção de dez
tabelas com 100 números de dois dígitos cada (de
00 a 99), dispostos em dez colunas e dez linhas. Dois mil
dígitos de papel foram cortados e colocados numa caixa
fechada. À medida em queeram tirados, lidos e anotados
compunham, inicialmente, a casa das dezenas e depois a casa
das unidades. Anotados, eram devolvidos à caixa
original para conservar as mesmas chances para o
próximo algarismo a ser extraído do lote. Assim,
confeccionamos, em duas etapas idênticas, as dez
tabelas montadas. Cada um dos algarismos aparecia vinte
vezes por tabela e eram dispostos em cem números de
dois dígitos por tabela, para facilitar o processo de
aleatorização. Isso perfazia um total de mil
números de dois dígitos, somando dois mil
algarismos aleatorizados.
Para a seleção do alvo,
lançava-se uma das bolinhas numeradas (de 01 a 00)de
um Globo de Aleatorização, que apontava o
número da Tabela (I a X) a ser usada (o número 00
correspondia à décima tabela), observando-se a
utilização única do dígito que
correspondia à unidade, e a obrigatoriedade de
reposição imediata da bolinha, para não
prejudicar a aleatorização. A segunda bolinha
lançada definiaa coluna. Aterceira apontava a linha
que cruzando a coluna escolhida, indicava um dos
números de dois dígitos, que integraria a casa
decimal do alvo. O quarto lançamento decidia qual dos
dois dígitos, referidos anteriormente, seria
aproveitado na casa decimal do alvo. Se fosse par,
utilizava-se o algarismo da direita. Se ímpar,
utilizava-se o da esquerda. A escolha do algarismo
referente à casa da unidade seguia os mesmos passos
que definiram, antes, a casa decimal (lançamentos de
no5 a 8). Idêntico procedimento era
executado na escolha da letra correspondente ao
alvo(lançamentos de no 9 a 12). Para que as
chancespermanecessem igualitárias, como as letras dos
alvos eram quatro (A-B-C-D), neste procedimento
específico, anulava-se as seqüências
resultantes nos dígitos 9 e 0 e se aproveitava os
algarismos de 1 a 8, apenas. O que impedisse a
claradefinição do alvo final anulava todo
o processo que era reiniciado do primeiro passo. A
exceção contemplavaa letra do alvo que
exigia, apenas, uma nova escolha da letra, com os mesmos
passos dos lançamentos de no 9 a 12.
Os quatro alvos de cada jogo foram
selecionados o mais diversamente possível,e
envelopados, de forma alternada, com respeito aos motivos
(pessoas, animais, paisagens, cores, flores, cenas de humor
e de emoção, obras de arte e arquitetônicas)
respeitando, sempre, a orientação de evitar que a
mesma ordem fosse seguida para as mesmas classes, impedindo
assim, a votação tendenciosa. Antes que os testes
fossem efetuados, a equipe realizoutrês revisões
dessa disposição. Todos os alvos possuíam
duplicatas, de forma que o julgamento fosse feito de um
jogo diferente daquele utilizado e manipulado pelo emissor;
prevenindo, desta forma, que eventuais marcas pudessem
servir para identificação.
Procedimentos
A investigação passou por
três fases naqueles dois anos e oito meses, mas as
providências básicas,eram idênticas. As
instalações não eram automatizadas. Por este
motivo e, por se tratar de um experimento manual,
dependia-se de diversos auxiliares para exe rcer as
diferentes funções. Contamos, sempre, com a
presença mínima de dois Experimentadores (I e II)
em adição aos dois principais participantes: o
sujeito-receptor e o agente-emissor: o primeiro
experimentador, para a sala do receptor, e o segundo para a
sala do Emissor. Julgamos haver necessidade de acrescentar
a assistência de dois Observadores: um para cada uma
das salas. Eventualmente, um terceiro Experimentador
responsabilizava-se pela aleatorizaçãoe manuseio
dos dados. Como nos procedimentos do I. P., os
participantes eram encorajados a trazer seus próprios
emissores. Quando isso não ocorria, um dos membros do
laboratório servia como emissor.
O esquema do experimento
incluía uma reunião inicial, entre as pessoas
envolvidas, para discussão dos procedimentos e
orientação quanto ao papel exercido por cada
participante. Essa reunião era realizada antes da
testagem, na sala da Equipe Técnica. A
intenção era fazer os participantes sentirem-se
à vontade e criar um clima positivo de expectativa
pelos resultados, para que aquela fosse uma
experiência bem sucedida.
A seguir, era requerido aos
participantes - emissores e receptores, o preenchimento da
ficha de identificação pessoal e dos
questionários (prévia e posteriormente às
sessões).
A seguir, juntamente com seus
observadores, os experimentadores tomavam suas
posições, junto a cada um dos sujeitos, em seus
respectivos locais de teste, com as portas que ligavam as
dependências entre si, trancadas à chave.
Conduzido por seu experimentador
à sala de transmissão, cuja porta era
imediatamente trancada, o agente emissor, ao qual não
eram dadas instruções de relaxamento por sistema
de som, recebia de seu experimentador orientação
para que se acomodasse calmamente numa poltrona
confortável, respirando com lentidão e
profundidade, e tentasse aquietar e acalmar a própria
mente. Enquanto isso, o experimentador, sempre que não
se contava com um terceiro elemento apenas para controlar a
sessão, efetuava a aleatorização do alvo, o
qual entregava ao agente emissor. Simultaneamente, passava
para a Sala da Equipe Técnica, fazendo-o deslizar por
sob a porta trancada, o envelope-duplicata dos alvos, que
lá permaneceria, até o momento imediatamente
anterior ao julgamento.
Durante os 30 minutos que abrangiam
o período total de emissão, o agente conservava o
alvo em suas mãos. A expectativa era de que tentasse
continuar emitindo, de alguma forma, e durante todo o
tempo, o alvo em suas mãos.
Preparado para o Ganzfeldpor seu
experimentador, o receptor era acomodado na cama
reclinável e, por se tratar de região de clima
frio, agasalhado na medida de seu conforto. A seguir, eram
presas em seus olhos as meias bolinhas de ping-pong, e
colocados os fones nos ouvidos; ajustado, a seu comando, o
nível de som do tape de orientação,
indução ao Ganzfelde emissão do ruído
branco. Então a luz vermelha (40 watts) era acesa e
nivelada em intensidade que não o incomodasse.
As responsabilidades do
experimentador do receptor incluíam: monitorar o
receptor, registrar a verbalização de sua
ideação, durante o período de revisão,
discutir seus comentários, conduzir e participar da
tarefa de julgamento e proporcionar o "feedback", no
final.
Após o período de
mentalização, e imediatamente antes de iniciar o
período de julgamento, o experimentador do receptor
apanhava a duplicata do pacote aleatorizadona sala da
equipe técnica, abria-a e apresentava,
simultaneamente, os quatro possíveis alvos ao
receptor. Então, ao mesmo tempo, ambos
classificavam-nos de 1o a 4o lugar,
enquadrando, a seguir, as quatro possibilidades numa escala
de 0 a 99, de acordo com a similaridade entre a imagem e
mentalização registrada (Barrionuevo, 1994).
Quando o julgamento terminava e as
notas eram registradas, este processo era repetido pelo
controlador do experimento ou pelo observador; desta vez,
com relação a umjuiz independente, elemento
não participante de nenhuma das fases anteriores do
processo, e que apontava o alvo escolhido, baseado numa
única referência: a leitura da
transcrição da mentalização do sujeito.
Este último procedimento revestia-se de especial
importância dada aresolução de uso dos
valores referentes ao julgamento do juiz independente como
a medida de ESP no estudo, mesmo sendo apresentados os
valores referentes aos demais meios de julgamento.
Além disso, julgamos oportuno enfatizar que, enquanto
a decisão do juiz independente não estivesse
formalmente registrada, as portas que isolavam os participa
ntes e seus experimentadores, continuavam trancadas.
Finalmente, após terem sido
cumpridas todas as etapas, o emissor e seu experimentador
eram convidados a dirigir-se à sala de
recepção, onde revelavam a identidade do
alvo.
Análise Planejada
Como referido anteriormente, a
principal proposição dos nossos dados, era
propiciar à comunidade estudantil um embasamento
teórico e prático bem fundamentado em sua
estrutura didatico-pedagógicaquanto
àsquestões gerais do Ganzfeld(planejamento,
organização, instalação,
atuação e análises diversas).
No presente artigo, estamos nos
limitando à análise dos acertos diretos, apenas.
Contudo, um ponto que nos chamou a atenção, por
parecer fazer bastante sentido, foi a correlação
encontrada entre a atenção às
sensações físicas e os erros, já que
pessoas muito atentas ao próprio corpo dificilmente
conseguem relaxar ou atingir um estado alterado de
consciência. Este assunto, no entanto, como a
análise dos dados restantes, provenientes dos
questionários dos participantes, foi deixado para
trabalhos posteriores.
Planejamos, num momento inicial,
comparar nossos acertos diretos provenientes do julgamento
dos sujeitos, com os auferidos pelo Instituto de
Parapsicologia (Kanthamani& Broughton, 1994). Num
segundo e definitivo momento, decidimos utilizar como
principal medida de ESP as classificações de
acertos provenientes do julgamento do juiz
independente.
Resultados
Resultados Gerais
No geral, os resultados do estudo
conseguidos através do julgamento dos juizes
independentes não foram significativos (z = 1.04,p =
.30 bi-caudal, r = .13).A tabela 1 apresenta estes
resultados juntamente com aqueles obtidos pelos
demaisjuizes.
Nossa pontuação de acertos
(31.7%) mostrou-se levemente mais expressiva do que aquelas
obtidas pelas séries manuais conduzidas pelo Instituto
de Parapsicologia (27.6%, Kanthamani& Broughton, 1994).
Comparamos, além disso, o efeito de magnitude do nosso
estudo(r = .13) àquele obtido pelas séries do I.
P. (r =.06, por nossos cálculos), seguindo os
procedimentos estatísticos recomendados por Rosenthal
e Rosnow(1991, p. 495). A comparação não
mostrou uma diferença significativa (z = -.49, p =
.62, bi-caudal).
Tabela1:
Resultados Gerais do Estudo
|
Tipos de
juízes
|
N
</ td>
|
%de Acertos Diretos
|
z
(Acertos Diretos)
|
p
(bi-caudal)
|
r
(efeito de
magnitude)
|
|
Juízes
Independentes
|
60
|
31.7 %
|
1.04
|
.30
|
.13
|
|
Participantes
(sujeitos)
|
60
|
30 %
|
.75
|
.46
|
.10
|
|
Experimentadores
|
60
|
28.3 %
|
.45
|
.66
|
.06
|
Nota:A fonte utilizada para
medida de significância global do estudo foi a
classificação dos Juizes Independentes. A
informação estatística referente aos Juizes
participantes e experimentadores deve ser considerada,
apenas, como estatística descritiva. O efeito de
magnitude (r) foi calculado pela divisão do z (acertos
diretos) pela raiz quadrada de N e pela
utilização dos valores absolutos do resultado.
Todas as análises posteriores dos nossos resultados
estão relacionadas ao Juiz Independente.
Nossos arquivos conservam registro
dos participantes que declararam não ter tido
experiência psi anterior e daqueles participantes que
relataram ter tido experiências ps i anteriores -
entre os quais, de pessoas que já tiveram
experiências fora do corpo,médiuns, e pessoas
tidas como sensitivos ou psíquicos. Na revisão de
Kanthamani& Broughton,das Séries Manuais do
Ganzfeld, realizadas no I.P., descobriram que pessoas que
relatavam experiências psi obtinham percentuais de
acertos maiores do que aqueles que não relatavam tais
habilidades. Esta relação também é
encontrada nos estudos Ganzfelddo P.R.L. e em vários
outros estudos feitos em outros laboratórios.
Guardamos, ainda, registro das
relações entre os emissores e os receptores.
No Instituto de Parapsicologia e em outros
laboratórios foi descoberto que percentuais de acerto
mais baixos são obtidos quando os participantes
(receptores) são pareados com emissores que sejam
membros da equipe do laboratório e, de certa forma,
desconhecidos dos receptores. Em alguns estudos, os amigos
têm sido os emissores mais bem sucedidos, e, em outros
estudos, os emissores de maior sucesso, são os membros
familiares biologicamente relacionados ou esposos e
companheiros. Embora o resultado global de nosso estudo
não seja significativo, interessou-nos descobrir se
estes padrões de resultados seriam replicados em
nossos dados (sentimo-nos levados a fazê-lo por causa
da baixa expressão de nosso estudo de 60
participantes, que é inferior ao número
mínimo de 100 participantes recomendado pela
estatística Dra. Jessica utts, como o menor
número necessário para obter
significância global, dado o fraco efeito psi
apresentado no Ganzfeld).&nbs p;A Tabela 2 mostra os
resultados desta comparação.
Tabela2
Resultados de análise
específica por experiência psi e tipo de
emissor
| |
N
|
%
(acertos diretos)
|
z
(acertos diretos)
|
p
(bi-caudal)
|
r
(efeitode
magnitude )
|
|
Geral
|
60
|
31.7 %
|
1.04
|
.30
|
.13
|
|
Sem experiência
psianterior.
|
19
|
26.3 %
|
-.13
|
.88
|
.03
|
|
Com experiências
ou habilidades psi.
|
18
|
38.9 %
|
1.09
|
.28
|
.29
|
|
Emissor: membro da
equipe.
|
15
|
33.3 %
|
.45
|
.66
|
.12
|
|
Emissor: amigo.
|
34
|
29.4 %
|
.40
|
.68
|
.07
|
|
Emissor: membro
dafamília.
|
4
|
25 %
|
-.58
|
.56
|
.29
|
|
Emissor: cônjuge,
sócio, companheiro.
|
7
|
42.9 %
|
.65
|
.52
|
.25
|
|
Novatos em
Ganzfeld.
|
44
|
27.3 %
|
.17
|
.86
|
.03
|
|
Experimentados em
Ganzfeld.
|
16
|
43.8 %
|
1.44
|
.15
|
.36
|
Como pode ser observado, pela tabela
acima, as 18 pessoas que foram classificadas como
portadoras de habilidades ou de experiências psi,
obtiveram um percentual de 38.9% de acertos diretos.
Embora este resultado não seja,
por si, significativo, produziu um efeito de magnitude
pouco maior do que o dobro da magnitude do estudo global.
Além disso, os 7participantes cujos cônjuges
atuaram como emissores obtiveram um percentual de acertos
diretos de 42.9 %, o que, mesmo sem significância, por
si só, também esteve próximo ao dobro de
grandeza do efeito de magnitude do estudo global.
Seguindo o exemplo de Kanthamani & Broughton(1994, p.
188), nós gostaríamos de examinar nossos dados
para encontrar aquelas pessoas portadoras de habilidades ou
experiências psi e tenham tido seus cônjuges
atuando como emissores. Contudo, houve uma única
sessão conduzida, na qual um receptor com
experiência psi tinha como emissor seu cônjuge;
de forma que não podemos catalogar um "modelo
curitibano de sucesso" (Deve ser anotado, para futura
referência, que este casal obteve um Acerto Direto em
sua sessão). Ao contrário dos estudos realizados
no Instituto de Parapsicologia, nossos membros de grupos
familiares biologicamente relacionados (N = 4) produziram
um percentual de acertos de apenas 25%, e um escore z de
Acertos Diretos que espelhou o fato de que este pequeno
grupo produziu, principalmente, erros em suas
tentativas.
Finalmente, Kanthamani&
Broughtondescobriram que os Novatos
(pessoas que jamais foram submetidas a uma sessão de
experimento Ganzfeld anteriormente) obtiveram um percentual
de Acertos Diretos mais elevado do que as pessoas que eram
participantes Ganzfeldexperimentados (1994, p. 187).
Nós nos interessamos em verificar se este padrão
seria ou não encontrado em nossos dados. Como pode ser
verificado na tabela 2, nossos novatos (N = 44) obtiveram
um percentual de Acertos Diretos de apenas 27.3%;
conseguindo, assim, escores devidos, basicamente, ao acaso.
Por outro lado, nossos participantes Ganzfeld
experimentados (N = 16), que participaram de 2 a 4
sessões, cada, em experimentos Ganzfeld
anteriores, obtiveram um percentual de Acertos Diretos de
43.8%. Este percentual de Acertos, embora não
significativo, ( z = 1.44, p = .15, bi-caudal), foi
associado a um efeito de magnitude de r = 0.36, quase
três vezes a magnitude do estudo global.
DISCUSSÃO
Da mesma forma que Kanthamanie
Broughton(1994), julgamos importante aquestão de
aprender a orientar quanto aos esforços de
replicabilidade, especialmente no contexto didático.
Neste particular, obtivemos bastante êxito. Resumimos,
neste estágio do exame de nossos dados, algumas
observações que devem ser feitas:
Como não realizamos testes
automatizados, não pudemos verificar a opinião
expressa por aqueles autores (1994), quanto a ser mais
seguro dizer que os alvos de imagens estáticas
permanecem sendo uma escolha não ideal para os
experimentos Ganzfeld. Nossa equipe, como as de outros
possíveis replicadores, não contava com
equipamento de vídeo para a apresentação de
alvos, embora dispusesse de um projetor de slides,
concernente a23 % do conjunto de alvos.
Julgamos bastante curiosa a
correlação negativa de nossos dados com
relação aos obtidos pelo I. P. concernentemente
ao percentual de acertos obtidos pelos participantes
novatos comparados com os obtidos pelos participantes
experimentados.
No resto, de forma geral, nossos
dados confirmam os escores de percentual modesto e não
significativos do Instituto de Parapsicologia,para alvos
estáticos. São comparáveis no quediz
respeito aos acertos e ao efeito de magnitude. O escore
percentual doI.P. foi de 27,6 %; e o nosso foi levemente
mais encorajador(32 %); evidenciando que demos ênfase
aos acertos diretos resultantes do julgamento dos
Juízes Independentes.Mesmo assim, isso não
significa que nossos resultados sugiram a ocorrência
de ESP. Verificando os resultados do julgamento dos
sujeitos receptores (30 %), vimos que aquelesemparelharam
um pouco melhor que estes últimos.
Sabemos que a possibilidade de
obtenção de resultados significativos seria maior
com uma quantidade mais numerosa do que a oferecida pelos
sessenta testes
utilizados neste estudo. Da mesma forma que a de tantos
outros experimentos Ganzfeld, o número insuficiente de
testagens do presente estudo pode haver afetado a
força de nossa análise. Ainda que a
realização de um grande número de testes,
neste tipo de estudo, não seja fácil, e embora os
resultados apresentados estejam próximos aos obtidos
ao acaso (25%), o fato de que as pessoas fortemente
relacionadas (como, em nosso caso, cônjuges e
sócios) e as portadoras de psi tenham tido melhores
percentuais de acertos que as outras, como encontrado nos
outros estudos Ganzfeld, parece sugerir que seria
possível obter resultados mais significativos com um
número maior de testagens, o que julgamos bastante
encorajador para futuros experimentos.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Alvarado, C. S. Haciauna
ParapsicologíaCientífica enAmérica Latina.
Revista
Argentina de PsicologíaParanormal. Vol.7(4), 1996,
p. 223-233.
Alvarado, C.S.ESP and Altered States of Consciousness:
An Overview of
Conceptual and Research Trends.Journal of
Parapsychology, 1998, 62, 27-63. .
Barrionuevo, V. Seguindo o Rastro de Charles Honorton,
Curitiba: edição da
autora, 1994.
Barrionuevo, V. & Pallú, T. Ganzfeld : Uma
Perspectiva Didática, Actas del III
Encuentro PSI, realizado emBuenos Ayres, Argentina
(novembro/1998).
Bem, D. The Ganzfeld Experiment, Journal of
Parapsychology 57 (2), p.p. 101 -
110, 1993.
Bem D.& Honorton</ span>, C.Does PSI Exist ?
Psychological Bulletin (115) pp. 4 -
18, 1994.
Bierman, D.J. The Effect of GanzfeldStimulation and
Feedback in a Clairvoyance
Task,Research in Parapsychology 1983. Metuchen, NJ:
Scarecrow Press, 1984.
Bierman, D.; Bosga, D.; Gerding, H. & Wezelman, R.
Anomalous information
Access i n the Ganzfeld: Utrecht - Novice Series I and
II. Proceedings of presented
papers, the 36th. Annual ParapsychologicalAssociation
Convention, Toronto,pp.
192-203, 1993.
Broughton, R. & Alexander, H. AutoganzfeldII: an
attempted replication of the
PRL ganzfeldresearch.Journal of Parapsychology,
vol.61(3). p.209-226, 1997
Honorton C.,Berger, R. et al. PSI Communication in the
Ganzfeld,
(Experiments with an Automated Testing System and a
Comparison with a
Meta-analysis of Earlier Studies),Journal of
Parapsychology 54, 1990.
Kantahamani, H. & Broughton, R. Institute for
Parapsychology Ganzfeld-ESP
experiments: The Manual Series. Paper presented at the
37th Annual
Convention of the ParapsychologicalAssociation,
Amsterdam (August, 1994).
Rosenthal, R. Meta-analytic procedures for social
research (revised edition).
Newbury Park, CA: Sage,
1991.
Anexo: MapA com especificações.
1 - 1. Sala do Receptor: compr. 3 m x 2 m larg.
janela (vedada) para o muro (limite da propriedade)
passagemp/salada equipe técnica (trancada durante
todo experimento) cama reclinável, duas cadeiras, pia
, armário, mesa,
filmadorae aparelhagem de som
2 - Sala da Equipe :;compr. 3 m x 3 m larg.
Sem janelas
portaspara a sala do receptor e para a sala do emissor
I
(trancadas durante todo o experimento)
equipamentode escritório.
3 - Sala do Emissor I :compr. 3 m x 2,5 m larg.
janela (vedada) para o pátio do Núcleo de
Pesquisa
portap/ sala da equipe técnica (trancada durante
todo o experimento)
poltronareclinável para o emissor - escrivaninha e
duas cadeiras
equipamento, formulários, arquivo dos jogos de
alvos
4 - Sala do Emissor II: comp. 2,5m x 2 m larg.
sem janelas
portapara o corredor do C.I.O.P. (trancada durante o
experimento)
poltronareclinável para o emissor, escrivaninha e 2
cadeiras.
OBS.:Apenas o emissor e os experimentadores eram
admitidos no C.I.O.P. durante o experimento.
* Publicado na Revista Argentina de
Psicologia Paranormal,vol. 1, ano 2.000.
OS AUTORES:
Vera
LúciaO'ReillyCabralBarrionuevo
Graduação em
Parapsicologia e Pós Graduação em Estudos da
Consciência pela Faculdade de Ciências
Biológicas e da Saúde Dr.Bezerra de Menezes
(FACIBEM), Supervisão em Aconselhamento em
Parapsicologia, pelo Centro Integrado de
Orientação em Parapsicologia (CIOP),
Especialização em Pesquisa em Parapsicologia pelo
RhineResearchCenter, dos Estados Unidos, Membro da
ParapsychologycalAssociation(PA), Membro Profissional do
RhineResearchCenter, Membro fundador e Diretor da
Associação Latino-Americana de Parapsicologia
(AIPA), Membro integrante do Centro de Pesquisa de Sonhos,
Membro do Conselho Editorial do FatorPsi.
Tarcísio Roberto
Pallú
Graduação em
Parapsicologia e Pós Graduação em Estudos da
Consciência pela Faculdade de Ciências
Biológicas e da Saúde Dr.Bezerra de Menezes
(FACIBEM), Chefia do Centro Integrado de
Orientação em Parapsicologia (CIOP),
Especialização em Pesquisa em Parapsicologia pelo
RhineResearchCenter, dos Estados Unidos, Professor do Curso
de Parapsicologia da FACIBEM, Membro da
ParapsychologycalAssociation(PA), Membro Profissional do
RhineResearchCenter, Membro fundador da
Associação Latino-Americana de Parapsicologia
(AIPA), Membro integrante do Centro de Pesquisa de Sonhos,
Membro do Conselho Editorial do
FatorPsi.
[1]Queremos expressar nossa
gratidão a Carlos Alvarado e Nancy Zingronepor sua
valiosa contribuição em termos da
análise estatística de nossos dados e
revisão deste trabalho.
[2] Graduada em Parapsicologia e pós-graduada em
Estu dos da Consciência. Supervisora em
Aconselhamento em Parapsicologia. Integrante do
Summer StudyProgramdo
RhineResearchCenter, turma de
1993. Organizadora e Instaladora do Núcleo de
Pesquisa Ganzfeldda FIES. Instrutora do I Curso -
Aipade Metodologias de Pesquisa. Membro da
ParapsychologycalAssociation. Membro Profissional do
RhineResearchCenter. Membro fundador e Diretor da
AsociaciónIberoAmericanade
Parapsicologia. Membro integrante do Centro de
Pesquisa de Sonhos. Membro do Conselho Editorial do
Boletim FatorPsi.
[3] Graduado em Parapsicologia e Pós Graduado em
Estudos da Consciênciapelas Faculdades Integradas
Espírita. Chefe do Centro Integrado de
Orientação em Parapsicologia e professor do
Curso de Parapsicologia da FIES. Integrante do
Summer StudyProgramdo
RhineResearchCenter, turma de
1993. Membro Instalador do Núcleo de Pesquisa
Ganzfeldda FIES. Instrutor do I Curso - Aipade
Metodologias de Pesquisa. Instrutor de
Programação Neuro-Linguística. Membro da
ParapsychologycalAssociation. Membro Profissional do
RhineResearchCenter. Membro fundador da
AsociaciónIberoAmericanade
Parapsicologia. Membro integrante do Centro de
Pesquisa de Sonhos. Membro do Conselho Editorial do
FatorPsi.
|