A fotografia "Kirlian"

O pomposamente chamado efeito Kirlian é, com certeza, real, mas não se pode dizer o mesmo das desenfreadas especulações que tomaram conta das mentes carentes do conhecimento científico necessário para compreender o fenômeno. Por um lado, os buscadores do fantástico e do oculto viram nas fotografias Kirlian a demonstração patente da existência do corpo astral, o bioplasma ou a energia vital supostamente superposta ao corpo físico. Por outro lado, vislumbraram a possibilidade de demonstrar modificações do “bioplasma” em diferentes estados fisiológicos e psicológicos, e também visualizar a energia que seria transferida entre os curandeiros e seus pacientes.
O fenômeno de Kirlian não é uma descoberta original. Trata-se de um caso particular de descarga elétrica em gases, cujo estudo estava avançado já em fins do século XIX. À temperatura ambiente, existe em um gás qualquer – inclusive no ar – um número ínfimo de íons ou partículas com carga elétrica (positiva ou negativa). A grande maioria das moléculas que constituem um gás têm exatamente igual número de cargas positivas e negativas, de modo que elas se equilibram; por isso, as moléculas não têm carga total. Quando este gás se expõe a um campo elétrico, os íons positivos e negativos se afastam e são atraídos pelo sinal oposto (em um dos lados do campo elétrico). [Lembre-se que cargas de sinais opostos se atraem e cargas de sinais iguais se repelem]. Estes íons acelerados se chocam com moléculas neutras, tornando-as ionizadas ou excitadas. Se a energia transferida pelo íon à molécula é suficiente, a molécula perde um elétron (que é negativo) e fica positiva. Os novos íons se aceleram pela presença do campo elétrico e começam o processo de novo em uma reação em cadeia.
Assim, a descarga elétrica em gases pode ser observada facilmente no laboratório com um tubo que contenha gás e uma fonte elétrica de frequência variável e alta voltagem. Os terminais da fonte se conectam a dois condutores chamados eletrodos, entre os quais se produz a descarga. O resultado é muito chamativo e até mesmo bonito de se ver. É isso que acontece com o efeito Kirlian: se a iluminação é tênue, a auréola luminosa que impressiona a placa é perceptível a olho nu, como um resplendor azulado (no ar).
Em outras palavras, o rebatizado efeito Kirlian era um fenômeno físico bem conhecido no século passado.
Hoje se sabe que a foto Kirlian nada mais é do que a foto do Efeito Corona.
Normalmente a foto Kirilian é feita contra um fundo escuro o que faz a luz da descarga eletrica seja realçada e adote uma aparência fantasmagórica.
Contudo ao observamos uma foto Kirlian contra um fundo trasparente percebe-se claramente que se trata apenas do “halo” de gás ionizado ao redor do dedo da pessoa…

...similar aquele que se forma sob as nossas mãos quando colocamos nossa mãos sobre um daqueles Globos de Plasma:

Ou será que clips de papel também possuem ” energia vital”?

Links:
“Efeito Kirlian e Corpo Astral”
Explicação sobre o Efeito Corona
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