Entrevista concedia ao Ceticismo Aberto - Ezine #2 - Publicada em 02/04/2004. Disponível em http://www.ceticismoaberto.com/ezine/ezine_02.htm
Interzine
conversa hoje com Leonardo Stern,
graduando em Engenharia de Sistemas
e Computação
(UERJ), Pesquisador Membro do Inter
Psi/CEPE/COS/PUC-SP
CA: O
que é Pesquisa Psi?
LEO:
Psi é o nome dado para interações entre
seres vivos e o meio ambiente que não
podem ser
explicadas adequadamente pelo conhecimento
científico vigente. Pesquisa Psi
consiste na
investigação das alegações de existência dos
fenômenos psi.
CA: A
Pesquisa Psi pode ser considerada Ciência?
LEO:
Sim, na pesquisa psi aplica-se a metodologia
e o conhecimento científico como
princípios
direcionadores da investigação do psi. O
objetivo do pesquisador psi, na
qualidade de
cientista, é investigar alegações de
fenômenos psi. Não cabe ao pesquisador
psi assumir
ou rejeitar a existência do psi sem as
devidas investigações. Infelizmente muitas
pessoas buscam pesquisar de forma a validar
suas crenças pessoais na existência do psi,
este tipo de pesquisa não pode ser
qualificado como pesquisa psi e nem mesmo
como ciência.
CA: Qual
a diferença entre Parapsicologia e Pesquisa
Psi?
LEO:
A Parapsychological Association,
principal associação de parapsicolgia do
mundo,
deu autonomia
para que os pesquisadores de cada país
adequassem a nomenclatura da
parapsicologia à cultura local. No Brasil,
parapsicologia é um termo desgastado e
infeliz,
que nos
remete a idéia de sobrenatural. Muitos
charlatões e religiosos utilizam o título
de
parapsicólogo para realizar consultas
espirituais ou para defender determinadas
crenças religiosas. Para fugir desta imagem
errônea, a maioria dos pesquisadores psi, de
abordagem
eminentemente científica, decidiu adotar o
termo Pesquisa Psi no lugar de
parapsicologia, pesquisador psi no lugar de
parapsicólogo e psi no lugar de paranormal.
CA: Há
alguma evidência que associe a existência
das Faculdades Psi com a existência
da alma,
imortalidade, comunicação dos mortos,
reencarnação?
LEO:
Não. Psi é o termo utilizado para denominar
interações anômalas, caso estas
interações
venham
a ser verificadas, estudadas e conhecidas,
deixam de ser anômalas e
passam a
fazer
parte do conhecimento científico vigente.
Pode ser que algumas destas
interações
revelem novas características sobre a
natureza humana, mas antes de defender
hipóteses
como a
existência da alma ou a reencarnação,
devemos demonstrar a existência de fenômenos
psi
que alterem nossa concepção sobre a natureza
humana. A Pesquisa Psi, como qualquer
outra
ciência, reconhece seus limites e sabe que
seu escopo se resume à realidade
empiricamente acessível. A existência ou não
de uma realidade transcendente não sequer
pode ser
capturada pelo método científico. Defender a
existência da alma agora seria tão absurdo
quanto propor
uma vacina antes de comprovar a existência
do vírus.
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