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F. Rivka Bertisch & Naúm Kliksberg (1990). Os cirurgiões psiquicos filipinos, fraude ou verdade?:
O caso de Emilio Laporga na Argentina. Revista Argentina de Pesquisa Paranormal, 1 (1), (pp. 35-40).
Traduzido do Espanhol por Vitor Moura ( Tambien disponible en Español )
RESUMO
O
efeito do "Dedo Laser", técnica terapêutica utilizada pelo cirurgião
psíquico filipino Emilio Laporga, a quem durante quatro oportunidades
visitou Argentina (Abril, Julio, Setembro e Novembro de 1989) consistiu
em tomar o dedo de qualquer pessoa que se encontre cerca dele e
colocá-lo a uns 15 ou 20 centímetros da pele do
paciente sem tocá-lo, prendendo fortemente seu dedo lhe dá um brusco
movimento paralelo à pele e imediatamente produz um corte, de dois
centímetros, substituindo assim a função do bisturi. Depois continua
com procedimentos curativos de duvidosa eficácia (que não são o objeto
de nossa investigação).
O
importante é que com este curioso efeito do "dedo laser," Emilio
Laporga impressionou aos pacientes e às autoridades médicas de
Argentina a tal ponto que em pleno shopping de Buenos Aires pôde
atender a centos de enfermos diariamente pagando até Ou$ 250 (dólares)
para ser atendidas, cifra atualmente significativa em nosso país e que
demonstra o entusiasmo e a fé que acordou o efeito do "dedo laser".
Introdução
Pesquisamos
o efeito do "Dedo Laser" e a conclusão à que chegamos é que há muitos
elementos de juízo que fundamentam fortemente a suspeita de que é um
engano, diferente aos conhecidos até agora pelos cientistas, para o
qual é útil que se conheça na comunidade científica internacional deste
novo procedimento possivelmente fraudulento, que pode repetir-se em
diferentes países com conseqüências talvez prejudiciais para milhares
de pessoas. Queremos destacar que não afirmamos rotundamente que seja
uma fraude por que não tivemos a oportunidade de descobrir a técnica do
aparente truque, já que nos baseamos em outros elementos que passamos a
enunciar.
Procedimento
Emilio
Laporga explica o efeito do dedo Laser dizendo que ele tem um tipo de
energia diferente a outras pessoas e que ao tomar o dedo de outras
pessoas, que é portanto de outro tipo, forma-se um circuito que permite
que do dedo da pessoa surja esse invisível raio de energia que corta a
pele, por esse motivo ele só não pode com seu dedo "cortar a pele",
precisa estabelecer-se, se fosse verdade, esse circuito humano.
1
- Ao tomar o dedo dessa pessoa este poderia, com um dedo de sua outra
mão, emitir o raio que corta a pele. Entretanto isto não se sucede só é
possível com o dedo que mantém preso o Sr. Laporga.
2 - Ao fazer o circuito humano, Laporga poderia com um dedo "de seu outra mão" emitir o raio. Não obstante, não pode fazê-lo.
3
- Se fosse um raio poderia aumentar sua força caso se aproximasse mais
da pele, o que Laporga não faz. Se o que produz o corte é uma
substância que se desprende, se precisaria uma determinada distância
para a pele para cortar com a força suficiente, que não existiria se o
dedo estaria a só cinco centímetros
4
- Se fosse um raio poderia apontar-se o dedo em direção para abaixo ou
para acima, ou para abaixo ou para o custado, mas só o faz para abaixo,
o qual seria indispensável se nesse momento se desprende essa
substância.
5
- Se fosse um feixe de energia, seria inconveniente manter o dedo fixo
apontando para o lugar desejado para concentrar o feixe e dar-lhe tempo
de atuar sobre a pele. Pelo contrário, ao dar um brusco impulso ao
dedo, o suposto raio não pode concentrar-se em nenhuma parte
específica.
6
- Não obstante, seu poder de corte se mantém igual, a reta paralela à
pele pela qual passa o raio (deslocando esse movimento no dedo) deveria
cortar-se, o qual não sucede, não aparece esse tipo de ferida. Se o
objetivo de Laporga no momento que com sua mão impulsiona o dedo for
desprender um elemento com força, se seria necessário proceder como o
faz.
7
- Se fosse realmente um feixe de energia das características que diz
Laporga, diminuiria sua efetividade pelo cansaço físico ocasionado
depois de 12 horas de atendimento a centenass de pacientes e pela
quantidade de aplicações que faz, isto não se observa. A efetividade é
a mesma na primeira hora como 10 horas depois. Se fosse um truque não
perderia eficácia depois de horas de trabalho.
8
- Caso se tratasse de uma energia das características que diz Laporga
poderia pôr entre o dedo e a pele um bocado de tela de papel, para ser danificado ou atravessado pelo raio. Nada disto sucede.
9
- A pessoa que empresta o dedo para que supostamente "passa a energia,"
deveria sentir algo estranho ou cócegas, ardor, calor, etc. Também nada
disto sucede.
10
- Tomar a mão de outra pessoa para realizar o ríspido e brusco
movimento de deslocar o dedo e produzir a ferida, tudo em segundos, sem
observar de Laporga nenhum esforço de concentração, implicaria que ele
produz essa energia com uma naturalidade e automatismo tal que deveria
suceder-lhe que, às vezes, ao apertar a mão de outra pessoa para saudar
poderia produzir o mesmo efeito sem querer, produzindo cortes a pessoas
próximas, o qual nunca sucedeu a Laporga ao que nós saibamos.
11
- É duvidoso o fato de que essa energia passe do sujeito que empresta o
dedo com igual fluidez seja este jovem ou ancião, são ou enfermo tenha
ou não em sua mão ou dedos, relógios, anéis, pulseiras, etc.
12
- Tocando outra parte do corpo da pessoa também se daria o contato que
deveria constituir o circuito, mas Laporga visivelmente toca e prende
apenas o dedo de que partirá esse suposto raio energético
13
- É altamente suspeita a conduta que realiza com sua mão (com a que
toma o dedo) de introduzi-la com freqüência em seu bolso e esfregar-se
fortemente com algo (se nota do braço a intensidade dessa fricção pelas
contrações musculares que executa).
14
- É igualmente suspeita a conduta dos promotores de Laporga (Fundação
"espiritista" Argentino-Brasileira) porque filmaram o vídeo do qual
cortaram suas partes, onde se poderia observar o dedo laser e os
pacientes aparecem com o corte na pele já realizado e as posteriores
manipulações de Laporga na região se vêem completas.
15
- Também se suspeita da conduta dos promotores e do próprio Laporga, de
não facilitar nenhuma investigação científica sobre sua forma de operar
e sobre os efeitos terapêuticos reais de seus pacientes, e inclusive
pondo obstáculos às tentativas de investigação.
Conclusões
Poderíamos
seguir mencionando outros elementos de juízo mas fariam demasiado
extenso este relatório. Em nossa opinião é muito possível que no
momento que Laporga dá esse brusco movimento ao dedo da outra pessoa,
desprenda-se uma substância ou elemento muito pequeno (não visível a
simples vista) que precisa sair disparado com a velocidade necessária e
à distância adequada para que ao impactar sobre a pele, possa produzir
um corte Qual é esse elemento? É líquido ou sólido? Não temos essas
respostas já que não nos permitiram filmar o dedo laser em ação, o que
nos teria permitido observar em câmara lenta o comportamento desse
elemento, que nós supomos que existe.
Antes
de terminar, queremos mencionar que enviamos a muitas países centos de
cartas dirigidas a diferentes profissionais (médicos, psicólogos,
parapsicólogos, ilusionistas, etc.) perguntando-lhes -que explicação
ofereciam ao efeito do "dedo laser" , e absolutamente nenhum pôde expor
uma explicação adequada, conquanto muitos propunham a possibilidade de
que Laporga realmente -tivesse uma faculdade ou habilidade sobrenatural
ou parapsicológica- não sabemos como poderia dar-se a manipulação
enganosa
Esperamos
que esta investigação sirva para fomentar novas opiniões sobre o tema
ou para confirmar nossas hipóteses e prevenir com elas a milhares de
pacientes e médicos.
REFERENCIAS
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González-Quevedo, O. (1977) Los Curanderos. Sal Terrae: Santander
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