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A parapsicologia nos anos 90 preparando-nos para o século XXI |
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domingo, 26 junho 2005 |
Morris, Robert. L. (1999). A parapsicologia nos anos 90 preparando-nos para o século XXI. Revista Argentina de Pesquisa Paranormal, vol 10(4) (pp. 229-238)
Traduzido do espanhol por Vitor Moura ( Tambien disponible en Español )
Resumo.- Podemos identificar dez problemas ao começar esta década, a
saber: (1) A parapsicologia está relacionada com origens
metafisicamente problemáticas; (2) a parapsicologia está relacionada
com conceitos que, no passado, foram explorados e menosprezados; (3)
pode-se ligar facilmente parapsicologia a enganos; (4) a parapsicologia
ameaça a simplicidade do método científico; 5) a parapsicologia nos
obriga a olhar alguns conceitos teóricos que a ciência no passado
encontrou serem problemáticos; (6) a parapsicologia ameaça as crenças a
respeito de como o mundo funciona; (7) a maioria dos projetos
potenciais de investigação parapsicológica com freqüência ocasionam
problemas éticos; (8) a parapsicologia envolve o estudo de sistemas
complexos abertos; (9) a parapsicologia tem dificuldades em gerar e
provar teorias baseadas em hipóteses; e (10) a parapsicologia muitas
vezes foi considerada como uma pseudociência por filósofos e sociólogos
da ciência. A Cátedra Koestler de Parapsicologia na
Universidade de Edimburgo se dedicou a cada um destes temas mediante
estratégias específicas ou globais durante os últimos dez anos.
Apresentarei e discutirei cada uma destas estratégias. Aparentemente
tiveram sucesso, já que treze estudantes completaram seu doutorado
especializando-se em parapsicologia e muitos deles já introduziram
centros de investigação parapsicológica em diferentes universidades.
Não obstante, precisamos fazer maiores esforços, já que algumas destas
estratégias ainda não se implementaram completamente. Identificarei e
discutirei também outras seis estratégias para o futuro: (1) Precisamos
avaliar mais completamente o que já aprendemos; (2) precisamos aprender
mais sobre nossos resultados negativos; (3) devemos enfatizar mais
aqueles resultados que tenham deixado um bom sinal em termos de efeitos
de magnitude e consistência, e trabalhar para melhorá-los e compreender
suas limitações; (4) precisamos minimizar as divisões entre “céticos” e
“parapsicólogos;” (5) assim
como atraímos o interesse dos especialistas em outras áreas, precisamos
integrar-nos mais efetivamente com eles e sua experiência; e (6)
precisamos integrar-nos mais efetivamente com os meios de imprensa.
No começo desta década publiquei um editorial no European Journal of
Parapsychology entitulado ‘Parapsychology in the 1990’s: Addressing the
challenge” [A Parapsicologia na década dos 90 : Dirigindo-nos ao
desafio.] Desenvolvi vários aspectos problemáticos e de como
planejávamos resolvê-los na Cátedra Koestler de Parapsicologia.
Começarei resumindo-os, seguidos de um comentário, assim como de uma
avaliação dos sucessos que tivemos na década passada. Tivemos treze
pessoas que completaram seu doutorado (PhD) especializando-se em
parapsicologia e existem agora grupos parapsicológicos em várias
universidades britânicas: Hertfordshire, Coventry, Liverpool Hope, e
University College, Northampton, todas elas têm programas de estudo
iniciados por ex-estudantes de Edimburgo, assim como também na
Universidade do Pacífico Sul, em Fidji. Cada uma destas universidades,
por sua vez, estimula o desenvolvimento de centros potenciais de bom
nível em parapsicologia ou psicologia anômala. Efeti vamente, existem
duas equipes de trabalho na Liverpool Hope e três na University College
Northampton com bons antecedentes parapsicológicos, e há Deborah
Delanoy, recentemente nomeada Professora Titular de Psicologia. Outras
universidades britânicas também estão ativas na investigação
parapsicológica. Cada vez mais, a parapsicologia é considerada como um
tema de investigação e um campo de trabalho legítimo nos círculos
acadêmicos, inclusive mais recentemente tive a honra de ser nomeado
Presidente da Seção Psicológica da British Association for the Advances
of Science. O importante é que parece que nossos próprios colegas
britânicos nos vêem com bons olhos por fazer um trabalho satisfatório.
No
princípio desta década, este ensaio identificava dez aspectos
problemáticos que, por então, parecia-me que deviam desenvolver-se para
o progresso da parapsicologia. Este editorial apresentava estratégias
que esperávamos aplicar para cada uma delas. As seis primeiras são
conceituais, as outras quatro estão mais vinculadas a questões
metodológicas.
Problema 1: A parapsicologia está relacionada com origens metafisicamente problemáticas
Uma
das faces problemáticas da parapsicologia, é que, geralmente, se a
identifica com os aspectos espiritualistas da investigação psíquica, na
qual esta tem suas raízes, e com o ocultismo, com o que está
diretamente associada; o público tende a considerar a parapsicologia
como uma tentativa de usar os instrumentos científicos para demonstrar
a existência de uma alma não-fisica, ou demonstrar que todos temos
poderes ocultos. Vêem-se aos parapsicólogos como pessoas que já
desenvolveram suas mentes, e que agora estão tentando usar à ciência
para convencer aos demais que a visão do mundo que têm os
parapsicólogos é a correta. Desta forma estamos conseguindo inimigos
que não ganhamos nem merecemos. Alguns destes correspondem a tendências
neo-reducionistas, racionalistas, ou humanistas seculares, qualificados
quiçá por muitos dos grupos céticos que têm organizações nos principais
países. Outros provem das religiões tradicionais mais ortodoxas,
propensos a associar a parapsicologia com seus defensores metafisicamente mais heterodoxos.
Para
enfrentar este problema devemos tomar um enfoque inverso, orientado
para a construção mais completa e compreensível do fenômeno,
experiências e dados experimentais que sugerem que psi existe. Isto não
está sujeito a um determinado enfoque teórico, e sim que está apoiado
por dados, procurando desenvolver modelos que, esperamos, relacionem
nossos dados empíricos com alguns dos sistemas teóricos que existem na
atualidade. Ao mesmo tempo, tais sistemas nos permitam ocasionalmente,
estreitar vínculos mais sólidos com algumas das questões metafísicas
que nutriram as origens da investigação psíquica, mas estes vínculos se
formarão gradualmente, a seu devido tempo. Uma vez que se consiga esta
conexão, se desaprovará, modificará, ou confirmará totalmente a dita
relação metafísica.
Problema 2: A parapsicologia está relacionada com conceitos que, no passado, foram explodidos e menosprezados
Um
princípio central da parapsicologia é que nós, os seres humanos (e
quiçá os animais também), parece que temos acesso a certas habilidades
mentais superiores além das que aparentemente conhecemos graças ao
corpo de conhecimentos da ciência clássica. Desafortunadamente, os
poderes mentais especiais são incrivelmente fáceis de falsificar e
foram incorporados em práticas ilegítimas de pessoas fraudulentas, que
obtêm ganhos pessoais, financeiras ou políticas, ou em grupos
fraudulentos ou cultos religiosos, cujos líderes demonstram poderes
especiais para validar a filosofia de seus cultos e práticas.
Tentamos
enfrentar este problema estudando diretamente as técnicas de exploração
e seu contexto social, e conhecê-las tão compreensível e detalhadamente
como seja possível. Então, fazemos uso desta informação para desenhar e
conduzir melhor as investigações sobre aquelas pessoas que possam estar
envolvidas na exploração pública, e ajudar às pessoas que tenham sido
vítimas de abusos no passado, ou estejam atualmente em risco.
Problema 3: Pode-se confundir facilmente a parapsicologia com enganos
A
possibilidade de que os seres humanos mesmos possuam poderes mentais
especiais, ou possamos ser influídos pelos poderes especiais dos
outros, pode conduzir-nos a desenvolver sistemas de crença
problemáticos a respeito de como interagimos com o mundo que nos
rodeia. Muitos conselheiros e especialistas em saúde mental encontram
muito pouco conveniente a existência da parapsicologia; que tenhamos
tido sucesso em verificar a existência de tais habilidades psíquicas,
ainda a curto alcance, parece dar crédito a muitas crenças
inverossímeis.
Estamos assumindo esta responsabilidade.
Pelo geral, o engano antes mencionado tem muito a ver com o
auto-engano. Os modelos que estamos desenvolvendo são, precisamente,
para descrever o erro humano, e relacioná-lo com facilidade com os
modelos presentes em outras áreas, como a teoria da atribuição social e
a investigação dos fatores humanos na indústria e a tecnologia. Num
nível mais específico, estamos trabalhando passo a passo para
estabelecer vínculos mais fortes com o público em geral e com diversas
comunidades profissionais, tendo em mente nossos limitados recursos.
Conquanto
ainda estejamos nas primeiras etapas de nossa tarefa, começamos a
relacionar nosso trabalho com os modelos existentes em psicopatologia,
como as formações ilusórias, que se desenvolveram dentro da comunidade
clínica e psiquiátrica, e é nossa esperança poder contribuir
produtivamente a novas introspecções dentro essas áreas. Tais
contribuições permitirão ajudar aos orientadores a determinar a
verossimilitude do funcionamento psíquico de seus pacientes.
Problema 4: A parapsicologia ameaça a simplicidade do método científico
Se
os cientistas de várias disciplinas considerassem cuidadosamente a
possibilidade de um indefinido número de formas mediante as quais os
organismos podem interagir com seu meio, então veriam que muita de sua
metodologia experimental precisará ser modificada e melhorada. As
ciências que estudam organismos vivos em geral precisam controlar o
espectro de influências que ocorre entre o organismo e o meio ambiente
durante o curso de uma investigação. Por outra parte, a interpretação
de seus resultados é incerta, devido às possíveis influências do meio
não monitoradas e indesejadas.
Estamos nos dedicando a
aplicar o conceito geral da teoria dos sistemas em nosso trabalho:
estamos compreendendo os casos espontâneos, as investigações de campo e
os estudos experimentais como sistemas complexos, e a sua vez, estes
mesmos, como parte de sistemas mais amplos, inclusive contendo muitos
subsistemas também.
Por sua natureza, a parapsicologia
nos obriga a considerar os pesquisadores de forma individual, assim
como também aos segmentos mais extensos da comunidade científica, como
parte de um sistema geral dentro do qual se pratica nosso trabalho.
Podemos vê-lo desde nossa compreensão do efeito do experimentador e até
à natureza da repetibilidade.
Problema 5: A parapsicologia nos obriga a prestar atenção a conceitos teóricos que no passado a ciência encontrou problemáticos.
Por
sua própria natureza, a parapsicologia se foca na natureza da
consciência e a experiência, na imaginação, numa variedade de estados
modificados de consciência, e em representações volitivas.
Mas
sabemos pouco ao respeito de como que estes tópicos, no passado, foram
difíceis de conceitualizar e pesquisar experimentalmente. É
relativamente recente que temas experienciais, como a imaginação, vêm
sendo pesquisados ativamente. A volição já desapareceu para dar passo à
motivação, ou como simples atos intencionais em outros estudos.
Muita
de nosso trabalho explora aspectos da consciência que se relacionam com
o funcionamento psíquico, o qual contribui em nosso entendimento geral
destas experiências e como estudá-las. A imaginação, seja ela em forma
visual ou outras, é importante em várias linhas de investigação.
Problema 6: A parapsicologia ameaça as crenças a respeito de como o mundo funciona.
Sugerindo
a possibilidade de que estaríamos interagindo mediante diferentes
formas sobre nosso meio, a parapsicologia ameaça reintroduzir a
incerteza sobre os que defendem pontos de vista muito específicos. Para
os que sustentam uma interpretação do mundo reducionista, materialista,
ou humanista secular, parece surgir certo tipo de influência
não-fisica, quiçá inclusive uma espiritual, do tipo que defendem as
religiões, e sustentada com desprezo pela ciência tradicional.
Por
outro lado, há muitos teólogos que estão muito preocupados acerca da
parapsicologia e seus envolvimentos. Alguns consideram que temos
secularizado as experiências sagradas, sugerindo a possibilidade de que
as experiências religiosas (a oração, as visões, o êxtase, etc.)
possam-se explicar com a neurobiologia combinada com certa força mental
que não seria necessariamente de natureza espiritual.
Como
disse antes, não aderimos a nenhuma proposição metafísica ou sistema
teórico algum, e preferimos uma aproximação inversa. Conquanto não
desconhecemos por completo acerca de questões metafísicas, afirmamos
que nenhum destes pontos de vista parecem aceitáveis tal como são; não
obstante certa modificação será inevitavelmente necessária.
Problema 7: A maioria dos potenciais projetos de investigação parapsicológica com freqüência ocasionam problemas éticos.
Muita
da investigação parapsicológica, tal como a que atualmente se faz, não
parece sólida e é irrelevante. Se tomássemos como ponto de partida os
modelos que parecem funcionar nos casos espontâneos, deveríamos estar
fazendo muito mais investigações ESP com participantes em estados
modificados de consciência, incluindo os mais extremamente favoráveis;
o material objetivo que usamos deve ser muito excitante, pondo ênfase
nas emoções fortes e num meio emocional real para os agentes; e todo
nosso meio experimental deveria ser coerente com os dois primeiros
pontos. Nossa investigação PK deve seguir modelos análogos, que
envolvam situações carregadas emocionalmente, com resultados
verdadeiramente importantes para nossos participantes. Mas tais
circunstâncias podem provocar problemas éticos para o bem-estar físico
e psicológico dos participantes: os pesquisadores e os sujeitos. Os
procedimentos para modificar a consciência podem ter efeitos para ambas
partes, seja tanto durante o estudo quanto na situação experimental.
Estamos
trabalhando para desenvolver procedimentos de investigação que nos
permitam explorar experiências especiais com mensagens significativas.
Em Edimburgo este processo começa na primeira etapa de convocação de
sujeitos; convocamo-los de boca em boca, em cursos e conferências, e
também entre as pessoas que nos contatam diretamente. A cada pessoa se
lhe envia um Formulário de Informação ao Participante. Os pesquisadores
que precisam de participantes os selecionam baseados em suas respostas,
contatando-os, explicando-lhes o estudo, e permitindo-lhes decidir se
querem ou não participar.
Nas situações experimentais
tratamos de tomar-nos um tempo extra para conhecer melhor aos nossos
participantes, suas preferências, como se sentem participando, etc.
para tomar isto em consideração em nossas interações com eles.
Problema 8: A parapsicologia envolve o estudo de sistemas complexos abertos.
Parece
importante ter em conta o meio parapsicológico, seja o meio natural dos
casos espontâneos ou o ambiente controlado dos experimentos, como
sistemas abertos complexos.
Em
parapsicologia os estudos se tornam mais artificiais e estéreis já que
tratamos de simplificar e copiar os sistemas sob os quais operam estes
fenômenos, e é difícil, se não impossível, situar aos pesquisadores
fora deste sistema.
Neste ponto estamos procedendo
gradualmente, já que isto representa uma forma mais complexa e
imprecisa de fazer investigação. Com freqüência as estratégias
convencionais da experimentação controlada com variáveis independentes
ou dependentes podem ser bastante inadequadas. Precisamos focalizar
mais as estratégias que nos permitem avaliar de forma definida o
rendimento de sistemas conducentes a psi, antes de começar a exploração
sistemática de suas relações causais.
Problema 9: A parapsicologia tem dificuldades em gerar e provar teorias baseadas em hipóteses.
Como
conseqüência dos fatores antes mencionados, a parapsicologia não ganhou
consenso de seu campo de indagação; estamos ainda estudando o alcance
das experiências e os eventos genuínos. Como resultado disto, a
parapsicologia não especificou o alcance e a força do fenômeno que
qualquer sistema teórico está obrigado a explicar. Isto dificulta sua
construção teórica. Ademais, como conseqüência dos fatores discutidos
na primeira seção, temos dificuldades em produzir um fenômeno psíquico
sob condições controladas suficientemente sistemáticas e consistentes
bem como para provar suas hipóteses.
Existem diversos
aspectos com o problema de uma melhor construção e comprovação de uma
teoria em parapsicologia. Em primeiro lugar, é importante definir nosso
campo de indagação. Segundo, precisamos descrever mais os fenômenos que
parecem realmente parapsicológicos. Também será necessário tornar mais
claros os padrões de achados experimentais que apresentam uma
consistência razoável sob condições apropriadamente controladas.
Uma
vez que tenhamos um panorama dos padrões em nossos dados, vamos poder:
(a) compará-los com os modelos já existentes e também com os sistemas
teóricos existentes, onde aqueles sistemas sejam suficientemente
refinados como para gerar predições; e (b) desenvolver novos modelos
baseados nos já observados. Estes novos modelos poderão então ser
comparados com os sistemas teóricos existentes e poderão ser testados
com novos dados.
Problema 10: A parapsicologia muitas vezes foi considerada como uma pseudociência por filósofos e sociólogos da ciência.
Este
problema contém em parte os outros. No entanto, pode ter vantagens e
desvantagens. Como estudantes de ciência tentamos separar ciência de
pseudociência, a boa e a má ciência propõem um critério de demarcação
para distinguir-se. Ajuda-nos a indicar o critério pelo qual vamos
poder julgar nosso progresso.
Todas estas declarações
são, precisamente, extraídas diretamente deste editorial anterior, mas
mais condensadas e sem descrever as linhas específicas de investigação
e prática que desenhamos para estes problemas pontuais. Se olhamos para
atrás, agora há pouco que reconheceríamos como equivocado, já que em
sua maior parte ficou incompleto ou sem terminar. Creio que nosso
enfoque nos foi útil, já que pusemos ênfase naquilo “que não é psíquico
mas parece sê-lo,” por exemplo, o trabalho sobre o auto-engano ou o
engano por outros e a formação da crença e sua base. É evidente que
devemos fazer muito mais a favor da construção e da comprovação deste
modelo, estas atividades devem estar intimamente relacionadas com
métodos de observação, e também inevitavelmente relacionadas com a
teoria da medição e a unidade de medição. As parcialidades não se podem
evitar, mas estaríamos melhor se as reconhecêssemos e estivéssemos
conscientes delas. Em geral, devemos desenvolver formas mais ricas de observação,
descrição e medição, e deveríamos beneficiar-nos ainda mais da
experiência que já existe nas ciências físicas, biológicas, e sociais.
Independentemente de se fazemos estudos de campo ou de laboratório,
ainda temos problemas éticos fundamentais por resolver, se aspiramos a
desenvolver uma investigação ecologicamente válida. Aplicando um
enfoque sistêmico a nosso trabalho vamos aprender muito mais destes
complicados sistemas abertos; de outro modo, nunca chegaremos a
valorizar os efeitos do experimentador, as questões da repetibilidade,
e a natureza aparentemente elusiva de psi em si mesma.
ALGUMAS ESTRATÉGIAS PARA O FUTURO
Com
respeito aos pontos antes mencionados, por suposto se conseguiram
alguns avanços dentro de nossa própria unidade e em muitos outros
lugares também. Nada do que aqui se tenha dito ou se disse é original
meu; tudo isto surge das discussões a respeito da riqueza dos fenômenos
e das experiências que estamos estudando. No entanto, agradaria-me
agregar uns poucos comentários a respeito de algumas estratégias
adicionais que nos podem ser úteis no próximo século:
1
. Precisamos avaliar mais extensamente o que já aprendemos. Parece
claro que as técnicas meta-analíticas, que estão atualmente em uso, têm
um potencial considerável caso empregadas com inteligência. Mas estas
técnicas ainda se estão desenvolvendo.
2 . Precisamos
aprender mais acerca dos resultados negativos. Agora, o que sabemos é
como não se conduz uma investigação. Devemos examinar todos aqueles
procedimentos que têm efeitos de magnitude pequenos e variantes e
identificar suas características comuns de maneira que possamos
aprender o que possamos e não usá-los como uma unidade de medida de psi.
3
. Devemos enfocar os resultados que mostrem efeitos de magnitude e
consistência, e trabalhar para melhorá-los e compreender suas
limitações. Às vezes publicamos estudos que projetam novas medições e
as usamos na investigação dirigida ao processo sem apresentar
justificativa alguma da medição empregada. Seria melhor fazer muitos
pré-ensaios usando medições novas, antes de considerá-las como se
fossem válidas e reais.
4 . Devemos dissolver as
divisões entre “cético” e “investigador.” Independentemente de nossas
perspectivas, todos temos a tendência a criticar qualquer investigação
que nos desagrada até encontrar falhas, ou criticar, em menor grau, os
estudos que obtêm resultados de nossas preferências. Precisamos nivelar
o campo de jogo, já que se publicaram relatórios com uma metodologia
muito pobre quando os resultados agradavam aos editores.
5
. Na medida que atraiamos mais o interesse dos peritos de outras áreas,
nos integraremos mais efetivamente com eles e com sua experiência,
consultando-lhes, trabalhando em equipe, e assegurando-nos que nossa
própria investigação não se veja menos competente do que a de outros
campos científicos.
6 . De uma forma ou de outra,
precisamos, tanto individual como grupalmente, interagir melhor com os
meios de imprensa. De outro modo, no mundo atual, todo nosso campo será
julgado como o resultado de umas poucas pessoas que podem não ser
representativas.
Agora estou mais otimista do que antes
porque a parapsicologia, nos próximos anos e diferentemente do passado,
será mais integrativa que divisória. E por suposto, em breve,
provavelmente o termo parapsicologia evoluirá de forma mais precisa,
desde que desenvolvamos conhecimento para dar a conhecer esta evolução.
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Last Updated ( domingo, 26 junho 2005 )
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