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Psi e a Teoria de Jung PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
26 de junho de 2005
Bergamin, Beatriz (2005). Psi e a Teoria de Jung. Boletim Virtual de Pesquisa Psi, vol 2.

Beatriz Bergamin
Inter Psi / CENEP / COS / PUC-SP
monycamel@yahoo.com.br

Os fenômenos psi são contemplados pela Psicologia Analítica como manifestações dos arquétipos do Inconsciente Coletivo. Chamados por Jung de eventos sincronísticos, obedecem não ao princípio de causalidade admitido em geral pela ciência, mas sim ao que ele denominou princípio de sincronicidade.

Jung não só admitiu a existência dos fenômenos dando-lhes nome, mas inseriu-os no corpo de sua teoria como o fez com os sonhos.

Sendo o principal discípulo de Freud, sua teoria baseia-se também no conceito de inconsciente. Também para ele a estrutura da psique compõe-se de conteúdos conscientes e inconscientes; no entanto, aqui o inconsciente não se resume a conteúdos individuais reprimidos ou esquecidos pela consciência, mas algo mais abrangente, que contém a memória de um passado ancestral, da consciência da humanidade através dos tempos. Foi preciso criar um novo conceito para o que entendia ser o inconsciente.

Assim como nossa consciência, também o inconsciente é composto de conteúdos individuais e coletivos. À porção formada de nossa experiência individual Jung denominou Inconsciente Pessoal e à outra, mais profunda, chamou de Inconsciente Coletivo .

O Inconsciente Coletivo, igual para todos nós, compõe-se do que é chamado de arquétipos, que são “fatores formais responsáveis pela organização dos processos psíquicos inconscientes” (Sincronicidade, p 15) e que nos fornecem os padrões de comportamento para as diversas situações de vida que experimentamos, representando a possibilidade de determinados tipos de percepção e ação. Os arquétipos revelam-se através de imagens e fantasias e correspondem a nossas reações instintivas.

Há aqui uma idéia que nos importa em particular, a de que o inconsciente se manifesta. Manifesta-se nas imagens dos sonhos, fantasias, delírios; permitindo-nos observar sua existência.

A forma de manifestação dos arquétipos que nos interessa é a sincronicidade; cujo conceito foi definido com base na experiência clínica e pessoal de Jung e também da observação dos experimentos de Rhine, assim como no conhecimento que tinha do livro do I Ching, recém traduzido por seu amigo Wilhem, da filosofia oriental e ocidental, desde os gregos até a alquimia da idade média e finalmente também da ciência dos séculos XIX e XX, dos físicos contemporâneos de quem recebeu influência e a quem influenciou.

Partindo da discussão sobre o princípio de causalidade, Jung definiu que a sincronicidade consiste de eventos acausais, aparentemente sem conexão. Em seu livro Sincronicidade diz: “O princípio da causalidade nos afirma que a conexão entre causa e efeito é uma conexão necessária. O princípio da sincronicidade nos afirma que os termos de uma coincidência significativa são ligados pela simultaneidade e pelo significado.” (p53)

Desta forma, a ênfase é dada ao estado psíquico da pessoa que experimenta o fenômeno. A coincidência não se dá apenas entre fatos objetivos, mas tem relação profunda com a afetividade (e portanto com a manifestação de um arquétipo, que é o que provoca o afeto). Aliás, para Jung, sem a presença do fator afetivo nada disso ocorre, o afeto é “uma das condições com base nas quais o fenômeno pode mas não deve acontecer”. (Sincronicidade, p 88)

Além de considerar os fenômenos psi mais comumente discutidos, Jung também ocupou-se com a união mente-corpo como o principal acontecimento sincronístico. E há ainda a questão da relatividade psíquica do tempo e do espaço em que a sincronicidade nos coloca. Jung remonta ao surgimento da noção de tempo, inexistente em alguns povos primitivos. Trata-se de uma construção de nossa consciência – que podemos inclusive observar ao acompanhar o crescimento de uma criança.

Não vou me alongar nestas questões, embora sejam importantes, nosso tempo só permite este breve e enxuto resumo. Termino com a definição do conceito. Os eventos sincronísticos são coincidências de um estado psíquico do observador com um acontecimento externo objetivo e são basicamente de três tipos:

•  Simultâneo

•  Mais ou menos simultâneo e fora do campo de percepção do sujeito, ou seja, espacialmente distante

•  Distante no tempo, ou seja, acontecimentos futuros.

Referências Bibliográficas:

JUNG, C.G., Memórias, Sonhos e Reflexões, RJ, Editora Nova Fronteira.

_____. Sincronicidade, RJ, Editora Vozes

_____. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo, RJ, Editora Vozes

URBAN, P., Jung e a Parapsicologia in www.amigodaalma.com.br

 
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