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Feola, José Maria (1992). O Caso Poltergeist dos Bell. Revista Argentina de Psicología Paranormal., 3(3). (pp 114-127) José María Feola
O Caso Poltergeis dos Bell *
( Tambien disponible en Español )
RESUMO
Entre
os anos 1817 e 1821, John Bell e sua família foram vítimas de uma
poderosa entidade que desde então foi chamada "A Bruxa (ou Espírito)
dos Bell." Os fenômenos tiveram lugar principalmente na casa dos Bells,
em Tenessee (USA), mas também tiveram lugar fenômenos psi a longa
distância, de extraordinário interesse. O caso é talvez único na
história dos fenômenos psíquicos. Voz direta, capaz de imitar a
oratória de várias pessoas, aportes (incluído o veneno que
eventualmente matou a John Bell), surras com e sem paus ou outros
objetos, uma força que paralisou a quatro cavalos poderosos,
clarividência e telepatia a curta e longa distância, são só uns poucos
dos fenômenos produzidos por uma entidade desencarnada sem que tivesse
um médium conhecido presente. O autor considera um grande erro gastar
enormes somas de dinheiro em projetos científicos em física, química e
biologia, com os quais tratam de resolver problemas materiais de nosso
mundo, e quase nada em estudos parapsicológicos que podem ajudar a
compreender a natureza do homem e sua possível sobrevivência depois da
morte.
O
caso da bruxa, ou Espírito dos Bell de Tennessee é de extraordinário
interesse para quem se interessa em efeitos físicos inexplicáveis,
sejam eles causados por intermédio da mediunidade, ou poltergeist, ou
em experimentos de tipo "sessão."
Não
é minha intenção escrever um estudo exaustivo deste caso, senão
simplesmente analisar o que sucedeu em Robertson County, Tennessee,
entre John Bell, sua família e uma entidade poderosa conhecida como a
Bruxa ou Espírito dos Bell. Os fenômenos tiveram lugar nos anos 1817 e
1821, num espaço regular anunciado pelo Espírito, sete anos depois, em
março de 1828.
A
Bruxa-Espírito possuía qualidades humanas em seus sentimentos. Tinha um
ódio profundo por John Bell, que acabou por morrer, provavelmente como
resultado das ações da Bruxa. Interferiu no casamento de Betsy (a filha
de John) com Joshua Gardner. Ao mesmo tempo, a Bruxa expressou grande
carinho, amor e respeito pela senhora de John Bell, Lucy, a quem o
Espírito sempre chamou Luz. As razões pelas quais o Espírito odiava a
John Bell e sua oposição pelo casamento de Betsy com Joshua nunca se
souberam. Seu amor e afeto a Luz eram talvez, mais fáceis de entender,
porquanto Lucy nunca antagonizou ao Espírito e sempre falou com ela
amavelmente e de bom coração. No entanto, parecia ter um reconhecimento
por parte do Espírito de uma alma mais desenvolvida no corpo de Lucy.
O
Espírito disse a verdade em todos os casos. Sempre disse que ia
castigar e matar a John Bell, e que ninguém seria capaz de evitá-lo.
Disse que Betsy teria que abandonar a idéia de casar-se com Joshua
Gardner ou sofrer as conseqüências. Betsy se convenceu finalmente que
este era o melhor caminho. O Espírito foi sempre consistente em seu
amor e atendimentos para com Luz, em seu respeito por certos membros da
familiar e em sua falta de respeito por aqueles que pretenderam saber
como livrar-se dela e a quem castigou e aterrorizou até que escaparam
da casa dos Bell.
Os
acontecimentos começaram entre doze e quinze anos depois que os Bell
chegaram a Tennessee. A família estava bem estabelecida e gozando da
feliz vida do campo na época. Dois dos filhos, Drewry e Betsy, viram
"estranhas criaturas das quais não puderam dar explicação." Seguindo
estas aparições, Betsy viu o que pensou ser uma mulher caminhando ao
redor da via. A aparição desapareceu depois que Betsy lhe falou. Cedo a
família começou a escutar estranhos ruídos na casa como se alguém
golpeasse nas portas e janelas, também como asas batendo contra os
telhados. A causa dos ruídos não pôde ser encontrada.
Os
ruídos se fizeram mais fortes na casa. "Os sons nos dormitórios
pareciam como se as camas fossem separadas de repente e violentamente,
ao qual se agregavam os rosnados de cachorros brigando enquanto estavam
acorrentados juntos, fazendo um ruído ensurdecedor e excitante." Os
ruídos cessavam quando se acendiam as luzes. Tudo estava em ordem, os
móveis intactos. Charles Bailey Bell, M.D. escreveu: "Estas leves
demonstrações continuaram por um ano ou mais, crescendo até que a casa
tremia como numa tormenta e os ruídos se escutavam a uma distância
considerável."
Por
então, John Bell desenvolveu uma doença que afetou sua língua e os
músculos de suas mandíbulas, tinha dificuldade em mastigar e engolir.
Ainda que estes problemas fossem atribuídos ao Espírito, eles podam ser
causados pelo próprio sistema nervoso de Mr. Bell. Ele então pensou que
era hora de procurar ajuda entre seus melhores amigos, quem quiçá
pudessem ajudá-lo a resolver seus problemas. Um deles, James Johnston,
foi chamado para passar a noite na casa. Johnston e sua esposa
responderam ao chamado, Mr. Johnston, "bem conhecido por sua coragem e
cristandade, leu um capítulo da Bíblia e rezou por seus amigos, depois
do qual ele e sua esposa se retiraram a seu quarto, contíguo à de
Betsy. Imediatamente depois, "ruídos jamais ouvidos, antes começaram
piores que nunca, invadindo o quarto dos Johnston; os cobertores foram
tiradas violentamente da cama, ao mesmo tempo em que risos em tom de
mofa se escutavam fortemente, causando pânico no casal Johnston. Todas
as perguntas e demandas de explicação ficaram sem resposta, exceto
pelas ruidosas risadas."
Seguindo
o conselho de Mr. Johston, um seleto número de bons amigos de Mr. Bell
vieram ajudá-lo, tratando de induzir ao Espírito a que dissesse qual
era o significado de sua presença e a deixar à família em paz desse
momento em adiante, amigos e visitantes estiveram presentes na casa
quase todo momento até que o Espírito se foi. Os fenômenos que se
descrevem a seguir foram presenciados por muitas testemunhas de coragem
e bem conhecidos por sua honestidade.
A
seguinte passagem na narrativa do Dr.C.B.Bell persiste em minha memória
e continua assombrando-me. "Depois de várias noites (depois da visita
dos Johston) o Espírito começou a falar voluntariamente pela primeira
vez, como em sussurros. A primeira palestra real foi uma repetição da
prece e canção de Mr. Johnston durante a primeira noite em casa dos
Bell. A imitação foi tão exata, tanto na repetição como no som da voz,
que se disse que não se podia distinguir da voz de Mr.Johnston. Isto
adiciona pelo menos dois mistérios às habilidades deste espírito, como
podia recordar perfeitamente e como podia dizê-lo de maneira que não se
podia distinguir da manifestação real de Mr.Johnston? O Espírito se
apoderou do lar dos Bell e jogou de hóspede dos vizinhos e gente dos
arredores que vinham atraídos pela crescente fama e reputação do
espírito.
Assumindo
um caráter piedoso, encantava-lhe falar de religião e citar as
Escrituras com absoluta precisão, nenhum pastor visitante podia
argumentar com sucesso com o Espírito, quem com freqüência corrigia as
interpretações do significado das Escrituras, e às vezes as diferenças
entre várias traduções, indicando as que pensava eram corretas. Quanto
a cantar, o Espírito cantava canções que nunca tinham sido escutadas e
que os presentes não esqueceram nunca. O Espírito começou a observar
todos os acontecimentos que ocorriam na comunidade. "Nada podia
dizer-se nem fazer-se que o Espírito não soubesse e contasse de maneira
que todo mundo se inteirasse por todos os arredores. Com semelhante
espionagem a comunidade se converteu rapidamente num modelo em tudo o
que concerne a bons cidadãos. O Espírito podia também ler os
pensamentos diabólicos de alguns visitantes dos Bell.
Para
esse então vinham gentes que viajavam centenas de milhas a cavalo ou em
carretas cobertas para presenciar as façanhas do Espírito. Os Bells
nunca cobraram nada pela comida ou por dormir na casa, sempre que
tivesse lugar. Alguns traziam carpas e se ficavam tanto quanto o fosse
necessário para satisfazer sua curiosidade. Os Bells nunca cessavam de
perguntar ao Espírito o que significava sua presença e que era o que
realmente queria. Ao fim deu uma resposta: "Sou um Espírito, faz muito
era feliz, mas fui molestado." A voz era clara e foi entendida por
todos os presentes." Agregou que permaneceria ali e continuaria
inquietando a John Bell, até matá-lo. John foi castigado severamente
com golpes e "outros métodos físicos." Alguns dos garotos também foram
castigados torcendo-lhes o cabelo, ou esbofeteados, "deixando-lhes
marcas vermelhas de dedos em suas caras."
Um
domingo à noite, o Espírito repetiu o sermão do Reverendo James Gunn,
pregado na Igreja Metodista de Bethel, com perfeita precisão e imitando
a voz do Rev. Gunn tão bem que os presentes creram que era o Reverendo
quem falava. Mister Gunn estava presente, bem como outro pastor, o Rev.
Sugg Fort. Um dos presentes disse, "Irmão Fort, você tem a vantagem,
seu sermão não foi escutado." O Espírito imediatamente repetiu o sermão
e as preces em sua própria voz e exatas palavras, incluindo os hinos e
outros detalhes ante a admiração de todos os presentes. Um visitante
inglês, cujo nome não se menciona, vinha com o propósito, expressado
somente a John (filho), de resolver o mistério. Durante seu estada, que
se estendeu vários meses, o Espírito executou extraordinárias proezas
que "deveriam satisfazer ao mais cético, dos poderes absolutamente
sobrenaturais despregados."
Durante
o tempo de seu estada na casa dos Bells, o Espírito manteve ao inglês
informado das atividades em sua casa na Inglaterra. A informação
transmitida pelo Espírito foi sempre corroborada nas cartas recebidas
posteriormente. Às muitas demonstrações dadas pelo Espírito, agregou-se
uma última. O Espírito perguntou ao cavalheiro que mensagem queria
enviar a seu lar, algo que não tinha sucedido nunca. O inglês disse:
"Conte-lhes que em minha opinião, nunca desde que o mundo foi criado,
os homens viram nem ouvido as coisas maravilhosas de que eu fui
testemunha nos últimos três meses." Três horas mais tarde, o Espírito
regressou e, imitando as vozes do irmão e da mãe do cavaleiro, repetiu
o que disseram depois de escutar ao Espírito falar. Então, imitando a
voz da mãe, disse: "Diga-lhe que não se fique ali um dia mais; já viu e
ouviu suficiente, e nós não queremos mais visitas como esta aqui."
Depois de chegar de volta a seu lar, o cavaleiro escreveu a John
dizendo que tudo o que tinha sido dito era correto.
Em
várias oportunidades o Espírito despregou uma força tremenda. Um dos
melhores amigos de John (filho), Frank Milles, era um dos homens mais
fortes do lugar. Media 1,84 mts. de altura e pesava 113 kgs., e a força
de suas mãos era tão grande que podia "quebrar os ossos de qualquer
homem comum." A intenção de Frank era apanhar à Bruxa com suas mãos e
destroçá-la. Para conseguir seu objetivo, Frank se ficava com
freqüência a passar a noite na casa. Mr. Milles contou que em noites de
muito frio, "todas as cobertas eram prontamente atiradas da cama; as
cobertas que agarrava em suas mãos eram destroçadas, deixando-lhe nas
mãos só pequenos bocados." Em duas oportunidades o colchão foi removido
para debaixo de seu corpo, e sua cama empurrada ao outro lado do
quarto. Frank não pôde agarrar ao Espírito, Mas disse que sentiu "os
mais fortes golpes na cabeça e na cara que tinha experimentado em sua
vida." O Espírito ria em todo momento, ao mesmo tempo em que dizia:
"... seguramente ele é um homem forte, mas nada perigoso numa briga com
um espírito."
Os
escravos de John Bell tiveram vários encontros bem mais desagradáveis
com o Espírito. Harry, um homem jovem, estava a cargo de acender os
fogos pela manhã. Depois de várias manhãs de chegando tarde, se lhe
disse que devia estar pronto mais cedo. No dia seguinte, chegou tarde
de novo. Enquanto estava de joelhos tratando de fazer prender os
carvões, "de repente bocados da madeira que usava começaram a golpeá-lo
por todo o corpo; finalmente foi arrojado sobre uma cadeira e recebeu
uma surra tão violenta que os golpes se ouviram por toda a casa."
Enquanto era golpeado sem piedade, gritava e pedia que lhe perdoassem a
vida. O Espírito finalmente parou e disse a Harry que se chegava tarde
outra vez, ia-o a golpear até matá-lo e então o atiraria ao fogo. Harry
não chegou tarde nunca mais.
O
Espírito foi sempre amável com Mrs.Bell. Lucy e suas vizinhas
participavam em estudos bíblicos, e em discussões de assuntos da
Igreja. O Espírito "sempre tomava parte e quando se serviam
refrigerantes, sempre trouxe frutas que não se sabiam de onde proviam,
mas que caíam sobre a mesa ou nas saias com o convite a que as
comessem.
O
General Jackson, quem estava destinado a ser o sétimo presidente dos
Estados Unidos (1829-1837), é nomeado nas memórias de Betsy sobre as
façanhas do Espírito. O General conhecia a John (filho), e seguramente
tinha ouvido a respeito dos acontecimentos na casa dos Bells. A data de
seu encontro com o Espírito não é precisa. De minhas investigações
sobre os movimentos do General Jackson em Tennessee, deduzo que a
visita à casa de John Bell teve lugar em outubro-novembro de 1818.
Miller diz, "anos depois de seu famoso duelo com Dickerson (sic) cerca
de Adairville, Kentucky, o general Andrew Jackson percorreu um trecho
da mesma rota em seu trajeto a Robertson County para satisfazer sua
curiosidade a respeito do que havia ouvido da Bruxa dos Bell." A ele
acompanharam vários ginetes e um carro pequeno com quatro cavalos,
cheio de provisões e carpas, preparados para passar uma semana. Quando
estavam a uns quinhentos metros da casa, e sobre um caminho plano, um
membro do.grupo, expressou-se depreciativamente da Bruxa.
Instantaneamente as rodas do carro se negaram a mover-se. O motorista
gritava, acossava e dava chicotadas aos cavalos, mas os poderosos
animais pareciam sem forças para mover as rodas. Depois de preocupar-se
por vários minutos, uma voz metálica, cortante, se ouviu: "Muito bem,
General, que o carro se mova. O verei de novo esta noite." E cumpriu a
promessa.
A
Bruxa atuou com todas suas forças, cantando, amaldiçoando, tirando as
cobertas das camas, esbofeteando e beliscando à formosa Betsy Bell, até
que chorava de dor. A figura de Jackson não fechou os olhos essa noite,
e quando chegou a manhã, todos estavam prontos para ir-se a suas casas,
sem sequer pensar em armar as carpas. Os amigos de Nashville,
conhecendo as intenções do General por sua viagem, e sabendo de seu
ceticismo a respeito da existência da assim chamada Bruxa se
surpreenderam de vê-lo chegar tão cedo de regresso, e começaram a
perguntar-lhe, que tinha visto ou ouvido na casa de John Bell. Ao qual
o General contestou: "Pelo eterno, não vi nada, mas escutei suficiente
para convencer-me de que prefiro brigar contra os ingleses antes que
lidar com esse tormento que chamam a Bruxa dos Bell."
Nas
memórias de Betsy, outros detalhes da visita do General Jackson foram
descritos. Entre os acompanhantes de Jackson, tinha um homem que se
dizia um real domador de bruxas, e pensava que nenhuma bruxa apareceria
enquanto ele estivesse presente. Tinha carregado sua pistola com uma
bala de prata com a qual esperava matar à Bruxa e começou a desafiá-la
a que se fizesse presente. Como a Bruxa não aparecia, o General se
sentia impaciente quando, de repente, o fanfarrão saltou de sua
cadeira, a tempo de tomara parte traseira de suas calças e gritar:
"Meninos estão fincando-me com mil agulhas." Uma voz lhe disse, "estou
na tua frente, atira." O homem sacou sua pistola e tratou de
dispará-la, mas a pistola não respondeu. Então o Espírito começou a
bater em seu nariz tão fortemente, que ele pensou que o arrancaria.
Saiu correndo a toda velocidade para a charrete, gritando
constantemente, enquanto o General Jackson ria e dizia a John Bell que
nunca tinha visto algo tão cômico e misterioso e que desejava ficar-se
uma semana, ao qual o convidou, por suposto. John (filho) viu ao
General Jackson várias vezes durante os anos que seguiram a sua visita,
mas como era seu costume, nunca menciona a visita do General.
O
ataque final a John Bell começou na manhã do dia 20 de outubro de 1820.
Algo sucedeu enquanto John e seu filho Richard Williams estavam no
pátio dos porcos, várias quadras da casa. Nos termos de John (filho),
"quando regressaram à casa, ajudei a meu pai a pôr-se em cama; os
cordões de seus sapatos estavam cortados, seus pés tinham cortes que
sangravam, sua cara estava azul como se o tivessem golpeado, seus olhos
estavam vermelhos e chorosos, como se tivesse recebido topadas em ambos
olhos e ao redor da cabeça."
John
Bell nunca se recuperou depois de semelhante castigo. Seus doutores
receitaram remédios a respeito das quais o Espírito repetia que eram
sem valor, e que John ia morrer e que ele era a causa de sua morte. Na
manhã do 19 de dezembro, se o descobriu sem consciência. O doutor
George Hopson, quem atendia a Mr. Bell, foi chamado e chegou em menos
de duas horas. Quando John (filho) procurou os três remédios que tinha
sido dando a seu pai, não os encontrou e em seu lugar achou uma garrafa
escura que continha um líquido marrom que nenhum de nós tinha visto
antes. Frank Miles, John Johnston e Alex Gunn olharam a garrafa
atenciosamentee. Frank tinha visto todos os remédios que se tinham dado
a Mr.Bell, e imediatamente disse: "A maldita Bruxa fez isto." Então se
ouviu a voz do Espírito, dizendo com grande satisfação: "Que nunca se
duvide. Eu o fiz." Agregou que tinha dado a John uma dose suficiente
para matá-lo. Quando o Dr. Hopson chegou, disse que não sabia desta
garrafa, e sugeriu tratá-la com um gato. Alex Gunn tomou um dos gatos,
e mantendo sua boca aberta, fez que John (filho), fizesse-lhe engolir
um pouco do remédio. O gato cedo começou a ter convulsões e morreu.
John
Bell nunca recuperou sua consciência. O fim chegou na manhã do 20 de
dezembro de 1820. "O Espírito falou como se se alegrasse da cena da
morte de meu pai -declara John Bell (filho). Ria-se e cantava e nos
disse que estaria no funeral, e então se calou." Antes de ir-se, o
Espírito conversou várias vezes com John (filho) e deu outra
demonstração de controle de forças materiais. Produziu impressões na
neve que se ajustavam exatamente às velhas botas de John Bell. Uma
noite, enquanto a família estava sentada ao redor do fogo depois do
jantar, uma bola como as de canhão caiu pela chaminé e rodou pelo
quarto explodindo como uma bomba de fumaça. O Espírito disse então: "Me
vou, e estarei longe sete anos. Adeus a todos."
De
acordo às memórias de John Bell (filho), o Espírito regressou em março
de 1828, e sem nenhuns preliminares começou a falar com uma voz que ele
reconheceu imediatamente. O Espírito deu longas palestras sobre
problemas religiosos, filosóficos, e ainda políticos em relação com o
futuro dos Estados Unidos. Estas palestras nunca se fizeram públicas.
CONCLUSÕES
Que
temos que aprender de um exame do caso do Espírito dos Bell? Para
contestar esta pergunta teríamos que examinar os achados experimentais
e teóricos da investigação psicocinética (PK). O leitor interessado
deve conferir a bibliografia ao final deste artigo. O caso da
Bruxa-Espírito dos Bell não enquadra em nenhuma teoria. O Espírito
demonstrou um controle absoluto da clarividência, telepatia e PK. Cada
vez que vemos a exposição de grande força na produção de fenômenos
físicos, perguntamo-nos de onde provem a energia necessária para
produzi-los. O Espírito dos Bell deteve os cavalos do General Jackson,
bateu a um homem poderoso e a vários escravos, produziu vozes diretas,
fez aportes de comida e produziu o veneno para matar a John Bell. Como
fez tudo isto? Em sua avaliação das teorias da PK, D.Scott Rogo
concluiu:
"Penso
que nunca entenderemos a PK se continuamos crendo que há só um tipo de
PK comum a toda a vida biológica. Estou de acordo. Isto precisa
estender-se à PK humana e a PK espiritual ou de guias. Segundo meus
experimentos na Argentina e Estados Unidos, a energia ao alcance humano
é limitada, enquanto espíritos têm acesso a energias sem limite. Quiçá
uma das razões pelas quais a parapsicologia avança tão lentamente é que
abandonou o estudo dos grandes fenômenos como a levitação, os aportes,
os poltergeists, por experimentos de laboratório de tipo estatístico os
quais somente repetem o que já sabemos de longo tempo. Devemos
persistir. Devemos golpear as paredes de cientistas que não prestam
atenção até que compreendam que um verdadeiro novo mundo está esperando
ser descoberto e aberto para nossos filhos e netos, se pomos o mesmo
esforço que usamos em física, biologia, ou química. A ciência só se
preocupa das necessidades desta vida, deixando as preocupações de uma
vida depois da morte à religião ou a metafísica. A única ciência que
pode servir de ponte entre uma ciência materialista e a vida espiritual
é a parapsicologia.
Quando
ensinamos um curso introdutório de parapsicologia na Universidade de
Minnesota, Minneápolis, provamos que é possível combinar o conhecimento
e os métodos das ciências físicas com os fatos colecionados pelos
parapsicólogos, historiadores de várias religiões, psicólogos,
psiquiatras, e ainda físicos e matemáticos. Depois de ensinar a
respeito destes notáveis fenômenos psíquicos ao mais alto nível
científico e crítico por três anos, a Universidade nos negou apoio
material, e nos vimos forçados a seguir outros caminhos.
Se
uma máquina destinada a romper átomos em partes cada vez menores custa
dez mil milhões de dólares, e se o desenvolvimento de um novo
bombardeiro custa mais de setenta mil milhões de dólares, quanto
deveríamos investir em projetos dirigidos a estabelecer a realidade do
alma, da vida espiritual, ou dos fenômenos psíquicos? Eu diria que isto
vale tudo o mais acima e ainda mais. Com os cem milhões de dólares que
recentemente se pagaram por duas pinturas impressionistas, nós
poderíamos fazer investigações que teriam real significado para a
humanidade. Enquanto, laboratórios importantes na investigação
parapsicológica, dirigidos pelos mais distintos pesquisadores que
produzimos nos últimos trinta anos, estão fechando as portas por falta
de fundos. Espero que todos aqueles leitores que estejam de acordo
comigo alcem suas vozes, escrevam aos membros do Congresso, ao
Presidente da República, às fundações, aos milionários, de maneira que
podamos trabalhar nestas investigações que são realmente importantes e
pertinentes para todos os seres humanos.
Carrington
e Fodor (1953), Owen (1964), e Rogo (1979, 1980) assinalaram que Betsy
Bell poderia ser a causa do poltergeist dos Bell. A razão para castigar
e matar a John Bell seria abuso sexual. Uma vingança continuada por
tanto tempo é única. Se a intenção era matar a seu pai, Betsy poderia
tê-lo fato muito mais rápido e sem a complicação de muitas testemunhas.
A fraude é sempre uma possibilidade, mas isto teria requerido a
colaboração de muitos cúmplices. Duvido que Betsy Bell tivesse pedido
aos escravos que castigassem a si mesmos, e que o homem forte
pretendesse que o Espírito o castigasse, e arrumar a pistola para que
não disparasse, que o cocheiro do General Jackson fizesse deter aos
cavalos apesar dos gritos e chicotadas, etc.
3082 Montavesta Road,
Lexington, KY 40502-2956
USA
REFERENCIAS
Bell, Ch.B. (1930). The Bell Witch: Mysterious Spirit. Nashville, TN: Charles Elder Publisher.
Miller, H.P. (1930). The Bell Witch of Middle Tennessee. Clarksville, TN: Leaf Chronicle Publishing.
James, M. (1938). The Life of Andrew Jackson. Indianapolis: The Bobbs-Merrill Co.
Krippner, S. (Ed. )(1977-1982). Advances in Parapsychological Research (Vol.1). New York, NY: Plenun Press.
Krippner, S. (Ed.) (1984-1987). Advances in Parapsychological Research. (Vol.3-5). Jefferson, NC: McFarland.
Rogo, D.S. (1980). Theories about PK: A critical evaluation. Journal of the Society for Psychical Research, 50, pp-359-378.
Smith, P. (1990). Killing the Spirit. Higher Education in America. New York: Viking.
Quotes from a review by Stephen Goode, Insight, may 7, 1990. Pp-62-63 (artículo sobre el libro de Page Smith).
Carrington, H.C.& Fodor, N. (1953). The Story of the Poltergeist. London: Rider.
Rogo, S.D. (1979). The Poltergeist Experience. New York: Penguin Books. |