CLAP demonstra ignorância sobre brincaceira do copo
O site do "Centro latino-americano de parapsicologia", do Padre Quevedo, publicou recentemente um artigo sobre a brincadeira do copo.
Apesar de acertar em dizer que não são "espíritos" que movem o copo na brincadeira, o artigo possui uma série de afirmações sem embasamento científico.
Um internauta teria perguntado:
"Já fizemos algumas vezes a brincadeira do copo. Ela é perigosa?"
Seguem as respostas do Clap e meus comentários:
"Sim, e muito. Não tem nada de brincadeira. Já deixou muitos jovens com medo. Alguns precisaram inclusive de psicoterapia.
(Psicoterapia por causa de brincadeira do copo? Por que não provam que isso já ocorreu?)
Devemos distinguir dois aspectos:
1º) As respostas:
Devem-se a manifestação de fenômenos parapsicológicos. Às vezes se adivinha o passado, ou o futuro, ou acontecimentos longínquos (telepatia e clarividência em Parapsicologia)... Outras faculdades como a memória e talento inconscientes também ajudam... Ainda pode tratar-se simplesmente de invencionices, cálculos etc.
( O CLAP fornece uma resposta totalmente "paranormófila". Partem do pressuposto de que "sem dúvidas" existem a telepatia e a clarividência, quando cientificamente a questão ainda está em aberto. Existem evidências de que estes fenômenos possam existir, mas talvez não existam.)
O que o Inconsciente pensa, sabe, imagina, supõe, inventa... ou adivinha parapsicologicamente, manifesta-o, neste caso, através da mal chamada brincadeira do copo. Manifesta o que desejamos ou o que tememos. Associações inconscientes de idéias...
Verdades ou mentiras?
Adivinhação ou invencionices?
Não se pode confiar no inconsciente!
(O autor do artigo ignora que quem está movendo o copo pode estar DELIBERADAMENTE empurrando-o para determinadas letras, formando respostas e assustando os amigos em volta.)
2º) O movimento do copo:
a) por contato
É um fenômeno de automatismo inconsciente. Não é o copo que mexe os dedos. São os dedos que o mexem o copo. Trata-se de movimentos musculares automáticos, inconscientes, feitos pelas pessoas que colocam os dedos sobre o copo.
Se vocês puserem resina sob o copo para que este encontre alguma dificuldade em deslizar, e sobre o copo colocarem óleo... verão que escorregões dão os dedos, e o copo não se mexerá.
(OK, esta parte está correta.)
b) sem contato
Por faculdades parapsicológicas, por uma energia física exteriorizada (telergia), alguns podem mexer o copo sem contato. Isso é mais raro. Além de que é perigoso para a saúde fomentar ou desenvolver qualquer fenômeno parapsicológico.
Nunca são os espíritos dos mortos que dirigem nossos dedos. Não podem. Eles não agem no nosso mundo. Nossos dedos são comandados pelo nosso próprio espírito.
(Aqui começa a credulidade. Não existem evidências de que fomentar ou desenvolver os SUPOSTOS fenômenos parapsicológicos causem problemas à saúde. O padre Quevedo faz esta afirmação a anos e ainda não mostrou nenhuma prova ou evidência disto. O CLAP ainda esquece de um detalhe. Se não há contato, pode haver um truque de ilusionismo, por parte de um dos participantes. Ainda que exista a telergia, não existem evidências de que pode ser perigoso fomentar isso. Do contrário, que o CLAP prove! Por que eles não demonstram que "inquestionavelmente" existe a telergia? Talvez ganhassem até um nobel de física! Fazer afirmações sem evidências é muito fácil.
Outra bobagem que o autor do artigo diz nas entrelinhas é que "espíritos não agem no nosso mundo", partindo do princípio que ESPÍRITOS EXISTEM! Não existe NENHUMA EVIDÊNCIA CIENTÍFICA QUE CORROBE a alegação da existência de "espíritos", "alma" ou nada parecido. Mais fé religiosa no artigo do Clap.
O texto diz também que "nossos dedos são comandados pelo nosso próprio espírito". Isto chega a ser ridículo, além de ser uma ofensa às neurociências! Nossos dedos são comandados por nosso cérebro, com processos bioquímicos e impulsos elétricos. Quem escreveu este artigo é um religioso, um crédulo de marca maior que precisa ESTUDAR um pouco de CIÊNCIA.
Dica ao autor deste artigo: VÁ ESTUDAR sobre o sistema nervoso! )
Segue abaixo explicação CORRETA sobre a brincadeira do copo:
Muitas pessoas acreditam e até têm medo de que nesta brincadeira, comum entre adolescentes, espíritos movam o copo. Cada pessoa coloca o dedo em um copo, e este vai apontando para letras escritas geralmente em um círculo.
Quem já fez a brincadeira do copo não pode negar: o copo realmente se move e faz isso aparentemente sem ajuda de ninguém. O efeito é desconcertante e capaz de convencer mesmo os mais relutantes em abraçar a explicação sobrenatural.
Mas se é realmente um espírito que conduz o copo, então não faria mal nenhum vendar os participantes da brincadeira, não é? Pois blogs, fóruns de sites espíritas e céticos trazem dezenas de relatos de quem tentou fazer a brincadeira de olhos vendados. Há até relatos de médiuns que fizeram isso na frente das câmeras. Para todos o resultado foi o mesmo: o copo continuou se movendo mas as palavras formadas foram apenas sequências desordenadas de letras. Diante da experiência não há outra conclusão possível: espíritos, se existem, não ficam zanzando por aí movendo copos e pregando trotes em adolescentes. Deve haver outra explicação para o copo que anda.
Se isso não for suficiente para convencê-lo de que não há nenhum espírito envolvido no movimento do copo, tente uma abordagem adicional: faça ao copo uma pergunta que nenhum dos participantes da brincadeira possa conhecer a resposta – como um nome secreto escrito em um papel deixado em outra parte da sala a salvo dos olhares curiosos. Você também pode apoiar sobre o fundo do copo uma pilha daqueles apoios para copos (coasters; na falta deles use CDs) e pedir aos participantes que apoiem seus dedos sobre eles. Depois fique de olho: se o movimento partir do copo (empurrado pelo espírito) a pilha de apoios fará uma escadinha com o copo um pouco à frente dos seus dedos; se o movimento partir dos dedos dos participantes a escadinha será na direção oposta, com os dedos um pouco à frente do copo (dependendo do atrito entre os apoios e o copo é bem provável que os apoios deslizem e o copo nem saia do lugar, o que prova o ponto assim mesmo). Foi com um método parecido, mas mais elaborado, que o físico Faraday provou, no século XIX, que as “mesas girantes”, aquelas que tremiam e pulavam animadas pelos espíritos, na verdade eram empurradas pelas pessoas que se sentavam ao redor delas.
Mas mesmo que não seja um espírito o responsável pelo movimento do copo, como ele se move se os participantes juram que não o estão empurrando? Há sempre um trapaceiro em cada brincadeira? Felizmente, não. A resposta é que os participantes da brincadeira empurram sim o copo, mas o fazem inconscientemente, através de pequenas e involuntárias contrações musculares. Este efeito é bem conhecido pelos médicos e chama-se efeito ideomotor.
O efeito ideomotor é mais comum do que se pensa e você provavelmente já foi vítima dele. Como quando assistia a uma partida de futebol e, sem mais nem menos, chutou a poltrona no momento em que o atacante hesitou com a bola diante do gol. Ou todas as vezes que seus pés procuraram instintivamente o pedal do freio a cada manobra arriscada do seu amigo na direção. Médicos e psicólogos vêem o efeito ideomotor como um tipo de imitação involuntária; o observador age conforme o que vê ou o que gostaria de ver.
Provavelmente o primeiro cientista a se deparar com o efeito ideomotor foi o químico francês Michel Chevreul. Nos primeiros anos do século XIX estava na moda um novo método de análise química que usava um certo “pêndulo exploratório”. Como em um tabuleiro Ouija (que ainda não tinha sido inventado) mas sem o aspecto espiritual (que também não tinha sido inventado), o operador segurava um pêndulo que oscilava sobre as letras do alfabeto, em uma placa, formando os nomes dos elementos químicos. Em 1808 um químico chamado Gerbouin escreveu um livro inteiro sobre esta modalidade de análise química e arrastou vários colegas na nova onda. Chevreul foi um pouco mais cauteloso e decidiu colocar o método à prova. Em suas primeiras experiências, Chevreul constatou que o pêndulo realmente se movia quando colocado sobre uma placa contendo mercúrio e que, quando o mercúrio era coberto por uma lâmina de vidro, o pêndulo diminuía seu movimento até parar. Depois de repetir a experiência várias vezes, sempre com o mesmo resultado, Chevreul decidiu tentar algo inédito; algo tão simples que ninguém ainda tinha pensado em fazer: repetiu a experiência de olhos vendados. O resultado foi que quando um assistente colocava e retirava a lâmina sobre o mercúrio sem que ele visse, nada acontecia; o pêndulo não se movia. Assim Chevreul conclui que ele próprio era responsável pelo movimento do pêndulo, ou seja, por mais que tentasse permanecer completamente imóvel não podia evitar que seus dedos movessem o pêndulo na direção que ele sabia que ele deveria se mover.
Muitos anos depois, em 1853, Chevreul foi indicado pela Academia Francesa de Ciências para fazer parte de um comitê responsável por estudar certos fenômenos sobrenaturais, especialmente as “mesas girantes”, que, como vimos, eram a grande coqueluche daquela época. As mesas girantes já vinham sendo estudadas por cientistas nos EUA e na Inglaterra e eles já tinham descoberto um bocado sobre elas. Por exemplo, eles sabiam que a mesa parava de se mover se a atenção dos participantes fosse desviada ou se o “clima” fosse quebrado durante a sessão. Sabiam que a mesa não se movia se os participantes não possuíssem alguma expectativa de como ela deveria se mover, e também não se movia se metade das pessoas ao redor da mesa acreditasse que ela deveria se mover para a direita e a outra metade acreditasse que ela deveria se mover para a esquerda. Por outro lado, a mesa começava a se mover bem rapidamente se a direção do movimento fosse definida de antemão. Por tudo isso, os cientistas desconfiavam que os participantes, por mais honestos e inteligentes que fossem, estavam movendo involuntariamente a mesa em resposta às suas próprias expectativas. O psicólogo Willian Carpenter deu a esse efeito muscular involuntário o nome de efeito ideomotor. Coube ao físico Michael Faraday demonstrá-lo de forma espetacular, usando um aparato com folhas de papelão presos com elásticos à superfície da mesa. Pelo deslocamento relativo das folhas de papelão, Faraday mostrou como o movimento partia das mãos dos participantes, e não da própria mesa. Assim ele colocou um ponto final na discussão sobre a natureza espiritual do fenômeno.
O efeito ideomotor é tão convicente para aqueles que o experimentam que a grande maioria das pessoas que se inscreve para o Desafio de Um Milhão de Dólares de James Randi é de radiestesistas (profissionais que usam pêndulos como os de Chevreul ou forquilhas para detectar água, petróleo, campos de energia, qualquer coisa). Segundo Randi, essas pessoas acreditam honestamente em seus “poderes” e ficam genuínamente desconcertadas quando falham num exame às cegas (e eles têm falhado). Entretanto, nenhuma dessas pessoas admite a explicação natural do efeito ideomotor, preferindo atribuir o fracasso a algum fator desconhecido.
No Brasil, onde o tabuleiro Ouija nunca foi lançado e a brincadeira do copo é transmitida exclusivamente pelo boca a boca, juntamente com suas histórias macabras, o mito é alimentado em um círculo vicioso ainda maior. Visto dessa maneira, o alerta dos espiritualistas de que os espíritos que respondem à brincadeira do copo são maldosos e zombeteiros se parece mais com uma explicação ad hoc para o porquê das mensagens serem tão assustadoras quanto vagas.
Portanto, se você participar desta brincadeira, não se preocupe. É apenas um prodígio do efeito ideomotor.
Não se esqueça também que as pessoas tendem a se surpreender com aquilo que elas não conhecem o mecanismo.
Pessoas fazendo a brincadeira do copo podem ficar assustadas por mero desconhecimento de seu funcionamento real.
Outras incoerências já ditas pelo CLAP e por Quevedo, devidamente refutadas:
Falando sobre telergia
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Micro-parapsicologia? Um erro do Padre Quevedo e do CLAP
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