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A investigação parapsicológica na cátedra koestler |
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26 de junho de 2005 |
Morris, Robert L. & Watt, Caroline (1997) A investigação parapsicológica na cátedra koestler. Revista Argentina de Pesquisa Paranormal, Vol 8 (3) (pp 147-166)
Traduzido do Espanhol por Vitor Moura. ( Tambien disponible en Español )
Fundação da Cátedra
Quando
o célebre escritor Arthur Koestler, e sua esposa Cynthia, faleceram em
1982, manifestaram seu desejo de fundar uma Cátedra de Parapsicologia
numa universidade britânica. A Cátedra foi eventualmente situada no
Departamento de Psicologia da Universidade de Edinburgo, e o Professor
Robert L. Morris se tornou seu titular para fins de 1985. Pouco tempo
depois, o Professor Morris contratou uma secretaria administrativa, a
Sra. Helen Sims, e três pesquisadores, a Dra. Deborah Delanoy,
Presidente da PA em 1994, Dra. Julie Milton e Dra. Caroline Watt. Nossa
causa oficial ante a Universidade foi flexível; a parapsicologia foi
definida como 'o estudo científico dos fenômenos paranormais, em
particular a presumível capacidade de algumas pessoas de interagir em
seu meio físico por outro meios que os canais sensório-motores
conhecidos.' Nossa causa extraoficial foi trabalhar sobre esta
definição para desenvolver um programa de investigação sistemático e
responsável. Este programa expõe os fundamentos que integram a
parapsicologia no ensino universitário e nas atividades de investigação
como um princípio básico. Se nos pediu, em breve, desenvolver uma
parapsicologia viável no futuro. O que segue é uma descrição de nossas
atividades de investigação, e a filosofia que nos sustenta.
Fundamentos Básicos
Uma aproximação cética: Nossa
aproximação pode definir-se como "cética", mas não no sentido usual do
termo como "incrédulo", senão no sentido próprio de "questionador".
Isto coloca firmemente a parapsicologia como um paradigma científico.
Definimos a parapsicologia como "o estudo de aparentes novas formas de
comunicação, ou intercâmbio de influência entre os organismos e seu
meio." A palavra chave aqui é aparente -não damos por suposto que
existem tais formas de comunicação, mas também não as excluímos a
priori. Consideramos sua existência como uma hipótese de trabalho.
Referimo-nos a elas com o termo neutro "psi", que pode dividir-se em
duas categorias gerais de ESP e PK. Para a ESP (percepção
extra-sensorial) o organismo parece receber informação de seu meio,
enquanto para a PK (psicocinese) entende-se o exercício de uma
influência exterior do organismo sobre aspectos de seu meio.
Um
aproximação equilibrada: Uma conseqüência natural de nossa aproximação
cética é que avaliamos a hipótese psi e as hipóteses pseudo-psi, as
quais podem ser reconhecidas como hipóteses de trabalho complementares
que não são mutuamente exclusivas. As "hipóteses pseudo-psi" mostram
que a maioria do que parece ser a evidência de psi é, efetivamente, o
resultado de nossa má observação. Nós poderíamos ser inocentemente
enganados por operações "imperfeitas" de nossos próprios processos
psicológicos de percepção, cognição, e seleção. Também, poderíamos ser
enganados de forma deliberada por truques e fraudes engenhosas ou
pseudo-psíquicas. Ao mesmo tempo, experimentamos a hipótese psi, que
argumenta que temos aparentemente acesso a novas formas de comunicação
que se podem pesquisar usando os instrumentos da ciência, a observação
detalhada e a descrição de causas naturais, para o estudo de
experimentos controlados.
Uma aproximação
interdisciplinaria: Reconhecemos a parapsicologia como um área
interdisciplinaria, mais do que como uma disciplina separada de seu
contexto. Em Edimburgo, a psicologia é a disciplina em princípio
envolvida. Ainda que exista uma diversidade de fenômenos e
experiências, e uma ampla gama de fatores que se tomam em consideração
para avaliar as explicações ortodoxas, no entanto, devemos levar em
conta também todas as ciências naturais e sociais como assim também as
disciplinas aplicadas tais como a medicina e a engenharia. Se estamos
tentando compreender o contexto social destas experiências e suas
múltiplas interpretações, deveríamos incluir também a filosofia e a
religião, e ao folclore também.
Um enfoque humanístico:
Com muita freqüência, as pessoas que dão seu tempo para participar como
sujeitos na investigação psicológica são tratadas como "pacotes de
estímulo-resposta". Se levadas a um laboratório, são expostas a alguns
estímulos, e se avaliam suas respostas. A mesma palavra sujeito revela
esta freqüente presunção implícita. No entanto, os parapsicólogos
trabalham com sistemas abertos complexos -sistemas viventes, seres
pensantes e suas interações com seu meio ambiente. Diferentemente das
ciências físicas "duras", dificilmente podamos isolar, manipular e
observar imparcialmente nossos participantes experimentais sem que eles
estejam sendo afetados por estas mesmas observações e medições. Deve-se
reconhecer que os experimentos funcionam também como sistemas, e que os
experimentadores são componentes destes sistemas; deste modo, os
experimentadores se consideram a si mesmos participantes importantes
num estudo, capazes de, numa variedade de formas, afetar seus res ultados.
Quiséssemos
tratar a todos os participantes com respeito, para dar-lhes no tempo
apropriado uma clara explicação do estudo, e, como seja possível,
permitir-lhes beneficiar-se de sua participação em nossa investigação.
Esta investigação não precisa ser levada a cabo em laboratório;
enquanto o método experimental é uma das mais poderosas ferramentas
para deduzir inferências causais, não obstante, estamos conscientes de
suas limitações. Reconhecemos que o valor das experiências cotidianas
psi da gente, seu campo naturalístico e a investigação por seleção de
casos, podem ser contribuições importantes para nosso entendimento
destas experiências.
Áreas de Investigação
Junto
ao Professor Morris, três membros do staff de investigação
pós-doutoral, quase vinte estudantes PhD, anteriores e atuais, e um
número de investigadores visitantes estudamos durante estes anos uma
ampla variedade de tópicos parapsicológicos na Cátedra Koestler de
Parapsicologia. Poderíamos classificar estes estudos em duas áreas
gerais: a investigação dentro de "aquilo que não é psíquico mas parece
sê-lo;" e investigações sobre a facilitação e o entendimento da
comunicação psi. Revisaremos cada um, tendo em conta que o conhecimento
atingido numa área facilita nosso entendimento da outra.
Investigação
sobre "aquilo que não é psíquico mas parece sê-lo": Quando trabalhamos
com seres humanos devemos ter em conta a possibilidade de um erro não
intencional ou uma fraude deliberada. Em nossos estudos experimentais,
tentamos desenhar nossos programas de investigação como para
desarticular fraudes potenciais, como por exemplo manejar
cuidadosamente, tanto o uso de procedimentos de investigação que possam
ser obviamente mais difíceis para evitar o uso de truques enganosos,
como aqueles que permitam evitar todo tipo de sujeito individual,
dramático, ou algum estudo experimental altamente publicitário que os
pseudopsíquicos possam facilmente explorar (Morris, 1986a, 1986b). O
conhecimento adquirido aqui permitirá uma mais efetiva avaliação dos
supostos psíquicos ajudando aos que se enganam a si mesmos e ao mesmo
tempo limpa-se o ambiente para se trabalhar com aqueles que pareçam ter
capacidades autênticas.
Auto-engano:
Os auto-enganos não intencionais estão relacionados com erros humanos
de percepção, memória, tomada de decisões, e outros aspectos que dizem
respeito à elaboração da informação. Caroline Watt, de nosso grupo,
recopilou estes erros e como estes podem se adaptar a uma falsa
interpretação de aparentes experiências cotidianas de psi (Watt,
1990-91). Sugere-se que aqueles que sentem que tiveram experiências
psíquicas e que acreditam no paranormal estão mais influenciados por
certa "predisposição cognitiva," a qual os conduz a mal interpretar
sensações normais. Richard Wiseman estudou os efeitos da atitude dos
observadores de psi em base à capacidade dos observadores por
reconstruir detalhes das demonstrações de psíquicos fraudulentos que
tenham visto num video-tape. Descobriram que os que tinham atitudes
negativas para psi eram melhores para a percepção de detalhes
importantes nesses videos, mas não melhores em notar detalhes
insignificantes que os que tinham atitudes positivas (Wiseman &
Morris, 1995a). Chris Roe estudou como os consultantes respondiam às
afirmações dos psíquicos a respeito de cada um deles e porque algumas
afirmações, chamadas "Declarações Barnum", parecem-nos aplicáveis
unicamente a nós mesmos e não para os demais (Roe, 1994a, 1994b). Tony
Lawrence está pesquisando que classe de fatores influem nossas crenças
a respeito do fenômeno psíquico e nossas capacidades potenciais e como
se desenvolvem (Lawrence, 1995; Lawrence, Edwards, Barraclough, Church
& Hetherington, 1995). Simon Sherwood se uniu a nós em 1995 para
iniciar seu doutorado continuando as investigações de Lawrence.
Sherwood está esquematizando a relação entre as experiências da
infância, a tendência à fantasia, e as experiências relacionadas com o
sonho, e como estas podem contribuir ao desenvolvimento e à manutenção
das crenças paranormais. Carl Williams está estudando os fatores que
conduzem as pessoas a atribuir-lhe significado à informação ambígua
(Williams, 1994).
Fraudes
intencionais: Tomamos um ativo papel neste campo porque pensamos que os
parapsicólogos devemos desenvolver um sólido conhecimento conceitual na
estratégia contra a fraude. Nossa experiência nesta área foi facilitada
por investigações realizadas por psicólogos e mágicos profissionais.
Richard Wiseman escreveu sua tese de doutorado em relação à "psicologia
da fraude" (Wiseman & Morris, 1994). Nós estamos desenvolvendo um
entendimento dos efeitos mentais e físicos usados pelo que comete a
fraude e das técnicas envolvidas na apresentação de um efeito para o
observador, pelo qual, o que realiza fraude, aproveita-se do normal
processo psicológico dos observadores. A investigação de Chris Roe se
centrou sobre as técnicas de leitura psíquica, um meio onde podem
ocorrer muitas fraudes psíquicos. Roe sintetizou as principais
estratégias usadas por pseudo-leitores psíquicos, tais como adquirir
informação previamente a respeito dos clientes obtendo-a através de
suas diferentes aparências e condutas, o uso dos estereótipos
de população, a observação das afirmações, se sãos conselhos, ou
promessas desejáveis de eventos futuros, o uso da Declaração Barnum, a
qual por sua natureza aplicamos a nós mesmos em sua maioria, o
conhecimento obtido por feedback, a reinterpretação de certos fatos,
etc. (Roe, 1995). Ao mesmo tempo, como vamos desenvolvendo nosso
entendimento das estratégias utilizadas pelos pseudo/-psíquicos,
tratamos de continuar sensitivos à possibilidade de que alguns
pseudo-psíquicos, se procuram uma pequena compensação e operam dentro
de um estrito código de ética, podem realmente servir como conselheiros
para o qual o cliente não poderia ter acesso de outro modo. Ademais,
neste palco, não vemos razão para pressupor que todos os que se dizem a
si mesmos psíquicos sejam falsos.
Em geral este aspecto
de nossa investigação está dirigido a trazer informação útil à
sociedade para evitar ser enganado, tanto por eles mesmos em toda sua
ingenuidade como por enganadores inescrupulosos. Também queremos dar
aos pesquisadores uma equipe instrumental muito mais eficaz para
prevenir e detectar fraudes em nossas investigações passadas, presentes
e futuras, especialmente o trabalho com supostos dotados. No segundo
objetivo, Richard Wiseman e o Professor Robert Morris prepararam um
manual para pesquisar a supostos psíquicos (Wiseman & Morris,
1995b).
Investigação sobre a facilitação e entendimento da comunicação psi.
A
maior parte de nosso trabalho implica a avaliação das hipóteses psi,
examinando as melhores evidências que provam que existem novos meios de
comunicação e que podem ser demonstrados sob condições que mostrem uma
investigação sistemática a fim de descobrir sua natureza. Há três
estratégias usuais que foram utilizadas dentro da comunidade
parapsicológica: a avaliação de casos espontâneos, a investigação de
campo, e a investigação experimental controlada.
Coleção
de casos espontâneos: Muitos pesquisadores procuram e colecionam
descrições das experiências pessoais da gente comum. Então, estes casos
podem ser avaliados individualmente, algumas vezes por meio de
entrevistas adicionais ou checando os detalhes afirmados. Os grupos de
casos tematicamente similares podem ser analisados em conjunto em
procura de padrões comuns. Watt (1994) tem esboçado estes estudos em
geral. Estes padrões sugeririam interpretações não-psi (p.e. em casas
próximas aos principais aeroportos poderiam ocorrer fenômenos que
coincidam com a partida de um jumbo jet). Caso contrário, poderiam
sugerir condições favoráveis para o funcionamento psi que ao mesmo
tempo que sugerem áreas frutíferas de investigação (a experiências ESP
ocorrem freqüentemente durante o sonho, de maneira que nós deveríamos
procurar evidências de ESP em gente que se encontra em estados
similares ao sonho).
Em nossa unidade de investigação,
Shari Cohn defendeu exitosamente sua tese de doutorado. Entrevistou a
pessoas com ascendência escocesa, procurando na classificação de
experiências de "segunda vista," experiências dentro das unidades
familiares (Cohn, 1994). Sua investigação se enfocou em conseguir uma
clara e detalhada descrição das experiências e acontecimentos relatados
através de questionários e entrevistas. Este material está classificado
e analisado tanto qualitativamente como quantitativamente para achar
padrões comuns na natureza da experiência; relações familiares, fatores
íntimos, e medições de diferenças individuais.
Em
janeiro de 1994 tivemos a fortuna de unir-nos a Carlos Alvarado e Nancy
Zingrone quem têm estado ativos durante muitos anos em parapsicologia.
Eles também estão interessados em procurar padrões comuns nas
experiências psíquicas (p.e. Alvarado & Zingrone, 1995a) usando
questionários para descobrir as características daqueles que tiveram
estas experiências (p.e. Zingrone & Alvarado, 1994; Alvarado &
Zingrone, 1995b). Alvarado, Presidente da PA em 1995, está conduzindo
uma investigação de grande escala sobre experiências fora do corpo e
suas características como parte de sua tese doutoral junto a nós
(Alvarado, 1994).
Esta investigação é importante e no
futuro deverá fazer-se cuidadosamente. As experiências pessoais podem
ser confusas e de impacto para as pessoas. Esta recopilação de casos
poderia proporcionar-nos um abundante e rico material qualitativo,
essencial para um conhecimento cabal de tais experiências.
Investigação
de campo: Ainda que a investigação de fenômenos recorrentes em
situações não controladas seja muito importante, os pesquisadores têm
pouco controle sobre a situação e podem ser facilmente enganados, a si
mesmos ou por outros. Portanto, estamos atualmente focalizando o
desenvolvimento de nosso entendimento na área da fraude, tanto em
matéria de prevenção como do engano. Em particular, Richard Wiseman e
Chris Roe se dedicaram a desenvolver procedimentos para examinar o que
poderia ser utilizado nesta área para que ocorram fraudes
não-detectados com um risco mínimo. Isto tem a ver em parte com a
consulta em segurança industrial em relação a proprietários de
recipientes que conservam seus recipientes assegurados quando estão
longe do alcance de seus donos. Num de nossos estudos, o objeto, que
foi selado em vasilhames opacos e encerrado num bloco de poliuretano,
foi devolvido a um suposto psíquico em dois meses. Este sujeito
fracassou (Wiseman, Beloff & Morris, 1992). Num segundo
estudo (Delanoy, Watt, Morris & Wiseman, 1993) participaram
sujeitos estudantes treinados de nossos cursos (descritos abaixo).
Demos aos participantes fotografias seladas especialmente desenhadas na
superfície para evidenciar qualquer tipo de manipulação fraudulenta
para que levassem a seus lares e experimentassem eles mesmos em seus
momentos de lazer. Depois compararam suas impressões com as duas fotos,
uma delas duplicada de um objeto selado. Uma vez que eles nos
entregaram suas respostas, informamos-lhes seus resultados e recolhemos
os objetos nos envelopes. Nenhum mostrou evidência de ter manipulado
fraudulentamente os envelopes. Nossos sujeitos produziram resultados
totais positivos significativos, e nos interessaria aperfeiçoar este
procedimento repetindo o experimento com outros sujeitos.
Estudos
experimentais controlados: A maioria de nossos esforços apontam para os
estudos experimentais do funcionamento psíquico sob condições muito
controladas. Nosso objetivo na investigação experimental é desenvolver
métodos que sejam suficientemente rigorosos como para eliminar
interpretações alternativas, inclusive produzindo resultados de
suficiente rigor e consistência que nos permita fazer investigações
sistemáticas a fim de compreender os processos subjacentes implícitos.
Em Edimburgo estamos particularmente interessados nos tipos de
variáveis psicológicas que parecem influir as manifestações psíquicas.
Estudamos as características de personalidade e cognitivas de pessoas
para ver se alguns tipos de pessoas são melhores que outros. Se assim
for, isto sugeriria que devemos experimentar mais com esta classe de
gente. Estas diferenças poderiam dizer-nos também algo a respeito do
processo psi em si mesmo, e sugere novas formas para experimentar a
hipótese psi. Também estudamos diferentes tipos de estados de
atenção interna, como o estado onírico, a meditação, ou a vigília, para
ver se alguns destes são mais condutores do que outros. Também
estudamos diferentes tipos de objetivos e tipos de circunstâncias, para
ver se algumas destas são melhores condutoras que outras. Por exemplo,
Delanoy e Watt revisaram a literatura teórica e experimental e sugerem
o que é que torna ótimo a um objetivo de ESP (Delanoy, 1989; Watt,
1989). O meio que rodeia nosso experimento deve não só ser
metodologicamente claro como também bastante análogo às circunstâncias
do mundo real para que nossas medições possam ser reconhecidas como
válidas e relevantes para as experiências psíquicas da vida cotidiana
das pessoas. Se pudéssemos aprender mais a respeito do processo
subjacente na comunicação psi, poderíamos ser capazes de melhorar o
rigor e a consistência de nossos resultados e estar pouco a pouco
melhor orientados para uma investigação interdisciplinaria prática e
teoricamente importante.
É
evidente que a habilidade psíquica não se produz com facilidade. Também
não vemos uma divisão muito clara da evidência desta durante o curso
normal de nossa vida diária. Em nossa investigação, sabemos que não
poderíamos só pedir-se que uma pessoa venha a nosso laboratório e nos
demonstre que é "psíquico." Se o funcionamento psíquico fosse tão fácil
de obter, o teríamos aprendido tempos atrás e hoje em dia já não
haveria nenhuma controvérsia. Portanto, devemos procurar evidência do
funcionamento psíquico sob circunstâncias especiais, em parte tomando
do passado os sucessos experimentais e o material episódico também.
Cinco exemplos de nossa investigação em marcha ilustrarão isto:
1.
Diferenças individuais nas atitudes de defesa e a vigilância. Em termos
gerais, a palavra "defensivo" se refere à atitude de resistência a uma
informação desagradável ou ameaçante, já que "vigilância" denota uma
sensibilidade particular ou uma "abertura" a esta informação. Um dos
mais consistentes achados em parapsicologia é o de que pessoas
consideradas como não-defensiva num teste de mecanismos de defesa (TMD)
conseguem melhores pontuações em provas psi do que pessoas altamente
defensivas. Estes resultados foram obtidos na Islândia, Holanda, e nos
Estados Unidos (Haraldsson, Houtkooper, & Hoeltje, 1987; Haraldsson
& Houtkooper, 1992). Um problema com estes estudos é que a medição
da defensividade é complexa e requer um treinamento especial, o qual
quer dizer que poucos pesquisadores trabalharam nesta técnica. Caroline
Watt de nosso grupo inventou um teste automatizado que classifica a
pessoa como defensiva, neutral ou vigilante. Watt conduziu três séries
de testes de ESP usando objetivos emocionais contra neutrais e
encontrou que a pessoa vigilante fazia melhores médias que a gente
defensiva, como se predisse no experimento, baseado em anteriores
estudos TMD-ESP (Watt & Morris, 1995). Ademais, Watt encontrou que
a pessoa vigilante tendia a obter melhores pontuações em experimentos
de PK do que obtinham as pessoas com atitudes defensivas (Watt &
Gissurarson, 1994). Agora está-se continuando esta linha de
investigação, e tentando-se ampliar este enfoque para incluir medições
psicofisiológicas e resistência deliberada a psi, conhecido como
"bloqueio de psi". Esta investigação pode ajudar-nos a mostrar quem
desempenha provavelmente uma melhor evidência de psi e pode nos ajudar
a compreender como a informação mediada por psi é processada dentro do
organismo.
2.
Prática na Investigação. Muitas organizações e indivíduos dizem que é
possível treinar gente para demonstrar uma capacidade psíquica mais
consistente (para uma melhor observação, ver Mishlove, 1983). A revisão
de uns setenta livros sobre desenvolvimento psíquico (Morris, 1977) fez
ressurgir temas comuns que desde então serviram como a base para um
programa de investigação experimental. O Professor Morris junto aos
doutores Deborah Delanoy e Caroline Watt conduziram estudos para
explorar o treinamento em técnicas conhecidas para melhorar a
manifestação de psi (Delanoy, Morris & Watt, 1994). Elegeram-se
participantes com uma atitude aberta e positiva e boa disponibilidade
para dedicar tempo suficiente no estudo. Se lhes deu um teste de ESP de
resposta livre uma vez por semana, enquanto visitavam nosso
laboratório. Durante estas visitas eles praticaram exercícios para
desenvolver várias habilidades mentais, incluindo o relaxamento, a
focalização da atenção, o controle, o cont role e nitidez de
imagens mentais, e a estimulação da auto-estima. Fora estimulados a
praticar isto diariamente em suas casas, bem como exercícios práticos
de testes de ESP que eles mesmos se auto-administravam. Nossos
resultados foram confusos. Não achamos uma evidência consistente para a
efetividade das técnicas de treinamento que usamos, e pensamos que
nossa investigação contribui à falsificação de alguns dos mais
grandiloquentes atributos destas técnicas. Continuamos esta linha de
trabalho, explorando diferentes técnicas e diferentes grupos de pessoas
por três razões. Primeiro, nossas investigações iniciais foram bastante
limitadas e pudemos encontrar alguns procedimentos que capacitariam a
certas pessoas a produzir um funcionamento psíquico consistente.
Segundo, nos agradaria compreender mais cabalmente porque em algumas
técnicas se encontram melhores resultados quando experimentamos
informalmente, em casa, que quando experimentamos sob condições
controladas no laboratório.
Como advertimos antes, conduzimos
uma réplica do experimento anterior usando objetos assegurados para
evidenciar possíveis manipulações suspeitas, que permitiam aos
participantes levar a cabo sessões de experimentação formais de um modo
conveniente e confortável em suas casas, às vezes eleitos de forma
espontânea pelos participantes (Delanoy, Watt, Morris, & Wiseman,
1993). Uma vez que eles julgaram suas impressões mentais com os
possíveis objetos contataram a seu experimentador que tomou nota da
eleição do objeto. Então, o experimentador, que por suposto não sabia
nada da identidade do objeto, abria o pacote de segurança para
descobrir o objeto e dar-lhe os resultados ao participante. Não
encontramos evidência alguma de que os sistemas de segurança tenham
sido violados, e os resultados em geral foram significativamente
positivos. Terceiro, dois estudos que envolviam o estudo do treinamento
original dos participantes, desde então, descobriram resultados
positivos de ESP -o estudo da possível
manipulação fraudulenta dos envelopes e outro estudo de laboratório
conduzido por Watt no que os participantes treinados obtiveram
pontuações acima dos níveis da casualidade em exercícios de ESP com
resposta forçada, comparados a sua manifestação nos níveis da
casualidade no mesmo exercícios antes do treinamento (Watt, 1996). Isto
sugere que a participação no estudo do treinamento teve alguns efeitos
benéficos depois de tudo.
3. Procedimentos de
experimentação automatizada de resposta livre. Através dos esforços de
Charles Honorton, que lamentavelmente faleceu, Dean Radin e Robin
Taylor, e mais recentemente Kathy Dalton, a Cátedra teve a fortuna de
executar com facilidade experimentos automatizados de ESP de resposta
livre. Esta facilidade consiste no controle por computador e é um
desenho para automatizar a seleção aleatória e a apresentação a
distância dos objetos de um ampla variedade de video-clipes, mantendo
ao experimentador e ao participante às cegas a respeito da identidade
do objeto até o momento adequado. Durante o período de estimulação,
gravavam-se as respostas do participante. Depois, o computador
apresenta ao participante os objetos atuais mais três objetos
chamarizes para compará-los com as respostas do participante. Depois
que o computador registrou as pontuações dos participantes para cada um
dos potenciais objetos, se revela ao participante a identidade real do
objeto. Freqüentemente, usa-se esta facilidade em conjunto com
as habitações experimentais dentro do laboratório de parapsicologia,
com o participante estando numa habitação à prova de som e protegida de
eletricidade, e o emissor estando numa segunda habitação afastada e
isolada sensorialmente, enquanto o experimentador monitorava ambas
habitações numa terceira habitação próxima à de controle. No entanto, a
facilidade pode também distribuir-se para executar-se automaticamente
enquanto os participantes estão em outro lugar -por exemplo em suas
próprias casas.
(a) Investigação Ganzfeld. Uma das mais
produtivas linhas de investigação parapsicológica recentes tem a ver
com as técnicas de redução de ruído, como o Ganzfeld, desenvolvido em
parapsicologia por Charles Honorton (Honorton, et ao., 1990; Honorton,
Ferrari & Bem, 1992; Bem & Honorton, 1994). Esta técnica
emprega hemisféricos translúcidas sobre os olhos (p.e. bolinhas de
ping-pong) e uma débil luz vermelha que as impactam. Isto cria um campo
visual difusamente alumiado, similar a se um olhasse uma densa bruma.
Ao mesmo tempo, o participante usa fones com os quais ouve "ruído
branco" -um som similar à estática da rádio, enquanto se reclina numa
cômoda cadeira. Estas são as condições da estimulação sensorial: Não há
nada em particular que o participante possa sentir, ver ou escutar. A
linha geral de raciocínio é que se a ESP representa o processo de algum
sinal ordinário muito débil, então é importante observá-la quando se
encontra mascarada por uma fonte externa ou interna de ruído (Braud,
1978). Estima-se que a estimulação homogênea do Ganzfeld facilita a
atenção interno, e a redução de ruídos indesejados para que deste modo
a informação ESP seja mais facilmente reconhecida.
Uma
quantidade de estudos Ganzfeld foram levados a cabo em Edimburgo usando
este sistema de experimentação de resposta livre automatizado. Dos dois
estudos preliminares, um produziu resultados aleatórios, mas o outro
produziu resultados absolutamente consistentes, mostrando padrões
comuns com o primeiro trabalho, tais como uma relativamente alta média
de acertos dos participantes criativos, e uma pontuação relativamente
alta de ESP dos participantes extrovertidos (Morris, Taylor,
Cunningham, & McAlpine, 1993). Dalton também trabalhou como
co-experimentadora (junto a Morris e Delanoy) num estudo Ganzfeld
examinando o papel do emissor. Este estudo obteve resultados totais
significativamente positivos sem notar diferença alguma quando o
emissor estava como quando não estava (Morris, Dalton, Delanoy, &
Watt, 1995). Kathy Dalton continuou esta linha de investigação como
parte de sua tese de doutorado sobre criatividade e psi no Ganzfeld. Em
junho de 1996, ela completou uma comparação sistemática de
quatro grupos criativos diferentes: os artistas visuais, os músicos, os
atores, e os escritores. Seu projeto tenta replicar e estender a
investigação conduzida nos Estados Unidos (Schlitz & Honorton,
1992) com a Escola Juilliard de Arte o qual produziu uma média de
acertos totais de 50%, uma média de acertos do 75% para os músicos, e
um 40% para os estudantes de arte dramática (onde se esperava por
casualidade só o 25%). Os resultados do último estudo de Dalton não
foram ainda publicados. Um estudo por um grupo experimental diferente
(Williams, Rói, Upchurch, & Lawrence, 1994) comparou um
não-emissor, um emissor e dois emissores. Eles se apartaram do
procedimento normal do auto-ganzfeld praticando eles mesmos o
experimento como emissores e percipientes. Cada um deles foi emissor
umas dez vezes e como percipiente umas quinze vezes. Deste modo, todos
estavam familiarizados com o objeto geral. Os resultados estiveram
abaixo da casualidade para as três condições, e significativamente
deste modo para todos os resultados, indicando que certos procedimentos
de autoganzfeld podem dar resultados pobres.
(b)
Investigação dos Sonhos. Em 1996, Kathy Dalton conduziu um estudo sobre
sonhos findo recentemente. Kathy Dalton, junto a Fiona Steinkamp, e
Simon Sherwood, que rodava em seu papel como experimentador. Todos eles
foram participantes do estudo. O computador foi programado para
selecionar aleatoriamente, e durante uma noite mostrava um objeto numa
tela de vídeo numa habitação fechada, enquanto os três participantes
dormiam e sonhavam em suas respectivas casas. Registraram seus sonhos
com a intenção de que estivessem associados com o objeto, e na manhã
seguinte vieram ao laboratório e viram e dividiram igualmente os quatro
objetos possíveis, usando uma técnica de voto obtida em consenso que
outorgava uma média total grupal para cada objeto. Finalmente o
computador revelava a identidade do objeto real. Este estudo encontrou
uma evidência significativa de ESP nos sonhos, com uma média de acertos
de 47% onde só o 25% era esperado por casualidade (Dalton, Steinkamp,
& Sherwood, 1996).
Isto ilustra a potencial utilidade e
flexibilidade das possibilidades na experimentação automatizada com
resposta livre que permite a um objeto ser eleito a esmo e
apresentar-se em forma confiável, enquanto o participante gera
impressões em forma espontânea relacionadas com o objeto e num situação
confortável. É particularmente apto que esta faculdade seja usada
exitosamente num estudo de ESP em sonhos porque, historicamente, a
investigação dos sonhos foi um dos precursores da técnica ganzfeld.
4.
O observador tenta influir equipes eletrônicas. Devido às inerentes
dificuldades do trabalho com indivíduos que dizem ter a habilidade de
demonstrar efeitos ostensíveis de PK (macro-PK; p.e. a dobragem de
metais), muito da moderna investigação PK tem a ver com desviar a
seqüência de uma fonte eletrônica de ruído ou aleatorização (RNG). A
vantagem deste último método de investigação "micro-PK" é que fica
minimizado o engano não intencional ou deliberado devido à natureza da
fonte aleatória; um pode incluir o controle das condições e
arbitrariamente mudar a direção da influência que permita uma clara
comparação entre a influência e os períodos de controle na recolha de
dados. Também, pode-se levar a cabo investigação com participantes que
sejam aptos para ter pouca ou nenhuma motivação e tentar produzir
efeitos em forma fraudulenta. O desvio da atividade aleatória que se
espera por casualidade somente em condições de controle é precisamente
quantificável, pelo que permite uma medição
da dimensão do efeito PK. Outra vantagem dos métodos de PK-RNG é que o
participante está tentando influir um sistema inerentemente instável,
que pode ser naturalmente mais susceptível a qualquer débil efeito PK
(Braude, 1981).
Um meta-análise destes estudos de PK
encontrou uma evidência altamente significativa de um pequeno efeito PK
(Radin & Nelson, 1989). Tentamos continuar estes achados. L.R.
Gissurarson (1994) pediu-lhe a um grupo de participantes influir
mentalmente sobre quatro caixas exibidas na tela de um computador que
seriam selecionadas por um RNG. Treinaram-se a estas pessoas no uso de
técnicas e estratégias variadas de imaginação mental. Robin Taylor
conduziu estudos adicionais incorporando estas práticas a testes de PK
conduzidos por atletas, usando a projeção de gráficos de vídeo
relacionados com seu próprio rendimento atlético (Taylor, 1993). Ambos
projetos encontraram só resultados positivos muito pobres, tanto pela
efetividade do treinamento, como pelo efeito global da PK. Este último
permite a falsificação de algumas supostas capacidades psíquicas que
podem ser facilmente ensinadas à pessoa.
Konrad Morgan
(Morgan & Morris, 1992) usou fontes de aleatoriedade para aumentar
ou diminuir o problema resolvendo as seqüências nos computadores usados
pelos usuários novatos quem completavam um questionário sobre suas
atitudes para os computadores. Não se encontrou nenhuma evidência
definitiva de que estes RNG fossem influenciados e também não teve
evidência de que o desempenho do RNG estivesse relacionado com as
atitudes dos participantes para os computadores. Estes resultados
conduzem à falsificação de algumas hipóteses segundo as quais as
atitudes da gente para suas equipes podem afetar diretamente o
desempenho destes aparelhos.
Acharam-se duas
interrelações significativas nos estudos de Gissurarson: pessoas que
informava experiências prévias de PK tinham pontuações
significativamente mais altas do que aquelas que não informavam nada
destas experiências (Gissurarson & Morris, 1991); e a pessoa que
acreditava que a PK existe obtinham pontuações significativamente
melhores que aqueles que o faziam sem acreditar em sua existência
(Gissurarson, 1994). Ambos achados são consistentes com os resultados
dos testes de ESP efetuados por outros pesquisadores (apresentados por
Palmer, em Edge, Morris, Palmer, & Rush, 1986), e estas tendências
foram confirmadas por três estudos não publicados de estudantes, usando
um computador mais imaginativo e interativo (Morris, Dumughn, Gentles
& Grice, 1993). Ainda que estimulamos estes achados, não obstante,
os resultados de nossos estudos de PK baseados no RNG são muito mais
débeis que os que nós queríamos, se estamos estudando-os de forma
efetiva. Paul Stevens, um físico que começou
seus estudos de pós-graduação conosco em 1993, está avaliando os atuais
sistemas teóricos que relacionam ao observador com as equipes
eletrônicas. Postula que, mais do que algum tipo de transferência
direta de sinal de parte da mente/cérebro do observador sobre objeto
PK, a neurofisiologia do observador produz uma perturbação modulada
pelo meio que afeta simultaneamente os objetos de PK. A evidência que
sustenta esta teoria prove de muitos estudos que relacionam a atividade
geomagnética com as experiências espontâneas de psi e com os efeitos de
ESP e PK em laboratório (p.e., Persinger, 1987; Berger & Persinger,
1991). Stevens espera desenvolver mais sistemas condutores de psi e as
instruções aos participantes dos testes a respeito de como influir as
equipes que os determinam (p.e., Stevens, 1994).
5.
Observadores que tentam influir sobre sistemas vivos: Durante 1993,
tivemos a fortuna de ser visitados pelo Prof. William Braud, que
compartilhou sua experiência e nos ajudou e aconselhou para montar seus
experimentos sobre a interação mental direta sobre sistemas vivos
(DMILS). Estes trabalhos consistem em monitorar a conduta e fisiologia
de sistemas vivos, em geral uma pessoa, enquanto outra pessoa em outro
lugar tenta influí-lo (Braud & Schlitz, 1991). Por exemplo, usa-se
um circuito fechado de TV para ver se a gente mostra reações
fisiológicas diferentes quando alguém os mira fixamente, inclusive
quando não estão informados sensorialmente de quando isto está
ocorrendo (p.e. Braud, Shafer & Andrews, 1993). Três estudos piloto
foram conduzidos com a DMILS em Edinburgo, dois dos quais obtiveram
resultados significativos positivos (Radin, Taylor, & Braud, 1995;
Delanoy & Sah, 1994), e um sugestivo mas resultado pouco
significativo (Howat, Delanoy & Morris, 1994). Em 1995, junto a Zachary
McDermott, que está seguindo esta linha de investigação para sua tese
de doutorado, tentamos ampliar as medições fisiológicas usadas na
investigação da DMILS. Normalmente, a atividade electrodérmica usada
para medir o sistema de detecção/não detecção está baseado nos níveis
de despertamento. Pode-se reunir uma maior informação a respeito do
valor emocional asociado com o atendimento remoto (p.e., emoção
positiva contra emoção negativa), através do monitoramento da atividade
elétrica das diferentes áreas dos músculos faciais, que a investigação
prévia mostrou discriminar as respostas emocionais ainda em ausência de
reações faciais evidentes. McDermott está também explorando o potencial
do World Wide Web como uma forma para colecionar dados sobre a
interação mental direta com sistemas complexos.
Os
estudos que pesquisam a influência sobre sistemas vivos até agora
parecem produzir resultados mais consistentes que os que pesquisam
outros tipos de sistemas, como por exemplo as equipes eletrônicas.
Estas também são importantes para responder a uma das principais
questões a respeito da praticidade da parapsicologia: Há um componente
psíquico nas práticas alternativas de cura? Desta forma, os
experimentos da DMILS chegarão a ser um grande componente de nossa
investigação.
Citamos estas cinco áreas gerais de
investigação para ilustrar algumas das linhas de trabalho que serão
desenvolvidas no futuro, dependendo de nossos fundos. Como a Cátedra
Koestler de Parapsicologia está muito bem estabelecida, podemos
cooperar e colaborar permanentemente com nossos colegas com o objeto de
facilitar as possibilidades de investigação em todo o campo da
parapsicologia. Por exemplo, atualmente o Professor Morris e a Dra.
Delanoy estão trabalhando junto com o Institut für Grenzgebiete der
Psychologie und Psychohygiene em Friburgo, Alemanha, e lhes estão
ajudando a desenvolver investigação parapsicológica. Também estão
levando a cabo investigação no conceito da vontade e seu papel nos
estudos de psi intencional, em vez de psi espontâneo. Uma vez que as
possibilidades de experimentação do Institut estejam estabelecidas,
Delanoy e Morris começarão a investigação da DMILS com nossos colegas
alemães e isto permitirá combinar adequadamente seus estudos com os que
estã o sendo levados a cabo em Edimburgo.
Estamos
reconstruindo conceitos e achados, e nesta parte de nossa investigação
estamos trabalhando para dois objetivos gerais: (1) Desenvolver modelos
experimentais mais efetivos a respeito dos aspectos psicológicos da
manifestação psi; e (2) desenvolver efeitos de suficiente força e
consistência como para dar boas ferramentas ao significado dos modelos
pelos quais o funcionamento psíquico tem lugar. Fazendo assim, tratamos
de ser sensíveis à crítica inteligente de nossa própria investigação e
da investigação parapsicológica em geral. Para sua tese de doutorado,
Nancy Zingrone, uma historiadora da ciência que publicou relatórios
sobre aspectos históricos da parapsicologia (p.e. Zingrone, 1994),
examinará a história da crítica em parapsicologia. Ademais, Julie
Milton está conduzindo uma série de enquetes, revisões e meta-análises
sobre aspectos metodológicos em parapsicologia (p.e. Milton, 1990,
1991, 1993, 1994, 1995).
CONCLUSÕES
Com
base em nossa experiência em nosso programa de investigação, somos
conscientes do único contexto histórico, cultural, social e cientista
no qual a parapsicologia está inserida, e inclusive engendrada. Num
ensaio editorial para o European Journal of Parapsychology, o Professor
Morris (1990-91) assinalou o desafio da parapsicologia:
"A
parapsicologia tem diversas características que criam problemas e que
deve ser dirigida se pretendemos ser algo mais do que uma intrigante
proto-ciência. A parapsicologia tem estado vinculada às tradições
metafísicas e ocultistas no passado. A aceitação do fenômeno psíquico
(psi) foi explorado pelos charlatões. A aceitação de psi pode
facilmente contribuir aos sistemas ilusórios. A parapsicologia ameaça a
precisão e a simplicidade da metodologia científica tradicional. Isto
nos força a re-examinar conceitos como a consciência e a vontade que
foram extensamente ignoradas na ciência. Isto desafia idéias
preconcebidas, tanto materialistas como não materialistas, a respeito
de como opera nosso mundo. As considerações éticas aparecem quando se
desenham programas de investigação. A parapsicologia estuda o complexo,
os sistemas abertos. Isto tem a dificuldade de gerar e experimentar
hipóteses baseadas em teorias. Por estas e outras razões, a
parapsicologia foi freqüentemente cons iderada como uma
pseudo-ciência por filósofos e sociólogos da ciência. Na Cátedra
Koestler de Parapsicologia, tentamos desenvolver estes temas inserindo
nossa investigação dentro da sociedade em seu conjunto, desenvolvendo
modelos de entendimento a respeito de como podemos ser enganados por
nós mesmos e por outros exagerando o papel que psi pode jogar em nossas
vidas cotidianas, continuando o processo para melhorar as formas da
evidência do funcionamento psíquico. Através de várias linhas de
investigação, tentamos melhorar sua acessibilidade sob condições que
soem metodologicamente e inclusive ecologicamente válidas. Desta forma
tratamos de fazer o melhor do que podemos para confrontar os problemas
mencionados primeiramente, com algum sucesso mas com muito espaço para
melhorar.
No
que pese a magnitude de tal desafio, temos o dever de tentá-lo devido a
que a sociedade merece um entendimento cabal das experiências
psíquicas. Como verdadeiros céticos, podemos questionar e experimentar
a hipótese psi e as pseudo-psi. Se não há nada na noção do fenômeno
psíquico, somente aprenderemos graças ao esforço organizado de explorar
as evidências. E se realmente há algo, então deveríamos chegar a
compreender suas implicâncias tão profundamente como seja possível.
Caso contrário, nossa imagem da humanidade permanecerá terrivelmente
incompleta.
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