logo  
Página Principal menu separator Psi Basics menu separator Psi Advanced menu separator Psi Plus menu separator Mídia menu separator Inter Psi menu separator Busca Avançada menu separator
Página Principal
Principal
Página Principal
Psi Basics
Psi Advanced
Psi Plus
Mídia
Inter Psi
Busca Avançada
Busca Avançada
Login





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma
  • Português do Brasil
  • English
  • Spanish  - Español Formal Neutro
Anúncios
Telepatia nos experimentos Ganzfeld da UNIBIO: 1993-1996 PDF Imprimir E-mail
Por Wellington Zangari   
31 de março de 2005

[1]Vera Lúcia Barrionuevo[2] e Tarcísio Roberto Pallú[3]

 

RESUMO: Esta foi a primeira tentativa de realizar os experimentos Ganzfeld na América Latina. A coleta de dados começou em outubro de 1993 e terminou em junho de 1996, quando o Ganzfeld Manual foi completamente desativado. As testagens estenderam-se por igual período.

Este artigo inclui todas as sessões formais de Ganzfeld, com emissor, no período designado; com exceção da série-piloto, das cinco sessões anuladas, daquelas realizadas para ensino e treinamento, e as de demonstração a personalidades visitantes e cientistas.

Os dados aqui apresentados englobam o trabalho em questão e consistem de uma única série. Referem-se a sessenta testes válidos de ESP com emissor, onde participaram 49 sujeitos (20 homens e 29 mulheres). Os resultados encontrados são modestos, com 31.7% de acertos diretos (z = 1.04; p = .30 bi-caudal), tendo como medida de verificação da ocorrência de ESP os acertos diretos do juiz independente, prioritariamente aos do sujeito, embora os demais valores resultantes dos demais julgamentos sejam, também, apresentados. Usaremos o efeito de magnitude (r) embasado na seguinte fórmula: z dividido pela raiz quadrada do número de tentativas (Rosenthal, 199l, p.19).

 

INTRODUÇÃO

Os estudos de C. Honortone S. Harper, juntamente com os de W. Braude de A. Parker, nos anos setenta, mostraram os passos iniciais a serem dados na pesquisa que se tornaria uma das mais promissoras no campo da Parapsicologia das próximas décadas(Alvarado, 1998). Os procedimentos Ganzfelddo PsychophysicalResearchLaboratories(P.R.L.), de Plainsboro, NJ, do Institutefor Parapsychology(I.P.), de Durham, NC, ambos dos Estados Unidos da América do Norte, e da Universidade de Amsterdam, Holanda, foram extensivamente descritos na literatura parapsicológica (Bem, 1993; Bem & Honorton, 1994; Bierman, 1984; Honortonetal., 1990; Kanthamani& Broughton, 1994), e provocaram uma onda de motivação para a condução de experimentos utilizando a mesma metodologia, por parte dos cientistas responsáveis pelos laboratórios de pesquisa dos Estados Unidos da América do Norte (Kanthamanie Broughton), d a Escócia (Morris, Dalton, e Delanoy), Holanda (Bierman) e Suécia (Johanssone Parker), entre outros, na Europa; e, mais recentemente, Brasil (Barrionuevoe Pallú)e Argentina (Parra), na América do Sul.
No final dos anos oitenta, o I.P. iniciou um projeto de replicação dos dados do P.R.L., utilizando o procedimento manual, encontrando resultados gerais modestos, semelhantes aos de Charles Honorton, porém replicando os procedimentos essenciais daquela metodologia (Broughton & Alexander, 1997).

A equipe de investigação Barrionuevoe Pallú, à frente do Núcleo de Pesquisa Ganzfeldda Unidade de Ciências Bio-Psíquicas(UNIBIO) das Faculdades Integradas Espírita, em Curitiba, entre 1993 e 1996, conduziu uma série de experimentos de ESP, pelo Método Ganzfeld, operado manualmente, utilizando alvos estáticos.

Com a intenção de atualizar o ensino da Parapsicologia na Unidade de Ciências Bio-Psíquicas(UNIBIO), foi fundado em 1993, o Núcleo de Pesquisas Ganzfeld. Na época, a temática Educação em Parapsicologia tomava impulso. Nossa proposta era direcionar o treinamento dos alunos, privilegiando uma linha de pesquisa, para cursos de graduação, pós-graduação e extens ão, questionando, desta forma,o papel da Educação em Parapsicologia, e nossa função como educadores.

Nesse contexto, analisamos as principais tendências pedagógicas e optamos por definir nosso posicionamento de ensino, no Laboratório Ganzfeld. Assim, adotamos uma perspectiva didático-pedagógica multidimencionalcom relação ao aluno em formação, englobando treinamento e reflexão sobre a ocorrência da psi no meio social. (Barrionuevo& Pallú, 1998)

Dada a dificuldade financeira para se montar o protocolo automatizado, e aconselhados por H. Kanthamani, a então responsável pela pesquisa de ESP do Instituto de Parapsicologia, optamos pelo procedimento manual (Barrionuevo& Pallú, 1998), mesmo cientesde não serem os alvos de imagens estáticas uma escolha ideal para os experimentos Ganzfeld, porserem menos bem sucedidos do que os alvos dinâmicos (Kanthamani& Broughton, 1994).

O propósito do Núcleo de Pesquisa era a implantação de uma abordagem didatico-pedagógicaque permitisse o aprendizado e o incentivo de adoção de uma metodologia de investigação experimental. A educação de profissionais em parapsicologia deve passar necessariamente pe lo treinamento em metodologia de pesquisa, sendo esta a maior contribuição para caminhar em direção ao que Alvarado(1996) considera imprescindível para transformar em verdadeiramente científica a Parapsicologia latino-americana.

A principal intenção deste artigo é sintetizar os achados que abrangem aquele período de dois anos e oito meses, e compará-los com os acertos diretos dos estudos relacionados aos alvos estáticos doI. P.

MÉTODO

Os dados que formam a base deste artigo incluem60 testes realizados pelo grupo de Barrionuevoe Pallú, que utilizaram os procedimentos padronizados Ganzfeld, com emissor, mas contando, prioritariamente, com o julgamento de um juiz independente; embora apresentemos, também, os valores resultantes do julgamento do sujeito-receptor e do experimentador, como parte do protocolo. Alguns relatos dessa pesquisa foram apresentados, em perspectiva histórica (Barrionuevo& Pallú, 1998).

Partic ipantes

Os participantes, 49 sujeitos (20 homens e 29 mulheres), com idade variando entre 12 e 67 anos (média etária = 35,5 e SD (desvio padrão) = 13,5), todos voluntários não pagos, eram estudantes, professores e funcionários das Faculdades Integradas Espírita do Campus Bezerra de Menezes. Participantes adicionais incluíam estudantes de outras Entidades educacionais, cientistas, personalidades visitantes, e membros da equipe interessados.

Material

O Núcleo de Pesquisas Ganzfeldenglobava três salas inseridas numa das alas destinadas ao estudo da Mente do Campus I das Faculdades Integradas Espírita (esquema anexo). Como descrito em Barrionuevoe Pallú(1998), o terminal do receptor constava de duas salas: o receptor era acomodado na primeira delas, protegida de som exterior, pelo isolamento acústico da janela que dava para o muro da instituição. Media 3m de comprimento por 2m de largura. A porta de ligação com a sala da equipe técnica permanecia trancada durante o experimento. Numa de suas extremidades, havia um balcão com torneira para água encanada e um armário, onde o material esterilizado era guardado. Ao longo de seu comprimento, uma maca re clinável para uso do sujeito, em frente à qual, duas cadeiras acomodavam o experimentador e seu observador. Acima delas, uma prateleira suspensa, onde foi instalada uma video-câmera; e entre ambas, a mesa, onde estavam instalados osaparelhos de som: o de gravação da mentalização do sujeito e o de escuta das instruções e indução da estimulação Ganzfeld.

Adjacente a esta sala, ao centro, o aposento destinado à equipe técnica ou sala de controle, com dimensões de 3m de comprimento por 3m de largura, sem janelas, e duas portas de ligação trancadas durante todo o experimento, onde se instalava a biblioteca e onde todos os formulários que compunham a documentação requerida se achavam arquivados. Era, também, onde se reuniam os participantes do experimento, antes e após a testagempara o preenchimento dos questionários. Esse material - traduzido e adaptado às nossas necessidades, erauma versão sintetizada do formulário de Informações do Participante e do formulário MBTI, adotados pelo I. P. Constituíam parte importante dos dados coletados, por conterem questões sobre graus de atenção, expectativa, motivação, estados de ânimo, e índices de relaxamento, de atividade mental e alteração de consciência atingidos pelos participantes, por sua própria ótica, durante o experimento.

Para alojar o agente emissor, foram utilizadas duas salas, em diferentes lugares: a primeira estava localizada no corpo do próprio Núcleo de Pesquisa Ganzfelde media 3m de comprimento por 2,5m de largura. Possuía uma janela para o exterior, vedada, e duas portas de ligação trancadas dura nte o experimento. Nossas medidas de segurança aconselharam a proporcionar maior distância entre emissor e receptor. Assim, decidimos por sua transferência para uma sala mais isolada, de medidas semelhantes, localizada no Centro Integrado de Orientação em Parapsicologia.

Diferentes sistemas de sonorização foram adaptados unicamente para uso do sujeito: O primeiro transmitia instruções, estimulação e ruído branco (chiado como de uma estação de rádio fora do ar, que propiciava ao sujeito um campo auditivo homogêneo). As instruções gravadas orientavam-no a descontrair, relaxar e liberar a mente, favorecendo, desta forma, imagens, sons e sensações externadas à medida que surgiam. Os exercícios progressivos de relaxamento físico e gradativa estimulação mental que lhe eram transmitidos e o submetiam a uma espécie de indução a um estado alterado de consciência, propiciavam-lhe acessar a seus conteúdos internos, os quais externava para registro e posterior avaliação. Essa indução se originara de material destinado ao mesmo fim e adotado pelo Instituto de Durham, que traduzíramos e adaptáramos às exigências de nossa cultura. Um segundo sistema era usado, apenas, para gravar a verbalização de sua ideação.

Nosso conjunto de alvos foi originado de uma grande coleção de postais (73%) e slides (27%), adquiridos no Brasil, Europa e Estados Unidos. Formavam um total de 100 jogos-duplos, com 100 envelopes contendo um jogo de quatro alvos, previamente arranjados de acordo com seu número de código, para manuseio do emissor; e 100 envelopes duplicados, para servir ao julgamento do receptor.

As tabelas para seleção dos alvos foram elaboradas pela equipe (Barrionuevo, 1994; Barrionuevo& Pallú, 1998). Um sistema confiável de aleatorizaçãocustou-nos muitas horas de planejamento e trabalho. Primeiramente, usamos várias tabelas de números aleatórios e os copiamos de livros de estatística. Utilizávamos dados para entrar nas seis tabelas que fizemos: cada uma representava uma das seis faces do dado. Através das tabelas aleatórias, alcançávamos o alvo final. Era um bom sistema para o conjunto de sessenta envelopes duplos; mas quando completamos os cem envelopes duplos, julgamosque deveríamos modificar aquele sistema para conservar as mesmas possibilidades de seleção para todos os envelopes numerados. Assim, submetemos ao parecer de nossa supervisora Kanthamanio planejamento que fizemos para confecção de dez tabelas com 100 números de dois dígitos cada (de 00 a 99), dispostos em dez colunas e dez linhas. Dois mil dígitos de papel foram cortados e colocados numa caixa fechada. À medida em queeram tirados, lidos e anotados compunham, inicialmente, a casa das dezenas e depois a casa das unidades. Anotados, eram devolvidos à caixa original para conservar as mesmas chances para o próximo algarismo a ser extraído do lote. Assim, confeccionamos, em duas etapas idênticas, as dez tabelas montadas. Cada um dos algarismos aparecia vinte vezes por tabela e eram dispostos em cem números de dois dígitos por tabela, para facilitar o processo de aleatorização. Isso perfazia um total de mil números de dois dígitos, somando dois mil algarismos aleatorizados.

Para a seleção do alvo, lançava-se uma das bolinhas numeradas (de 01 a 00)de um Globo de Aleatorização, que apontava o número da Tabela (I a X) a ser usada (o número 00 correspondia à décima tabela), observando-se a utilização única do dígito que correspondia à unidade, e a obrigatoriedade de reposição imediata da bolinha, para não prejudicar a aleatorização. A segunda bolinha lançada definiaa coluna. Aterceira apontava a linha que cruzando a coluna escolhida, indicava um dos números de dois dígitos, que integraria a casa decimal do alvo. O quarto lançamento decidia qual dos dois dígitos, referidos anteriormente, seria aproveitado na casa decimal do alvo. Se fosse par, utilizava-se o algarismo da direita. Se ímpar, utilizava-se o da esquerda. A escolha do algarismo referente à casa da unidade seguia os mesmos passos que definiram, antes, a casa decimal (lançamentos de no5 a 8). Idêntico procedimento era executado na escolha da letra correspondente ao alvo(lançamentos de no 9 a 12). Para que as chancespermanecessem igualitárias, como as letras dos alvos eram quatro (A-B-C-D), neste procedimento específico, anulava-se as seqüências resultantes nos dígitos 9 e 0 e se aproveitava os algarismos de 1 a 8, apenas. O que impedisse a claradefinição do alvo final anulava todo o processo que era reiniciado do primeiro passo. A exceção contemplavaa letra do alvo que exigia, apenas, uma nova escolha da letra, com os mesmos passos dos lançamentos de no 9 a 12.

Os quatro alvos de cada jogo foram selecionados o mais diversamente possível,e envelopados, de forma alternada, com respeito aos motivos (pessoas, animais, paisagens, cores, flores, cenas de humor e de emoção, obras de arte e arquitetônicas) respeitando, sempre, a orientação de evitar que a mesma ordem fosse seguida para as mesmas classes, impedindo assim, a votação tendenciosa. Antes que os testes fossem efetuados, a equipe realizoutrês revisões dessa disposição. Todos os alvos possuíam duplicatas, de forma que o julgamento fosse feito de um jogo diferente daquele utilizado e manipulado pelo emissor; prevenindo, desta forma, que eventuais marcas pudessem servir para identificação.

Procedimentos

A investigação passou por três fases naqueles dois anos e oito meses, mas as providências básicas,eram idênticas. As instalações não eram automatizadas. Por este motivo e, por se tratar de um experimento manual, dependia-se de diversos auxiliares para exe rcer as diferentes funções. Contamos, sempre, com a presença mínima de dois Experimentadores (I e II) em adição aos dois principais participantes: o sujeito-receptor e o agente-emissor: o primeiro experimentador, para a sala do receptor, e o segundo para a sala do Emissor. Julgamos haver necessidade de acrescentar a assistência de dois Observadores: um para cada uma das salas. Eventualmente, um terceiro Experimentador responsabilizava-se pela aleatorizaçãoe manuseio dos dados. Como nos procedimentos do I. P., os participantes eram encorajados a trazer seus próprios emissores. Quando isso não ocorria, um dos membros do laboratório servia como emissor.

O esquema do experimento incluía uma reunião inicial, entre as pessoas envolvidas, para discussão dos procedimentos e orientação quanto ao papel exercido por cada participante. Essa reunião era realizada antes da testagem, na sala da Equipe Técnica. A intenção era fazer os participantes sentirem-se à vontade e criar um clima positivo de expectativa pelos resultados, para que aquela fosse uma experiência bem sucedida.

A seguir, era requerido aos participantes - emissores e receptores, o preenchimento da ficha de identificação pessoal e dos questionários (prévia e posteriormente às sessões).

A seguir, juntamente com seus observadores, os experimentadores tomavam suas posições, junto a cada um dos sujeitos, em seus respectivos locais de teste, com as portas que ligavam as dependências entre si, trancadas à chave.

Conduzido por seu experimentador à sala de transmissão, cuja porta era imediatamente trancada, o agente emissor, ao qual não eram dadas instruções de relaxamento por sistema de som, recebia de seu experimentador orientação para que se acomodasse calmamente numa poltrona confortável, respirando com lentidão e profundidade, e tentasse aquietar e acalmar a própria mente. Enquanto isso, o experimentador, sempre que não se contava com um terceiro elemento apenas para controlar a sessão, efetuava a aleatorização do alvo, o qual entregava ao agente emissor. Simultaneamente, passava para a Sala da Equipe Técnica, fazendo-o deslizar por sob a porta trancada, o envelope-duplicata dos alvos, que lá permaneceria, até o momento imediatamente anterior ao julgamento.

Durante os 30 minutos que abrangiam o período total de emissão, o agente conservava o alvo em suas mãos. A expectativa era de que tentasse continuar emitindo, de alguma forma, e durante todo o tempo, o alvo em suas mãos.

Preparado para o Ganzfeldpor seu experimentador, o receptor era acomodado na cama reclinável e, por se tratar de região de clima frio, agasalhado na medida de seu conforto. A seguir, eram presas em seus olhos as meias bolinhas de ping-pong, e colocados os fones nos ouvidos; ajustado, a seu comando, o nível de som do tape de orientação, indução ao Ganzfelde emissão do ruído branco. Então a luz vermelha (40 watts) era acesa e nivelada em intensidade que não o incomodasse.

As responsabilidades do experimentador do receptor incluíam: monitorar o receptor, registrar a verbalização de sua ideação, durante o período de revisão, discutir seus comentários, conduzir e participar da tarefa de julgamento e proporcionar o "feedback", no final.

Após o período de mentalização, e imediatamente antes de iniciar o período de julgamento, o experimentador do receptor apanhava a duplicata do pacote aleatorizadona sala da equipe técnica, abria-a e apresentava, simultaneamente, os quatro possíveis alvos ao receptor. Então, ao mesmo tempo, ambos classificavam-nos de 1o a 4o lugar, enquadrando, a seguir, as quatro possibilidades numa escala de 0 a 99, de acordo com a similaridade entre a imagem e mentalização registrada (Barrionuevo, 1994).

Quando o julgamento terminava e as notas eram registradas, este processo era repetido pelo controlador do experimento ou pelo observador; desta vez, com relação a umjuiz independente, elemento não participante de nenhuma das fases anteriores do processo, e que apontava o alvo escolhido, baseado numa única referência: a leitura da transcrição da mentalização do sujeito. Este último procedimento revestia-se de especial importância dada aresolução de uso dos valores referentes ao julgamento do juiz independente como a medida de ESP no estudo, mesmo sendo apresentados os valores referentes aos demais meios de julgamento. Além disso, julgamos oportuno enfatizar que, enquanto a decisão do juiz independente não estivesse formalmente registrada, as portas que isolavam os participa ntes e seus experimentadores, continuavam trancadas.

Finalmente, após terem sido cumpridas todas as etapas, o emissor e seu experimentador eram convidados a dirigir-se à sala de recepção, onde revelavam a identidade do alvo.

Análise Planejada

Como referido anteriormente, a principal proposição dos nossos dados, era propiciar à comunidade estudantil um embasamento teórico e prático bem fundamentado em sua estrutura didatico-pedagógicaquanto àsquestões gerais do Ganzfeld(planejamento, organização, instalação, atuação e análises diversas).

No presente artigo, estamos nos limitando à análise dos acertos diretos, apenas. Contudo, um ponto que nos chamou a atenção, por parecer fazer bastante sentido, foi a correlação encontrada entre a atenção às sensações físicas e os erros, já que pessoas muito atentas ao próprio corpo dificilmente conseguem relaxar ou atingir um estado alterado de consciência. Este assunto, no entanto, como a análise dos dados restantes, provenientes dos questionários dos participantes, foi deixado para trabalhos posteriores.

Planejamos, num momento inicial, comparar nossos acertos diretos provenientes do julgamento dos sujeitos, com os auferidos pelo Instituto de Parapsicologia (Kanthamani& Broughton, 1994). Num segundo e definitivo momento, decidimos utilizar como principal medida de ESP as classificações de acertos provenientes do julgamento do juiz independente.

Resultados

Resultados Gerais

No geral, os resultados do estudo conseguidos através do julgamento dos juizes independentes não foram significativos (z = 1.04,p = .30 bi-caudal, r = .13).A tabela 1 apresenta estes resultados juntamente com aqueles obtidos pelos demaisjuizes.

Nossa pontuação de acertos (31.7%) mostrou-se levemente mais expressiva do que aquelas obtidas pelas séries manuais conduzidas pelo Instituto de Parapsicologia (27.6%, Kanthamani& Broughton, 1994). Comparamos, além disso, o efeito de magnitude do nosso estudo(r = .13) àquele obtido pelas séries do I. P. (r =.06, por nossos cálculos), seguindo os procedimentos estatísticos recomendados por Rosenthal e Rosnow(1991, p. 495). A comparação não mostrou uma diferença significativa (z = -.49, p = .62, bi-caudal).

Tabela1:

Resultados Gerais do Estudo

Tipos de juízes

N

</ td>

%de Acertos Diretos

z

(Acertos Diretos)

p

(bi-caudal)

r

(efeito de magnitude)

Juízes Independentes

60

31.7 %

1.04

.30

.13

Participantes (sujeitos)

60

30 %

.75

.46

.10

Experimentadores

60

28.3 %

.45

.66

.06

Nota:A fonte utilizada para medida de significância global do estudo foi a classificação dos Juizes Independentes. A informação estatística referente aos Juizes participantes e experimentadores deve ser considerada, apenas, como estatística descritiva. O efeito de magnitude (r) foi calculado pela divisão do z (acertos diretos) pela raiz quadrada de N e pela utilização dos valores absolutos do resultado. Todas as análises posteriores dos nossos resultados estão relacionadas ao Juiz Independente.

Nossos arquivos conservam registro dos participantes que declararam não ter tido experiência psi anterior e daqueles participantes que relataram ter tido experiências ps i anteriores - entre os quais, de pessoas que já tiveram experiências fora do corpo,médiuns, e pessoas tidas como sensitivos ou psíquicos. Na revisão de Kanthamani& Broughton,das Séries Manuais do Ganzfeld, realizadas no I.P., descobriram que pessoas que relatavam experiências psi obtinham percentuais de acertos maiores do que aqueles que não relatavam tais habilidades. Esta relação também é encontrada nos estudos Ganzfelddo P.R.L. e em vários outros estudos feitos em outros laboratórios.

Guardamos, ainda, registro das relações entre os emissores e os receptores.
No Instituto de Parapsicologia e em outros laboratórios foi descoberto que percentuais de acerto mais baixos são obtidos quando os participantes (receptores) são pareados com emissores que sejam membros da equipe do laboratório e, de certa forma, desconhecidos dos receptores. Em alguns estudos, os amigos têm sido os emissores mais bem sucedidos, e, em outros estudos, os emissores de maior sucesso, são os membros familiares biologicamente relacionados ou esposos e companheiros. Embora o resultado global de nosso estudo não seja significativo, interessou-nos descobrir se estes padrões de resultados seriam replicados em nossos dados (sentimo-nos levados a fazê-lo por causa da baixa expressão de nosso estudo de 60 participantes, que é inferior ao número mínimo de 100 participantes recomendado pela estatística Dra. Jessica utts, como o menor número necessário para obter
significância global, dado o fraco efeito psi apresentado no Ganzfeld).&nbs p;A Tabela 2 mostra os resultados desta comparação.

Tabela2

Resultados de análise específica por experiência psi e tipo de emissor

N

%

(acertos diretos)

z

(acertos diretos)

p

(bi-caudal)

r

(efeitode

magnitude )

Geral

60

31.7 %

1.04

.30

.13

Sem experiência psianterior.

19

26.3 %

-.13

.88

.03

Com experiências ou habilidades psi.

18

38.9 %

1.09

.28

.29

Emissor: membro da equipe.

15

33.3 %

.45

.66

.12

Emissor: amigo.

34

29.4 %

.40

.68

.07

Emissor: membro dafamília.

4

25 %

-.58

.56

.29

Emissor: cônjuge, sócio, companheiro.

7

42.9 %

.65

.52

.25

Novatos em Ganzfeld.

44

27.3 %

.17

.86

.03

Experimentados em Ganzfeld.

16

43.8 %

1.44

.15

.36

Como pode ser observado, pela tabela acima, as 18 pessoas que foram classificadas como portadoras de habilidades ou de experiências psi, obtiveram um percentual de 38.9% de acertos diretos.

Embora este resultado não seja, por si, significativo, produziu um efeito de magnitude pouco maior do que o dobro da magnitude do estudo global. Além disso, os 7participantes cujos cônjuges atuaram como emissores obtiveram um percentual de acertos diretos de 42.9 %, o que, mesmo sem significância, por si só, também esteve próximo ao dobro de grandeza do efeito de magnitude do estudo global.
Seguindo o exemplo de Kanthamani & Broughton(1994, p. 188), nós gostaríamos de examinar nossos dados para encontrar aquelas pessoas portadoras de habilidades ou experiências psi e tenham tido seus cônjuges atuando como emissores. Contudo, houve uma única sessão conduzida, na qual um receptor com experiência psi tinha como emissor seu cônjuge; de forma que não podemos catalogar um "modelo curitibano de sucesso" (Deve ser anotado, para futura referência, que este casal obteve um Acerto Direto em sua sessão). Ao contrário dos estudos realizados no Instituto de Parapsicologia, nossos membros de grupos familiares biologicamente relacionados (N = 4) produziram um percentual de acertos de apenas 25%, e um escore z de Acertos Diretos que espelhou o fato de que este pequeno grupo produziu, principalmente, erros em suas tentativas.

Finalmente, Kanthamani& Broughtondescobriram que os Novatos
(pessoas que jamais foram submetidas a uma sessão de experimento Ganzfeld anteriormente) obtiveram um percentual de Acertos Diretos mais elevado do que as pessoas que eram participantes Ganzfeldexperimentados (1994, p. 187). Nós nos interessamos em verificar se este padrão seria ou não encontrado em nossos dados. Como pode ser verificado na tabela 2, nossos novatos (N = 44) obtiveram um percentual de Acertos Diretos de apenas 27.3%; conseguindo, assim, escores devidos, basicamente, ao acaso. Por outro lado, nossos participantes Ganzfeld experimentados (N = 16), que participaram de 2 a 4 sessões, cada, em experimentos Ganzfeld
anteriores, obtiveram um percentual de Acertos Diretos de 43.8%. Este percentual de Acertos, embora não significativo, ( z = 1.44, p = .15, bi-caudal), foi associado a um efeito de magnitude de r = 0.36, quase três vezes a magnitude do estudo global.

DISCUSSÃO

Da mesma forma que Kanthamanie Broughton(1994), julgamos importante aquestão de aprender a orientar quanto aos esforços de replicabilidade, especialmente no contexto didático. Neste particular, obtivemos bastante êxito. Resumimos, neste estágio do exame de nossos dados, algumas observações que devem ser feitas:

Como não realizamos testes automatizados, não pudemos verificar a opinião expressa por aqueles autores (1994), quanto a ser mais seguro dizer que os alvos de imagens estáticas permanecem sendo uma escolha não ideal para os experimentos Ganzfeld. Nossa equipe, como as de outros possíveis replicadores, não contava com equipamento de vídeo para a apresentação de alvos, embora dispusesse de um projetor de slides, concernente a23 % do conjunto de alvos.

Julgamos bastante curiosa a correlação negativa de nossos dados com relação aos obtidos pelo I. P. concernentemente ao percentual de acertos obtidos pelos participantes novatos comparados com os obtidos pelos participantes experimentados.

No resto, de forma geral, nossos dados confirmam os escores de percentual modesto e não significativos do Instituto de Parapsicologia,para alvos estáticos. São comparáveis no quediz respeito aos acertos e ao efeito de magnitude. O escore percentual doI.P. foi de 27,6 %; e o nosso foi levemente mais encorajador(32 %); evidenciando que demos ênfase aos acertos diretos resultantes do julgamento dos Juízes Independentes.Mesmo assim, isso não significa que nossos resultados sugiram a ocorrência de ESP. Verificando os resultados do julgamento dos sujeitos receptores (30 %), vimos que aquelesemparelharam um pouco melhor que estes últimos.

Sabemos que a possibilidade de obtenção de resultados significativos seria maior com uma quantidade mais numerosa do que a oferecida pelos sessenta testes
utilizados neste estudo. Da mesma forma que a de tantos outros experimentos Ganzfeld, o número insuficiente de testagens do presente estudo pode haver afetado a força de nossa análise. Ainda que a realização de um grande número de testes, neste tipo de estudo, não seja fácil, e embora os resultados apresentados estejam próximos aos obtidos ao acaso (25%), o fato de que as pessoas fortemente relacionadas (como, em nosso caso, cônjuges e sócios) e as portadoras de psi tenham tido melhores percentuais de acertos que as outras, como encontrado nos outros estudos Ganzfeld, parece sugerir que seria possível obter resultados mais significativos com um número maior de testagens, o que julgamos bastante encorajador para futuros experimentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alvarado, C. S. Haciauna ParapsicologíaCientífica enAmérica Latina. Revista

Argentina de PsicologíaParanormal. Vol.7(4), 1996, p. 223-233.

Alvarado, C.S.ESP and Altered States of Consciousness: An Overview of

Conceptual and Research Trends.Journal of Parapsychology, 1998, 62, 27-63. .
Barrionuevo, V. Seguindo o Rastro de Charles Honorton, Curitiba: edição da

autora, 1994.

Barrionuevo, V. & Pallú, T. Ganzfeld : Uma Perspectiva Didática, Actas del III

Encuentro PSI, realizado emBuenos Ayres, Argentina (novembro/1998).

Bem, D. The Ganzfeld Experiment, Journal of Parapsychology 57 (2), p.p. 101 -

110, 1993.

Bem D.& Honorton</ span>, C.Does PSI Exist ? Psychological Bulletin (115) pp. 4 -

18, 1994.

Bierman, D.J. The Effect of GanzfeldStimulation and Feedback in a Clairvoyance

Task,Research in Parapsychology 1983. Metuchen, NJ: Scarecrow Press, 1984.

Bierman, D.; Bosga, D.; Gerding, H. & Wezelman, R. Anomalous information

Access i n the Ganzfeld: Utrecht - Novice Series I and II. Proceedings of presented

papers, the 36th. Annual ParapsychologicalAssociation Convention, Toronto,pp.

192-203, 1993.

Broughton, R. & Alexander, H. AutoganzfeldII: an attempted replication of the

PRL ganzfeldresearch.Journal of Parapsychology, vol.61(3). p.209-226, 1997

Honorton C.,Berger, R. et al. PSI Communication in the Ganzfeld,

(Experiments with an Automated Testing System and a Comparison with a

Meta-analysis of Earlier Studies),Journal of Parapsychology 54, 1990.

Kantahamani, H. & Broughton, R. Institute for Parapsychology Ganzfeld-ESP

experiments: The Manual Series. Paper presented at the 37th Annual

Convention of the ParapsychologicalAssociation, Amsterdam (August, 1994).

Rosenthal, R. Meta-analytic procedures for social research (revised edition).

Newbury Park, CA: Sage, 1991.
Anexo: MapA com especificações.

1 - 1. Sala do Receptor: compr. 3 m x 2 m larg.

janela (vedada) para o muro (limite da propriedade)

passagemp/salada equipe técnica (trancada durante todo experimento) cama reclinável, duas cadeiras, pia , armário, mesa,

filmadorae aparelhagem de som

2 - Sala da Equipe :;compr. 3 m x 3 m larg.

Sem janelas

portaspara a sala do receptor e para a sala do emissor I

(trancadas durante todo o experimento)

equipamentode escritório.

3 - Sala do Emissor I :compr. 3 m x 2,5 m larg.

janela (vedada) para o pátio do Núcleo de Pesquisa

portap/ sala da equipe técnica (trancada durante todo o experimento)

poltronareclinável para o emissor - escrivaninha e duas cadeiras

equipamento, formulários, arquivo dos jogos de alvos

4 - Sala do Emissor II: comp. 2,5m x 2 m larg.

sem janelas

portapara o corredor do C.I.O.P. (trancada durante o experimento)

poltronareclinável para o emissor, escrivaninha e 2 cadeiras.

OBS.:Apenas o emissor e os experimentadores eram admitidos no C.I.O.P. durante o experimento.

* Publicado na Revista Argentina de Psicologia Paranormal,vol. 1, ano 2.000.

OS AUTORES:

Vera LúciaO'ReillyCabralBarrionuevo

Graduação em Parapsicologia e Pós Graduação em Estudos da Consciência pela Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde Dr.Bezerra de Menezes (FACIBEM), Supervisão em Aconselhamento em Parapsicologia, pelo Centro Integrado de Orientação em Parapsicologia (CIOP), Especialização em Pesquisa em Parapsicologia pelo RhineResearchCenter, dos Estados Unidos, Membro da ParapsychologycalAssociation(PA), Membro Profissional do RhineResearchCenter, Membro fundador e Diretor da Associação Latino-Americana de Parapsicologia (AIPA), Membro integrante do Centro de Pesquisa de Sonhos, Membro do Conselho Editorial do FatorPsi.

Tarcísio Roberto Pallú

Graduação em Parapsicologia e Pós Graduação em Estudos da Consciência pela Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde Dr.Bezerra de Menezes (FACIBEM), Chefia do Centro Integrado de Orientação em Parapsicologia (CIOP), Especialização em Pesquisa em Parapsicologia pelo RhineResearchCenter, dos Estados Unidos, Professor do Curso de Parapsicologia da FACIBEM, Membro da ParapsychologycalAssociation(PA), Membro Profissional do RhineResearchCenter, Membro fundador da Associação Latino-Americana de Parapsicologia (AIPA), Membro integrante do Centro de Pesquisa de Sonhos, Membro do Conselho Editorial do FatorPsi.



[1]Queremos expressar nossa gratidão a Carlos Alvarado e Nancy Zingronepor sua valiosa contribuição em termos da análise estatística de nossos dados e revisão deste trabalho.

[2] Graduada em Parapsicologia e pós-graduada em Estu dos da Consciência. Supervisora em Aconselhamento em Parapsicologia. Integrante do Summer StudyProgramdo RhineResearchCenter, turma de 1993. Organizadora e Instaladora do Núcleo de Pesquisa Ganzfeldda FIES. Instrutora do I Curso - Aipade Metodologias de Pesquisa. Membro da ParapsychologycalAssociation. Membro Profissional do RhineResearchCenter. Membro fundador e Diretor da AsociaciónIberoAmericanade Parapsicologia. Membro integrante do Centro de Pesquisa de Sonhos. Membro do Conselho Editorial do Boletim FatorPsi.

[3] Graduado em Parapsicologia e Pós Graduado em Estudos da Consciênciapelas Faculdades Integradas Espírita. Chefe do Centro Integrado de Orientação em Parapsicologia e professor do Curso de Parapsicologia da FIES. Integrante do Summer StudyProgramdo RhineResearchCenter, turma de 1993. Membro Instalador do Núcleo de Pesquisa Ganzfeldda FIES. Instrutor do I Curso - Aipade Metodologias de Pesquisa. Instrutor de Programação Neuro-Linguística. Membro da ParapsychologycalAssociation. Membro Profissional do RhineResearchCenter. Membro fundador da AsociaciónIberoAmericanade Parapsicologia. Membro integrante do Centro de Pesquisa de Sonhos. Membro do Conselho Editorial do FatorPsi.

Última Atualização ( 26 de junho de 2005 )
 
< Anterior   Próximo >
right separator
Este Website é uma realização do Inter Psi e é mantido por Leonardo Stern e Wellington Zangari
© 2009 Pesquisa Psi
Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.
designed by allmambo.com