Hipnose e parapsicologia

Sessão de hipnose médica.

Nos chega a seguinte dúvida:

Posso dizer que hipnose é um assunto para parapsicologia?
Onde surgiu a Parapsicologia? Ou melhor, é uma especialidade da Psicologia?

Primeiramente, vamos falar sobre hipnose.

A hipnose médica (ou hipnoterapia) continua sendo um dos métodos terapêuticos mais controvertidos em Psiquiatria. Ela foi recebida com reservas, depois que recebeu críticas indevidas de Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Mas, voltou com força redobrada após a Segunda Guerra Mundial, tendo sido apoiada como um método válido pelas principais entidades médicas internacionais.

No Brasil, a hipnose passou também por um processo de séria descrença, por ter sido muitas vezes utilizada em palco, por pessoas não qualificadas medicamente, e tendo até mesmo causado prejuízos para as “cobaias” humanas assim utilizadas. Felizmente, seu uso fora do ambiente médico foi proibido por um decreto presidencial na década de 60.

Atualmente, a hipnose é reconhecida como um tipo de tratamento adequado para certos quadros psiquiatricos, e até mesmo como um método de valor para aumentar a resistência imunológica de pacientes, aumentando o nível de células brancas (leucócitos) responsáveis pela defesa do nosso organismo contra as doenças. Por esse motivo, tem sido muito utilizada na terapia da AIDS, pois parece ser o método que mais rapidamente altera a psicoimunologia dos pacientes (alteração do sistema imune através da psique).

A hipnose geralmente não é um tratamento em si. Os diferentes métodos terapêuticos usados pela psiquiatria podem ser realizados melhor e mais rapidamente com a sua ajuda. Uma de suas vantagens é reduzir o tempo de tratamento de um distúrbio mental.

É um dos tratamentos utilizados para:

tirar alguns sintomas de certas doenças mentais, como ansiedade;

reduzir o estresse; tratar traumas psicológicos quando sua causa é pouco relevante;

tratar medos (fobias), como medo do escuro; auxiliar o tratamento de alívio de dores crônicas, como na artrite, na dor provocada por tumores, etc.

A hipnose também é muito utilizada no tratamento de doenças psicossomáticas (por exemplo, úlceras de fundo nervoso), sendo um dos métodos que obtem resultados mais breves e eficientes.

Uma grande vantagem na hipnose é que, ao contrário do que a ficção muitas vezes retrata, ela não tem poder para alterar os valores éticos e morais do paciente. É um dos tratamentos mais sérios em Psiquiatria, e o seu código de ética internacional é um dos mais rigorosos da Medicina. É isenta de perigo, sendo totalmente segura quando controlada pelo médico.

E a parapsicologia com a hipnose? Tem a ver?

Muitas pessoas acham que hipnose é um “fenômeno anômalo”, ou seja, um fenômeno para o qual não há teoria científica capaz de explicar. No início da pesquisa de psi, quando da fundação da Society for Psychical Research, no final do século XIX, os fenômenos hipnóticos não eram bem compreendidos e eram parte do objeto de estudo da Psychical Research (Pesquisa Psíquica, posteriormente, Parapsicologia / que preferimos chamar de Pesquisa Psi). Com o avanço do conhecimento e das técnicas de pesquisa da ciência, sobretudo nas áreas da Psicologia e da Neurologia, descobriu-se que os fenômenos hipnóticos têm uma natureza psiconeurológica.

Os fenômenos hipnóticos e todo o tipo de fenômenos relacionados à alteração da consciência, passaram a ser objeto de estudo da Psicologia e da Medicina, especificamente da Neurologia, da Psiquiatria e de áreas ainda mais especializadas, como a psico-neuro-imunologia. A Pesquisa Psíquica, então, deixou de ter primazia no estudo de tais fenômenos e continuou a estudar outros, cuja natureza ainda não é conhecida e que, aparentemente, parecem envolver algum tipo de interação entre o ser humano e a natureza (que inclui outros seres humanos) de tipo extra-sensório-motor. Apesar dessa dissociação entre Pesquisa de Psi e fenômenos hipnóticos, há estudos que revelam uma correlação entre a alta performance de sujeitos em experimentos de psi e fenômenos de alteração de consciência provocados pelo sono, pela meditação, pelo uso de certas substâncias químicas e, pela hipnose. (Hipnose não é um estado alterado de consciência, mas uma técnica [ou conjunto de técnicas] para provocar alterações de consciência). O livro introdutório ao tema, “Conversando sobre Hipnose”, de Wellington Zangari, editado pela Editora Paulinas, esclarece a relação entre psi, hipnose e estados alterados de consciência e apresenta dados complementares aos interessados.

Sites:
Cérebro e mente

Sociedade Brasileira de hipnose

Com a colaboração do Prof. Dr.Wellington Zangari

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Linha Cética:

Analisando alegações paranormais e sobrenaturais, dentro de uma linha científica e cética.

Por Aurélio Moraes

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