Ignorância nuclear

Angra 1
É supreendente ver como a desinformação com uma dose de desonestidade intelectual dissemina idéias erradas pela internet.
Achei um blog que tenta atacar o uso da energia nuclear. O texto está cheio de incoerências científicas, falácias e mentiras deslavadas.
Em itálico, as alegações da ecologista de orkut. Em negrito, as refutações:
É suja. Mais usinas nucleares significam mais lixo radioativo, e ainda não existem depósitos definitivos para os rejeitos de Angra 1 e 2.

Equipamento de radioterapia: Criticar um incidente isolado como o de 1987 em Goiânia e generalizar é irracional.
O lixo nuclear quando é armazenado de forma correta não apresenta nenhum risco ao meio-ambiente.
Sobre Angra 1:
O combustível usado é armazenado na Piscina de Combustível Usado que está localizada no edifício do reator na própria Usina. Os rejeitos radioativos de média e baixa atividades estão sendo armazenados nos Depósitos Iniciais de Rejeitos Radioativos do Centro de Gerenciamento de Rejeitos – CGR da CNAAA, localizado no próprio sítio da Central Nuclear. O CGR é destinado ao armazenamento temporário dos rejeitos nucleares e, no momento, é constituído de duas unidades. A Eletronuclear está procedendo a melhorias nas unidades 1 e 2A e construindo mais outras unidades (Unidades 2B e 3). O custo de manutenção do CGR está incorporado ao custo de Operação e Manutenção.
Em 10 de janeiro de 2003, a Eletronuclear e a CNEN firmaram o convênio 098/02, visando à construção do Depósito Final de Rejeitos Radioativos – DFRR, para onde serão transferidos os rejeitos ora armazenados no CGR. Angra 2 - O combustível usado é armazenado na Piscina de Combustível Usado que está localizada no edifício do reator na própria Usina. Atualmente, os rejeitos de média e baixa atividades gerados por Angra 2 estão armazenados em local específico no interior da Usina. Devido ao pequeno volume gerado por Angra 2, ainda não há necessidade da remoção desses rejeitos para as unidades do CGR. Os custos de armazenamento já estão no custo de operação e manutenção da Usina. Angra 3 – Durante os primeiros anos de operação, os resíduos de Angra 3 ficarão armazenados no interior da própria Usina, como acontece com Angra 2. Depois, serão armazenados nas Unidades do CGR e, futuramente, transferidos para o Depósito Final. Os custos de armazenamento já estão no custo de operação e manutenção da Usina.
É perigosa. Chernobyl e o caso do Césio em Goiânia são apenas alguns dos inúmeros acidentes que marcam a história da energia nuclear.
Mais mentiras e desonestidade intelectual. A tecnologia utilizada nas usinas nucleares modernas É BEM DIFERENTE e aperfeiçoada, se comparada à de Chernobyl. Já o acidente com o Césio em Goiânia foi causado por um aparelho de radioterapia que havia sido roubado e jogado em um depósito, que continha uma fonte de cloreto de césio. Ou seja, não tem nada a ver com usinas nucleares, logo é uma citação desonesta e ilógica. Será que a autora do blog é contra a radioterapia, que trata milhões de pessoas com câncer no mundo todo?
As diferenças entre Chernobyl e Angra 1 são enormes:
O reator acidentado na central de Chernobyl (tipo RBMK1000) difere dos reatores construídos no Brasil (PWR – Pressurized Water Reactor) não apenas no seu princípio físico de funcionamento, mas, também, nas principais características construtivas. RBMK Chernobyl O reator RBMK1000 é do tipo água fervente circulando em tubos de pressão utilizando grafite como moderador de nêutrons.
O combustível consiste de pastilhas de dióxido de urânio enriquecido entre 1,1% e 2% encamisadas em varetas de liga de zircônio. Os elementos combustíveis estão inseridos nos tubos de pressão, que, por sua vez, estão inseridos nos blocos de grafite. A água de refrigeração circula pelos tubos de pressão e passa ao estado de vapor à medida que remove o calor produzido no núcleo do reator. O vapor gerado é separado da fase líquida e levado às turbinas. A água resultante da condensação do vapor expandido nas turbinas retorna e é novamente distribuída pelos tubos de pressão, fechando o ciclo – fig 1. PWR Angra 1 e Angra 2 Nos reatores PWR, a água pressurizada é utilizada como refrigerante e moderador em um circuito fechado (circuito primário), separado do circuito secundário pelos tubos dos Geradores de Vapor.
Veja aqui mais diferenças.
Facilita o desenvolvimento de armas nucleares. Os países que têm o domínio do ciclo de urânio podem desenvolver uma bomba atômica.
Isto não é verdade. O Brasil por exemplo domina tecnologia nuclear desde a década de 70 e nunca desenvolveu armas nucleares. Também há o fato de que o enriquecimento do urânio no Brasil não chega nem perto do necessário para produzir bombas atômicas.Ser radicalmente contra a energia nuclear porque ela pode ser utilizada em bombas é como criticar a fabricação do avião porque ele pode ser utilizado em guerras.
Gera instabilidade geopolítica. A energia nuclear gera uma corrida entre países vizinhos e/ou rivais.
Caso similar ao anterior. Nunca houve instabilidade geopolítica na América do Sul por causa do domínio da energia nuclear no Brasil.
![]() |
Ecologia de botequim: Andaram assistindo muito ao Capitão Planeta...
Não resolve o problema das mudanças climáticas. O ciclo total da indústria nuclear gera emissões de gases estufa. Além disso, seria necessário construir mais de mil novos reatores em pouco tempo para substituir as fontes fósseis, o que é impraticável.
Mentira. Energia nuclear não gera emissão de gases poluentes. Também a autora do blog não fornece provas de que seriam necessários mil reatores para substituir as fontes fósseis.No mais, a energia nuclear pode ser sempre complementar à produção de energia fóssil.
Não gera empregos. Para cada emprego gerado pela indústria nuclear, a indústria eólica gera 32 e a solar, 1426 .
Alegações sem provas. No mais, a cadeia produtiva da indústria nuclear é muito extensa. Desde coleta dos minérios utilizados nos reatores até a manutenção de uma usina, além de estimular pesquisas científicas. Já a indústria eólica por exemplo necessita basicamente de poucas pessoas para fazer a manutenção das turbinas.
É ultrapassada. Vários países do mundo, como Alemanha, Espanha e Suécia, vêm abandonando a energia nuclear.
Mentira novamente. Veja a situação da energia nuclear em alguns países da Europa:
França: A França possui 59 usinas nucleares em operação e 11 desligadas que produziram 78% do total de energia elétrica gerada no país em 2005. A AREVA, fornecedora francesa de bens e serviços nucleares fechou o contrato com a EDF (empresa francesa de energia que opera os reatores) para construção do novo reator Flamanville-3 tipo EPR 1600 MW, localizado ao norte da França, na região de Manche. Os demais fornecedores de equipamentos e serviços também já foram definidos contratados e o início da construção está previsto para o final de 2007. O país reprocessa todo o seu rejeito nuclear e o usa em outros reatores, além de também ter dois repositórios subterrâneos e laboratórios de pesquisa que estudam modos ainda mais efetivos de guardar rejeitos.
Alemanha: A decisão existente para o desligamento das 17 usinas alemãs, até 2020 (fim da vida útil), encontra-se sob forte pressão para que seja revogada. O custo para substituir os 31% (2005) de energia elétrica, gerados pelas 17 usinas nucleares em funcionamento, por energia renovável ainda é alto e necessita de subsídios do governo. A percepção das vantagens econômicas e ambientais proporcionadas pela energia nuclear em relação às alternativas disponíveis está sendo decisiva para a revisão da posição anterior.
A Finlândia possui outras quatro usinas, que, juntas, correspondem à produção de 28% da energia elétrica total produzida em 2006. Na Finlândia os rejeitos de baixa e média atividade são depositados em repositórios subterrâneos, construídos, nos sítios de Olkiluoto (desde 1992) e Loviisa (aprovado em 1992). Desde 1997 o depósito central intermediário, está localizado nas dependências da instalação para depósito final de Olkluoto, de acordo com o Radiation Act. Em 2001 o Parlamento da Finlândia aprovou um projeto de construção de um depósito a 500 metros de profundidade para abrigar em definitivo os resíduos radioativos das usinas nucleares do país, se tornando a Finlândia a primeira a aprovar um plano para enterrar os resíduos em sítios subterrâneos permanentes.
É rejeitada pelos brasileiros. Pesquisa do ISER mostra que mais de 82% da população brasileira são contra a construção de novas usinas nucleares.
Este é um erro de lógica e raciocínio, ou seja, uma falácia. Esta falácia se chama ad populum, que significa tentar validar uma idéia baseado no que um grupo de pessoas pensa. Seguramente grande parte das pessoas é contra a energia nuclear por falta de informação.
Não é renovável! O relatório Revolução Energética mostra como eliminar a energia nuclear e as térmicas a carvão e óleo da matriz elétrica nacional.
Se for pelo argumento de "não ser renovável", então deveríamos abandonar o petróleo imediatamente, o que não é possível. Também não é tão fácil e rápido mudaras matrizes eléticas de um país. Devem ser investidos recursos em tecnologias como a energia eólica e solar, mas a nuclear ainda é uma alternativa viável e que oferece um excelente retorno energético.
Vale lembrar também que durante o "Apagão" de 2001 foi a energia nuclear que evitou a falta de energia total no Estado do Rio.
Fontes:
Veja também:
História da Energia nuclear
Matéria na Superinteressante sobre o tema
