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O INTER PSI ESCLARECE
A relação entre o objeto de estudo do Inter Psi - Grupo de Semiótica, Interconectividade e Consciência (CEPE / COS / PUC-SP) com o objeto de estudo da assim chamada Parapsicologia é, por um lado, evidente e, por outro, aparente. Reconhecemos que há parapsicólogos(as) que realizam pesquisas de psi empregando metodologia científica (exs: http://anson.ucdavis.edu/~utts/91rmp.html e http://www.psych.cornell.edu/dbem/does_psi_exist.html), o que é admitido, inclusive, por críticos(as) da Parapsicologia. (exs: http://anson.ucdavis.edu/~utts/91rmp-c3.html e http://www.csicop.org/si/9603/claims.html). Por outro lado, reconhecemos também que muito do que é divulgado como sendo “Parapsicologia”, sobretudo no Brasil, nada tem de científico, aproximando-se mais da religião, do assim chamado movimento “New Age” e do charlatanismo. Sustentamos que não há nada que, no presente estado da pesquisa de psi, nos permita sustentar ou rejeitar qualquer alegação religiosa. E ainda: não há, até o momento, conhecimento científico suficiente para sustentar qualquer aplicação prática de psi. O objetivo do Inter Psi é exclusivamente científico. A literatura empregada para os estudos do grupo compreende artigos de pesquisadores que afirmam não ter encontrado evidências de psi e/ou que sustentam sua impossibilidade teórica e daqueles que alegam ter encontrado evidências de psi e/ou que sustentam sua possibilidade teórica. O Inter Psi não é um grupo exclusivamente formado nem por críticos nem por parapsicólogos. É um grupo interdisciplinar, cujo objetivo é avaliar as alegação a respeito da existência de psi da maneira mais isenta possível, com certa dose de ceticismo, e seguindo critérios metodológicos científicos. Entendemos que qualquer posição favorável ou desfavorável a psi é, no atual estado da pesquisa, prematura. O material do Portal Psi é composto pela “FAQ sobre Fenômenos Psi” e por hyperlinks. O objetivo de disponibilizar a FAQ sobre Fenômenos Psi é o de apresentar a posição de proponentes e de críticos a respeito da existência de psi para que os interessados e estudiosos nesse tema possam dispôr de subsídios para a formação de suas opiniões e futuras pesquisas. No entanto, a versão original dessa FAQ, produzida por um importante proponente de psi, Dr. Dean Radin, do Consciousness Research Laboratory, apesar de apresentar a posição dos críticos da Parapsicologia, não oferece material suplementar para que o leitor possa se aprofundar nos argumentos contrário à existência de psi. Para alcançar o equilíbrio na apresentação desses dois pontos de vista distintos, introduzimos recursos que a versão original dessa FAQ não continha. Foram agregados hyperlinks para que o leitor possa, não apenas obter maiores informações a respeito do tema tratado do ponto de vista dos proponentes de psi, mas também para que ele possa ter acesso a textos que fundamentam a posição dos críticos da Parapsicologia e seus estudos. Acrescentamos, ainda, perguntas (apresentadas em verde no texto) e hyperlinks que conduzem o leitor aos principais centros de pesquisa, associações e fundações, experimentos on-line. Assim, mais do que uma FAQ, o material abaixo se constitui em um guia para todos os interessados em obter informações a respeito do desafio chamado psi. Considere-se essa FAQ em construção, uma vez que novas questões e hyperlinks poderão ser agregadas à medida em que haja material relevante para ser inserido. Os organizadores agradecem sugestões de modificações da FAQ (pesquisapsi@gmail.com).
Perguntas Freqüentes sobre Fenômenos Psi
+ Hyperlinks adicionados pelo Inter Psi
O conteúdo das “Perguntas Freqüentes sobre Fenômenos Psi”, foi editado pelo Dr. Dean Radin, do Consciousness Research Laboratory. O Inter Psi - Grupo de Semiótica, Interconectividade e Consciência (CEPE / COS / PUC-SP) recebeu dele autorização expressa para publicar este material em português. Adequações lingüísticas foram feitas, hyperlinks e perguntas e adendos às respostas originais (abaixo apresentadas em preto) foram inseridas (conforme esclarecimento acima) pelo Inter Psi.
(Versão em Inglês)
SUMÁRIO
1. Quem compilou este material? 2. Qual é o público alvo? >>>>>Nota técnica: Público 3. O que é Parapsicologia? 4. O que não é Parapsicologia? 5. O que os parapsicólogos estudam? >>>>>Nota técnica: Termos básicos 6. Por que a Parapsicologia é interessante? >>>>>Nota técnica: Implicações 7. Quais são as aplicações práticas de psi? 8. Quais são as principais abordagens de pesquisa? 9. Quais são os principais experimentos sobre psi na atualidade? 9.1 - A influência da PK sobre geradores de números aleatórios 9.2 - A influência da PK sobre sistemas vivos 9.3 - A ESP no ganzfeld 9.4 - Visão Remota Nota técnica: Metodologia
10. Quais são as principais críticas feitas à Parapsicologia? Quais as respostas dos parapsicólogos? 10.1 - Crítica 1 10.2 - Crítica 2 10.3 - Crítica 3
11. Por que a Parapsicologia é cronicamente controversa?12. Qual o estado atual da demonstração empírica de psi? 13. Qual o estado atual do desenvolvimento de uma teoria sobre psi? 14. Questões sobre fenômenos populares 14.1 - Os fantasmas são reais? 14.2 - Os poltergeist são reais? 14.3 - Se psi é real, como os cassinos ganham tanto dinheiro? 14.4 - A mediunidade é real? 14.5 - Os efeitos psicocinéticos (PK) de grandes proporções, como a levitação, são reais?
15. Qual é a história da Parapsicologia? 16. Onde eu posso estudar ou conseguir um emprego em Parapsicologia? 17. Existem experimentos parapsicológicos on-line? Ps. Principais colaboradores deste material.
1. Quem compilou este material?
Este material foi produzido por um grupo ad hoc de cientistas e acadêmicos interessados em Parapsicologia, que é o estudo do que é popularmente chamado de fenômenos parapsicológicos. As disciplinas representadas nesse grupo incluem: Física, Psicologia, Filosofia, Estatística, Matemática, Ciência da Computação, Química, Antropologia e História. Os principais colaboradores e suas afiliações estão listados no final deste documento. A maior parte dos elementos desse grupo são membros da Parapsychological Association (PA). A PA é uma sociedade profissional internacional fundada em 1957 e eleita como membro afiliada da American Association for the Advancement Science em 1969. (Relação atual de associações afiliadas à AAAS, inclusive a PA.) Apesar deste material não ser uma publicação oficial da PA, dentre os colaboradores estão vários de seus ex-presidentes, incluindo o atual [N.ts.: o ano da primeira edição deste material é 1995], e ex-membros e membros atuais de seu Quadro de Diretores. O grupo buscou consenso em cada item deste material, mas, como em muitas atividades intelectuais, especialmente em domínios multidisciplinares e novos, houve alguns pontos de profundas divergências. Apesar disso, os autores acreditaram que, devido ao crescente interesse público em Parapsicologia, a relativa falta de informação confiável e os muitos mitos e distorções associados a esse campo, é importante oferecer algumas informações na WWW o quanto antes.
2. Qual é o público alvo? Este material foi escrito como uma introdução geral à Parapsicologia para um espectro amplo de indivíduos, que inclui desde estudantes em avançado grau educacional até profissionais com pouco ou nenhum conhecimento prévio sobre o assunto. Escrever para um público tão diversificado é um desafio porque para se compreender a Parapsicologia hoje é necessário ter, no mínimo, um conhecimento básico de uma vasta série de tópicos, incluindo Estatística, Metodologia Experimental, Teoria da Mecânica Quântica, Sociologia e Filosofia da Ciência, História da Parapsicologia e literatura científica sobre Parapsicologia. Devido ao fato de nosso público alvo ser tão diversificado, tocamos apenas brevemente em muitos assuntos técnicos que inspiram temas de interesse e debate no campo. Portanto, este material tem como proposta esclarecer esse assunto complexo que é a Parapsicologia, sem atenuar a importância dos pontos tratados e sem “esvaziar” o conteúdo básico. Ao tratarmos de alguns temas particularmente difíceis, incluímos seções rotuladas “Notas Técnicas”. Por fim, planejamos oferecer uma fonte abrangente de informações sobre Parapsicologia, incluindo detalhes sobre os principais debates, as teorias predominantes, as discussões sobre demonstrações empíricas, as conexões com artigos de publicações especializadas, as fontes de referência, as propostas de trabalho e outras informações importantes.
2.1 Nota técnica: Público O conteúdo e o estilo deste material lançou um vigoroso debate entre os autores. Pelo menos cinco tipos de público em potencial foram identificados: cientistas físicos, cientistas sociais e comportamentais, céticos rígidos, entusiastas do New-Age e leitores com pouco ou nenhum conhecimento prévio das ciências convencionais ou da Parapsicologia. Para os cientistas físicos, acreditamos ser importante discutir a metodologia e a terminologia, além de fazer comentários sobre algumas das críticas que são comumente feitas à Parapsicologia. Para os cientistas sociais e comportamentais, acrescentamos algumas implicações sobre a observação de pessoas que, através da história e de todas as culturas, relataram experiências parapsicológicas. Para os críticos rígidos, ou pessoas cujo conhecimento da Parapsicologia esteja baseado apenas na literatura escrita por céticos, sentimos que seria importante apresentar o fato de que há dados empíricos cientificamente substanciais e persuasivos à disposição. Para pessoas com interesses, entusiamos ou hipóteses New-Age, pensamos que, ao menos parte de nossa proposta consistiria em indicar os limites daquilo que os dados científicos realmente explicam. Para os leitores que conhecem pouco ou nada sobre o assunto, ou sobre métodos científicos ou ciência, demos uma pincelada geral nos aspectos fundamentais da Parapsicologia para abranger o máximo possível sobre o assunto em um único documento.
3. O que é Parapsicologia?
A Parapsicologia é a ciência e o estudo acadêmico de certos eventos raros associados à experiência humana. Há uma tradição dentro do senso-comum que sustenta que os mundos subjetivo e objetivo são completamente distintos, sem que haja qualquer imbricação entre eles. O subjetivo existe “aqui, dentro da cabeça”, enquanto que o objetivo existe “lá, no mundo externo”. A Parapsicologia é o estudo de fenômenos que sugerem que a dicotomia estrita entre objetivo/subjetivo pode ser, ao contrário, parte de um conjunto, com alguns fenômenos entremeando ocasionalmente o que é puramente subjetivo e o que é puramente objetivo. Chamamos tais fenômenos de “anômalos” porque são difíceis de serem explicados pelos modelos científicos atuais. Ex.: a psicocinesia (PK) e os fenômenos sugestivos da sobrevivência após a morte, incluindo as experiências próximas da morte, as aparições e a reencarnação. A maioria dos parapsicólogos, atualmente, espera que estudos adicionais venham finalmente explicar essas anomalias em termos científicos, apesar de não estar claro se eles podem ser completamente compreendidos sem expansões significativas (poderia se dizer revolucionárias) do estado atual do conhecimento científico. Outros pesquisadores assumem a posição de que modelos científicos já existentes, tais como os de percepção e de memória, são adequados para explicar alguns dos fenômenos parapsicológicos.
Adendo do Inter Psi: tradicionalmente, a Parapsicologia é definida como a disciplina científica que tem como objeto de estudo a possível interação extra-sensório-motora entre o ser humano e o meio (que inclui outros seres humanos e outros seres vivos). Dizendo de outra maneira, a Parapsicologia estuda: a) a hipótese da existência de uma forma de obtenção de informações (comunicação) que prescinda da utilização dos sentidos humanos conhecidos (ESP [extra-sensory perception / percepção extra-sensorial]: telepatia, clarividência e precognição) e, b) a hipótese da existência de uma forma de ação humana sobre o meio físico em que não seriam utilizados quaisquer mediadores ou agentes (músculos ou forças físicas) conhecidos (PK [psichokinesis / psicocinesia]). Um dos problemas cruciais em Parapsicologia é a utilização de uma definição negativa de seu objeto de estudo, ou seja, a diz-se o que os fenômenos parecem não ser e não o que eles de fato sejam. Este problema reflete a falta de uma teoria unificadora para os fenômenos psi. Não que não existam teorias e modelos, o que não existe é uma teoria que possa dar conta, ao mesmo tempo, das observaões de casos espontâneos e dos dados oriundos da pesquisa experimental.
4. O que não é Parapsicologia? Apesar do que a mídia costuma sugerir, a Parapsicologia não é o estudo de “qualquer coisa paranormal” ou bizarra. A Parapsicologia não está preocupada com a Astrologia, os OVNIS, a busca do Pé-Grande, o paganismo, os vampiros, a alquimia ou a bruxaria. Muitos cientistas vêem a Parapsicologia com grande suspeita porque o termo “parapsicologia” tem sido associado a uma vasta variedade de fenômenos misteriosos, tópicos marginais e pseudo-ciência. A Parapsicologia também é freqüentemente associada - e mais uma vez inadequamente - com um grande grupo de indivíduos que promovem entretenimentos parapsicológicos, prestidigitadores e os assim chamados “investigadores do paranormal”. Além disso, alguns dos que se auto-proclamam “paranormais” chamam a si mesmos de parapsicólogos, porém isto não tem nada a ver com o que fazemos, como este material ajudará a esclarecer.
Andendo do Inter Psi: a Parapsicologia não é um instrumento para a defesa ou ataque de credos religiosos, apesar de ter sido ostensivamente utilizada para tal finalidade no Brasil. Nem tem, a Parapsicologia, condições de dar a última palavra em questões religiosas, como a diferenciação entre “verdadeiros e falsos milagres”, o que também tem sido divulgado com certa freqüência entre alguns setores religiosos brasileiros. À Parapsicologia, como ciência, cabe analisar fatos e procurar, mediante a aplicação da metodologia científica de pesquisa, compreendê-los desde o ponto de vista das teorias científicas. Se um fenômeno não pode ser compreendido desde esse ponto de vista, a Parapsicologia não pode descartá-lo, tampouco pode atribuir-lhe uma interpretação sobrenaturalista.
5. O que os parapsicólogos estudam? O aspecto dos fenômenos parapsicológicos que causa mais estranheza e interesse a muitas pessoas é que eles parecem não sofrer as conhecidas limitações de espaço e tempo. Além disso, eles “turvam” a clara distinção que se faz entre a mente e a matéria. Popularmente, os fenômenos parapsicológicos básicos são categorizados da seguinte forma: Telepatia: Comunicação direta de mente para mente. Precognição: Também chamada de premonição. Obtenção de informações sobre eventos futuros, em que a informação não possa ter sido inferida através de meios normais. Muitas pessoas relatam sonhos que parecem ser precognitivos. Clarividência: Algumas vezes chamada de visão à distância; obtenção de informação sobre eventos em localizações distantes, ou seja, além da possibilidade de apreensão sensorial normal. ESP: Do inglês extra-sensory perception (percepção extra-sensorial); um termo geral que designa a obtenção de informações sobre eventos que se encontram além da possibilidade de percepção sensorial normal. Esse termo inclui a telepatia, a clarividência e a precognição. Psicocinesia: Também conhecida como PK (do inglês psychokinesis) é a interação mental direta com objetos físicos, animados ou inanimados. Bio-PK: Interações mentais diretas com sistemas vivos. EPM (Experiência próxima da morte): a experiência relatada por aqueles que reviveram de uma quase-morte. Freqüentemente se refere a uma experiência profunda que abrange sentimentos de paz, experiências fora-do-corpo, visão de luzes e outros fenômenos. EFC (Experiência fora-do-corpo): a experiência de se sentir separado do corpo, freqüentemente acompanhada por percepções visuais, como se a pessoa estivesse acima do corpo físico. Reencarnação: Relatos, tipicamente infantis, de aparente lembrança de vidas anteriores. Assombração: Fenômeno repetitivo que se diz estar associado a uma localização em particular e que inclui aparições, sons, movimentos de objetos e outros efeitos. Poltergeist: Fenômenos psicocinéticos (PK) de grandes proporções, freqüentemente atribuídos aos espíritos, mas que são compreendidos atualmente como sendo produzidos por pessoas vivas, freqüentemente adolescentes. Psi: Um termo neutro para designar os fenômenos parapsicológicos. “Psi” e “parapsicológico” também são usados como adjetivos sinônimos.
5.1 Nota técnica: Termos básicos Os termos acima são representativos do uso comum, mas os parapsicólogos geralmente definem o fenômeno psi em termos mais neutros ou termos operacionais. Isto porque, em geral, os rótulos carregam fortes conotações que podem levar a más interpretações. Por exemplo, pensa-se, geralmente, que a telepatia é um tipo de “leitura mental”. Entretanto, na prática, e em algumas pesquisas de laboratório, as experiências de telepatia raramente envolvem percepções de pensamentos reais, e a experiência em si mesma, de um modo geral, não requer uma comunicação entre duas mentes, mas pode ser “explicada” como clarividência ou precognição. Lembre-se de que os nomes e conceitos usados para descrever psi, na verdade, dizem mais sobre as situações em que os fenômenos são observados do que sobre qualquer propriedade fundamental dos fenômenos em si mesmos. O fato de dois eventos serem classificados da mesma forma não significa que eles sejam, na realidade, os mesmos. Além disso, na prática científica, muitos dos termos básicos usados acima são acompanhados de adjetivos como “aparente”, “suposto”, e “ostensivo”. Isto ocorre porque muitas das alegações de fenômenos que supostamente envolvem psi podem não envolver psi, mas causas normais.
Adendo do Inter Psi: é importante salientar a diferença entre experiência e interpretação de um fenômeno. O fato de uma pessoa sentir-se fora do corpo, não significa, necessariamente, que algo, de fato, tenha deixado seu corpo. O mesmo acontece com as experiências de reencarnação, em que pessoas relatam lembrar-se de vivências que interpretam como sendo de vidas passadas. Tais interpretações são fundamentais para a pesquisa, uma vez que mostram de que forma a cultura e o conhecimento científico de uma pessoa pode influenciar na maneira como ela interpreta suas experiências. Essas intepretações são, ainda, importantes por gerarem hipóteses científicas. A ciência não deve, por outro lado, nem descartar, nem apoiar quaisquer interpretações de maneira apriorística, sem que dados de pesquisas rejeitem ou aceitem hipóteses testadas de maneira científica.
6. Por que a Parapsicologia é interessante? A Parapsicologia é interessante principalmente devido às suas implicações. Para listar alguns poucos exemplos, os fenômenos psi sugerem (a) que o conhecimento da ciência sobre o universo é incompleto; (b) que as pretensas capacidades e limitações do potencial humano têm sido subestimadas; (c) que as hipóteses fundamentais e as crenças filosóficas sobre a separação entre mente e corpo podem estar incorretas e (d) que as suposições religiosas sobre a natureza divina dos “milagres” podem estar equivocadas. Como um aparte, devemos notar que muitos parapsicólogos científicos, da atualidade, incluindo a maioria dos autores deste material, abordam os fenômenos psi de forma empírica, de acordo com os dados colhidos, e evitam especialmente especular sobre implicações que não são sustentadas por esses dados. Entretanto, alguns pesquisadores consideram que os resultados atuais da Parapsicologia têm uma ampla variedade de implicações fundamentais, incluindo aquelas sobre a natureza espiritual da humanidade. Assim, em consideração à ampla gama de expectativas dos leitores deste documento, apresentaremos, a seguir, nas Notas Técnicas, algumas das possíveis implicações de psi, reconhecendo que esta seção é meramente especulativa.
6.1 Nota técnica: Implicações Os físicos, em geral, tendem a se interessar por Parapsicologia por deduzirem que não entendemos nada sobre espaço, tempo e transmissão de energia e informação. Os biólogos estão interessados porque psi implica na existência de métodos inexplicados e suplementares de sentir o mundo. Os psicólogos estão interessados pelas implicações de psi sobre a natureza da percepção e da memória. Os filósofos se interessam porque os fenômenos psi apontam muitos problemas filosóficos antigos, incluindo o papel da mente no mundo físico e a natureza do objetivo versus a natureza do subjetivo. Os teólogos e o público em geral tendem a se interessar porque suas experiências psi pessoais são freqüentemente acompanhadas de sentimentos de expressão inefável e profunda. Como resultado disso, pensa-se que psi tem implicações “espirituais”. De uma perspectiva materialista, que é um dos fundamentos da visão de mundo científica, a consciência humana nada mais é do que um produto emergente do funcionamento do cérebro, do corpo e do sistema nervoso (CCSN). Isto é, não importa quão diferente a mente possa parecer do material corporal, ela é gerada somente pelo funcionamento eletroquímico do CCSN e, dessa forma, é absolutamente dependente dele. Quando o CCSN morre, morre a consciência. Dessa perspectiva, alegações de sobrevivência à morte corporal, ou fantasmas, ou aparições, devem-se à criação ilusória de fatos que se desejaria que fossem verdade. Além disso, os limites do funcionamento material automaticamente determina os limites definitivos do funcionamento mental. Assim, ESP e PK parecem ser impossíveis, dado nosso atual conhecimento sobre o funcionamento do mundo. Além disso, os fenômenos psi têm ocorrido em todas as culturas ao longo da história, continuam a ocorrer e alguns fenômenos relatados têm sido verificados de forma convincente através de métodos científicos. Devido ao fato de psi aparentemente transcender os pressupostos limites do funcionamento material, e portanto do CCSN, alguns interpretam que psi representa um apoio à idéia de que há alguma coisa a mais na mente do que apenas CCSN, de que existe algum tipo de “alma” ou algo semelhante. Esse aspecto “não-físico”, um aspecto que não parece estar tão estreitamente limitado pelo espaço e pelo tempo como requerem os modelos científicos atuais, poderia sobreviver à morte corporal. Se for assim, podem haver importantes verdades contidas em algumas idéias e práticas espirituais. É claro que a Parapsicologia está muito longe de ser capaz de dizer que “os dados mostram que os “X” (substitua X pelo nome de seu grupo religioso favorito) estão especificamente certos sobre as doutrinas religiosas A, B e C, mas totalmente errados sobre os dogmas P, Q e R. Devemos enfatizar que há uma grande diferença entre simplesmente notar que os resultados da Parapsicologia podem ter implicações em conceitos religiosos e a idéia de que os parapsicólogos são guiados por algum plano secreto a nível espiritual. Alguns críticos da Parapsicologia parecem acreditar que todos os parapsicólogos têm motivações religiosas ocultas e que eles têm, na verdade, a intenção de provar a existência da alma. Isto é tão verdade quanto alegar que todos os químicos, na realidade, nutrem ambições secretas sobre a alquimia e assim seu real compromisso seria com a transmutação do mercúrio em ouro. As razões pelas quais os investigadores sérios são atraidos por qualquer disciplina são tão diversas quanto suas experiências.
7. Quais são as aplicações práticas de psi? Estudos sobre a interação mental direta com sistemas vivos sugerem que técnicas tradicionais de cura mental, como, por exemplo, as rezas, podem estar baseadas em genuínos efeitos mediados por psi. No futuro, pode ser possível desenvolver métodos sofisticados de cura com base nesses fenômenos. Psi pode estar implicada na Lei de Murphy: “Se alguma coisa pode dar errado, isso acontece”. Isto é, máquinas modernas baseadas em circuitos eletrônicos sensíveis, tais como copiadoras e computadores, podem às vezes interagir com a intenção humana e, como resultado, inexplicavelmente falhar em momentos inoportunos. É claro que o inverso pode ser verdadeiro. Existe a possibilidade de consertar ou controlar máquinas sensíveis somente por meios mentais. Tais tecnologias seriam de grande benefício para as pessoas deficientes. Outras aplicações em potencial incluem métodos aperfeiçoados de tomada de decisões, localização de pessoas ou valores perdidos e descrição de eventos em cuja localização não podemos chegar devido à distância, ao tempo, ou à dificuldade de acesso. Isto inclui a possibilidade da realização de trabalhos em História e de prognósticos baseados em psi. Habilidades psi altamente desenvolvidas podem beneficiar a psicoterapia e outras formas de aconselhamento. Psi pode ser usada para fornecer uma margem estatística em negócios financeiros e na localização de tesouros arqueológicos.
(Um exemplo de como considerar psi pode beneficiar a psicoterapia) - Texto técnico: “Psicanálise e Surto Psicótico: Considerações sobre Apectos Técnicos”, por Roosevelt M. S. Cassorla, da Associação Brasileira de Psicanálise. Este é um arquivo MsWord executável, e está “zipado”. Depois de fazer o download para o seu disco rígido é necessário “deszipá-lo” antes de poder lê-lo.
8. Quais são as principais abordagens de pesquisa? Como em qualquer domínio multidisciplinar, há muitos modos de se conduzir pesquisas. Os cinco métodos principais usados em Parapsicologia são:
1. a pesquisa acadêmica, incluindo a discussão de temas filosóficos e levantamentos históricos; 2. a pesquisa analítica, incluindo análise estatística de grandes bancos de dados. 3. os estudos de casos, incluindo estudos aprofundados de experiências psi pessoais, pesquisas de campo e comparações trans-culturais de crenças e práticas relacionadas a psi; 4. a pesquisa teórica, incluindo modelos matemáticos, descritivos e fenomenológicos de psi; 5. a pesquisa experimental, incluindo estudos dos efeitos psi em laboratório.
Apesar de todas essas cinco abordagens contribuírem para o campo, atualmente a fonte fundamental de “forte demonstração empírica” em Parapsicologia são os experimentos laboratoriais controlados. Aplicando os rigorosos padrões do método científico, pesquisadores desenvolveram, durante as últimas seis décadas, um conjunto de dados cada vez mais convincente de certos tipos de fenômenos. Vários projetos experimentais especiais têm sido desenvolvidos durante esse tempo e alguns poucos experimentos selecionados têm sido atualmente repetidos centenas de vezes por dezenas de pesquisadores no mundo todo. Algumas vezes esses experimentos são realizados apenas como replicações, mas de um modo geral, são experimentos conceitualmente semelhantes que adicionam controles ou estendem o espectro de questões lançadas.
9. Quais são os principais experimentos psi da atualidade? Através dos livros populares e do retrato da Parapsicologia transmitido por filmes como “Ghostbusters”, muitas pessoas supõem que os experimentos psi atuais são feitos primordialmente com o baralho ESP (ou Zener). Esse baralho é constituído por 25 cartas, repetindo-se cinco vezes cada carta com um de cinco símbolos diferentes (círculo, cruz, ondas, quadrado e estrela). Essas cartas foram desenvolvidas e muito utilizadas nos experimentos psi iniciais, principalmente por Joseph Banks Rhine e seus colegas, da década de 30 à década de 60. As cartas ESP forneceram demonstrações empíricas persuasivas para a ESP, mas atualmente elas são raramente usadas por profissionais. Quatro dos mais produtivos e convincentes experimentos realizados atualmente são descritos a seguir:
9.1 A influência da PK sobre geradores de números aleatórios O advento das tecnologias relativas à eletrônica e à informática tem permitido aos pesquisadores desenvolverem experimentos automatizados para estudar a interação entre a mente e a matéria. Em um desses experimentos, um Gerador de Números Aleatórios (GNA), que funciona com base em um ruído radioativo ou eletrônico, produz um fluxo de dados que são registrados e analisados por um programa de computador. Em um típico experimento em que o GNA é utilizado, um sujeito tenta alterar mentalmente a distribuição dos números aleatórios. Seria praticamente o mesmo que tentar tirar mais caras do que coroas a partir do lançamento de moedas. Obviamente, os experimentos eletrônicos e computadorizados têm grandes vantagens sobre os antigos experimentos em que se utilizava arremessos de dados ou moedas. Em um experimento com GNA, uma grande flexibilidade é combinada com um cuidadoso controle científico, aliados a um alto índice de aquisição de dados. Uma meta-análise do conjunto de dados obtidos por esse tipo de experimento, publicada em 1989, examinou 800 experimentos realizados por mais de 60 pesquisadores ao longo dos 30 anos anteriores. O tamanho do efeito encontrado foi muito pequeno, mas notavelmente consistente, resultando em um desvio estatístico global de aproximadamente 15 erros padrão do efeito esperado pelo acaso. A probabilidade de que o efeito observado fosse realmente zero (isto é, não relacionado a psi) foi menor do que uma parte em um trilhão, verificando-se que a consciência humana pode, de fato, afetar o comportamento de sistemas físicos aleatórios. Além disso, embora a qualidade experimental melhorasse significativamente com o passar do tempo, isto não teve correlação com o tamanho do efeito, ao contrário da freqüente, mas aparentemente infundada crítica dos céticos.
(Mais sobre Micro-PK I - Texto introdutório ilustrado, produzido pela Koestler Chair of Parapsychology. (Mais sobre Micro-PK II - Texto introdutório ao tema: “Micro-Pk”, por Davis Plunkett e Kristen Seikel, do Franklin Peirce College. (Mais sobre Micro-PK III) - Texto técnico: “Observation of a Psychokinetc Effect Under Highly Controlled Conditions”, por Helmut Schmidt, publicado originalmente no Journal of Parapsychology, Vol. 57, Dec. 1993. (Mais sobre Geradores de Eventos Aleatórios - Texto introdutório ilustrado sobre GEAs, produzido pela Koestler Chair of Parapsychology. (Participe de um experimento on-line de Micro-PK) - Nesta página do Anomalous Cognition Group (Universidade de Amsterdam, Holanda) podem ser encontrados vários experimentos on-line de Micro-PK
9.2 A influência da PK sobre sistemas vivos
Esse tipo de experimento é também conhecido como bio-PK e, mais recentemente alguns pesquisadores se referem a ele como Interações Mentais Diretas com Sistemas Vivos (IMDCV). A possibilidade de monitorar funções internas do corpo, inclusive atividades do sistema nervoso usando as tecnologia do EEG (eletroencefalógrafo) e do bio-feedback (retro-alimentação), tem oferecido uma oportunidade de verificar se os sistemas biológicos também podem ou não ser afetados pela intenção de forma semelhante à ação da PK sobre Geradores de Números Aleatórios (GNA). Um experimento de IMDCV que particularmente tem alcançado bons resultados é o que analisa a “sensação de estar sendo observado”, relatada com freqüência. O “observador” e o “observado” são isolados em diferentes localizações. Pede-se periodicamente ao observador que simplesmente olhe fixamente para o observado por intermédio de um circuito fechado de vídeo. Enquanto isso, a atividade do sistema nervoso do observado é monitorada de forma automática e contínua. O conjunto de dados cumulativo desses experimentos e de outros semelhantes provê forte demonstração empírica de que a atenção de uma pessoa diretamente voltada para uma outra que está isolada e distante pode ‘ativar’ ou ‘acalmar’ significativamente o sistema nevoso da segunda, de acordo com as instruções dadas ao observador.
(Mais sobre interação mental direta sobre sistemas vivos I) - Texto introdutório, produzido pela Koestler Chair of Parapsychology. (Mais sobre interação mental direta sobre sistemas vivos II) - Trecho de: D. Delanoy: "Experimental Evidence Suggestive of Anomalous Consciousness Interactions", 2nd Gauss Symposium, Munich, August 1993 (Mais sobre interação mental direta sobre sistemas vivos III) - Estudo realizado por um cético de psi. “Can We Tell When Someone Is Staring at Us?”, por Robert A. Baker. Publicado originalmente em: Skeptical Inquirer magazine : March/April 2000 (Mais sobre interação mental direta sobre sistemas vivos IV) - Estudo realizado por um cético critica o método de aleatorização utilizado por Rupert Sheldrake em suas pesquisas de staring effect: “The Psychic Staring Effect: An Artifact of Pseudo Randomization, por David F. Marks and John Colwell. Publicado originalmente em: Skeptical Inquirer magazine : September/October 2000 (Página de Rupert Sheldrake) - O leitor poderá encontrar nesta página artigos de Sheldrake, inclusive comentando algumas das críticas que seus trabalhos têm recebido.
9.3 A ESP no ganzfeldUma teoria a respeito de como a psi perceptiva funciona sustenta que os “sinais” psi estão freqüentemente presentes no cérebro, mas é difícil atendê-los conscientemente devido ao ruído da entrada sensorial normal. A técnica ganzfeld (“campo completo”) foi desenvolvida para “silenciar” esse ruído externo, proporcionando um campo sensorial ameno e não padronizado, para mascarar o ruído do mundo externo. Em um experimento ganzfeld típico, o “emissor” e o “receptor” telepáticos são isolados. O receptor é colocado no estado ganzfeld e apresenta-se ao emissor um video-clipe ou uma figura e pede-se que ele envie mentalmente aquela imagem ao receptor. Pede-se ao receptor que, enquanto ele estiver em ganzfeld, relate continuamente em voz alta todos os seus processos mentais, inclusive imagens, pensamentos e sentimentos. Ao fim do período de emissão, que se estende, geralmente, de 20 a 40 minuto, o receptor é retirado do estado ganzfeld. São, então, mostradas a ele, quatro imagens ou trechos de vídeos, sendo que um deles é o alvo verdadeiro, enquanto que os demais são meras “armadilhas”. O receptor tenta selecionar o verdadeiro alvo, utilizando as percepções experimentadas durante o estado ganzfeld como pistas para descobrir a imagem “enviada” mentalmente. Sem a ocorrência da telepatia, o resultado esperado de acordo com as regras da probabilidade seria de um acerto em quatro tentativas, o que daria uma “taxa de acerto” de 25%. Após a contagem da taxa de acertos de tais experimentos, atualmente totalizando cerca de 700 sessões individuais realizadas por cerca de vinte pesquisadores, no mundo todo, os resultados demonstram que o alvo correto foi selecionado em uma média de 34% das vezes. Tal índice é altamente significativo, sugerindo que a telepatia, pelo menos como é definida operacionalmente neste experimento, existe.
(Mais sobre ganzfeld I) - Texto introdutório ilustrado, produzido pela Koestler Chair of Parapsychology (Mais sobre ganzfeld II) - Texto introdutório ao tema: “Reduced Sensory Input and Psi: Enter the Ganzfeld”, por Jason Brown, da Franklin Peirce College. (Mais sobre ganzfeld III) - Texto técnico, “Does psi Exist? Replicable Evidence for an Anomalous Process of Information Transfer”, por Daryl J. Bem e Charles Honorton, publicado em: Psychological Bulletin, 1994, Vol. 115, No. 1, 4-18. (Posição dos críticos a respeito do experimento psi-ganzfeld I) - “The Best Case for ESP?, por Matt Nisbet (Posição dos críticos a respeito do experimento psi-ganzfeld II) - “The Evidence for Psychic Functioning: Claims vs. Reality”, por Ray Hyman. Publicado originalmente em: Skeptical Inquirer magazine : March/April 1996.
Novo
1- Nova meta-análise realizada por Richard Wiseman e Julie Milton ("Does Psi Exist? Lack of Replication of an Anomalous Process at Information Transfer," Psychological Bulletin 125(4): 387-391, 1999) inclui estudos não relacionados no artigo de Bem & Honorton de 1994 (ver acima) e questiona resultados favoráveis de psi em experimentos psi-ganzfeld. O artigo original de Wiseman e Milton não está disponível na web. O artigo seguinte apresenta um resumo da pesquisa e do posicionamento dos céticos sobre o referido estudo. “Research Review: New Analyses Raise Doubts About Replicability of ESP Findings“, por Scott O. Lilienfeld. Publicado originalmente em: Skeptical Inquirer magazine : November/December 1999
2- Bem, Palmer & Broughton realizam uma atualização meta-analítica, incluindo estudos não considerados na meta-análise de Wiseman e Milton (ver textodisponível acima). Com estes novos estudos, os resultados voltam a ser favoráveis a psi. Bem, D. J., Palmer, J., Broughton, R. S. (Under editorial review). Updating the Ganzfeld Database: A Victim of Its Own Success?
9.4 Visão Remota A técnica ganzfeld indica que uma informação pode ser enviada mentalmente depois que o receptor é colocado em um estado alterado de consciência. O experimento de visão remota, em uma de suas muitas formas, investiga se a informação pode ou não ser obtida sem a necessidade de um estado alterado especial e sem um emissor. Por exemplo, em um tipo de experimento de visão remota, um conjunto de centenas de fotografias é criado. Uma das fotografias é, então, aleatoriamente selecionada para ser a figura alvo e é colocada à parte, em um local afastado. A pessoa que participa do experimento tenta, então, esboçar através de desenhos ou descrever de alguma outra forma a imagem-alvo que se encontra à distância. Este procedimento é repetido para um total, digamos, de sete imagens diferentes. Muitas formas de avaliar os resultados desse teste têm sido desenvolvidas, inclusive alguns métodos são altamente sofisticados. Um método comum (e fácil) consiste em pegar essas sete fotografias e as respostas dadas pelo sujeito, embaralhá-los aleatoriamente, e então pedir a juízes independentes que ordenem ou combinem os alvos corretos com as respostas dos participantes. Se houve transferência real de informações, as respostas deverão ter correspondência maior com os alvos corretos do que com os demais alvos. Muitos milhares de testes foram realizados por dezenas de investigadores nos últimos 25 anos, envolvendo centenas de participantes. O banco de dados cumulativo indica fortemente que a informação sobre fotos que se encontram à distância, cenas reais e eventos, podem ser percebidos. Alguns desses experimentos têm sido usados também para o estudo da precognição, quando o participante descreve uma foto que deverá ser selecionada aleatoriamente no futuro.
(Exemplos de Visão Remota) - 9 Exemplos de imagens descritas durante as sessões experimentais realizadas com o sujeito Joe McMoneagle. (A posição dos críticos a respeito dos experimentos de Visão Remota I) - Texto introdutório / entrada “Visão Remota” do Skeptic’s Dicctionary, por Robert Todd Carroll. Debate entre proponentes e críticos de psi a respeito dos experimentos de Visão Remota: (Crítica dos experimentos de Visão Remota) - Texto técnico, escrito por um dos mais importantes críticos de psi: Evaluation of Program on Anomalous Mental Phenomena, pelo Dr. Ray Hyman, Depto. de Psicologia, Universidade do Oregon. (Resposta à crítica I ) - Texto técnico, escrito por uma das mais importantes proponentes de psi: “Response to Ray Hyman’s Report of September 11, 1995 ‘Evaluation of Program on Anomalous Mental Phenomena’", pela Dr. Jessica Utts, Divisão de Estatística, Universidade da Califórnia, Davis. (Resposta às críticas II) - Texto técnico escrito por um dos pesquisadores de Visão Remota, como resposta ao parecer crítico do Instituto Americano de Pesquisas: “The American Institutes for Research Review of the Department of Defense's STAR GATE Program: A Commentary”, pelo Dr. Edwin C. May, , do Cognitive Sciences Laboratory. Originalmente publicado em: The Journal of Parapsychology. 60. 3-23. March, 1996.
Nota técnica: Metodologia
A Parapsicologia utiliza métodos geralmente empregados em outras disciplinas científicas. Os estudos de laboratório valem-se de métodos da Psicologia, da Biologia e da Física. As pesquisas de campo usam métodos da Sociologia e da Antropologia. Há muita literatura sobre métodos de pesquisa nesses campos e não pretendemos resumi-los aqui. A diferença, no caso da Parapsicologia, é a necessidade de prestar muita atenção às explicações “convencionais”. Isto porque nós definimos os fenômenos psi como trocas de informações que não envolvem processos atualmente conhecidos (convencionais). Por exemplo, falamos em “ESP” quando uma pessoa sabe de coisas que estão acontecendo em seu meio sem ter obtido tal conhecimento por intermédio da visão, da audição, do tato, do olfato, ou por qualquer outro meio sensorial conhecido e sem ter condições de fazer a mínima idéia de qual seja a informação-alvo. Falamos em “PK” quando sistemas físicos parecem reagir às intenções das pessoas e não acontece nenhum contato físico conhecido entre essas pessoas e os alvos. Palavras como “sem” e frases como “não conhecido”, se sobressaem na descrição do fenômeno psi. Portanto, uma importante parte da pesquisa parapsicológica consiste em eliminar os meios de contato conhecidos quando o estudo é feito em um laboratório e considerá-los cuidadosamente ao avaliar o relato das experiências das pessoas. Em pesquisas sobre a ESP isto requer conhecimento sobre a psicologia da sensação, da percepção, da memória, do pensamento e da comunicação, e sobre a biologia e a física da sensação e do movimento. Em estudos sobre a PK é importante saber sobre as características físicas do alvo, como ele funciona e o que pode ser afetado. Em estudos de campo e, na maior parte dos estudos laboratoriais, é importante saber de que forma as pessoas podem interagir umas com as outras. É claro que em estudos de campo é muito mais difícil eliminar explicações convencionais do que no laboratório porque não se pode planejar as coisas antecipadamente de modo a eliminar o contato convencional entre a pessoa e os alvos. Mesmo quando métodos de contato conhecidos são bem controlados ou eliminados, há sempre a possibilidade de que o que observamos possa ter ocorrido pelo acaso. Isto é, o aparente conhecimento por ESP de uma pessoa sobre algum evento distante pode ser uma adivinhação aleatória que apenas se assemelha ao alvo. Ou, o que parece um efeito psicocinético sobre um sistema físico pode ser uma alteração aleatória nesse sistema que apenas ocorreu no momento certo. Assim, é importante conhecer os métodos estatísticos usados para medir quão freqüentemente um evento pode ter ocorrido pelo acaso e como decidir quando isso é tão pouco freqüente que faz mais sentido pensar que ali ocorreu realmente um contato psi. Às vezes, as pesquisas de campo não têm como objetivo saber se as experiências relatadas pelas pessoas se referem a fenômenos psi genuínos ou não. Em vez disso, estão interessadas em responder questões como: “O que as pessoas relatam sobre as experiências que elas pensam ser parapsicológicas?”; “Como essas experiências afetam suas vidas?”; “Características psicológicas e culturais influenciam na freqüência com que as pessoas interpretam suas experiências como sendo do tipo psi?” Este é o tipo de pesquisa diretamente psicológica, sociológica ou antropológica e não requer o mesmo tipo de atenção restrita à eliminação de explicações convencionais. O valor dos métodos da pesquisa de campo está na investigação das experiências que as pessoas realmente relatam. Estas incluem a vivência de experiências envolvendo, por exemplo: sonhos precognitivos, experiências fora-do-corpo, impressões telepáticas, auras, memórias de vidas passadas, assombrações, poltergeists e aparições. Pesquisas sobre tais temas resultam em informações sobre a incidência, a fenomenologia e os correlatos demográficos e psicológicos das experiências. Enquanto a pesquisa de casos espontâneos ou de campo são menos técnicas e freqüentemente mais excitantes de serem interpretadas, é sensato evitar precipitação em tirar conclusões sobre a natureza de psi a partir da análise de casos individuais. Tais estudos examinam como as pessoas relatam ou o que pensam sobre suas experiências, e não o que elas realmente são. Entretanto, devido ao fato de os estudos dos casos espontâneos se concentrarem na “experiência crua”, eles oferecem uma visão valiosa de psi que em geral se perde em experimentos controlados de laboratório. Os estudos de casos nos dão chance de descobrir a significação pessoal e a psicodinâmica subjacentes às experiências que, por sua vez, podem oferecer sugestões importantes sobre os possíveis mecanismos de psi. Uma meta importante da pesquisa de laboratório é determinar o grau em que as experiências relatadas nas pesquisas de casos espontâneos e de campo podem ser comprovadas utilizando-se métodos científicos atuais. Se se provar que elas são verificáveis no laboratório, o principal propósito do trabalho laboratorial geralmente muda: de pesquisa “orientada à prova” passa a ser uma pesquisa “orientada ao processo”, com a qual se pretende descobrir os mecanismos psicológicos, fisiológicos e físicos de cada fenômeno.
10. Quais sao as principais criticas feitas a Parapsicologia? Quais as respostas dos parapsicologos? A crítica construtiva é essencial em ciência e é bem-vinda pela maioria dos pesquisadores de psi que estão atuantes na área. É de se esperar que haja um forte ceticismo e muitos parapsicólogos são muito mais céticos em relação a psi do que a maioria dos cientistas “de fora desse campo” imaginam. Entretanto, não se leva em conta que muitas das críticas feitas oralmente à psi são, na verdade, “pseudo-críticas”. Isto é, as críticas mais mordazes e agressivas, ocasionalmente sustentadas por alguns críticos, são freqüentemente lançadas a partir de posições tão fortemente preconceituosas e fechadas que as críticas não são oferecidas como sugestões construtivas, mas como provas autoritárias da impossibilidade de psi. Geralmente, aqueles que não são cientistas, supõem que os debates céticos sobre os méritos da pesquisa de psi seguem os padrões da discussão acadêmica. Infelizmente, não é sempre que isto acontece. A retórica ofensiva e os ataques pessoais surgem com muita freqüencia em debates sobre psi. A ciência social da Parapsicologia, e o modo como a ciência trata as anomalias em geral são tópicos fascinantes que esclarecem por completo o lado verdadeiramente humano da forma de funcionamento da ciência. Uma descrição mais completa desse tópico está além do intenção deste material.
10.1 Crítica 1 Crítica Resultados experimentais aparentemente bem-sucedidos devem-se, na verdade, a: falta de cuidados com os procedimentos, pesquisadores mal treinados, falhas metodológicas, relatórios seletivos, e problemas estatísticos. Não há, portanto, nem vestígio de demonstração científica dos fenômenos psi.
Resposta Essas questões têm sido apontadas com detalhes pelas revisões meta-analíticas da literatura experimental. Os resultados demonstram sem ambigüidades que os experimentos bem-sucedidos não podem ser invalidados por essas críticas. De fato, uma pesquisa realizada por especialistas em métodos científicos da Universidade de Harvard, demonstrou que a melhor pesquisa experimental de psi atualmente não apenas é conduzida de acordo com os padrões científicos apropriados, mas comumente se mantém fiel a protocolos mais rigorosos do que os encontrados na pesquisa contemporânea realizada tanto nas ciências físicas quanto nas sociais. Além disso, ao longo dos anos, tem havido várias réplicas verdadeiramente efetivas a críticas de estudos individuais e, na década passada, os experimentos foram desenvolvidos levando-se em conta todas as críticas que poderiam eventualmente ser feitas quanto à metodologia e à possiblidade fraude ou conluio, fazendo com que céticos fossem incluídos na realização do experimento.
10.2 Crítica 2 Crítica Os fenômenos psi violam os princípios limitadores da ciência e, portanto, são impossíveis.
Resposta Há vinte anos, essa crítica era uma réplica mordaz razoável comumente feita às alegações de existência dos fenômenos psi. Hoje, com os avanços em muitas disciplinas científicas, a visão de mundo da ciência está mudando rapidamente e os princípios limitadores básicos estão sendo constantemente redefinidos. Além disso, o substancial conjunto de dados empíricos da Parapsicologia agora apresenta anomalias que simplesmente “vieram para ficar”. Sendo assim, essa crítica não é mais persuasiva e lentamente está desaparecendo. Dada a velocidade das mudanças da ciência atual, atribuir psi ao reino do impossível agora parece imprudente, no melhor dos casos, e tolo, no pior.
10.3 Crítica 3Crítica A Parapsicologia ainda não tem um experimento “replicável”.
Resposta Muitas pessoas, quando falam sobre um experimento psi “replicável”, geralmente têm em mente um experimento como aqueles realizados em aulas elementares de Física para demonstrar a aceleração da gravidade ou reações químicas simples. Em tais experimentos, em que há relativamente poucas variáveis que, além da baixa quantidade são bem conhecidas e controláveis, os experimentos podem ser realizados por praticamente qualquer pessoa, em qualquer momento, e irão funcionar. Porém, é inadequado insistir nesse grau de replicação no caso da Parapsicologia como o é para a maior parte dos experimentos das Ciências Sociais ou Ciências do Comportamento. Os experimentos psi geralmente envolvem muitas variáveis, algumas das quais mal são conhecidas e muito difíceis ou impossíveis de serem diretamente controladas. Nestas circunstâncias, os cientistas fazem uso de argumentos estatísticos para demonstrar a “replicabilidade”, ao invés da visão comum, porém restrita, de que “se psi existe, eu deveria ser capaz de utilizá-la quando eu quisesse”. Na hipótese de psi não existir, deveríamos esperar que cerca de 5% dos experimentos psi bem conduzidos apresentassem bons resultados (ou seja, estatisticamente significativos), pelo puro acaso.
Mas suponhamos que em uma série de 100 experimentos psi genuínos nós observássemos, de forma consistente, que 20 foram bem sucedidos. É extremamente improvável que isto ocorra pelo mero acaso, o que sugere que psi esteve presente em alguns desses estudos. Entretanto, isto também significa que em qualquer experimento há 80% de chance de “fracasso”. Assim, se um crítico planeja um experimento sobre psi para verificar se o fenômeno é “real” e o experimento falha, obviamente é incorreto alegar, tendo como base um único experimento, que psi não é real porque não é “replicável”. Um método amplamente aceito para avaliar a “replicabilidade” em experimentos é chamado de meta-análise. Essa técnica quantitativa é massissamente utilizada em ciências médicas, comportamentais e sociais para integrar os resultados de numerosos experimentos independentes. Iniciada em 1985, a meta-análise tem sido aplicada a numerosos tipos de experimentos. Em muitos desses estudos, os resultados indicam que os dados obtidos pelos experimentos não foram devidos ao acaso, a falhas metodológicas, a prática de relatórios seletivos, a quaisquer outras explicações “normais” plausíveis. O que permanece é psi e, em vários domínios experimentais, psi tem sido replicada por investigadores independentes.
(Mais sobre replicação e o uso de meta-análises em Parapsicologia) - Discussão técnico-matemática entre céticos e proponentes de psi: “Replication and Meta-Analysis in Parapsychology, Publicado em: "Statistical Science," 1991, Vol. 6., No. 4, 363-403. (Mais sobre a posição dos criticos I) - “Skeptical Resources”, do Committee for the Scientific investigation of Claims of the Paranormal, uma das mais importantes instituições céticas do mundo. (Mais sobre a posição dos críticos II) - “Fórum Cético Brasileiro”, promove o ceticismo científico e o humanismo secular, discute pseudociência e religião no Brasil. (Mais sobre a posição dos críticos III) - “Quackwatch em português, Seu Guia contra o Charlatanismo, Curandeirismo, Fraudes na Saúde e Para Tomada de Decisões Inteligentes”, dirigido pelo médico Steven Barret, um conhecido defensor dos direitos do consumidor dos EUA. (Mais sobre a posição dos críticos IV) - Entrevista com Martin Gardner, um dos mais importantes críticos da Parapsicologia.
11. Por que a Parapsicologia é cronicamente controversa? A Parapsicologia permanece polêmica ainda hoje, mesmo com resultados substanciais, persuasivos e cientificamente aceitáveis, por três razões principais:
1ª.) A mídia e grande parte do público freqüentemente confunde Parapsicologia com crenças sensacionais e não científicas e histórias sobre “o paranormal”. A difusão dessas idéias confusas tem levado muitos cientistas a simplesmente rejeitar o campo como sendo indigno de estudo sério e, assim, pensam que não valeria a pena gastar seu tempo para examinar a demonstração empírica existente. Além disso, compreender a natureza da demonstração empírica existente em Parapsicologia está longe de ser fácil. Apesar de os resultados meta-analíticos serem consistentes e persuasivos, a meta-análise requer conhecimento especializado para que se compreenda esse tipo de demonstração empírica. Para pessoas que não estão familiarizadas com a Estatística, ou não confiam nela (o que geralmente é sinal de mal entendimento), a demonstração não parecerá muito convincente. Essas mesmas pessoas podem, então, ter em mãos um bom material, estar com a psi “bem debaixo de seus narizes”, ou ter acesso a provas auto-evidentes, e, mesmo assim, elas vão encontrar grandes quantidades de demonstrações factuais, mas quase nenhum dado cientificamente confiável. Elas podem então entender as longas discussões sobre Parapsicologia, como esta que você está lendo neste material, como prova de que ninguém sabe o que está se passando e que os cientistas ainda estão basicamente “enrolando”, indecisos sobre esse assunto.Nossa resposta é simples: as demonstrações científicas para algumas formas de psi é extremamente convincente. Em essência, psi existe e estamos começando a aprender um pouco mais sobre ela e sobre quem a possui. Leia todo este material e cheque as referências.
2ª) Mesmo que alguém procure estudar as demonstrações empíricas, muitos dos trabalhos persuasivos estão publicados em revistas profissionais especializadas que têm uma circulação limitada. Essas revistas podem ser encontradas nas bibliotecas das grandes universidades mas, em muitos casos, os estudantes devem procurar reedições e relatórios técnicos dos autores. Este material que você está lendo foi preparado em parte para amenizar esse problema e para fornecer referências de fontes variadas.
3ª) Algumas pessoas têm medo de que psi possa ser existir de verdade. O medo da psi surge, por exemplo, porque as pessoas pensam o seguinte: 1. A psi está associada a forças diabólicas, à mágia e à bruxaria. 2. A psi sugere a perda dos limites normais do ego. 3. As pessoas podem ser capazes de ler sua mente e saberem que você, secretamente (ou inconscientemente), alimenta pensamentos sexuais, agressivos ou coisas piores. 4. Se você fala sobre psi, as pessoas podem pensar que você está louco(a). 5. Se você pensa que vivencia fenômenos psi, talvez você esteja louco(a). 6. Antes de você completar seis anos de idade, seus pais desaprovaram suas pequenas demonstrações de telepatia. 7. Refletir sobre psi nos leva a uma mentalidade supersticiosa medieval que, por sua vez, irá manter uma corrente crescente de pensamentos primitivos e perigosos. 8. Com a ESP você pode saber coisas que você não quer saber sobre você e sobre outras pessoas - isto é, acidentes que estão por acontecer e coisas que você preferiria não ter a responsabilidade de sabê-las. 9. Se isso (8) acontece com você, especialmente se você é uma criança, há uma tendência de que você se sinta responsável pelo que fato que você previu. 10. A psi pode interferir nos processos humanos normais de separação e desenvolvimento do ego. Portanto, nós planejamos estratégias sutis para a inibição cultural. 11. Se você for um telep
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