McConnell, R. (1992). Os inimigos da parapsicología. Revista Argentina de Pesquisa Paranormal, 3(1) , (pp. 7-19).
Traduzido do espanhol por Vitor Moura ( Tabien disponible en español )
Robert McConnell
Os Inimigos Identificados
Para
minimizar a controvérsia falarei muito cuidadosamente começando com
duas definições para que deste modo vocês saibam de quem e do que estou
falando. Por "parapsicologia" entendo o estudo científico do psíquico e
dos fenômenos psi. Por "inimigos da parapsicologia" entendo aquelas
pessoas, às vezes amistosas e geralmente bem intencionadas cujas ações
desencorajam o financiamento da investigação parapsicológica, porque
não creio que hoje existam obstáculos para o entendimento progressivo
dos fenômenos psi exceto a falta de dinheiro. A meu juízo provamos que
o fenômeno psi existe, e nas últimas duas décadas descobrimos como
fazer a investigação básica acumulativa.
Os
inimigos da parapsicologia, no meu entender, podem dividir-se em dois
tipos: (1) aqueles que negam que a evidência de psi é decisiva, e (2)
aqueles que aceitam a realidade de psi e querem utilizá-la com fins
práticos, com muito pouco interesse para nossa falta de entendimento
científico.
Antes
de começar a parte polêmica de meu relatório, mencionarei os nomes dos
grupos que considero inimigos da parapsicologia. No primeiro grupo
estão os membros do conselho executivo do Comitê para a Investigação
Científica dos Supostos Fenômenos Paranormais, também conhecido sob a
sigla CSICOP. Esta organização, que se auto-define como "comitê para a
investigação científica", é atualmente uma organização sem fins de
lucro, uma corporação comprometida na defesa e não na investigação
científica. Sua eficácia publicitária esta amplamente respaldada por
seus 52 membros entre os quais se encontram alguns dos mais conhecidos
cientistas de nosso tempo, tais como Carl Sagan, B.F.Skinner e dois
prêmios Nobel: F.H.C.Crick e Murray Gell-Mann. Os líderes do CSICOP
conduzem a conclusões errôneas a seus patrocinadores, bem como também
ao público culto, que confunde a parapsicologia com a crendice popular
(2).
CONTRA-ESTRATEGIA
A melhor forma que os parapsicólogos têm de
responder à propaganda do CSICOP pode ser de duas maneiras: (1)
apresentando a noção de que a crendice é a tentativa de gente ignorante
de atribuir a fatos terríveis o que eles não podem compreender e (2)
explicar que os parapsicólogos encontraram uma importante realidade
subjacente nas crenças paranormais ocultas. Assim, este labor traz o
equilíbrio harmônico entre a ciência e o público porque explora no
nível básico certos fenômenos naturais que dão origem às crendices
populares.
A
gente comum que repetidamente experimenta em si mesma ou em amigos
íntimos a percepção extra-sensorial, só podem perder a confiança em
seus líderes científicos porque lhes dizem de que a PES é impossível. Por suposto, há muitas outras áreas da ciência e a teonologia que estão alinhadas e não são científicas.
Isto atinge desde a psiquiatria na Suprema Corte até a contaminação
química ou radioativa do médio ambiente. No entanto, entre todas estas
separações, as pretensões de ciência e a realidade da experiência, os
fenômenos psíquicos ocupam um lugar singular, e deles nascem as crenças
básicas a respeito de nós mesmos no universo.
Estima-se
que mais de três quartos de todos os americanos têm crenças ocultas de
algum tipo. Muitos destes crentes pertencem a um status sócio-econômico
alto. Pense que, por exemplo, a esposa do Presidente dos Estados Unidos
assegurou publicamente que ela orienta a agenda do presidente pelos
conselhos de uma astróloga e não vejo nada de mau em isso. Com a
epidemia de ocultismo, será difícil corrigir as crenças ocultas de
pessoas neófitas. Se nossos líderes científicos não podem fazer uma
distinção entre astrologia popular e um laboratório de percepção
extra-sensorial.
Se
alguém admite a possibilidade de que psi se manifeste, nós não podemos
ser convencidos de que psi é um fator importante para a gente neófita
em ciência. Se psi é débil e difícil de controlar em laboratório,
quanto mais se isto ocorre espontaneamente? Agradaria-me propor uma resposta urgente a esta pergunta.
Por
um lado, estamos de acordo em que os cientistas raramente têm
experiências espontâneas de psi. Em meu caso, por exemplo, recordo ter
experimentado um fenômeno de PES somente uma vez em minha vida, e foi
um fato mal notável e muito trivial.
Pelo
contrário, depois de quarenta anos de conversar com pessoas que vieram
a mim assustadas ou molestadas por causa de suas próprias faculdades
psíquicas, inclino-me a crer que o caso espontâneo de psi tem um lugar
comum entre a gente menos crítica de nossa sociedade. Em conseqüência,
suspeito que os cientistas que negam que o fenômeno psi contribua de
forma significativa à sempre crescente brecha entre essa pequena
minoria que crê que sua visão da realidade está baseada no racional e
que uma vasta maioria de nossos cidadãos não podem distinguir entre o
racional e o irracional e conhecem só a realidade da experiência.
Tenho
algo mais do que dizer a respeito da realidade da experiência. Pelo
momento, no entanto, desejo tão só reconhecer que não explicamos esta
aparente diferença entre idealistas e os materialistas quanto à
experiência de psi. Agradaria aos científicos crer que esta diferença é
simplesmente um assunto para enganar-se a si mesmo, aos cientistas e ao
público profano? No entanto poderia ser verdade que os cientistas
atualmente experimentem muitas situações de PES e que sua formação
profissional os leve a ignorar. Seja o que seja, pode ser uma diferença
genérica a habilidade psi do hemisfério cerebral que enfatiza o
pensamento científico e o hemisfério que governa os sentimentos.
Se
devemos colocar a culpa a alguém pela persistência do antagonismo entre
os idealistas e os materialistas com respeito à realidade de psi, isto
recai sobre os cientistas. De um modo ou de outro, individualmente
aderem à vontade de uma crença religiosa revelada divinamente os
cientistas que quase sem exceção recusaram a aplicar os métodos da
ciência em relação à consciência com o mundo físico.
Se alguém não acredita na realidade de psi, estes tipos de temas serão considerados como uma fantasia. Mas se psi existe, eles aparecerão como necessários para nossa visão de mundo.
Meu ponto de vista é simples: Muitas coisas dependem desta pergunta
existe psi? Esta é a época em que a ortodoxia científica deveria
enfrentar esta questão com honestidade. Os cientistas a quem lhes
preocupa o antagonismo popular para a ciência poderiam fazer bem
apressando o financiamento da investigação parapsicológica para que
desta forma o público possa saber que é o real e que o irreal, e assim
a fé da gente não sofrerá a perspicácia de nossos líderes científicos.
MAS INIMIGOS AMISTOSOS
Em
quase a mesma classe de inimigos como os líderes do CSICOP, poria
àqueles membros da Parapsychological Association (PA) que se encontram
a si mesmos incapazes de fazer uma avaliação cabal da evidência do
fenômeno psi. Eles estão de acordo em afirmar que se manifesta uma
anomalia prevista mas inexplicada sob condições específicas de
laboratório, mesmo assim, dizem que a evidência não é suficiente. Se,
depois de cem anos de investigação neste campo, eminentes
parapsicólogos, por qualquer razão que seja, começam a dizer que não
sabem se o fenômeno psi existe, quem pode culpar ao neófito
desinformado por recusar a parapsicologia e coloca-la à margem da
investigação científica?, que por suposto, é onde muitos parapsicólogos
queriam deixá-la.
A
segunda classe de inimigos da parapsicologia são aquelas pessoas que
aplicam os fenômenos psi para fazê-los seu modo de vida. Refiro-me aos sanadores pela
fé, detetives psíquicos, e futurólogos que anunciam seus serviços.
Estes inimigos pretendem ganhar espaço na mídia e competir com a
parapsicologia para favorecer-se economicamente enquanto originam
severas críticas sobre nossa disciplina por parte de nossos líderes
científicos os quais por falta de interesse, são incapazes de
distinguir entre investigação científica e aplicação pré-paradigmática.
Unido
a esta classe de inimigos, mencionaria aos diretores de fundações ou
filantropos que sustentam economicamente projetos parapsicológicos
aplicados sem um conhecimento cabal de ciência e insensíveis aos
evidentes envolvimentos experimentais que nós já aprendemos em
parapsicologia. Falarei depois a respeito da mútua importância da
investigação pura e aplicada em parapsicologia. Não obstante, primeiro
apresentaram o tema da prova correta do fenômeno psi.
A NATUREZA DA PROVA CIENTIFICA
Psi
é uma anomalia desconhecida em nossa cosmo-visão normalmente dominante.
Mas psi é algo mais do que uma observação anômala, é um fenômeno
manifesto e operacionalmente definível. Psi é um processo o qual a
consciência recolhe informação diretamente, ou exerce uma força fora do
corpo humano sem o uso dos mecanismos sensório-motores corporais.
Não
se pode por lógica provar a aparição de um fenômeno anômalo,
operacionalmente definido. Mais especificamente, não se pode nunca
provar logicamente uma contra-explicação, baseada em princípios
conhecidos inexistentes para qualquer experimento que aparentemente
revele psi. Resumindo, não se pode logicamente provar sua
não-existência. Dado que não podemos oferecer a existência de psi por
lógica, não se encontrará um experimento perfeito na literatura, agora
ou em qualquer outro momento no futuro.
Não
obstante, eles estarão de acordo em desqualificar a informação que
prova que psi existe, alguns parapsicólogos e a maioria dos críticos da
parapsicologia exigem o impossível: o experimento perfeito. Ou, se não
é absolutamente perfeito, deve ser ao menos, "repetível a vontade".
"Repetível a vontade" acaba na idéia de "predictibilidade", mas não se
pode ter a primeira sem a última. Em ciência, a predictibilidade
normalmente requer ou implica "teoria", e a "teoria" é uma forma de
"entendimento".
Então
temos quatro leves diferenças, mas em algumas circunstâncias mais ou
menos equivalentes, as frases: "repetível a vontade",
"predictibilidade", "teoria" e "entendimento".
Não
se precisam nenhuma destas quatro condições para provar a existência de
um fenômeno. Os astrônomos não as tiveram para compreender uma
supernova e estar seguros de que elas existem. Tudo o que se precisou
foi uma boa observação.
A OBSERVAÇÃO DE ESP
Como
podemos saber quando há uma observação cabal para estabelecer a
realidade de um fenômeno? Na astronomia isto não é uma questão de
lógica, senão uma matéria de conhecimento ético. Igualmente a PES,
existiram casos espontâneos observados através da história entre etnias
e culturas, e que se recolhem até hoje ainda. Incluem-se os casos tanto
de psíquicos famosos como de gente comum. Seria anticientífico ignorar
esta evidência. Ademais, por inferência estatística temos razões para
crer que a muita gente lhe sucedem fenômenos de ESP de pouca
intensidade, ao menos, várias vezes ao mês. Estes acontecimentos podem
ser identificados com a segurança de que aqueles casos incomuns, de
alguma maneira, giram sobre si mesmos, e que a coincidência não é uma
contra-hipótese razoável quando conspiram circunstâncias acidentais
para eliminar a inferência lógica como uma explicação.
Os
mais recentes registros históricos espontâneos de psi dão um caso firme
em primeira mão firme de sua realidade. Não obstante, pode-se desculpar
aos céticos se a matéria se detém aí, bem como no passado se fundou em
Inglaterra a Society for Psychical Research. Nos últimos cem anos e
especialmente nos últimos cinqüenta, observamos no laboratório a
percepção extra-sensorial de símbolos em cartas e imagens ocultas a
distância e de pensamentos existentes só na consciência de alguém.
Detectamos a PES em pessoas em estado de vigília, ou em transe
hipnótico ou dissociado, em estado de Ganzfeld, ou em sonhos.
Encontramos evidências da PES sem distinção de sexo, idade,
inteligência, raça ou saúde mental.
Teve
mais de mil experimentos publicados em publicações especializadas
alguns deles tão cuidadosamente realizados como sendo ridiculamente
meticulosos (Honorton, 1987; McConnell, 1983b; McConnell & Clark,
1987). Demonstrou-se por meta-análises nos últimos cinco anos que todas
as pontuações exitosas nos experimentos psi não podem ser explicados
pela seleção de resultados favoráveis para sua publicação e que o
sucesso está estatisticamente desconectado da qualidade do experimento.
Tomados
em forma separada, qualquer observação da PES pode contribuir pouco à
prova definitiva. Tomados juntos, a totalidade das observações é, a meu
juízo, contundente. Creio que chegará o dia em que, olhando para atrás,
os historiadores se perguntem, como poderiam os cientistas do século XX
ter sido tão cegos para recusar a psi?
PROBABILIDADES CONTRABALANCEADAS
Uma
questão crucial é, por suposto, como pode uma multidão de observações
desconectadas umas de outras ser combinadas como para dizer se psi se
manifesta? Faz muitos anos esbocei uma resposta conceitual a esta
pergunta (McConnell, 1977). Minhas idéias não foram particularmente
originais, mas foram cuidadosamente organizadas, e nunca foram
debatidas. Minha linha de argumentação brevemente resumida é que para
decidir se um fenômeno como a PES é real, alguém deve formular
subjetivamente, comparar e eleger entre duas possibilidades
independentemente opostas, uma das quais parecem dizer que a PES
existe, enquanto outra a nega.
Para
cada uma das observações de um suposto fenômeno psíquico como a PES
devemos estimar uma probabilidade subjetiva de que a observação foi o
resultado da casualidade e/ou um erro de observação. De acordo a esta
suposição, devemos pôr a um lado todas as crenças quanto a que seja ou
não seja a PES o que se manifesta. Para um laboratório experimental
esta probabilidade contra-explicativa subjetiva (PCES) pode ser
considerada como a probabilidade aleatória comum de hipótese nula, mais
do que probabilidades estimadas de fraude ou erros involuntários
qualquer tipo. Por exemplo, se julgamos um experimento que foi bem
feito por um experimentador confiável, podemos chegar a uma PCES tão
extensa como um em dez, ainda pensando que a probabilidade aleatória
calculada foi tão pequena como um em dez mil.
Por
isto, uma probabilidade contra-explicativa de um em dez por um
experimento único não é de grande interesse. No entanto, quando tais
probabilidades são multiplicadas juntas por observações todas
independentes, a resultante sobre toda probabilidade subjetiva pode ser
sumamente de pouco valor. Esta probabilidade que inclui tudo, poderia
ser considerada como uma aposta desigual alternativa que favorece à PES
baseada em toda evidência direta. Esta é a primeira das duas
probabilidades que devem ser provadas uma contra outra.
Por
suposto, ademais se deve tomar em consideração a evidência indireta.
Isto pode ser representado por uma segunda probabilidade, a
"probabilidade subjetiva antecedente" (PSA), isto é, que a PES poderia
ser um fenômeno real. Esta segunda probabilidade é anterior no sentido
de que está derivado de uma experiência e crença generalizada,
incluindo a exposição de um às opiniões dos outros, mais do que o
estudo pós-hoc do fenômeno. Entre a gente culta de nossa sociedade, a
probabilidade antecedente da PES é, por regra geral, absolutamente
pequena, porque está baseada em duas coisas: (1) as opiniões geralmente
adversas dos cientistas que não estudaram em sua maioria a evidência
(McConnell & Clark, 1991), e (2) as especulações a respeito da
natureza da PES que não estão sustentadas pela evidência experimental.
Caso se adote uma opinião negativa entre os cientistas e caso se tenha
expectativas fantasiosas de como se manifesta a PES se chega a ocorrer,
alguém pode reivindicar uma probabilidade subjetiva antecedente
desvanecida pela realidade da PES. Isto poderia considerar-se como uma
aposta alternativa desigual contra a PES baseada numa evidência
indireta.
Por
comparação, a probabilidade subjetiva contra-explicativa e a
probabilidade subjetiva antecedente, podem formular-se como uma decisão
subjetiva quanto à realidade da PES. Esta não é uma decisão lógica,
senão bem mais o critério prático do que cada um faz todos os dias em
nossas vidas. Quero enfatizar que a pressão desta probabilidade
contra-balanceada é algo que nós fazemos cada vez que elegemos qualquer
ação e que nossa sorte e nossas vidas com freqüência dependem disso.
Pelo contrário, só os teólogos e matemáticos dependem de provas lógicas
e suas conclusões implicam sempre a origem de suas especulações.
Este
é um fato raro que muito poucos cientistas competentes utilizaram: a
probabilidade contra-balanceada próxima à parapsicologia. É estranho
porque só a existência destas duas pequenas probabilidades
contraditórias merecem ser atendidas. Se um exame fora amplamente
compreendido usando os princípios precitados, creio que os cientistas
geralmente encontrariam a si mesmos de acordo, de que ambas, tanto a
PES como a PK, foram demonstradas dentro da estrutura tecnológica da
ciência Ocidental. Não podemos esperar que os cientistas céticos se
sentem e estimem numericamente probabilidades intuitivas. Não é esta a
forma do trabalho científico. O que se poderia esperar é que todos os
verdadeiros cientistas considerariam à parapsicologia com mente aberta,
tendo em vista o fato que não sabemos nada a respeito da consciência
como uma propriedade da matéria física, e que a mecânica quântica está
ensinando-nos que não podemos confiar na intuição para dizer-nos os
limites da realidade. Ademais, esperaria dos verdadeiros cientistas negar um critério sobre as impressões as quais poderiam ter tirado vantagem de extremos tais como o Professor McConnell e os líderes do CSICOP.
Isto
é em grande parte o que podemos esperar de todos os cientistas. Minha
esperança para a maioria dos poucos cientistas que se perguntaram com
curiosidade a respeito do papel da consciência no universo, e não estão
abrumados pela necessidade de publicar ou perecer em sua própria
especialidade, e que foram competentes em física elementar, psicologia
e estatísticas. Tenho a esperança de que estes poucos cientistas
observariam primeiro a cuidadosa seleção de relatórios originais numa
rápida revisão das publicações parapsicológicas e então motivados por
suas apreensivas imaginações, observariam o extenso campo da evidência,
e tempo depois formar um juízo subjetivo relacionado com a provável
realidade do fenômeno psi (3).
Este
é o método de avaliação que utilizei faz quarenta anos atrás quando
apostei minha carreira profissional na proposta de que, além de toda
dúvida razoável, o fenômeno psi existe.
INVESTIGAÇÃO PURA CONTRA INVESTIGAÇÃO APLICADA
Prometi
anteriormente discutir a relativa necessidade da investigação pura e
aplicada em parapsicologia. Permitam-me dizer para começar que não me
oponho a procurar as aplicações práticas imediatas de psi. A questão é
a importante relação destes dois tipos de investigação e sua
inter-relação. Para aclarar esta apresentação, me permitam voltar a
outro tema.
Antes
que aparecesse a ciência da Química, os médicos durante milhares de
anos praticavam a medicina com certo grau de sucesso. Não obstante, o
que sucedeu no último século neste campo tem diminuído em importância
todo o anterior, singelamente porque a experimentação básica nos deu um
entendimento da ciência.
Uma
situação comparável existe com respeito aos fenômenos psíquicos.
Através dos tempos, os sujeitos psíquicos ofereceram inspiração e
assistência prática aos seres humanos. No entanto, depois de milênios
de aplicação de psi, não sabemos nada a respeito destes fenômenos além
de sua existência. Ademais, os ensinos éticos de Cristo e outros
célebres psíquicos não são em absoluto tidos em conta pela elite
governamental do Ocidente baseado nas numerosas contradições das
religiões e sua falta de base científica. A necessidade de compreender
melhor a natureza do homem não foi nunca maior que hoje em dia, mas, se
cremos que a busca direta de um benefício clínico do efeito psi nos
dirigirá a um controle confiável e à aceitação cultural, penso que
estamos enganando a nós mesmos.
A
busca da aplicação de psi pode, no entanto, ser útil se assinalar o
caminho para a investigação básica. Não obstante, se isto é levado a
cabo como uma disciplina na tradição da ciência Ocidental, poderia
produzir certo nível de entendimento empírico. Mesmo assim, a
investigação empírica como força bruta em ciência é reconhecida como
incerta e dolorosamente lenta.
ESPECULAÇÕES
Para
finalizar, darei minha própria visão do papel da parapsicologia
experimental tal como poderia influir no futuro. Limitarei-me
principalmente ao tema da cura e a saúde.
Do
estudo da literatura chega a ser evidente para mim faz cerca de uma
década atrás, que a consciência pode influir o corpo através da PK.
Para alguns parapsicólogos isto foi evidente por muito tempo enquanto
para outros não foi evidente em absoluto. Ademais, não só pode cada um
de nós influir sobre nosso próprio corpo desta forma, senão que algumas
pessoas que têm um dom especial para a cura podem influir em forma
significativa o corpo de outra pessoa diretamente pela oração, ou
sugestão ou qualquer outro termo com o que você queira denominá-lo.
Para
terminar, oferecerei seis especulações de cuja veracidade estou mais ou
menos convicto, e que poderiam chegar a ser verificados depois de uma
maior investigação.
1-
Estou convicto pelos experimentos publicados na literatura, que a
psicocinésia é a essência da hipnose, e o que os teólogos chamam
"oração" é atualmente a PK (McConnell, 1983a, pp.154-177).
2-
Não tenho dúvida que no futuro, bem como hoje, umas poucas pessoas
fazendo uso da PK experimentarão dramáticas curas por eles mesmos ou
com a ajuda de outros, mas a prova do efeito placebo sugere que estes
efeitos benéficos só serão aproveitados por acaso e sera assim somente
para uma minoria, a não ser que obtenhamos um entendimento básico da
ciência dos fenômenos mentais subjacentes.
3-
Suponho que a cura por auto-hipnose é um processo normal, mas que a
cura de outra pessoa por hipnose, como a "imposição de mãos" sem
contato, é anormal num sentido evolutivo. No mesmo caminho, deduzo que
um dos desafios para o futuro da parapsicologia seria desenvolver
técnicas pelas quais cada um de nós possa aceitar tais influências
psicocinéticas externas como desejemos e possamos recusar ou
defender-nos nós mesmos contra intenções daninhas de terceiros.
4-
Desde que acredito na realidade da PK, penso quase com certeza que há
um componente psi que os cientistas ortodoxos prudentemente o chamam
"medicina da conduta". A Psico-neuro-inunologia tem algo a ver com o
mecanismo mente-cérebro da cura. O acompanhante da inter-relação
consciência-cérebro é de importância para a parapsicologia (Braud,
1990; McConnell, 1987b, 1987c).
5-
Recomendaria que consideremos a possibilidade da importância técnica da
parapsicologia deriva do fato de que está dedicado ao estudo da
psicocinese e a PES fora do corpo, onde alguém pode esperar separar as
variáveis e realizar experimentos simples. Para descobrir a natureza
científica de psi que ocorre dentro do corpo humano.
6-
E finalmente, não estou só quando espero que o grande benefício social
algum dia sobrevirá por parte dos parapsicólogos: quem somos? Nossos
limites individuais se estendem em algum lugar além de nossa pele? Como
nos relacionaremos com nossos semelhantes que relacionando-nos uns com
os outros?
NOTAS
1-
Conferência convidada à 33ra. Convenção Anual da Parapsychological
Association (PA) realizada em Chevy Chase, Maryland, a 18 de Agosto de
1990. É uma mostra das condições pré-paradigmáticas no campo da
parapsicologia que imediatamente depois de sua deliberação oral este
relatório foi entusiasticamente aceitado para sua publicação pelo
editor do Journal of Parapsychology, mas depois de uma consulta com
seus colegas, decidiu-se que a palavra "inimigo" é "demasiado dura para
uma publicação científica" e se mudaria o título e o texto. Este
relatório está publicado tal como foi lido, com o agregado de notas a
pé de página e referências.
2-
McConnell, 1987a. O recente estudo realizado pelo National Research
Council (Capítulo 9 em Druckman e Swets, 1988) foi um amplo relatório
de dois membros do Conselho Diretivo do CSICOP. Ver Palmer, Honorton e
Utts (1989) e McConnell e Clark (1991).
3-
Alguns trabalhos parapsicológicos publicados desde 1980 que seria de
interesse para os cientistas céticos são: Alcock (1987); Braud (1990);
Braud e Schlitz (1990); Dunne, Nelson e Jahn (1988); Honorton (1985,
1987); Honorton et ao.(1989); Honorton e Ferrari (1989); Honorton,
Ferrari e Bem (1990); Hyman e Honorton (1986); Jahn (1982); Jahn e
Dunne (1986); May, Humprhey e Hubbard (1980); McConnell (1983b, 1989);
McConnell e Clark (1987, 1990); Radin e Ferrari (1990); Radin e Nelson
(1989); Rao e Palmer (1987); Schlitz e Gruber (1980, 1981); Schmidt
(1981); Schmidt, Morris, and Rudolph (1986). Included
here are papers by Alcock and Hyman, two of the most virulent critics
of parapsychology in modem times. Papers listed with an asterisk after
the date are meta-analyses especially useful for surveying the field.
Regarding meta-analyses in geral, see Rosenthal (1986). Another 24
papers of substantial evidential significance published between 1965
and 1979 have been listed by McConnell (1983a, pp. 311-323).
REFERENCIAS
Alcock,
J. E. (1987). Parapsychology: Science of the anomalous or search for
the soul? Behavioral and Brain Sciences, 10, 553-565.
Braud,
W. G. (1990). Distant mental influence on rate of hemolysis of human
red blood cells. Journal of the American Societyfor Psychical Research,
84, 1-24.
Braud,
W. G., & Schlitz, M. (1989). A methodology for the objective study
of transpersonal imagery. Journal of Scientiftc Exploration, 3, 43-63.
Druckman, D., & Swets, J. A. (Eds.) (1988). Enhancing Human Performance. Washington, D.C.: National Academy Press.
Dunne,
B. J., Nelson, R. D., & Jahn, R. G. (1988). Operator-related
anomalies in a random mechanical cascade. Journal of Scientific
Exploration, 2, 155-179.
Honorton, C. (1985). Meta-analysis of psi Ganzfeld research: A response to Hyman. Journal of Parapsychology, 49, 51-91.
Honorton,
C. (1987). Precognition and real-time ESP performance in a computer
task with an exceptional subject. Journal of Parapsychology, 51,
291-320.
Honorton,
C., Berger, R. E., Varvoglis, M. P., Quant, M., Derr, P., Schechter, E.
I., & Ferrari, D. C. (1990). Psi conununication in the Ganzfeld:
Experiments with an automated testing system and a comparison with a
meta-analysis of earlier studies. Journal of Parapsychology (in press).
Honorton,
C., & Ferrari, D. C. (1989). "Future telling": A meta-analysis of
forced-choice precognition experiments, 1935-1987. Journal of
Parapsychology, 53, 281-308.
Honorton, C., Ferrari, D. C., Bem, D. (1990). Extraversion
and ESP performance: A meta-analysis and a new confirmation.
Proceedings of the Presented Papers of the Parapsychological
Association 33rd. Annual Convention (pp.136-170).
Hyrnan, R., & Honorton, C. (1986). A joint communique: The psi Ganzfeld controversy. Journal of Parapsychology, 50,351-364.
Jahn,
R. G. (1982). The persistent paradox of psychic phenomena: An
engineering perspective. Proceedings of the Institute of Electrical and
Electronics Engineers, 70, 136-170.
Jahn,
R. G., & Dunne, B. J. (1986). On the quantum mechanics of
consciousness, with application to anomalous phenomena. Foundations of
Physics, 16, 721-772.
May,
E. C., Humphrey, B. S., & Hubbard, G. S. (1980). Electronic System
Perturbation Techniques. (Final Report, 30 September 1980). Menlo Park,
California: SRI International.
McConnell, R. A. (1977). The resolution of conflicting beliefs about the ESP evidence. Journal of Parapsychology, 41, 198-214. (Reimpreso como el Capítulo 16 en R. A. McConnell [Ed.) Encounters with Parapsychology. Pittsburgh, PA: Editor, 1982.)
McConnell, R. A. (1983a). Introduction to Parapsychology in the Context of Science. Pittsburgh, PA: Author.
McConnell,
R. A. (1983b). Wishing with dice revisited. En R. A. McConnell (Ed.),
Parapsychology and Self-Deception in Science (pp. 29-53). Pittsburgh,
PA: Editor.
McConnell,
R. A. (1987a). Forces of darkness. En R. A. McConnell (Ed.),
Parapsychology in Retrospect: My Search for the Unicorn (pp. 180-206).
Pittsburgh, PA: Editor.
McConnell,
R. A. (1987b). Unintended psychokinesis. En R. A. McConnell (Ed.),
Parapsychology in Retrospect: My Search for the Unicorn (pp. 95-105).
Pittsburgh, PA: Editor.
McConnell,
R. A. (1987c). Self-psychokinesis. En R. A. McConnell (Ed.)
Parapsychology in Retrospect:My Search for the Unicorn (pp. 106-121).
Pittsburgh, PA: Editor.
McConnell, R. A. (1989). Psychokinetic data structure. Journal of the American Society for Psychical Research, 83, 217-226.
McConnell,
R. A., & Clark, T.K. (1991). National Academy of Sciences opinion
on parapsychology. Journal of the American Society for Psychical
Research, (in press).
Palmer,
J.A., Honorton, C., & Utts, J. (1989). Reply to the National
Research Council study on parapsychology. Journal of the American
Society for Psychical Research, 83, 31-49.
Radin,
D. 1. (1988). Effects of a priori probability on psi perception: Does
precognition predict actual or probable futures? Journal of
Parapsychology, 52, 187-212.
Radin, D. I. (1990). Testing the plausibility of psi-mediated computer system failures. Journal of Parapsychology, 54, 1-20.
Radin, D. I., & Ferrari, D. C. (1990). Effects
of consciousness on the fall of dice: A meta-analysis. Proceedings of
the Presented Papers of the Parapsychological Association 33rd Annual
Convention, (pp. 256-272).
Radin,
D. I., & Nelson, R. D., (1989). Evidence for consciousness-related
anomalies in random physical systems. Foundations of Physics, 19,
1499-1514.
Radin,
D. & Utts, J. (1989). Experiments investigating the influence of
intention on random and pseudo-random events. Journal of Scientific
Exploration, 3, 65-79.
Rao,
K. R., & Palmer, J. (1987). The anomaly called psi: Recent research
and criticism. Behavioral and Brain Sciences, 10, 539-551.
Rosenthal,
Robert (1986). Meta-analytic procedures and the nature of replication:
The Ganzfeld debate. Journal of Parapsychology, 50, 315-336.
Schlitz, M. & Gruber, E. (1980). Transcontinental remote viewing. Journal of Parapsychology, 44, 305-317.
Schlitz, M. & Gruber, E. (1981). Transcontinental remote viewing: A rejudging. Journal of Parapsychology, 45, 233-237.
Schmidt, H. (1981). PK tests with pre-recorded and preinspected seed numbers. Journal of Parapsychology, 45, 87-98.
Schmidt, H. (1985). Addition effects for PK on prerecorded targets. Journal of Parapsychology, 49, 229-244.
Schmidt,
H., Morris, R., & Rudolph, L. (1986). Channeling evidence for a PK
effect to independent observers. Journal of Parapsychology, 50, 1-15. |