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Os inimigos da Parapsicologia PDF Imprimir E-Mail
escrito por Administrator   
domingo, 03 de julho de 2005
McConnell, R. (1992). Os inimigos da parapsicología. Revista Argentina de Pesquisa Paranormal, 3(1) , (pp. 7-19).

Traduzido do espanhol por Vitor Moura
( Tabien disponible en español )

Robert McConnell

Os Inimigos Identificados

 

Para minimizar a controvérsia falarei muito cuidadosamente começando com duas definições para que deste modo vocês saibam de quem e do que estou falando. Por "parapsicologia" entendo o estudo científico do psíquico e dos fenômenos psi. Por "inimigos da parapsicologia" entendo aquelas pessoas, às vezes amistosas e geralmente bem intencionadas cujas ações desencorajam o financiamento da investigação parapsicológica, porque não creio que hoje existam obstáculos para o entendimento progressivo dos fenômenos psi exceto a falta de dinheiro. A meu juízo provamos que o fenômeno psi existe, e nas últimas duas décadas descobrimos como fazer a investigação básica acumulativa.

 

Os inimigos da parapsicologia, no meu entender, podem dividir-se em dois tipos: (1) aqueles que negam que a evidência de psi é decisiva, e (2) aqueles que aceitam a realidade de psi e querem utilizá-la com fins práticos, com muito pouco interesse para nossa falta de entendimento científico.

Antes de começar a parte polêmica de meu relatório, mencionarei os nomes dos grupos que considero inimigos da parapsicologia. No primeiro grupo estão os membros do conselho executivo do Comitê para a Investigação Científica dos Supostos Fenômenos Paranormais, também conhecido sob a sigla CSICOP. Esta organização, que se auto-define como "comitê para a investigação científica", é atualmente uma organização sem fins de lucro, uma corporação comprometida na defesa e não na investigação científica. Sua eficácia publicitária esta amplamente respaldada por seus 52 membros entre os quais se encontram alguns dos mais conhecidos cientistas de nosso tempo, tais como Carl Sagan, B.F.Skinner e dois prêmios Nobel: F.H.C.Crick e Murray Gell-Mann. Os líderes do CSICOP conduzem a conclusões errôneas a seus patrocinadores, bem como também ao público culto, que confunde a parapsicologia com a crendice popular (2).

 

CONTRA-ESTRATEGIA

 

A melhor forma que os parapsicólogos têm  de responder à propaganda do CSICOP pode ser de duas maneiras: (1) apresentando a noção de que a crendice é a tentativa de gente ignorante de atribuir a fatos terríveis o que eles não podem compreender e (2) explicar que os parapsicólogos encontraram uma importante realidade subjacente nas crenças paranormais ocultas. Assim, este labor traz o equilíbrio harmônico entre a ciência e o público porque explora no nível básico certos fenômenos naturais que dão origem às crendices populares.

 

A gente comum que repetidamente experimenta em si mesma ou em amigos íntimos a percepção extra-sensorial, só podem perder a confiança em seus líderes científicos porque lhes dizem de que a PES é impossível. Por suposto, há muitas outras áreas da ciência e a teonologia que estão alinhadas e não são científicas. Isto atinge desde a psiquiatria na Suprema Corte até a contaminação química ou radioativa do médio ambiente. No entanto, entre todas estas separações, as pretensões de ciência e a realidade da experiência, os fenômenos psíquicos ocupam um lugar singular, e deles nascem as crenças básicas a respeito de nós mesmos no universo.

 

Estima-se que mais de três quartos de todos os americanos têm crenças ocultas de algum tipo. Muitos destes crentes pertencem a um status sócio-econômico alto. Pense que, por exemplo, a esposa do Presidente dos Estados Unidos assegurou publicamente que ela orienta a agenda do presidente pelos conselhos de uma astróloga e não vejo nada de mau em isso. Com a epidemia de ocultismo, será difícil corrigir as crenças ocultas de pessoas neófitas. Se nossos líderes científicos não podem fazer uma distinção entre astrologia popular e um laboratório de percepção extra-sensorial.

 

Se alguém admite a possibilidade de que psi se manifeste, nós não podemos ser convencidos de que psi é um fator importante para a gente neófita em ciência. Se psi é débil e difícil de controlar em laboratório, quanto mais se isto ocorre espontaneamente? Agradaria-me propor uma resposta urgente a esta pergunta.

 

Por um lado, estamos de acordo em que os cientistas raramente têm experiências espontâneas de psi. Em meu caso, por exemplo, recordo ter experimentado um fenômeno de PES somente uma vez em minha vida, e foi um fato mal notável e muito trivial.

 

Pelo contrário, depois de quarenta anos de conversar com pessoas que vieram a mim assustadas ou molestadas por causa de suas próprias faculdades psíquicas, inclino-me a crer que o caso espontâneo de psi tem um lugar comum entre a gente menos crítica de nossa sociedade. Em conseqüência, suspeito que os cientistas que negam que o fenômeno psi contribua de forma significativa à sempre crescente brecha entre essa pequena minoria que crê que sua visão da realidade está baseada no racional e que uma vasta maioria de nossos cidadãos não podem distinguir entre o racional e o irracional e conhecem só a realidade da experiência.

 

Tenho algo mais do que dizer a respeito da realidade da experiência. Pelo momento, no entanto, desejo tão só reconhecer que não explicamos esta aparente diferença entre idealistas e os materialistas quanto à experiência de psi. Agradaria aos científicos crer que esta diferença é simplesmente um assunto para enganar-se a si mesmo, aos cientistas e ao público profano? No entanto poderia ser verdade que os cientistas atualmente experimentem muitas situações de PES e que sua formação profissional os leve a ignorar. Seja o que seja, pode ser uma diferença genérica a habilidade psi do hemisfério cerebral que enfatiza o pensamento científico e o hemisfério que governa os sentimentos.

 

Se devemos colocar a culpa a alguém pela persistência do antagonismo entre os idealistas e os materialistas com respeito à realidade de psi, isto recai sobre os cientistas. De um modo ou de outro, individualmente aderem à vontade de uma crença religiosa revelada divinamente os cientistas que quase sem exceção recusaram a aplicar os métodos da ciência em relação à consciência com o mundo físico.

 

Se alguém não acredita na realidade de psi, estes tipos de temas serão considerados como uma fantasia. Mas se psi existe, eles aparecerão como necessários para nossa visão de mundo. Meu ponto de vista é simples: Muitas coisas dependem desta pergunta existe psi? Esta é a época em que a ortodoxia científica deveria enfrentar esta questão com honestidade. Os cientistas a quem lhes preocupa o antagonismo popular para a ciência poderiam fazer bem apressando o financiamento da investigação parapsicológica para que desta forma o público possa saber que é o real e que o irreal, e assim a fé da gente não sofrerá a perspicácia de nossos líderes científicos.

 

MAS INIMIGOS AMISTOSOS

 

Em quase a mesma classe de inimigos como os líderes do CSICOP, poria àqueles membros da Parapsychological Association (PA) que se encontram a si mesmos incapazes de fazer uma avaliação cabal da evidência do fenômeno psi. Eles estão de acordo em afirmar que se manifesta uma anomalia prevista mas inexplicada sob condições específicas de laboratório, mesmo assim, dizem que a evidência não é suficiente. Se, depois de cem anos de investigação neste campo, eminentes parapsicólogos, por qualquer razão que seja, começam a dizer que não sabem se o fenômeno psi existe, quem pode culpar ao neófito desinformado por recusar a parapsicologia e coloca-la à margem da investigação científica?, que por suposto, é onde muitos parapsicólogos queriam deixá-la.

 

A segunda classe de inimigos da parapsicologia são aquelas pessoas que aplicam os fenômenos psi para fazê-los seu modo de vida. Refiro-me aos sanadores pela fé, detetives psíquicos, e futurólogos que anunciam seus serviços. Estes inimigos pretendem ganhar espaço na mídia e competir com a parapsicologia para favorecer-se economicamente enquanto originam severas críticas sobre nossa disciplina por parte de nossos líderes científicos os quais por falta de interesse, são incapazes de distinguir entre investigação científica e aplicação pré-paradigmática.

 

Unido a esta classe de inimigos, mencionaria aos diretores de fundações ou filantropos que sustentam economicamente projetos parapsicológicos aplicados sem um conhecimento cabal de ciência e insensíveis aos evidentes envolvimentos experimentais que nós já aprendemos em parapsicologia. Falarei depois a respeito da mútua importância da investigação pura e aplicada em parapsicologia. Não obstante, primeiro apresentaram o tema da prova correta do fenômeno psi.

 

A NATUREZA DA PROVA CIENTIFICA

 

Psi é uma anomalia desconhecida em nossa cosmo-visão normalmente dominante. Mas psi é algo mais do que uma observação anômala, é um fenômeno manifesto e operacionalmente definível. Psi é um processo o qual a consciência recolhe informação diretamente, ou exerce uma força fora do corpo humano sem o uso dos mecanismos sensório-motores corporais.

 

Não se pode por lógica provar a aparição de um fenômeno anômalo, operacionalmente definido. Mais especificamente, não se pode nunca provar logicamente uma contra-explicação, baseada em princípios conhecidos inexistentes para qualquer experimento que aparentemente revele psi. Resumindo, não se pode logicamente provar sua não-existência. Dado que não podemos oferecer a existência de psi por lógica, não se encontrará um experimento perfeito na literatura, agora ou em qualquer outro momento no futuro.

 

Não obstante, eles estarão de acordo em desqualificar a informação que prova que psi existe, alguns parapsicólogos e a maioria dos críticos da parapsicologia exigem o impossível: o experimento perfeito. Ou, se não é absolutamente perfeito, deve ser ao menos, "repetível a vontade". "Repetível a vontade" acaba na idéia de "predictibilidade", mas não se pode ter a primeira sem a última. Em ciência, a predictibilidade normalmente requer ou implica "teoria", e a "teoria" é uma forma de "entendimento".

 

Então temos quatro leves diferenças, mas em algumas circunstâncias mais ou menos equivalentes, as frases: "repetível a vontade", "predictibilidade", "teoria" e "entendimento".

 

Não se precisam nenhuma destas quatro condições para provar a existência de um fenômeno. Os astrônomos não as tiveram para compreender uma supernova e estar seguros de que elas existem. Tudo o que se precisou foi uma boa observação.

 

A OBSERVAÇÃO DE ESP

 

Como podemos saber quando há uma observação cabal para estabelecer a realidade de um fenômeno? Na astronomia isto não é uma questão de lógica, senão uma matéria de conhecimento ético. Igualmente a PES, existiram casos espontâneos observados através da história entre etnias e culturas, e que se recolhem até hoje ainda. Incluem-se os casos tanto de psíquicos famosos como de gente comum. Seria anticientífico ignorar esta evidência. Ademais, por inferência estatística temos razões para crer que a muita gente lhe sucedem fenômenos de ESP de pouca intensidade, ao menos, várias vezes ao mês. Estes acontecimentos podem ser identificados com a segurança de que aqueles casos incomuns, de alguma maneira, giram sobre si mesmos, e que a coincidência não é uma contra-hipótese razoável quando conspiram circunstâncias acidentais para eliminar a inferência lógica como uma explicação.

 

Os mais recentes registros históricos espontâneos de psi dão um caso firme em primeira mão firme de sua realidade. Não obstante, pode-se desculpar aos céticos se a matéria se detém aí, bem como no passado se fundou em Inglaterra a Society for Psychical Research. Nos últimos cem anos e especialmente nos últimos cinqüenta, observamos no laboratório a percepção extra-sensorial de símbolos em cartas e imagens ocultas a distância e de pensamentos existentes só na consciência de alguém. Detectamos a PES em pessoas em estado de vigília, ou em transe hipnótico ou dissociado, em estado de Ganzfeld, ou em sonhos. Encontramos evidências da PES sem distinção de sexo, idade, inteligência, raça ou saúde mental.

 

Teve mais de mil experimentos publicados em publicações especializadas alguns deles tão cuidadosamente realizados como sendo ridiculamente meticulosos (Honorton, 1987; McConnell, 1983b; McConnell & Clark, 1987). Demonstrou-se por meta-análises nos últimos cinco anos que todas as pontuações exitosas nos experimentos psi não podem ser explicados pela seleção de resultados favoráveis para sua publicação e que o sucesso está estatisticamente desconectado da qualidade do experimento.

 

Tomados em forma separada, qualquer observação da PES pode contribuir pouco à prova definitiva. Tomados juntos, a totalidade das observações é, a meu juízo, contundente. Creio que chegará o dia em que, olhando para atrás, os historiadores se perguntem, como poderiam os cientistas do século XX ter sido tão cegos para recusar a psi?

 

PROBABILIDADES CONTRABALANCEADAS

 

Uma questão crucial é, por suposto, como pode uma multidão de observações desconectadas umas de outras ser combinadas como para dizer se psi se manifesta? Faz muitos anos esbocei uma resposta conceitual a esta pergunta (McConnell, 1977). Minhas idéias não foram particularmente originais, mas foram cuidadosamente organizadas, e nunca foram debatidas. Minha linha de argumentação brevemente resumida é que para decidir se um fenômeno como a PES é real, alguém deve formular subjetivamente, comparar e eleger entre duas possibilidades independentemente opostas, uma das quais parecem dizer que a PES existe, enquanto outra a nega.

 

Para cada uma das observações de um suposto fenômeno psíquico como a PES devemos estimar uma probabilidade subjetiva de que a observação foi o resultado da casualidade e/ou um erro de observação. De acordo a esta suposição, devemos pôr a um lado todas as crenças quanto a que seja ou não seja a PES o que se manifesta. Para um laboratório experimental esta probabilidade contra-explicativa subjetiva (PCES) pode ser considerada como a probabilidade aleatória comum de hipótese nula, mais do que probabilidades estimadas de fraude ou erros involuntários qualquer tipo. Por exemplo, se julgamos um experimento que foi bem feito por um experimentador confiável, podemos chegar a uma PCES tão extensa como um em dez, ainda pensando que a probabilidade aleatória calculada foi tão pequena como um em dez mil.

 

Por isto, uma probabilidade contra-explicativa de um em dez por um experimento único não é de grande interesse. No entanto, quando tais probabilidades são multiplicadas juntas por observações todas independentes, a resultante sobre toda probabilidade subjetiva pode ser sumamente de pouco valor. Esta probabilidade que inclui tudo, poderia ser considerada como uma aposta desigual alternativa que favorece à PES baseada em toda evidência direta. Esta é a primeira das duas probabilidades que devem ser provadas uma contra outra.

 

Por suposto, ademais se deve tomar em consideração a evidência indireta. Isto pode ser representado por uma segunda probabilidade, a "probabilidade subjetiva antecedente" (PSA), isto é, que a PES poderia ser um fenômeno real. Esta segunda probabilidade é anterior no sentido de que está derivado de uma experiência e crença generalizada, incluindo a exposição de um às opiniões dos outros, mais do que o estudo pós-hoc do fenômeno. Entre a gente culta de nossa sociedade, a probabilidade antecedente da PES é, por regra geral, absolutamente pequena, porque está baseada em duas coisas: (1) as opiniões geralmente adversas dos cientistas que não estudaram em sua maioria a evidência (McConnell & Clark, 1991), e (2) as especulações a respeito da natureza da PES que não estão sustentadas pela evidência experimental. Caso se adote uma opinião negativa entre os cientistas e caso se tenha expectativas fantasiosas de como se manifesta a PES se chega a ocorrer, alguém pode reivindicar uma probabilidade subjetiva antecedente desvanecida pela realidade da PES. Isto poderia considerar-se como uma aposta alternativa desigual contra a PES baseada numa evidência indireta.

 

Por comparação, a probabilidade subjetiva contra-explicativa e a probabilidade subjetiva antecedente, podem formular-se como uma decisão subjetiva quanto à realidade da PES. Esta não é uma decisão lógica, senão bem mais o critério prático do que cada um faz todos os dias em nossas vidas. Quero enfatizar que a pressão desta probabilidade contra-balanceada é algo que nós fazemos cada vez que elegemos qualquer ação e que nossa sorte e nossas vidas com freqüência dependem disso. Pelo contrário, só os teólogos e matemáticos dependem de provas lógicas e suas conclusões implicam sempre a origem de suas especulações.

 

Este é um fato raro que muito poucos cientistas competentes utilizaram: a probabilidade contra-balanceada próxima à parapsicologia. É estranho porque só a existência destas duas pequenas probabilidades contraditórias merecem ser atendidas. Se um exame fora amplamente compreendido usando os princípios precitados, creio que os cientistas geralmente encontrariam a si mesmos de acordo, de que ambas, tanto a PES como a PK, foram demonstradas dentro da estrutura tecnológica da ciência Ocidental. Não podemos esperar que os cientistas céticos se sentem e estimem numericamente probabilidades intuitivas. Não é esta a forma do trabalho científico. O que se poderia esperar é que todos os verdadeiros cientistas considerariam à parapsicologia com mente aberta, tendo em vista o fato que não sabemos nada a respeito da consciência como uma propriedade da matéria física, e que a mecânica quântica está ensinando-nos que não podemos confiar na intuição para dizer-nos os limites da realidade. Ademais, esperaria dos verdadeiros cientistas negar um critério sobre as impressões as quais poderiam ter tirado vantagem de extremos tais como o Professor McConnell e os líderes do CSICOP.

 

Isto é em grande parte o que podemos esperar de todos os cientistas. Minha esperança para a maioria dos poucos cientistas que se perguntaram com curiosidade a respeito do papel da consciência no universo, e não estão abrumados pela necessidade de publicar ou perecer em sua própria especialidade, e que foram competentes em física elementar, psicologia e estatísticas. Tenho a esperança de que estes poucos cientistas observariam primeiro a cuidadosa seleção de relatórios originais numa rápida revisão das publicações parapsicológicas e então motivados por suas apreensivas imaginações, observariam o extenso campo da evidência, e tempo depois formar um juízo subjetivo relacionado com a provável realidade do fenômeno psi (3).

 

Este é o método de avaliação que utilizei faz quarenta anos atrás quando apostei minha carreira profissional na proposta de que, além de toda dúvida razoável, o fenômeno psi existe.

 

INVESTIGAÇÃO PURA CONTRA INVESTIGAÇÃO APLICADA

 

Prometi anteriormente discutir a relativa necessidade da investigação pura e aplicada em parapsicologia. Permitam-me dizer para começar que não me oponho a procurar as aplicações práticas imediatas de psi. A questão é a importante relação destes dois tipos de investigação e sua inter-relação. Para aclarar esta apresentação, me permitam voltar a outro tema.

 

Antes que aparecesse a ciência da Química, os médicos durante milhares de anos praticavam a medicina com certo grau de sucesso. Não obstante, o que sucedeu no último século neste campo tem diminuído em importância todo o anterior, singelamente porque a experimentação básica nos deu um entendimento da ciência.

 

Uma situação comparável existe com respeito aos fenômenos psíquicos. Através dos tempos, os sujeitos psíquicos ofereceram inspiração e assistência prática aos seres humanos. No entanto, depois de milênios de aplicação de psi, não sabemos nada a respeito destes fenômenos além de sua existência. Ademais, os ensinos éticos de Cristo e outros célebres psíquicos não são em absoluto tidos em conta pela elite governamental do Ocidente baseado nas numerosas contradições das religiões e sua falta de base científica. A necessidade de compreender melhor a natureza do homem não foi nunca maior que hoje em dia, mas, se cremos que a busca direta de um benefício clínico do efeito psi nos dirigirá a um controle confiável e à aceitação cultural, penso que estamos enganando a nós mesmos.

 

A busca da aplicação de psi pode, no entanto, ser útil se assinalar o caminho para a investigação básica. Não obstante, se isto é levado a cabo como uma disciplina na tradição da ciência Ocidental, poderia produzir certo nível de entendimento empírico. Mesmo assim, a investigação empírica como força bruta em ciência é reconhecida como incerta e dolorosamente lenta.

 

ESPECULAÇÕES

 

Para finalizar, darei minha própria visão do papel da parapsicologia experimental tal como poderia influir no futuro. Limitarei-me principalmente ao tema da cura e a saúde.

 

Do estudo da literatura chega a ser evidente para mim faz cerca de uma década atrás, que a consciência pode influir o corpo através da PK. Para alguns parapsicólogos isto foi evidente por muito tempo enquanto para outros não foi evidente em absoluto. Ademais, não só pode cada um de nós influir sobre nosso próprio corpo desta forma, senão que algumas pessoas que têm um dom especial para a cura podem influir em forma significativa o corpo de outra pessoa diretamente pela oração, ou sugestão ou qualquer outro termo com o que você queira denominá-lo.

 

Para terminar, oferecerei seis especulações de cuja veracidade estou mais ou menos convicto, e que poderiam chegar a ser verificados depois de uma maior investigação.

 

1- Estou convicto pelos experimentos publicados na literatura, que a psicocinésia é a essência da hipnose, e o que os teólogos chamam "oração" é atualmente a PK (McConnell, 1983a, pp.154-177).

 

2- Não tenho dúvida que no futuro, bem como hoje, umas poucas pessoas fazendo uso da PK experimentarão dramáticas curas por eles mesmos ou com a ajuda de outros, mas a prova do efeito placebo sugere que estes efeitos benéficos só serão aproveitados por acaso e sera assim somente para uma minoria, a não ser que obtenhamos um entendimento básico da ciência dos fenômenos mentais subjacentes.

 

3- Suponho que a cura por auto-hipnose é um processo normal, mas que a cura de outra pessoa por hipnose, como a "imposição de mãos" sem contato, é anormal num sentido evolutivo. No mesmo caminho, deduzo que um dos desafios para o futuro da parapsicologia seria desenvolver técnicas pelas quais cada um de nós possa aceitar tais influências psicocinéticas externas como desejemos e possamos recusar ou defender-nos nós mesmos contra intenções daninhas de terceiros.

 

4- Desde que acredito na realidade da PK, penso quase com certeza que há um componente psi que os cientistas ortodoxos prudentemente o chamam "medicina da conduta". A Psico-neuro-inunologia tem algo a ver com o mecanismo mente-cérebro da cura. O acompanhante da inter-relação consciência-cérebro é de importância para a parapsicologia (Braud, 1990; McConnell, 1987b, 1987c).

 

5- Recomendaria que consideremos a possibilidade da importância técnica da parapsicologia deriva do fato de que está dedicado ao estudo da psicocinese e a PES fora do corpo, onde alguém pode esperar separar as variáveis e realizar experimentos simples. Para descobrir a natureza científica de psi que ocorre dentro do corpo humano.

 

6- E finalmente, não estou só quando espero que o grande benefício social algum dia sobrevirá por parte dos parapsicólogos: quem somos? Nossos limites individuais se estendem em algum lugar além de nossa pele? Como nos relacionaremos com nossos semelhantes que relacionando-nos uns com os outros?

 

 
NOTAS

 

1- Conferência convidada à 33ra. Convenção Anual da Parapsychological Association (PA) realizada em Chevy Chase, Maryland, a 18 de Agosto de 1990. É uma mostra das condições pré-paradigmáticas no campo da parapsicologia que imediatamente depois de sua deliberação oral este relatório foi entusiasticamente aceitado para sua publicação pelo editor do Journal of Parapsychology, mas depois de uma consulta com seus colegas, decidiu-se que a palavra "inimigo" é "demasiado dura para uma publicação científica" e se mudaria o título e o texto. Este relatório está publicado tal como foi lido, com o agregado de notas a pé de página e referências.

 

2- McConnell, 1987a. O recente estudo realizado pelo National Research Council (Capítulo 9 em Druckman e Swets, 1988) foi um amplo relatório de dois membros do Conselho Diretivo do CSICOP. Ver Palmer, Honorton e Utts (1989) e McConnell e Clark (1991).

 

3- Alguns trabalhos parapsicológicos publicados desde 1980 que seria de interesse para os cientistas céticos são: Alcock (1987); Braud (1990); Braud e Schlitz (1990); Dunne, Nelson e Jahn (1988); Honorton (1985, 1987); Honorton et ao.(1989); Honorton e Ferrari (1989); Honorton, Ferrari e Bem (1990); Hyman e Honorton (1986); Jahn (1982); Jahn e Dunne (1986); May, Humprhey e Hubbard (1980); McConnell (1983b, 1989); McConnell e Clark (1987, 1990); Radin e Ferrari (1990); Radin e Nelson (1989); Rao e Palmer (1987); Schlitz e Gruber (1980, 1981); Schmidt (1981); Schmidt, Morris, and Rudolph (1986). Included here are papers by Alcock and Hyman, two of the most virulent critics of parapsychology in modem times. Papers listed with an asterisk after the date are meta-analyses especially useful for surveying the field. Regarding meta-analyses in geral, see Rosenthal (1986). Another 24 papers of substantial evidential significance published between 1965 and 1979 have been listed by McConnell (1983a, pp. 311-323).

 

 REFERENCIAS

 

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